{"id":890,"date":"2001-04-14T23:35:54","date_gmt":"2001-04-15T02:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=890"},"modified":"2023-03-27T11:34:40","modified_gmt":"2023-03-27T14:34:40","slug":"a-crianca-e-os-conhecimentos-sobre-a-natureza-e-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/conhecendo-a-crianca\/a-crianca-e-os-conhecimentos-sobre-a-natureza-e-a-sociedade\/","title":{"rendered":"A crian\u00e7a e os conhecimentos sobre a natureza e a sociedade"},"content":{"rendered":"<h5>Desde cedo as crian\u00e7as convivem com fen\u00f4menos naturais e sociais. Curiosas, querem descobrir e decifrar o mundo que as cerca, saber como as coisas se transformam, por que acontece isso e n\u00e3o aquilo. Conhe\u00e7a mais sobre o que e como as crian\u00e7as pensam as manifesta\u00e7\u00f5es da natureza nesta conversa com Luciana Hubner, formadora do Crecheplan, consultora do MEC e assessora de prefeituras.<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Luciana Hubner, bi\u00f3loga especialista no ensino de ci\u00eancias, diz que conhecimentos ligados \u00e0 f\u00edsica e \u00e0 qu\u00edmica tamb\u00e9m interessam \u00e0s crian\u00e7as pequenas. Diz ainda que o professor deve se preocupar mais com as perguntas do que com as respostas das crian\u00e7as e que sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de<br \/>\ntudo, a de continuar alimentando a postura investigativa de seu grupo.<\/p>\n<p>Veja a an\u00e1lise que ela faz de como deve ser o trabalho com ci\u00eancias na educa\u00e7\u00e3o infantil e suas orienta\u00e7\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o de projetos did\u00e1ticos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-895\" title=\"avisala_06_conhecendo4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo4.jpg\" alt=\"Dinossauro\" width=\"243\" height=\"144\" \/><\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: At\u00e9 que ponto uma crian\u00e7a pequena pode realmente compreender conceitos das ci\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Os conceitos cient\u00edficos s\u00e3o diferentes das representa\u00e7\u00f5es elaboradas pelas crian\u00e7as. Isso faz com que, muitas vezes, se avalie que as crian\u00e7as n\u00e3o aprenderam ou aprenderam mal, o que causa preocupa\u00e7\u00e3o ou<br \/>\nfrustra\u00e7\u00e3o a seus professores. \u00c9 importante saber que as representa\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as s\u00e3o reflexos dos seus conhecimentos pr\u00e9vios, de onde elas partem para saber mais. Suas &#8220;teorias&#8221; tendem a agrupar id\u00e9ias que progressivamente passam a conhecer e compartilhar com outras pessoas. Costumam utilizar conceitos e palavras que fazem parte do mundo dos adultos, mas muitas vezes desconhecem seu significado. Elas as utilizam provisoriamente, at\u00e9 que isso d\u00ea espa\u00e7o a novos conceitos, resultado da intera\u00e7\u00e3o entre id\u00e9ias elaboradas espontaneamente<br \/>\ne o que lhes \u00e9 ensinado.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: \u00c9 comum, numa discuss\u00e3o sobre assuntos ligados a ci\u00eancias, crian\u00e7as bem pequenas afirmarem<br \/>\nfatos inveross\u00edmeis. Por que isso acontece? <\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> As crian\u00e7as t\u00eam uma vis\u00e3o de natureza ordenada, em que as coisas est\u00e3o integradas e nada acontece por acaso. Quando se deparam com algo que quebra esta ordem e para a qual n\u00e3o t\u00eam explica\u00e7\u00e3o, recorrem a explica\u00e7\u00f5es fantasiosas que expressam um outro jeito de ver e explicar o mundo. Isso muitas vezes n\u00e3o \u00e9 compreendido por n\u00f3s, adultos, que j\u00e1 conhecemos as explica\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia. De fato, existem maneiras diferentes de pensar o real, retratadas tanto nos mitos como nos modelos cient\u00edficos. A diferen\u00e7a central \u00e9 que no caso da ci\u00eancia h\u00e1 apenas<br \/>\num modelo considerado verdadeiro e os mitos, por sua vez, consideram infinitas verdades.