{"id":7395,"date":"2012-11-22T13:29:26","date_gmt":"2012-11-22T15:29:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7395"},"modified":"2023-03-27T20:07:11","modified_gmt":"2023-03-27T23:07:11","slug":"as-esculturas-e-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-52\/as-esculturas-e-as-criancas\/","title":{"rendered":"As esculturas e as crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<h5>A escolha das esculturas para o trabalho de artes com crian\u00e7as de 3 anos foi uma decis\u00e3o acertada pois \u00e9 uma excelente porta de entrada para a experi\u00eancia est\u00e9tica<\/h5>\n<p>A proposta de nutri\u00e7\u00e3o est\u00e9tica \u201cPara comer com os olhos\u201d, desenvolvida pela Eduque, envolve leitura visual, frui\u00e7\u00e3o de arte, reflex\u00e3o, registro e constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos espec\u00edficos da \u00e1rea. Incentiva-se a aproxima\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio est\u00e9tico cultural da cidade a partir de contatos acumulativos mediados dos alunos com museus de arte da cidade de S\u00e3o Paulo. Vimos, na edi\u00e7\u00e3o 51 dessa revista, quais os prop\u00f3sitos deste projeto e o relato do trabalho realizado com os alunos do segundo ano do Ensino Fundamental. <!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_7397\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5210.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7397\" class=\"size-medium wp-image-7397\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5210-300x278.jpg\" alt=\"Desenho de Enzo\" width=\"300\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5210-300x278.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5210.jpg 336w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7397\" class=\"wp-caption-text\">Desenho de Enzo<\/p><\/div>\n<p>Apresentaremos aqui as mesmas etapas realizadas com o Maternal, uma vez que o projeto pensa a alfabetiza\u00e7\u00e3o do olhar e dos sentidos das crian\u00e7as desde a Educa\u00e7\u00e3o Infantil at\u00e9 a conclus\u00e3o da primeira etapa do Ensino Fundamental. A autora Lucia Santaella afirma que: \u201cO ideal est\u00e9tico \u00e9 nutrido pelo cultivo de h\u00e1bitos de sentimento. Sendo as obras de arte aquelas coisas que encarnam qualidades de sentimentos, os h\u00e1bitos de sentimentos s\u00f3 podem ser cultivados atrav\u00e9s da exposi\u00e7\u00e3o de nossas sensibilidades \u00e0s obras de arte. Em vista disso, (&#8230;) eles (os museus) cumprem essa imprescind\u00edvel tarefa de nos colocar na presen\u00e7a das obras de arte que fisgam nossa sensibilidade com vistas \u00e0 mudan\u00e7a de h\u00e1bitos estereotipados e deteriorados do sentir\u201d.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Com base nessa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que envolvemos as crian\u00e7as, desde o Maternal, nessa proposta de alfabetizarmos o seu olhar e a sua sensibilidade. Desse modo, os alunos do Maternal visitaram o Jardim das Esculturas no Museu de Arte Moderna (MAM), localizado no Parque do Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo-SP.<\/p>\n<p><em><strong>O projeto em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Etapas de desenvolvimento do projeto com o Maternal:<\/p>\n<p><strong>1\u00aa etapa \u2013 Avalia\u00e7\u00e3o iniciante: O que \u00e9 um museu?<\/strong><br \/>\nCom o prop\u00f3sito de fazer uma sondagem para o levantamento de repert\u00f3rio, numa atitude investigativa diante dos saberes dos educandos (aquilo que eles sabem e o modo como sabem), iniciamos o trabalho em uma roda de conversa com a pergunta \u201cO que \u00e9 um museu?