{"id":7330,"date":"2012-08-20T20:25:58","date_gmt":"2012-08-20T23:25:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7330"},"modified":"2023-03-27T20:05:18","modified_gmt":"2023-03-27T23:05:18","slug":"proposta-de-alfabetizacao-estetico-visual-em-museus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-51\/proposta-de-alfabetizacao-estetico-visual-em-museus\/","title":{"rendered":"Proposta de alfabetiza\u00e7\u00e3o est\u00e9tico-visual em museus"},"content":{"rendered":"<h5>Museus e escolas podem ser excelentes parceiros desde que se saiba como aproveitar melhor as especificidades de cada um<\/h5>\n<p>Segundo Mirian Celeste Martins:<\/p>\n<blockquote><p>A arte \u00e9 importante na escola, principalmente porque \u00e9 importante fora dela. Por ser um conhecimento constru\u00eddo pelo homem atrav\u00e9s dos tempos, a arte \u00e9 um patrim\u00f4nio cultural da humanidade e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber<sup>1<\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_7333\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5010.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7333\" class=\"size-medium wp-image-7333\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5010-300x257.jpg\" alt=\"Comendo com os olhos, Sem t\u00edtulo, de Sofu Teshigahara (desenho Henrique Yuji Ueno)\" width=\"300\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5010-300x257.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5010.jpg 532w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7333\" class=\"wp-caption-text\">Comendo com os olhos, Sem t\u00edtulo, de Sofu Teshigahara (desenho Henrique Yuji Ueno)<\/p><\/div>\n<p>Entender a Arte como conhecimento significa articular a cria\u00e7\u00e3o\/produ\u00e7\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o\/an\u00e1lise e o conhecimento da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstico-est\u00e9tica da humanidade, compreendendo-a hist\u00f3rica e culturalmente. Foi pensando em garantir experimenta\u00e7\u00f5es sens\u00edveis e est\u00e9ticas com o patrim\u00f4nio art\u00edstico e cultural da cidade de S\u00e3o Paulo, do povo brasileiro e de outros povos por meio da media\u00e7\u00e3o educativa que nasceu a proposta \u201cPara comer com os olhos: uma proposta de alfabetiza\u00e7\u00e3o est\u00e9tico-visual a partir de contatos acumulativos mediados em museus\u201d.<\/p>\n<p>O legado da humanidade, constru\u00eddo ao longo de s\u00e9culos por homens e mulheres em tempos e lugares diversos, \u00e9 um bem simb\u00f3lico que nem sempre tem sido respeitado e valorizado. Integr\u00e1-lo ao conjunto de saberes na Proposta Curricular de Arte possibilita abordar esses valores.<\/p>\n<p>Nos museus, temos contato com a mem\u00f3ria, a cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, as elabora\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, a pr\u00f3pria Arte, que se estrutura como um sistema simb\u00f3lico, registrando e expressando experi\u00eancias est\u00e9ticas e est\u00e9sicas3 como manifesta\u00e7\u00f5es humanas.<!--more--><\/p>\n<p>Nesse contexto, a arte e a cultura apresentam caracter\u00edsticas singulares. As experimenta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e est\u00e9sicas<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>A media\u00e7\u00e3o pode potencializar a atribui\u00e7\u00e3o de sentido \u00e0 obra, quando feita por um fruidor sens\u00edvel. Como facilitadora do encontro entre a arte e o fruidor, a media\u00e7\u00e3o precisa ser pensada como uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, tornando esse encontro mais significativo. Promove um contato que deixa os canais abertos para sentidos, sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos despertados para a imagina\u00e7\u00e3o. \u00c9 \u201co espa\u00e7o do sil\u00eancio externo, com falas internas nem sempre traduz\u00edveis\u201d.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Nesse contexto, vale destacar o papel da Arte na escola. \u201cO que em mim sente est\u00e1 pensando\u201d, dizia Fernando Pessoa. Esta cita\u00e7\u00e3o cont\u00e9m a ess\u00eancia do que a Eduque pensa ser importante para o papel da Arte na escola.