{"id":7346,"date":"2012-11-21T14:14:40","date_gmt":"2012-11-21T16:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7346"},"modified":"2023-03-27T20:06:32","modified_gmt":"2023-03-27T23:06:32","slug":"espelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/jeitos-de-cuidar\/espelhos\/","title":{"rendered":"Espelhos"},"content":{"rendered":"<h5>Sabemos que ler diariamente na escola \u00e9 fundamental, mas serve qualquer livro? Veja aqui a discuss\u00e3o a dist\u00e2ncia entre profissionais de educa\u00e7\u00e3o sobre crit\u00e9rios de escolha de acervo liter\u00e1rio para crian\u00e7as<\/h5>\n<blockquote><p>Temi-os, desde menino, por instintiva suspeita. Tamb\u00e9m os animais negam-se a encar\u00e1-los, salvo as cr\u00edveis excep\u00e7\u00f5es. Sou do interior, o senhor tamb\u00e9m; na nossa terra, diz-se que nunca se deve olhar em espelho \u00e0s horas mortas da noite, estando-se sozinho. Porque, neles, \u00e0s vezes, em lugar de nossa imagem, assombra-nos alguma outra e medonha vis\u00e3o.<br \/>\nJo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa. Primeiras est\u00f3rias. (1962)<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_7349\" style=\"width: 320px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/espelho5211.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7349\" class=\"size-full wp-image-7349\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/espelho5211.jpg\" alt=\"Foto: CEMEI Prof\u00aa Carolina Ferreira Lima (SME Apia\u00ed\u2013SP)\" width=\"310\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/espelho5211.jpg 310w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/espelho5211-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7349\" class=\"wp-caption-text\">Foto: CEMEI Prof\u00aa Carolina Ferreira Lima (SME Apia\u00ed\u2013SP)<\/p><\/div>\n<p>Neste trecho de Guimar\u00e3es Rosa fica claro que a a\u00e7\u00e3o de se olhar em um espelho, al\u00e9m de ocupar um lugar na hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o, tendo iniciado sua exist\u00eancia nas superf\u00edcies das \u00e1guas, tamb\u00e9m ocupa lugar no imagin\u00e1rio das pessoas. O espelho tem sido personificado na literatura, na mitologia, nas crendices populares, em prov\u00e9rbios e pensamentos. Poder\u00edamos escrever um livro de muitos cap\u00edtulos sobre esse t\u00e3o importante objeto e sua rela\u00e7\u00e3o com o ser humano, mas, para n\u00f3s, ele pode ser visto a partir de outro prisma, o de ser um utens\u00edlio importante para a educa\u00e7\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p>Conforme consta do Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil (RCNEI)<sup>1<\/sup>, um dos objetivos da Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o da imagem corporal:<\/p>\n<blockquote><p>A aquisi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia dos limites do pr\u00f3prio corpo \u00e9 um aspecto importante do processo de diferencia\u00e7\u00e3o do eu e do outro e da constru\u00e7\u00e3o da identidade. Por meio das explora\u00e7\u00f5es que faz, do contato f\u00edsico com outras pessoas, da observa\u00e7\u00e3o daqueles com quem convive, a crian\u00e7a aprende sobre o mundo, sobre si mesma e comunica-se pela linguagem corporal.<\/p><\/blockquote>\n<p>Quando a madrasta-bruxa da Branca de Neve pergunta ao espelho \u201cexiste algu\u00e9m mais bela do que eu?\u201d, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas a vaidade e a inveja, como revela o cl\u00e1ssico conto de fada compilado pelos irm\u00e3os Grimm, mas a possibilidade de saber de si atrav\u00e9s da imagem, \u00e9 o olhar e o que ele pode revelar sobre a identidade de quem est\u00e1 refletido. \u00c9 a partir dessa ideia que consideramos o espelho um objeto fundamental que deve estar presente no espa\u00e7o do ber\u00e7\u00e1rio, nas salas de aula e em diferentes espa\u00e7os da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos por essa ideia de olhar a imagem refletida. Parece uma ideia simples, mas em se tratando de crian\u00e7as pequenas, mais especificamente de beb\u00eas, poder se reconhecer na imagem refletida pelo espelho \u00e9 resultado de um processo complexo.