{"id":702,"date":"2001-01-27T17:33:22","date_gmt":"2001-01-27T19:33:22","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=702"},"modified":"2023-03-27T10:32:14","modified_gmt":"2023-03-27T13:32:14","slug":"rituais-de-passagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/rituais-de-passagem\/","title":{"rendered":"Rituais de Passagem"},"content":{"rendered":"<h4>Planejamento especial para quem entra e para quem sai de uma institui\u00e7\u00e3o educativa<\/h4>\n<div id=\"attachment_705\" style=\"width: 245px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-705\" class=\"size-full wp-image-705\" title=\"avisala_05_projetob\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_05_projetob.jpg\" alt=\"Fotos: Equipe da Escola Carlitos Garatuja: crian\u00e7a do Grupo 1 da escola Carlitos\" width=\"235\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_05_projetob.jpg 235w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_05_projetob-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><p id=\"caption-attachment-705\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Equipe da Escola Carlitos Garatuja: crian\u00e7a do Grupo 1 da escola Carlitos<\/p><\/div>\n<p>Todos os anos, creches e pr\u00e9-escolas recebem crian\u00e7as<br \/>\npequenas, nos grupos iniciais, e promovem as despedidas<br \/>\ndas maiores que, aos 6 anos, dever\u00e3o ocupar vagas na<br \/>\nprimeira s\u00e9rie do ensino fundamental. Estes momentos \u2013<br \/>\ningresso e sa\u00edda de uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o infantil \u2013<br \/>\nmarcam passagens importantes na vida das crian\u00e7as, nem<br \/>\nsempre vividas sem alguma dor ou inquieta\u00e7\u00e3o. Pais e educadores,<br \/>\nque convivem diretamente com os conflitos pr\u00f3prios<br \/>\ndesta fase, s\u00e3o pe\u00e7as importantes para assegurar dias mais tranq\u00fcilos.<br \/>\nMas, ainda assim, \u00e9 fundamental que as institui\u00e7\u00f5es se organizem e<br \/>\nplanejem para acolher e ajudar quem entra e quem sai a cada ano<!--more--><\/p>\n<h4>A vida na escola<br \/>\num planejamento para quem est\u00e1 chegando<\/h4>\n<p>Para crian\u00e7as pequenas, o ingresso na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\ninfantil geralmente significa a primeira<br \/>\ninser\u00e7\u00e3o num grupo social diferente da fam\u00edlia.<br \/>\nPor isso, conhecer o ambiente e a rotina, espa\u00e7os<br \/>\ne pessoas, reconhecer seus pertences e os<br \/>\nde seus colegas, s\u00e3o coisas importantes com as<br \/>\nquais as crian\u00e7as devem se envolver quando<br \/>\nchegam \u00e0 escola pela primeira vez. Estes saberes<br \/>\ntornam poss\u00edveis a diferencia\u00e7\u00e3o entre casa<br \/>\ne escola e a identifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais<br \/>\nque se estabelecem em ambientes coletivos.<br \/>\nS\u00e3o estas inten\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por tr\u00e1s das<br \/>\nnossas propostas para os pequenos, de 1 ano,<br \/>\nquando chegam \u00e0 escola Carlitos1; quem guia<br \/>\neste processo de descobertas \u00e9 o projeto &#8220;A<br \/>\nVida na Escola&#8221;, desenvolvido todos os anos no<br \/>\nGrupo 1. Planejamos nosso cotidiano para<br \/>\napresentar, ao longo dos primeiros dias,<br \/>\ndesafios que possam contribuir para que as crian\u00e7as<br \/>\ndesvendem diversos espa\u00e7os, brinquedos,<br \/>\npessoas e estabele\u00e7am novos relacionamentos.