E depois de ler, fazer o quê?

Trocar idéias, confrontar opiniões, conversar com as crianças… Parece simples, mas muitos professores ainda têm dúvidas do que fazer depois da leitura de histórias.
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Cerimônia para Oxalufã Artista: Carybé

Aleitura de histórias em sala de aula tem sido uma atividade permanente na Educação Infantil, mas com resultados nem sempre satisfatórios e produtivos, tanto para os educadores como para as crianças. Ainda dominam encaminhamentos que objetivam fixar o texto ou verificar sua compreensão – a conhecida interpretação de texto, herança de uma visão da leitura como passível de apenas uma interpretação.

De modo geral, esta orientação tem sido aceita quase como a seqüência natural da atividade de leitura. Os professores, pela dificuldade de acesso a novos conhecimentos ou pela escassa intimidade com o ato de ler, ou mesmo pela falta de orientações e oportunidades para construir significados sobre a leitura, acabam fazendo deste encaminhamento uma prática automatizada, sem nenhuma reflexão.

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Uma cabana no deserto

A partir do interesse das crianças por animais, a formadora de apoio, Silvana Augusto, propôs uma viagem por um mundo diferente: o deserto. Durante três meses, as crianças do centro de educação infantil meu abacateiro, na capital paulista, pesquisaram, desenharam, escreveram, brincaram e aprenderam sobre a relação dos animais, vida humana e meio ambiente.

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Mesquita


As crianças pequenas são muito atraídas pelo mundo dos bichos, sejam domésticos ou selvagens, pequenos ou gigantes. Descobrir a diversidade da vida animal pode ser um tema interessante e legítimo para ampliar o entendimento sobre o que é a própria vida. Uma criança de dois anos, por exemplo, pode com muita naturalidade confirmar que um carro é vivo só porque se mexe. Ela ainda não sabe que ser vivo requer outros atributos além da mobilidade.

Ficam encantadas quando descobrem que seres vivos têm pernas, boca, orelhas, e podem ser mamãe e filhote, características que as crianças conhecem bem. “Estudar” a vida dos bichos é fonte de prazer e curiosidade para os pequenos. Há muitas maneiras de trabalhar o tema, e eu escolhi apresentar-lhes os bichos nos ambientes em que vivem, e não apenas como organismos vivos isolados. Eu imaginava que o tema dos animais deveria aparecer em um contexto que incluísse o ser humano, afinal, o meio ambiente também contém a cultura de um povo.

Na Amazônia, por exemplo, macaco, onça pintada, arara convivem com índios, seringueiros, etc. Tudo num ambiente está relacionado. E como seria no deserto? Essa foi a minha pergunta ao grupo e à professora Sônia Boaventura. Para tanto, trilhei os caminhos do jogo simbólico e da própria pesquisa. Queria mostrar como seres humanos e animais vivem em diferentes partes do mundo. Queria apresentar não só a diversidade animal, mas também a integração da vida.
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Sabor, saúde e afeto

Ao observar e refletir sobre sua prática, a equipe da creche CEDUC–Natura, na cidade de cajamar (SP), deu novo sentido à alimentação das crianças.

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“A gente não quer só comida…” (Titãs)


Olhar para a prática cotidiana é um exercício freqüente na vida do educador. Mas este olhar só faz sentido se vier acompanhado da reflexão. E a reflexão ganha força quando vem acompanhada da ação. Estes três ingredientes – observação-reflexão-ação – fazem parte do nosso dia a dia na Educação Infantil.

No primeiro semestre de 2005, observamos, refletimos e partimos para uma ação transformadora da nossa prática educativa, no que diz respeito à alimentação das crianças. Através da observação, percebemos que os momentos de alimentação precisam ser revistos em seus múltiplos aspectos: sociocultural, nutricional, afetivo e pedagógico.

Herança Cultural
Concebemos a alimentação como um produto cultural, pois aquilo que comemos, a maneira como comemos, oferecemos os alimentos, a organização da mesa, o uso de guardanapo e jogo americano, talheres e tantos outros “detalhes” são produtos da cultura ocidental. São hábitos dos quais nos apropriamos ao longo dos séculos, são valores transmitidos de geração a geração que vão se somando às inovações da vida moderna.