<\/p>\n<p><strong>O reconhecimento da pr\u00f3pria imagem<\/strong><br \/>\nNo in\u00edcio de seu desenvolvimento, o beb\u00ea encontra-se num estado de dispers\u00e3o e de indiferencia\u00e7\u00e3o, percebendo-se como que fundido ao outro, aderido \u00e0s situa\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias. Aos poucos, nas diferentes rela\u00e7\u00f5es que v\u00e3o sendo estabelecidas, primeiro com a m\u00e3e e depois com outros que v\u00e3o entrando na sua hist\u00f3ria e fazendo parte de seu contexto social, inicia-se o processo de diferencia\u00e7\u00e3o. Segundo Henri Wallon:<\/p>\n<blockquote><p>O estado inicial da consci\u00eancia pode ser comparado a uma nebulosa, uma massa difusa, na qual se confundem o pr\u00f3prio sujeito e a realidade exterior. O rec\u00e9m-nascido n\u00e3o se percebe como indiv\u00edduo diferenciado. Num estado de simbiose afetiva com o meio, parece misturar-se \u00e0 sensibilidade ambiente e, a todo instante, repercutir em suas rea\u00e7\u00f5es, as de seu meio.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre o eu e o outro s\u00f3 se adquire progressivamente, num processo que se faz nas e pelas intera\u00e7\u00f5es sociais (&#8230;) \u00c9 pela intera\u00e7\u00e3o com os objetos e com seu pr\u00f3prio corpo que a crian\u00e7a estabelece rela\u00e7\u00f5es entre seus movimentos e suas sensa\u00e7\u00f5es, e experimenta, sistematicamente, a diferen\u00e7a de sensibilidade entre o que pertence ao mundo exterior e o que pertence ao seu pr\u00f3prio corpo. Por essas experi\u00eancias torna-se capaz de reconhecer, no plano das sensa\u00e7\u00f5es, os limites de seu corpo, isto \u00e9, constr\u00f3i-se o recorte corporal.<sup>2<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Essa \u00e9 a etapa da forma\u00e7\u00e3o do eu corporal, que ocorre no primeiro ano de vida. Nessa fase, os beb\u00eas miram fixamente para o reflexo no espelho, com a curiosidade de quem olha e se admira, intrigado e pesquisador.<\/p>\n<p>A etapa seguinte nos interessa aqui na conversa sobre espelho. Esse momento refere-se \u00e0 jun\u00e7\u00e3o do corpo tal como sentido pelo beb\u00ea \u00e0 sua imagem tal como vista pelos outros. O desenrolar desse processo pode ser acompanhado pelas rea\u00e7\u00f5es do beb\u00ea diante do espelho: leva um tempo at\u00e9 que reconhe\u00e7a como sua a imagem refletida.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro vermos uma crian\u00e7a no primeiro ano de vida intrigada com o seu reflexo no espelho, tentando tocar sua imagem ou aproximar-se dela como quem chega perto de outra pessoa. Essa imagem refletida ainda n\u00e3o \u00e9 percebida como pr\u00f3pria. \u00c9 a\u00ed que entra a fun\u00e7\u00e3o do espelho nos ambientes educacionais.<\/p>\n<p>O espelho se oferece como elemento importante nessa constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>O espelho \u00e9 um importante instrumento para a constru\u00e7\u00e3o da identidade. Por meio das brincadeiras que faz em frente a ele, a crian\u00e7a come\u00e7a a reconhecer sua imagem e as caracter\u00edsticas f\u00edsicas que integram a sua pessoa. \u00c9 aconselh\u00e1vel que se coloque na sala um espelho grande o suficiente para que v\u00e1rias crian\u00e7as possam se ver de corpo inteiro e brincar em frente a ele.