{"id":7287,"date":"2012-05-19T08:38:39","date_gmt":"2012-05-19T11:38:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7287"},"modified":"2023-03-27T20:03:18","modified_gmt":"2023-03-27T23:03:18","slug":"apoiando-a-construcao-de-uma-identidade-positiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-50\/apoiando-a-construcao-de-uma-identidade-positiva\/","title":{"rendered":"Apoiando a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade positiva"},"content":{"rendered":"<h5>Crian\u00e7as da educa\u00e7\u00e3o infantil aprendem um caminho para a conviv\u00eancia e o respeito \u00e0s diferen\u00e7as<\/h5>\n<div id=\"attachment_7290\" style=\"width: 301px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5012.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7290\" class=\"size-medium wp-image-7290\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5012-291x300.jpg\" alt=\"Autorretrato produzido por Adriane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)\" width=\"291\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5012-291x300.jpg 291w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5012.jpg 467w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7290\" class=\"wp-caption-text\">Autorretrato produzido por Adriane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)<\/p><\/div>\n<p>Com o intuito de colaborar com a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade positiva e de uma verdadeira autoimagem das crian\u00e7as, as professoras da EMEI Prof. Arlindo Veiga dos Santos desenvolvem atividades significativas com as crian\u00e7as e seus familiares que privilegiem o respeito \u00e0s diferen\u00e7as e \u00e0 diversidade presente na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Partindo da proposta da Escola, que \u00e9 trabalhar com a quest\u00e3o da diversidade, sobretudo aquela que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o etnicorracial, cuja base est\u00e1 na Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Essa lei garante o direito a todas as crian\u00e7as de aprenderem sobre a cultura e hist\u00f3ria africana e afro-brasileira, como tamb\u00e9m a conviver e respeitar as diferen\u00e7as. Por meio de propostas diversificadas, oferecemos \u00e0s crian\u00e7as a oportunidade de elas conhecerem mais sobre si e seus colegas. Para isso, desenvolvemos com as turmas de segundo e terceiro est\u00e1gios (crian\u00e7as de 4 e 5 anos) um conjunto de atividades, intitulado \u201cResgatando Minhas Ra\u00edzes\u201d, propiciando a reflex\u00e3o e a pesquisa sobre suas origens, cuja participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia se deu pelo levantamento de fotos, pelo compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es e pela constru\u00e7\u00e3o de bonecos de pano que os representaram fisicamente.<!--more--><\/p>\n<p>Nosso objetivo era resgatar e valorizar a identidade, independentemente das diferen\u00e7as etnicorraciais entre os grupos. Com esse movimento pretend\u00edamos modificar h\u00e1bitos preconceituosos, promovendo o respeito \u00e0s diferen\u00e7as, bem como a intera\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia na Escola. Articulamos diversos campos de experi\u00eancias garantir que as crian\u00e7as se apropriassem do tema de forma significativa.<\/p>\n<p>Partindo da convic\u00e7\u00e3o de que a parceria com a fam\u00edlia seria fundamental para iniciarmos o projeto, convidamos os pais das duas turmas para uma reuni\u00e3o na qual explicamos a proposta e afirmamos a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos apreensivas quanto \u00e0 ades\u00e3o dos familiares, mas nos surpreendemos com a empolga\u00e7\u00e3o dos presentes. Nesse encontro, propusemos uma atividade. Para isso, oferecemos um molde para que os pais confeccionassem com os filhos bonecos que representassem a diversidade na Escola. Apresentamos os bonecos e as bonecas dispon\u00edveis na Escola. Ao final da reuni\u00e3o muitos j\u00e1 combinavam entre si como e onde encontrariam os materiais.