{"id":7194,"date":"2011-11-15T13:25:28","date_gmt":"2011-11-15T15:25:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7194"},"modified":"2023-03-27T19:59:24","modified_gmt":"2023-03-27T22:59:24","slug":"supervisao-e-tematizacao-da-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-48\/supervisao-e-tematizacao-da-pratica\/","title":{"rendered":"Supervis\u00e3o e tematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<h5>Rela\u00e7\u00e3o entre formadores, coordenadores e professores favorece a reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica e fortalece v\u00ednculos<\/h5>\n<p>A ideia de forma\u00e7\u00e3o continuada est\u00e1 relacionada a diversas aprendizagens dos alunos, dos professores, dos coordenadores pedag\u00f3gicos e de n\u00f3s, formadores das equipes t\u00e9cnicas dos munic\u00edpios. Nesse processo, h\u00e1 algumas estrat\u00e9gias que permitem aos educadores refletir sobre a pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Olhar distanciadamente para o trabalho possibilita o desenvolvimento pessoal e profissional e a constru\u00e7\u00e3o de novos saberes, t\u00e3o necess\u00e1rios ao di\u00e1logo, \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 discuss\u00e3o acerca do conhecimento.<\/p>\n<p>Durante dois anos de forma\u00e7\u00e3o do Programa Al\u00e9m das Letras no munic\u00edpio de Ariquemes, em Rond\u00f4nia, in\u00fameras a\u00e7\u00f5es foram implementadas para qualifica\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de coordenadores e de professores. Dentre elas, destacam-se as visitas de supervis\u00e3o \u00e0s escolas municipais. Um dos objetivos desse trabalho \u00e9 fortalecer mais pontualmente a rela\u00e7\u00e3o entre formador e coordenador pedag\u00f3gico, uma vez que o atendimento \u00e9 individual, o que diferencia esse momento dos encontros de forma\u00e7\u00e3o com o grupo todo. Nesses encontros, busca-se auxiliar o professor a refletir sobre sua pr\u00e1tica, contribuindo para a qualifica\u00e7\u00e3o do processo de ensino e aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Primeiros desafios<\/strong><br \/>\nAs primeiras visitas n\u00e3o foram f\u00e1ceis. <!--more--><\/p>\n<p>Acompanhar os coordenadores de 23 escolas foi o primeiro desafio. Os formadores tiveram de se organizar para acompanhar mais de perto as pr\u00e1ticas docentes e realizar interven\u00e7\u00f5es adequadas. Resolvida essa situa\u00e7\u00e3o, evidenciamos outra problem\u00e1tica: para muitos coordenadores, a presen\u00e7a de um t\u00e9cnico da secretaria e do formador era entendida como uma fiscaliza\u00e7\u00e3o do seu trabalho.<\/p>\n<p>Como resolver essa situa\u00e7\u00e3o foi um dos nossos primeiros questionamentos. Diante desse problema, apresentamos uma a\u00e7\u00e3o com base nas ideias, concep\u00e7\u00f5es e dificuldades observadas nas escolas sobre as pr\u00e1ticas em sala de aula. O que significa isso? Significa aproximar o formador do coordenador, fazendo-o perceber que ele pode contar com um parceiro no ambiente escolar, um correspons\u00e1vel pelo ensino e aprendizagem, que igualmente se preocupa em saber como as crian\u00e7as est\u00e3o aprendendo e como os professores est\u00e3o ensinando.<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia da media\u00e7\u00e3o dos saberes para ajudar o coordenador a refletir acerca da pr\u00e1tica do professor. Essa intera\u00e7\u00e3o com o coordenador, al\u00e9m de criar um v\u00ednculo de confian\u00e7a, fortaleceu o espa\u00e7o de reflex\u00e3o. Hoje podemos dizer que os formadores s\u00e3o esperados, pois quando h\u00e1 supervis\u00e3o \u00e9 comum os coordenadores terem as d\u00favidas registradas, tanto as formuladas pelos professores nos encontros de forma\u00e7\u00e3o quanto as compartilhadas durante a observa\u00e7\u00e3o em sala de aula.