\u201d. As crian\u00e7as responderam do ponto de vista delas, sem nenhuma interfer\u00eancia por parte do professor. A ideia era que verbalizassem o que pensavam sobre o assunto, e cada uma tinha sua explica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Que tem chafariz. (Jo\u00e3o Pedro Canone Correia)<\/p>\n<p>\u00c9 um t\u00fanel. (Catherine Salgado Lavos)<\/p>\n<p>\u00c9 maravilhoso perceber o pensamento sincr\u00e9tico dos pequenos. Ao tentarem explicar as coisas, misturam, interligam, relacionam realidade com fantasia e a pergunta com a pr\u00f3pria viv\u00eancia. Essa forma de pensar, que parece ser distante da l\u00f3gica formal, \u00e9 natural da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Henri Wallon (m\u00e9dico, psic\u00f3logo e fil\u00f3sofo) explica que o pensamento infantil tem caracter\u00edsticas particulares, diferentes das do adulto. A principal delas \u00e9 o pensamento por meio de pares complementares. A crian\u00e7a explica um objeto relacionando-o a outro, combinando diferentes refer\u00eancias e apresenta uma resposta. Nesse reagrupar, constr\u00f3i um novo e inusitado sentido. Gera uma din\u00e2mica que se aproxima da Poesia. S\u00e3o associa\u00e7\u00f5es por sonoridade, por similaridade de ideias, por rela\u00e7\u00e3o entre os objetos, ou por viv\u00eancias, nem sempre facilmente observ\u00e1veis pelos adultos.<\/p>\n<p>A descontinuidade desse pensamento, naturalmente encontrado na express\u00e3o do pensamento das crian\u00e7as pequenas, \u00e9 um recurso largamente almejado pelos poetas. Perceber essas caracter\u00edsticas do pensamento infantil e sua express\u00e3o por meio da linguagem nos faz pensar na import\u00e2ncia da qualidade da escuta e da media\u00e7\u00e3o dos educadores. Cheias de significados e sentidos e repletas de conex\u00f5es subjetivas, \u00e9 preciso oferecer condi\u00e7\u00f5es para que as crian\u00e7as exer\u00e7am seu pensamento e sua express\u00e3o, pois \u00e9 no exerc\u00edcio de explicar o mundo \u00e0 sua volta, as situa\u00e7\u00f5es diversas que experimentam com pessoas de bagagens culturais diferentes, que elas se desenvolvem.<\/p>\n<p><strong>2\u00aa etapa \u2013 Apresenta\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o do projeto<\/strong><br \/>\nCom a media\u00e7\u00e3o da arte-educadora, foi apresentado \u00e0s crian\u00e7as o projeto \u201cPara comer com os olhos\u201d, com fotos de diferentes museus, incluindo o que elas visitariam, explorando o conceito de acervo a partir de cole\u00e7\u00f5es. Para este encontro utilizamos o e-bean como um recurso tecnol\u00f3gico que qualifica a apresenta\u00e7\u00e3o das imagens.<\/p>\n<p>A arte-educadora e assessora Juliana Carnasciali disse o nome do projeto, falou sobre a proposta de comer com os olhos, bem como mencionou o nome do museu que visitariam, indicando que elas poderiam ver muitas obras e, com esse olhar sens\u00edvel e aprendiz, ampliariam conhecimentos. A met\u00e1fora do comer indica que o que comemos entra em n\u00f3s, de modo que o que for nutritivo permanece, assim como ocorre com a aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>3\u00aa etapa \u2013 Visita<\/strong><br \/>\nA visita contou com a participa\u00e7\u00e3o de educadores do museu, que iniciaram o trabalho numa roda de conversa, na frente do MAM, introduzindo as perguntas sobre o que fariam naquele espa\u00e7o. Muitas crian\u00e7as ainda n\u00e3o sabiam o que era um museu, muito menos sabiam sobre o MAM. Os educadores informaram que a visita n\u00e3o seria dentro do museu, que fariam um passeio no Jardim das Esculturas.