{"id":7088,"date":"2011-08-10T00:00:06","date_gmt":"2011-08-10T03:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7088"},"modified":"2023-03-27T19:56:42","modified_gmt":"2023-03-27T22:56:42","slug":"baldes-pas-areia-e-agua-elementos-para-o-jogo-simbolico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-47\/baldes-pas-areia-e-agua-elementos-para-o-jogo-simbolico\/","title":{"rendered":"Baldes, p\u00e1s, areia e \u00e1gua: elementos para o jogo simb\u00f3lico"},"content":{"rendered":"<h5>Profissionais da educa\u00e7\u00e3o conscientes da import\u00e2ncia do brincar com \u00e1gua e areia na escola s\u00e3o capazes de propor desafios e novas descobertas \u00e0s crian\u00e7as<\/h5>\n<p>Nas escolas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, \u00e9 comum haver um tanque de areia no ambiente externo. No entanto, ainda s\u00e3o raras as vezes em que ele \u00e9 utilizado com o objetivo de estimular os pequenos rumo \u00e0s descobertas. O mais frequente \u00e9 encontrar crian\u00e7as, nos momentos em que elas podem usar esse espa\u00e7o, brincando sozinhas com um ou outro objeto encontrado ao acaso. O educador est\u00e1 distante, dando a impress\u00e3o de que ele n\u00e3o v\u00ea essa atividade como importante, ou ele se afasta por n\u00e3o se sentir \u00e0 vontade nesse espa\u00e7o. Entretanto, ao se manterem distantes, os educadores n\u00e3o t\u00eam como realizar interven\u00e7\u00f5es que alimentem esse brincar.<\/p>\n<p>O desenvolvimento art\u00edstico dos profissionais da escola ocorre pelo contato direto com a assessora de Arte, que promove reuni\u00f5es mensais com as professoras de cada faixa et\u00e1ria e, quando necess\u00e1rio, oferece cursos e oficinas para o ensino de t\u00e9cnica e de teorias, al\u00e9m de organizar visitas a exposi\u00e7\u00f5es seguidas de discuss\u00e3o e de reflex\u00e3o sobre a experi\u00eancia. <!--more--><\/p>\n<p>A cada novo projeto, \u00e9 necess\u00e1rio, no momento de seu planejamento, uma imers\u00e3o das professoras no universo art\u00edstico que ser\u00e1 explorado, de modo que possam vivenciar as emo\u00e7\u00f5es, os conhecimentos, as d\u00favidas, formular questionamentos e, principalmente, se apropriarem do que ser\u00e1 trabalhado.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de cada ano, a assessora, as coordenadoras pedag\u00f3gicas e as professoras retomam a avalia\u00e7\u00e3o do trabalho desenvolvido no ano anterior e, com base nessa avalia\u00e7\u00e3o, elegem com o grupo os eixos que ser\u00e3o priorizados ao longo de cada semestre do ano seguinte e os poss\u00edveis projetos a serem desenvolvidos. A partir das linhas estabelecidas pelo coletivo da escola, a assessora passa a construir com as professoras de cada turma o projeto que ser\u00e1 desenvolvido, tomando-se por base o cronograma detalhado de atividades que ser\u00e3o realizadas com os pequenos.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das coordenadoras pedag\u00f3gicas, nesses momentos, \u00e9 fundamental para fixar a Arte como um importante pilar da a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica da escola, e tamb\u00e9m para alinhavar a vis\u00e3o geral de crian\u00e7a, oferecendo informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas de desenvolvimento de cada faixa et\u00e1ria, suas necessidades e suas potencialidades. Especificamente para o projeto &#8220;Nosso terreiro&#8221;, do qual esse relato faz parte, uma pasta de cada artista ficou dispon\u00edvel para a equipe docente. Ela continha um texto do hist\u00f3rico da vida do artista, reprodu\u00e7\u00f5es plastificadas das imagens de suas principais obras, fotografias e ilustra\u00e7\u00f5es da figura humana real de cada um, v\u00eddeo (quando existia), livros oficiais e cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00f5es. Esse material foi fundamental para que cada professora estudasse os nomes que seriam apresentados para suas turmas, o que proporcionou mais envolvimento com a a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Escolha dos artistas<\/strong><br \/>\nCada artista trabalhado ao longo do projeto apresenta caracter\u00edsticas pr\u00f3prias em suas produ\u00e7\u00f5es e possui fazeres art\u00edsticos distintos. Contudo, a diversidade de produ\u00e7\u00e3o foi um dos crit\u00e9rios norteadores das escolhas. No caso de Ernesto Neto, al\u00e9m das caracter\u00edsticas de suas obras favorecerem contato prazeroso para as crian\u00e7as pelo manuseio de materiais concretos e extremamente atraentes, tamb\u00e9m oferecem