Homens das cavernas: uma viagem no tempo

Crianças de 4 a 5 anos recriam a seu modo, e com as informações de que dispõem, um ambiente pré-histórico. Felizes, encenam atos para compor um filme de vídeo a ser apresentado aos pais

tempo14

Logo nos primeiros dias após as férias, as crianças me questionaram sobre o que iríamos “estudar”: “Andréa, de tarde a Rosane disse que a gente vai estudar o Japão. E de manhã, o que a gente vai estudar?”. Retomei com eles a proposta firmada no semestre anterior de produzirmos uma fita de vídeo sobre os homens das cavernas. Para tanto, precisaríamos saber mais sobre o assunto e este seria, portanto, nosso projeto de estudo. Imediatamente uma criança protestou: “Mas a gente já estudou isso! A gente leu o livro do Rupi!”.

Eu concordei com o protesto, mas disse que durante as férias a escola adquirira vários livros novos superinteressantes que mostravam muito mais coisas do que a gente havia visto. Curiosos e interessados que são, empolgaram-se com a notícia e disseram: “Você traz amanhã pra gente ver?”.
Continue lendo >

O universo lúdico do conhecimento

O universo científico está intrinsecamente relacionado ao lúdico. Ambos são espaços de possibilidades, investigação, autoria, autonomia, construção de conhecimento e subjetividade. É cada vez mais urgente que a escola de educação infantil assuma uma concepção de ensino que não separe o raciocínio da imaginação. É esse o objetivo do projeto homem das cavernas: uma viagem no tempo
avisala_23_reflex1.jpg

Grafismos encontrados na região de São Raimundo Nonato – PI
Ilustrações: A Arte Rupestre no Brasil

Encarar o estudo na escola de Educação Infantil por meio de uma perspectiva lúdica do conhecimento implica não apenas fazer associações dos projetos de pesquisa com brincadeiras, como também propor situações nas quais o aprendizado seja uma aventura de conhecimento em consonância com a forma de pensar das crianças e seu pensamento sincrético que mescla fantasia e realidade.

No projeto Homem das Cavernas: Uma Viagem no Tempo, do qual tive a oportunidade de participar enquanto coordenadora, dialogando com a professora Andréa Campidelli1, pude observar com atenção seu grupo de “pesquisadores mirins”, entre 4 e 5 anos. Foi possível investigar muitas situações de aprendizagem que realmente fazem sentido na Educação Infantil, as quais pretendo aqui partilhar com o leitor.
Continue lendo >

Às voltas com os números: pesquisar, ordenar e comparar

De forma não convencional as crianças recorrem a contagens e operações para resolver pequenos problemas do cotidiano. A escola de educação infantil pode contribuir decisivamente para a aproximação da criança com os conhecimentos matemáticos construídos socialmente

avisala_23_tempo1
Ainda que não freqüentem nenhuma escola as crianças participam de uma série de situações envolvendo conhecimentos sobre a série numérica oral e seu uso em situações de enumeração, assim como aprendem sobre escritas numéricas em diferentes contextos – ao brincar com um telefone e dizer uma sucessão de números, ao pedir uma determinada quantidade de biscoitos, quando um adulto lhe pergunta quantos anos tem, etc.

“A notação numérica aparece diante das crianças como um dado da realidade.”1Continue lendo >

Andanças por São Paulo: um projeto de ampliação cultural das equipes de apoio

A formação continuada em uma instituição de educação envolve todos os profissionais que nela trabalham, e não apenas os professores. Neste artigo, o acesso democrático à cultura foi o mote para um projeto que envolveu as equipes de apoio de dois centros de educação infantil da capital paulista
avisala_23_andancas1.jpg