<br \/>\nAs descobertas s\u00e3o sempre comemoradas<br \/>\nem grupo, estimulando a iniciativa e a<br \/>\ncuriosidade, fortalecendo as rela\u00e7\u00f5es e os v\u00ednculos<br \/>\nafetivos com adultos, promovendo a<br \/>\nsocializa\u00e7\u00e3o de conquistas.<br \/>\nDentre as v\u00e1rias propostas, destaco algumas<br \/>\nrealizadas com minha turma, no in\u00edcio de 2000:<br \/>\natividades que, aos poucos, ampliaram e enriqueceram<br \/>\na rotina pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Quem faz parte do meu grupo<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Logo que chegavam, as crian\u00e7as se dirigiam<br \/>\nao lugar onde guard\u00e1vamos os cart\u00f5es de presen\u00e7a<br \/>\ncom nomes e fotos de cada crian\u00e7a da<br \/>\nturma. N\u00f3s os utiliz\u00e1vamos durante as rodas,<br \/>\nfazendo uma esp\u00e9cie de chamada:<br \/>\n\u2013 Martina est\u00e1 na roda? \u2013 iniciava perguntando<br \/>\nao sortear seu nome.<br \/>\n\u2013 T\u00e1 aqui \u2013 apontavam os amigos.<br \/>\nOs cart\u00f5es dos presentes eram afixados,pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as, numa louza imantada.<br \/>\nServiam para identificar as crian\u00e7as e ajudar o<br \/>\ngrupo a descobrir quem veio e quem n\u00e3o veio<br \/>\n\u00e0 escola.<\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlias do meu grupo<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>O registro com as fotos das fam\u00edlias foi um<br \/>\ndos recursos mais explorados e apreciados<br \/>\npelas crian\u00e7as, desde a apresenta\u00e7\u00e3o das fotos<br \/>\nat\u00e9 sua prepara\u00e7\u00e3o e finaliza\u00e7\u00e3o no mural. As<br \/>\ncrian\u00e7as identificavam com facilidade apenas<br \/>\nseus familiares, mas, tempos depois, percebemos<br \/>\nque o grupo conhecia e identificava tamb\u00e9m<br \/>\nas fam\u00edlias dos amigos. Quando convers\u00e1vamos<br \/>\nou simplesmente mencion\u00e1vamos o<br \/>\nnome de algum pai ou m\u00e3e, era comum dirigirem-<br \/>\nse ao mural, apontar e ainda perguntar:<br \/>\n\u2013 Esse?<\/p>\n<p><strong>As roupas que usamos aqui<\/strong><\/p>\n<p>Como parte da investiga\u00e7\u00e3o<br \/>\ndesse novo lugar, pesquis\u00e1vamos<br \/>\ncom as crian\u00e7as, nas rodas<br \/>\nde conversa, as roupas que<br \/>\nvestimos na escola. As crian\u00e7as<br \/>\napontavam o uniforme dos<br \/>\namigos, procurando o logotipo<br \/>\npresente na roupa de<br \/>\ntodos na escola, ausente nas<br \/>\nroupas que usamos em casa.<\/p>\n<p><strong>O que tem em casa que n\u00e3o<br \/>\ntem na escola?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Ber\u00e7o tem em casa, n\u00e3o na escola \u2013 constataram<br \/>\nlogo.<br \/>\nA compara\u00e7\u00e3o de fotos trazidas de casa<br \/>\ncom as da escola ajudou o grupo a decidir o<br \/>\nprincipal diferencial, do ponto de vista deles.<\/p>\n<p><strong>O que tem na escola que n\u00e3o<br \/>\ntem em casa?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Os passeios pela escola resultaram no conhecimento<br \/>\ndo espa\u00e7o e das pessoas da institui\u00e7\u00e3o,<br \/>\ncontribuindo para a seguran\u00e7a e autonomia<br \/>\ndo grupo.<br \/>\nComo atra\u00e7\u00e3o de nossas caminhadas, propusemos<br \/>\na pesquisa de pequenos bichos que<br \/>\nvivem na escola. As crian\u00e7as encontraram<br \/>\nprimeiro os peixes do aqu\u00e1rio, depois as formigas,<br \/>\ntatus-bolas, minhocas, borboletas e os p\u00e1ssaros<br \/>\nno p\u00e1tio. Rapidamente aprenderam os<br \/>\nlugares em que esses bichos se encontravam, e<br \/>\na partir de ent\u00e3o era raro o dia em que desciam<br \/>\nao p\u00e1tio sem procurar:<br \/>\n\u2013 Cad\u00ea miga? \u2013 dizia uma crian\u00e7a, buscando<br \/>\na formiga.