<\/p>\n<p>A maneira de conduzir os encontros de forma\u00e7\u00e3o possibilitou a consolida\u00e7\u00e3o dessa parceria, sempre atenta \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de profissionais capazes de olhar para o seu dia a dia e dele extrair novas aprendizagens. Nesses encontros, procurou-se valorizar os saberes dos profissionais, assumindo como ponto de partida as dificuldades surgidas, optando por estrat\u00e9gias que privilegiassem o desenvolvimento do grupo. Tarefa bastante dif\u00edcil, pois muitos esperavam ouvir o que deveriam fazer, ao inv\u00e9s de propor uma reflex\u00e3o sobre como impulsionar algumas mudan\u00e7as e por qu\u00ea faz\u00ea-las.<\/p>\n<p>Talvez muitos imaginassem um encontro em que o formador apenas transmitisse informa\u00e7\u00f5es ou oferecesse atividades prontas. Nesse processo foi fundamental analisar o que ajudaria o grupo de professores a caminhar. Isso foi poss\u00edvel por meio de leitura de textos, de discuss\u00e3o, da an\u00e1lise de bons modelos de pr\u00e1ticas, troca de ideias e experi\u00eancias. Dessa forma, a supervis\u00e3o foi desfazendo a ideia inicial de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que os coordenadores se formavam, eles perceberam que o formador tamb\u00e9m se tornava aprendiz da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o. Assim como o professor deve planejar o que ser\u00e1 ensinado, os formadores precisavam planejar o que fariam nesses encontros, elaborando as pautas antecipadamente para promover discuss\u00f5es e reflex\u00f5es sobre algumas dificuldades apresentadas nas pr\u00e1ticas em sala de aula.<\/p>\n<p><strong>Elabora\u00e7\u00e3o das pautas<\/strong><br \/>\nPara a elabora\u00e7\u00e3o das pautas era preciso determinar o foco, definir o que seria abordado. O conte\u00fado a ser discutido n\u00e3o era escolhido de maneira aleat\u00f3ria. Consideravam-se os problemas mais comuns dos espa\u00e7os escolares: organiza\u00e7\u00e3o da rotina do professor e do coordenador, papel do coordenador como formador, observa\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica em sala de aula. Todos estiveram em constante aprendizagem.<\/p>\n<p>Da elabora\u00e7\u00e3o das pautas \u00e0 sua conclus\u00e3o, contou-se com uma parceira experiente, a consultora Renata Frauendorf<sup>1<\/sup>. Ela orientou o grupo em rela\u00e7\u00e3o ao qu\u00ea e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o para que esse espa\u00e7o n\u00e3o se resumisse a queixas e reclama\u00e7\u00f5es ou a um encontro transmissivo apenas. Suas devolutivas elucidavam os encaminhamentos, tornando as formadoras mais seguras com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas. A seguir, a pauta do \u00faltimo encontro de supervis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>Pauta de supervis\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Objetivos<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Tematizar a pr\u00e1tica dos professores sobre a atividade de reescrita por meio de v\u00eddeos produzidos pelas escolas.<\/li>\n<li>Identificar os avan\u00e7os dos professores uma vez que se trata de uma segunda sequ\u00eancia de filmagem.<\/li>\n<li>Planejar com o coordenador a devolutiva com a\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o apoiar o professor filmado a aprimorar a proposta de reescrita.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Conte\u00fados<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica de reescrita.