<\/p>\n<p>Uma Arte que, a partir do desenvolvimento da capacidade de sentir, propicie o pensar, tendo como in\u00edcio o olhar sens\u00edvel, uma percep\u00e7\u00e3o que, segundo Fayga Ostrower<sup>4<\/sup>, est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 sensibilidade de cada um. Logo, se unirmos Fayga e Pessoa, fica f\u00e1cil compreender que \u00e9 investindo em um olhar que sente e pensa que poderemos gerar um processo pedag\u00f3gico em arte capaz de fazer a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse novo caminho para ensinar-aprender Arte, presente no projeto pedag\u00f3gico da escola, est\u00e1 ancorado em um pensamento curricular que pode se mover em diferentes territ\u00f3rios da Arte e da Cultura.<\/p>\n<p>Acreditamos que para aprender Arte s\u00f3 h\u00e1 uma maneira: tornar-se sens\u00edvel ao regime de signos que d\u00e1 exist\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria Arte. Isso implica contato, cont\u00e1gio e ser afetado pelas intensidades da linguagem da Arte, seja quando nos for\u00e7amos a pensar signos est\u00e9ticos no aqui e agora da inven\u00e7\u00e3o po\u00e9tica<sup>5<\/sup>, seja quando somos tomados pelas resson\u00e2ncias em n\u00f3s das produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas.<\/p>\n<p>Assim, essa pedagogia est\u00e9tica e art\u00edstica comp\u00f5e-se de pr\u00e1ticas sens\u00edveis, sendo uma delas a visita\u00e7\u00e3o mediada a diferentes museus na cidade de S\u00e3o Paulo. Nesse contexto de constante, peri\u00f3dica e intencional exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Arte, ampliamos o repert\u00f3rio<sup>6<\/sup> dos alunos, nutrindo-os esteticamente<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>Esses repert\u00f3rios pessoais e sociais; as heran\u00e7as culturais; as experi\u00eancias vividas; a potencialidade do imaginar, do pensar e criar o que ainda n\u00e3o est\u00e1 vis\u00edvel sustentam o devir do aprender a aprender Arte, por dentro de seu pr\u00f3prio sistema, insuflando-nos a deslizar pelo in\u00e9dito, pelo nunca experimentado, pela inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPara comer com os olhos&#8230;\u201d \u00e9 uma proposta de nutri\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que envolve leitura visual, frui\u00e7\u00e3o de arte, reflex\u00e3o, registro e constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos espec\u00edficos da \u00e1rea, bem como aproxima\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio est\u00e9tico-cultural da cidade a partir de contatos acumulativos mediados dos alunos com museus de arte de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O trabalho acontece ao longo da escolaridade, pensando a alfabetiza\u00e7\u00e3o do olhar e dos sentidos das crian\u00e7as desde a Educa\u00e7\u00e3o Infantil at\u00e9 a conclus\u00e3o da primeira etapa do Ensino Fundamental. Cada uma das visitas \u00e9 registrada num portf\u00f3lio individual que acompanhar\u00e1 os estudantes at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o do processo, no 5\u00ba ano, quando poder\u00e3o observar seu desenvolvimento est\u00e9tico-cultural, seu conhecimento de Arte e do patrim\u00f4nio art\u00edstico e cultural presente na cidade, ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Nesse portf\u00f3lio art\u00edstico, poder\u00e3o existir muitos adendos, uma vez que os alunos ter\u00e3o a possibilidade de incluir registros de outros contatos com a Arte, com visitas a museus dentro e fora do Pa\u00eds, com os familiares e, desse modo, suas experi\u00eancias extraescolares certamente far\u00e3o diferen\u00e7a em sua forma\u00e7\u00e3o ao longo do percurso.