{"id":7177,"date":"2011-11-14T15:31:31","date_gmt":"2011-11-14T17:31:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7177"},"modified":"2023-03-27T19:59:11","modified_gmt":"2023-03-27T22:59:11","slug":"a-vida-de-um-pipoqueiro-e-a-competencia-para-ler-e-escrever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/a-vida-de-um-pipoqueiro-e-a-competencia-para-ler-e-escrever\/","title":{"rendered":"A vida de um pipoqueiro e a compet\u00eancia para ler e escrever"},"content":{"rendered":"<h5>Ao coletar com os alunos a hist\u00f3ria de vida do pipoqueiro, \u201cSeu Roque\u201d, a professora de uma escola p\u00fablica ajudou a ampliar horizontes, refor\u00e7ou la\u00e7os com a comunidade, proporcionou momentos de prazer e contribuiu com o desenvolvimento de novas compet\u00eancias das crian\u00e7as<\/h5>\n<div id=\"attachment_7180\" style=\"width: 274px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7180\" class=\"size-full wp-image-7180\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu11.jpg\" alt=\"Arquivo Museu da Pessoa\" width=\"264\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu11.jpg 264w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu11-244x300.jpg 244w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7180\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo Museu da Pessoa<\/p><\/div>\n<p>Duas a\u00e7\u00f5es simples e \u00f3bvias que, conjugadas, t\u00eam o poder de introduzir inova\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas que contribuem para uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade e para uma sociedade mais democr\u00e1tica. De um lado, a busca e o registro de hist\u00f3rias de vida; de outro, ler e escrever na escola com sentido e significado. Surgiu assim, h\u00e1 10 anos, o Programa Mem\u00f3ria Local na Escola, fruto da parceria entre o Museu da Pessoa (ver texto abaixo), que se dedica a coletar, registrar e disseminar hist\u00f3rias de vida, e o Instituto Avisa L\u00e1, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que trabalha com forma\u00e7\u00e3o de profissionais de educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de compet\u00eancias leitoras e escritoras dos alunos.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<blockquote><p>\u201cPertencemos a um grupo n\u00e3o apenas porque nele nascemos, n\u00e3o porque professemos pertencer, nem finalmente porque a ele prestamos nossa lealdade e obedi\u00eancia, mas principal mente porque vemos o mundo e certas coisas no mundo do mesmo modo que o grupo os v\u00ea&#8230;\u201d<sup>1<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Todo ser humano, an\u00f4nimo ou c\u00e9lebre, tem o direito de eternizar e integrar sua hist\u00f3ria \u00e0 mem\u00f3ria social.<\/p>\n<blockquote><p>Apresenta\u00e7\u00e3o<br \/>\nFundado em S\u00e3o Paulo em 1991, o Museu da Pessoa atua para registrar, preservar e transformar em informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rias de pessoas e grupos de toda a sociedade. Sua miss\u00e3o \u00e9 ser um museu virtual, aberto e colaborativo, que transforma hist\u00f3rias de vida de toda e qualquer pessoa em fonte de conhecimento, compreens\u00e3o e conex\u00e3o entre pessoas e povos. Por meio de metodologias pr\u00f3prias capta, organiza e edita conte\u00fados disseminados em publica\u00e7\u00f5es, programas de r\u00e1dio, TV, exposi\u00e7\u00f5es e no portal www.museudapessoa.net. Nesse per\u00edodo, inspirou a cria\u00e7\u00e3o de 3 museus similares fora do Brasil (Canad\u00e1, Estados Unidos da Am\u00e9rica e Portugal), articulou uma rede de mem\u00f3ria voltada para o desenvolvimento cultural e social do Pa\u00eds, lidera campanhas nacionais e internacionais para a valoriza\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias de vida e sistematiza e dissemina sua metodologia para escolas.<\/p>\n<p>Atualmente, o Museu da Pessoa tem um acervo \u00fanico com cerca de 14 mil hist\u00f3rias, que narram a hist\u00f3ria do Brasil nos \u00faltimos 100 anos. S\u00e3o 200 projetos realizados, 46 livros publicados e uma m\u00e9dia de 480 mil visitantes \u00fanicos por ano no portal.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ler e escrever para fazer o dever, para passar na prova, para fazer o vestibular tem sido, desde muito tempo, os imperativos que parecem condenar o trabalho com leitura e escrita na escola a um empobrecimento fatal. As dimens\u00f5es pol\u00edticas, sociais e culturais, o prazer e os sentidos que a palavra escrita pode proporcionar aos alunos precisam ser recuperados no dia a dia da sala de aula.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio da palavra escrita \u00e9 um direito dos cidad\u00e3os do mundo contempor\u00e2neo; influencia as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, o trabalho os modos de produ\u00e7\u00e3o, a capacidade de ouvir e de estabelecer di\u00e1logos. Mas para que haja a apropria\u00e7\u00e3o da escrita \u00e9 necess\u00e1rio que as atividades escolares fa\u00e7am sentido para os alunos. Ao recolher hist\u00f3rias de vida de pessoas da sua comunidade para registr\u00e1-las pela escrita e por meio do desenho, os estudantes se envolvem de forma afetiva e pedag\u00f3gica em uma produ\u00e7\u00e3o que transcende os muros da escola. Hist\u00f3ria de vida, ler e escrever bem se casam perfeitamente quando se busca sentido nas atividades escolares.