<\/li>\n<li>Estrat\u00e9gia formativa<\/li>\n<li>Tematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Encaminhamentos<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Assistir aos v\u00eddeos antes do encontro de supervis\u00e3o e analisar o planejamento do professor que foi filmado para fazer as poss\u00edveis interven\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Planejar a tematiza\u00e7\u00e3o ao eleger o foco a ser discutido, assim como as quest\u00f5es disparadoras de reflex\u00e3o.<\/li>\n<li>Agendar com os coordenadores as visitas \u00e0s escolas.<\/li>\n<li>Solicitar para os coordenadores: computador com caixas de som para assistir aos v\u00eddeos.<\/li>\n<li>Solicitar aos coordenadores que assistam ao v\u00eddeo e elejam pontos a serem discutidos com os formadores, tendo por foco a a\u00e7\u00e3o da professora.<\/li>\n<li>Ouvir atentamente e registrar as explica\u00e7\u00f5es que os coordenadores far\u00e3o durante o encontro de supervis\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Desenvolvimento<\/strong><br \/>\n<strong>Proposta 1 \u2013<\/strong> Tematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica<br \/>\nEssa proposta depender\u00e1 de cada v\u00eddeo ou de cada situa\u00e7\u00e3o de reescrita, pois sabemos que as problem\u00e1ticas apresentadas pelas pr\u00e1ticas dos professores n\u00e3o s\u00e3o as mesmas, por isso esse momento contar\u00e1 muito com a conversa entre formador e coordenador para que, juntos, possam articular os conhecimentos te\u00f3ricos \u00e0 pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Sabemos que os problemas ser\u00e3o muitos em rela\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado, por isso resolvemos concentrar nosso olhar sobre o que os professores j\u00e1 sabem e o que precisam avan\u00e7ar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta. Para tanto, as quest\u00f5es para os coordenadores s\u00e3o:<\/p>\n<p>1. Quais s\u00e3o as observa\u00e7\u00f5es ou pontos que chamaram sua aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 a\u00e7\u00e3o da professora?<\/p>\n<p>2. Que conhecimentos a professora revela saber sobre a proposta de reescrita? O que ela ainda n\u00e3o sabe? Por qu\u00ea?<\/p>\n<blockquote><p><strong>FL:<\/strong> Acreditamos que essa quest\u00e3o provocar\u00e1 muita reflex\u00e3o sobre interven\u00e7\u00f5es do professor, fun\u00e7\u00e3o comunicativa, situa\u00e7\u00f5es em trabalho coletivo, em dupla ou individual, professor como escriba, comportamento escritor, escolha de um bom texto para reescrita&#8230; enfim, discutiremos muito sobre as condi\u00e7\u00f5es oferecidas, mas n\u00e3o podemos definir o que seria para cada v\u00eddeo; tudo depender\u00e1 das situa\u00e7\u00f5es filmadas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Durante essa conversa, podemos apontar alguns problemas relacionados ao planejamento e \u00e0 pr\u00e1tica do professor. Muitos indicam em seus planos de aula objetivos e conte\u00fados que n\u00e3o s\u00e3o evidenciados na pr\u00e1tica.<\/p>\n<blockquote><p><strong>C:<\/strong> \u00d3timo notarem isso. Tamb\u00e9m ser\u00e1 muito bom evidenciarem isso ao coordenador, pois muitas vezes ele n\u00e3o percebe esse descompasso. Seja por considerar que \u00e9 s\u00f3 para cumprir um requisito burocr\u00e1tico ou por n\u00e3o saber o que realmente pretende ser abordado em cada aula planejada pelo professor.<\/p><\/blockquote>\n<p>3. Como reconceitualizar a pr\u00e1tica de reescrita com o professor? O que \u00e9 preciso discutir com ele para que possa qualificar a atividades de reescrita?<\/p>\n<p><strong>Proposta 2 \u2013<\/strong> Avalia\u00e7\u00e3o<br \/>\nPor ser a \u00faltima supervis\u00e3o, consideramos importante que apontem qualidades e problemas apresentados sobre a tematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica.<\/p>\n<div id=\"attachment_7196\" style=\"width: 540px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/munic.