Revista Avisa lá #38

Interação no berçário

Tempos, espaços, materiais e boas intervenções pedagógicas determinam a qualidade de atendimento a bebês em espaços de educação infantil
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B2: Apreciando imagens de movimento (foto: Clarice Ramos)

Segundo o Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, a palavra ambiente pode ser compreendida como aquilo que rodeia ou envolve os seres por todos os lados e constitui o meio em que se vive. E na Educação Infantil, o que rodeia e envolve as crianças? As respostas variam de acordo com o contexto, mas certamente ligadas à organização de tempos, espaços e materiais presentes na instituição. Como princípio, acredito que esses elementos precisam ser bem organizados para possibilitar descobertas e aprendizagens.Continue lendo >

Revista Avisa lá #38

Não ao desperdício

Mudança de cultura em relação à preservação do ambiente pode e deve começar cedo pela incorporação de novos hábitos ao cotidiano
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Fotos: Renata Rendeiro

O projeto “Não ao desperdício” teve início em fevereiro de 2007, no Jardim de Infância do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo – SP, e permanece até hoje. Professores e demais funcionários da escola, crianças de 2 a 6 anos e suas famílias se envolveram com o trabalho. Ele baseou-se na “Carta da Ecopedagogia”, do livro Pedagogia da terra, de Moacir Gadotti, que propõe “reeducar o olhar das pessoas, isto é, desenvolver a atitude de observar e evitar a presença de agressões ao meio ambiente e aos viventes e o desperdício, a poluição sonora, visual, da água e do ar. Para intervir no mundo no sentido de reeducar o habitante do planeta e reverter a cultura do descartável”. Desperdício pode ser tanta coisa. Sugere uso excessivo de água, da energia, dos alimentos. Nós, que lidamos com crianças, temos de educá-las para consumir apenas o necessário. O projeto surgiu das ideias que vêm sendo discutidas de modo geral no mundo e da preocupação da equipe docente em orientar suas turmas para uma nova realidade que se vislumbra no planeta. Muito tem se falado na mídia, porém o que tem sido feito efetivamente no dia-a-dia em casa e nas escolas sobre o assunto? Com essa questão, demos o pontapé inicial.
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Revista Avisa lá #38

Pensamento sincrético em conversas infantis

Compreender as falas das crianças é tarefa fundamental dos profissionais da educação infantil
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Luciano, 5 anos (borboletas vermelhas) / Ingrid, 5 anos (borboleta azul)

Neste artigo, são apresentadas análises de conversas entre crianças de 4 a 6 anos1, todas elas apoiadas nas teorias do psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1879-1962) e do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934) sobre o pensamento sincrético e suas manifestações, já que é precisamente entre 3 e 7 anos que esse pensamento se evidencia em crianças. Esse tema foi escolhido pelo interesse que as falas dos pequenos podem despertar em quem os observa ou os acompanha. Antes, porém, uma rápida explicação.

Sincretismo é uma qualidade do pensamento infantil, que imprime à linguagem características únicas, bem próximas da estrutura poética. Por essa razão, parece legítimo refletir sobre como os adultos atuam diante dessas manifestações. Tive a oportunidade de observar diferentes rodas de conversas, de participar de algumas delas e de elaborar outras tantas durante os três anos de faculdade. Esses momentos foram possíveis por conta dos estágios de observação, pela possibilidade de acompanhar a elaboração dessas aulas pelas professoras dos cursos e, mais recentemente, pela minha atuação como professora de Educação Infantil.

Com isso, pude observar maneiras e procedimentos distintos de educadores ao conduzirem as conversas propostas à roda, estimuladas pelos mais variados acontecimentos cotidianos tão característicos dessa etapa da educação: o desenvolvimento de projetos, interesses compartilhados entre as crianças ou novidades, temperados pela individualidade de cada participante. Sentia certo incômodo ao ver desperdiçadas ou descartadas falas infantis interessantes apenas por parecerem fora de contexto ou por suscitarem dúvidas quanto à sua veracidade. E ao tomar conhecimento acerca das características do pensamento sincrético, minha inquietação aumentou.Continue lendo >

Diálogos formativos

Ações formativas nos municípios do Programa Além das Letras são apoiadas a distância pelos consultores. Devolutivas, reuniões online, indicação de textos e vídeos alimentam o processo local a cada encontro de formação
Polyana Contarato

Polyana Contarato

Apoiar os planejamentos dos encontros de formação que se realizam nos municípios é uma das principais ações do programa Além das Letras1. O desafio é estabelecer ao mesmo tempo unidade de ação entre os diferentes municípios e possibilitar que as especificidades de cada grupo de profissionais sejam consideradas. Sem dúvida, o respeito ao pilar básico da metodologia que incentiva a reflexão sobre a prática pode auxiliar a possível contradição entre objetivos e metas do programa e a autonomia dos municípios. Mas abandonar uma prática tradicionalmente transmissiva para evitar o “democratismo” de só atender àquilo que cada professor manifesta como necessidade formativa é bastante difícil. Para uma ação formativa atrelada às questões de salas de aula que envolvam leitura e escrita, ponto central do programa Além das Letras, discussões sobre as estratégias de formação mais eficientes e sobre o papel do formador de coordenadores pedagógicos (CPs), e destes com os professores, são bastante relevantes.Continue lendo >

Redução das faltas dos professores

Gestão escolar democrática e participativa pode ser um dos caminhos para acabar com o absenteísmo em instituições de educação infantil? Conheça essas idéias
Pintura feita por Johnny, 5 anos

Pintura feita por Johnny, 5 anos

Este relato integra o projeto de pesquisa de mestrado, ainda em andamento, sobre o absenteísmo de professores de Educação Infantil na rede escolar paulistana. A intenção aqui é focar e apontar a influência da gestão democrática da EMEI Ana Maria Poppovic, em São Paulo – SP, como elemento responsável pela constituição de uma equipe autora de sua prática, capaz de intervir nos espaços escolares e também mais compromissada com a frequência ao trabalho. As faltas docentes têm ocupado manchetes de jornais, muitas vezes com informações parciais, superficiais e até tendenciosas e equivocadas. O fato é que a opinião pública, conforme investigação realizada pelo Ministério da Educação, em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2005, diz que a categoria docente pública é vista como um segmento dotado de proteções e regalias pouco comuns aos profissionais do mercado privado. Entre os argumentos, são citados o excesso de abonos e greves e a ausência de punições e responsabilização pelas faltas.

A palavra absenteísmo é de origem francesa (absenteísme) e significa pessoa que não comparece ao trabalho ou se ausenta por diferentes motivos, propositais ou por situações alheias à sua vontade. O que o caracteriza é a imprevisibilidade, pois não é algo que pode ser esperado ou planejado com antecedência como férias, folgas e feriados. Ele é marcado pelas faltas abonadas, justificadas, licenças-médicas e por outros motivos impeditivos ao trabalho.Continue lendo >