{"id":7084,"date":"2011-08-08T21:30:23","date_gmt":"2011-08-09T00:30:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7084"},"modified":"2023-03-27T19:57:08","modified_gmt":"2023-03-27T22:57:08","slug":"mergulho-na-bienal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/mergulho-na-bienal\/","title":{"rendered":"Mergulho na Bienal"},"content":{"rendered":"<h5>Instala\u00e7\u00f5es favorecem o contato prazeroso com materiais e o fazer art\u00edstico das crian\u00e7as<\/h5>\n<p>Este artigo \u00e9 a continuidade da s\u00e9rie especial sobre a rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e de professoras com espa\u00e7os de Arte, como museus e exposi\u00e7\u00f5es, iniciada na edi\u00e7\u00e3o anterior da Revista avisa l\u00e1. Nesta oportunidade, o destaque vai para o artista Ernesto Neto<sup>1<\/sup>, com foco na forma\u00e7\u00e3o de professoras. O primeiro trabalho publicado<sup>2<\/sup> destacou a obra de Cildo Meireles<sup>3<\/sup>. Apenas para lembrar, a trilogia se encerra com Nelson Leirner<sup>4<\/sup>, em novembro deste ano.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Foco na forma\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAs atividades art\u00edsticas na escola s\u00e3o planejadas e elaboradas pelas professoras e desenvolvidas com as crian\u00e7as das diversas turmas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. N\u00e3o existe, na institui\u00e7\u00e3o, o modelo de professor especialista em Artes Visuais, com aula espec\u00edfica em um ateli\u00ea. H\u00e1, inclusive, um ateli\u00ea na escola, que fica aberto permanentemente para que as professoras e as turmas o utilizem na hora de \u201cfazer arte\u201d. Tal princ\u00edpio baseia-se na valoriza\u00e7\u00e3o da Arte como \u00e1rea de conhecimento, que pode ser apropriada pelos sujeitos que se debru\u00e7arem sobre ela, seja apreciando ou produzindo Arte. Ela se transforma, assim, em importante ferramenta educativa, atuando diretamente na dimens\u00e3o sens\u00edvel e est\u00e9tica das crian\u00e7as, e criando novas e inusitadas possibilidades de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que esse movimento se constitua em transforma\u00e7\u00e3o e crescimento, ele necessita ser alimentado e desafiado permanentemente. Para faz\u00ea-lo, ningu\u00e9m melhor do que as professoras que acompanham os pequenos todos os dias, durante o ano letivo, tornando-se part\u00edcipes nesse processo de desenvolvimento e de aprendizagem. Contudo, esse modelo de ensino de Arte adotado na escola de manda cuidado e investimento permanente em seu grupo de professoras.<\/p>\n<div id=\"attachment_7114\" style=\"width: 220px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7114\" class=\"size-medium wp-image-7114\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena1-210x300.jpg\" alt=\"Montagem com as produ\u00e7\u00f5es feitas pelas crian\u00e7as da Escola Alfa \u2013 SP\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena1-210x300.jpg 210w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena1.jpg 404w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7114\" class=\"wp-caption-text\">Montagem com as produ\u00e7\u00f5es feitas pelas crian\u00e7as da Escola Alfa \u2013 SP<\/p><\/div>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o das professoras na escola tem sido um dos principais alvos de a\u00e7\u00e3o da equipe gestora, pois, conforme consta em seu projeto pedag\u00f3gico como pressuposto, a natureza da forma\u00e7\u00e3o dos docentes \u00e9 garantia de educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Assim, a escola desenvolve a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o voltadas \u00e0s diversas \u00e1reas do conhecimento e, no caso deste relato, daremos destaque \u00e0s a\u00e7\u00f5es que visam instrumentalizar o trabalho com Artes Visuais.