<\/p>\n<div id=\"attachment_7181\" style=\"width: 464px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7181\" class=\"size-full wp-image-7181\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu12.jpg\" alt=\"Moradores da cidade visitam a exposi\u00e7\u00e3o   dos trabalhos realizados durante o projeto (arquivo Museu da Pessoa)\" width=\"454\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu12.jpg 454w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu12-300x211.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7181\" class=\"wp-caption-text\">Moradores da cidade visitam a exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhos realizados durante o projeto (arquivo Museu da Pessoa)<\/p><\/div>\n<p><strong>Por que mem\u00f3ria oral na escola?<\/strong><br \/>\nCada sociedade possui um repert\u00f3rio referente \u00e0quilo que conhece. Cada sociedade tamb\u00e9m tem determinada forma de sistematizar e transmitir esse saber. A escola, em nossa sociedade, \u00e9 certamente o lugar onde esse conhecimento oficial \u00e9 acumulado e difundido. Na escola, a Hist\u00f3ria \u00e9 a disciplina que mais cumpre essa fun\u00e7\u00e3o. Por meio dos conte\u00fados transmitidos e repetidos ao longo dos anos, os alunos v\u00e3o incorporando sistemas de pensamento, valores e constituindo uma mem\u00f3ria comum. Por mais que acreditemos que os conte\u00fados referem-se ao passado, as narrativas hist\u00f3ricas escolares s\u00e3o formas de moldar o presente, de criar, al\u00e9m de uma mem\u00f3ria coletiva, o sentido de pertencimento e coes\u00e3o social.<\/p>\n<p>Assim, a escola \u00e9 o ambiente mais adequado para se construir novas percep\u00e7\u00f5es da sociedade e se trabalhar a constru\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o de valores que perpetuam e\/ou mudam a din\u00e2mica social. Mas que valores e percep\u00e7\u00f5es um programa como esse pode transformar?<\/p>\n<p>As narrativas de vida resultam das formas com que cada indiv\u00edduo articula e d\u00e1 significado \u00e0s suas experi\u00eancias. S\u00e3o, nesse sentido, um ponto de encontro entre o tempo hist\u00f3rico comum e a singularidade de cada um. A entrevista a uma \u00fanica pessoa, realizada na escola por um grupo de alunos, provoca uma conex\u00e3o bastante profunda entre entrevistadores e o entrevistado. Ao longo desses anos n\u00e3o paramos de nos maravilhar com os in\u00fameros desdobramentos que esse contato \u2013 a entrevista \u2013 provoca nos alunos, professores e em toda a comunidade. A seguir, alguns desses principais impactos:<\/p>\n<ul>\n<li>Conex\u00e3o intergeracional: quando uma pessoa idosa (muitas vezes o convidado \u00e9 algu\u00e9m mais velho da comunidade) retoma sua pr\u00f3pria vida, ao ser estimulada pelas perguntas dos alunos, torna-se outra pessoa para seus interlocutores. Torna-se uma PESSOA. Os sonhos de inf\u00e2ncia, as brincadeiras, os castigos escolares, a cidade, e todas as experi\u00eancias narradas levam os alunos, de forma l\u00fadica, a descobrirem as transforma\u00e7\u00f5es no tempo. Cria um interesse real pela pessoa e transforma seus olhares sobre outras gera\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Revis\u00e3o do fazer hist\u00f3rico: os personagens hist\u00f3ricos tradicionais apresentados na escola s\u00e3o seres distantes e abstratos. Presentes em nomes de rua, nomes de escolas e nas narrativas dos livros did\u00e1ticos, tornam-se quase objetos inanimados. A experi\u00eancia de descobrir a hist\u00f3ria de um lugar por meio da escuta de uma pessoa comum \u00e9 altamente reveladora. Traz a hist\u00f3ria para o presente e transforma os alunos e professores em autores de novas narrativas hist\u00f3ricas. Torna-os produtores de conte\u00fado e faz com que o entorno e as pessoas que o comp\u00f5em (incluindo os membros da pr\u00f3pria fam\u00edlia) sejam valorizados. Essa percep\u00e7\u00e3o muda o olhar que a escola tem acerca de sua comunidade e transforma os alunos, que percebem novas formas de construir as mem\u00f3rias de seu entorno.<\/li>\n<li>Democratiza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e o valor das pessoas: quando come\u00e7amos o projeto, encontramos uma s\u00e9rie de iniciativas de registro de hist\u00f3rias muito interessantes nas escolas. In\u00fameras festas populares eram pesquisadas, e as entrevistas com personagens da sociedade local que dominavam esses saberes, em muitos lugares, era uma pr\u00e1tica adotada por professores. No entanto, o Programa Mem\u00f3ria Local na Escola tem o firme prop\u00f3sito de fazer com que alunos e professores percebam e valorizem as hist\u00f3rias das pessoas, independente das categorias que elas possam representar socialmente. As pessoas n\u00e3o s\u00e3o apenas informantes ou representantes de fatos, festas, saberes. A transforma\u00e7\u00e3o se d\u00e1 quando se consegue olhar o outro por si mesmo. Perceber o que ele tem de \u00fanico e descobrir como ele vive e d\u00e1 significado \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o social e ao seu tempo hist\u00f3rico. Por isso, cada turma entrevista UMA \u00daNICA pessoa. Por isso, os roteiros de perguntas s\u00e3o constru\u00eddos com base nas curiosidades das crian\u00e7as e com o firme prop\u00f3sito de serem \u201croteiros de viagem\u201d. Uma \u201cviagem\u201d pela vida e pelo olhar do outro. Isso modifica o olhar. Isso amplia o respeito e provoca a curiosidade, qualidade valiosa que deve ser estimulada na escola.