Três focos para começar

O Programa Além das Letras tem como objetivo específico apoiar as práticas de leitura e escrita nas séries iniciais do ensino fundamental. Para isto, definiu três conteúdos principais que são apresentados por módulos à escolha dos municípios integrantes da rede. Para apoiar o formador local foi elaborado um manual, do qual o programa socializa alguns trechos neste artigo

avisala_31_formacao3O objetivo final do Programa Além das Letras1 é contribuir para a formação de usuários competentes da língua escrita. Ensinar a ler e escrever – missão original e irrenunciável da escola – significa desenvolver práticas sociais que envolvam a escrita. Hoje em dia não é mais possível pensar na alfabetização somente como um processo de apropriação de um código. Os estudos sobre didática do ensino da língua afirmam que para aprender a ler e escrever são necessários dois processos:Continue lendo >

Desenhar com esferográfica, por que não?

Sempre à mão, a caneta esferográfica tornou-se a grande cúmplice da ilustradora laura teixeira, que compartilha neste artigo a proposta de uma oficina criativa
As crianças construíram seus próprios caderninhos de desenho (fotos: arquivo da Escola Alecrim)

As crianças construíram seus próprios caderninhos de desenho (fotos: arquivo da Escola Alecrim)

Comecei a desenhar com caneta esferográfica com uns dois anos de idade. Muitas vezes ia com minha família comer fora aos domingos e os únicos materiais disponíveis eram uma caneta Bic azul ou preta e um bloquinho pequeno, que apareciam na minha frente assim que nos sentávamos para esperar a comida. Fui, portanto, adquirindo muita familiaridade com as canetas. Por isso, resolvi usá-las para fazer os esboços de O jarro da memória, o primeiro livro infantil que ilustrei. O resultado agradou o pessoal da editora, e então decidimos que os desenhos finais teriam como base essa técnica. No entanto, para obter uma impressão mais viva, resolvemos usar cores especiais no livro inteiro (e não as cores primárias, como na grande maioria dos casos).Continue lendo >

Quando a Educação Física vira brincadeira do corpo

Novos princípios e atividades ajudam a reinventar a prática tradicional da educação física. O brincar, o conhecimento do corpo e do espaço passam a ser os conteúdos em ação

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A Educação Física, durante muitos anos, sofreu a influência de várias linhas de pensamento e de abordagens diversas. Já foi instrumento de formação militarista, da homogenia e da instituição de um padrão do movimento. Caracterizou-se também, em muitos casos, como uma área que buscava um indivíduo com grande capacidade e performance atlética. Por muito tempo, preteriu indivíduos “menos hábeis” em detrimento de perfis mais promissores.

Porém, nos últimos tempos, a Educação Física na escola vem buscando um novo caráter de atuação, repensando seus princípios e alinhando novos objetivos a serem desenvolvidos. Falamos de uma Educação Física que privilegia o indivíduo e suas capacidades, que pode enxergar em cada um competências motoras e conhecimentos; que reconhece a importância da diversidade dentro do grupo como fator gerador de novos conhecimentos para todos os seus integrantes; e que pode aceitar que diferentes indivíduos cheguem de formas diversas, e a seu tempo, nas expectativas de aprendizagem traçadas.
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Ver além dos rabiscos

Uma das competências mais importantes de um professor de educação infantil é saber observar as crianças com o suporte de um apoio teórico consistente. Neste relato, a professora conta como acompanhou atentamente os desenhos dos alunos eduardo e vitória

Nas primeiras atividades desenvolvidas com o grupo de crianças na faixa etária de quatro anos, me senti frustrada por ver apenas alguns rabiscos que para mim nada diziam. Porém, com os textos que passei a estudar, fui compreendendo o exercício do desenho. A partir daí comecei a observar as crianças individualmente e percebi que a maioria delas já modificava a garatuja e que nem todas permaneciam na mesma linha de conduta. Muitas estavam no movimento longitudinal1 desordenado e não tinham apropriação na forma de segurar o lápis, mas algumas faziam círculos soltos e já enovelavam. Vale lembrar também que todas nomeavam os desenhos. Com base no que fui aprendendo, escolhi as produções do Eduardo e da Vitória, ambos com quatro anos, para relatar a evolução dos desenhos.Continue lendo >