<\/p>\n<p>O portf\u00f3lio, assim, permite que o aluno reflita sobre a sua processualidade pensando Arte, pensando por meio da Arte, uma composi\u00e7\u00e3o visual no meio da passagem entre o n\u00e3o saber e o saber. \u00c9 a aprendizagem de aprender a pensar. Escolhemos museus fixos para conhecimento de nossos alunos em cada uma das fases da escolaridade, tendo como crit\u00e9rio as regras de visita\u00e7\u00e3o para as diferentes idades (crian\u00e7as muito pequenas, a partir de 3 anos, v\u00e3o ao Museu de Arte Moderna \u2013 MAM), as refer\u00eancias art\u00edsticas de seu acervo e a possibilidade de interlocu\u00e7\u00e3o com os projetos de arte da s\u00e9rie, as tem\u00e1ticas e\/ou linguagem (Modernismo, no Museu de Arte Contempor\u00e2nea \u2013 MAC; Escultura, no Museu Brasileiro da Escultura \u2013 Mube), os percursos art\u00edsticos culturais que queremos ampliar (Museu Afro Brasil), a presen\u00e7a de meios tradicionais (Pinacoteca e Museu de Arte de S\u00e3o Paulo \u2013 Masp) e meios novos com diferentes materialidades e suportes (Museu da Imagem e do Som \u2013 MIS).<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEscolher os museus que fariam parte deste trajeto pensado como alimento est\u00e9tico-cultural foi uma tarefa delicada, de muita observa\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00f5es. Primeiro foi decidi do que s\u00f3 entrariam os museus de arte para que a proposta n\u00e3o ficasse marcada por um car\u00e1ter muito hist\u00f3rico. Depois foi a hora de escolher: quais museus entrariam nesta seletiva? Para garantir uma amplitude contextual est\u00e9tico-cultural ao longo da escolaridade, foram selecionados ent\u00e3o museus de arte cl\u00e1ssica, moderna e contempor\u00e2nea, al\u00e9m do cuidado com a possibilidade de visitar espa\u00e7os de diferentes linguagens da arte sem esquecer a quest\u00e3o multicultural, capaz de acordar a percep\u00e7\u00e3o aos diferentes cantos de onde vem a arte, especialmente nossa origem, matriz cultural brasileira, cultura afro. Assim foram selecionados: MAM, MAC, Mube, Masp, Pinacoteca, MIS e Museu Afro Brasil, um bom roteiro para come\u00e7ar a brincar\u201d. (Juliana Carnasciali \u2013 arte-educadora)<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5111.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7331\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5111.jpg\" alt=\"tema5111\" width=\"312\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5111.jpg 312w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/tema5111-300x263.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sabemos que olhar e discursar sobre um objeto visto modifica a rela\u00e7\u00e3o do homem com o meio e o insere de modo diferenciado na sociedade, logo este trabalho \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para a forma\u00e7\u00e3o de um ser humano contempor\u00e2neo capaz de criar discursos para se colocar qualitativa e moralmente criativo na sociedade.<\/p>\n<div id=\"attachment_7334\" style=\"width: 476px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5111.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7334\" class=\"size-full wp-image-7334\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5111.jpg\" alt=\"Socializa\u00e7\u00e3o das impress\u00f5es (Desenho Lucas Teixeira Louren\u00e7o)\" width=\"466\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5111.jpg 466w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/museu5111-300x267.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7334\" class=\"wp-caption-text\">Socializa\u00e7\u00e3o das impress\u00f5es (Desenho Lucas Teixeira Louren\u00e7o)<\/p><\/div>\n<p><strong>O projeto em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Etapas de desenvolvimento do projeto com o 2o ano do Ensino Fundamental:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1\u00aa etapa \u2013<\/strong> Avalia\u00e7\u00e3o iniciante: O que \u00e9 um museu?<br \/>\nPara iniciarmos o trabalho com os alunos, organizamos uma roda de conversa, e a professora fez a pergunta \u201cO que \u00e9 um museu?