<\/p>\n<p>Com as crian\u00e7as, realizamos rodas de conversa sobre diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre elas. Percebemos que algumas n\u00e3o estavam atentas a quest\u00f5es como cor, altura, cabelo, mas sim a roupas e gostos. Outras rapidamente relatavam as caracter\u00edsticas f\u00edsicas de cada crian\u00e7a, ressaltando as diferen\u00e7as entre o grupo.<\/p>\n<p>Isso ficou muito claro durante uma atividade na qual solicitamos que algumas crian\u00e7as ficassem de p\u00e9 para que o grupo pudesse observ\u00e1-las e, assim, tivesse condi\u00e7\u00e3o de refletir sobre as diferen\u00e7as entre um colega e outro.<\/p>\n<p>Depois da primeira conversa, sugerimos a forma\u00e7\u00e3o de grupos organizados pelas caracter\u00edsticas f\u00edsicas observadas. Obtivemos as seguintes falas:<\/p>\n<p>\u2013 A cor da pele \u00e9 diferente!<br \/>\n\u2013 Elas s\u00e3o meninas e eles, meninos.<br \/>\n\u2013 O Pedro parece com a Daniela, ela \u00e9 japonesa.<br \/>\n\u2013 O cabelo da Maria \u00e9 preto.<br \/>\n\u2013 Um \u00e9 moreno, o outro \u00e9 branquinho.<br \/>\n\u2013 Ela tem a pele preta e ele tem a pele branca.<br \/>\n\u2013 Ele \u00e9 preto porque ele \u00e9 escuro e tem ra\u00e7a preta.<\/p>\n<p>O colega fechou a cara e respondeu:<br \/>\n\u2013 Eu sou moreno!<br \/>\n\u2013 O cabelo dele \u00e9 preto, o dela tamb\u00e9m, mas \u00e9 enroladinho.<br \/>\n\u2013 Parece olho de japon\u00eas (puxando os olhos com as m\u00e3os).<\/p>\n<p>Curiosamente, ao perguntarmos para a aluna de onde a fam\u00edlia dela tinha vindo, a resposta foi:<br \/>\n\u2013 Japonesa.<\/p>\n<p>Ou seja, nem mesmo ela conhecia suas origens. Sua fam\u00edlia \u00e9 boliviana!<\/p>\n<p>Aproveitamos as falas para ampliar o conhecimento das crian\u00e7as, esclarecendo a quest\u00e3o presente e utilizando o vocabul\u00e1rio correto referente a diferen\u00e7as de ra\u00e7a, cor (preto, negro), nacionalidades (japoneses, bolivianos etc.).<\/p>\n<p>Problematizamos mais ainda, questionando as crian\u00e7as sobre o porqu\u00ea dessas diferen\u00e7as. O que elas sabiam ou imaginavam sobre elas? De onde viriam? As respostas foram as mais diversas:<\/p>\n<p>\u2013 Dos pais, professora!<br \/>\n\u2013 N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do pai, \u00e9 tamb\u00e9m da m\u00e3e, n\u00e9 professora!<br \/>\n\u2013 \u00c9 a mistura de ra\u00e7as, professora! (falou gritando)<\/p>\n<p>Nesse come\u00e7o de conversa, surgiram v\u00e1rias quest\u00f5es interessantes que fomos explorando ao longo do trabalho. A partir da\u00ed, passamos a registrar as atividades por meio de desenhos, fotos, recortes e colagens, entre outros, registro esse important\u00edssimo para a produ\u00e7\u00e3o do acervo que posteriormente seria apresentado aos pais. Num primeiro momento, trabalhamos com o autorretrato: pretend\u00edamos saber como cada crian\u00e7a se percebia.<\/p>\n<div id=\"attachment_7291\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5011.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7291\" class=\"wp-image-7291 size-full\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5011.jpg\" alt=\"Minha Fam\u00edlia, produzido por Thayane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)\" width=\"515\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5011.jpg 515w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5011-300x235.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 515px) 100vw, 515px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7291\" class=\"wp-caption-text\">Minha Fam\u00edlia, produzido por Thayane (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)<\/p><\/div>\n<p>Depois realizamos uma atividade na qual elas puderam se tocar e sentir a textura do cabelo, da pele, e, em seguida, desenharam-se uns aos outros. Foi curioso perceber que apesar de algumas crian\u00e7as relatarem oralmente quest\u00f5es quanto \u00e0 cor da pele e dos olhos, em seus desenhos o faziam de forma diferente: pintavam o cabelo preto do colega de amarelo ou verde, por exemplo. Enquanto registravam, aproveit\u00e1vamos para question\u00e1-las e faz\u00ea-las refletir sobre suas escolhas.