O que nos contam as caveiras

Ao aproveitar o interesse das crianças pelas horripilantes histórias de caveiras e esqueletos, professoras de são paulo encontram maneira criativa de pesquisar e vivenciar o corpo humano
Desenhos feitos pelas crianças da Escola de Educação Infantil Recreio e retirados da Revista Avisa Lá, nº 15, junho/2003

Desenhos feitos pelas crianças da Escola de Educação Infantil Recreio e retirados da Revista Avisa Lá, nº 15, junho/2003

O projeto Caveiras Imaginárias, Esqueletos Científicos foi desenvolvido ao longo do 2º semestre de 2006 com crianças de cinco anos, na Escola de Educação Infantil Recreio, na cidade de São Paulo. Ao longo deste texto, relataremos nosso percurso, explicitaremos os objetivos e compartilharemos alguns frutos colhidos ao final da trajetória.

Antes de se configurar como um tema de estudos, o esqueleto humano despertava grande interesse no grupo, associado às “horripilantes” histórias de terror, bastante requisitadas pelas crianças! O livro Contos de enganar a morte, de Ricardo Azevedo, reinava soberano em nossas rodas de história, trazendo caveiras em suas ilustrações, além da temática recorrente do moço esperto que não quer “bater as botas” e, para tanto, inventa criativas estratégias para enganar a “marvada” e adiar sua partida “desta para melhor”.

Desmistificando a associação do esqueleto humano com histórias de terror, fantasmas e assombrações, propus às crianças a idéia de estudarmos o corpo humano de maneira científica. Um desafio e tanto, que logo contou com a adesão animada do interessado grupo de crianças.
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Vamos ler para aprender

Ao refletir sobre o papel do formador de apoio, a autora dá o exemplo de como ajudar os professores a redescobrir a leitura como ferramenta de estudo

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O processo de formação de um professor envolve inúmeros aspectos ligados à dimensão pessoal, profissional e organizacional. Segundo António Nóvoa1:

“O professor é pessoa. E uma parte importante da pessoa é professor. Urge por isso (re)encontrar espaço de interações entre as dimensões pessoais e profissionais, permitindo aos professores apropriar-se de seus processos de formação e dar-lhes um sentido no quadro das suas histórias de vida”.

Isso quer dizer que, para um professor de fato se envolver num processo de formação continuada, ele precisa passar por intervenções nestes âmbitos, além de construir sua identidade profissional e pessoal de uma maneira complementar. Assim, formadores de professores têm um grande desafio pela frente: despertar um interesse pessoal do professor pela formação, envolvendo-o nos aspectos profissionais e institucionais. Não é algo simples, mas é possível, como relato a seguir, a partir da experiência que vivi como formadora de professoras de três CEIs2 em São Paulo.
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Que choro é esse?

Elemento constante da vida das crianças pequenas e, portanto, da rotina dos educadores, o choro revela sentimentos e necessidades das crianças e exige um ouvido atento de quem quer ajudá-las a se desenvolver bem

Embora haja muita produção acadêmica sobre desenvolvimento infantil, nem sempre é possível derivar do material acadêmico uma prática que apóie as questões interpessoais e emocionais enfrentadas pelos professores. Faltam mais relatos sobre situações reais vividas, pois explicitar determinados episódios cotidianos ajuda na reflexão. Portanto, a decisão de publicar o material a seguir visa contribuir para ampliar o olhar sobre o tema. No CEI Grão da Vida, no qual supervisiono1 um grupo de estagiárias de enfermagem da Universidade Santos Amaro – UNISA, a coordenadora pedagógica Vera Figueiredo – Teca, ao conduzir um grupo de educadores no estudo de alguns capítulos do livro Ética na Educação Infantil2, identificou como tema importante para estudo as necessidades individuais das crianças pequenas.

Algumas situações relatadas ao longo dos grupos de estudo ajudam a pensar sobre a questão.
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