Em Português bem escrito

Trabalhando a revisão de textos bem escritos, em grupos e individualmente, auxiliamos as crianças a aprender ortografia e pontuação desde a 1ª série

Neste artigo está o resultado de um semestre de trabalho intenso na 1ª série. Para entendê-lo em toda sua magnitude é preciso contar um pouco dos bastidores deste contexto de trabalho. As crianças dessa classe convivem com as práticas sociais de leitura e escrita desde as séries anteriores. A escola entende que a leitura tem um papel fundamental para o desenvolvimento da capacidade de produzir textos escritos. Através da leitura, as crianças entram em contato com toda a complexidade da linguagem escrita, com as diferentes funções comunicativas dos textos, ampliam o repertório textual e a condição de produzir os próprios textos, entre outras possibilidades. Quando as crianças ainda não sabem ler, é a professora quem realiza as leituras.Continue lendo >

Tudo o que eu queria na vida era ler

Casos como o que relatamos a seguir são muito comuns no Brasil: crianças que freqüentam a escola por anos a fio e não conseguem ler nem escrever. Felizmente a situação não é irreversível. Veja o que é possível fazer
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Foto: Marcelo Pereira Pinto

Fabrício, 10 anos, aluno da quarta série de uma escola pública e do programa de ação complementar EGJ1, é uma entre tantas crianças brasileiras em séries escolares avançadas que não sabem ler nem escrever. Deparei-me com esta realidade ao iniciar o trabalho nos EGJs: Rodrigo, 14 anos, Guilherme, 12 anos, Jéssica, 9 anos, Paulo, 9 anos. Crianças espertas, solícitas, inteligentes, todos alunos assíduos de suas escolas; no entanto, algumas não conheciam as letras, outras eram apenas capazes de escrever o nome. Podia-se dizer que estavam fadadas ao insucesso e a continuar na mesma condição de pobreza em que viviam. Não porque vinham de famílias pobres, pois condição social nunca foi pré-requisito para alfabetização, mas porque não tiveram a sorte de encontrar em seu percurso de aprendizagem condições mais favoráveis ao ingresso no mundo das letras.Continue lendo >

Observadores da natureza

O Brasil sempre exerceu grande fascínio sobre o olhar dos viajantes. Os relatos de viagens, as descrições das terras brasileiras, dos animais e das flores, tão estranhos ao estrangeiro, enchiam sua imaginação e excitavam sua curiosidade
Maracujá (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705

Maracujá (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705

As primeiras imagens das paisagens brasileiras foram produzidas pelos holandeses entre 1637 e 1645. Os pintores que acompanharam Maurício de Nassau em sua chegada ao Brasil vieram com a missão de registrar e enviar por meio de suas pinturas um pouco do que viam nas terras brasileiras. Frans Post é um dos mais importantes da época, seguido de Eckhout, que trouxe para o centro da paisagem os tipos humanos que aqui viviam. As produções, misto de realidade com a ficção criada pelos olhares dos artistas, traziam em suas paletas os tons e os modos da pintura holandesa do século XVII. Continue lendo >

Verde que te quero ver diversificar

Ajude as crianças a fugir do lugar comum! Veja como é possível substituir os desenhos simplificados e empobrecidos por uma diversidade de encher os olhos

Produções ricas em detalhes das crianças da EMEI Maria José Dupré

Comecei a trabalhar na Escola Municipal de Educação Infantil Maria José Dupré em agosto de 2002. Como professora recém chegada, precisava conhecer melhor as crianças e o que elas sabiam, por isso planejei momentos para que elas desenhassem utilizando os recursos que conheciam.

Ao analisar os resultados, chamou-me a atenção, em especial, a produção do 3o estágio F, um grupo de 35 crianças com 6 anos de idade. Observei que a maioria fazia casinhas e árvores estereotipadas.
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Cestinhas Surpresa

Cestinhas Surpresa

Regularidade e diversidade: componentes fundamentais no planejamento de atividades para bebês

Professora e crianças em interação (Foto: Rosemeire Rodrigues)


Em um um berçário as crianças devem explorar com segurança o mundo que as cerca, interagir com adultos e entre elas, brincar, transformar, aprender a se comunicar, ir conquistando maior independência. A diversidade de experiências amplia as possibilidades de um desenvolvimento pleno e da participação ativa nos desafios que o dia-a-dia impõe.

Foi nesta perspectiva que iniciei um trabalho com crianças das creches Papa João XXIII e Dom José Gaspar, ambas integrantes do Programa Capacitar Educadores, de São Paulo1. Meu trabalho consistia em uma intervenção de duas horas com as crianças, seguidas de uma hora de discussão com as professoras, que observavam atentamente minha prática.
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Um baú de histórias para ler e contar

Saber ler e contar histórias para crianças pequenas é muito importante, tanto pelas questões afetivas que envolve como pela aproximação das crianças com o mundo da escrita. Mas essa é uma competência que precisa ser desenvolvida, como conta a professora Kátia.


A vida da gente muitas vezes dá uma história. É como se abríssemos um baú e descobríssemos dentro dele algo que não imaginávamos pudesse existir.

Assim é a minha vida. Não me lembro de ter lido um livro de contos nos meus primeiros anos na escola, não sentia prazer na leitura, achava cansativa, só tinha meus livros escolares e seu conteúdo não me atraía.

Eu sabia apenas que precisava passar de ano. Não tive o privilégio de encontrar alguém que despertasse em mim o prazer pela leitura, que me fizesse sonhar, imaginar, viver esse momento maravilhoso no mundo das histórias. Só aos 11 anos li meu primeiro livro de história. Antes disso não me lembro de nenhuma situação relacionada a histórias com meus pais, professores e nem de ter ao menos segurado um livro de contos infantis.

Foi aos 11 anos que sonhei, pela primeira vez, diante de um livro. Quem diria que um dever de casa me traria tanta emoção, suspense, prenderia minha atenção, me fazendo mergulhar num mundo cheio de fantasias que fez até rolar dos meus olhos algumas lágrimas.

“A Borboleta Atíria”, Continue lendo >

O que significa cuidar de alguém

Cuidar dos bebês e educá-los são faces da mesma moeda: a promoção do desenvolvimento orgânico não está separada das atitudes e dos procedimentos que ajudam a criança a construir conhecimentos sobre a vida sociocultural

Mães cuidando dos filhos no Congo

Para refletirmos sobre o cuidado com crianças atendidas em berçário das unidades de educação infantil, precisamos rever dois conceitos: berçário e cuidado. De acordo com o dicionário de língua portuguesa, “berçário” é uma sala ou quarto das maternidades onde ficam os berços destinados às crianças recém- nascidas.

Provavelmente foi com base nesta concepção que as primeiras creches da cidade de São Paulo, algumas localizadas em empresas, denominaram berçário: o setor que atendia crianças “de berço”. Em que pesem os avanços na educação infantil, a palavra ainda é utilizada tanto para designar um setor da creche quanto uma unidade de educação infantil destinada ao atendimento de crianças menores de 2 anos.
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