<\/p>\n<p>De forma l\u00fadica, solicitaram que as crian\u00e7as fizessem \u00f3culos com as m\u00e3os, e que olhassem ao redor e que dissessem o que viam. No in\u00edcio, as crian\u00e7as diziam que viam \u00e1rvores, pr\u00e9dios, entre outras coisas. O ambiente natural e urbano era sedutor. A partir de ent\u00e3o, sempre de forma l\u00fadica, os educadores conduziram a visita e o olhar das crian\u00e7as para o Jardim. Estavam vivenciando a experi\u00eancia de um museu a c\u00e9u aberto. Lembremos que esta era a primeira experi\u00eancia deles sobre o que \u00e9 um museu de arte.<\/p>\n<p>Em cada obra, elas eram novamente convidadas a colocar os \u00f3culos e a observar os detalhes, como forma, tamanho, cores. Eram convocadas a interagir com as obras, pois podiam passar as m\u00e3os, subir, entrar, passar por baixo delas, colocar pedras e outros materiais pr\u00f3prios do jardim dentro das pe\u00e7as, ou sobre elas. Durante esses momentos de intera\u00e7\u00e3o, os alunos conversavam sobre o que sentiam e o que viam. Uma abordagem bastante contempor\u00e2nea, coerente com os indiv\u00edduos que desejamos formar.<\/p>\n<p>A escolha do MAM e desse acervo espec\u00edfico, o Jardim das Esculturas, \u00e9 bastante adequado \u00e0 idade porque possibilita a intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com as obras. E como as obras est\u00e3o num jardim, [o que possibilita] subir, descer, entrar e sair pelas obras, possibilitou uma viv\u00eancia l\u00fadica. (Paloma Dantas &#8211; professora do Maternal)<\/p>\n<div id=\"attachment_7398\" style=\"width: 423px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5211.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7398\" class=\"size-full wp-image-7398\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5211.jpg\" alt=\"Fotos: Acervo Eduque Nova Escola\" width=\"413\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5211.jpg 413w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5211-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7398\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Acervo Eduque Nova Escola<\/p><\/div>\n<p><strong>4\u00aa etapa \u2013 Registro ap\u00f3s a visita: O que comi com os olhos no museu?<\/strong><br \/>\nNa escola, ap\u00f3s a visita ao museu, numa roda de conversa, as crian\u00e7as, conduzidas pelas professoras, puderam falar sobre o que mais tinham gostado no Jardim das Esculturas:<\/p>\n<p>Eu gostei de ver as \u00e1rvores. (Mariana Salviani Pereira)<br \/>\nEu gostei dos cones porque dava para subir. (Guilherme Kawano Cho)<br \/>\nEu gostei de jogar pedras dentro dos cones. (Lucas Monzoli Ribeiro)<\/p>\n<p>Depois das conversas, elas foram convidadas a registrar o estudo, desenhando o que tinham gostado e visto. Os desenhos, repletos de hist\u00f3rias, revelam muitas escritas n\u00e3o convencionais sobre o que gostaram e o que estavam representando. O desejo deles de escrever sobre suas descobertas era intenso e foi fato marcante em nosso retorno, visto que ainda est\u00e3o aprendendo a escrever.<\/p>\n<p><strong>5\u00aa etapa \u2013 Registro para divulga\u00e7\u00e3o do trabalho aos pais e \u00e0 comunidade<\/strong><br \/>\nEntendemos que \u00e9 fundamental que a professora possa refletir sobre o trabalho desenvolvido e, para isso, o registro das atividades com foco na socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante importante. Com esse objetivo, as professoras elaboraram um texto sobre o professor-pesquisador, divulgado no site da escola. Outra forma de socializar o trabalho e manter o ambiente como um terceiro educador foi a montagem de murais com fotos e frases das crian\u00e7as, apresentando as viv\u00eancias e descobertas.