a possibilidade de construir e desconstruir, fazer de diferentes modos, lidar com materialidades externas, empreendendo esfor\u00e7os para superar o desafio de manipular materiais el\u00e1sticos, como uma meia de n\u00e1ilon, para inserir outro material qualquer e repetir tal a\u00e7\u00e3o in\u00fameras vezes, enfrentando o desafio de permanecer na mesma a\u00e7\u00e3o at\u00e9 conseguir ver o produto de seu esfor\u00e7o \u2013 uma pequena bola, uma forma oval&#8230;<\/p>\n<div id=\"attachment_7109\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7109\" class=\"wp-image-7109 size-medium\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia1-300x246.jpg\" alt=\"Brincadeira na areia: descobertas e experimentos. Emei Ana Maria Canwsin, Sert\u00e3ozinho \u2013 SP (foto: Ana Paula Ravaneli)\" width=\"300\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia1-300x246.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia1.jpg 417w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7109\" class=\"wp-caption-text\">Brincadeira na areia: descobertas e experimentos.<br \/>Emei Ana Maria Canwsin, Sert\u00e3ozinho \u2013 SP (foto: Ana Paula Ravaneli)<\/p><\/div>\n<p>Essa possibilidade de manuseio, de envolvimento, de explora\u00e7\u00e3o dos sentidos, de viv\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o similares \u00e0s do cotidiano, cria uma situa\u00e7\u00e3o social de desenvolvimento. Isto favorece a aprendizagem e o acesso da crian\u00e7a a novos modos de se expressar e a in\u00e9ditos patamares de possibilidades de a\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa articula\u00e7\u00e3o entre os aspectos constituintes do sujeito, suas caracter\u00edsticas e suas necessidades em cada momento da vida e as materialidades acessadas nas obras de cada artista que, se por um lado, constitui-se em princ\u00edpio e guia de nossas a\u00e7\u00f5es, por outro, parece respons\u00e1vel pelos resultados positivos observados a cada novo projeto.<\/p>\n<p><strong>Atividades de forma\u00e7\u00e3o para as professoras<\/strong><br \/>\nNa primeira semana, houve a apresenta\u00e7\u00e3o do artista. As professoras assistiram a um v\u00eddeo sobre o primeiro trabalho dele e, depois, participaram de uma atividade proposta pela assessora de Arte. Como Ernesto Neto utiliza tecidos el\u00e1sticos em muitos trabalhos, a proposta inicial foi pedir a cada crian\u00e7a que levasse para a escola uma meia-cal\u00e7a de n\u00e1ilon. O objetivo era preench\u00ea-la com diversos tipos de material (pedras, algod\u00e3o, espuma, bolinhas de isopor, penas, tecidos coloridos etc.) e dar n\u00f3s ou amarrar com barbante, l\u00e3, fios e fitas. Ap\u00f3s esse momento individual, a professora, em atividade coletiva e por meio de sorteio, teria de propor a montagem de uma instala\u00e7\u00e3o permanente na sala com todos os trabalhos, que poderia ficar suspensa, apoiada ou pregada na parede.<\/p>\n<p>Na segunda semana, cada profissional foi orientada a devolver a produ\u00e7\u00e3o realizada na semana anterior para as crian\u00e7as de sua turma, desenvolvendo uma proposta espec\u00edfica para seu grupo, modificando o suporte original. Essa nova a\u00e7\u00e3o podia ser coletiva ou individual. Houve pintura com tinta sobre a instala\u00e7\u00e3o coletiva, suspens\u00e3o de uma forma de tecido transparente cheia de objetos significativos para a turma, inclus\u00e3o de aromas (canela, anis, flores de camomila etc.), amarra\u00e7\u00f5es com fitas, costura de guizos e sinos, entre outras. Nessa etapa, as professoras tiveram acompanhamento bem pr\u00f3ximo da assessora, de modo que puderam esclarecer d\u00favidas e, principalmente, foram auxiliadas a superar medos e desafios, atingindo novos patamares na proposi\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do pensar e fazer Arte.<\/p>\n<p><strong>Na escola e na Bienal<\/strong><br \/>\nAs atividades desenvolvidas, inspiradas no trabalho de Ernesto Neto, tiveram grande impacto no dia a dia da escola durante todo o semestre, visto a atratividade exercida pelas produ\u00e7\u00f5es infantis. As instala\u00e7\u00f5es pensadas, inicialmente, apenas para a contempla\u00e7\u00e3o, passaram a ser buscadas pelos pequenos nos hor\u00e1rios livres e de recreio, que queriam interagir com as esculturas, tocando-as, apertando-as, revelando o aspecto l\u00fadico daquele contato.