{"id":7382,"date":"2012-11-21T17:21:13","date_gmt":"2012-11-21T19:21:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7382"},"modified":"2023-03-27T20:06:51","modified_gmt":"2023-03-27T23:06:51","slug":"o-despertar-do-olhar-e-da-escuta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/o-despertar-do-olhar-e-da-escuta\/","title":{"rendered":"O despertar do olhar e da escuta"},"content":{"rendered":"<h5>Di\u00e1logo entre m\u00fasica de vanguarda e arte visual contempor\u00e2nea favorece a experi\u00eancia de fruir arte pelas crian\u00e7as pequenas<\/h5>\n<p>A pr\u00e1tica educativa deve instigar, provocar, levar \u00e0 reflex\u00e3o e, sobretudo, abrir portas para a compreens\u00e3o da arte que se produz hoje, pois ela caminha na contram\u00e3o do que a m\u00eddia oferece. Deve, portanto, buscar novas estrat\u00e9gias para aproximar essas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas da realidade infantil. \u00c9 desse princ\u00edpio que partimos ao desenvolver um trabalho de artes com crian\u00e7a.<!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_7383\" style=\"width: 270px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5211.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7383\" class=\"size-medium wp-image-7383\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5211-260x300.jpg\" alt=\"Produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as da Escola Municipal de Inicia\u00e7\u00e3o Art\u00edstica de S\u00e3o Paulo \u2013 SP\" width=\"260\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5211-260x300.jpg 260w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5211.jpg 333w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7383\" class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as da Escola Municipal de Inicia\u00e7\u00e3o Art\u00edstica de S\u00e3o Paulo \u2013 SP<\/p><\/div>\n<p>Esse percurso apresentado aqui \u00e9 parte do projeto \u201cO despertar do olhar e da escuta&#8230;\u201d, que realizamos desde 2009 na Escola Municipal de Inicia\u00e7\u00e3o Art\u00edstica (EMIA<sup>1<\/sup>), com crian\u00e7as de cinco e seis anos. Essa experi\u00eancia surge da integra\u00e7\u00e3o das linguagens musical e visual, que \u00e9 uma pr\u00e1tica nessa escola em que as artes s\u00e3o apresentadas de forma integrada para as crian\u00e7as. Nosso planejamento de 2009 surgiu como uma proposta para aproximar as crian\u00e7as da arte contempor\u00e2nea e da m\u00fasica de vanguarda e, desde ent\u00e3o, investimos nesse trabalho.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 proporcionar tempo e espa\u00e7o para a cria\u00e7\u00e3o nas duas linguagens, al\u00e9m de levar as crian\u00e7as ao processo de frui\u00e7\u00e3o da arte contempor\u00e2nea e da m\u00fasica de vanguarda.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Esse trabalho encontra-se fundamentado na chamada \u201csegunda gera\u00e7\u00e3o de educadores musicais\u201d. Os educadores musicais desse per\u00edodo alinham-se \u00e0s propostas da m\u00fasica nova e buscam incorporar \u00e0 pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o musical nas escolas os mesmos procedimentos dos compositores de vanguarda, privilegiando a cria\u00e7\u00e3o, a escuta ativa, a \u00eanfase no som e em suas caracter\u00edsticas, e evitando a reprodu\u00e7\u00e3o vocal e instrumental do que denominam \u201cm\u00fasica do passado\u201d.