Comparando diferentes versões de Pinóquio

A presença regular e intencional de situações em que o professor lê livros de literatura infantil para os alunos é recomendável por uma série de motivos. O principal deles refere-se ao propósito de formar leitores competentes, criando condições para que os alunos possam participar de uma comunidade de leitores e inserir-se no mundo letrado
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Ilustrações da coleção colorida “trópico” pinocchio – livraria martins editora S. A.

A seqüência de atividades de leitura1 explicitada a seguir pretende auxiliar o aluno a ampliar sua competência enquanto leitor, por meio da interação com os livros, com o professor e os colegas. Essa ação tem a intenção de contribuir para a descoberta do valor da leitura de textos literários, assim como para o desenvolvimento do gosto pessoal do leitor.

A seqüência de atividades propõe a leitura e a comparação de diferentes versões2 de uma narrativa clássica da literatura infantil: Pinóquio3. As situações que compõem a atividade são as seguintes: leitura feita pelo professor (em várias sessões) da versão original da história; leitura feita pelo professor de uma segunda versão; reescrita em grupos de um fragmento do texto da segunda versão lida; leitura pelos alunos de outras duas versões; acompanhamento de uma versão filmada.
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Traga notícias do mundo

“Quando você voltar traz mais notícias do mundo?” Assim uma criança de 5 anos de pré-escola despede-se do formador1, desejando que ao retornar traga novos aprendizados na bagagem: livros, vídeos, imagens e jogos, que sempre carrega consigo. Este artigo trata do desejo de conhecer o mundo que as crianças pequenas possuem e de como seus professores podem contribuir para concretizá- lo
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Tabuleiros de jogos feitos por crianças da rede pública de Cajamar

Esse trabalho consistiu no desenvolvimento de dois projetos simultâneos: um didático, direto com as crianças, chamado Tabuleiros do Mundo Todo, e outro de formação, com professores e coordenadores pedagógicos. A escolha dos conteúdos, a partir do desenvolvimento do trabalho com jogos, justificou-se pela demanda dos professores da rede de educação do município de Cajamar, São Paulo, que queriam ampliar seus conhecimentos em relação aos projetos na área de Natureza e Sociedade.
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Encontros e despedidas

Talvez a competência mais importante para uma professora de educação infantil seja Ouvir – assim mesmo, com “O” maiúsculo – suas crianças. Neste relato, karina, com delicadeza, humor e sabedoria, apresenta pequenas pérolas do pensamento infantil e deixa transparecer a qualidade dos vínculos que construiu com seu grupo de crianças

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Desenho: Teresa, 5 Anos


São 25 crianças de 4 anos, no período da manhã, e mais 35 no período da tarde. Para cuidar dos pequenos na sala de aula, só eu, Deus e os cinco anjos da guarda que cada um deles deve ter. Sim, porque cada criança pequena deve ter mais de um anjo da guarda. Afinal, elas fazem as maiores loucuras todos os dias e sempre voltam para casa inteiras. Mesmo nas condições mais complicadas conseguem se divertir, já que no caso desta turma, estudam em uma “escola de latinha”1. E, além disso, elas ainda dividem a alegria de viver conosco, as desvalorizadas professoras da Educação Infantil.

Infelizmente, muita gente não percebe que, trabalhando com crianças, dá para colecionar diariamente gotinhas de sabedoria, carinho e felicidade, mesmo desde o primeiro encontro, quando muitos choram, porque querem ir embora. Difícil essas coisas da vida. Eles chegam tão bebês, não sabem pegar no lápis, ir ao banheiro sozinhos. Muitos não sabem nem tirar a blusa quando faz calor ou falar o que pensam e sentem. Sofrem demais com essa coisa de ter de ir para um lugar desconhecido, sem nenhuma pessoa familiar por perto, só porque os adultos decidiram que é bom para eles.