<br \/>\n\u2013 Cad\u00ea b\u00f3ia? \u2013 retrucava o amigo.<br \/>\nA pesquisa tamb\u00e9m despertou a curiosidade<br \/>\npor ouvir e identificar os sons da escola: o<br \/>\nsom dos p\u00e1ssaros, o ru\u00eddo dos carros e dos<br \/>\navi\u00f5es, dados que ajudam a comparar e conhecer<br \/>\na paisagem da escola Carlitos, lugar onde<br \/>\nv\u00e3o viver um ano importante nas suas vidas.<br \/>\nLuly Nascimento<\/p>\n<h4>Projeto despedida<br \/>\num planejamento para quem est\u00e1 saindo<\/h4>\n<p>Entre seis e sete anos, as crian\u00e7as vivem<br \/>\nnovamente uma transi\u00e7\u00e3o importante: a sa\u00edda<br \/>\nda escola de educa\u00e7\u00e3o infantil e o ingresso na<br \/>\nescola de ensino fundamental. Muitas crian\u00e7as<br \/>\napresentam dificuldades de entender, elaborar<br \/>\ne expressar os sentimentos que giram em torno<br \/>\ndos fantasmas; encarar a primeira s\u00e9rie numa<br \/>\nescola absolutamente desconhecida, na maioria<br \/>\ndas vezes, e ainda deixar para tr\u00e1s os brinquedos,<br \/>\nos espa\u00e7os e os antigos amigos, pode<br \/>\nparecer assustador. &#8220;O professor de educa\u00e7\u00e3o<br \/>\ninfantil deve considerar esse fato desde o in\u00edcio<br \/>\ndo ano.&#8221; \u2013 orienta o RCNEI2. Para tanto, \u00e9<br \/>\nimportante que ele esteja dispon\u00edvel e atento<br \/>\npara as quest\u00f5es e atitudes que as crian\u00e7as<br \/>\npossam manifestar. E mais, &#8220;\u00e9 interessante<br \/>\nfazer um ritual de despedida, marcando para<br \/>\nas crian\u00e7as este momento de passagem com<br \/>\num evento significativo. Essas a\u00e7\u00f5es ajudam a<br \/>\ndesenvolver uma disposi\u00e7\u00e3o positiva frente \u00e0s<br \/>\nfuturas mudan\u00e7as demonstrando que, apesar<br \/>\ndas perdas, h\u00e1 tamb\u00e9m crescimento&#8221;. Entender<br \/>\no que se passa com as crian\u00e7as \u2013&#8221;manhas&#8221;,<br \/>\nbrigas, choros e outras rea\u00e7\u00f5es confundidas<br \/>\ncom &#8220;malcria\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;indisciplina&#8221; e &#8220;agressividade&#8221;<br \/>\n\u2013, sem puni-las por mau comportamento,<br \/>\ne buscar uma sa\u00edda pedag\u00f3gica para planejar<br \/>\numa despedida menos tortuosa, \u00e9 um<br \/>\ngrande desafio. Foi o que eu vivi como professora<br \/>\ndo pr\u00e9 da escola Criarte3, no segundo<br \/>\nsemestre de 1999.<\/p>\n<div id=\"attachment_706\" style=\"width: 276px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-706\" class=\"size-full wp-image-706\" title=\"avisa_05_projetobb\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa_05_projetobb.jpg\" alt=\"Desenho: crian\u00e7as do pr\u00e9 da Escola Criarte\" width=\"266\" height=\"53\" \/><p id=\"caption-attachment-706\" class=\"wp-caption-text\">As pe\u00e7as do jogo de mem\u00f3ria<br \/>Desenho: crian\u00e7as do pr\u00e9 da Escola Criarte<\/p><\/div>\n<p><strong>Abrindo espa\u00e7o para conversar<br \/>\nsobre o assunto<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Era muito estranho, mas o fato \u00e9 que ao<br \/>\nfinal de agosto comecei a notar que as crian\u00e7as<br \/>\nda minha turma, que j\u00e1 estavam com 6 anos,<br \/>\nprestes a ir para a primeira s\u00e9rie, n\u00e3o falavam<br \/>\nsobre a sa\u00edda da Criarte. As m\u00e3es estavam visitando<br \/>\nescolas para escolher aquela onde os filhos<br \/>\ncursariam o ensino fundamental. Algumas<br \/>\ncrian\u00e7as at\u00e9 participavam de viv\u00eancias e testes,<br \/>\nmas, mesmo assim, a maioria do grupo n\u00e3o<br \/>\ntocava no assunto. Eu sondava as crian\u00e7as,<br \/>\npuxava conversa nas rodas, pedia opini\u00f5es<br \/>\nsobre as mudan\u00e7as que se apresentavam, perguntava<br \/>\nsobre o que estavam sentindo, etc.<br \/>\nmas elas logo desconversavam, mudavam de<br \/>\nassunto ou simplesmente se levantavam da<br \/>\nroda, preparando-se para a pr\u00f3xima atividade,<br \/>\nreclamando:<\/p>\n<p>\u2013 Bia, essa roda t\u00e1 muito chata!<br \/>\n\u2013 J\u00e1 estou cansado de ficar sentado!<\/p>\n<p>Dava para perceber que n\u00e3o queriam falar<br \/>\nsobre aquele assunto. N\u00e3o devia ser f\u00e1cil: para<br \/>\na maioria das crian\u00e7as a Criarte era a \u00fanica<br \/>\nescola que conheciam, o lugar que freq\u00fcentavam<br \/>\ndesde beb\u00eas. Insisti outros dias e de<br \/>\ntanto insistir as crian\u00e7as come\u00e7aram a trazer<br \/>\nseus sentimentos, verbalizando claramente o<br \/>\nque at\u00e9 ent\u00e3o escondiam:<\/p>\n<p>\u2013 Eu n\u00e3o quero sair da escola \u2013 disse uma<br \/>\ndelas.<\/p>\n<p>\u2013 Por que aqui n\u00e3o tem 1\u00aa s\u00e9rie? \u2013 perguntou<br \/>\na outra.<br \/>\n\u2013 Eu n\u00e3o queria crescer, queria voltar pro<br \/>\nGrupo1! \u2013 sintetizou o menino que, diante<br \/>\ndos relatos dos amigos, conseguiu dizer o seu<br \/>\nreal desejo, imposs\u00edvel de ser alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>\u2013 Na escola que minha m\u00e3e foi visitar tem<br \/>\ncantina pra gente comprar lanche. Eu t\u00f4<br \/>\nquerendo conhecer logo, mas n\u00e3o queria sair<br \/>\ndaqui. Eu adoro a Criarte! \u2013 comentou a quarta<br \/>\ncrian\u00e7a, que ouvia atentamente o que os<br \/>\noutros diziam, provavelmente reconhecendo<br \/>\naqueles sentimentos, vividos tamb\u00e9m por ela.<\/p>\n<p>\u2013 Nem eu! Vou estudar na escola que a<br \/>\nminha m\u00e3e estudou, mas acho que nenhuma<br \/>\ndas minhas amigas vai pra l\u00e1 \u2013 lamentou a<br \/>\nquinta crian\u00e7a que entrou nessa conversa.<\/p>\n<p>Eu as ouvia, pensava tamb\u00e9m nas minhas<br \/>\nexperi\u00eancias de separa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo na<br \/>\nadapta\u00e7\u00e3o de meus filhos, e \u00e0 medida queentendia melhor tentava ajud\u00e1-las, mostrando como era poss\u00edvel resolver alguns problemas:<\/p>\n<p>\u2013 A amizade continua! \u2013 dizia eu \u2013 Se<br \/>\ncada um for para uma escola, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o<br \/>\nse encontrar diariamente, claro, mas, toda<br \/>\nvez que sentirem saudade dos amigos, podem<br \/>\ntelefonar para conversar e combinar de se<br \/>\nencontrar nos finais de semana ou nas f\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u2013 Meu irm\u00e3o continua amigo de uns<br \/>\nmeninos que estudavam aqui no Criarte no<br \/>\npr\u00e9! \u2013 lembrou uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o perder estes amigos.<br \/>\nV\u00e3o conhecer outros mais! \u2013 insistia, na tentativa<br \/>\nde mostrar que, sem d\u00favida, perderiam<br \/>\nalgo, mas tamb\u00e9m ganhariam.