<\/p>\n<p>A visita possibilitou \u00e0s crian\u00e7as a aprecia\u00e7\u00e3o de esculturas e experimenta\u00e7\u00f5es sensoriais, al\u00e9m de promover a reflex\u00e3o sobre diversos tipos de materiais e t\u00e9cnicas envolvendo a constru\u00e7\u00e3o de objetos tridimensionais. As crian\u00e7as tiveram a oportunidade de tocar as esculturas, aproximar o ouvido para escutar o barulho que os objetos fazem, deitaram no ch\u00e3o para experimentar a obra em sua totalidade e at\u00e9 simularam bin\u00f3culos para aprecia\u00e7\u00e3o de detalhes.<\/p>\n<p>Foi uma visita bem produtiva. Fizeram perguntas, como: \u201cNossa! Isso foi feito pelo artista?\u201d, \u201cEscultura n\u00e3o coloca na parede?\u201d, \u201cPosso entrar dentro do cone?\u201d. No pr\u00f3ximo semestre, as crian\u00e7as construir\u00e3o suas pr\u00f3prias esculturas. Aguardem! Podemos perceber por esse registro que, al\u00e9m de observar as aprendizagens que aconteceram com o trabalho, a atividade mobilizou pesquisas para o pr\u00f3ximo projeto de Arte desse grupo, t\u00edtulo ser\u00e1 \u201cO que \u00e9 escultura?\u201d<\/p>\n<p><strong>6\u00aa etapa \u2013 Nova visita ao conceito de museu com nova avalia\u00e7\u00e3o: O que \u00e9 um museu?<\/strong><br \/>\nO pr\u00f3ximo passo do trabalho ser\u00e1 o momento de revisitar o conceito de museu, momento em que novamente a professora far\u00e1 a pergunta \u201cO que \u00e9 um museu?\u201d, e as crian\u00e7as poder\u00e3o verbalizar o que compreenderam sobre esse conceito, agora de um novo ponto de vista, considerando a experi\u00eancia vivida.<\/p>\n<p>Em 2013, quando esses alunos estiverem no Jardim I, e levando-se em conta que a proposta \u00e9 visitar o Museu de Arte Contempor\u00e2nea de S\u00e3o Paulo (MAC), no Parque do Ibirapuera, novamente eles ter\u00e3o a oportunidade de pensar: O que \u00e9 um museu?, revisitando mais uma vez o conceito e ampliando as possibilidades de compreens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>7\u00aa etapa \u2013 Montagem de mural com percursos, viv\u00eancias e descobertas<\/strong><br \/>\nEsse mural tem o objetivo de apresentar a toda a comunidade escolar, pais, demais educadores e visitantes o percurso do projeto. Ele \u00e9 organizado pela arte-educadora Juliana Carnasciali, que seleciona fotos com boa visualiza\u00e7\u00e3o das etapas da visita e viv\u00eancia no ateli\u00ea do museu, como aconteceu com os alunos do 3\u00ba ano. Os pequenos, nesse momento, s\u00e3o observadores apenas. O mural fica num ambiente de passagem, e todas as vezes em que eles passam por ali mostram as fotos deles no Jardim das Esculturas no MAM.<\/p>\n<p><em><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/em><br \/>\nO envolvimento de toda a escola em torno dessa proposta revelou o potencial de aprendizagem dos educandos, dos educadores e da comunidade. Vale lembrar que foi preciso considerar as especificidades, as particularidades e a ess\u00eancia de cada idade de todos os alunos. Foi decisivo tamb\u00e9m para a proposta envolver os educadores no processo de aprendizagem e considerar a amplia\u00e7\u00e3o cultural de curadoria, uma vez que \u00e9 necess\u00e1rio selecionar os museus a serem visitados.