<\/p>\n<p>Esse movimento demonstrou como uma cria\u00e7\u00e3o se transforma t\u00e3o logo se objetiva em uma nova obra. Essa transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel porque seus criadores \u2013 no caso, as crian\u00e7as \u2013 tiveram liberdade para se apropriar de suas cria\u00e7\u00f5es, conferindo a elas novos significados e sentidos.<\/p>\n<p>O mesmo ocorreu com as professoras, que passaram a ver naquele trabalho mais uma possibilidade de explora\u00e7\u00e3o. Essa rela\u00e7\u00e3o que as crian\u00e7as estabeleceram com a instala\u00e7\u00e3o foi surpreendente e bem aceita pelas professoras, que permitiram o livre uso do espa\u00e7o, mesmo causando danos e destrui\u00e7\u00e3o, pois a escultura se transformou em uma pe\u00e7a org\u00e2nica, com vida, que cresce, diminui, ganha novas formas e pode desaparecer.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia e o destaque dado a Ernesto Neto pela Bienal foram fundamentais para o sucesso da visita. Como na escola ele marcou todo o processo, as crian\u00e7as criaram grande expectativa quando souberam que iriam ao local onde havia uma obra dele. Algumas at\u00e9 questionaram se Ernesto Neto morava na Bienal, pois elas queriam v\u00ea-lo pessoalmente. No dia da visita, cada crian\u00e7a recebeu um colar de barbante com uma imagem plastificada que estabelecia alguma rela\u00e7\u00e3o com a exposi\u00e7\u00e3o. Podia ser uma foto de um dos artistas estudados, uma obra vista por eles ou fotos dos trabalhos dos pequenos realizados na escola. Foi uma maneira de aproxim\u00e1-los entre si, pois cada um queria saber sobre o colar do outro e, principalmente, criou-se um elo com todo o trabalho realizado.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o da Bienal realizada por Ernesto Neto \u2013 o espa\u00e7o de conv\u00edvio do terreiro &#8220;Lembran\u00e7a e esquecimento&#8221; \u2013 serviu como momento de pausa e de divers\u00e3o. Ao se aproximarem da grande tenda montada, todos se sentiram automaticamente atra\u00eddos e sa\u00edram correndo para penetrar os colch\u00f5es expostos e pular ou deitar neles. O ato de tirar o sapato liberou as crian\u00e7as para soltarem o corpo. Os cheiros do espa\u00e7o convidavam a desvend\u00e1-lo. Foi, sem d\u00favida, um momento m\u00e1gico para elas.<\/p>\n<p>Em outro momento, os pais foram convidados para visitar a escola n\u00e3o s\u00f3 para apreciar o que havia sido produzido pelos filhos, mas tamb\u00e9m para participar de algumas atividades. Essa \u00e9 mais uma preocupa\u00e7\u00e3o da escola: estender o conhecimento produzido na escola para a comunidade.<\/p>\n<p>No dia do encerramento do projeto, o terreiro do artista continuou a encantar a todos. Pais e filhos permaneceram por horas enchendo meias, dando n\u00f3s, amarrando tecidos e transformando o p\u00e1tio coberto da escola em outra instala\u00e7\u00e3o do artista. A obra resultante foi algo parecido com uma teia de aranha. N\u00f3s, idealizadoras do projeto, sentimo-nos abrigadas e acolhidas entre tantos sorrisos de satisfa\u00e7\u00e3o, e com a sensa\u00e7\u00e3o de fazermos parte daquela teia que nos protege, nos liga ao mundo e nos liberta, porque ela pode ser desmontada e refeita de outras formas e por outros motivos.<\/p>\n<p>Isso refor\u00e7a a ideia de que h\u00e1 grande rejei\u00e7\u00e3o em se entender o brincar infantil como um momento de aprendizagem, aliado ao receio que os professores t\u00eam de se sujar durante a brincadeira. Esse comportamento acaba sendo legitimado por alguns gestores na medida em que eles exigem que os educadores mantenham o uniforme ou as roupas sempre em ordem e arrumados, e conservem limpos todos os ambientes internos da escola.<\/p>\n<p>Deve-se considerar, tamb\u00e9m, a rea\u00e7\u00e3o negativa dos pais quando encontram gr\u00e3os de areia em alguma parte do corpo dos filhos. O artigo \u201cAreia as crian\u00e7as gostam, j\u00e1 os adultos&#8230;\u201d, publicado na Revista avisa l\u00e1, ajuda a compreender a origem dessa rejei\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>S\u00e3o frequentes as solicita\u00e7\u00f5es de pais e m\u00e9dicos para que as crian\u00e7as n\u00e3o brinquem no tanque de areia, principalmente quando apresentam problemas de pele. Muitas m\u00e3es reclamam da roupa, do cal\u00e7ado, do cabelo \u00famido ou sujo, temendo que os filhos adoe\u00e7am. Outras apontam a falta de tempo e de espa\u00e7o para lavar e secar as pe\u00e7as diariamente. Em consequ\u00eancia disso, muitas escolas eliminam o tanque de areia e as brincadeiras com \u00e1gua para evitar conflitos com as fam\u00edlias e com os profissionais de sa\u00fade<sup>1<\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para reverter esse quadro, compete \u00e0 escola trazer \u00e0 discuss\u00e3o esse assunto com toda a equipe escolar e comunidade. Para iniciar esse movimento, a parceria entre diretor, coordenador e professores pode ser uma boa alternativa, como aconteceu no munic\u00edpio de Sert\u00e3ozinho (SP), participante do Programa Formar em Rede<sup>2<\/sup>, numa parceria entre a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Municipal e o Instituto Avisa L\u00e1, desde 2010.