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Voc\u00ea quer dizer que o pensamento infantil por vezes nos lembra o pensamento mitol\u00f3gico?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Sim. E lembra mais ainda. Muitas das explica\u00e7\u00f5es que as crian\u00e7as nos d\u00e3o remetem a outras nas quais grandes pensadores da humanidade acreditaram por um longo tempo, como: achar que ao caminhar a Lua nos segue, que a Terra fica parada porque, caso contr\u00e1rio, as coisas sairiam ou cairiam de seu lugar. O ensino de conte\u00fados relacionados \u00e0s ci\u00eancias, no que diz respeito \u00e0s crian\u00e7as pequenas, deve se preocupar com as perguntas, as hip\u00f3teses e as rela\u00e7\u00f5es que elas estabelecem com o objeto de estudo, e n\u00e3o apenas com a obten\u00e7\u00e3o de respostas prontas, esperadas. O problema daquele que ensina passa a ser, ent\u00e3o, o de descobrir como as crian\u00e7as constroem uma determinada explica\u00e7\u00e3o para um fen\u00f4meno.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: As crian\u00e7as gostam muito de mexer, fazer experi\u00eancias, misturar coisas, ver sair fuma\u00e7a etc. Qual a import\u00e2ncia das atividades explorat\u00f3rias na aprendizagem de ci\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Antes \u00e9 importante distinguir entre atividades manipulativas e atividades explorat\u00f3rias. As manipulativas se referem ao movimento, t\u00e3o somente. J\u00e1 as explorat\u00f3rias pressup\u00f5em seq\u00fc\u00eancias de a\u00e7\u00f5es mais complexas. Algumas pr\u00e1ticas acreditam que a g\u00eanese do conhecimento esteja na a\u00e7\u00e3o direta que a crian\u00e7a realiza sobre os objetos. Por exemplo, se desenvolve no\u00e7\u00f5es de peso pesando objetos e, da mesma forma, no\u00e7\u00f5es de elasticidade esticando molas. A id\u00e9ia piagetiana n\u00e3o \u00e9 essa \u2013 embora tenha sido mal interpretada pelos que p\u00f5em a \u00eanfase na realiza\u00e7\u00e3o de atividades manipulativas mais do que na organiza\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es que facilitem a constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos. Para aprender n\u00e3o \u00e9 suficiente apenas manipular mecanicamente mas, sim, explorar refletindo, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Isso muda o car\u00e1ter das atividades de explora\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea as v\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Luciana:<\/strong><\/em> Numa perspectiva construtivista n\u00e3o se espera que, s\u00f3 por meio do trabalho pr\u00e1tico, o aluno descubra novos conhecimentos. A principal fun\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias \u00e9, com a ajuda do professor e a partir das hip\u00f3teses e conhecimentos anteriores das crian\u00e7as, ampliar seu conhecimento sobre os fen\u00f4menos naturais e fazer com que esses conhecimentos se relacionem com sua maneira de ver o mundo. Nesta proposta, o experimento tem fun\u00e7\u00e3o de gerar uma situa\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica, ultrapassando a simples<br \/>\nmanipula\u00e7\u00e3o de materiais. As crian\u00e7as, mesmos as bem pequenas, s\u00e3o capazes de ir al\u00e9m da observa\u00e7\u00e3o e da descri\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos. Por isso as atividades devem ser encaminhadas para a reflex\u00e3o e a busca de explica\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 dessa forma que as crian\u00e7as ter\u00e3o a chance de relacionar objetos e acontecimentos e expressar suas id\u00e9ias.