{"id":7029,"date":"2011-01-07T16:54:50","date_gmt":"2011-01-07T18:54:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=7029"},"modified":"2023-03-27T19:54:02","modified_gmt":"2023-03-27T22:54:02","slug":"preto-marrom-bege-amarelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/preto-marrom-bege-amarelo\/","title":{"rendered":"Preto, marrom, bege, amarelo&#8230;"},"content":{"rendered":"<h5>Realizar um projeto art\u00edstico com crian\u00e7as e adolescentes sobre a cor da pele das pessoas \u00e9 uma boa oportunidade para trabalhar quest\u00f5es etnicorraciais<\/h5>\n<p>\u2013 Passe o l\u00e1pis cor de pele, professora?<br \/>\n\u2013 Cor de pele? Que cor \u00e9 essa?<br \/>\n\u2013 Aquela ali, rosa claro&#8230;<br \/>\n\u2013 O nome dessa cor \u00e9 salm\u00e3o.<br \/>\n\u2013 Salm\u00e3o? Salm\u00e3o \u00e9 nome de peixe. Isso \u00e9 cor de pele mesmo.<br \/>\n\u2013 Cor da pele de quem? A minha n\u00e3o \u00e9. Eu sou muito mais amarela. \u00c9 a cor da sua?<br \/>\n\u2013 N\u00e3o. Eu sou marrom.<\/p>\n<p>Di\u00e1logos muito semelhantes a esse, eu j\u00e1 travei v\u00e1rias vezes com crian\u00e7as e adolescentes, em diversos ateli\u00eas de arte. Sempre me incomodou muito que uma cor recebesse o nome \u201ccor de pele\u201d, pois essa ideia \u00e9, no m\u00ednimo, excludente. Se o salm\u00e3o \u00e9 considerado a cor da pele, o marrom, o preto, o\u00a0 bege e o amarelo n\u00e3o s\u00e3o, certo? Meu desconforto ficava latente, e\u00a0 continuaria sendo apenas inc\u00f4modo e discurso (porque eu sempre explicava tudo isso aos alunos) se eu n\u00e3o tivesse encontrado, em uma visita ao Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), o trabalho do artista franc\u00eas Pierre David.<!--more--><\/p>\n<p>O trabalho Nuancier, que significa cat\u00e1logo de cores, foi realizado durante uma resid\u00eancia do artista, em Salvador<sup>2<\/sup>. No projeto, a pele de quarenta homens, funcion\u00e1rios do MAM da Bahia e estudantes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi fotografada e reunida em um cl\u00e1ssico cat\u00e1logo de cores. Um fabricante de tintas determinou\u00a0 industrialmente as f\u00f3rmulas qu\u00edmicas de cada cor de pele, que se constitu\u00edram, ent\u00e3o, na base do cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_7048\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7048\" class=\"size-medium wp-image-7048\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores1-300x197.jpg\" alt=\"Fotos: Ana Teixeira\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores1-300x197.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores1.jpg 329w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7048\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ana Teixeira<\/p><\/div>\n<p>De volta ao Ateli\u00ea Parangol\u00e9<sup>3<\/sup>, resolvi fazer um trabalho semelhante com os alunos. Escolhi os do 1\u00ba ano e pedi que eles se agrupassem pela cor da pele. N\u00e3o interferi nos crit\u00e9rios adotados por eles para a escolha de quem tinha a mesma cor de quem. Apenas fotografei os grupos. Fiz uma foto dos rostos sorridentes e outra dos bra\u00e7os. Uma das meninas acabou ficando sozinha, por ser mais morena que os demais. Ela n\u00e3o gostou disso a princ\u00edpio, mas depois ficou encantada ao perceber que seria a \u00fanica a ter uma foto exclusiva.<\/p>\n<div id=\"attachment_7049\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7049\" class=\"size-medium wp-image-7049\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores13-300x195.jpg\" alt=\"As crian\u00e7as observaram as diferentes cores de pele\" width=\"300\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores13-300x195.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores13.jpg 326w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7049\" class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as observaram as diferentes cores de pele<\/p><\/div>\n<p>No computador, com um programa apropriado, fiz a captura das cores, tentando achar a que mais se aproximasse da cor da pele daquele grupo. Montei a tabela das cores de\u00a0 pele da turma e levei para eles verem qu\u00e3o coloridos eram. N\u00e3o posso afirmar, mas acredito que, ao menos nesse grupo, o l\u00e1pis cor de salm\u00e3o n\u00e3o vai mais ser chamado de cor de pele.<\/p>\n<p>(Ana Teixeira, artista pl\u00e1stica e mestra em Po\u00e9ticas Visuais pela Universidade de S\u00e3o Paulo. Tem participado de diversas exposi\u00e7\u00f5es individuais e coletivas no Brasil e exterior. Coordena o Ateli\u00ea Parangol\u00e9,\u00a0 onde trabalha com crian\u00e7as e adolescentes. Foi premiada pelo programa Rumos Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e Arte, do Instituto Ita\u00fa Cultural \u2013 edi\u00e7\u00e3o 2009-2010)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A mostra Nuancier, de Pierre David, permaneceu aberta ao p\u00fablico de 4 a 31 de maio de 2009, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador \u2013 BA.