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por isso, mem\u00f3ria oral na escola \u00e9 um programa que transcende a pr\u00f3pria disciplina Hist\u00f3ria e as demais pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. \u00c9 um programa que tem o potencial de TRANSFORMAR valores de todos aqueles que comp\u00f5em a comunidade escolar.<\/p>\n<div id=\"attachment_7182\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7182\" class=\"size-full wp-image-7182\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu13.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as apresentam os livros artesanais produzidos (arquivo Museu da Pessoa)\" width=\"470\" height=\"328\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu13.jpg 470w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu13-300x209.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7182\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as apresentam os livros artesanais produzidos (arquivo Museu da Pessoa)<\/p><\/div>\n<p><strong>A metodologia conjunta<\/strong><br \/>\nPara duas organiza\u00e7\u00f5es sociais com trajet\u00f3rias exitosas e reconhecidas sa\u00edrem da zona de conforto e criarem conjuntamente uma metodologia de a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi tarefa simples. Em breve an\u00e1lise de trajet\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o da metodologia \u00e9 poss\u00edvel destacar pontos relevantes no processo:<\/p>\n<ul>\n<li>As duas institui\u00e7\u00f5es possu\u00edam um consistente e bem fundamentado objetivo de contribuir para a transforma\u00e7\u00e3o social, visando a uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria.<\/li>\n<li>O objetivo de contribuir com uma escola de qualidade e a vontade de propor inova\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas estiveram presentes desde o in\u00edcio, assim como apoiar uma rela\u00e7\u00e3o diferenciada com a comunidade.<\/li>\n<li>A articula\u00e7\u00e3o entre diferentes parceiros \u2013 empresas, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e poder p\u00fablico local, no caso, as Secretarias de Educa\u00e7\u00e3o \u2013 provou fortalecer as a\u00e7\u00f5es locais, dar continuidade e escala ao trabalho.<\/li>\n<\/ul>\n<p>(Karen Worcman, diretora-presidente do Museu da Pessoa e Silvia Pereira de Carvalho, coordenadora executiva do Instituto Avisa L\u00e1, ambos em S\u00e3o Paulo \u2013 SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Ideologia e utopia, de Karl Manheim. Rio de Janeiro: Zahar, 1968, p.49. Tel.: (21) 2529-47-50. Site: www.zahar.com.br<\/p>\n<p><strong>Pipoqueiro em Indaiatuba<\/strong><br \/>\nPara ajudar o marido, Dona Zenita come\u00e7ou a costurar para fora; fazia roupas e consertos. Seu Roque trabalhou como seguran\u00e7a em v\u00e1rias firmas na cidade de Indaiatuba, em S\u00e3o Paulo. Ele se aposentou aos 43 anos na firma Singer, f\u00e1brica de agulhas. Com o dinheiro que recebeu do Fundo de Garantia, resolveu comprar um carrinho de pipocas. Sua esposa n\u00e3o gostou muito, pois n\u00e3o achava garantido, mas ele insistiu. Por\u00e9m, foi com o dinheiro da pipoca vendida nos port\u00f5es de escolas que sua vida mudou. Com esse dinheiro, ele garantiu inclusive a faculdade dos filhos Eug\u00eanio, formado em Engenharia Eletr\u00f4nica, e da filha, graduada em Pedagogia.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as o chamavam de \u201ctio\u201d ou \u201cseu Z\u00e9\u201d. Todas gostavam dele, especialmente pela simplicidade e bondade. Quando alguma crian\u00e7a estava sem nenhum dinheirinho, mas queria alguma coisa, ele sempre dava uma balinha ou um docinho para fazer a alegria da garotada. Durante 15 anos, vendeu pipocas, doces e balinhas. Ele conta que o segredo da pipoca salgada \u00e9 ela estar quentinha, da\u00ed todo mundo compra. J\u00e1 com a pipoca doce, o segredo \u00e9 outro, at\u00e9 hoje guardado consigo.<\/p>\n<p>(Texto elaborado pelas crian\u00e7as durante o Programa Mem\u00f3ria Local na Escola)<\/p>\n<h4>Mem\u00f3ria Local na Escola<\/h4>\n<div id=\"attachment_7183\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu14.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7183\" class=\"wp-image-7183 size-medium\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu14-199x300.jpg\" alt=\"Painel realizado pelo artista Renato Theoblado a partir dos trabalhos desenvolvidos pelas crian\u00e7as durante o programa (arquivo Museu da Pessoa)\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu14-199x300.jpg 199w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu14.jpg 351w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7183\" class=\"wp-caption-text\">Painel realizado pelo artista Renato Theoblado a partir dos<br \/>trabalhos desenvolvidos pelas crian\u00e7as durante o programa (arquivo Museu da Pessoa)<\/p><\/div>\n<p>O Programa Mem\u00f3ria Local na Escola \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o de professores para o registro da mem\u00f3ria de comunidades, envolvendo os alunos na capta\u00e7\u00e3o e na escrita das hist\u00f3rias dos moradores dos munic\u00edpios por meio da metodologia de registro da mem\u00f3ria oral. Ao ouvir, escrever, desenhar e recontar hist\u00f3rias de vida, as crian\u00e7as t\u00eam a oportunidade de se tornarem agentes de hist\u00f3ria de sua cidade.