{"id":7337,"date":"2012-08-20T22:11:17","date_gmt":"2012-08-21T01:11:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7337"},"modified":"2023-03-27T20:05:32","modified_gmt":"2023-03-27T23:05:32","slug":"qual-e-a-melhor-versao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-51\/qual-e-a-melhor-versao\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a melhor vers\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<h5>Sabemos que ler diariamente na escola \u00e9 fundamental, mas serve qualquer livro? Veja aqui a discuss\u00e3o a dist\u00e2ncia entre profissionais de educa\u00e7\u00e3o sobre crit\u00e9rios de escolha de acervo liter\u00e1rio para crian\u00e7as<\/h5>\n<p>No curso online* sobre leitura pelo professor, propusemos uma unidade de estudo sobre os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o de textos para serem lidos para as crian\u00e7as. Para al\u00e9m da ilustra\u00e7\u00e3o, do tema e do g\u00eanero, o que \u00e9 preciso considerar? Como selecionar o texto a partir de uma aprecia\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria atenta \u00e0 linguagem empregada?<\/p>\n<div id=\"attachment_7342\" style=\"width: 289px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5112.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7342\" class=\"size-full wp-image-7342\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5112.jpg\" alt=\"Desenho: Arquivo Instituto Avisa L\u00e1\" width=\"279\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5112.jpg 279w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5112-222x300.jpg 222w\" sizes=\"auto, (max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7342\" class=\"wp-caption-text\">Desenho: Arquivo Instituto Avisa L\u00e1<\/p><\/div>\n<p>Para iniciar a discuss\u00e3o, fizemos uma pesquisa e, depois, abrimos um f\u00f3rum para discutir as justificativas de cada voto. Foi um sucesso! Tivemos 1.283 visitas a esse f\u00f3rum, com 183 coment\u00e1rios em duas semanas. Foram produzidos tantos posts que n\u00e3o seria poss\u00edvel relacionar todos os nomes dos participantes e todos os coment\u00e1rios. Nesse artigo, procuramos realizar uma s\u00edntese e resgatar os momentos mais importantes da conversa.<\/p>\n<p>Esperamos, com a apresenta\u00e7\u00e3o do resultado de nosso trabalho, levar esse debate \u00e0s escolas, provocando discuss\u00f5es que possam alimentar os momentos de reflex\u00e3o e de estudo dos professores.<\/p>\n<p><strong>Tudo come\u00e7ou com uma escolha<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>A proposta de discuss\u00e3o desse F\u00f3rum de Estudos teve como ponto de partida a resolu\u00e7\u00e3o de um problema proposto por n\u00f3s. Hav\u00edamos discutido nas unidades anteriores que ler hist\u00f3rias \u00e9 diferente de cont\u00e1-las, que as crian\u00e7as n\u00e3o aprendem as mesmas coisas nessas duas atividades. Depois, usando os conhecimentos constru\u00eddos ao longo do curso, convidamos a todos para ajudar a professora Cristina a resolver o seguinte problema de planejamento:<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o melhor texto para ler para as crian\u00e7as? Mas aten\u00e7\u00e3o! A escolha \u00e9 pelo texto que ela deveria ler, n\u00e3o contar! N\u00f3s oferecemos duas vers\u00f5es de uma hist\u00f3ria muito apreciada pelas crian\u00e7as: Chapeuzinho Vermelho.<\/p>\n<p>A primeira vers\u00e3o n\u00e3o trazia o nome do autor e apresentava um texto mais empobrecido. A segunda vers\u00e3o era o texto original de Jakob e Wilhelm Grimm, autores de Os contos de Grimm, traduzido por Tatiana Belink para a editora Paulus (S\u00e3o Paulo, 1989).