<\/p>\n<p>\u2013 Quando a gente vier aqui para visitar, que<br \/>\nnem o Armando faz, voc\u00ea vai deixar a gente<br \/>\nentrar na classe e participar da atividade?<\/p>\n<p>\u2013 Vamos conversar um pouco, vou querer<br \/>\nsaber sobre o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo na<br \/>\n1\u00aa s\u00e9rie, mas participar da atividade junto<br \/>\ncom as crian\u00e7as do pr\u00e9 n\u00e3o vai ser poss\u00edvel \u2013<br \/>\ndisse francamente.<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o eu venho na hora do p\u00e1tio, t\u00e1? \u2013<br \/>\nprop\u00f4s, numa tentativa de resolver o problema<br \/>\npositivamente.<\/p>\n<p>\u2013 Combinado!<\/p>\n<p>Depois dessa conversa, notei uma maior<br \/>\ndisponibilidade das crian\u00e7as para falar sobre a<br \/>\nsa\u00edda da escola. As visitas \u00e0s novas escolas<br \/>\ncome\u00e7aram a acontecer com maior freq\u00fc\u00eancia.<br \/>\nOs coment\u00e1rios nas rodas de conversa<br \/>\ntamb\u00e9m: as crian\u00e7as conversavam sobre o<br \/>\nassunto diariamente, mas quase sempre se<br \/>\nlamentando.<\/p>\n<p><strong>Como enfrentar a mudan\u00e7a de<br \/>\ncomportamento<\/strong><\/p>\n<p>Paralelamente a isso, notei tamb\u00e9m que os<br \/>\ndesafios aos limites colocados por mim e os<br \/>\natritos entre as crian\u00e7as do grupo intensificaram-<br \/>\nse por essa \u00e9poca. Havia muito tumulto<br \/>\ne brigas. No auge de uma discuss\u00e3o, era<br \/>\ncomum ouvir uma crian\u00e7a dizer ao amigo ou<br \/>\nmesmo para mim:<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea \u00e9 muito chata! Ainda bem que eu<br \/>\nvou mudar desta escola!<\/p>\n<p>Conversando com a M\u00e1rcia<sup>4<\/sup>, orientadora da<br \/>\nescola, resolvemos estudar o assunto e encarar<br \/>\na dificuldade n\u00e3o como um desvio de comportamento<br \/>\ndas crian\u00e7as, mas como um problema<br \/>\ndo grupo, a ser trabalhado por n\u00f3s. Foi assim<br \/>\nque nasceu o &#8216;Projeto Despedida&#8217;.<br \/>\nPensamos em atividades e momentos nos<br \/>\nquais o grupo pudesse falar mais sobre a sa\u00edda<br \/>\nda escola e tudo o mais que essa separa\u00e7\u00e3o<br \/>\nrepresentava, suas expectativas e tamb\u00e9m seus<br \/>\nmedos. Comecei a contar fatos que aconteceram<br \/>\ncomigo quando tinha a mesma idade<br \/>\ndelas, alguns engra\u00e7ados, outros em que passei<br \/>\npor momentos de ansiedade.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as<br \/>\ngostaram bastante de saber que eu passei<br \/>\npelo que elas tamb\u00e9m estavam passando.<br \/>\nRiram ou se solidarizaram com as minhas<br \/>\nafli\u00e7\u00f5es e aproveitaram para falar sobre fatos<br \/>\nque aconteceram com elas.<br \/>\nEm outubro, na Reuni\u00e3o de Pais, conversamos sobre a dificuldade das crian\u00e7as e pedimos<br \/>\nque falassem mais sobre a sa\u00edda da pr\u00e9escola<br \/>\ne a entrada na escola de ensino fundamental,<br \/>\nque participassem de eventos que a<br \/>\nnova escola estivesse promovendo, contassem<br \/>\ntamb\u00e9m fatos de quando eram crian\u00e7as, relacionados<br \/>\ncom a escola e enfatizassem que<br \/>\ncrescer faz parte da vida.