<\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o desse projeto contemplou a diversidade de interesses da equipe escolar, dos pais e da comunidade aprendente, sem deixar de lado as m\u00faltiplas linguagens, os registros e as reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica dos familiares pode ser percebida em relatos como o de Karina A. Portillo Carneiro, m\u00e3e de Pedro Portillo Carneiro (3 anos \u2013 Maternal) e de Caio Henrique Portillo Carneiro (8 anos \u2013 3\u00ba ano do Ensino Fundamental):<\/p>\n<blockquote><p>Acho importante a escola proporcionar atividades que valorizem a arte e a cultura. Meus filhos chegaram em casa muito animados contando o que viram nos museus. Achei inte ressante, pois n\u00e3o costumamos fazer esse tipo de passeio em fam\u00edlia, e com o incentivo da escola, meus filhos compartilharam as novidades e o interesse, fazendo com que pud\u00e9ssemos rever nossas op\u00e7\u00f5es de passeios em fam\u00edlia nos fins de semana.<\/p><\/blockquote>\n<p>Pudemos, ainda, observar a aprendizagem dos pequeninos e dos maiores, pois, a partir do questionamento \u201cO que \u00e9 esse projeto: Para comer com os olhos?\u201d, tivemos como explica\u00e7\u00e3o de Camillie Kuramochi, em sua forma natural de pensar, \u00e9 \u201colhar com aten\u00e7\u00e3o\u201d (depoimento de sua m\u00e3e) e de Let\u00edcia Campanerut Ferreira Vianna, aluna do 3\u00ba ano do Ensino Fundamental, de forma mais elaborada:<\/p>\n<div id=\"attachment_7399\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5212.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7399\" class=\"size-medium wp-image-7399\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5212-300x240.jpg\" alt=\"Desenho Amanda\" width=\"300\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5212-300x240.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5212.jpg 342w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7399\" class=\"wp-caption-text\">Desenho Amanda<\/p><\/div>\n<blockquote><p>O projeto \u201cPara comer com os olhos\u201d significa que quando olhamos artes, gravamos, e a palavra comer \u00e9 que quando comemos levamos as coisas para dentro do nosso corpo. E ent\u00e3o n\u00f3s vamos comer as artes nesse projeto e vamos levar isso para dentro do nosso corpo.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cPara comer com os olhos\u201d que, para os adultos, pode ser compreendido com estranhamento, para as crian\u00e7as nasce como um convite para conhecer coisas novas, como explica a m\u00e3e de Camillie:<\/p>\n<blockquote><p>Sou f\u00e3 dos passeios, principalmente aqueles voltados para museus e exposi\u00e7\u00f5es. A Camillie repete constantemente a import\u00e2ncia de se \u201ccomer com os olhos\u201d, de observar com aten\u00e7\u00e3o, de conhecer coisas novas. O exerc\u00edcio foi t\u00e3o intenso que ela observou at\u00e9 o trajeto do \u00f4nibus, pois sempre que passamos pelo Obelisco, ela diz: \u201cMam\u00e3e, o MAM \u00e9 pertinho daqui!\u201d. Fant\u00e1stico este trabalho, muito estimulante para a minha Camillie.<br \/>\nLuciane Ueda Kuramochi (m\u00e3e de Camillie Kuramochi, aluna do Maternal)<\/p><\/blockquote>\n<p>O ato de ensinar e o de aprender exige reflex\u00e3o constante, pois \u00e9 por meio dela que avaliamos o planejado e o que foi realizado e, a partir da\u00ed, propomos a continuidade do processo. Essas a\u00e7\u00f5es criadas e recriadas no pr\u00f3prio exerc\u00edcio di\u00e1rio s\u00e3o avaliadas e replanejadas, possibilitando desenvolver um trabalho voltado \u00e0 a\u00e7\u00e3o-reflex\u00e3o-a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse movimento reflexivo, \u00e9 importante ressaltar a declara\u00e7\u00e3o da arte-educadora Juliana Carnasciali:<\/p>\n<blockquote><p>Hoje temos crian\u00e7as expandidas para o contato e interesse com a arte, pais dispostos a se envolver cada dia mais com esse assunto e equipe pedag\u00f3gica imersa na linguagem que mais liberdade de escolha e cria\u00e7\u00e3o disp\u00f5e ao ser humano: a arte.