<\/p>\n<p>O desenvolvimento art\u00edstico dos profissionais da escola ocorre pelo contato direto com a assessora de Arte, que promove reuni\u00f5es mensais com as professoras de cada faixa et\u00e1ria e, quando necess\u00e1rio, oferece cursos e oficinas para o ensino de t\u00e9cnica e de teorias, al\u00e9m de organizar visitas a exposi\u00e7\u00f5es seguidas de discuss\u00e3o e de reflex\u00e3o sobre a experi\u00eancia. A cada novo projeto, \u00e9 necess\u00e1rio, no momento de seu planejamento, uma imers\u00e3o das professoras no universo art\u00edstico que ser\u00e1 explorado, de modo que possam vivenciar as emo\u00e7\u00f5es, os conhecimentos, as d\u00favidas, formular questionamentos e, principalmente, se apropriarem do que ser\u00e1 trabalhado.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de cada ano, a assessora, as coordenadoras pedag\u00f3gicas e as professoras retomam a avalia\u00e7\u00e3o do trabalho desenvolvido no ano anterior e, com base nessa avalia\u00e7\u00e3o, elegem com o grupo os eixos que ser\u00e3o priorizados ao longo de cada semestre do ano seguinte e os poss\u00edveis projetos a serem desenvolvidos. A partir das linhas estabelecidas pelo coletivo da escola, a assessora passa a construir com as professoras de cada turma o projeto que ser\u00e1 desenvolvido, tomando-se por base o cronograma detalhado de atividades que ser\u00e3o realizadas com os pequenos.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das coordenadoras pedag\u00f3gicas, nesses momentos, \u00e9 fundamental para fixar a Arte como um importante pilar da a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica da escola, e tamb\u00e9m para alinhavar a vis\u00e3o geral de crian\u00e7a, oferecendo informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas de desenvolvimento de cada faixa et\u00e1ria, suas necessidades e suas potencialidades. Especificamente para o projeto &#8220;Nosso terreiro&#8221;, do qual esse relato faz parte, uma pasta de cada artista ficou dispon\u00edvel para a equipe docente. Ela continha um texto do hist\u00f3rico da vida do artista, reprodu\u00e7\u00f5es plastificadas das imagens de suas principais obras, fotografias e ilustra\u00e7\u00f5es da figura humana real de cada um, v\u00eddeo (quando existia), livros oficiais e cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00f5es. Esse material foi fundamental para que cada professora estudasse os nomes que seriam apresentados para suas turmas, o que proporcionou mais envolvimento com a a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Escolha dos artistas<\/strong><br \/>\nCada artista trabalhado ao longo do projeto apresenta caracter\u00edsticas pr\u00f3prias em suas produ\u00e7\u00f5es e possui fazeres art\u00edsticos distintos. Contudo, a diversidade de produ\u00e7\u00e3o foi um dos crit\u00e9rios norteadores das escolhas. No caso de Ernesto Neto, al\u00e9m das caracter\u00edsticas de suas obras favorecerem contato prazeroso para as crian\u00e7as pelo manuseio de materiais concretos e extremamente atraentes, tamb\u00e9m oferecem a possibilidade de construir e desconstruir, fazer de diferentes modos, lidar com materialidades externas, empreendendo esfor\u00e7os para superar o desafio de manipular materiais el\u00e1sticos, como uma meia de n\u00e1ilon, para inserir outro material qualquer e repetir tal a\u00e7\u00e3o in\u00fameras vezes, enfrentando o desafio de permanecer na mesma a\u00e7\u00e3o at\u00e9 conseguir ver o produto de seu esfor\u00e7o \u2013 uma pequena bola, uma forma oval&#8230;<\/p>\n<p>Essa possibilidade de manuseio, de envolvimento, de explora\u00e7\u00e3o dos sentidos, de viv\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o similares \u00e0s do cotidiano, cria uma situa\u00e7\u00e3o social de desenvolvimento. Isto favorece a aprendizagem e o acesso da crian\u00e7a a novos modos de se expressar e a in\u00e9ditos patamares de possibilidades de a\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa articula\u00e7\u00e3o entre os aspectos constituintes do sujeito, suas caracter\u00edsticas e suas necessidades em cada momento da vida e as materialidades acessadas nas obras de cada artista que, se por um lado, constitui-se em princ\u00edpio e guia de nossas a\u00e7\u00f5es, por outro, parece respons\u00e1vel pelos resultados positivos observados a cada novo projeto.