<br \/>\nPara formalizar a sa\u00edda, programei atividades<br \/>\nligadas aos projetos do semestre, para que as<br \/>\ncrian\u00e7as pudessem deixar marcas que trariam a<br \/>\nlembran\u00e7a delas aos que aqui ficassem e, tamb\u00e9m,<br \/>\natividades cujos resultados fossem as marcas<br \/>\ndo que elas levariam para se lembrar da<br \/>\nhist\u00f3ria delas nessa escola. Foram elas:<\/p>\n<ul>\n<li>Jogos de Mem\u00f3ria \u2013 para as crian\u00e7as do<br \/>\ngrupo 1, 2, 3 e para eles pr\u00f3prios, com<br \/>\ndesenhos feitos por todos os amigos do<br \/>\npr\u00e9. As crian\u00e7as pesquisaram o jogo em<br \/>\ncada sala para saber quantas pe\u00e7as teriam<br \/>\nque fazer para cada turma, considerando os<br \/>\ndiferentes n\u00edveis de dificuldade.<\/li>\n<li>Dicas de livros infantis apreciados por elas<br \/>\ne resenhas \u2013 para compor o &#8216;Painel dos<br \/>\nPais&#8217;, fixado na entrada da escola. A lista de<br \/>\nsugest\u00f5es de leitura, elaborada pelas<br \/>\ncrian\u00e7as, foi encaminhada ao dono da<br \/>\nlivraria mais pr\u00f3xima para que os pais<br \/>\npudessem comprar aqueles livros para seus<br \/>\nfilhos.<\/li>\n<li>Decora\u00e7\u00e3o do banheiro das crian\u00e7as \u2013 com<br \/>\ncanetas de retroprojetor as crian\u00e7as<br \/>\ndesenharam lindos motivos que deram um<br \/>\ncolorido especial \u00e0quele espa\u00e7o.<\/li>\n<li>Reforma e pintura da casinha de madeira \u2013<br \/>\nrealizada sob a coordena\u00e7\u00e3o da professora<br \/>\nD\u00e9bora5, que na \u00e9poca pensou uma<br \/>\nseq\u00fc\u00eancia de atividades de pintura especialmente<br \/>\npara decorar a casinha do parque.<br \/>\nPude notar que, ap\u00f3s realizar essas atividades<br \/>\ne conversar sobre a sa\u00edda, as crian\u00e7as<br \/>\nficaram um pouco mais tranq\u00fcilas. Ao dizer &#8216;vai<br \/>\nser diferente&#8217;, &#8216;vai ter muito mais li\u00e7\u00e3o&#8217;<br \/>\nmostravam-se atra\u00eddas, de alguma forma, pela<br \/>\nnovidade que n\u00e3o era mais t\u00e3o assustadora<br \/>\nquanto parecia.<br \/>\nConfesso que esse projeto de despedida<br \/>\ntamb\u00e9m foi bom para mim, pois acompanhei<br \/>\nas descobertas da maior parte desse grupo<br \/>\ndesde os quatro anos de idade, e era dif\u00edcil v\u00ealos<br \/>\npartir. Tamb\u00e9m senti saudade. Mas fiquei<br \/>\naguardando as visitas, torcendo para que continuassem<br \/>\nassim como s\u00e3o, curiosos, sempre<br \/>\nquerendo saber o porqu\u00ea de tudo.<br \/>\n(Beatriz Vannucchi Leme)<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<h5>ARTIGO<\/h5>\n<p>Entre adaptar-se e ser acolhido. Cisele Ortiz. avisa l\u00e1 n\u00ba 2.<\/p>\n<h3>Sustan\u00e7a<\/h3>\n<h5>DICA DE LEITURA<\/h5>\n<p>Quem \u00e9 professor de crian\u00e7as entre 4 e 6 anos e est\u00e1 planejando atividades<br \/>\npara os primeiros dias do ano, ou preparando a passagem para os primeiros dias<br \/>\nnuma nova escola, n\u00e3o pode perder &#8220;A professora de desenho e outras hist\u00f3rias&#8221;,<br \/>\nde Marcelo Coelho, Cia. das Letrinhas. S\u00e3o cinco epis\u00f3dios contados por ele ao<br \/>\nse lembrar de sua passagem pela escola: a paix\u00e3o pela bela professora de<br \/>\ndesenho, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova escola, a primeira namoradinha e as festas de<br \/>\nanivers\u00e1rio, as aulas particulares para o amigo que n\u00e3o aprendia muito bem e o<br \/>\ncl\u00e1ssico epis\u00f3dio &#8220;xixi nas cal\u00e7as&#8221;. Uma \u00f3tima dica para as rodas de leitura e um<br \/>\ninteressante assunto para as primeiras rodas de conversa: as crian\u00e7as poder\u00e3o<br \/>\nfalar sobre suas experi\u00eancias, ouvir Marcelo Coelho e descobrir que os adultos<br \/>\ntamb\u00e9m j\u00e1 foram crian\u00e7a e passaram pelo que elas passam agora. Aproveitem!