<sup>3<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Ao olhar no espelho a crian\u00e7a estranha, reconhece, indaga, pesquisa, apropria-se, surpreende-se, fascina-se. Portanto, \u00e9 importante que ele tenha um lugar no espa\u00e7o das salas de ber\u00e7\u00e1rio e que seja acess\u00edvel a todas as crian\u00e7as: que esteja ao alcance de quem engatinha, dos que andam e j\u00e1 procuram sua imagem. Mesmo dos que ainda n\u00e3o se locomovem sozinhos, mas podem ocupar um lugar seguro com almofadas e colchonetes que fiquem na frente do espelho. Olhar para o espelho e ver a pr\u00f3pria imagem, ver o outro e o ambiente da sala com oportunidade para experimentar \u00e2ngulos diferentes do mesmo olhar.<\/p>\n<p>Priscila Antunes do Nascimento e Jucelia Bahia Santos, professoras de Minigrupo II e Ber\u00e7\u00e1rio II dos Centros de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Pau Brasil e Ip\u00ea da Liga Solid\u00e1ria (SP), ajudam a ilustrar esses comportamentos com suas observa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<blockquote><p>As crian\u00e7as demonstram diferentes rea\u00e7\u00f5es ao se enxergarem no espelho, \u00e9 como se a cada vez que se olhassem encontrassem coisas diferentes. (&#8230;) J\u00e1 observei alguns rostinhos olhando a barriga e levantando a blusa, observei duplas olhando e passando a m\u00e3o no espelho, tocando o espelho e achando que estavam tocando o colega ao seu lado.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para al\u00e9m desses momentos de exclusividade, de di\u00e1logo entre crian\u00e7a e espelho, o ambiente coletivo do ber\u00e7\u00e1rio ou da escola possibilita outros tipos de intera\u00e7\u00e3o. Adultos e crian\u00e7as podem conversar na frente do espelho, olhando-se atrav\u00e9s dele. Assim os pequenos reconhecem sua imagem ao lado da do outro. Nomear as partes do corpo enquanto a crian\u00e7a as reconhece, mudar as express\u00f5es de acordo com as narrativas, fazer coment\u00e1rios no momento da conversa, chamando a aten\u00e7\u00e3o dela para alguma descoberta espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Juliana, da creche Profa Din\u00e1 Ferreira Batista do Munic\u00edpio Apia\u00ed (SP), nos faz o seguinte relato:<\/p>\n<blockquote><p>Uma das atividades que mais gosto \u00e9 sentar com as crian\u00e7as de um ano e seis meses na frente do espelho e mostrar as partes do corpo. Eles adoram. Vou falando e eles v\u00e3o mostrando no pr\u00f3prio corpo: Cad\u00ea o umbigo? O cabelo? Eles colocam a m\u00e3o. Tamb\u00e9m cantamos m\u00fasica olhando para o espelho, quando nomeiam as partes do corpo, fazendo gestos, batendo palma. Com os bebezinhos, fazemos a mesma coisa: colocamos na frente do espelho para ver a boca, a l\u00edngua, mostro a minha e eles olham no espelho. Depois elas brincam sozinhas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por que ainda n\u00e3o elegemos os espelhos como recurso de intera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<blockquote><p>Em nossa cultura ainda \u00e9 comum termos medo do espelho: \u201cQuem deixou esse espelho aqui? \u00c9 perigoso! Temos crian\u00e7as pequenas!\u201d Ou alguns ditos populares: \u201cQuebrar um espelho d\u00e1 sete anos de azar! Os espelhos atraem os rel\u00e2mpagos! Ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es n\u00e3o devemos olhar no espelho\u201d. A ideia sobre os perigos do espelho \u00e9 t\u00e3o predominante que outro dia um pai nos disse: \u201cOlha, achei um espelho no ch\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 melhor guard\u00e1-lo?\u201d (&#8230;) \u00c9 claro que precisamos tomar cuidado. Que tipo de espelho colocar? Quando s\u00e3o retalhos de espelhos, est\u00e3o lixados para n\u00e3o cortarem a m\u00e3o? Em qual parede iremos colocar? Quais ser\u00e3o as propostas que iremos desenvolver?