<\/p>\n<p>Um aluno branco pintou um colega negro de cor-de-rosa. Quando questionado, respondeu: \u2013 \u00c9 porque n\u00e3o tem a cor dele, professora. Apresentamos a capa do livro Hist\u00f3rias da Preta, de Heloisa Pires de Lima, com a ilustra\u00e7\u00e3o de uma menina negra e, na contracapa, um texto em que a autora dizia que a pele da Preta era marrom.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o problematizamos se o l\u00e1pis cor-de-rosa era a cor da pele de algu\u00e9m, e uma das crian\u00e7as completou:<\/p>\n<p>\u2013 Tem v\u00e1rias cores de pele, nem todo mundo \u00e9 rosa.<\/p>\n<p>Nesse momento, passamos a apresentar modelos ilustrados em livros de pessoas de etnias diversas. Lemos o livro Menina bonita do la\u00e7o de fita, de Ana Maria Machado, que nos permitiu fazer um recorte para a quest\u00e3o da ancestralidade na constitui\u00e7\u00e3o de nossos tra\u00e7os f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Uma das obras que mais suscitou quest\u00f5es interessantes foi o conto P\u00e9rolas de Cadija, de Joel Rufino dos Santos. Os alunos logo relacionaram esse conto ao conhecido conto de fadas Cinderela:<\/p>\n<p>\u2013 Professora: Voc\u00eas conhecem alguma hist\u00f3ria parecida?<br \/>\n\u2013 Aluna: Eu conhe\u00e7o, professora, a Cinderela.<br \/>\n\u2013 Aluno: O anjo da guarda da Cinderela era a fada que fez um vestido lindo para ela ir ao baile.<br \/>\n\u2013 Professora: E quem era o anjo da guarda de Cadija?<br \/>\n\u2013 Aluno: O djin.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Ao percebermos que a quest\u00e3o da cor da pele era a que mais interessava \u00e0s crian\u00e7as, aprofundamos a tem\u00e1tica, apresentando livros que abordavam a cultura africana: lendas, contos, culin\u00e1ria, m\u00fasicas, brincadeiras, para que pudessem observar as diferentes representa\u00e7\u00f5es visuais dos tra\u00e7os caracter\u00edsticos dos povos africanos. Tamb\u00e9m assistimos ao filme Kirik\u00fa e a feiticeira, de Michel Ocelot. Nele, al\u00e9m de se identificarem com as perip\u00e9cias das personagens, as crian\u00e7as puderam observar alguns elementos da cultura africana e a diversidade de tons de pele e biotipos presentes em uma mesma etnia.<\/p>\n<p>Para avaliar os aprendizados das crian\u00e7as ao longo do processo, propusemos novamente algumas atividades, como o autorretrato, que nos permitiu perceber que o olhar em rela\u00e7\u00e3o a si e aos demais havia mudado. Enquanto desenhavam, as crian\u00e7as observavam o tempo todo os desenhos uns dos outros e trocavam sugest\u00f5es:<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea tem pintinhas no rosto! Voc\u00ea tem que fazer! (para a colega ruiva com sardas no rosto).<\/p>\n<p>O tra\u00e7ado nos desenhos melhorou muito; a propor\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o com os detalhes tamb\u00e9m foram ampliadas significativamente. Para tratarmos o tema da miscigena\u00e7\u00e3o do povo brasileiro conversamos sobre a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil, apresentamos um mapa-m\u00fandi, destacando o Pa\u00eds e o continente Africano. Representamos a rela\u00e7\u00e3o entre ambos, explicando resumidamente o processo de escraviza\u00e7\u00e3o dos negros e a forma como foram trazidos para o Brasil. Constru\u00edmos juntos barcos de papel para representar os navios negreiros, explicando sua rota. Enquanto recuper\u00e1vamos um pouco de nossa hist\u00f3ria, procur\u00e1vamos sempre ressaltar a cultura africana e sua import\u00e2ncia para a nossa forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo das atividades criamos um banco de palavras