<\/p>\n<p>Em artes visuais, a arte contempor\u00e2nea \u00e9 resultado de um longo processo de quebras de paradigmas que surgem no cen\u00e1rio da arte internacional e que acontecem de maneira acentuada a partir da d\u00e9cada de 1950. Em linhas gerais, esse percurso desemboca nas ideias da arte como processo que expande o suporte e o objeto art\u00edstico para muito al\u00e9m do plano bidimensional ou tridimensional. O objeto art\u00edstico torna-se h\u00edbrido e passa a permear os espa\u00e7os. Os artistas passam a ter como palavra de ordem: liberta\u00e7\u00e3o de regras e da tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O recorte escolhido foi desenvolvido em um conjunto de dez encontros de duas horas cada um. O projeto todo durou cinco meses. Conversa sonora e constru\u00e7\u00e3o com sons Durante as primeiras aulas do projeto, oferecemos \u00e0s crian\u00e7as diversos materiais do cotidiano, para que elas experimentassem diferentes maneiras de explora\u00e7\u00e3o sonora sem a condu\u00e7\u00e3o do professor, que agia como mediador de uma \u201cconversa sonora\u201d feita com tampas de panela, escadas, um ventilador, canecas, condu\u00edtes, banquinhos e a mesa da sala de aula, potes de pl\u00e1stico, latinhas de metal, colheres de pau, baldes, entre tantos outros.<\/p>\n<p>Durante o processo, uma crian\u00e7a de cada vez experimentava o objeto e as demais escutavam. O envolvimento foi muito grande e elas ficaram muito motivadas em realizar a brincadeira com sons. Houve uma sincronicidade entre fazer som e silenciar, o que gerou uma constru\u00e7\u00e3o sonora com texturas e timbres muito variados.<\/p>\n<p>Em seguida, foi proposta a ideia da constru\u00e7\u00e3o com sons. O que direcionava a sequ\u00eancia sonora em grupo era a escuta ativa, na qual as crian\u00e7as, sem a reg\u00eancia do professor, iniciavam o som do objeto que haviam escolhido previamente e tamb\u00e9m o silenciavam.<\/p>\n<p>Depois disso, foram convidadas a criar uma composi\u00e7\u00e3o tridimensional coletiva com esses mesmos objetos. Foi pensado para esse momento do trabalho um primeiro espa\u00e7o, contendo as mesas da sala de aula, formadas por duas portas montadas com cavaletes. Propusemos a seguinte din\u00e2mica:<\/p>\n<p>uma crian\u00e7a de cada vez observava e escolhia um dos objetos e o posicionava sobre as mesas, da maneira que lhe parecesse mais interessante para iniciar a constru\u00e7\u00e3o coletiva, enquanto o grupo observava o processo. Depois de todos terem participado do processo chegou o momento de ver, de fato, o que se criou e lapidar o que havia sido constru\u00eddo.<\/p>\n<p>Perguntamos para o grupo quem gostaria de fazer altera\u00e7\u00f5es, e as crian\u00e7as que tinham interesse em modificar os elementos do lugar assim o fizeram. Essa interven\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 praticada no grupo de seis anos e \u00e9 uma experi\u00eancia nova para os de cinco anos. Nos dois grupos, as crian\u00e7as aceitaram tranquilamente todo o processo. Estavam bastante empolgadas com o que estavam produzindo.<\/p>\n<p>Quando decidimos que o trabalho estava pronto foi o momento de observar e conversar com o grupo. Nesse instante, os pequenos perceberam que a constru\u00e7\u00e3o poderia ser observada por todos os lados e em diversos \u00e2ngulos. Introduzimos as primeiras no\u00e7\u00f5es que diferem a modelagem (adi\u00e7\u00e3o de material) da escultura (subtra\u00e7\u00e3o de material) e da constru\u00e7\u00e3o tridimensional (acrescentar e organizar<br \/>\nmateriais diversos).<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7o constru\u00eddo<\/strong><br \/>\nNum segundo momento, a din\u00e2mica foi invertida: partimos da constru\u00e7\u00e3o para, em seguida, explor\u00e1-la musicalmente. O exerc\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o aconteceu em um espa\u00e7o ampliado, o ch\u00e3o da sala toda. As crian\u00e7as tinham praticamente seis metros quadrados para criar. Repetimos o processo de observa\u00e7\u00e3o, de escolha e de constru\u00e7\u00e3o. Os banquinhos, para nossa surpresa, eram empilhados at\u00e9 o m\u00e1ximo de seu equil\u00edbrio. A brincadeira era organizar os elementos at\u00e9 que este atingisse seu limite.