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7196\" class=\"size-full wp-image-7196\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/munic.jpg\" alt=\"FOTO: Eliane Teixeira de Ara\u00fajo\" width=\"530\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/munic.jpg 530w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/munic-300x215.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7196\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: Eliane Teixeira de Ara\u00fajo<\/p><\/div>\n<p>Contudo, \u00e9 sabido que n\u00e3o basta uma boa pauta, \u00e9 preciso relacionar boas estrat\u00e9gias para promo\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o. Nesse processo formativo, nos apoiamos em v\u00e1rias estrat\u00e9gias, especialmente a tematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica, nosso carro-chefe nessas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Tematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica<\/strong><br \/>\nSegundo Lerner, Torres e Cuter<sup>2<\/sup>, \u201ca finalidade da an\u00e1lise de situa\u00e7\u00f5es de sala de aula sempre \u00e9 a aprendizagem e n\u00e3o a avalia\u00e7\u00e3o do que o professor fez ou deixou de fazer na aula registrada. Tanto nas situa\u00e7\u00f5es em que s\u00e3o analisadas as aulas originadas em outros contextos como naquelas em que se reflete sobre a pr\u00f3pria pr\u00e1tica, os formadores prop\u00f5em quest\u00f5es que permitem observar de que maneira o conte\u00fado se apresenta na aula, como se desenvolvem as intera\u00e7\u00f5es dos alunos com o conte\u00fado \u2013 e entre si na rela\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado \u2013 quais s\u00e3o as interven\u00e7\u00f5es do professor e que avan\u00e7os se observam nas aprendizagens dos alunos.<\/p>\n<p>Trata-se de pensar a pr\u00e1tica como um objeto do conhecimento complexo, no qual \u00e9 poss\u00edvel considerar diversos aspectos que podem ser recortados do contexto espec\u00edfico (&#8230;) e que podem ser caracterizados e previstos como vari\u00e1veis que devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o no momento do planejamento e da concretiza\u00e7\u00e3o de novas situa\u00e7\u00f5es de ensino.\u201d Para isso, \u201c\u00e9 preciso conseguir captar os pontos centrais e saber onde se quer colocar o olhar do professor, de maneira a desencadear uma reflex\u00e3o importante. Ao se analisar uma aula, deve-se levantar quest\u00f5es que ajudem a promover uma discuss\u00e3o, de tal modo que os conte\u00fados did\u00e1ticos \u2018circulem\u2019: fala-se deles porque se tornaram observ\u00e1veis aos professores.\u201d Sabe-se que fazer dessa estrat\u00e9gia uma ferramenta de reflex\u00e3o do coordenador \u00e9 um grande desafio.<\/p>\n<p>Para essa tematiza\u00e7\u00e3o, indicamos as seguintes a\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>Orienta\u00e7\u00e3o da tarefa \u2013 \u00e9 a primeira a\u00e7\u00e3o antes do encontro de supervis\u00e3o. Indicamos um prazo adequado para o planejamento da a\u00e7\u00e3o com o professor e filmagem da situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica. \u00c9 preciso que o formador defina o conte\u00fado a ser abordado. Para isso, \u00e9 essencial considerar os conte\u00fados que s\u00e3o discutidos na forma\u00e7\u00e3o para que juntos possamos ter refer\u00eancias te\u00f3ricas.<\/li>\n<li>An\u00e1lise dos materiais recebidos \u2013 esse \u00e9 um processo longo, pois antes de marcar a supervis\u00e3o, todos assistimos aos v\u00eddeos enviados pelos coordenadores. Esse procedimento exige pensar como ajudar o coordenador a encaminhar reflexivamente esse momento com o professor. Ainda na an\u00e1lise, elaboramos boas perguntas para promover discuss\u00f5es sobre o objeto de estudo. Embora o conte\u00fado solicitado para filmagem seja comum a todos, na pr\u00e1tica, os problemas mostram-se, \u00e0s vezes, muito diferentes.