africanas com as crian\u00e7as: Cadija, Kirik\u00fa, Cobongo, savana, Obax (que significa flor), Nafisa (que significa pedra preciosa), baob\u00e1 (nome de uma \u00e1rvore), entre outras. Waldete Trist\u00e3o Farias Oliveira, a coordenadora pedag\u00f3gica, nos ajudou a coletar materiais pedag\u00f3gicos, livros sobre a tem\u00e1tica e nos apresentou Roberta Viana, Arte-educadora do Ponto de Cultura Il\u00fa \u00d2n\u00e0 \u2013 Caminhos do Tambor da Associa\u00e7\u00e3o Il\u00fa Ob\u00e1 De Min \u2013 Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e Arte Negra para nos ajudar com a quest\u00e3o da musicalidade.<\/p>\n<p>Roberta apresentou ao grupo de professoras do 3\u00ba turno a proposta de forma\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o nas parcerias que eventualmente realizam com as escolas, bem como ministrou oficinas de dan\u00e7as brasileiras \u00e0s crian\u00e7as de nossas turmas. Foi uma viv\u00eancia muito rica para todos, pois pudemos conhecer a origem das dan\u00e7as Cacuri\u00e1 e Maculel\u00ea, de influ\u00eancia marcada pela cultura de matriz africana e afro-brasileira.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as foram receptivas \u00e0 professora: participaram com entusiasmo e aprenderam com facilidade o Cacuri\u00e1, pois se trata de uma brincadeira de roda. J\u00e1 para o Maculel\u00ea foi preciso primeiro aprender a manusear os bast\u00f5es. Trabalhamos a letra das m\u00fasicas em pseudoleituras e por meio de um CD de \u00e1udio cedido pela Roberta. Aproveitando a musicalidade das dan\u00e7as, exploramos instrumentos musicais como berimbau, caxixi, agog\u00f4 e reco-reco.<\/p>\n<p>Em uma das vezes em que ela esteve na Escola, fomos presenteados com uma apresenta\u00e7\u00e3o da Roberta tocando djemb\u00e9. Trata-se de um instrumento muito antigo, um tipo de tambor origin\u00e1rio da Guin\u00e9, na \u00c1frica Ocidental. As crian\u00e7as dan\u00e7aram ao redor dela encantadas com o toque do tambor!<\/p>\n<p>Confeccionamos diversos pain\u00e9is com recortes de revista, desenhos e resultados de nossas pesquisas sobre o povo brasileiro e sobre o continente africano. Os pais enviaram fotos de fam\u00edlia que serviram de tema para rodas de conversa sobre a miscigena\u00e7\u00e3o da turma.<\/p>\n<p>Outro achado importante nas pesquisas foi descobrir que a cocada \u00e9 um doce origin\u00e1rio da cultura africana. Decidimos, ent\u00e3o, preparar uma receita simples com as crian\u00e7as para que todas as pessoas da Escola pudessem degust\u00e1-la. Finalmente, chegou o dia da entrega dos bonecos: uma grande festa! Recebemos bonecos dos mais variados estilos e formas. Algumas fam\u00edlias os confeccionaram com meias, retalhos; outras produziram bonecos bem sofisticados, mas a grande maioria colaborou com a nossa solicita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as compartilharam conosco o processo de confec\u00e7\u00e3o de seus bonecos. Algumas m\u00e3es tiveram o cuidado de vesti-los com roupas que os filhos usaram quando beb\u00eas, em clara demonstra\u00e7\u00e3o de afetividade entre as fam\u00edlias e seus filhos. Recebemos tamb\u00e9m alguns relatos das fam\u00edlias sobre suas experi\u00eancias com os bonecos e as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Foi muito gratificante ver as crian\u00e7as brincando com os bonecos, trocando-os entre si, demonstrando muito cuidado e respeito ao manuse\u00e1-los. Por fim, o encerramento do projeto aconteceu no Dia da Fam\u00edlia na Escola. Trata-se de uma data institu\u00edda pela Lei no 13.457, de 27 de novembro de 2002, que deve fazer parte do Calend\u00e1rio de Atividades dos Centros de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, das Escolas Municipais de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, das Escolas de Ensino Fundamental, de Ensino Fundamental e M\u00e9dio e de Educa\u00e7\u00e3o Especial da Prefeitura de S\u00e3o Paulo. Esse evento tem o objetivo de estimular a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias das crian\u00e7as e jovens nas quest\u00f5es e nos problemas da comunidade escolar. Para n\u00f3s, \u00e9 uma oportunidade sem igual para divulgarmos os trabalhos realizados com as crian\u00e7as, as pesquisas, as dan\u00e7as e os bonecos confeccionados.