<\/p>\n<div id=\"attachment_707\" style=\"width: 223px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-707\" class=\"size-full wp-image-707 \" title=\"avisa_05_projetobbb\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa_05_projetobbb.jpg\" alt=\"Desenhos das crian\u00e7as da Escola Vera Cruz, prof. Hel\u00f3 Pacheco\" width=\"213\" height=\"182\" \/><p id=\"caption-attachment-707\" class=\"wp-caption-text\">Desenhos das crian\u00e7as da Escola Vera Cruz, prof. Hel\u00f3 Pacheco<br \/>Ilka, 5 anos<\/p><\/div>\n<h5>Elefantes<\/h5>\n<blockquote><p>Meu primeiro dia na escola foi bem ruim.<br \/>\nHoje em dia as crian\u00e7as n\u00e3o sabem direito<br \/>\ncomo \u00e9 o primeiro dia em que a gente entra na<br \/>\nescola. Elas come\u00e7am muito pequenas, com tr\u00eas anos est\u00e3o<br \/>\nno maternal. Comigo foi diferente.<br \/>\nEu j\u00e1 era meio grande.<br \/>\nTinha seis anos.<br \/>\nImagine. Seis<br \/>\nanos. Quer dizer que,<br \/>\ndesde que eu nasci,<br \/>\nat\u00e9 ter seis anos, eu<br \/>\nficava em casa. Sem fazer<br \/>\nnada. Brincava um pouco. Mas<br \/>\nmeus irm\u00e3os eram muito mais velhos, e<br \/>\ncriei o costume de brincar sozinho.<br \/>\nEra meio chato.<br \/>\nAt\u00e9 que chegou o dia de entrar<br \/>\nna escola. Minha m\u00e3e foi logo<br \/>\navisando.<br \/>\n\u2013 Olha, Marcelo. L\u00e1 na escola,<br \/>\nn\u00e3o pode ficar falando palavra feia. Bunda, coc\u00f4, xixi.<br \/>\nN\u00e3o usa essas palavras.<br \/>\nTocaram a buzina. Era o \u00f4nibus da escola.<br \/>\nEu estava de uniforme. Cal\u00e7a azul curta, camisa branca.<br \/>\nEu tinha uma camisa branca que me dava sorte. Era<br \/>\numa com uma pintinha no colarinho. Gostava daquela<br \/>\npintinha preta. Mas no primeiro dia de aula justo essa<br \/>\ncamisa tinha ido lavar. Fui com outra. Que n\u00e3o dava sorte.<\/p>\n<p>Bom, da\u00ed a aula come\u00e7ou, teve o recreio, eu n\u00e3o conhecia<br \/>\nningu\u00e9m, tirei um sandu\u00edche da lancheira, o lanche<br \/>\nsempre ficava com um gosto de pl\u00e1stico por causa da<br \/>\nlancheira, mas eu n\u00e3o sabia disso ainda, porque era a<br \/>\nprimeira vez que eu usava lancheira, ent\u00e3o tocou o sinal e<br \/>\nfui de novo para a classe.<br \/>\nAt\u00e9 que deu certo no come\u00e7o. A professora explicou<br \/>\nalguma coisa sobre os elefantes. Falou que eles tinham<br \/>\ndentes grandes, e que esses dentes eram muito valiosos.<br \/>\nEnt\u00e3o ela perguntou:<br \/>\n\u2013 Algu\u00e9m sabe qual o nome dos dentes do elefante?<br \/>\nOu melhor, ela falou assim:<br \/>\n\u2013 Algu\u00e9m sabe para que serve os dentes dos elefantes?<br \/>\nVai ver que ela queria perguntar: &#8220;Qual o material precioso<br \/>\nque \u00e9 tirado das presas do elefante?&#8221;.<br \/>\nO fato \u00e9 que eu sabia a resposta e gritei:<br \/>\n\u2013 O marfim!<br \/>\nA professora me olhou muito contente. Os meus colegas<br \/>\ntamb\u00e9m me olharam, mas n\u00e3o pareciam t\u00e3o contentes.<br \/>\nEla brincou:<br \/>\n\u2013 Puxa, voc\u00ea est\u00e1 afiado, heim?<br \/>\nEu n\u00e3o respondi mas fiquei inchado de alegria, como<br \/>\nse fosse um elefantizinho. Dentes afiados.<\/p>\n<p>Tinha sido um bom come\u00e7o.<br \/>\nMas a\u00ed vieram os problemas.<br \/>\nFui ficando com a maior vontade de fazer xixi.<br \/>\nSegurei.<br \/>\nA professora continuava a falar sobre os elefantes.