\u201d para que as crian\u00e7as respondessem do ponto de vista delas, sem nenhuma interfer\u00eancia. A ideia era que verbalizassem o que pensavam sobre o assunto. As respostas foram bem diferentes:<\/p>\n<p>\u201cUm Museu \u00e9 um lugar que a gente pode ver esculturas e pinturas\u201d Larissa Miki Ohtaguro<\/p>\n<p>\u201cO Museu \u00e9 por\u00e7\u00e3o de coisas antigas e muito criativas\u201d Pedro Ferreira Natali<\/p>\n<p>\u201cUm Museu \u00e9 um lugar que pode ver coisas interessantes\u201d Leonardo Paiva Correia Pinheiro<\/p>\n<p>\u201cUm Museu \u00e9 um lugar onde tem esculturas\u201d Beatriz Jardim<\/p>\n<p>\u201cUm Museu \u00e9 um lugar que tem exposi\u00e7\u00f5es de esculturas e quadros\u201d. J\u00falia Fuso Duque<\/p>\n<p><strong>2\u00aa etapa \u2013<\/strong> Li\u00e7\u00e3o de casa: pesquisa sobre artistas e temas relacionados \u00e0 visita em quest\u00e3o<br \/>\nPor se tratar de alunos mais velhos, foi proposta uma atividade a ser realizada em casa, em que eles precisavam pesquisar sobre TRIDIMENSIONALIDADE e explicar aos demais colegas como entenderam esse conceito a partir da nutri\u00e7\u00e3o est\u00e9tica selecionada pela arte-educadora. O registro das descobertas foi feito no Caderno de Arte.<\/p>\n<p>Dos artistas indicados, cada aluno deveria escolher um para pesquisar de que lugar ele era, como era seu trabalho art\u00edstico, expondo oralmente os resultados da pesquisa aos colegas.<\/p>\n<p><strong>3\u00aa etapa \u2013<\/strong> Apresenta\u00e7\u00e3o do projeto<br \/>\nNessa etapa, a arte-educadora Juliana Carnasciali apresentou o projeto, explorando o conceito de acervo a partir de fotos de museus, de suas cole\u00e7\u00f5es, do museu que visitariam \u2013 o MAC \u2013 e sua cole\u00e7\u00e3o tridimensional na exposi\u00e7\u00e3o \u201cO Tridimensional no Acervo do MAC: Uma Antologia\u201d. \u00c9 importante destacar que esse museu foi projetado por um dos mais extraordin\u00e1rios arquitetos brasileiros, Oscar Niemeyer. Portanto, come\u00e7ar o estudo por uma obra de arte como a constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio que atualmente abriga o museu foi um in\u00edcio importante.<\/p>\n<p>Com essa aula, a arte-educadora sistematizou o nome do projeto e a ideia de comer com os olhos, com contribui\u00e7\u00f5es interessantes dos alunos.<br \/>\n<strong><br \/>\n4\u00aa etapa \u2013 <\/strong>Visita<br \/>\nLogo no in\u00edcio da visita, os alunos foram convidados a observar o pr\u00e9dio do museu, perceber suas linhas, seu formato e registrar em desenhos, pois j\u00e1 conheciam o arquiteto e suas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>A visita ao interior do museu, num primeiro momento, permitiu conhecer a amplitude das obras tridimensionais dispon\u00edveis na exposi\u00e7\u00e3o, privilegiando um olhar amplo do acervo. Num segundo momento, os alunos deveriam escolher uma obra para estud\u00e1-la com mais profundidade, registrando suas principais caracter\u00edsticas, bem como desenhando-a de diferentes pontos de vista. Era o momento de \u201ccomer com os olhos\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>As crian\u00e7as se interessavam muito pelos nomes da obras. E ficavam muito mais intrigadas com aquelas que n\u00e3o tinham nome. Havia uma com a informa\u00e7\u00e3o: \u201cSem nome, mas com amor\u201d, que os deixou bastante interessados. Muitas das obras vistas foram reconhecidas, bem como os artistas ali expostos, pois pesquisa inicial do acervo, ocorrida anteriormente, foi repleta de significado e sentido para os estudantes. Eles entravam no museu e j\u00e1 iam dizendo: Olha, Henri Moore. Nossa, \u00e9 a Carmela Gross&#8230;<br \/>\nJuliana Carnasciali<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>5\u00aa etapa \u2013<\/strong> Registro ap\u00f3s a visita: O que comi com os olhos dentro e fora do museu?<br \/>\nAp\u00f3s a visita, os alunos foram convidados a registrar o que havia ficado de mais especial para eles dentro e fora do museu, desenhando e escrevendo.<\/p>\n<p><strong>6\u00aa etapa \u2013<\/strong> Socializa\u00e7\u00e3o<br \/>\nCom a finalidade de divulgar o estudo, os alunos e a professora montaram murais pela escola, produziram textos para o site e elaboraram uma indica\u00e7\u00e3o cultural para a Revista da Eduque.<\/p>\n<p>Nesse momento, o prop\u00f3sito foi a constru\u00e7\u00e3o do texto com fun\u00e7\u00e3o social, bem como apresentar a todos MAC Nova Sede como patrim\u00f4nio art\u00edstico-cultural da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>2\u00ba ano no MAC<\/strong><br \/>\nNosso projeto: \u201cPara comer com os olhos&#8230;\u201d j\u00e1 come\u00e7ou!