<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 espelhos para todos os momentos e para todas as idades, n\u00e3o \u00e9 mesmo? De todos os tamanhos, para contar hist\u00f3rias, para escovar os dentes, para pentear os cabelos, para olhar, olhar, olhar at\u00e9 saber quem sou eu<sup>4<\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O espelho como recurso pedag\u00f3gico<\/strong><br \/>\nO espelho tamb\u00e9m pode ser utilizado em diferentes atividades e em momentos interativos de desenvolvimento e aprendizagem, que variam de acordo com a idade de cada crian\u00e7a e agrupamento. Para brincar de circo, por exemplo, \u00e9 preciso ter um espelho para que a crian\u00e7a possa ver como ficou sua fantasia, seja de palha\u00e7o ou de bailarina, para \u201ctreinar\u201d as caretas engra\u00e7adas e para se maquiar para o grande dia.<\/p>\n<p>O reconhecimento da express\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 importante para as intera\u00e7\u00f5es, e o espelho pode ajudar a crian\u00e7a a perceber-se triste, alegre, surpresa, desconfiada, assustada, feliz! No desenho do autorretrato, o espelho \u00e9 fundamental, mesmo que na sequ\u00eancia seja preciso desenhar o outro antes de desenhar a si mesmo. O espelho \u00e9 como uma foto, por meio da qual a crian\u00e7a identifica seu tom de pele, seus cabelos, seus contornos. Vejam a descri\u00e7\u00e3o a seguir referente a uma cena ocorrida depois de v\u00e1rias atividades de observa\u00e7\u00e3o de obras de arte e de desenhos com espelho:<\/p>\n<blockquote><p>Era chegada a hora de reproduzir, com caneta, o rosto do amigo. Na frente dos espelho todos demonstravam a inten\u00e7\u00e3o de que ficasse igual ao original. \u201cOlha, fiz a presilha do cabelo dela! \u00c9 assim, n\u00e9, que faz o cabelo do Caio, enroladinho? \u00c9 Natalia? A boca t\u00e1 bem dentu\u00e7a!\u201d Entre um coment\u00e1rio e outro, muitas gargalhadas dos pequenos e \u00e9 claro que n\u00f3s tamb\u00e9m achamos muita gra\u00e7a dos resultados.<\/p>\n<p>O coment\u00e1rio mais sugestivo foi de um garotinho que, ap\u00f3s passar meia hora desenhando, entregou seu trabalho com muito orgulho. O garoto esqueceu a consigna \u2013 desenhe o amigo \u2013 e se desenhou. Ele desenhou seu pr\u00f3prio rosto, com seus cabelos enrolados e todos os detalhes da vestimenta e personalidade.<\/p>\n<p>Na d\u00favida, perguntamos: \u201cCaio, esse n\u00e3o se parece muito com o Arthur\u201d.<br \/>\nCaio, cheio de s\u00ed respondeu: \u201cUai, mas n\u00e3o \u00e9! Sou eu!\u201d.<br \/>\nIntrigados, perguntamos: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o desenhou o Arthur? Veja que ele te desenhou, inclusive seus cachinhos!\u201d<br \/>\nCaio respondeu: \u201cN\u00e3o, queria que meu desenho ficasse bem bonito e me desenhei!\u201d.<\/p>\n<p>Realmente, n\u00e3o sabemos se, pela influ\u00eancia da constante presen\u00e7a dos espelhos espalhados pela sala, ou pela qualidade do desenho de Caio, ou mesmo pelos diferentes elogios familiares, podemos afirmar que Narciso (assim como Caio) acha feio o que n\u00e3o \u00e9 espelho!<sup>5<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O papel na constru\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos<\/strong><br \/>\nO que parece \u00f3bvio nem sempre \u00e9. N\u00e3o h\u00e1 casa sem espelho no banheiro. Em muitas escolas \u00e9 comum n\u00e3o haver espelhos nos banheiros das crian\u00e7as, quanto mais nas salas&#8230; \u00c9 fundamental ver a sujeira antes de lavar a boca ou o rosto, e ver se ficou limpo, fazer limpeza de nariz na frente do espelho, escovar os dentes, pentear os cabelos&#8230; Muitas vezes o adulto faz essas atividades pela crian\u00e7a sem se dar conta de que \u00e9 uma aprendizagem e que esse momento poderia ser mais bem aproveitado no reconhecimento de si e na constru\u00e7\u00e3o da autonomia. O adulto chama a crian\u00e7a para si e diz se ficou bom ou n\u00e3o. Ele funciona como um espelho e perde a chance de ensinar a crian\u00e7a a se autoavaliar.