<\/p>\n<p><strong>Atividades de forma\u00e7\u00e3o para as professoras<\/strong><br \/>\nNa primeira semana, houve a apresenta\u00e7\u00e3o do artista. As professoras assistiram a um v\u00eddeo sobre o primeiro trabalho dele e, depois, participaram de uma atividade proposta pela assessora de Arte. Como Ernesto Neto utiliza tecidos el\u00e1sticos em muitos trabalhos, a proposta inicial foi pedir a cada crian\u00e7a que levasse para a escola uma meia-cal\u00e7a de n\u00e1ilon. O objetivo era preench\u00ea-la com diversos tipos de material (pedras, algod\u00e3o, espuma, bolinhas de isopor, penas, tecidos coloridos etc.) e dar n\u00f3s ou amarrar com barbante, l\u00e3, fios e fitas. Ap\u00f3s esse momento individual, a professora, em atividade coletiva e por meio de sorteio, teria de propor a montagem de uma instala\u00e7\u00e3o permanente na sala com todos os trabalhos, que poderia ficar suspensa, apoiada ou pregada na parede.<\/p>\n<p>Na segunda semana, cada profissional foi orientada a devolver a produ\u00e7\u00e3o realizada na semana anterior para as crian\u00e7as de sua turma, desenvolvendo uma proposta espec\u00edfica para seu grupo, modificando o suporte original. Essa nova a\u00e7\u00e3o podia ser coletiva ou individual. Houve pintura com tinta sobre a instala\u00e7\u00e3o coletiva, suspens\u00e3o de uma forma de tecido transparente cheia de objetos significativos para a turma, inclus\u00e3o de aromas (canela, anis, flores de camomila etc.), amarra\u00e7\u00f5es com fitas, costura de guizos e sinos, entre outras. Nessa etapa, as professoras tiveram acompanhamento bem pr\u00f3ximo da assessora, de modo que puderam esclarecer d\u00favidas e, principalmente, foram auxiliadas a superar medos e desafios, atingindo novos patamares na proposi\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do pensar e fazer Arte.<\/p>\n<p><strong>Na escola e na Bienal<\/strong><br \/>\nAs atividades desenvolvidas, inspiradas no trabalho de Ernesto Neto, tiveram grande impacto no dia a dia da escola durante todo o semestre, visto a atratividade exercida pelas produ\u00e7\u00f5es infantis. As instala\u00e7\u00f5es pensadas, inicialmente, apenas para a contempla\u00e7\u00e3o, passaram a ser buscadas pelos pequenos nos hor\u00e1rios livres e de recreio, que queriam interagir com as esculturas, tocando-as, apertando-as, revelando o aspecto l\u00fadico daquele contato.<\/p>\n<p>Esse movimento demonstrou como uma cria\u00e7\u00e3o se transforma t\u00e3o logo se objetiva em uma nova obra. Essa transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel porque seus criadores \u2013 no caso, as crian\u00e7as \u2013 tiveram liberdade para se apropriar de suas cria\u00e7\u00f5es, conferindo a elas novos significados e sentidos.<\/p>\n<p>O mesmo ocorreu com as professoras, que passaram a ver naquele trabalho mais uma possibilidade de explora\u00e7\u00e3o. Essa rela\u00e7\u00e3o que as crian\u00e7as estabeleceram com a instala\u00e7\u00e3o foi surpreendente e bem aceita pelas professoras, que permitiram o livre uso do espa\u00e7o, mesmo causando danos e destrui\u00e7\u00e3o, pois a escultura se transformou em uma pe\u00e7a org\u00e2nica, com vida, que cresce, diminui, ganha novas formas e pode desaparecer.<\/p>\n<div id=\"attachment_7115\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7115\" class=\"size-medium wp-image-7115\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena2-216x300.jpg\" alt=\"Montagem com as produ\u00e7\u00f5es feitas pelas crian\u00e7as da Escola Alfa \u2013 SP\" width=\"216\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena2-216x300.jpg 216w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena2.jpg 412w\" sizes=\"auto, (max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7115\" class=\"wp-caption-text\">Montagem com as produ\u00e7\u00f5es feitas pelas crian\u00e7as da Escola Alfa \u2013 SP<\/p><\/div>\n<p>A import\u00e2ncia e o destaque dado a Ernesto Neto pela Bienal foram fundamentais para o sucesso da visita. Como na escola ele marcou todo o processo, as crian\u00e7as