<\/p>\n<p>A seguir, apresentamos uma compara\u00e7\u00e3o de alguns trechos:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5111.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7339\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5111.jpg\" alt=\"versoes5111\" width=\"559\" height=\"864\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5111.jpg 559w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5111-194x300.jpg 194w\" sizes=\"auto, (max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os textos foram apresentados de duas maneiras na vers\u00e3o escrita e na vers\u00e3o lida em voz alta, que podia ser acessada nos podcasts que ficaram dispon\u00edveis na \u00e1rea do F\u00f3rum. Pedimos que todos lessem os textos ou escutassem a leitura em voz alta em um dos podcasts do curso e, em seguida, escolhessem a melhor e explicassem para a professora Cristina os motivos da escolha, argumentando com ela sobre os benef\u00edcios de seguir a indica\u00e7\u00e3o feita.<\/p>\n<p>Foi M.M., de Itagua\u00ed (RJ) que saiu na dianteira. Ela votou na vers\u00e3o 2 porque tem um fim diferente. Depois dela, outras postagens foram feitas ao longo de toda a semana. A maioria do grupo escolheu a vers\u00e3o 2 por conta do vocabul\u00e1rio, mais rico do que o da vers\u00e3o 1, e porque a hist\u00f3ria \u00e9 muito mais detalhada. Mas tamb\u00e9m surgiram outros argumentos.<\/p>\n<p>Procuramos fazer uma lista com a s\u00edntese de todas as qualidades da vers\u00e3o 2. Concluiu-se que a segunda vers\u00e3o \u00e9 a melhor porque tem:<\/p>\n<ul>\n<li>enredo diferente;<\/li>\n<li>riqueza de adjetivos;<\/li>\n<li>boas descri\u00e7\u00f5es, muitos detalhes;<\/li>\n<li>bons personagens, bem caracterizados;<\/li>\n<li>presen\u00e7a de elementos m\u00e1gicos na narrativa, cumprindo uma certa fun\u00e7\u00e3o est\u00e9tica;<\/li>\n<li>narra\u00e7\u00e3o dos lugares e das cenas com beleza e simplicidade;<\/li>\n<li>clareza na apresenta\u00e7\u00e3o dos fatos ao longo do tempo e do espa\u00e7o, tem boa sequ\u00eancia narrativa;<\/li>\n<li>v\u00e1rios momentos de tens\u00e3o e suspense, at\u00e9 o desfecho;<\/li>\n<li>bons di\u00e1logos (as crian\u00e7as fazem muito uso dele ao narrar suas hist\u00f3rias);<\/li>\n<li>perspectiva de fomentar o pensamento cr\u00edtico, que auxiliar\u00e1 na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos a partir da reflex\u00e3o da dualidade entre o bem e o mal, o certo e o errado;<\/li>\n<li>autoria (a vers\u00e3o 1 n\u00e3o tem autor definido).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Reconhecemos que apenas essa lista das qualidades do texto a ser lido para as crian\u00e7as nos auxiliava a definir importantes crit\u00e9rios para escolher melhor os textos que vamos ler em sala de aula. No entanto, sabemos que nem todos os textos que costumam ser oferecidos \u00e0s crian\u00e7as possuem tantas qualidades. Mas n\u00e3o paramos por a\u00ed. Outros debates surgiram, enriquecendo muito a nossa discuss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Deve-se evitar a leitura de certos trechos de hist\u00f3rias que mencionem morte e outros temas mais dif\u00edceis?<\/strong><br \/>\nQuem trouxe essa quest\u00e3o foi N., de Porto Alegre (RS). Embora tenha gostado da vers\u00e3o 2, ela ficou em d\u00favida porque pensou o seguinte:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o gostei da parte que relata a cena de uso de arma, mesmo que branca, para abrir a barriga de um animal. Essa cena, at\u00e9 eu fiquei chocada. Imagino uma crian\u00e7a. Penso que em \u00e9pocas em que n\u00e3o havia tanta viol\u00eancia, as crian\u00e7as at\u00e9 poderiam n\u00e3o estabelecer rela\u00e7\u00f5es, mas hoje a viol\u00eancia est\u00e1 t\u00e3o presente no dia a dia das pessoas, das crian\u00e7as e dos animais.