Uma leitura inusitada: Harry Potter aos 4 anos

A professora Marcela põe abaixo, neste artigo, um mito da educação infantil: o de que não é possível ler livros com muitas páginas, sem ilustrações, para crianças muito pequenas. O entusiasmo de sua turma de leitores mirins com um texto considerado complexo para a faixa etária conduz a um repensar das propostas comumente oferecidas aos pequenos
Montagem do rosto ampliado de João Pedro sobre papelão dá origem ao “bruxo” que sobrevoa a sala de aula

Montagem do rosto ampliado de João Pedro sobre papelão dá origem ao “bruxo” que sobrevoa a sala de aula

Hoje se sabe, devido a inúmeras pesquisas etnográficas e piscolingüísticas, que viver em um ambiente no qual ler e escrever integra o cotidiano faz toda a diferença para o desenvolvimento de competências leitoras e escritoras. Dentre as inúmeras ações que uma criança ainda na educação infantil pode presenciar e participar, sem dúvida, a leitura compartilhada, dialógica, é uma das mais importantes. As interações entre adultos e crianças que uma leitura em voz alta pode proporcionar contribui para a construção de habilidades comunicativas fundamentais em nossa cultura da informação. Segundo Teberosky e Ribeira1, “O processo cognitivo de ler não é um processo natural, mas propiciado pelas interações com pessoas mais experientes no mundo letrado e que contribui para as formas de comunicação em nossa sociedade”.

Nessa atividade de leitura de um livro longo a professora, no caso a leitora experiente, conhecendo bem as experiências culturais de suas crianças, amplia significativamente a capacidade comunicativa desses leitores não convencionais. Neste caso, o cinema, por meio da filmografia de Harry Potter, não só virou pretexto para o encontro de crianças de 4 anos com a literatura, como também possibilitou um incremento do jogo simbólico e de outros conhecimentos, como se um grande caldeirão cultural fosse transportado para a sala de aula. Como num passe de mágica, o conhecimento foi oferecido tal qual um prato saboroso, convidativo, a ser degustado e transformado pelas crianças.Continue lendo >

Escola e família: uma parceria que rende frutos

A educação da criança é ação compartilhada entre educadores e familiares. Ninguém discorda. Mas realizar isso de forma integrada e colaborativa não é tarefa tão simples. Veja neste artigo uma experiência interessante de intercâmbio entre o pessoal de casa e a escola

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Brincadeira de peão de boiadeiro durante os estudos de Góias


Tradicionalmente, a presença da família em muitas escolas se restringe às reuniões de pais, festas previstas no calendário letivo ou conversas sobre o comportamento das crianças. Essa situação parece confirmar algo muito arraigado na educação: quem tem sempre o que dizer é a escola. Dessa maneira, os pais ficam numa posição passiva, de quem precisa ouvir a escola ou ser avaliado por ela.

Algumas escolas partilham de uma opinião corrente de que a boa família deve seguir um modelo, segundo uma visão bastante idealizada, cujo padrão é previamente estabelecido. Há muitos preconceitos envolvidos, visões estereotipadas que contribuem para dificultar o diálogo entre a escola e a família.
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A formação do leitor num espaço de muitos encontros

A formação de um bom leitor pode ser auxiliada pela criação de uma atmosfera de troca, de entusiasmo, de intimidade com o universo da cultura escrita, compartilhada por professores, pais, crianças e comunidade. É preciso oferecer propostas que garantam às crianças um bom trânsito pelo mundo da escrita e experiências de encantamento com a leitura
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Computador à disposição, tanto para o conhecimento de novos softwares, como para pesquisa na internet

Não importa se a biblioteca é pequena ou grande, na sala ou fora dela; o que importa é que livros de qualidade cheguem às mãos das crianças e toquem de fato os leitores iniciantes. A rede de escolas municipais de São Bernardo do Campo, em São Paulo, tem uma importante contribuição a compartilhar com a adoção do Programa Rede Escolar de Bibliotecas Interativas-REBI.

O programa atende às escolas da rede municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil e, em dias específicos, abre-se para a comunidade. São ao todo 53 bibliotecas, cada qual com um acervo de cerca de 3 mil livros, jornais, revistas, computadores, CDs, CD-ROMs, fitas cassete, internet, televisão e vídeo, montadas no espaço das próprias escolas.