Teatro Municipal de São Paulo

Dirigir uma instituição de Educação Infantil significa gerenciar diferentes projetos de formação que, embora tenham todos um objetivo comum – o de proporcionar uma Educação de qualidade para as crianças – trabalham de forma específica com os diferentes atores. A parceria entre gerentes e/ou diretores e coordenadores pedagógicos que planejam juntos as ações de formação garante harmonia e coerência da proposta educativa como um todo. Exemplificando essa atuação conjunta apresentamos o Projeto de Ampliação Cultural para as equipes de apoio (auxiliares de limpeza e de cozinha) e educadores dos Centros de Educação Infantil (CEIs) Dom José Gaspar e Isabel Ribeiro, na capital Paulista, que teve como objetivos, o acesso aos equipamentos culturais da cidade, e propiciar maior habilidade com a leitura e a escrita, visando uma melhor integração com a atuação da área pedagógica.Continue lendo >

À imagem e semelhança

A elaboração dos bonecos
Fotografei digitalmente algumas crianças muito queridas do Centro de Convivência Infantil do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, creche onde desenvolvi com as educadoras o projeto O Ambiente Físico e Objetos que Educam. Trabalhei as imagens no computador – no programa Photoshop –, primeiro transformando-as em preto-e-branco e aumentando o contraste e brilho para realçar o volume. Distorci livremente para que ficassem um pouco mais gráficas e menos realistas. Adeqüei o tamanho das imagens para uma folha de papel A4 e imprimi. Escolhi uma de menino e outra de menina para servir de referência para meu desenho.

avisala_23_sus1

Com fita adesiva, fixei-as uma a uma numa chapa de eucatex um pouco maior e, sobre elas, coloquei uma folha de papel vegetal fino, onde desenhei, com lápis counté, primeiro nas cores marrom claro e escuro e depois em preto, destacando e transformando detalhes para realçar e acentuar as sombras. Assinei e copiei o resultado com o scanner. Com um toque a mais de sombreado no computador, as imagens ficaram prontas para serem impressas na quantidade requerida.

avisala_23_sus2

Profissional das artes
A artista visual Beatriz Bianco orienta oficinas de artes plásticas para formação de professores, educadores de creches e cursos projetados especialmente para escolas, empresas, instituições e eventos.

(Beatriz Bianco, educadora e artista plástica, E-mail: [email protected])


Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #23 de julho de 2005. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – http://loja.avisala.org.br

Só não enxerga quem não quer: racismo e preconceito na Educação Infantil

São pequenos gestos, situações cotidianas, uma palavra aqui outra ali, um material apresentado ou a falta dele e diariamente as crianças negras sofrem situações de discriminação na escola e muitas vezes já nos centros de educação infantil. Pouco se discute sobre o assunto. Na maioria das vezes paira um silêncio revelador da desigualdade de tratamento oferecido às crianças brancas e negras
avisala_23_racismo2.jpg

Brinquedos para valorizar a imagem dos afro-descendentes (foto: Marco Antonio Sá)

Temos uma amiga negra, a Ba, que ainda hoje, aos 40 anos, lembra-se da primeira vez em que a diferença de cor foi motivo de tratamento discriminatório. No jardim da infância que freqüentava, uma criança branca perdeu sua pulseira de ouro e sua mãe foi à escola reclamar exigindo conversar com a mãe de Ba. Nossa amiga não esteve presente e nunca conversou sobre isso com a sua mãe, mas sabe que o conteúdo da conversa foi uma acusação de roubo. Na época, Ba intuiu que estava sendo acusada por ser a única menina negra da classe. Muitos anos se passaram até que ela conseguisse falar sobre a situação sem ficar tomada pela emoção.
Continue lendo >

Nenhum a menos*

Inclusão na escola e democratização do acesso à cultura letrada é, sem dúvida, uma das prioridades da educação em nosso país. No município de embu, são paulo, um esforço coletivo de professores e formadores garante a aprendizagem de todas as crianças, incluindo-as na cultura escrita

avisala_23_paula4
O título deste artigo, inspirado na produção cinematográfica de mesmo nome, reflete o espírito do projeto educacional desenvolvido pelo município de Embu. No filme, uma jovem novata no ofício de lecionar, ao ter que substituir o professor titular numa escola de precárias condições, segue as orientações que recebeu de seu antecessor: “Quando eu voltar quero encontrar todos os alunos, não quero nenhum a menos”. O desafio lançado ajuda-a a perceber que é preciso empenhar-se para que os alunos não desistam de estudar, abandonando a escola.Continue lendo >