&#8221;<\/p>\n<p>O assunto que N. trouxe foi t\u00e3o interessante que chamou a aten\u00e7\u00e3o de outras pessoas. E. de Natal (RN), por exemplo, escreveu:<\/p>\n<p>&#8220;No que diz respeito \u00e0 viol\u00eancia abordada na vers\u00e3o 2, concordo que o assunto deve ser discutido com o grupo, observando o que pensam e que alternativas sugerem para o problema. Penso que quest\u00f5es como essas n\u00e3o devem ser camufladas na tentativa de se poupar as crian\u00e7as, pois elas est\u00e3o imersas em um mundo onde n\u00e3o h\u00e1 apenas paz e amor. Acredito que os textos liter\u00e1rios tamb\u00e9m t\u00eam essa finalidade: fornecer elementos para lidarmos com nossos conflitos internos e externos.&#8221;<\/p>\n<p>J., de S\u00e3o Paulo (SP), se animou com a discuss\u00e3o e trouxe a seguinte reflex\u00e3o para o debate:<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma cole\u00e7\u00e3o de Contos de Fadas da Landy Editora que traz v\u00e1rios contos russos (tr\u00eas volumes), celtas, indianos e chineses. Da Companhia das Letras, h\u00e1 contos e lendas da Europa Medieval e tamb\u00e9m Africanos. Toda e qualquer hist\u00f3ria retrata sempre uma \u00e9poca em que fora escrita. Pensando nos contos, que representam hist\u00f3rias tradicionais orais de v\u00e1rios lugares por volta dos s\u00e9culos XVII a XIX, trag\u00e9dia e viol\u00eancia s\u00e3o caracter\u00edsticas dos costumes e das culturas de um determinado lugar e per\u00edodo. Como podemos interferir nisso? Os est\u00fadios da Walt Disney adaptaram alguns contos de fadas justamente por ach\u00e1-los muito violentos. Mas para quais crian\u00e7as? E se pensarmos que as mulheres e as crian\u00e7as trabalhavam em f\u00e1bricas por quase quatorze horas di\u00e1rias? O primeiro conto de fada a ser filmado foi Branca de Neve, em 1937, pr\u00e9-Segunda Guerra Mundial. Mas quando modificamos uma hist\u00f3ria, fazemos isso com a inten\u00e7\u00e3o de proteger nossos alunos? Mas a vida de cada um n\u00e3o \u00e9 real, h\u00e1 sempre algu\u00e9m para proteg\u00ea-los de algum sentimento? Tenho uma preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 moral da hist\u00f3ria. Deixo sempre em aberto e realizo muitas perguntas para insistir no debate e, \u00e0s vezes, termina com uma pergunta. Temos que buscar as discuss\u00f5es. Ali\u00e1s, as crian\u00e7as deveriam ter aula de filosofia para refletir sobre a vida. A literatura promove o pensamento cr\u00edtico, o conhecimento, \u00e0s vezes o conforto para algumas respostas da inquieta\u00e7\u00e3o do ser humano ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 uma bela quest\u00e3o para se pensar? Depois desse post a discuss\u00e3o pegou fogo! C., de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), concordou com N., e muitas pessoas se posicionaram com a mesma preocupa\u00e7\u00e3o trazida por elas. Justamente por ser a quest\u00e3o t\u00e3o pol\u00eamica \u00e9 que \u00e9 importante ouvir e pensar sobre outros pontos de vista.<\/p>\n<p>Foi com esse esp\u00edrito que L., de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), tamb\u00e9m se manifestou. Ela refletiu sobre algumas quest\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8220;O que \u00e9 um bom texto liter\u00e1rio para crian\u00e7as? Acredito que seja aquele texto que estabele\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o significativa para a crian\u00e7a, que proporcione situa\u00e7\u00f5es de prazer, de descobertas, de emo\u00e7\u00f5es, de cultura e tamb\u00e9m uma amplia\u00e7\u00e3o de