<\/p>\n<p>Uma vez, num abrigo, sugerimos aos respons\u00e1veis que tivesse um espelho de corpo inteiro perto da porta de entrada, e todas as crian\u00e7as passaram a ver se estavam &#8220;em ordem\u201d antes de sair de casa para ir \u00e0 escola ou a outro lugar. Da mesma forma que n\u00f3s n\u00e3o resistimos arrumar o cabelo quando nos deparamos com um espelho num elevador!<\/p>\n<p>Espelhos s\u00e3o usados na decora\u00e7\u00e3o de ambientes para ampliar espa\u00e7os e atenuar a sensa\u00e7\u00e3o de confinamento. Eles podem ser colocados na sala, em corredores, em pequenos halls. Podem tamb\u00e9m aumentar a luminosidade em um ambiente por refletir a luz, duplicando-a. Se for colocado um espelho em frente a uma janela, por exemplo, ela ser\u00e1 duplicada!<\/p>\n<p>Espelhos podem ser m\u00f3biles ou globos que giram e fazem reflexos. Um espelho no teto, em um canto, em dois planos diferentes criam surpresa e \u00e2ngulos inusitados para se olhar, olhar o outro e o ambiente.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio usar espelhos na organiza\u00e7\u00e3o dos ambientes escolares e, melhor ainda, us\u00e1-los de forma criativa.<\/p>\n<p>(Cisele Ortiz, coordenadora adjunta do Instituto Avisa l\u00e1, e Maria Teresa V. de Carvalho, mestre em Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo-USP e formadora do Instituto Avisa l\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do Desporto, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Fundamental \u2013 Bras\u00edlia: MEC\/SEF, 1998. Volume 2: Forma\u00e7\u00e3o Social e Pessoal, p.25.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Henri Wallon. Uma concep\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica do desenvolvimento infantil, de Izabel Galv\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 1995. p.50.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Referencial Curricular Nacional \/ Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e dos Desporto, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Fundamental \u2013 Bras\u00edlia: MEC\/SEF, 1998. Volume 2, p. 33.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>\u201cQuem tem medo de espelho ou espelho, espelho meu\u201d, de Juariana Casemiro e Rosana Carvalho. In: O dia a dia nas creches: cr\u00f4nicas brasileiras, de Ana Maria Mello et al. Porto Alegre: Artmed, 2010.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup>Narciso acha feio o que n\u00e3o \u00e9&#8230;\u201d, de Olindina da Cunha e Natalia Bartolacci. In: O dia a dia nas creches: cr\u00f4nicas brasileiras, de Ana Maria Mello et al. Porto Alegre: Artmed, 2010.<\/p>\n<h4>Espelho e o mito de Narciso<\/h4>\n<p>Em Metamorfoses, Ov\u00eddio conta a hist\u00f3ria de uma ninfa bela e graciosa, t\u00e3o jovem quanto Narciso, chamada Eco, e que amava o rapaz, em v\u00e3o. A beleza de Narciso era t\u00e3o incompar\u00e1vel que ele, embevecido, pensava que era semelhante a um deus, compar\u00e1vel \u00e0 beleza de Dion\u00edsio e Apolo. Como resultado disso, Narciso rejeitou a afei\u00e7\u00e3o de Eco at\u00e9 que esta, desesperada, definhou, deixando apenas um leve eco nas cavernas da floresta ali perto, um sussurro d\u00e9bil e melanc\u00f3lico. Para dar uma li\u00e7\u00e3o ao rapaz fr\u00edvolo, a deusa Nemeses condenou Narciso a apaixonar-se pelo seu pr\u00f3prio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua pr\u00f3pria beleza, Narciso deitou-se nas margens do rio e definhou, olhando-se na \u00e1gua e se embelezando. As ninfas constru\u00edram-lhe uma pira, mas quando foram buscar o corpo, apenas encontraram uma flor no seu lugar: a flor chamada narciso.<br \/>\nDispon\u00edvel em: http:\/\/www.fabulasecontos.com.br<\/p>\n<h4>Espelho e hist\u00f3ria<\/h4>\n<p>A primeira manifesta\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o da imagem provavelmente aconteceu quando o homem observou o seu reflexo na \u00e1gua. Por meio desse simples exerc\u00edcio, o homem come\u00e7ou a reconhecer a sua pr\u00f3pria imagem e a valorizar superf\u00edcies reflexivas.