<\/li>\n<li>Realiza\u00e7\u00e3o do encontro de supervis\u00e3o \u2013 procuramos organizar os momentos de supervis\u00e3o imediatamente ap\u00f3s o encontro de forma\u00e7\u00e3o do Programa. Agendamos anteriormente com os coordenadores para que se organizem nas escolas, para que no dia combinado para a visita eles n\u00e3o estejam envolvidos com outras a\u00e7\u00f5es que lhes competem.<\/li>\n<li>Encaminhamentos \u2013 para tematizar as situa\u00e7\u00f5es filmadas, convidamos cada coordenador a assistir ao v\u00eddeo e pensar sobre os procedimentos adotados pelos professores. Nesse processo, s\u00e3o necess\u00e1rios alguns cuidados, como saber ouvir atentamente e registrar as falas dos coordenadores. A princ\u00edpio, os deixamos \u00e0 vontade para falar sobre o que pensam, o que observam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o filmada. Durante as conversas, vamos observando como eles relacionam os conhecimentos te\u00f3ricos \u00e0s pr\u00e1ticas de sala de aula. Para tematizar a pr\u00e1tica, \u00e9 preciso garantir que todos os envolvidos nesse processo tenham refer\u00eancias te\u00f3ricas para poder analisar e resolver situa\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m refletir sobre a melhor forma de orientar as aprendizagens dos alunos. No in\u00edcio, procuramos sempre evidenciar os pontos positivos, em vez de propor reflex\u00e3o sobre o que precisa ser aperfei\u00e7oado na pr\u00e1tica de sala de aula. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que os coordenadores nos tenham como modelo para que,assim, fa\u00e7am o mesmo com os professores, evitando aspectos meramente avaliativos. Por fim, ap\u00f3s construirmos o que deve ser observado, relacionamos algumas a\u00e7\u00f5es para que os coordenadores possam auxiliar os professores no aperfei\u00e7oamento de suas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas.<\/li>\n<li>Devolutiva ao professor \u2013 ap\u00f3s a nossa devolutiva aos coordenadores, propomos que eles fa\u00e7am o mesmo com os professores. Por meio das reflex\u00f5es geradas pela tematiza\u00e7\u00e3o, os professores refinam suas pr\u00e1ticas de leitura em voz alta e de produ\u00e7\u00e3o de textos. A utiliza\u00e7\u00e3o dessa estrat\u00e9gia formativa tem resgatado a figura do coordenador nas institui\u00e7\u00f5es como um profissional que coloca em jogo a reflex\u00e3o do professor para ajud\u00e1-lo a avan\u00e7ar em sua pr\u00e1tica.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nA partir de ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel dizer que foi dado o pontap\u00e9 inicial para a constru\u00e7\u00e3o de uma escola reflexiva, como aponta a pesquisadora Isabel Alarc\u00e3o: \u201cA minha convic\u00e7\u00e3o \u00e9 que, se queremos mudar a escola, temos de a assumir como organismo vivo, din\u00e2mico, capaz de atuar em situa\u00e7\u00e3o, de interagir e desenvolver-se ecologicamente, e de, nesse processo, aprender e construir conhecimento sobre si pr\u00f3pria. Poderemos ent\u00e3o falar de uma epistemologia da vida da escola. E de uma escola em desenvolvimento e aprendizagem permanentes\u201d.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o dessa estrat\u00e9gia surgiu da necessidade de se criar mecanismos de reflex\u00e3o sobre as a\u00e7\u00f5es dos professores. Perceb\u00edamos que, embora discut\u00edssemos os conte\u00fados e reflet\u00edssemos sobre eles nas forma\u00e7\u00f5es com os coordenadores, era preciso algo mais, como bem cita Rosa Maria: \u201cAquele que semeia sem revolver a terra consegue, no m\u00e1ximo, espalhar as sementes sobre a superf\u00edcie, sem esperan\u00e7a de que algum dia criem ra\u00edzes, cres\u00e7am e deem frutos<sup>4<\/sup>.