vis\u00e3o de mundo. Um bom livro deve fazer pensar, interagir, deve agu\u00e7ar a curiosidade, estimular o imagin\u00e1rio, deve promover o conhecimento cr\u00edtico e reflexivo da crian\u00e7a. O que fazer quando um texto traz trechos violentos. Ler ou n\u00e3o ler? Hoje, independente da situa\u00e7\u00e3o social ou cultural, a viol\u00eancia est\u00e1 em evid\u00eancia. J\u00e1 dei aulas em escolas de periferia, onde muitas dessas crian\u00e7as j\u00e1 conviveram ou ainda convivem com as mais diversas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, tanto dentro de casa quanto fora dela. Por in\u00fameras vezes, os alunos me relatavam cenas ou acontecimentos violentos que eles presenciavam. Eram relatos que me deixavam muito impressionada. J\u00e1 para as crian\u00e7as era uma coisa normal, fazia parte do cotidiano daquele determinado bairro. Quando um texto traz algum trecho violento, independente se sua clientela tem um maior ou menor contato com a situa\u00e7\u00e3o citada acima, acredito que deve ser lido e at\u00e9 levantar uma discuss\u00e3o sobre o assunto \u2013 o que \u00e9 certo, o que \u00e9 errado etc. Com isso, aproveitamos para trabalhar valores, atitudes, car\u00e1ter, ou seja, tudo aquilo que j\u00e1 \u00e9 trabalhado no cotidiano de uma sala de aula, para que a crian\u00e7a tenha exemplos do que \u00e9 ser um bom cidad\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>M., de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), conseguiu expressar o que N. estava pensando, dizendo o seguinte:<\/p>\n<p>&#8220;Concordo que as crian\u00e7as, hoje em dia, sofrem e s\u00e3o bombardeadas com cenas de viol\u00eancia, mas acredito que a escola n\u00e3o tenha que dar uma extens\u00e3o muito grande a isso, acabando por banalizar, virar algo comum. Tem que haver uma sistematiza\u00e7\u00e3o desse tipo de di\u00e1logo. Sinceramente, n\u00e3o sei como agir ou conduzir um debate com esse assunto, principalmente com crian\u00e7as, por isso prefiro evitar. Procuro sempre trazer para meus alunos not\u00edcias, assuntos e exemplos de cidadania que possam melhorar suas vidas. A valoriza\u00e7\u00e3o da paz n\u00e3o \u00e9 feita atrav\u00e9s da viol\u00eancia mas da pr\u00f3pria vida em paz.&#8221;<\/p>\n<p>Esse vai e vem de argumentos \u00e9 muito importante para que a discuss\u00e3o avance. Nesse caso, o f\u00f3rum foi t\u00e3o significativo, tivemos tantas postagens, que nem todo mundo conseguiu ler e considerar todas as opini\u00f5es. Por isso, destacamos aqui nessa breve s\u00edntese algumas ideias que n\u00e3o foram muito desenvolvidas, como a da Ana Carolina (Lili), formadora do Avisa L\u00e1. Lili concordou em parte com E., mas utilizou um argumento diferente:<\/p>\n<p>&#8220;Essa quest\u00e3o da viol\u00eancia dos contos de fadas muitas vezes causa certo mal-estar. N\u00e3o foi \u00e0 toa que muitos escritores e estudiosos de hist\u00f3rias tradicionais e da educa\u00e7\u00e3o se debru\u00e7aram sobre essa quest\u00e3o. Bruno Bettelheim, psic\u00f3logo radicado nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, foi um deles. Algo que ele defende \u00e9 que os contos, com toda a sua complexidade, possibilitam que as crian\u00e7as entendam e encontrem um lugar para muitos sentimentos \u201cpouco aceitos\u201d, como a raiva, o ci\u00fame, a inveja&#8230;<br \/>\nHist\u00f3rias muito brandas n\u00e3o as ajudariam a identificar-se; ao contr\u00e1rio, poderiam at\u00e9 causar um mal-estar, pois elas n\u00e3o encontrariam um espelho, um espa\u00e7o para dialogar com aquilo que sentem.