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Voc\u00ea est\u00e1 dizendo que as crian\u00e7as pensam, elaboram hip\u00f3teses, exploram, explicam etc. e que n\u00e3o \u00e9 objetivo na educa\u00e7\u00e3o infantil buscar respostas prontas e certas. Ent\u00e3o qual deve ser o trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Luciana:<\/strong><\/em> Para uma crian\u00e7a aprender os conte\u00fados relativos \u00e0s ci\u00eancias \u00e9 preciso que ela continue pensando sobre os fen\u00f4menos e seja estimulada e encorajada a desenvolver&#8221;teorias&#8221; sobre eles, a estabelecer rela\u00e7\u00f5es, buscar a diferencia\u00e7\u00e3o existente entre mitos, lendas, explica\u00e7\u00f5es provenientes do senso comum e conhecimentos cient\u00edficos. O trabalho na creche ou na escola deve, ent\u00e3o, ser voltado \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias que as crian\u00e7as j\u00e1 possuem e<br \/>\npara a constru\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos que as aproximem das diversas formas de explicar o mundo.<\/p>\n<div id=\"attachment_899\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-899\" class=\"size-full wp-image-899\" title=\"avisala_06_conhecendo3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo3.jpg\" alt=\"Observar as plantas pode ser uma atividade interessante e desafiadora\" width=\"242\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo3.jpg 242w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><p id=\"caption-attachment-899\" class=\"wp-caption-text\">Observar as plantas pode ser uma atividade interessante e desafiadora<\/p><\/div>\n<p><strong>avisa l\u00e1: O que o professor pode fazer para ajudar as crian\u00e7as nessa aproxima\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Sua fun\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a de sistematizar os conhecimentos gerados n\u00e3o no sentido de dar &#8220;a resposta final&#8221;, mas continuar alimentando a postura investigativa. Ele pode aproveitar situa\u00e7\u00f5es do dia-a-dia, de parque ou sala de aula e propor problemas \u00e0s crian\u00e7as. Por\u00e9m, isso apenas n\u00e3o basta. \u00c9 preciso ainda propor ou intervir em situa\u00e7\u00f5es cotidianas que levem o grupo \u00e0 a\u00e7\u00e3o reflexiva, n\u00e3o objetivando a recita\u00e7\u00e3o de nomes dif\u00edceis ou respostas prontas, mas sim o pensamento, o levantamento de hip\u00f3teses interpretativas e explicativas. O trabalho n\u00e3o pode parar quando a crian\u00e7a resolve a experi\u00eancia: o professor deve ajudar seu grupo a pensar, explicar, tomar consci\u00eancia de como aquilo foi resolvido. Diante das solu\u00e7\u00f5es encontradas pelas crian\u00e7as, deve argumentar com novas id\u00e9ias e contra-exemplos.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Como saber o que as crian\u00e7as conhecem sobre a natureza e a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Conhecer um grupo espec\u00edfico de crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 mais importante do que conhecer profundamente a faixa et\u00e1ria e a natureza do objeto de estudo. Com esses conhecimentos o professor pode levantar hip\u00f3teses a respeito do que as crian\u00e7as podem saber sobre um dado assunto. Esta antecipa\u00e7\u00e3o lhe possibilita fazer infer\u00eancias e planejar seu trabalho antes do in\u00edcio do ano escolar, reajustando-o durante seu desenvolvimento. No planejamento do projeto \u00e9 fundamental que o professor pense numa atividade inicial que tenha como fun\u00e7\u00e3o evidenciar os conhecimentos pr\u00e9vios de seus alunos. Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, essa atividade n\u00e3o serve s\u00f3 ao professor, para que leia aquilo que seus alunos sabem antes de planejar seu trabalho. Um dos objetivos, e arriscaria dizer que o principal, \u00e9 favorecer a tomada de consci\u00eancia por parte dos alunos. \u00c9 uma atividade de aprendizagem tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Como isso \u00e9 feito na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> \u00c9 interessante que essa atividade requisite das crian\u00e7as uma participa\u00e7\u00e3o ativa, que possam colocar em jogo tudo o que sabem para tentar resolver o problema que lhe foi posto. Sendo assim, propostas do tipo &#8220;perguntar o que sabem sobre &#8230;&#8221; n\u00e3o s\u00e3o as melhores para este fim. Pode-se correr o risco de tomar a timidez de uma crian\u00e7a como falta de conhecimento ou, talvez, tomar a voz dos mais desinibidos como o saber do grupo. Se o estudo \u00e9 sobre flutua\u00e7\u00e3o, por exemplo, pode-se colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as v\u00e1rios objetos, que flutuem e n\u00e3o flutuem, papel, papel\u00e3o, papel laminado, pl\u00e1stico, garrafas descart\u00e1veis, madeira, argila etc. Solicitar que escolham um deles para construir um barquinho e que justifiquem sua escolha. O professor deve observar, ouvir as crian\u00e7as e pensar que rela\u00e7\u00f5es estabelecem com o tema, sem reduzi-las ou simplific\u00e1-las, de forma a promover o avan\u00e7o na aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Existem temas mais adequados ou mais importantes relativos \u00e0 natureza e \u00e0 sociedade, na educa\u00e7\u00e3o infantil?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Esta \u00e9 uma pergunta que escuto com muita freq\u00fc\u00eancia. Ainda hoje encontramos experi\u00eancias de trabalho nas quais o ensino de ci\u00eancias \u00e9 pensado de forma proped\u00eautica: &#8220;nesta idade \u00e9 importante estudar isso, pois futuramente ele ir\u00e1 precisar para&#8230;&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 temas nem mais nem menos importantes. O que os torna mais ou menos interessantes \u00e9 o tratamento dado a eles, para cada faixa et\u00e1ria. E \u00e9 s\u00f3 o professor quem pode determinar isso, pois esta escolha est\u00e1 intrinsecamente ligada ao contexto em que o grupo est\u00e1 inserido, \u00e0 institui\u00e7\u00e3o e \u00e0 comunidade com a qual trabalha. Costumo brincar que todo professor sonha acordar e encontrar na mesinha de cabeceira um rol<br \/>\ndos temas a serem desenvolvidos em cada grupo. Essa \u00e9 uma falsa ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Determinar temas n\u00e3o \u00e9 tarefa dif\u00edcil, pois como j\u00e1 disse as crian\u00e7as se interessam por uma variedade de assuntos. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 saber quais ensinar, mas sim quais s\u00e3o as atividades que favorecem sua aprendizagem. E isso est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 intencionalidade do professor, ao que ele quer que suas crian\u00e7as aprendam. Ele precisa se perguntar o que, do assunto proposto, quer<br \/>\nque as crian\u00e7as aprendam, pois aprender e ensinar tudo \u00e9 imposs\u00edvel, a n\u00e3o ser que ele pretenda uma aprendizagem transmissiva, que n\u00e3o \u00e9 ao que estou me referindo. \u00c9 muito importante definir quais s\u00e3o os conhecimentos que estruturam a constru\u00e7\u00e3o do conceito que se prop\u00f5e estudar e as atividades que o favorecem e que permitem que o aluno se valorize pelo descobrimento de suas pr\u00f3prias capacidades e n\u00e3o pela repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Pela sua experi\u00eancia, qual ou quais s\u00e3o os assuntos ou temas mais recorrentes?