Alguns choram muito, desesperados, mas, aos pouquinhos vão aprendendo que tem hora para tudo. Hora para aprender a amarrar o cadarço do tênis ou hora para aprender a se defender dos outros. E logo se dão conta de que, por mais que demore, a hora de ir para casa sempre vem. E, aos pouquinhos, eles vão aprendendo a contar o que pensam, a negociar, a conviver com os “nãos” e com os pontos de vista diferentes.
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A função formadora dos coordenadores pedagógicos

Em geral, a trajetória de formação do coordenador pedagógico apresenta uma grande defasagem entre os conteúdos aprendidos e a demanda de trabalho relacionada à atuação junto aos professores. Neste artigo, a cidade de Itupiranga revela como está resolvendo a questão
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Produtos finais do Projeto Didático Contos de Fadas – Exposição realizada na Escola Serafina de Carvalho, Itupiranga – PA

A participação em processos de profissionalização, que responda às especificidades da função do coordenador pedagógico, tem se colocado como condição necessária para o desenvolvimento de uma prática de intervenção adequada aos processos de ensino e de aprendizagem realizados no interior da escola. A não existência de um preparo específico leva o coordenador a manter-se distante de seu verdadeiro objeto de trabalho: a formação continuada do professor. Não é de se espantar que, durante muito tempo, este profissional tenha se envolvido com questões burocráticas ou tenha atuado como uma espécie de supervisor controlador.
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Tudo igual, tudo diferente

As turmas do Pré 1 (crianças de 5 anos) participaram de um projeto que provocou o interesse de todos: a produção de um calendário para o ano vindouro. Os calendários foram concebidos pelas crianças, que engajaram-se na sua confecção desde a organização dos dias da semana no papel, até a escolha dos temas, frases e imagens, além da cuidadosa produção dos desenhos, brinquedos e ou modelagens que serviram de ilustração para cada mês
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Calendários feitos por crianças do Colégio Santa Cruz

O Projeto Calendário Ilustrado nasceu da iniciativa de duas professoras1. O sucesso da proposta, lançada inicialmente em 2002, foi tão grande que passou a fazer parte da programação didática da escola, ganhando cada vez mais consistência, na medida em que é constantemente reavaliado pela equipe pedagógica. É uma interessante forma de congregar todas as turmas em um projeto comum que, no entanto, guarda as peculiaridades e interesses de cada classe.

Em 2005, o projeto tomou conta de todos os grupos das crianças do pré 1. O objetivo foi a elaboração de um produto coletivo destinado a ser usado no ano letivo seguinte. Com essa iniciativa, foi possível apoiar a passagem das crianças para o ano vindouro, uma vez que, de forma simbólica, levaram, no material produzido, parte dos saberes construídos ao longo do ano. Além disso, o trabalho possibilitou aprendizagens em Artes, Matemática e Língua Portuguesa. A confecção do calendário ilustrado, como portador de números, palavras e imagens, teve a duração de 6 meses, iniciada no segundo semestre letivo.

Garantindo as condições didáticas
As crianças, nessa escola, entram no pré 1 e, já no primeiro semestre, têm contato com o calendário na rotina do trabalho escolar e ganham, assim, familiaridade com o mesmo, no que diz respeito à percepção da passagem do tempo. Aprendem a assinalar os dias que passam e marcam datas importantes, como aniversários, comemorações coletivas, passeios, etc. Esse contato é uma das condições didáticas a serem seguidas para o sucesso do projeto. Crianças e professoras de cada sala escolhem um tema como ilustração. Para tanto, elas são convidadas a trazer calendários que possuem em casa para analisarem as temáticas que aparecem. Aprendem também muito sobre sua forma e função. Para que servem? Quais as especificidades? Questões como “por que o primeiro dia de cada mês nem sempre é um domingo” e outras indagações semelhantes passam a fazer parte das reflexões infantis. As crianças, enfim, estudam as regularidades e características desse instrumento de medição de tempo.Continue lendo >