&#8221;<\/p>\n<p>Pois bem, as hist\u00f3rias originais, embora tenham passagens como a da morte do lobo, podem n\u00e3o soar violentas, no sentido estrito da palavra. Por outro lado, como disse Lili, se de fato for essa a ideia, n\u00e3o temos de lidar com isso? O importante \u00e9 saber que tudo isso se passa na hist\u00f3ria, n\u00e3o na vida real. E \u00e9 justamente porque as crian\u00e7as t\u00eam o plano simb\u00f3lico para elaborar esses sentimentos \u00e9 que n\u00e3o necessitam viv\u00ea-lo dessa forma no plano real.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, o que realmente \u00e9 importante para a crian\u00e7a nessas hist\u00f3rias \u00e9 a seguran\u00e7a de que no fi m tudo vai dar certo e que elas ser\u00e3o protegidas. Certamente esse tema \u00e9 mais forte para elas do que o modo como o lobo mau morre. Por fim, diz Lili:<\/p>\n<p>&#8220;Esse pensamento vai ao encontro de outro tema que ronda a educa\u00e7\u00e3o: Para que serve a leitura de literatura, afinal? Ser\u00e1 que precisamos sempre encontrar um porqu\u00ea, uma correspond\u00eancia para os assuntos estudados em sala de aula? Ou a literatura serve-nos para pensar sobre a vida, sentir, emocionar-se, descobrir-se? E olhem s\u00f3&#8230; esse assunto tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado ao modo como apresento, leio e o que fa\u00e7o depois de ler hist\u00f3rias para os alunos, n\u00e3o \u00e9?&#8221;<\/p>\n<div id=\"attachment_7343\" style=\"width: 546px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5113.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7343\" class=\"size-full wp-image-7343\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5113.jpg\" alt=\"Foto: divulga\u00e7\u00e3o (Companhia das Letrinhas e Editora Moderna)\" width=\"536\" height=\"312\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5113.jpg 536w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/versoes5113-300x174.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7343\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o (Companhia das Letrinhas e Editora Moderna)<\/p><\/div>\n<p><strong>O trabalho a partir de diferentes vers\u00f5es de uma mesma hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\nEssa discuss\u00e3o sobre as vers\u00f5es diferentes da hist\u00f3ria da Chapeuzinho levou o grupo a pensar sobre a import\u00e2ncia de se ler diferentes vers\u00f5es como parte do trabalho de l\u00edngua portuguesa. Lan\u00e7amos o convite, ent\u00e3o: Vamos desenvolver essa ideia? O que voc\u00eas acham que as crian\u00e7as podem aprender em um poss\u00edvel projeto que apresente diferentes vers\u00f5es de uma mesma hist\u00f3ria?<\/p>\n<p>Por que um trabalho como esse poderia ser bom? T., de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), disse:<\/p>\n<p>&#8220;Como a prof\u00aa Cristina est\u00e1 fazendo um planejamento de uma poss\u00edvel sequ\u00eancia did\u00e1tica, por que n\u00e3o apresentar as duas leituras \u00e0s crian\u00e7as em momentos distintos e confrontar com elas as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as existentes entre as duas vers\u00f5es?&#8221;<\/p>\n<p>Muita gente concordou com a ideia dela. Outras participantes do f\u00f3rum trouxeram novas vers\u00f5es da mesma hist\u00f3ria, com finais diferentes, com estilos diferentes&#8230; e essa diversidade s\u00f3 alimentou a discuss\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de se apresentar diferentes vers\u00f5es para ajudar as crian\u00e7as (e a n\u00f3s mesmos, por que n\u00e3o dizer?) a reconhecerem o que \u00e9 um bom texto liter\u00e1rio, as qualidades de cada um.