<\/p>\n<p>\u00c9 realizado pelo Museu da Pessoa e Instituto Avisa L\u00e1, desenvolvido junto \u00e0s escolas das redes p\u00fablicas do Ensino Fundamental de diferentes estados brasileiros, em parceira com secretarias municipais de educa\u00e7\u00e3o e de assist\u00eancia social, e secretarias estaduais de ensino, e conta com o patroc\u00ednio de empresas e institutos privados, alguns por meio da Lei Rouanet<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>O objetivo do Programa \u00e9 registrar a mem\u00f3ria de comunidades, envolvendo os alunos no resgate das hist\u00f3rias dos munic\u00edpios por meio da t\u00e9cnica de mem\u00f3ria oral, especialidade do Museu da Pessoa. Ao ouvirem, representarem, reproduzirem e recontarem hist\u00f3rias de vida, as crian\u00e7as t\u00eam a oportunidade de estreitar as rela\u00e7\u00f5es humanas na comunidade, com \u00eanfase em cidadania e na valoriza\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o comum. Ao registrarem, por meio da escrita em papel e na internet, as hist\u00f3rias coletadas, importantes aprendizagens ligadas \u00e0 leitura, escrita e oralidade acontecem.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A Lei no 8.313, de 1991, mais conhecida como Lei Rouanet, instituiu o Programa Nacional de Apoio \u00e0 Cultura (Pronac), que canaliza recursos para o desenvolvimento do setor cultural, com a finalidade de: estimular a produ\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o e o acesso aos produtos culturais, proteger e conservar o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e art\u00edstico; estimular a difus\u00e3o da cultura brasileira. Site: www.cultura.gov.br<\/p>\n<h3><strong>Mem\u00f3rias de Jovens e Adultos<\/strong><\/h3>\n<p>Quais as hist\u00f3rias, experi\u00eancias, expectativas, inten\u00e7\u00f5es, d\u00favidas e conquistas dos alunos que se matriculam em Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA)? Quais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre aquilo que lhes \u00e9 ensinado, que lembran\u00e7as evocam, que conhecimentos acessam?<\/p>\n<p>N\u00e3o basta apenas saber que essas pessoas, por diferentes motivos, n\u00e3o puderam concluir a escolaridade e, por isso, retornaram aos bancos das salas de aula. \u00c9 preciso atentar \u00e0s singularidades desse p\u00fablico, pensando em pr\u00e1ticas que contemplem as suas necessidades e n\u00e3o sejam apenas mera adapta\u00e7\u00e3o dos assuntos tratados com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O Programa Mem\u00f3ria Local na Escola \u2013 EJA, iniciado em Paul\u00ednia (2010) e em S\u00e3o Bernardo do Campo (2011), ambos munic\u00edpios do estado de S\u00e3o Paulo, prop\u00f5e o exerc\u00edcio de pr\u00e1ticas sociais de leitura e escrita para realizar a divulga\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias de vida dos alunos e da comunidade. Ao colocar os alunos como protagonistas das narrativas que escrevem, o programa d\u00e1 sentido ao aprendizado e torna os textos escritos instrumentos para compartilhar experi\u00eancias de vida e saberes acerca da l\u00edngua e da linguagem.<\/p>\n<div id=\"attachment_7184\" style=\"width: 453px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7184\" class=\"size-full wp-image-7184\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu15.jpg\" alt=\"Relato produzido por aluno do EJA\" width=\"443\" height=\"574\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu15.jpg 443w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu15-231x300.jpg 231w\" sizes=\"auto, (max-width: 443px) 100vw, 443px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7184\" class=\"wp-caption-text\">Relato produzido por aluno do EJA (arquivo Museu da Pessoa)<\/p><\/div>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o compartilhada desse projeto pedag\u00f3gico tem como principais objetivos: tornar a mem\u00f3ria dessas pessoas uma refer\u00eancia na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica e social da escola; potencializar a aprendizagem da leitura, da escrita e do desenho ao se valorizar o conhecimento dos alunos e da comunidade como saberes que se integram \u00e0s pr\u00e1ticas escolares. Ao ouvirem, representarem e recontarem hist\u00f3rias de vida, os alunos entram em contato com as pr\u00f3prias mem\u00f3rias e as de seus pares, ressignificando e estreitando as rela\u00e7\u00f5es interpessoais no ambiente da escola. A identifica\u00e7\u00e3o com esse lugar e a forma\u00e7\u00e3o de la\u00e7os afetivos fortalecem o sentimento de pertencimento dos alunos da EJA \u00e0 sua escola, contribuindo com o seu processo de aprendizagem.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os educadores t\u00eam a oportunidade de conhecer melhor quem s\u00e3o esses alunos que cotidianamente constroem a hist\u00f3ria de sua comunidade. Que mem\u00f3rias revelam seus modos de ser, ver e criar o mundo? Quais s\u00e3o suas experi\u00eancias, desejos e preocupa\u00e7\u00f5es? Com isso, o registro e a divulga\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias de pessoas da comunidade podem expressar uma diversidade de experi\u00eancias de vida que contribuem para a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura local.