<\/p>\n<p>Uma vez pronta a constru\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as, em dupla, buscavam a sonoridade dos objetos com as m\u00e3os e, \u00e0s vezes, com baquetas de instrumentos de percuss\u00e3o. Descobriam, assim, diferentes timbres e iniciavam um processo de improvisa\u00e7\u00e3o musical.<\/p>\n<p>Nesse dia, finalizamos nossas experi\u00eancias, com a proposta de registrar, por meio do desenho, o espa\u00e7o constru\u00eddo a partir da observa\u00e7\u00e3o. Percebemos que algumas crian\u00e7as fizeram o desenho reproduzindo a obra o mais pr\u00f3ximo do real, outras desenharam a partir da imagina\u00e7\u00e3o. Banquinhos, mesa e sucatas transformaram-se em castelos, reinos, espa\u00e7onaves e mundos estranhos, envoltos numa trilha sonora colorida.<\/p>\n<p>Para esse momento, n\u00f3s escolhemos obras de artistas que utilizavam em sua po\u00e9tica de trabalho esse mesmo processo criativo vivenciado pelas crian\u00e7as. A primeira aprecia\u00e7\u00e3o musical foi com a obra Living Room do compositor John Cage, na vers\u00e3o do grupo su\u00ed\u00e7o We spoke.<\/p>\n<p>Seguindo a linha de explora\u00e7\u00e3o dos objetos do cotidiano, as crian\u00e7as trouxeram seus brinquedos eletr\u00f4nicos para a sess\u00e3o de improvisa\u00e7\u00e3o musical. As sequ\u00eancias sonoras eram encadeamentos de varinhas m\u00e1gicas, dinossauros, carrinhos e videogames.<\/p>\n<p>Nesse dia, utilizamos o microfone e o som p\u00f4de ser amplificado. Gravamos e comentamos a composi\u00e7\u00e3o musical do grupo. Dessa vez, a aprecia\u00e7\u00e3o musical foi da obra Parcours de l\u2019Entit\u00e9 do compositor brasileiro Flo Menezes, que trabalha com sons eletr\u00f4nicos como mat\u00e9ria-prima. A obra escolhida permitiu um di\u00e1logo com o som da obra de Flo Menezes e os sons que as crian\u00e7as produziam em seus brinquedos.<\/p>\n<p>Em artes visuais, apreciamos alguns trabalhos do artista norte-americano Richard Serra, que utiliza verbos, a\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es em sua po\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Paisagem sonora: uma rela\u00e7\u00e3o entre o som e a visualidade<\/strong><br \/>\nO trabalho seguiu com a explora\u00e7\u00e3o sonora e visual do parque onde est\u00e1 situada a escola. Fundamentado no trabalho de Raymond Murray Schafer (1933-), m\u00fasico canadense, autor do livro O ouvido pensante<sup>4<\/sup>, o despertar da escuta atenta ao mundo \u00e9 uma forma de encontrar as qualidades do som no cotidiano. Ao conjunto de sons encontrados num espa\u00e7o e tempo determinados ele denominou \u201cpaisagem sonora\u201d. A partir da\u00ed o estudo do som se faz com o material encontrado no dia a dia. Parte do princ\u00edpio de que o som n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 proveniente de instrumentos musicais, e que se pode compor com esses sons n\u00e3o convencionais.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as caminharam pelo parque com o objetivo de perceber a \u201cpaisagem sonora\u201d. Depois do passeio, n\u00f3s fizemos uma roda e as crian\u00e7as falaram sobre os sons que mais gostaram, os que as irritaram e desenharam a respeito de suas percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um desdobramento desse trabalho \u00e9 refletir sobre os sons que nos desagradam no dia a dia e, a partir da\u00ed, conversarmos sobre a polui\u00e7\u00e3o sonora. De que maneira ela est\u00e1 presente em nossa vida, ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 no tr\u00e2nsito? Tentamos identificar com as crian\u00e7as como \u00e9 a paisagem sonora da sua casa, da escola, do passeio, e elas relataram o quanto existe de polui\u00e7\u00e3o sonora nesses lugares. E perguntamos: Como \u00e9 poss\u00edvel melhorar essa paisagem sonora e torn\u00e1-la menos polu\u00edda?