A idéia do programa nasceu, em 1999, de um convênio da Prefeitura de São Bernardo com a Universidade de São Paulo (USP), através da Escola de Comunicação e Arte, tendo o professor Edmir Perrotti como idealizador da proposta.

O que são as Bibliotecas Interativas
As Bibliotecas Interativas inseridas nas escolas devem cumprir uma função pedagógica e cultural, ampliando os vínculos entre a educação formal e a informal. O espaço dessas bibliotecas foi planejado para ser convidativo à pesquisa e à leitura, de maneira que os materiais estejam acessíveis e os usuários possam apropriar-se dos diferentes recursos, desenvolvendo condições de utilizá-los autonomamente como espaço.
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Ler para estudar, escrever e desenhar para comunicar

A partir de muita pesquisa, alunos da segunda série na cidade de Rio Piracicaba escrevem textos informativos, descritivos, fichas técnicas que auxiliam a produção de lindos postais ilustrados. Confira o desenrolar do projeto por meio das reflexões da formadora local

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PM Rio Piracicaba


Escolher um projeto para trabalhar em sala de aula sempre foi uma expectativa para os professores de 2ª série. Para as crianças, era um alvoroço, uma animação, uma curiosidade tremenda para saber qual seria o tema eleito e dar idéias de qual projeto poderiam trabalhar no semestre seguinte.

O projeto pequena enciclopédia foi o escolhido do 10 semestre de 2004 e foi desenvolvido por uma equipe de seis professoras, cada uma com sua turma, na respectiva escola, num total de quatro, todas situadas na zona urbana da cidade. As professoras trabalharam no mesmo projeto, de forma integrada, trocando suas experiências e sempre se reunindo, participando ativamente do processo de formação.

Após várias análises das aprendizagens adquiridas pelas crianças em projetos anteriores e muitas discussões sobre o que queriam que suas crianças aprendessem, a equipe de professoras decidiu que trabalhariam com textos informativos, desenvolvendo um projeto com textos de enciclopédia. Mas sobre que assunto poderia ser a Pequena Enciclopédia?
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Mira a poesia!

Neste projeto, a professora aproveita o repertório de poesias que o grupo está aprendendo para diferentes atividades de leitura e escrita. As crianças de 5 anos aceitam o desafio, com interesse e curiosidade, como vemos a seguir
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“Guardar uma coisa não é esconder ou trancá-la.
Em cofre não se guarda nada.
Em cofre perde-se a coisa de vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, mirá-la, por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.”
(Antonio Cícero)

Nestes versos do poema “Guardar”, de Antônio Cícero, encontrei a forma de expressar o meu encantamento com as poesias. Foram muitos os momentos em que “guardei” estas crianças tão especiais com que tenho trabalhado, olhando e admirando cada comentário, cada conquista, cada aprendizado. O semestre terminando, as férias chegando e eu começo a sentir saudades dos muitos sorrisos, beijos, carinhos, brincadeiras e também travessuras que tornam as nossas tardes tão gostosas. O envolvimento de todos com cada proposta, com cada projeto, foi muito significativo; acho que justamente por isso é que pudemos aprender tanto!
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Muitas revelações na história de cada escrita

Conhecer, acompanhar e analisar as hipóteses das crianças sobre a escrita é fundamental para o educador que alfabetiza. Em videira, município do sul do brasil, professores desenvolveram um interessante trabalho de organização de portfolios sobre o processo de aquisição da escrita de seus alunos

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Cronologia da escrita de Sara


A publicação de Psicogênese da Língua Escrita1, em 1979, trouxe mudanças significativas na teoria e na prática da alfabetização. Baseado em pesquisas desenvolvidas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, o livro divulgou em larga escala os processos pelos quais as crianças constroem conhecimentos sobre a escrita. As autoras, alicerçadas na consistente teoria de Jean Piaget, de quem foram alunas, lançaram um olhar revelador sobre o sujeito que aprende. Graças a essas pesquisas, sabemos que as crianças já possuem hipóteses sobre a escrita antes mesmo de escreverem convencionalmente, e que se utilizam delas quando começam a escrever. O conhecimento que a criança vai construindo a respeito da língua escrita tem início em seu ambiente social, a partir do acesso a diferentes materiais portadores da escrita, das observações e das reflexões sobre o seu uso.
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