criaram grande expectativa quando souberam que iriam ao local onde havia uma obra dele. Algumas at\u00e9 questionaram se Ernesto Neto morava na Bienal, pois elas queriam v\u00ea-lo pessoalmente. No dia da visita, cada crian\u00e7a recebeu um colar de barbante com uma imagem plastificada que estabelecia alguma rela\u00e7\u00e3o com a exposi\u00e7\u00e3o. Podia ser uma foto de um dos artistas estudados, uma obra vista por eles ou fotos dos trabalhos dos pequenos realizados na escola. Foi uma maneira de aproxim\u00e1-los entre si, pois cada um queria saber sobre o colar do outro e, principalmente, criou-se um elo com todo o trabalho realizado.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o da Bienal realizada por Ernesto Neto \u2013 o espa\u00e7o de conv\u00edvio do terreiro Lembran\u00e7a e esquecimento \u2013 serviu como momento de pausa e de divers\u00e3o. Ao se aproximarem da grande tenda montada, todos se sentiram automaticamente atra\u00eddos e sa\u00edram correndo para penetrar os colch\u00f5es expostos e pular ou deitar neles. O ato de tirar o sapato liberou as crian\u00e7as para soltarem o corpo. Os cheiros do espa\u00e7o convidavam a desvend\u00e1-lo. Foi, sem d\u00favida, um momento m\u00e1gico para elas.<\/p>\n<p>Em outro momento, os pais foram convidados para visitar a escola n\u00e3o s\u00f3 para apreciar o que havia sido produzido pelos filhos, mas tamb\u00e9m para participar de algumas atividades. Essa \u00e9 mais uma preocupa\u00e7\u00e3o da escola: estender o conhecimento produzido na escola para a comunidade.<\/p>\n<p>No dia do encerramento do projeto, o terreiro do artista continuou a encantar a todos. Pais e filhos permaneceram por horas enchendo meias, dando n\u00f3s, amarrando tecidos e transformando o p\u00e1tio coberto da escola em outra instala\u00e7\u00e3o do artista. A obra resultante foi algo parecido com uma teia de aranha. N\u00f3s, idealizadoras do projeto, sentimo-nos abrigadas e acolhidas entre tantos sorrisos de satisfa\u00e7\u00e3o, e com a sensa\u00e7\u00e3o de fazermos parte daquela teia que nos protege, nos liga ao mundo e nos liberta, porque ela pode ser desmontada e refeita de outras formas e por outros motivos.<\/p>\n<p>(Carla Gorga Guimar\u00e3es, coordenadora pedag\u00f3gica, Cec\u00edlia Pereira de Almeida Assump\u00e7\u00e3o, diretora e Fernanda Assump\u00e7\u00e3o, assessora de arte. Todas da Escola ALFA, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Ernesto Neto (Rio de Janeiro, 1964) expande a pr\u00e1tica da escultura utilizando-se, na maior parte das vezes, de tecidos com elasticidade, de temperos e de isopor como principais materiais, e da for\u00e7a da gravidade como elemento determinante. A intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 outro aspecto fundamental de seu trabalho.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>O artigo Nosso terreiro, de Fernanda Assump\u00e7\u00e3o, foi publicado na se\u00e7\u00e3o SUSTAN\u00c7A, da Revista avisa l\u00e1, no 46 \u2013 Maio de 2011.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Cildo Meireles (Rio de Janeiro, 1948) \u00e9 um artista multim\u00eddia. Sua apresenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 publicada na se\u00e7\u00e3o SUSTAN\u00c7A, da Revista avisa l\u00e1, no 46 \u2013 Maio de 2011.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Nelson Leirner (S\u00e3o Paulo, 1932) \u00e9 considerado um artista pol\u00eamico. Sua apresenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 publicada na se\u00e7\u00e3o SUSTAN\u00c7A, da Revista avisa l\u00e1, no 46 \u2013 Maio de 2011.