Transformação de versos

Os alunos do Instituto Materno Infantil Flávio Lenzi, na Cidade de São José dos Campos, interior paulista, descobrem a poesia, transformam versos e produzem seus próprios livros, lançados e vendidos na escola

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É cada vez mais comum que as crianças se interessem pela escrita. Em nossa escola procuro, como coordenadora, incentivar os professores a realizarem propostas que desafiem ainda mais esse interesse de seu grupo. Creio que, pelo caminho da autoria, podemos oferecer boas oportunidades de aprendizagem, pois, ao produzir seus textos, as crianças participam do processo de construção de conhecimento.

Desde 2003, realizamos nas salas da Educação Infantil IV (crianças com seis anos) um projeto de produção de livros escritos pelas crianças e editados com apoio da Divisão de Publicações Técnicas da Secretaria Municipal de Educação e da Gráfica da Secretaria Municipal de Educação. Sem dúvida, uma edição bonita dos textos dá ao grupo motivo de orgulho, além da possibilidade de socializá-los com mais pessoas.
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O que é o que é?

Aproveitando o interesse das crianças pelas adivinhações, uma nova seqüência de atividades foi planejada: adivinhações visuais. Das fotos ao livro, as crianças participaram do planejamento e de todas as ações

Livro produzido

Livro produzido


Ao chegar na sala de aula do Pré 2 (crianças de 4 a 5 anos) de uma escola na qual eu trabalhava como professora de artes visuais, notei que a atenção e o interesse da turma estavam voltados para as adivinhas. As crianças divertiam-se na troca de “O que é o que é ?”. Pareceu-me, naquele momento, inadequado quebrar a motivação apresentando a proposta de trabalho que havia planejado para o dia. Rapidamente, precisei me adequar às necessidades da turma. E a idéia surgiu: criar adivinhas visuais. Fiz a proposta às crianças, que aderiram na hora, com muito entusiasmo.

E como faríamos isso? Como construiríamos adivinhas visuais? Continue lendo >

A microbiologia e os cuidados

Os complexos conceitos da microbiologia se iluminam a partir da visita a um museu dedicado ao tema. Olhar os micróbios e bactérias pelo visor de um microscópio é um dado importante para iniciar uma ação fundamentada com vistas a profissionalizar a higienização em espaços educativos
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Os vírus não são visíveis em Microscópio comum. O Museu de Microbiologia exibe essa réplica, de
tamanho aumentado, feita em plástico

Hoje é consenso entre profissionais que atuam com Educação Infantil que cuidar é constituinte do educar. Isso significa que as creches e pré-escolas precisam planejar e manter ambiente adequado para operacionalização dos cuidados de crianças na faixa etária de quatro meses a seis anos em contexto educativo e coletivo. Para tanto, é preciso que os projetos de formação dos diretores, coordenadores, professores e agentes escolares incluam a construção de conhecimentos sobre cuidados com a saúde. Com a finalidade de contemplar essa necessidade, o Projeto Capacitar na Educação Infantil, desenvolvido na região Leste da cidade de São Paulo por meio de uma parceria entre o Instituto Avisa Lá, a Secretaria de Educação da Prefeitura do Município de São Paulo, as empresas Gerdau e o Instituto C&A, prevê, entre outros objetivos, conteúdos e estratégias formativas com vistas à integração do cuidar e educar e à promoção da saúde.
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Apoio à leitura pelo aluno

Visando ampliar as práticas pedagógicas que incentivam a leitura pela criança, formadoras de Boa Vista do Tupim, no interior da Bahia, atuam com os coordenadores pedagógicos das escolas da rede municipal e obtêm resultados no trabalho dos professores. Elas contam com apoio do Projeto Chapada e do Programa Além das Letras.
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Ilustrações Thais Linhares

Ao trabalhar as diferentes possibilidades de leitura desde as séries iniciais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, o professor, além de oferecer textos variados aos seus alunos, deve planejar situações em que as crianças possam ler por si mesmas, mesmo antes que elas saibam ler convencionalmente. Nessas situações, as crianças utilizam-se de estratégias de leituras quando formulam hipóteses sobre o que pode estar escrito, inferem o que não está escrito e antecipam o que encontrarão escrito mais adiante. As crianças pequenas podem apoiar-se em diferentes recursos, como nas imagens de um determinado texto, naquilo que já sabem sobre o seu conteúdo e, até mesmo, no reconhecimento de algumas palavras conhecidas.