<\/p>\n<p><strong>Come\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPor meio de encontros de forma\u00e7\u00e3o, cujo conte\u00fado central \u00e9 a discuss\u00e3o sobre o brincar, gestores das institui\u00e7\u00f5es infantis<sup>3<\/sup> refletem e discutem novas possibilidades de trabalho com as formadoras locais. Os encontros s\u00e3o planejados com base nas orienta\u00e7\u00f5es de pauta encaminhadas pela consultora do Instituto Avisa L\u00e1 no munic\u00edpio, e um dos itens que comp\u00f5e essa orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um momento em que a equipe gestora pode realizar uma observa\u00e7\u00e3o ou levantar uma informa\u00e7\u00e3o (por exemplo, como o brincar na \u00e1rea externa est\u00e1 organizado na institui\u00e7\u00e3o?) para, a partir da\u00ed, planejar com um professor determinada atividade.<\/p>\n<p>Participar dos estudos na forma\u00e7\u00e3o, voltar \u00e0 escola com um desafio definido e retornar ao encontro com alguns materiais s\u00e3o movimentos que desencadeiam a reflex\u00e3o sobre o que, de fato, acontece na institui\u00e7\u00e3o e encurtam dist\u00e2ncias entre gestores e professores. Ao ouvirem os relatos de colegas, diretores e coordenadores v\u00e3o ampliando os conhecimentos e as possibilidades de a\u00e7\u00e3o, discutindo problemas comuns e descobrindo, muitas vezes, solu\u00e7\u00f5es para quest\u00f5es consideradas complexas.<\/p>\n<p>Em um dos encontros de forma\u00e7\u00e3o realizado no munic\u00edpio, a equipe gestora recebeu como proposta de a\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o a seguinte tarefa: \u201co coordenador deve escolher um professor que considere que j\u00e1 tenha um trabalho mais desenvolvido sobre o conte\u00fado \u2018Interven\u00e7\u00e3o Direta e Indireta na Brincadeira\u2019 e que aceite contribuir na forma\u00e7\u00e3o, para fazer uma observa\u00e7\u00e3o de uma atividade na \u00e1rea externa e escrever um registro de observa\u00e7\u00e3o sobre as diferentes interven\u00e7\u00f5es que identificar.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 relevante dizer que essa proposta decorreu de uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do papel do adulto e suas poss\u00edveis formas de intera\u00e7\u00e3o durante as brincadeiras infantis. Al\u00e9m disso, o professor convidado deveria orientar com muito cuidado, pois o objetivo principal n\u00e3o era buscar a pr\u00e1tica perfeita, mas sim um profissional disposto a contribuir com os colegas.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio, um dos principais desafios apontados pela avalia\u00e7\u00e3o inicial foi justamente ampliar o uso do espa\u00e7o externo para melhorar o brincar, conforme p\u00f4de ser observado pelas formadoras locais Gisele Maria Miranda e Silvia Aparecida Camargo<sup>4<\/sup>. Elas notaram, por essa avalia\u00e7\u00e3o, que, muitas vezes, o professor privilegiava o uso do espa\u00e7o interno da institui\u00e7\u00e3o por se sentir mais seguro, limitando a brincadeira na \u00e1rea externa ao playground.<\/p>\n<div id=\"attachment_7110\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7110\" class=\"wp-image-7110 size-medium\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia2-300x236.jpg\" alt=\"Emei Maria Rosa Motta, Sert\u00e3ozinho \u2013 SP (foto: Ana Paula Ravaneli)\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia2-300x236.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia2.jpg 419w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7110\" class=\"wp-caption-text\">Emei Maria Rosa Motta, Sert\u00e3ozinho \u2013 SP (foto: Ana Paula Ravaneli)<\/p><\/div>\n<p>Na Escola Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (EMEI) Maria Rosa Motta, situada no distrito de Cruz das Posses<sup>5<\/sup>, a professora Denise Cristina Faria e a coordenadora pedag\u00f3gica Ana Paula Ravaneli realizaram uma atividade com a turma do Maternal II (crian\u00e7as de 3 anos) com o intuito de estimular o brincar na areia. Para essa turma, a brincadeira na areia foi uma divers\u00e3o. Nos momentos em que a professora disponibilizava objetos diversificados e permitia a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, as crian\u00e7as optavam por brincar somente na areia, deixando outros brinquedos de lado.