<\/p>\n<p>No que se refere aos objetivos gerais e conte\u00fados principais, o projeto desenvolvido com o primeiro segmento do Ensino Fundamental em EJA \u00e9 similar ao do ensino regular. Quanto \u00e0 metodologia do trabalho, no entanto, h\u00e1 uma diferen\u00e7a com os alunos jovens e adultos, na medida em que trabalham a partir das pr\u00f3prias hist\u00f3rias de vida produzidas por meio da realiza\u00e7\u00e3o da Roda de Hist\u00f3rias. As etapas do projeto nesse contexto Logo que iniciamos os encontros de forma\u00e7\u00e3o com os grupos de educadores e grupos de alunos, apresentamos a concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria e mem\u00f3ria sobre a qual nos baseamos, al\u00e9m dos prop\u00f3sitos e das etapas do projeto que implicam novo olhar sobre o conceito de hist\u00f3ria por meio do registro de hist\u00f3rias de vida de pessoas da comunidade local.<\/p>\n<p>No caso dos alunos de EJA, em sua grande maioria trabalhadores, a hist\u00f3ria da comunidade local tamb\u00e9m \u00e9 fruto de suas a\u00e7\u00f5es. Diante de nossa proposta, em Paul\u00ednia, os professores levantaram a hip\u00f3tese de que provavelmente encontrar\u00edamos resist\u00eancia entre os alunos, j\u00e1 que teriam uma expectativa de escola tradicional, valorizando a \u201clousa cheia\u201d e muitos exerc\u00edcios de c\u00f3pia, e de que desenhar e escrever hist\u00f3rias poderiam ser a\u00e7\u00f5es encaradas como perda de tempo. Tamb\u00e9m se mostraram preocupados com a pouca autonomia dos alunos para escrever textos. Em S\u00e3o Bernardo do Campo, a preocupa\u00e7\u00e3o maior esteve relacionada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de desenhos, o que poderia ser visto como uma atividade ligada apenas ao universo infantil.<\/p>\n<p>Apesar dessas expectativas iniciais, quando a proposta foi apresentada nas salas de aula<sup>1<\/sup>, a ideia de contar suas hist\u00f3rias para outras pessoas fez com que os alunos se sentissem valorizados e a recep\u00e7\u00e3o geral foi muito positiva. Considerando o contexto de EJA, as a\u00e7\u00f5es de registro, organiza\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias de vida da comunidade local foram realizadas com as hist\u00f3rias dos pr\u00f3prios alunos, encontrando espa\u00e7o para a socializa\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias de todos os que se envolveram no projeto.<\/p>\n<p><strong>As rodas de hist\u00f3rias<\/strong><br \/>\nDesenvolvemos o trabalho e muitas hist\u00f3rias foram contadas em diferentes rodas: roda de hist\u00f3ria do nome, de um objeto, roda de hist\u00f3ria da foto, de um epis\u00f3dio vivido<sup>2<\/sup>. De modo geral, os grupos trabalharam com a sequ\u00eancia de rodas descrita a seguir, considerando que cada grupo buscou adequar a proposta \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>A primeira roda realizou-se com a hist\u00f3ria do nome de cada um, quando contaram e ouviram a hist\u00f3ria das pessoas do grupo e come\u00e7aram a relacionar as mem\u00f3rias individuais com a mem\u00f3ria coletiva. Essa atividade proporcionou boa intera\u00e7\u00e3o e descontra\u00e7\u00e3o no grupo: quase todos quiseram falar, tinham muitas lembran\u00e7as para contar e v\u00e1rios momentos renderam boas risadas. Ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o da roda, os alunos escreveram seus nomes de diferentes maneiras.<\/p>\n<p>Depois, com a realiza\u00e7\u00e3o da roda de hist\u00f3rias da foto<sup>3<\/sup>, perceberam a import\u00e2ncia do registro escrito e da imagem como fontes hist\u00f3ricas. Com a roda de hist\u00f3rias, a partir de objetos importantes para eles, viram a diferen\u00e7a entre os objetos de status e os objetos biogr\u00e1ficos. Na realiza\u00e7\u00e3o da roda de hist\u00f3rias, em que cada participante escolheria um epis\u00f3dio de sua vida para compartilhar com o grupo, compreenderam que qualquer tema tem relev\u00e2ncia, desde que haja um significado importante para a pessoa naquele momento. Contaram como cada um deles sentiu e viveu aquele acontecimento, como foram afetados por ele e como viam a si mesmos inseridos nessa situa\u00e7\u00e3o. Contaram suas hist\u00f3rias de vida, suas dificuldades, esperan\u00e7as e aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao falarem das pr\u00f3prias experi\u00eancias e ao ouvirem os relatos com temas comuns a todos, como origem, migra\u00e7\u00e3o, trabalho etc., foram percebendo que, apesar das diferen\u00e7as individuais, todas as hist\u00f3rias t\u00eam pontos e situa\u00e7\u00f5es comuns ao coletivo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, perceberam que os aspectos singulares de cada hist\u00f3ria, somados \u00e0s outras, formam uma hist\u00f3ria coletiva, com significados mais amplos \u2013 sociais, pol\u00edticos e culturais \u2013, o que permite maior intera\u00e7\u00e3o nesses contextos.<\/p>\n<div id=\"attachment_7186\" style=\"width: 238px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu16.