\u201d Consideramos que as forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o as sementes que plantamos e as supervis\u00f5es, o revolvimento da terra para que os frutos brotados sejam de qualidade.<\/p>\n<p>(Claudiene Dias da Silva e Sandra da Silva Duarte, coordenadoras pedag\u00f3gicas da Secretaria Municipal de Ariquemes-RO e formadoras dos programas Al\u00e9m das Letras e Al\u00e9m dos N\u00fameros, ambos do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Renata Frauendorf \u00e9 formadora do Instituto Avisa L\u00e1, em S\u00e3o Paulo\u2013SP<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>LERNER, Delia; TORRES, Mirta e CUTER, Maria Elena. A tematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica na sala de aula. In. CARDOSO, Bia (org). Ensinar: tarefa para profissionais. Rio de Janeiro: Record, 2007. Tel.: (021) 2585-2000. Site: www.record.com.br.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Escola Reflexiva e Supervis\u00e3o: Uma escola em desenvolvimento e aprendizagem, de Isabel Alarc\u00e3o. Porto: Porto Editora, 2001. Site: www.portoeditora.pt.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Itiner\u00e1rios pela educa\u00e7\u00e3o latino-americana: caderno de viagem, de Rosa Maria Torres. Porto Alegre: Artmed, 2001. p. 306. Tel.: 0800 703 3444 Site: www.artmed.com.br.<\/p>\n<h4>Tarefa<\/h4>\n<p>Propor nova filmagem para tematizar a pr\u00e1tica do professor nos encontros de supervis\u00e3o. Para isso, seguir as orienta\u00e7\u00f5es indicadas:<\/p>\n<ul>\n<li>a) Escolher o mesmo professor cuja pr\u00e1tica tenha sido discutida anteriormente no encontro de supervis\u00e3o.<\/li>\n<li>b) Esclarecer novamente que a filmagem n\u00e3o tem finalidade avaliativa.<\/li>\n<li>c) Planejar com o professor uma situa\u00e7\u00e3o de reescrita.<\/li>\n<li>d) Filmar o professor desenvolvendo a atividade, destacando trechos interessantes para a tematiza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>e) Entregar para o formador local o v\u00eddeo e o planejamento produzidos para que ele possa assisti-lo e analis\u00e1-lo, pensando nas quest\u00f5es que poder\u00e3o ser discutidas com base nesse material.<\/li>\n<li>f) O prazo para entrega dos materiais (planejamento e v\u00eddeo) \u00e9 at\u00e9 o fim de agosto. As tematiza\u00e7\u00f5es ser\u00e3o realizadas no in\u00edcio de setembro.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Programa: Al\u00e9m das Letras<br \/>\nCoordenadora: Beatriz Gouveia<br \/>\nConsultora: Renata Frauendorf<br \/>\nEmail: rfrauendorf@globo.com<br \/>\nFormadoras Locais: Claudiene Dias da Silva e Sandra da Silva Duarte<br \/>\nE-mails: sandrasemed@hotmail.com e claudieneds@hotmail.com<br \/>\nResponsabilidade t\u00e9cnica: Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\nDesenvolvimento: Secretaria Municipal de Ariquemes \u2013 RO<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua M\u00e9xico, 932 St 10 \u2013 Ariquemes \u2013 RO \u2013 CEP 78933-425 \u2013 Tel.: (69) 3535-3891<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Ensinar: tarefa para profissionais, de Bia Cardoso (org.). Rio de Janeiro: Record, 2007. Tel.: (21) 2585-2000 Site: www.record.com.br.<\/li>\n<li>Escola Reflexiva e Supervis\u00e3o: uma escola em desenvolvimento e aprendizagem, de Isabel Alarc\u00e3o. Porto: Porto Editora, 2001. Site: www.portoeditora.pt.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rela\u00e7\u00e3o entre formadores, coordenadores e professores favorece a reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica e fortalece v\u00ednculos. 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