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_901\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-901\" class=\"size-full wp-image-901\" title=\"avisala_06_conhecendo2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo2.jpg\" alt=\"As crian\u00e7as podem conviver com os animais e aprender muito sobre eles\" width=\"242\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo2.jpg 242w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><p id=\"caption-attachment-901\" class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as podem conviver com os animais e aprender muito sobre eles<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> O ensino de ci\u00eancias na educa\u00e7\u00e3o infantil, hoje, ainda \u00e9 factual. Em geral, \u00e9 o professor quem descreve os fatos e as atividades giram em torno dele. Poucas vezes se v\u00ea um trabalho mais conceitual ou procedimental. Os estudos sobre seres vivos, de maneira geral, s\u00e3o os mais comuns. Os que envolvem conceitos da f\u00edsica e da qu\u00edmica, por exemplo, s\u00e3o raros. Isso \u00e9 fruto da representa\u00e7\u00e3o que os professores t\u00eam da \u00e1rea, o que os leva a reproduzir velhos modelos, como os tradicionais estudos de mam\u00edferos, estruturados da seguinte forma: quem s\u00e3o, o que comem, onde moram, como se reproduzem, como vivem. Ou a abordagem de temas muito amplos como as plantas, a alimenta\u00e7\u00e3o etc. N\u00e3o fica claro, nem para o professor nem para as crian\u00e7as, o que se vai ensinar e aprender. Modelos como estes n\u00e3o possibilitam \u00e0s crian\u00e7as refletir a respeito das coisas que as cercam. Esta pr\u00e1tica limita-se \u00e0 transmiss\u00e3o de certas no\u00e7\u00f5es relacionadas<br \/>\na seres vivos, n\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novos conceitos ou \u00e0 aprendizagem de alguns procedimentos.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: As crian\u00e7as menores, de 3 a 4 anos, costumam se envolver muito nos projetos que visam o estudo dos bichos. Por que isso faz tanto sucesso?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Quanto menores forem as crian\u00e7as, mais suas representa\u00e7\u00f5es e no\u00e7\u00f5es sobre o mundo est\u00e3o associadas diretamente aos objetos da realidade conhecida, observada e vivenciada. Querem entender as coisas que<br \/>\nest\u00e3o a seu redor porque fazem parte de suas vidas. Da\u00ed temas como seres vivos fazerem sucesso com essa faixa et\u00e1ria. Mas s\u00f3 o interesse das crian\u00e7as n\u00e3o garante uma boa aprendizagem. Para libertar-se do modelo contemplativo ou constatativo o professor precisa pensar nos desafios que ir\u00e1 criar. O objetivo do trabalho com ci\u00eancias n\u00e3o \u00e9 ficar s\u00f3 no eixo empirista, das tarefas de observa\u00e7\u00e3o, deixando ao acaso a possibilidade de as crian\u00e7as transformarem suas hip\u00f3teses iniciais.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Trabalhar assuntos relacionados \u00e0 f\u00edsica e \u00e0 qu\u00edmica n\u00e3o \u00e9 muito abstrato, desinteressante para as crian\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_897\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-897\" class=\"size-full wp-image-897\" title=\"avisala_06_conhecendo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo1.jpg\" alt=\"Participar de atividades de culin\u00e1ria possibilita conhecer mais sobre misturas e transforma\u00e7\u00f5es\" width=\"242\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo1.jpg 242w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/avisala_06_conhecendo1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><p id=\"caption-attachment-897\" class=\"wp-caption-text\">Participar de atividades de culin\u00e1ria possibilita conhecer mais sobre misturas e transforma\u00e7\u00f5es<\/p><\/div>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> O estudo de temas ligados \u00e0 f\u00edsica, qu\u00edmica ou biologia s\u00e3o muito importantes porque ampliam o conhecimento das crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a fatos e acontecimentos da realidade, necess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o de