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7186\" class=\"wp-image-7186 size-medium\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu16-228x300.jpg\" alt=\"Desenho e relato produzido por aluno do EJA (arquivo Museu da Pessoa)\" width=\"228\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu16-228x300.jpg 228w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu16.jpg 322w\" sizes=\"auto, (max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7186\" class=\"wp-caption-text\">Desenho e relato produzido por aluno do EJA (arquivo Museu da Pessoa)<\/p><\/div>\n<p><strong>O registro e a socializa\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias<\/strong><br \/>\nMas como fazer para que registrassem as hist\u00f3rias relatadas? Como escolher um trecho da pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida para torn\u00e1-lo p\u00fablico, pensando nos diferentes sentidos que cada relato pode ter para cada pessoa com a qual ser\u00e1 compartilhado, seja divertindo, emocionando, informando, provocando \u2013 essencialmente, promovendo um novo olhar sobre o processo hist\u00f3rico que nos humaniza?<\/p>\n<p>Em Paul\u00ednia, pensamos nos desenhos como express\u00e3o gr\u00e1fica e na legenda como um bom texto para que avan\u00e7assem no trabalho. As propostas de desenho (autorretrato e desenho de uma cena da hist\u00f3ria \u2013 desenho de observa\u00e7\u00e3o e desenho de mem\u00f3ria) pautaram-se no uso da t\u00e9cnica mista: colagem, pintura, recortes, o que ajudou a superarem a inibi\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Os alunos escreveram legendas para os desenhos de cenas narradas por eles nas rodas e para fotos e autorretratos, trabalhando em duplas produtivas. Propusemos tamb\u00e9m a escrita coletiva de um texto que contasse a hist\u00f3ria do grupo naquele projeto, sendo a professora a escriba. No caso de S\u00e3o Bernardo do Campo, os alunos trabalharam de maneira parecida e finalizaram com a produ\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es-postais, que continham textos curtos e desenhos que expressavam a ess\u00eancia de cada hist\u00f3ria contada.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias do projeto no contexto de EJA resultaram bel\u00edssimas exposi\u00e7\u00f5es que revelaram o potencial do desenvolvimento do projeto nessa modalidade de ensino e colocaram em evid\u00eancia os saberes daquelas pessoas e comunidades. Tamb\u00e9m incentivamos o uso do ambiente virtual para a socializa\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias de vida produzidas pelos alunos no portal do Museu da Pessoa. O registro dessas hist\u00f3rias por meio das legendas e dos textos dos cart\u00f5es-postais, acompanhados de desenhos, implica um processo de reflex\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o nas experi\u00eancias de aprendizagem dos alunos. Em outras palavras, esses registros revelaram acontecimentos que formam cada uma daquelas pessoas e rela\u00e7\u00f5es individuais e coletivas que movimentam a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A roda de hist\u00f3ria da foto \u00e9 uma atividade de capta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias utilizada pelo Museu da Pessoa. Organizadas em roda, as pessoas escolhem uma foto pessoal e compartilham a hist\u00f3ria da foto com o grupo.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Em ambos os munic\u00edpios, realizamos o projeto de forma\u00e7\u00e3o com grupos de educadores, mas em Paul\u00ednia tamb\u00e9m trabalhamos diretamente com duas turmas de alunos observadas como refer\u00eancia para o desenvolvimento das etapas do projeto.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>S\u00e3o atividades de mem\u00f3ria diferentes com base na metodologia do Museu da Pessoa.<\/p>\n<p>(Cinthia Manzano e Maria Paula Gennari Twiaschor, formadoras do Instituto Avisa L\u00e1 e Marcia Trezza, formadora do Museu da Pessoa, ambos em S\u00e3o Paulo \u2013 SP)<\/p>\n<h3><strong>Produtos e processos do Programa Mem\u00f3ria Local<\/strong><\/h3>\n<h5>Por meio de exposi\u00e7\u00f5es, revistas, calend\u00e1rios, livros e outros suportes, projeto valoriza a hist\u00f3ria dos entrevistados e o trabalho dos alunos e professores<\/h5>\n<p>O trabalho com projetos did\u00e1ticos em educa\u00e7\u00e3o envolve sempre confec\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o de produtos finais. No Programa Mem\u00f3ria Local, a elabora\u00e7\u00e3o dos produtos abrange v\u00e1rias esferas. Com as crian\u00e7as, h\u00e1 um produto compartilhado em sala de aula, que \u00e9 a confec\u00e7\u00e3o de um livro artesanal sobre a hist\u00f3ria de vida do depoente ou sobre o processo da classe durante o programa \u2013 as atividades realizadas, os livros lidos, a prepara\u00e7\u00e3o e a execu\u00e7\u00e3o da entrevista. Ao compartilhar a realiza\u00e7\u00e3o desse produto, as situa\u00e7\u00f5es sequenciadas que constituem os projetos did\u00e1ticos de leitura e escrita tornam-se pr\u00e1ticas contextualizadas, que equilibram prop\u00f3sitos did\u00e1ticos (por qu\u00ea escrevem) e prop\u00f3sitos comunicativos (para quem escrevem). Ao longo do ano, as crian\u00e7as desenham, leem e escrevem muito nas atividades do Mem\u00f3ria Local e t\u00eam a clareza de que todas essas atividades culminam na produ\u00e7\u00e3o caprichada de um livro. Desde o in\u00edcio do trabalho, os alunos t\u00eam clareza da finalidade de suas produ\u00e7\u00f5es e de quem ser\u00e1 o leitor de seus textos.