<\/p><\/blockquote>\n<p>(Patr\u00edcia Cintra, diretora pedag\u00f3gica da Eduque Nova Escola, em S\u00e3o Paulo\u2013SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>SANTAELLA, Lucia. In O admir\u00e1vel est\u00e9tico e \u00e9tico como ideal supremo da vida humana. Encontros Est\u00e9ticos: Colet\u00e2nea de textos. Jorge Anthonio e silva (org). Caixa Econ\u00f4mica Cultural. 2005. p.130-131.<\/p>\n<h4>Professor-pesquisador<\/h4>\n<p>Nessa perspectiva, as proposi\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas trazem \u00e0 tona um professor-pesquisador que se reinventa, que tem uma atitude investigativa diante dos diferentes saberes com que ir\u00e1 se deparar. Um professor-criador dos pr\u00f3prios percursos de aprendizagem, autor do seu pensar\/fazer pedag\u00f3gico com a escolha de caminhos que possam abrigar e expressar a coautoria com os alunos.<\/p>\n<p>O ensinar-aprender decola pelas asas da inven\u00e7\u00e3o, por um tipo de a\u00e7\u00e3o que parte de uma ideia, mas que, ao investig\u00e1-la, cria, antes, o modo de investiga\u00e7\u00e3o, investigando tamb\u00e9m o investigante, naquilo que ele sabe e no modo como sabe.<\/p>\n<p>Para que essa situa\u00e7\u00e3o se fa\u00e7a presente, a Eduque entendeu ser importante investir tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o continuada de seus educadores e, para isso, organizou um programa de assessoria de Arte no qual toda a equipe passa por experi\u00eancias com percursos de \u201carte educar\u201d, conectados com a atualidade.<\/p>\n<p>Trabalhar desse modo, no aprender-ensinar arte, representa trabalhar na cria\u00e7\u00e3o pessoal, tanto de professores como de alunos, e por isso mesmo \u00e9 um trabalho que se d\u00e1 no plano do devir.<\/p>\n<p>A proposta da escola \u00e9 criar encontros de forma\u00e7\u00e3o de arte para as professoras de modo a torn\u00e1-las mais preparadas para serem professoras propositoras. Acreditamos que tendo um profissional protagonista potencializamos a constru\u00e7\u00e3o do saber. O desenvolvimento desse desejo teve como primeira etapa despertar o olhar sens\u00edvel. Ainda nesse foco, um ano depois, surgiu, como uma nova a\u00e7\u00e3o, o projeto \u201cPara comer com os olhos\u201d, uma proposta de nutri\u00e7\u00e3o est\u00e9tica engajada, envolvendo leitura visual, frui\u00e7\u00e3o de arte, reflex\u00e3o, registro e constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos espec\u00edficos da \u00e1rea, bem como aproxima\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio est\u00e9tico-cultural da cidade a partir de contatos acumulativos mediados em museus, envolvendo toda a escola em um estudo do meio que n\u00e3o termina onde parece que come\u00e7ou. Ambi\u00eancias, nomenclaturas, hist\u00f3rias e entrela\u00e7amento de culturas fazem desse contexto est\u00e9tico-pedag\u00f3gico um terreno f\u00e9rtil ao aprender em processo, caracter\u00edstica que a arte precisa e prop\u00f5e.<br \/>\n(Juliana Carnasciali \u2013 arte-educadora da Eduque)<\/p>\n<h4>Processos em Artes Visuais<\/h4>\n<p>Quando trabalhamos no plano do devir, o que conta \u00e9 a processualidade, tanto do professor como dos aprendizes. Falamos do movimento processual da aprendizagem porque aprender-ensinar \u00e9 busca, \u00e9 p\u00f4r-se em movimento, \u00e9 lan\u00e7ar-se em um caminho desconhecido, movido por situa\u00e7\u00f5es concretas geradoras de experi\u00eancia. Torna-se ato de investiga\u00e7\u00e3o, de cria\u00e7\u00e3o. Ressurge, desse modo, algo que est\u00e1 desaparecido da escola: o saber da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Nesse sentido, aproximamo-nos do conceito de saberes da experi\u00eancia