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias foi surpreendente! Como lembran\u00e7a da visita\u00e7\u00e3o \u00e0 sala de exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhos, distribu\u00edmos a receita da cocada que as turmas prepararam. As crian\u00e7as realizaram uma apresenta\u00e7\u00e3o das dan\u00e7as aprendidas e, ao final, cada uma delas convidou um familiar para dan\u00e7ar. Foi um momento muito especial, pois cada crian\u00e7a p\u00f4de ensinar um pouco daquilo que aprendeu. Era vis\u00edvel o orgulho de ambos ao dan\u00e7arem juntos. Num painel deixado no p\u00e1tio da festa, os visitantes puderam deixar coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o o tema foi retomado em sala de aula para avaliar o projeto e a devolutiva das fam\u00edlias. Com a proposta as crian\u00e7as aprenderam a valorizar suas origens; conheceram um pouco mais sobre si, seus amigos e nosso Pa\u00eds. Em a\u00e7\u00f5es e atividades percebemos o quanto o imagin\u00e1rio das crian\u00e7as havia sido ampliado (novas hist\u00f3rias eram encenadas, sem personagens estereotipadas) e observamos significativas mudan\u00e7as em seus h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>(Eudivanir Leite Assump\u00e7\u00e3o Costa e Priscila dos Santos Silva, professoras de Educa\u00e7\u00e3o Infantil na EMEI Prof. Arlindo Veiga dos Santos em S\u00e3o Paulo-SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Esp\u00e9cie de g\u00eanio ou entidade m\u00e1gica dos contos de origem africana e \u00e1rabe.<\/p>\n<div id=\"attachment_7292\" style=\"width: 422px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5014.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7292\" class=\"size-full wp-image-7292\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5014.jpg\" alt=\"As liga\u00e7\u00f5es do Brasil com o continente africano (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)\" width=\"412\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5014.jpg 412w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5014-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7292\" class=\"wp-caption-text\">As liga\u00e7\u00f5es do Brasil com o continente africano (Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos)<\/p><\/div>\n<h4>Kirik\u00fa e a feiticeira<\/h4>\n<p>Baseado em uma lenda da \u00c1frica Ocidental, Kirik\u00fa e a feiticeira \u00e9 uma anima\u00e7\u00e3o que narra a hist\u00f3ria de um garoto pequeno, muito inteligente e com dons especiais. Curioso, ele questiona a situa\u00e7\u00e3o de medo que assola a sua aldeia e corajosamente enfrenta a cruel feiticeira Karab\u00e1, considerada a respons\u00e1vel pela seca da fonte e das planta\u00e7\u00f5es e pelo sumi\u00e7o de todos os homens da aldeia. Com a ajuda de alguns amigos e seres fant\u00e1sticos, Kirik\u00fa vai encontrar solu\u00e7\u00f5es inusitadas e descobrir que, muitas vezes, a origem da maldade \u00e9 o sofrimento e que s\u00f3 a verdade, aliada \u00e0 intelig\u00eancia, pode vencer a dor e as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Kirik\u00fa e a feiticeira, dire\u00e7\u00e3o de Michel Ocelot. Pa\u00edses: B\u00e9lgica, Fran\u00e7a e Luxemburgo. Dura\u00e7\u00e3o: 71 min. Ano de produ\u00e7\u00e3o: 1998.