<\/p>\n<p>As sugest\u00f5es das crian\u00e7as foram as mais variadas: falar mais baixo, abaixar o volume da TV e at\u00e9 tirar os \u201cbarulhinhos\u201d do computador. Ainda na esteira dos pensamentos dos materiais de uso comum, tivemos a ideia de embalar o parque com papel alum\u00ednio e filme de PVC.<\/p>\n<div id=\"attachment_7384\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5212.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7384\" class=\"size-full wp-image-7384\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5212.jpg\" alt=\"foto: Sheila Christina Ortega\" width=\"240\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5212.jpg 240w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sus5212-213x300.jpg 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7384\" class=\"wp-caption-text\">foto: Sheila Christina Ortega<\/p><\/div>\n<p>O material foi providenciado pelos pais e fizemos uma excurs\u00e3o at\u00e9 o parquinho de brinquedos e embrulhamos quase tudo! Esse empacotamento gerou espa\u00e7os transparentes proporcionados pelo material, resultando planos para o desenho que foi feito em seguida: as crian\u00e7as receberam canetas permanentes e registraram o contorno de tudo o que viam naquele espa\u00e7o. Esse processo foi recuperado em sala de aula quando empacotamos o mobili\u00e1rio da sala e nele desenhamos.<\/p>\n<p>Com o intuito de ampliar a bagagem visual das crian\u00e7as, apresentamos o conjunto de obras do artista norte-americano Christo (1935-), que embala arquiteturas e espa\u00e7os naturais como ilhas, monumentos e pontes. E tamb\u00e9m a artista brasileira Regina Silveira (1939-), que se apropria de espa\u00e7os urbanos e arquiteturas em seus trabalhos.<\/p>\n<p>Pensamos que todo o percurso vivenciado pelas crian\u00e7as, aqui exposto, seja o pilar que aproxima a produ\u00e7\u00e3o infantil da arte contempor\u00e2nea. Aproximar a crian\u00e7a da visualidade contempor\u00e2nea faz parte do processo de construir o \u201calfabeto visual\u201d desse indiv\u00edduo. Ele se tornar\u00e1 um leitor da produ\u00e7\u00e3o visual da atualidade, um leitor cr\u00edtico, que sempre ter\u00e1 algo a dizer. As crian\u00e7as vivenciaram um rico movimento de pesquisa e de experimenta\u00e7\u00e3o, e as produ\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas aconteceram no desenrolar desse percurso. Estar sempre junto, educador e aprendiz, nesse processo din\u00e2mico \u00e9 a atitude que n\u00f3s, ar tistas-educa doras, acreditamos legitimar o fazer desse trabalho e \u00e9 a prin cipal contribui\u00e7\u00e3o que queremos deixar registrada. Com partilhar. E relembrando as palavras do cr\u00edtico de arte brasileiro M\u00e1rio Pedrosa (1900-1981): Arte \u00e9 o exerc\u00edcio experimental da liberdade.<\/p>\n<p>( Liliana Maria Bertolini, musicista, professora de musicaliza\u00e7\u00e3o e de flauta transversal na Escola Municipal de Inicia\u00e7\u00e3o Art\u00edstica &#8211; EMIA -, em S\u00e3o Paulo-SP, formadora de professores da rede municipal de ensino do programa \u201cA rede em rede: a forma\u00e7\u00e3o continuada na Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u201d da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo &#8211; SMESP. Atua como flautista e pianista dos grupos AUM e Chorando por a\u00ed. Sheila Christina Ortega, artista pl\u00e1stica e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista \u201cJ\u00falio de Mesquita Filho\u201d &#8211; Unesp. Atua como arte-educadora na EMIA, como formadora de professores do programa \u201cA rede em rede: a forma\u00e7\u00e3o continuada na Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u201d da SMESP e como docente no Centro Universit\u00e1rio Metropolitano de S\u00e3o Paulo &#8211; FIG-Unimesp)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>M\u00fasica, teatro, dan\u00e7a e artes visuais.