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Segundo Delia Lerner, o conceito de Condi\u00e7\u00f5es Did\u00e1ticas \u00e9 o que \u00e9 necess\u00e1rio garantir em diferentes situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas, de ideias fundamentais para favorecer as aprendizagens. Para saber mais: Ler e escrever na escola: o real, o poss\u00edvel e o necess\u00e1rio, de Delia Lerner. Porto Alegre: Artmed Editora. Site: www.artmed.com.br<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> O Ateli\u00ea Parangol\u00e9 foi criado em 2001, na Escola Antonio Cintra Gordinho, em uma fazenda localizada na periferia da cidade de Jundia\u00ed \u2013 SP. O espa\u00e7o oferece atividades art\u00edsticas para crian\u00e7as e adolescentes de 7 a 14 anos, com foco em arte contempor\u00e2nea e seus desdobramentos e constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_7050\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_45_cores.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7050\" class=\"size-medium wp-image-7050\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_45_cores-300x192.jpg\" alt=\"Da pele para o computador\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_45_cores-300x192.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_45_cores-1024x655.jpg 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_45_cores.jpg 2009w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7050\" class=\"wp-caption-text\">Da pele para o computador<\/p><\/div>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Ana Teixeira<br \/>\nE-mail: contato@anateixeira.com<br \/>\nSite: www.anateixeira.com<br \/>\nAteli\u00ea Parangol\u00e9<br \/>\nEndere\u00e7o: Rodovia D. Gabriel Paulino Bueno Couto, Km 66,5 \u2013 Jundia\u00ed \u2013 SP. CEP: 13212-240 Tel.: (11) 3284-2306<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Museu de Arte Moderna da Bahia<br \/>\nEndere\u00e7o: Av. Contorno s\/no, Solar do Unh\u00e3o \u2013 Salvador \u2013 BA. CEP: 40060-060 Tel.: (71) 3177-6139 E-mail: mam@mam.ba.gov.br Site: www.mam.ba.gov.br<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7051\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/cores2.jpg\" alt=\"cores2\" width=\"258\" height=\"276\" \/><\/a><\/p>\n<h4>Nuancier, de Pierre David: processo de trabalho<\/h4>\n<p>Pierre David inaugurou a programa\u00e7\u00e3o do Ano da Fran\u00e7a no Brasil do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em 2009, com um trabalho especialmente desenvolvido para a Capela do MAM. Durante um m\u00eas, o artista pl\u00e1stico, cen\u00f3grafo e designer franc\u00eas trabalhou em Salvador \u2013 BA, na exposi\u00e7\u00e3o Nuancier, pelo projeto AR-MAM \u2013 Artista Residente no MAM.\u00a0 Nuancier foi a terceira parte de uma trilogia que trata da mesma quest\u00e3o: o que determina a escolha de um modelo? Nessa exposi\u00e7\u00e3o, o crit\u00e9rio de escolha dos modelos baseou-se na cor da pele. Para que a obra fosse verdadeiramente um <em>site specific<\/em><sup>4<\/sup>, com o apoio de Solange Farkas, diretora do MAM, foram reunidos em torno desse projeto e fotografados funcion\u00e1rios do Museu e estudantes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.<\/p>\n<p>Peles de todas as cores foram fotografadas. As imagens constitu\u00edram a base do cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o. \u201cA sociedade baiana \u00e9 abertamente multirracial\u201d, diz Pierre. \u201cA g\u00eanese do Brasil e da Fran\u00e7a \u00e9 bem diferente, mas, nos dois casos, o problema do racismo atravessa a sociedade desses dois pa\u00edses. Reduzir o interesse demonstrado por um indiv\u00edduo unicamente \u00e0 sua cor coloca, de maneira imediata, a quest\u00e3o do racismo.\u201d<\/p>\n<p>A escolha do artista seguiu o crit\u00e9rio de que o projeto \u00e9 extremamente pertinente porque dialoga com quest\u00f5es culturais ligadas diretamente \u00e0 Bahia. Ele fala de conviver com as diferen\u00e7as, dessa quest\u00e3o da multirracialidade. [&#8230;].<\/p>\n<p>Fonte: www.mam.ba.gov.br<br \/>\nDados fornecidos pela Assessoria de Imprensa do MAM-BA.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>A tradu\u00e7\u00e3o para o termo \u00e9 s\u00edtio espec\u00edfico e faz men\u00e7\u00e3o a obras criadas de acordo com o ambiente e com um espa\u00e7o determinado. Trata-se, em geral, de trabalhos planejados \u2013 muitas vezes fruto de convites \u2013 em local determinado, em que os elementos esculturais dialogam com o meio circundante, para o qual a obra \u00e9 elaborada. Nesse sentido, a no\u00e7\u00e3o de site specific liga-se \u00e0 ideia de arte ambiente, que sinaliza uma tend\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de se voltar para o espa\u00e7o \u2013 incorporando-o \u00e0 obra e\/ ou transformando-o \u2013, seja ele o espa\u00e7o da galeria, o ambiente natural ou \u00e1reas urbanas. (Fonte: Enciclop\u00e9dia Ita\u00fa Cultural Artes Visuais, dispon\u00edvel em: www.itaucultural.org.br).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realizar um projeto art\u00edstico com crian\u00e7as e adolescentes sobre a cor da pele das pessoas \u00e9 uma boa oportunidade para trabalhar quest\u00f5es etnicorraciais. 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