<\/p>\n<div id=\"attachment_7185\" style=\"width: 302px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu17.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7185\" class=\"wp-image-7185 size-medium\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu17-292x300.jpg\" alt=\"Arquivo Museu da Pessoa\" width=\"292\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu17-292x300.jpg 292w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu17.jpg 487w\" sizes=\"auto, (max-width: 292px) 100vw, 292px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7185\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo Museu da Pessoa<\/p><\/div>\n<p>Esse produto circula entre as classes e geralmente tem como destino final a biblioteca da escola. Sabemos que a confec\u00e7\u00e3o desse produto tem in\u00edcio desde o primeiro dia de atividade com as crian\u00e7as e que envolve sempre boas refer\u00eancias apresentadas pelo formador e pelo professor, levando livros com textos, imagens e projetos gr\u00e1ficos de \u00f3tima qualidade, que possam servir como inspira\u00e7\u00e3o para os alunos fazerem seu pr\u00f3prio livro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do livro feito com os alunos, h\u00e1 tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o de que os produtos do Programa Mem\u00f3ria Local, que mant\u00e9m di\u00e1logo estreito com a comunidade e sua hist\u00f3ria, possam alcan\u00e7ar mais leitores, devolvendo-lhes parte da hist\u00f3ria da cidade. Dessa maneira, desde o in\u00edcio, pensamos em como realizar produtos que circulem n\u00e3o s\u00f3 pela escola, mas tamb\u00e9m pelas m\u00e3os de diversas pessoas da sociedade. No primeiro ano do programa, propomos uma grande exposi\u00e7\u00e3o em local p\u00fablico (pra\u00e7as, centros de conviv\u00eancia, espa\u00e7os culturais). Para essa exposi\u00e7\u00e3o, contamos com o trabalho do artista Renato Theobaldo e sua equipe que, partindo dos desenhos e textos de legendas sobre as imagens e cenas relatadas pelo entrevistado, prop\u00f5em uma releitura desse trabalho feito em sala de aula, valorizando diante da comunidade tanto a hist\u00f3ria do entrevistado como a produ\u00e7\u00e3o dos alunos e o trabalho do professor. Essas exposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o um sucesso! Todos ficam emocionados e sentem-se valorizados; as crian\u00e7as e os professores ficam orgulhosos do trabalho e a comunidade, curiosa quanto \u00e0s muitas hist\u00f3rias de pessoas at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas.<\/p>\n<p><strong>Outros produtos<\/strong><br \/>\nNo caso de o programa chegar ao segundo ano, mantemos o produto compartilhado com as crian\u00e7as, j\u00e1 que ser\u00e3o novas salas envolvidas, mas propomos outro tipo de produto voltado para a comunidade. Inicialmente, produz\u00edamos um livro sobre as mem\u00f3rias dos depoentes. A elabora\u00e7\u00e3o desse livro tinha o objetivo de agregar e relacionar trechos de hist\u00f3rias de vida da comunidade, que teciam a mem\u00f3ria local. Foi assim com as cidades de Itapeva e Votorantim, e com o bairro de S\u00e3o Miguel Paulista, em S\u00e3o Paulo, em 2007, e com Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2008. A circula\u00e7\u00e3o desses livros inclu\u00eda escolas das regi\u00f5es, secretarias, centros culturais e bibliotecas.<\/p>\n<p>Em 2009, as cidades paulistas Indaiatuba, Belmiro Braga e Santo Andr\u00e9 receberam o jogo Onde est\u00e1 a Hist\u00f3ria?, que envolvia desenhos e trechos das hist\u00f3rias de vida dos entrevistados dessas cidades, num produto elaborado de maneira que as crian\u00e7as pudessem us\u00e1-lo de forma l\u00fadica Em 2010, as equipes t\u00e9cnicas das cidades e os professores envolvidos no programa escolhiam o que desejavam como produto final a ser compartilhado com a comunidade. S\u00e3o Bernardo, por exemplo, optou por um belo calend\u00e1rio em que se pudesse divulgar em locais variados (centros de sa\u00fade, bibliotecas, escolas, hospitais p\u00fablicos) n\u00e3o s\u00f3 o Programa Mem\u00f3ria Local como tamb\u00e9m a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos. Indaiatuba aproveitou a exist\u00eancia de uma revista que circula regularmente pela cidade para divulgar as hist\u00f3rias de vida de alguns moradores; assim nasceu Indaiatuba em Revista: olhares para a cidade e seus moradores.<\/p>\n<p>Para a conclus\u00e3o do segundo ano de trabalho, realizamos tamb\u00e9m um semin\u00e1rio com os professores, coordenadores e demais profissionais envolvidos no programa. Nesse momento, s\u00e3o lan\u00e7ados os produtos \u2013 livros, calend\u00e1rio, revista, jogo. Em 2010, realizou-se uma divertida oficina para os professores de Belmiro Braga, Indaiatuba e Santo Andr\u00e9, em que todos aprenderam como se jogava o Onde est\u00e1 a Hist\u00f3ria? e discutiram as possibilidades de uso desse produto. Esse jogo tem sido uma das atividades inseridas no Programa Mem\u00f3ria Local.<\/p>\n<div id=\"attachment_7188\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu112.