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Ideia relacionada a diversas teorias de aprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica para o processo de leitura da obra (conferir os trabalhos de Robert Ott, Michael Parsons, Ana Mae Barbosa, Abigail Housen, Fernando Hern\u00e1ndez).<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>M\u00fasica de vanguarda \u00e9 um termo gen\u00e9rico utilizado para agrupar as tend\u00eancias da m\u00fasica erudita surgidas ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Fora desse \u00e2mbito, refere-se a qualquer obra que utilize t\u00e9cnicas de express\u00e3o inovadoras e radicalmente diferentes do que tradicionalmente \u00e9 feito, assumindo, logo, um car\u00e1ter quase exclusivamente experimental. Devido \u00e0s variadas vertentes que perfazem o vanguardismo, torna-se dif\u00edcil, se n\u00e3o imposs\u00edvel, analis\u00e1-lo plenamente, sendo necess\u00e1rio acompanhar o desenvolvimento de cada escola individualmente. Entre os estilos englobados pela m\u00fasica de vanguarda est\u00e3o o serialismo integral, a musique concr\u00e8te, o minimalismo, a m\u00fasica eletr\u00f4nica, a m\u00fasica pontilhista, a m\u00fasica aleat\u00f3ria e a m\u00fasica microtonal. S\u00e3o comuns tamb\u00e9m misturas entre esses estilos, gerando composi\u00e7\u00f5es, por vezes, inclassific\u00e1veis em uma \u00fanica tend\u00eancia, que engloba t\u00e9cnicas da m\u00fasica concreta e da m\u00fasica eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Publicado pela Editora Unesp, 1991.<\/p>\n<h4>John Cage<\/h4>\n<p>John Cage (1912-1992) surgiu no cen\u00e1rio musical norte-americano na d\u00e9cada de 1950. Seu envolvimento com o Zen Budismo e as demais formas de pensamento oriental influenciaram fortemente sua produ\u00e7\u00e3o musical. Trouxe a presen\u00e7a do sil\u00eancio enfaticamente em seu trabalho, assim como a utiliza\u00e7\u00e3o de objetos inusitados para as suas constru\u00e7\u00f5es musicais.<\/p>\n<p>A obra escolhida \u00e9 executada com os objetos dispon\u00edveis numa sala de estar, como m\u00f3veis, jornal, a cafeteira, um aqu\u00e1rio, uma mesa de jogo, entre outros, e, nessa vers\u00e3o, os m\u00fasicos fazem uma apresenta\u00e7\u00e3o c\u00eanica.<\/p>\n<h4>Flo Menezes<\/h4>\n<p>Flo Menezes (1962-) \u00e9 um compositor brasileiro que vive na cidade de S\u00e3o Paulo e desenvolve um importante trabalho com a m\u00fasica eletr\u00f4nica. Criador do Studio PANaroma, seu est\u00fadio situado na Universidade Estadual Paulista \u201cJ\u00falio de Mesquita Filho\u201d (Unesp) \u00e9 um laborat\u00f3rio composto de equipamentos que lhe permitem gerar novos sons a partir de programas de computador e utilizar esse material em suas composi\u00e7\u00f5es. Professor e diretor do departamento de M\u00fasica da Unesp, Flo Menezes realiza performances com suas composi\u00e7\u00f5es no audit\u00f3rio da Universidade que atualmente cont\u00e9m 37 caixas ac\u00fasticas espalhadas por todo o audit\u00f3rio (palco e plateia).