<\/p>\n<p>O 2\u00ba ano foi visitar o MAC, Museu de Arte Contempor\u00e2nea de S\u00e3o Paulo, sede nova, onde apenas um andar foi inaugurado. Com arquitetura fant\u00e1stica projetada por Oscar Niemeyer, recebe, desde 28 de janeiro, a mostra \u201cO tridimensional no acervo do MAC: Uma Antologia\u201d. Nossa proposta teve in\u00edcio h\u00e1 algumas semanas atr\u00e1s quando as crian\u00e7as foram questionadas: \u201cO que \u00e9 um museu?\u201d.<\/p>\n<p>Depois disso, fizeram uma li\u00e7\u00e3o de casa pesquisando o que \u00e9 \u201ctridimensionalidade\u201d e escolheram um dos 18 artistas da mostra para conhecer um pouco sobre ele. No retorno da li\u00e7\u00e3o, socializamos as descobertas, e escutamos frases muito interessantes, como: \u201cContempor\u00e2neo \u00e9 um tempo antes do futuro\u201d, um ind\u00edcio de que nosso trabalho est\u00e1 indo por caminhos f\u00e9rteis.<\/p>\n<p>No dia 12 de abril aconteceu a visita, na qual as crian\u00e7as aproveitaram bastante o espa\u00e7o, as obras e o contato com novos conhecimentos. Algumas sa\u00edram dizendo: \u201cFant\u00e1stico&#8230; eu achei sensacional&#8230; muito construtivo!\u201d. Foi uma visita com dura\u00e7\u00e3o de uma hora, inaugurando a visita\u00e7\u00e3o do museu por escolas \u2013 e fomos a primeira escola a visitar a nova sede do MAC \u2013 que incluiu, em uma primeira passagem, o comer com os olhos, obra a obra, \u00e2ngulo a \u00e2ngulo, artista a artista e um comer com as m\u00e3os, quando do contado do olhar passamos para o papel: cada crian\u00e7a, em um segundo momento, escolheu uma obra para registrar, para desenhar. Foi t\u00e3o especial que todos quiseram desenhar mais de uma obra.<\/p>\n<p><strong>7\u00aa etapa \u2013 <\/strong>Montagem de mural com percursos, viv\u00eancias e descobertas<br \/>\nEsse projeto conta com a montagem de um mural coletivo referente \u00e0s visitas, com informa\u00e7\u00f5es dos museus e fotos dos estudos. Vale ressaltar que o trabalho com o 2\u00ba ano rende outras a\u00e7\u00f5es n\u00e3o programadas. Como as crian\u00e7as s\u00e3o mais aut\u00f4nomas, elas nos surpreendem com atitudes pr\u00f3prias. Nossa aluna Beatriz (2\u00ba ano A), por exemplo, tem enviado e-mails para Carmela Gross (artista com objetos expostos no MAC) e aguarda retorno.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, as proposi\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas trazem \u00e0 tona um professor-pesquisador que se reinventa, com uma atitude investigativa diante dos diferentes saberes com que ir\u00e1 se deparar. Um professor-criador dos pr\u00f3prios percursos de aprendizagem, autor do seu pensar\/fazer pedag\u00f3gico com a escolha de caminhos que possam abrigar e expressar a coautoria com os alunos.<\/p>\n<p>O ensinar-aprender decola pelas asas da inven\u00e7\u00e3o, por um tipo de a\u00e7\u00e3o que parte de uma ideia, mas que, ao investig\u00e1-la, cria, antes, o modo de investiga\u00e7\u00e3o, investigando tamb\u00e9m o investigante, na quilo que ele sabe e no modo como sabe.<\/p>\n<p>Ao formar crian\u00e7as, os educadores tamb\u00e9m s\u00e3o formados. Ao visitarem museus e suas percep\u00e7\u00f5es sobre v\u00e1rios conceitos, os professores percebem que a processualidade \u00e9 o mapa da experi\u00eancia est\u00e9tica vivenciada por eles e pelos alunos, tra\u00e7ada por caminhos (movimentos) que buscam na Arte, como territ\u00f3rio da inven\u00e7\u00e3o, encontros sens\u00edveis e criadores que possam afastar vis\u00f5es estereotipadas ou vis\u00f5es reduzidas do mundo, diminuindo o distanciamento entre Arte e vida.<\/p>\n<p>(Patr\u00edcia Cintra, diretora pedag\u00f3gica da Eduque Nova Escola, em S\u00e3o Paulo\u2013SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A l\u00edngua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte, de Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e M. Terezinha Telles Guerra. S\u00e3o Paulo: FTD, 1998 (Cole\u00e7\u00e3o Did\u00e1tica do Ensino). Tel.: 0800 772 2300. Site: www.ftd.com.br<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Estesia: percep\u00e7\u00e3o do mundo exterior atrav\u00e9s dos sentidos; faculdade que possibilita a experi\u00eancia do prazer (ou do seu contr\u00e1rio). A obra de arte \u00e9 