<\/p>\n<p>Essa a\u00e7\u00e3o simples proporcionou uma brincadeira bem diferente e animada para os pequenos, al\u00e9m de grandes descobertas. Em seu registro de observa\u00e7\u00e3o, Ana Paula escreveu:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Eles fizeram juntos caminhos na areia como se fossem rios. Em seguida, enchiam de \u00e1gua, entravam no rio deixando os p\u00e9s submersos. Uma das crian\u00e7as fez um coment\u00e1rio: \u201cOlha, gente! Estou parecendo uma \u00e1rvore!\u201d. A garotada riu at\u00e9 n\u00e3o aguentar mais. \u201cDenise, vou fazer um rio maior que o seu. Bem grand\u00e3o!\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa brincadeira e intera\u00e7\u00e3o ilustram o que foi estudado no texto Educa\u00e7\u00e3o Infantil e conhecimento escolar: reflex\u00f5es sobre a presen\u00e7a do brincar na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as pequenas, de Jos\u00e9 Alfredo Debortoli<sup>6<\/sup>. Segundo o autor, \u201ch\u00e1 uma riqueza de a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es que emergem de uma brincadeira, pois elas abrem espa\u00e7o para o envolvimento e a media\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Natureza infantil<\/strong><br \/>\nDurante a brincadeira, al\u00e9m de observar, a coordenadora foi convidada a interagir com o grupo, atuando, dessa maneira, como parceira e refer\u00eancia para a educadora. Passado algum tempo, os pequenos come\u00e7aram a se dividir em pequenos grupos para construir os pr\u00f3prios rios. Cada grupo fazia um formato diferente. Enquanto uns moldavam o rio, outros colocavam \u00e1gua nas garrafas para ench\u00ea-lo. Em entrevista ao site da Revista Crescer<sup>7<\/sup>, Renata Meirelles<sup>8<\/sup> comenta sobre a organiza\u00e7\u00e3o da brincadeira pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as: \u201cBrincar n\u00e3o depende de recursos f\u00edsicos, mas sim de recursos humanos. Brincar n\u00e3o \u00e9 o meio, \u00e9 a natureza da pr\u00f3pria crian\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>No mesmo registro, a coordenadora destacou tamb\u00e9m que \u201calgumas crian\u00e7as cantarolavam enquanto brincavam e, nessa intera\u00e7\u00e3o, surgiam falas como:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a 1: Enche mais a garrafa&#8230; Sen\u00e3o o rio n\u00e3o fica cheinho.<br \/>\nCrian\u00e7a 2: T\u00e1 pesado, Denise! Voc\u00ea me ajuda?<br \/>\nCrian\u00e7a 3: Vai, joga toda a \u00e1gua bem dentro do rio.<br \/>\nCrian\u00e7a 4: Que legal! A \u00e1gua t\u00e1 correndo!<\/p>\n<p>A professora Denise conversava com as crian\u00e7as durante todo o tempo, como membro integrante da brincadeira, aceitando, inclusive, as sugest\u00f5es:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a: Denise, por que voc\u00ea n\u00e3o faz o rio com a m\u00e3o? Voc\u00ea prefere a pazinha?\u201d<\/p>\n<p>Para finalizar, inspiro-me em Debortoli para dizer que as crian\u00e7as t\u00eam diferentes maneiras de agir e solicitam aos professores diferentes formas de intera\u00e7\u00e3o. Leia, a seguir, uma das anota\u00e7\u00f5es de Ana Paula Ravaneli, que demonstram a extens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o sobre o brincar:<\/p>\n<blockquote><p>O brincar sempre teve um lugar de destaque na EMEI Maria Rosa Motta. Os profissionais envolvidos t\u00eam demonstrado bastante empenho com as quest\u00f5es da inf\u00e2ncia. Com a implanta\u00e7\u00e3o do Programa Formar em Rede, em 2010, as a\u00e7\u00f5es foram sendo consolidadas e as pr\u00e1ticas ainda mais voltadas ao desenvolvimento da crian\u00e7a. J\u00e1 estamos no segundo ano do Programa e as forma\u00e7\u00f5es continuam alimentando nossas reflex\u00f5es e pr\u00e1ticas. Assim como os professores, os demais profissionais da escola t\u00eam ressaltado a import\u00e2ncia indiscut\u00edvel do brincar no desenvolvimento integral infantil. E isso fica revelado nitidamente nas a\u00e7\u00f5es cotidianas.