<\/p>\n<h4>Richard Serra<\/h4>\n<p>Richard Serra (1939-) desenvolve sua pesquisa pl\u00e1stica com diversos materiais industriais como a borracha, o a\u00e7o e o chumbo. Participa do cen\u00e1rio internacional desde 1960, junto aos artistas que pesquisam a desconstru\u00e7\u00e3o e o minimalismo. Busca relacionar a obra com o espa\u00e7o p\u00fablico por meio de trabalhos desenvolvidos em grandes dimens\u00f5es, mudando a percep\u00e7\u00e3o que o fruidor pode ter do local no qual a obra foi instalada.<\/p>\n<h4>Regina Silveira e Javacheff Christo<\/h4>\n<p>Regina Silveira (Porto Alegre, 1939) participou de diversas bienais internacionais, entre elas a Bienal de S\u00e3o Paulo (1983,1998), a Bienal do Mercosul (2001, 2011) e a 6a Bienal de Taipei (2006). Em sua obra h\u00e1 diversos materiais (v\u00eddeos, gravuras, pinturas e objetos), e ela discute e pesquisa exaustivamente as ilus\u00f5es sobre a representa\u00e7\u00e3o. http:\/\/reginasilveira.com\/<\/p>\n<p>Javacheff Christo nasceu em Gabrovo, na Bulg\u00e1ria, mudou-se para Nova Iorque (Estados Unidos da Am\u00e9rica) em 1964 onde se tornou cidad\u00e3o americano. O artista convida o espectador a perceber, de maneira diferente, o que \u00e9 por ele embalado. Muitas vezes embala lugares que gostaria de sinalizar, que passavam despercebidos. A ideia de revestir objetos facilmente identific\u00e1veis com uma nova pele aproxima-se da pr\u00e1tica de transforma\u00e7\u00e3o de objetos familiares bastante difundida pelos novos realistas na d\u00e9cada de 1960. O principal eixo que norteia o trabalho do artista \u00e9 a vontade de esconder e de transformar objetos presentes no imagin\u00e1rio do p\u00fablico.<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>EMIA \u2013 Escola Municipal de Inicia\u00e7\u00e3o Art\u00edstica<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Volkswagen, s\/no. CEP: 04344-020 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP<br \/>\nTel.:5017-7552\/5016-0179<br \/>\nSite: http:\/\/www.prefeitura.sp.gov.br\/cidade\/secretarias\/cultura\/dec\/formacao\/iniciacao_artistica\/<br \/>\nDiretora: M\u00e1rcia Soares de Andrade<br \/>\nE-mails: liliana.bertolini@yahoo.com.br \/ sheila.ortega@uol.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<p>Livros<\/p>\n<ul>\n<li>A m\u00fasica da cultura Infantil, de Lydia Hort\u00e9lio. In: VI curso de educa\u00e7\u00e3o musical, de Z. Kod\u00e1ly. S\u00e3o Paulo, 1998.<\/li>\n<li>Caminhos metodol\u00f3gicos, de Maria Cristina de S. Rizzi. In: Ana Mae Barbosa (org). Inquieta\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as no ensino da arte. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2003.<\/li>\n<li>Koellreutter educador: o humano como objetivo da educa\u00e7\u00e3o musical, de Teca Alencar Brito. S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2001.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Di\u00e1logo entre m\u00fasica de vanguarda e arte visual contempor\u00e2nea favorece a experi\u00eancia de fruir arte pelas crian\u00e7as pequenas. Por Liliana Maria Bertolini e Sheila Christina Ortega<\/p>\n","protected":false},"author":221,"featured_media":7360,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1285,27],"tags":[1304,28,1299,1297,1298,1294,333,1295,1296],"class_list":{"0":"post-7382","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-52","8":"category-sustanca","9":"tag-1304","10":"tag-arte","11":"tag-arte-contemporanea","12":"tag-emia-escola-municipal-de-iniciacao-artistica","13":"tag-iniciacao-artisitca","14":"tag-liliana-maria-bertolini","15":"tag-musica","16":"tag-sheila-christina-ortega","17":"tag-vanguarda","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/221"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7382"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7382\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}