mundo. Significa muito mais do que aquisi\u00e7\u00e3o de alguns conceitos. Mesmo assim, h\u00e1 quem acredite que as<br \/>\ncrian\u00e7as s\u00f3 t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pensar sobre aquilo que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo e que, portanto, \u00e9 materialmente vis\u00edvel. N\u00e3o compartilho dessa id\u00e9ia. Acredito que as crian\u00e7as possam pensar e trabalhar conceitos da f\u00edsica e da qu\u00edmica como transforma\u00e7\u00e3o, mat\u00e9ria, energia etc. Atividades como culin\u00e1ria, confec\u00e7\u00e3o de massinhas, horta, brincadeiras de parque com o ar e a \u00e1gua, e outras tantas mais, envolvem esses conceitos. O professor pode aproveit\u00e1-las com a intencionalidade de desenvolver um trabalho nessa \u00e1rea: decidir qual conceito quer trabalhar, o que \u00e9 poss\u00edvel conseguir com crian\u00e7as de cada faixa et\u00e1ria, levantar as experi\u00eancias anteriores para da\u00ed seq\u00fcenciar as etapas do projeto, de modo que cada atividade seja estruturante para a seguinte.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Como o professor deve iniciar o trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> A primeira decis\u00e3o do professor \u00e9 o recorte do tema escolhido. \u00c9 ele quem direciona as atividades e prop\u00f5e as primeiras perguntas. Depois, \u00e9 importante que pense qual ser\u00e1 o problema a ser colocado para as crian\u00e7as, a quest\u00e3o central do trabalho. Diria que um instrumento<br \/>\nimportante para o desenvolvimento da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica \u00e9 a escuta. \u00c9 b\u00e1sica. Ela nos permite compreender que as no\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o bobas: t\u00eam fundamentos e s\u00e3o s\u00e9rias para elas. Quando digo que os professores devem escutar, quero dizer que eles devem ouvir o que as crian\u00e7as dizem e tamb\u00e9m, principalmente, pensar na rela\u00e7\u00e3o que existe entre o que as crian\u00e7as contam e o assunto tratado, para ent\u00e3o continuar propondo boas perguntas.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: O que s\u00e3o boas perguntas? <\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> A boa pergunta n\u00e3o est\u00e1 pronta, no campo das<br \/>\nci\u00eancias, mas est\u00e1 com o professor e sua turma. Ela \u00e9 a mola propulsora, se o professor estiver movido pelo desejo de investigar com as crian\u00e7as. Logo, de nada adiantaria eleger um rol de perguntas pressupostamente boas. Estar\u00edamos saindo do modelo de temas predeterminados para cada faixa et\u00e1ria para as perguntas predeterminadas. Isso n\u00e3o resolveria o problema do ensino na \u00e1rea. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso pensar na qualidade da pergunta, que acaba determinando todo o projeto: se ela for s\u00f3 para constatar, ent\u00e3o todas as atividades seguintes ser\u00e3o encaminhadas para esse sentido, o que impediria que as<br \/>\ncrian\u00e7as questionassem o porqu\u00ea de as coisas acontecerem assim e n\u00e3o de outro modo. Para se pensar em boas perguntas n\u00e3o \u00e9 preciso ser um especialista, mas sim ter clareza do que se quer que as crian\u00e7as aprendam. Importante ouvir o que elas dizem: suas perguntas s\u00e3o boas, nos surpreendem e nos instigam bastante.<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: D\u00ea alguns exemplos que voc\u00ea tenha encontrado na sua pr\u00e1tica. <\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> \u00c9 comum encontrarmos trabalhos voltados para<br \/>\nquest\u00f5es ecol\u00f3gicas como a polui\u00e7\u00e3o do planeta. Geralmente s\u00e3o trabalhos que ficam na constata\u00e7\u00e3o de fatos e campanhas de vida curta. As crian\u00e7as sabem que o homem polui e destr\u00f3i o planeta, ent\u00e3o uma possibilidade seria a de lev\u00e1-las a pensar por que: se os homens t\u00eam consci\u00eancia do mal que est\u00e3o causando, continuam contaminando o planeta? Ou num tema como dinossauros: como podemos saber tanta coisa a respeito desses animais se eles n\u00e3o existem mais? Ou em estudos t\u00e3o<br \/>\ncomuns como descobrimento e navega\u00e7\u00f5es, pensar, por exemplo, como Crist\u00f3v\u00e3o Colombo descobriu a Am\u00e9rica se n\u00e3o sabia o caminho? E como ser\u00e1 que ele voltou?