<\/p>\n<p>Como coordenadora pedag\u00f3gica em outras tr\u00eas escolas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, tenho procurado disseminar essas pr\u00e1ticas e envolver o maior n\u00famero poss\u00edvel de profissionais. Estou certa de estar colhendo bons frutos. A din\u00e2mica nessas unidades vem sendo modificada paulatinamente. Numa situa\u00e7\u00e3o de brincadeira semelhante a essa, a professora tem o privil\u00e9gio e a oportunidade de observar as estrat\u00e9gias que as crian\u00e7as utilizam, como se dividem e distribuem as tarefas nos pequenos grupos e como ocorrem as intera\u00e7\u00f5es. Sem d\u00favida, esse brincar, no qual a crian\u00e7a tem a oportunidade de estar em contato direto com elementos do meio e dele fazer uso, com liberdade de escolha, lhe d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de desenvolver e exercer seu direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o, t\u00e3o importante para seu desenvolvimento como indiv\u00edduo.<\/p><\/blockquote>\n<p>(Renata Frauendorf, formadora do Instituto Avisa L\u00e1, em S\u00e3o Paulo\u2013SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Trecho retirado do artigo \u201cAreia as crian\u00e7as gostam, j\u00e1 os adultos&#8230;\u201d, de Cisele Ortiz e Damaris Gomes Maranh\u00e3o, publicado na Revista avisa l\u00e1, no 27 \u2013 Julho de 2006.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> O Programa Formar em Rede \u00e9 uma iniciativa conjunta dos Institutos Avisa L\u00e1 e Raz\u00e3o Social com o apoio tecnol\u00f3gico da IBM. Nasceu do desejo de contribuir com o atendimento prestado \u00e0s crian\u00e7as por meio de a\u00e7\u00f5es formativas, dirigidas a diretores, coordenadores e educadores de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, que auxiliem a crian\u00e7a a construir conhecimento de maneira criativa e inteligente. Site: www.formaremrede.org.br.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Os gestores s\u00e3o os diretores e os coordenadores pedag\u00f3gicos das unidades.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Gisele Maria Miranda e Silvia Aparecida Camargo s\u00e3o formadoras locais do Programa Formar em Rede, em Sert\u00e3ozinho \u2013 SP.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup>Distrito de Sert\u00e3ozinho \u2013 SP, com popula\u00e7\u00e3o estimada em 9 mil habitantes, em sua maioria trabalhadores rurais.<\/p>\n<p><sup>6<\/sup>Educa\u00e7\u00e3o Infantil e conhecimento escolar: reflex\u00f5es sobre a presen\u00e7a do brincar na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as pequenas, de Jos\u00e9 Alfredo Debortoli, in: Brincar, de Alysson Carvalho (org.). Ed. UFMG, Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o. Tel.: (31) 3409-4658. E-mail: vendasonline@editora.ufmg.br. Site:www.editoraufmg.com.br.<\/p>\n<p><sup>7<\/sup>Entrevista realizada com as especialistas Claudia Siqueira, Renata Meirelles e Soraia Saura (dispon\u00edvel em: http:\/\/revistacrescer.globo.com\/ Revista\/Crescer\/0,,EMI12710-10531,00.html), sobre a pesquisa realizada pela empresa Omo, em parceria com o Instituto Sidarta, que premia escolas com o selo Aqui Se Brinca 2011. Site: www.omo.com.br\/?s=Selo+Aqui+se+Brinca+2011.<\/p>\n<p><sup>8<\/sup>Coordenadora do Projeto Brincar, em Heli\u00f3polis (SP), e autora de Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil, Ed. Terceiro Nome. Tel.: (11) 3816-0333. E-mail: editora@terceironome.com.br. Site: www.terceironome.com.br\/html\/index.htm.<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Programa: Formar em Rede<br \/>\nCoordenadora (na \u00e9poca do projeto): Beatriz Gouveia<br \/>\nConsultora: Renata Frauendorf<br \/>\nE-mail: rsfrauendorf@globo.com<br \/>\nResponsabilidade t\u00e9cnica: Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\nParceiros: Raz\u00e3o Social e apoio tecnol\u00f3gico da IBM<br \/>\nSite: www.formaremrede.org.br<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o de Sert\u00e3ozinho \u2013 SP<br \/>\nDepartamento Pedag\u00f3gico<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Washington Luiz, 1040 \u2013 Jardim Sumar\u00e9. CEP: 14170-610 \u2013 Sert\u00e3ozinho \u2013 SP. Tel.: (16) 3942-2748 e 3946-6900<br \/>\nSite: www.sertaozinho.sp.gov.br\/educacao.htm<br \/>\nFormadoras locais: Gisele Maria Miranda e Silvia Aparecida Camargo<br \/>\nE-mail: pedagogicaoficina@gmail.com<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>EMEI Maria Rosa Motta<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Floriano Peixoto, 973 \u2013 Distrito Cruz das Posses. CEP: 14179-088 \u2013 Sert\u00e3ozinho \u2013 SP.<br \/>\nTel.: (16) 3949-1429<br \/>\nE-mail: mariarosamotta@sertaozinho.sp.gov.br<br \/>\nDiretora: Dalva dos Reis Valerini<br \/>\nCoordenadora pedag\u00f3gica: Ana Paula Ravaneli<br \/>\nE-mail: anapravaneli@terra.com.br<br \/>\nProfessora: Denise Cristina Faria<br \/>\nE-mail: dd.faria@uol.