É função do professor intervir de maneira que “as crianças consigam ler por si mesmas, que progridam no uso de estratégias efetivas, em suas possibilidades de compreender melhor aquilo que lêem”, como afirma Delia Lerner1. Ainda segundo essa autora, “a ajuda dada pelo professor consiste em propor estratégias das quais as crianças irão se apropriando progressivamente e que lhes serão úteis para abordar novos textos que apresentem certo grau de dificuldade. Além disso, nessas situações o professor incitará a cooperação entre os alunos, com o objetivo de que a confrontação de pontos de vista leve a uma melhor compreensão do texto2”.

No entanto, ainda são poucos os professores que compreendem e conhecem essas possibilidades pedagógicas. Portanto, uma formação tendo como conteúdo a gênese da leitura pelas crianças, o reconhecimento das estratégias que utilizam para ler e os tipos de intervenções que as fazem avançar contribuirá, sem dúvida, para uma alfabetização mais plena. Foi exatamente a que formadoras de Boa Vista do Tupim, participantes do Programa Além das Letras3, e também do Projeto Chapada4, se dedicaram no primeiro semestre de 2006.

Como ensinamos?
Todos os anos temos nas escolas de Ensino Fundamental muitas crianças que ainda não sabem ler convencionalmente. Dessas crianças, a maioria freqüenta a escola por dois, três ou mais anos, seguindo sem aprender a ler. Grande parte delas é proveniente de contextos sociais nos quais as práticas de leitura não são privilegiadas e, por isso, dependem unicamente da escola para ter acesso à cultura escrita e para tornarem-se plenas usuárias dela. Ora, se consideramos que todas as crianças são capazes de aprender – e efetivamente não têm aprendido –, precisamos refletir sobre a nossa maneira de ensinar. Uma vez que a minha atuação como formadora volta-se diretamente para os coordenadores pedagógicos, decidimos investir, nos encontros de formação, em conteúdos que apoiassem o trabalho destes profissionais com os professores.
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Desenhando a imaginação

As gravuras da artista paranaense Denise Roman revelam um universo lúdico, povoado de personagens que flutuam, cenários de fábulas e imagens sobrepostas. Com figuras que parecem ter saído do faz-de-conta infantil, sua obra é um inspirador ponto de partida para trabalhar o desenho de imaginação na sala de aula
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Serão as aranhas que encantam os pássaros ou os pássaros que encantam as aranhas – Denise Roman

A obra de Denise Roman é um convite a olhar para o mundo infantil com seu livre trânsito entre realidade e imaginação. Seu traçado busca liberdade, brincando com os meios e suportes. Atual orientadora de litografia do Museu da Gravura da Cidade de Curitiba, Denise iniciou sua trajetória nas Artes Plásticas na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. Em 1981, começa a usar a transparência em seu desenho. Mistura uma figura na outra e gosta de descobrir o que nasce desta junção. Esta superposição de imagens só é possível no plano da ficção, da fantasia, ingrediente fundamental de seu desenho. O desenho – caminho das linhas ou de pontos em suportes variados – carrega em si possibilidades infinitas e se presta muito bem à representação tanto do mundo real como da imaginação.
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Uma gestão comprometida

Renovar a gestão da EMEI Ana Maria Poppovic, na Zona Oeste da capital paulista, foi o desafio assumido pela nova diretora e toda sua equipe. Da organização do ambiente à redefinição de papéis dos funcionários, cada decisão abriu espaço para uma forma de trabalhar mais integrada, participativa e transparente.
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“A grande mudança exige também esforço contínuo, solidário e paciente das pequenas ações” (Moacir Gadotti, professor e pesquisador de História da Filosofia da Educação, pensador pedagógico e diretor do Instituto Paulo Freire)

Acreditando na necessidade de enfrentar novos desafios e na possibilidade de buscar uma mudança pessoal e profissional, tomei uma decisão bastante significativa na virada de 1998. Deixei uma escola na periferia da cidade de São Paulo, onde fui diretora por 14 anos, para trabalhar numa escola central, no Alto da Lapa, chamada EMEI Ana Maria Poppovic. O presente relato tem, entre outros objetivos, mostrar que há muito que fazer na construção cotidiana da escola pública e que todas nossas opções são determinantes dos resultados. Espero também poder alimentar o espírito de todos que lutam pela educação pública de qualidade. Não há pretensão de aqui apresentar uma receita ou fórmula mágica para o sucesso, mas de tão somente relatar uma experiência, sempre uma boa oportunidade de reflexão sobre a prática mobilizadora de recursos na busca de novos conhecimentos.Continue lendo >