Na antigüidade, o alimento era considerado algo sagrado, uma dádiva divina, motivo pelo qual se faziam oferendas aos deuses como retribuição e agradecimento pelas boas colheitas, pela chuva, enfim, para retribuir as bênçãos. Nesse sentido, o ato de comer era também carregado de significado religioso. Assim como nas oferendas, era uma ocasião digna de rituais suntuosos, o que demonstrava a importância que os povos davam a esse momento. Essas práticas evoluíram cultural e historicamente ao longo dos séculos e chegaram aos nossos dias ainda carregadas de sentido. Assim, apesar da dinâmica da vida “moderna”, ainda sentimos prazer em nos reunir com pessoas queridas para batermos um bom papo acompanhado de uma boa comida.
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Um prato cheio de aprendizagens

Misturando saberes com procedimentos, e uma boa pitada de sensibilidade, o professor pode transformar a hora de comer em uma oportunidade de desenvolvimento infantil

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Foto: Helô Pacheco/CEI Ação Social Largo 13

A hora de comer oferece ricas aprendizagens se o educador organizar essa experiência, interagir com a criança e desafiá-la a conhecer o ambiente, os pratos, talheres e copos, o outro e a si mesma. Afinal, cuidar é uma maneira de educar as crianças, especialmente até os três anos de idade. Constitui uma forma de se relacionar com o outro que envolve uma atitude de preocupação com o crescimento e o desenvolvimento humanos em toda sua complexidade.

Em um Centro de Educação Infantil – CEI, as atitudes e os procedimentos que operacionalizam o acolhimento diário dos pais e da criança, as refeições, os cuidados pessoais e a segurança devem ser integrados às brincadeiras e atividades pedagógicas, atendendo às necessidades individuais e coletivas de conforto, proteção, segurança, alimentação e aprendizagens específicas para cada idade.

Quando um professor de Educação Infantil toma para si esta tarefa, ele favorece a construção de vínculos de uma forma saudável. Para a criança pequena é imprescindível que alguém a acolha, conforte, cuide, alimente e entenda as razões de seus protestos ou expressões de contentamento e satisfação.
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Pensamento de criança

Conhecer a forma como a criança pequena pensa pode contribuir decisivamente para transformar as famosas “rodas de conversa” em espaços reais de aprendizagem e interação. Para nos ajudar, dois importantes teóricos sobre o desenvolvimento humano: wallon1 e vygotsky2.

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Tanto Wallon como Vygotsky construíram suas teorias sobre o desenvolvimento humano considerando a natureza, a cultura, as relações sociais e as características específicas nos diferentes momentos da vida da pessoa. Segundo Wallon, o processo de desenvolvimento humano resulta tanto de seu potencial genético, quanto das sucessivas situações com as quais o sujeito se defronta e que lhe exigem uma resposta.

Na relação com o meio, o indivíduo assume determinadas ações usando os recursos que já construiu (suas competências motoras, sociais, lingüísticas, cognitivas) como condições para a realização de seus objetivos. Assim, a cada momento do desenvolvimento, aspectos específicos do meio ambiente constituem recursos privilegiados para o desenvolvimento humano. Para o bebê, num primeiro momento, a figura materna ou de seu cuidador é o recurso do qual dispõe para satisfazer suas necessidades e mobilizar sua ação. Em seguida, será o mundo dos objetos colocados à disposição de sua atividade exploratória e depois, seus companheiros com os quais vai interagir e brincar.
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O Rouxinol e o imperador, uma história para se criar

A artista plástica Taisa Borges cria uma versão visual para o clássico conto de Hans Christian Andersen O Rouxinol e o Imperador. Sem palavras, com muita delicadeza e sensibilidade, o livro permite que o leitor crie sua própria história.
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Ilustrações do Livro O Rouxinol e o Imperador de Hans Christian Andersen por Taisa Borges – Editora Peirópolis

Ainda menina, a artista brasileira Taisa Borges se encantou pelas histórias do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, por isso não pode deixar de participar das comemorações do bicentenário de seu nascimento, celebrado em 2005. Decidiu repetir sua viagem pelas cores e traços da antiga China e recriar a história de O Rouxinol e o Imperador, uma de suas obras mais conhecidas, compondo um livro- imagem de enredo instigante. O Rouxinol e o Imperador conta a história de um soberano chinês que descobre a cura para sua melancolia na melodia de um sábio pássaro. Quem já conhece o conto irá se surpreender com esta nova versão, de pura imagem.Continue lendo >