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_7111\" style=\"width: 465px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7111\" class=\"size-full wp-image-7111\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia3.jpg\" alt=\"Objetos diversos estimulam a criatividade das crian\u00e7as Emei Orlando Coli, Sert\u00e3ozinho \u2013 SP (foto: Ana Paula Ravaneli)\" width=\"455\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia3.jpg 455w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/areia3-300x218.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7111\" class=\"wp-caption-text\">Objetos diversos estimulam a criatividade das crian\u00e7as<br \/>Emei Orlando Coli, Sert\u00e3ozinho \u2013 SP (foto: Ana Paula Ravaneli)<\/p><\/div>\n<h4>Cuidados com o tanque de areia<\/h4>\n<p>\u00c9 recomend\u00e1vel desinfetar a areia semanalmente. A desinfec\u00e7\u00e3o deve ser feita quando a creche estiver sem crian\u00e7as. Uma sugest\u00e3o \u00e9 aproveitar o final das atividades da sexta. A manipula\u00e7\u00e3o de produtos clorados exige cuidados com a dispensa dos vasilhames vazios e uso de equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual pelos trabalhadores envolvidos na tarefa. Vale destacar que a solu\u00e7\u00e3o clorada n\u00e3o elimina todos os parasitas ou bact\u00e9rias que eventualmente estejam na areia.<\/p>\n<ol>\n<li>Usar 10 gramas de hipoclorito de s\u00f3dio (em p\u00f3) em 1 litro de \u00e1gua para cada metro quadrado de areia. Se voc\u00ea utilizar \u00e1gua sanit\u00e1ria a 2,5%, preparar uma solu\u00e7\u00e3o com 15 colheres deste produto + 2,5 litros de vinagre em 5 litros de \u00e1gua para cada metro quadrado.<\/li>\n<li>Aplicar a solu\u00e7\u00e3o, revolver bem e n\u00e3o usar o tanque por dois dias.<\/li>\n<li>Na segunda-feira, revolver a areia novamente antes de usar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>(Manual Creche Saud\u00e1vel \u2013 CEPIP\/ASBRAC\/UNICEF, Rio de Janeiro, 1997)<\/p>\n<h4>Atividade na areia tamb\u00e9m se planeja<\/h4>\n<p>Ao planejarem a atividade na areia, a professora Denise e a coordenadora pedag\u00f3gica Ana Paula definiram as expectativas de aprendizagem das crian\u00e7as:<\/p>\n<p><strong>Atividade proposta<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Brincadeira na areia com a utiliza\u00e7\u00e3o de materiais diversos (baldinhos, p\u00e1s, garrafas PET e \u00e1gua).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Objetivos<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Promover as intera\u00e7\u00f5es professor-aluno e aluno-aluno. Desenvolver a liberdade de express\u00e3o.<\/li>\n<li>Promover o desenvolvimento da criatividade.<\/li>\n<li>Propiciar condi\u00e7\u00f5es para que as crian\u00e7as fa\u00e7am uso de objetos diversificados.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Desdobramentos da forma\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>As atua\u00e7\u00f5es das formadoras locais Gisele Maria Miranda e Silvia Aparecida Camargo geraram desdobramentos de brincadeiras com areia em outras unidades de Educa\u00e7\u00e3o Infantil do munic\u00edpio. O trabalho continua este ano e tem sido multiplicado com as pr\u00e9-escolas que n\u00e3o participaram do Programa Formar em Rede em 2010. Elas relataram que Ana Cl\u00e1udia Moro Ferracini Zanella, uma das coordenadoras participantes do programa em 2010, hoje est\u00e1 de volta \u00e0 sala de aula, com uma turma de 2\u00aa etapa (crian\u00e7as de 5 anos) na EMEI Orlando Colli, situada na periferia da cidade. Leia, a seguir, o coment\u00e1rio feito por ela:<\/p>\n<blockquote><p>A forma\u00e7\u00e3o desempenhou papel fundamental em minha pr\u00e1tica pedag\u00f3gica. A troca com profissionais de outras EMEIs, o estudo cont\u00ednuo, a reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica e a rela\u00e7\u00e3o com as colegas da unidade escolar onde trabalho provocaram algumas inquieta\u00e7\u00f5es sobre a minha postura como adulto\/professor.<\/p>\n<p>Atualmente, consigo oferecer \u00e0s crian\u00e7as situa\u00e7\u00f5es que eu imaginava preocupantes e perigosas. As brincadeiras que antes tinham quase que exclusivamente objetivos pedag\u00f3gicos, hoje tem fim em si mesmas. A rotina do brincar tem sido di\u00e1ria, explorando espa\u00e7os, temas e materiais diferentes. A cara da escola mudou. H\u00e1 muita troca entre os professores e muita colabora\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e materiais referentes ao brincar, al\u00e9m do apoio da equipe gestora que sempre valorizou os momentos de brincadeira.