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7188\" class=\"size-full wp-image-7188\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu112.jpg\" alt=\"Jogo Onde est\u00e1 a Hist\u00f3ria? \u2013 Produto final das cidades paulistas de Belmiro Braga, Indaiatuba e Santo Andr\u00e9\" width=\"599\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu112.jpg 599w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu112-300x135.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7188\" class=\"wp-caption-text\">Jogo Onde est\u00e1 a Hist\u00f3ria? \u2013 Produto final das cidades paulistas de Belmiro Braga, Indaiatuba e Santo Andr\u00e9<\/p><\/div>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li><strong>Programa Mem\u00f3ria Local na Escola<\/strong><br \/>\n<strong>Munic\u00edpios beneficiados:<\/strong> No estado de Minas Gerais: Belmiro Braga, Belo Horizonte, Ituiutaba, Juiz de Fora, Uberl\u00e2ndia e Uberaba. No estado do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro. No estado de S\u00e3o Paulo: Apia\u00ed, Campinas, Franca, Indaiatuba, Itapeva, Paul\u00ednia, Ribeir\u00e3o Preto, Santo Andr\u00e9, Santos, S\u00e3o Bernardo do Campo, S\u00e3o Paulo, Sorocaba e Votorantim. No estado do Rio Grande do Sul: Gua\u00edba.<br \/>\n<strong>Patrocinadores:<\/strong> Companhia de Telecomunica\u00e7\u00f5es do Brasil Central, Instituto Algar, Instituto Rhodia, Instituto P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, Funda\u00e7\u00e3o Toyota do Brasil, Instituto Votorantim e Heding-Griffo.<br \/>\n<strong>Parceiros:<\/strong> Secretarias Municipais de Educa\u00e7\u00e3o, Diretorias de Ensino, Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social de S\u00e3o Paulo).<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Museu da Pessoa<\/strong><br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Natingui, 1100 \u2013 Vila Madalena \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP \u2013 CEP: 05403-002<br \/>\nTel.: (11) 2144-7150<br \/>\nE-mail: portal@museudapessoa.net<br \/>\nSite: www.museudapessoa.net<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Praxinosc\u00f3pio<\/strong><br \/>\nArtista: Re nato Theobaldo<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Prof. Marcondes Domingues, 256 \u2013 Parada Inglesa \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP \u2013 CEP 02245-010<br \/>\nTel.: (11) 2212-0599<br \/>\nE-mail: praxinoscopio@uol.com.br<br \/>\nSite: www.praxinoscopio.com<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Culturas h\u00edbridas, de N\u00e9stor Garcia Canlini. S\u00e3o Paulo: EDUSP, 4a ed. 2008. Tel.: (11) 3091-4008. Site: www.edusp.com.br<\/li>\n<li>Ensaios de hist\u00f3ria oral, de Alessandro Portelli. S\u00e3o Paulo: Letra e Voz, 2010. Tel.: (11) 3042-3381. Site: www.letraevoz.com.br<\/li>\n<li>A voz do passado: hist\u00f3ria oral, de Paul Thompson. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. Tel.: (11) 3337-8399.Site: www.pazeterra.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_7189\" style=\"width: 345px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu19.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7189\" class=\"size-full wp-image-7189\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu19.jpg\" alt=\"Calend\u00e1rio produzido para a cidade de S\u00e3o Bernardo do Campo \u2013 SP\" width=\"335\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu19.jpg 335w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu19-272x300.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7189\" class=\"wp-caption-text\">Calend\u00e1rio produzido para a cidade de S\u00e3o Bernardo do Campo \u2013 SP<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_7191\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu111.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7191\" class=\"size-full wp-image-7191\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/museu111.jpg\" alt=\"Arquivo Museu da Pessoa\" width=\"204\" height=\"278\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7191\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo Museu da Pessoa<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao coletar com os alunos a hist\u00f3ria de vida do pipoqueiro, \u201cSeu Roque\u201d, a professora de uma escola p\u00fablica ajudou a ampliar horizontes, refor\u00e7ou la\u00e7os com a comunidade, proporcionou momentos de prazer e contribuiu com o desenvolvimento de novas compet\u00eancias das crian\u00e7as. Este e outros projetos com o Museu da Pessoa. Por Karen Worcman e Silvia Pereira de Carvalho; Marcia Trezza, Cinthia Manzano e Maria Paula Gennari Twiaschor<\/p>\n","protected":false},"author":207,"featured_media":12006,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[409,34],"tags":[1112,829,1207,1211,1203,1205,1206,339,585,340,1209,1208,1204,1210],"class_list":{"0":"post-7177","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-48","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2011","10":"tag-cinthia-manzano","11":"tag-indaiatuba","12":"tag-juiz-de-fora","13":"tag-karen-worcman","14":"tag-marcia-trezza","15":"tag-maria-paula-gennari-twiaschor","16":"tag-memoria","17":"tag-memoria-local","18":"tag-museu-da-pessoa","19":"tag-paulinia","20":"tag-sao-bernardo-do-campo","21":"tag-silvia-pereira-de-carvalho","22":"tag-votorantim","24":"post-with-thumbnail","25":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/207"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}