<\/p>\n<h4>Il\u00fa Ob\u00e1 De Min<\/h4>\n<p>Il\u00fa Ob\u00e1 De Min \u2013 Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e Arte Negra, entidade feminina, sem fins lucrativos, surgiu ao longo de 20 anos de pesquisa-a\u00e7\u00e3o desenvolvida com variados grupos sociais, tendo como base as culturas de matriz africana e afro-brasileira. O objetivo da entidade \u00e9 preservar e divulgar a cultura negra no Brasil, mantendo di\u00e1logo cultural constante com o continente africano por meio de instrumentos, dos c\u00e2nticos, dos toques e da corporeidade, al\u00e9m de abrir novos espa\u00e7os, de maneira l\u00fadica e respons\u00e1vel, visando ao fortalecimento individual e coletivo das mulheres na sociedade.<\/p>\n<p>Fonte: Il\u00fa Ob\u00e1 De Min. Dispon\u00edvel em: www.iluobademin.com.br<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5013.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-7293\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5013-181x300.jpg\" alt=\"tema5013\" width=\"181\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5013-181x300.jpg 181w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tema5013.jpg 246w\" sizes=\"auto, (max-width: 181px) 100vw, 181px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>O que \u00e9 o Cacuri\u00e1?<\/h4>\n<p>Cacuri\u00e1 \u00e9 uma dan\u00e7a de roda, cujo ritmo \u00e9 dado por caixas. Nela, uma pessoa introduz a ladainha e \u00e9 seguida pelos participantes que, al\u00e9m de dan\u00e7ar, respondem ao coro. A dan\u00e7a pode ser feita aos pares ou em formato de roda. Tem origem africana e \u00e9 muito conhecida em algumas regi\u00f5es do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Jangada Brasil. Dispon\u00edvel em: www.jangadabrasil.com.br\/revista\/agosto69\/fe69008c.asp<\/p>\n<h4>O que \u00e9 o Maculel\u00ea<\/h4>\n<p>O Maculel\u00ea \u00e9 uma dan\u00e7a, um jogo de bast\u00f5es remanescente dos antigos \u00edndios cucumbis. Esta \u201cdan\u00e7a de porrete\u201d tem origem Afro-ind\u00edgena, pois foi trazida pelos negros da \u00c1frica para o Brasil e misturada com a cultura dos \u00edndios que aqui viviam. A caracter\u00edstica principal dessa dan\u00e7a \u00e9 a batida dos bast\u00f5es uns contra os outros em determinados trechos da m\u00fasica que \u00e9 cantada e acompanhada pela forte batida do atabaque. Essa batida \u00e9 feita quando, no final de cada frase da m\u00fasica, os dois dan\u00e7arinos cruzam os bast\u00f5es batendo-os dois a dois.<\/p>\n<p>Os passos da dan\u00e7a se assemelham aos do frevo pernambucano: s\u00e3o saltos, agachamentos, cruzadas de pernas etc. As batidas n\u00e3o cobrem apenas os intervalos do canto, elas d\u00e3o ritmo fundamental para a execu\u00e7\u00e3o de muitos trejeitos de corpo dos dan\u00e7arinos.<\/p>\n<p>Fonte: 360 Graus. Dispon\u00edvel em: http:\/\/360graus.terra.com.br\/geral\/default.asp?did=2053&amp;action=geral<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Emei Prof. Arlindo Veiga dos Santos<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua F\u00e9lix Alves Pereira, 9 \u2013 Jardim Centen\u00e1rio. CEP 02882-030 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP<br \/>\nTel.: (11) 3851-8885<br \/>\nFax: (11) 3984-9879<br \/>\nCoordenadora pedag\u00f3gica: Waldete Trist\u00e3o Farias Oliveira<br \/>\nE-mail: waldetetristao@uol.com.br<br \/>\nProfessora: Eudivanir Leite Assump\u00e7\u00e3o<br \/>\nE-mail: eudivanir@ig.com.br<br \/>\nSite: emeiprofessorarlindoveiga.webnode.com.br\/<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<p>Livros<\/p>\n<ul>\n<li>A semente que veio da \u00c1frica, de Heloisa Pires Lima, Georges Gneka e M\u00e1rio Lemos. S\u00e3o Paulo: Salamandra, 2006.<\/li>\n<li>Gosto de \u00c1frica: hist\u00f3rias de l\u00e1 e daqui, de Joel Rufino Santos. S\u00e3o Paulo: Global, 2005.<\/li>\n<li>Hist\u00f3rias da Preta, de Heloisa Pires Lima. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2006.<\/li>\n<li>Menina bonita do la\u00e7o de fita, de Ana Maria Machado. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica. 1986.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as da educa\u00e7\u00e3o infantil aprendem um caminho para a conviv\u00eancia e o respeito \u00e0s diferen\u00e7as. 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