um bloco de sensa\u00e7\u00f5es, como dizem Gilles Deleuze e F\u00e9lix Guattan em sua obra O que \u00e9 filosofi a? (Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992). Para estes autores, o elo que unifica as artes \u00e9 sua capacidade de captar for\u00e7as invis\u00edveis que existem dobradas dentro da sensa\u00e7\u00e3o. Ao mostr\u00e1-las, a arte se faz fluxo de impress\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>A l\u00edngua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte, de Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e M. Terezinha Telles Guerra. S\u00e3o Paulo: FTD, 1998 (Cole\u00e7\u00e3o Did\u00e1tica do Ensino). Tel.: 0800 772 2300. Site: www.ftd.com.br<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Universos da Arte, de Fayga Ostrower. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1983. (Fora de cat\u00e1logo).<\/p>\n<p><sup>5<\/sup>Po\u00e9tica porque vem de poiesis, do grego: a\u00e7\u00e3o de fazer algo; aquilo que desperta o sentido do belo, que encanta e enleva.<\/p>\n<p><sup>6<\/sup>Numa simplifica\u00e7\u00e3o conceitual, repert\u00f3rio (&#8230;) \u00e9 o arquivo din\u00e2mico de experi\u00eancias reais ou simb\u00f3licas de uma pessoa ou grupo social. (&#8230;) tem recorr\u00eancia no conceito de mem\u00f3ria, de imagina\u00e7\u00e3o e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, no de conhecimento. Mas \u00e9 importante ter sempre presente o aspecto din\u00e2mico desses conceitos. Assim como repert\u00f3rio, a mem\u00f3ria, a imagina\u00e7\u00e3o e o conhecimento n\u00e3o s\u00e3o arquivos mortos, passivos. (Samir C. Meserani. O vizinho da sala ao lado. In: S\u00e3o Paulo, SE\/Cenp, 1986: 17-8).<\/p>\n<p><sup>7<\/sup>Nutri\u00e7\u00e3o est\u00e9tica: \u201cA arte alimenta a pr\u00f3pria arte\u201d, disse Pablo Picasso, que aos 13 anos viu pela primeira vez uma obra de Velazqu\u00e9z. Nutrir esteticamente o olhar \u00e9 aliment\u00e1-lo com muitas e diferentes imagens, provocando uma percep\u00e7\u00e3o mais ampla da linguagem visual; olhar diferentes modos de resolver as quest\u00f5es est\u00e9ticas, entrando em contato com conceitos e a hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o nessa linguagem, com a preocupa\u00e7\u00e3o de ampliar as refer\u00eancias. MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, M. Terezinha Telles. A l\u00edngua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. S\u00e3o Paulo: FTD, 1998 (Cole\u00e7\u00e3o Did\u00e1tica do Ensino). p. 136 e 140.<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Eduque Nova Escola<br \/>\nEndere\u00e7o: Avenida Bosque da Sa\u00fade, 1404 \u2013 Bosque da Sa\u00fade. CEP: 04142-082 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP<br \/>\nTel.: (11) 5581-0123<br \/>\nSite: www.novaescola-eduque.com.br<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica: Patr\u00edcia Cintra<br \/>\nE-mail: patricia.cintra@novaescola-eduque.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<p>Livros<\/p>\n<ul>\n<li>Filosofia da cria\u00e7\u00e3o: reflex\u00f5es sobre o sentido do sens\u00edvel, de Marly Meira. Porto Alegre: Media\u00e7\u00e3o: 2003. Tel.: (51) 3330-8105. Site: www.editoramediacao.com.br<\/li>\n<li>Encontros est\u00e9ticos: colet\u00e2nea de textos, de Jorge Anthonio e Silva (org). Caixa Econ\u00f4mica Cultural. 2005. Tel.: (11) 3321-4400. Site: www.caixacultural.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Museus e escolas podem ser excelentes parceiros desde que se saiba como aproveitar melhor as especificidades de cada um. Por Patr\u00edcia Cintra<\/p>\n","protected":false},"author":195,"featured_media":7361,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1268],"tags":[1304,28,246,1284,1283,65,604,1282],"class_list":{"0":"post-7330","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-51","8":"tag-1304","9":"tag-arte","10":"tag-conhecimento","11":"tag-eduque-nova-escola","12":"tag-mac","13":"tag-museu","14":"tag-parceria","15":"tag-patricia-cintra","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/195"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7330\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}