<\/p>\n<p>Estamos aprendendo e brincando com as crian\u00e7as. Est\u00e1 sendo maravilhoso!<\/p><\/blockquote>\n<p>Observamos que a mesma proposta feita pela professora Denise Cristina Faria no maternal foi feita pela professora Ana Cl\u00e1udia Moro Ferracini Zanella para as crian\u00e7as de 5 anos, que brincam com mais autonomia na organiza\u00e7\u00e3o da brincadeira, na manipula\u00e7\u00e3o dos objetos e nas intera\u00e7\u00f5es. Leia, a seguir, o coment\u00e1rio da professora Iara Balieiro de Almeida Paix\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>Estamos brincando muito no jardim, as crian\u00e7as t\u00eam se divertido demais! Sobem em \u00e1rvore, fazem comidinhas, brincam com a areia e o barro, constroem cabaninhas e descobriram que podem convidar as professoras para brincar junto porque elas n\u00e3o ir\u00e3o mais mandar nas brincadeiras. As crian\u00e7as desabrocharam pelo brincar e o clima na escola mudou. Estamos juntos e mais felizes!<br \/>\nN\u00f3s, professoras, perdemos o medo de perder o controle nas situa\u00e7\u00f5es de brincadeira e percebemos o quanto a brincadeira permitida, espont\u00e2nea, apenas deixando ser e cuidando do que cabe a n\u00f3s, adultos, permite que as crian\u00e7as se desenvolvam e se envolvam numa rela\u00e7\u00e3o mais amistosa e relevante.<\/p><\/blockquote>\n<p>Leia, agora, o coment\u00e1rio de Daniela Cristina Israel Piati:<\/p>\n<blockquote><p>As discuss\u00f5es sobre o brincar proporcionadas nas Horas de Trabalho Pedag\u00f3gico Coletivo (HTPCs)<sup>1<\/sup> e as trocas com as colegas da EMEI fizeram com que eu refletisse sobre minhas a\u00e7\u00f5es e, principalmente, o quanto \u00e9 importante a valoriza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do brincar para o desenvolvimento das crian\u00e7as. Pude perceber que o tempo para as brincadeiras era muito pouco. O hor\u00e1rio destinado ao brincar n\u00e3o pode ser o tempo que sobra, e sim um momento planejado.<\/p>\n<p>Hoje, o brincar faz parte da rotina, com tempo, espa\u00e7o e organiza\u00e7\u00e3o de materiais planejados como qualquer outra linguagem presente na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Temos buscado incentivar a brincadeira com as outras turmas, convidando-as a brincar conosco. Estou aprendendo a olhar meus alunos de modo mais tranquilo, brincando, interagindo, trocando e aprendendo com eles por meio do brincar.<\/p><\/blockquote>\n<p><sup>1<\/sup>Atividade desenvolvida nas unidades escolares pelos professores e o coordenador pedag\u00f3gico com vistas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos educadores.<\/p>\n<h4><strong>Para Saber Mais<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Areia as crian\u00e7as gostam, j\u00e1 os adultos&#8230;, de Cisele Ortiz e Damaris Gomes Maranh\u00e3o. Revista Avisa l\u00e1, no 27 \u2013Julho de 2006.<\/li>\n<li>Como as escolas cuidam do brincar, entrevista de Claudia Siqueira, Renata Meirelles e Soraia Saura ao site da Revista Crescer. Dispon\u00edvel em: http:\/\/revistacrescer.globo.com\/Revista\/Crescer\/0,,EMI12710-10531,00.html.<\/li>\n<li>Educa\u00e7\u00e3o Infantil e conhecimento escolar: reflex\u00f5es sobre a presen\u00e7a do brincar na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as pequenas, de Jos\u00e9 Alfredo Debortoli, in: Brincar, de Alysson Carvalho (org.). Ed. UFMG, Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o. Tel.: (31) 3409-4658. E-mail: vendasonline@editora.ufmg.br. Site: www.editoraufmg.com.br.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais da educa\u00e7\u00e3o conscientes da import\u00e2ncia do brincar com \u00e1gua e areia na escola s\u00e3o capazes de propor desafios e novas descobertas \u00e0s crian\u00e7as. Por Renata Frauendorf<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":11956,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[448,408],"tags":[590,702,1176,1332,135,1178,1177,253,452,1179],"class_list":{"0":"post-7088","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-formacao-nos-municipios","8":"category-revista-avisala-47","9":"tag-agua","10":"tag-areia","11":"tag-baldes","12":"tag-formacao-nos-municipios","13":"tag-higiene","14":"tag-jogo-simbolico","15":"tag-pas","16":"tag-renata-frauendorf","17":"tag-saude","18":"tag-sertaozinho","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7088\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}