<\/p>\n<p>Segundo o apontamento de alguns pesquisadores, a primeira tentativa de se fabricar um espelho aconteceu na Idade de Bronze, h\u00e1 cerca de 3000 a.C. Atrav\u00e9s do polimento de metais e pedras, algumas antigas popula\u00e7\u00f5es do atual Ir\u00e3 seriam respons\u00e1veis pela fabrica\u00e7\u00e3o dos primeiros espelhos de toda a Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Longe de parecer com os espelhos atuais, os modelos dessa \u00e9poca somente refletiam os contornos de uma imagem bastante distorcida. Somente no fim do s\u00e9culo XIII \u00e9 que espelhos com maior nitidez foram fabricados. Combinando uma camada de vidro e uma fina l\u00e2mina de metal, os espelhos podiam agora revelar nitidamente as fei\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo. Contudo, assim como as novidades que aparecem no mercado, os espelhos eram raros e custavam muito caro. Entre os s\u00e9culos XV e XVI, um espelho de propor\u00e7\u00f5es m\u00e9dias poderia valer mais que as pinturas de um pintor renascentista ou um poderoso navio de guerra.<\/p>\n<p>A primeira a\u00e7\u00e3o em prol da populariza\u00e7\u00e3o dos espelhos aconteceu no s\u00e9culo XVII. No ano de 1660, o rei franc\u00eas Lu\u00eds XIV designou um de seus ministros para que subornasse artes\u00e3os venezianos, detentores de uma eficiente t\u00e9cnica de fabrica\u00e7\u00e3o de espelhos. Gra\u00e7as a essa tramoia, os franceses tiveram condi\u00e7\u00f5es para construir o lend\u00e1rio sal\u00e3o de espelhos encontrado no Pal\u00e1cio de Versalhes.<\/p>\n<p>A partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, os espelhos come\u00e7aram a ficar mais baratos. Dessa forma, o \u00fatil adere\u00e7o come\u00e7ou a entrar os ambientes dom\u00e9sticos de fam\u00edlias das mais variadas classes sociais. Mais do que um simples apetrecho para o exerc\u00edcio da vaidade, os espelhos nos permitem conhecer importantes princ\u00edpios da F\u00edsica, integram o funcionamento de v\u00e1rias m\u00e1quinas e at\u00e9 servem como objeto de decora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDispon\u00edvel em: http:\/\/www.alunosonline.com.br\/historia\/historia-do-espelho.html<\/p>\n<h4>Dica de leitura<\/h4>\n<p>O espelho, de Tatiana Belinky; ilustra\u00e7\u00e3o de Daniel Bueno. S\u00e3o Paulo: Caramelo\/Ed.Saraiva, 2012<\/p>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<p>Livros<\/p>\n<ul>\n<li>Referencial Curricular Nacional para Educa\u00e7\u00e3o Infantil \/ Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e dos Desporto, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Fundamental \u2013 Bras\u00edlia: MEC\/SEF, Volumes 1 e 2.<\/li>\n<li>O dia a dia nas creches: cr\u00f4nicas brasileiras, de Ana Maria Mello et al. Porto Alegre: Artmed, 2010.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espelhos comp\u00f5em os ambientes de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que t\u00eam fun\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o da imagem corporal, na aquisi\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos, no faz de conta, nas brincadeiras expressivas. Por Cisele Ortiz e Maria Teresa V. de Carvalho<\/p>\n","protected":false},"author":219,"featured_media":7360,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,1285],"tags":[1304,58,1286],"class_list":{"0":"post-7346","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-jeitos-de-cuidar","8":"category-revista-avisa-la-52","9":"tag-1304","10":"tag-cisele-ortiz","11":"tag-maria-teresa-v-de-carvalho","13":"post-with-thumbnail","14":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/219"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7346\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}