<\/p>\n<p>M.C., de Goi\u00e2nia (GO), tamb\u00e9m achou que esse poderia ser um caminho:<\/p>\n<p>&#8220;Estudar os autores das obras liter\u00e1rias \u00e9 muito bom, mas tamb\u00e9m estudar as obras dos autores desconhecidos \u00e9 intrigante e agu\u00e7a a nossa imagina\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o textos sensacionais. Estudar a autoria permite que nossos alunos sejam autores de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>J. concordou e achou que \u00e9 muito importante para a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do leitor, d\u00e1 autonomia para escolher o que vai ler:<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 tanta produ\u00e7\u00e3o para ser analisada e reescrita&#8230; mas dificilmente vimos, na escola, o aluno desenvolver a sua autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas produ\u00e7\u00f5es e quanto \u00e0s leituras de g\u00eaneros. N\u00f3s precisamos dialogar mais com os alunos sobre as suas escolhas como leitores, e acreditar nisso. Muitas vezes queremos &#8216;controlar&#8217; todos os passos dos alunos e acabamos engessados. E depois de anos nesse modo, quando proporcionamos o debate, o argumento, isso n\u00e3o acontece, pois se olham, inseguros. Ainda est\u00e3o na dualidade entre o certo e o errado. Ent\u00e3o come\u00e7amos a desconstruir esse &#8216;padr\u00e3o&#8217;, para a conquista da seguran\u00e7a e autonomia, mas isso levar\u00e1 muito tempo. Os professores de literatura deveriam &#8216;olhar&#8217; para dentro de cada aluno e enxergar um escritor e um leitor em potencial.&#8221;<\/p>\n<p>S., professora de Assis (SP), trouxe mais elementos para validarmos esse trabalho. Ela afirma:<\/p>\n<p>\u201cConvidaria meus alunos a comparar vers\u00f5es diferentes. A compara\u00e7\u00e3o de vers\u00f5es de um mesmo texto deveria consistir em uma pr\u00e1tica usual do leitor. Ela permite estabelecer crit\u00e9rios de escolha e realizar indica\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Nesse trabalho, as compara\u00e7\u00f5es seriam inicialmente coordenadas pelo professor, que faria interven\u00e7\u00f5es para que os alunos atentassem para outros aspectos da obra, al\u00e9m dos que normalmente levam em conta. Incentivaria tamb\u00e9m a pensarem sobre o que est\u00e1 escrito nesses textos. Como eles come\u00e7am e terminam? Quais as palavras diferentes que o autor utiliza? Desse modo, ela desloca a discuss\u00e3o para al\u00e9m do debate apenas moral e faz com que as crian\u00e7as reflitam sobre aspectos lingu\u00edsticos e estil\u00edsticos dos textos, condi\u00e7\u00e3o fundamental para formar escritores na escola<sup>1<\/sup>.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Aprendendo com a experi\u00eancia<\/strong><br \/>\nN., de Porto Alegre (RS), deu uma vers\u00e3o mais sofisticada da hist\u00f3ria de Chapeuzinho Vermelho e avaliou que a atividade foi um desafio. Ela trabalhou com as duas vers\u00f5es apresentadas no f\u00f3rum. Depois, pediu aos alunos que prestassem bastante aten\u00e7\u00e3o. Ao t\u00e9rmino da leitura, ela perguntou a eles qual das duas hist\u00f3rias haviam gostado mais. Eles disseram que gostaram mais da vers\u00e3o 2. N. ficou curiosa e quis saber o porqu\u00ea. Responderam:<\/p>\n<ul>\n<li>porque \u00e9 bem mais explicada;<\/li>\n<li>\u00e9 maior que a outra;<\/li>\n<li>\u00e9 marcante;<\/li>\n<li>\u00e9 mais real.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sobre a conclus\u00e3o de seu trabalho, N. nos contou:<\/p>\n<p>&#8220;Eu que havia achado a vers\u00e3o mais complexa muito forte e violenta para as minhas crian\u00e7as, devido ao fato de elas viverem numa comunidade violenta e sofrerem v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia, fiquei um pouco chocada e pedi a elas que contassem parte do texto da vers\u00e3o 2 que mais haviam gostado, e as respostas foram:<\/p>\n<ul>\n<li>a parte em que o ca\u00e7ador abriu a barriga do Lobo;<\/li>\n<li>quando o Lobo engoliu a Chapeuzinho;<\/li>\n<li>quando a Chapeuzinho colocou as pedras na barriga do Lobo;<\/li>\n<li>quando o lobo morreu;<\/li>\n<li>a parte do di\u00e1logo do Lobo com a Chapeuzinho.