de Jorge Larrosa. O autor, para construir esta ideia de saber, constr\u00f3i inicialmente uma de experi\u00eancia: (&#8230;) \u00e9 aquilo que nos passa, ou que nos toca, ou que nos acontece, e ao passar-nos nos forma e transforma\u201d. [o saber da experi\u00eancia seria:] &#8230; o que se adquire no modo como algu\u00e9m vai respondendo ao que vai lhe acontecendo ao largo da vida e no modo como vamos dando sentido ao acontecer do que nos acontece. No saber da experi\u00eancia n\u00e3o se trata da verdade do que s\u00e3o as coisas, mas do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece.\u201d<\/p>\n<p>Se a experi\u00eancia \u00e9 \u201co que nos acontece\u201d e o saber da experi\u00eancia \u00e9 o sentido que damos a este acontecido em n\u00f3s, \u201ctrata-se de um saber finito, ligado \u00e0 experi\u00eancia de um indiv\u00edduo ou de uma comunidade humana particular (&#8230;), por isso, o saber da experi\u00eancia \u00e9 um saber particular, subjetivo, relativo, contingente e pessoal.\u201d<\/p>\n<p>Podemos dizer, assim, que a processualidade \u00e9 o mapa do saber da experi\u00eancia est\u00e9tica de professores e aprendizes, tra\u00e7ada por caminhos (movimentos) que buscam na Arte, como territ\u00f3rio da inven\u00e7\u00e3o, encontros sens\u00edveis e criadores que possam afastar vis\u00f5es estereotipadas ou vis\u00f5es reduzidas do mundo, diminuindo o distanciamento entre arte e vida.<\/p>\n<p>\u201cIdeias, intui\u00e7\u00e3o, imagens, mobiliza\u00e7\u00e3o interna, novas significa\u00e7\u00f5es. A arte \u00e9 possibilidade de estabelecer rela\u00e7\u00f5es \u2013 troca de percep\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es, compartilhadas no tempo\/espa\u00e7o da experi\u00eancia, implica a constru\u00e7\u00e3o individual e coletiva dos sentidos.\u201d<br \/>\n(Stela Barbieri, artista pl\u00e1stica, educadora, curadora do Educativo da Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Eduque Nova Escola<br \/>\nEndere\u00e7o: Avenida Bosque da Sa\u00fade. CEP: 04142-082 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP<br \/>\nTel.: (11) 5581-0123<br \/>\nSite: www.novaescola-eduque.com.br<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica: Patr\u00edcia Cintra<br \/>\nE-mail: patr\u00edcia.cintra@novaescola-eduque.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<p>Livros<\/p>\n<ul>\n<li>Intera\u00e7\u00f5es: onde est\u00e1 a arte na inf\u00e2ncia?, de Stela Barbieri. Cole\u00e7\u00e3o Intera\u00e7\u00f5es, Editora Blusher, 2012.<\/li>\n<li>Nota sobre a experi\u00eancia e o saber da experi\u00eancia, de Jorge Larrosa. In: Leituras SME. Textos-subs\u00eddios ao trabalho pedag\u00f3gico das unidades da Rede Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Campinas\/Fumec, n. 04, jul. 2001.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escolha das esculturas para o trabalho de artes com crian\u00e7as de 3 anos foi uma decis\u00e3o acertada pois \u00e9 uma excelente porta de entrada para a experi\u00eancia est\u00e9tica. Por Patr\u00edcia Cintra<\/p>\n","protected":false},"author":195,"featured_media":7360,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1285],"tags":[1304,28,1284,1302,1303,65,1282],"class_list":{"0":"post-7395","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-52","8":"tag-1304","9":"tag-arte","10":"tag-eduque-nova-escola","11":"tag-escultura","12":"tag-mam","13":"tag-museu","14":"tag-patricia-cintra","16":"post-with-thumbnail","17":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/195"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7395\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}