<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Escola ALFA<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua dos Macunis, 333 \u2013 Alto de Pinheiros. CEP: 05444-000. S\u00e3o Paulo \u2013 SP<br \/>\nTel.: (11) 3031-8656\/3819-4567<br \/>\nE-mail: alfa@escolaalfa.com<br \/>\nSite: www.escolaalfa.com<br \/>\nDiretora pedag\u00f3gica: Cec\u00edlia Pereira de Almeida Assump\u00e7\u00e3o<br \/>\nE-mail: cecilia@escolaalfa.com<br \/>\nDiretora administrativa: Sandra Opice<br \/>\nAssessora institucional: Vera Trevisan de Souza<br \/>\nCoordenadora: Carla Gorga Guimar\u00e3es<br \/>\nAssessora de Arte: Fernanda Assump\u00e7\u00e3o<br \/>\nE-mail: paraafe@hotmail.com<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_7116\" style=\"width: 402px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7116\" class=\"size-full wp-image-7116\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena3.jpg\" alt=\"Riqueza de materiais e de experi\u00eancias (foto: Fernanda Assump\u00e7\u00e3o)\" width=\"392\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena3.jpg 392w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/biena3-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7116\" class=\"wp-caption-text\">Riqueza de materiais e de experi\u00eancias (foto: Fernanda Assump\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<h4>Entrevista com Rosa Iavelberg<sup>1<\/sup><\/h4>\n<p><strong>Revista avisa l\u00e1 \u2013 Considerando que o professor de Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 polivalente e que nem toda escola tem um especialista em Artes Visuais, como \u00e9 poss\u00edvel realizar um bom trabalho com as crian\u00e7as?<br \/>\nRosa Iavelberg \u2013<\/strong> Como hoje se considera que, desde a Educa\u00e7\u00e3o Infantil, a crian\u00e7a faz arte com base no seu fazer, no fazer de seus pares e no acesso que tem \u00e0 produ\u00e7\u00e3o social art\u00edstica, s\u00e3o necess\u00e1rios, aos professores, saberes sobre aprendizagem em Arte e sobre Arte.<\/p>\n<p><strong>Revista avisa l\u00e1 \u2013 Qual a import\u00e2ncia da articula\u00e7\u00e3o entre o fazer art\u00edstico, a aprecia\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o para a pr\u00e1tica do professor em Artes Visuais?<br \/>\nRosa Iavelberg \u2013<\/strong> Os tr\u00eas eixos da aprendizagem em Arte mencionados anteriormente devem ser promovidos em sala de aula e vivenciados na forma\u00e7\u00e3o e no cotidiano dos professores para que a Arte se integre aos seus interesses e h\u00e1bitos. Para o aluno, a aprendizagem nos tr\u00eas eixos \u00e9 complexa, embora mais completa, porque ele assimila o que artistas e profissionais da \u00e1rea praticam na sociedade.<\/p>\n<p><strong>Revista avisa l\u00e1 \u2013 A rela\u00e7\u00e3o entre a escola e as institui\u00e7\u00f5es art\u00edstico-culturais \u00e9 fundamental tanto para a amplia\u00e7\u00e3o cultural dos professores como das crian\u00e7as e de suas aprendizagens. No entanto, o que fazer quando a cidade n\u00e3o tem uma institui\u00e7\u00e3o desse tipo?<br \/>\nRosa Iavelberg \u2013<\/strong> Pode-se visitar feiras e ateli\u00eas de artistas, olarias, oficinas de artes\u00e3os e convidar artistas para conversar com as crian\u00e7as nas escolas. Muitas visitas podem ser realizadas virtualmente, se houver recursos para isso.<\/p>\n<p><strong>Revista avisa l\u00e1 \u2013 H\u00e1 professores que t\u00eam dificuldades para planejar atividades para as crian\u00e7as baseadas na Arte Contempor\u00e2nea. Por que isso acontece?<br \/>\nRosa Iavelberg \u2013<\/strong> A Arte Contempor\u00e2nea causa estranhamento por sua pr\u00f3pria intencionalidade. O p\u00fablico que a desconhece costuma n\u00e3o reconhecer as produ\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas como Arte. V\u00e1rios professores podem n\u00e3o ter familiaridade com esse recorte da hist\u00f3ria da Arte. \u00c9 o desconhecimento que os afasta do desejo de planejar a\u00e7\u00f5es com a produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Revista avisa l\u00e1 \u2013 Por que \u00e9 interessante que haja diversidade de experimenta\u00e7\u00f5es e de projetos em Artes Visuais propostos pelos professores das diferentes turmas em uma mesma escola?<br \/>\nRosa Iavelberg \u2013<\/strong> A diversidade \u00e9 sempre interessante para quem aprende. Se as turmas forem da mesma faixa et\u00e1ria, por exemplo, e os resultados puderem ser comparados em sua diversidade pelas crian\u00e7as, isso tamb\u00e9m se configura como boa situa\u00e7\u00e3o de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Revista avisa l\u00e1 \u2013 Por que as obras de instala\u00e7\u00f5es art\u00edsticas envolvem e fascinam tanto as crian\u00e7as pequenas?