&#8221;<\/li>\n<\/ul>\n<p>Vimos como uma boa discuss\u00e3o coletiva pode gerar v\u00e1rias ideias e resultados, como esse artigo, por exemplo, que deixam a todos com vontade de estudar mais sobre esse assunto. \u00c9 por isso que conclu\u00edmos esse texto com as palavras de D., de Santa Rita do Sapuca\u00ed (MG):<\/p>\n<p>&#8220;Estou iniciando uma sequ\u00eancia did\u00e1tica com meus alunos a respeito dos contos de fadas esta semana. O objetivo \u00e9 lev\u00e1-los a conhecer as caracter\u00edsticas desse g\u00eanero textual. Estou bastante empolgada com o trabalho, e minha motiva\u00e7\u00e3o veio principalmente da leitura do texto E depois de ler, fazer o que?<sup>2<\/sup>, da nossa atividade 2. Isso demonstra a import\u00e2ncia que esse curso representa para minha pr\u00e1tica e para a pr\u00e1tica de todas n\u00f3s. Enfim, \u00e9 para isso que estamos aqui, n\u00e3o \u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>(Silvana Augusto, Formadora do Instituto Avisa L\u00e1, coordenadora do curso \u201cO coordenador pedag\u00f3gico como formador em sua unidade\u201d e professora do Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo-SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Uma das vencedoras do pr\u00eamio Professor Nota 10, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Victor Civita, em 2011, realizou um projeto com diferentes vers\u00f5es do conto Chapeuzinho Vermelho com turmas de 1o ano. O objetivo era fazer os alunos avan\u00e7ar em suas hip\u00f3teses de escrita e ampliar seu repert\u00f3rio de textos liter\u00e1rios, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o do gosto e da aprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Para saber mais sobre o trabalho, acesse: &lt;http:\/\/revistaescola.abril.com.br\/fundamental-1\/reescrita-textos-literariosalfabetizacao-inicial-677955.shtml&gt;.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Artigo de Maria Virgina Gestaldi publicado na Revista Avisa l\u00e1 no 26, em abril de 2006.<\/p>\n<p>*Este curso fez parte da programa\u00e7\u00e3o de cursos a dist\u00e2ncia do Instituto Avisa L\u00e1.<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Executor: Instituto Avisa l\u00e1<br \/>\nParceria: Santander e Instituto Raz\u00e3o Social<br \/>\nCoordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica: Silvana Augusto<br \/>\nE-mail: silvana_augusto@uol.com.br<br \/>\nFormadoras: Ana Carolina de Carvalho, Maria Paula Twiaschor e Silvana Augusto.<br \/>\nCurso online: Leitura pelo professor, 2011<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<p>Livros<\/p>\n<ul>\n<li>O ensino da linguagem escrita, de Myriam Nemirovsky. Porto Alegre: Artmed, 2002. Tel.: 0800 703 3444 Site: www.grupoa.com.br<\/li>\n<li>Narrar por escrito do ponto de vista de um personagem, de Ana Siro e Emilia Ferreiro. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2010. Tel.: (11) 4003-3061 Site: www.atica.com.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabemos que ler diariamente na escola \u00e9 fundamental, mas serve qualquer livro? Veja aqui a discuss\u00e3o a dist\u00e2ncia entre profissionais de educa\u00e7\u00e3o sobre crit\u00e9rios de escolha de acervo liter\u00e1rio para crian\u00e7as. 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