<\/p>\n<p><strong>avisa l\u00e1: Diga, resumidamente, quais s\u00e3o as principais orienta\u00e7\u00f5es a que o professor deve estar atento ao propor projetos na \u00e1rea de ci\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luciana:<\/em><\/strong> Focarei as principais:<\/p>\n<ul>\n<li>partir de perguntas interessantes \u2013 em lugar de apresentar explica\u00e7\u00f5es, de passar conte\u00fados utilizando did\u00e1ticas expositivas;<\/li>\n<li>considerar o conhecimento pr\u00e9vio das crian\u00e7as sobre o assunto;<\/li>\n<li>utilizar diferentes estrat\u00e9gias de busca de informa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>coletar dados em diferentes fontes;<\/li>\n<li>aproveitar o entorno em que a crian\u00e7a est\u00e1 inserida \u2013 parques, rios, lagoas, jardins \u2013, nos passeios e sa\u00eddas a campo para pesquisar;<\/li>\n<li>lembrar que o esfor\u00e7o dos alunos n\u00e3o deve ser canalizado unicamente para a apresenta\u00e7\u00e3o de resultados esperados pelo professor, mas para desvendar os significados, expor e socializar os conhecimentos constru\u00eddos<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Como Trabalhar com Conte\u00fados Procedimentais em Aula. Antoni Zabala, Artmed, Tel.: (0XX11) 3062-9544.<\/li>\n<li>Did\u00e1tica das Ci\u00eancias Naturais. H.Waissmann, Artmed.<\/li>\n<li>Construir e Ensinar as Ci\u00eancias Sociais e a Hist\u00f3ria. M\u00e1rio Carreteiro, Artmed.<\/li>\n<li>O Conhecimento F\u00edsico na Educa\u00e7\u00e3o Pr\u00e9-Escolar. C. Kamii, Artmed.<\/li>\n<li>Trabalhando com Hist\u00f3ria e Ci\u00eancias na Pr\u00e9-Escola. Cadernos da Escola da Vila 2, Z\u00e9lia Cavalcanti, Artmed.<\/li>\n<li>O Processo de Forma\u00e7\u00e3o de Conceitos e o Papel Desempenhado pelo Ensino Escolar. Vygotsky \u2013 Uma Perspectiva Hist\u00f3rico-cultural da Educa\u00e7\u00e3o, Teresa Cristina Rego, Vozes, Tel.: (0XX11) 258-6910.<\/li>\n<li>Pensamento e Linguagem. Vygotsky, Martins Fontes, Tel.: (0XX11) 3266-4603.<\/li>\n<li>Ci\u00eancias, Professor de Pr\u00e9-Escola, vol. I. MEC. Tel.: (0XX61) 410-9274.<\/li>\n<li>Par\u00e2metros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. MEC.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Contatos com Luciana Hubner<br \/>\ne-mail: lhubner@osite.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde cedo as crian\u00e7as convivem com fen\u00f4menos naturais e sociais. Curiosas, querem descobrir e decifrar o mundo que as cerca, saber como as coisas se transformam, por que acontece isso e n\u00e3o aquilo. Conhe\u00e7a mais sobre o que e como as crian\u00e7as pensam as manifesta\u00e7\u00f5es da natureza nesta conversa com Luciana Hubner, formadora do Crecheplan, consultora do MEC e assessora de prefeituras.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3022,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,207],"tags":[1102,228,229,233,232,162,230,231],"class_list":{"0":"post-890","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-conhecendo-a-crianca","8":"category-revista-avisala-06","9":"tag-revista-avisa-la-2001","10":"tag-aprendizado","11":"tag-ciencia","12":"tag-curiosidade","13":"tag-experiencias","14":"tag-luciana-hubner","15":"tag-natureza","16":"tag-sociedade","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/890\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}