<br \/>\nRosa Iavelberg \u2013<\/strong> Porque elas podem agir. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 o meio mais poderoso de aprendizagem em Arte na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. A\u00e7\u00e3o e pensamento n\u00e3o se dissociam, mas a a\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Professora de Arte da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo e coordenadora do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Linguagens da Arte no Centro Universit\u00e1rio Maria Ant\u00f4nia, da Universidade de S\u00e3o Paulo, ambos em S\u00e3o Paulo \u2013 SP.<\/p>\n<h4>Ernesto Neto: as formas org\u00e2nicas e a intera\u00e7\u00e3o com o corpo<\/h4>\n<p>Na obra de Ernesto Neto, o espectador \u00e9 convidado a participar ativamente, tocando, cheirando ou adentrando o espa\u00e7o da escultura. As formas org\u00e2nicas relacionam-se com a observa\u00e7\u00e3o do corpo como representa\u00e7\u00e3o da paisagem interna do organismo, ou em uma analogia entre o corpo e a arquitetura.<\/p>\n<p>Suas esculturas s\u00e3o compostas por elementos em tecidos de lycra, algod\u00e3o e poliamida, recheados com bolinhas de chumbo, polipropileno, especiarias, mi\u00e7angas, espuma, ervas, entre outros. In\u00fameras vezes, a uni\u00e3o entre esses elementos cria grandes redes, chamadas pelo artista de col\u00f4nias. A mistura de materiais inusitados com a utiliza\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o, for\u00e7a, resist\u00eancia e equil\u00edbrio \u00e9 o que agu\u00e7a a curiosidade de quem aprecia a obra. A arte de Ernesto Neto \u00e9 uma experi\u00eancia que gera associa\u00e7\u00f5es com o corpo e com algo org\u00e2nico. Ele descreve sua obra como uma explora\u00e7\u00e3o e uma representa\u00e7\u00e3o da paisagem interna do organismo.<\/p>\n<p>Em algumas obras, os amontoados de temperos s\u00e3o dispostos no ch\u00e3o enquanto as extremidades dos tubos de tecido s\u00e3o presas ao teto, gerando a verticalidade das esculturas e a intera\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o expositivo. As esculturas apresentam alus\u00f5es ao corpo humano, no tecido que se assemelha \u00e0 epiderme e nas formas sinuosas que se estabelecem no espa\u00e7o.<\/p>\n<h4><strong>Para Saber Mais<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Cat\u00e1logo da 29a Bienal de S\u00e3o Paulo: H\u00e1 sempre um copo de mar para um homem navegar, de Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos (orgs.). Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo. Tel.: (11) 5576-7611. E-mail: educativo@fbsp.org.br<\/li>\n<li>A forma\u00e7\u00e3o social da mente, de Lev Vigotsky. Editora Martins Fontes. Tel.: (11) 3106-9133. E-mail: livraria@martinseditora.com.br. Site: www.livrariamartinseditora.com.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instala\u00e7\u00f5es favorecem o contato prazeroso com materiais e o fazer art\u00edstico das crian\u00e7as. Por Carla Gorga Guimar\u00e3es, Cec\u00edlia Pereira de Almeida Assump\u00e7\u00e3o e Fernanda Assump\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":203,"featured_media":11956,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[408,27],"tags":[1112,111,28,1135,1174,1175,227,1137,48,1130,569],"class_list":{"0":"post-7084","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-47","8":"category-sustanca","9":"tag-revista-avisa-la-2011","10":"tag-arquitetura","11":"tag-arte","12":"tag-bienal","13":"tag-carla-gorga-guimaraes","14":"tag-cecilia-pereira-de-almeida-assumpcao","15":"tag-corpo","16":"tag-ernesto-neto","17":"tag-esculturas","18":"tag-fernanda-assumpcao","19":"tag-rosa-iavelberg","21":"post-with-thumbnail","22":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/203"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7084"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7084\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}