<br \/>\nAssunto mais louco para um primeiro dia de aula.<br \/>\nE a vontade de fazer xixi ia aumentando.<br \/>\nCruzar as pernas n\u00e3o adianta nessa hora.<br \/>\nOlhei para um coleguinha no banco da frente. Tive inveja<br \/>\ndele. Ele estava ali, tranq\u00fcilo. Sem nenhum aperto. Como<br \/>\n\u00e9 que seria estar no lugar dele? Pedir para ele, pedir emprestado<br \/>\no corpo dele por algum tempo? Como algu\u00e9m pode ficar<br \/>\nsem vontade de fazer xixi? Sem nem pensar no problema?<br \/>\nEu estava ficando meio desesperado. Eu era meio t\u00edmido<br \/>\ntamb\u00e9m. Levantei a m\u00e3o. A professora perguntou o que<br \/>\neu queria.<br \/>\n\u2013 Posso ir no banheiro?<br \/>\n\u2013 Espere um pouco, t\u00e1?<br \/>\nEla devia estar achando muito importante aquela<br \/>\nhist\u00f3ria toda de elefantes. Come\u00e7ou a explicar como os elefantes<br \/>\nbebiam \u00e1gua. Eles enchiam a tromba, seguravam<br \/>\nbem, e da\u00ed chu\u00e1\u00e1 &#8230;<br \/>\nLevantei a m\u00e3o de novo.<br \/>\n\u2013 Preciso ir no banheiro, professora &#8230;<br \/>\nEla nem respondeu. Fez s\u00f3 um gesto com a m\u00e3o. Para<br \/>\neu esperar mais.<br \/>\nNa certa, ela estava pensando que, no primeiro dia de<br \/>\naula, \u00e9 importante n\u00e3o facilitar. N\u00e3o dar moleza. Devia<br \/>\nimaginar que todo mundo inventa que quer ir ao banheiro<br \/>\ns\u00f3 para passear um pouco e n\u00e3o ficar ali assistindo aula.<br \/>\nProfessora mais idiota.<br \/>\nLevantei a m\u00e3o pela terceira vez.<br \/>\nEu realmente n\u00e3o ag\u00fcentava mais.<br \/>\nS\u00f3 que a professora nem precisou responder.<br \/>\nTinha tocado o sinal. Fim da aula.<br \/>\nEra s\u00f3 correr at\u00e9 o banheiro.<br \/>\nLevantei da carteira. A gente era obrigado a sair em fila.<br \/>\nFaltava pouco.<br \/>\nClaro que n\u00e3o deu.<br \/>\nFiz o maior xixi. Dentro da classe.<br \/>\nLogo eu, que nunca fui de fazer<\/p>\n<p>grandes xixis. Mas aquele foi fenomenal.<br \/>\nParecia um elefante. Coisa de fazer<br \/>\nbarulho no ch\u00e3o. Chu\u00e1\u00e1 &#8230;<br \/>\nA professora<br \/>\nchegou perto de<br \/>\nmim.<br \/>\n\u2013 Voc\u00ea<br \/>\nestava apertado?<br \/>\nPor<br \/>\nque n\u00e3o me avisou?<br \/>\nEu n\u00e3o soube o<br \/>\nque responder. Mas<br \/>\nentendi algumas<br \/>\ncoisas.<br \/>\nA coisa mais \u00f3bvia \u00e9 que, quando voc\u00ea tem vontade de<br \/>\nfazer xixi, vai e faz. Dane-se a professora. Coisa mais idiota<br \/>\n\u00e9 ficar pedindo para algu\u00e9m<br \/>\ndeixar a gente ir ao banheiro.<br \/>\nBanheiro \u00e9 assunto meu.<br \/>\nOutra coisa \u00e9 que as<br \/>\npessoas, em geral, n\u00e3o<br \/>\nligam para o<br \/>\nque a gente<br \/>\nest\u00e1 sentindo.<br \/>\nPara mim, a<br \/>\nvontade de fazer<br \/>\nxixi era a coisa mais<br \/>\nimportante do mundo. Para a<br \/>\nprofessora, a coisa mais importante<br \/>\ndo mundo era ficar falando<br \/>\nde elefantes.<br \/>\n\u00c9 como se cada pessoa<br \/>\ntivesse um filme dentro da cabe\u00e7a. \u00c9 s\u00f3 prestar aten\u00e7\u00e3o<br \/>\nnesse filme. Filme dos elefantes, filme do xixi.<br \/>\nMais uma coisa. Quando a gente precisa muito, a<br \/>\ngente tem de gritar para valer. Eu devia ter gritado:<br \/>\n\u2013 Professora, tenho vontade de fazer xixi.<br \/>\nOu, se quisesse evitar a palavra feia:<br \/>\n\u2013 Professora, tenho absoluta urg\u00eancia de urinar.<br \/>\nN\u00e3o seria bonito, mas at\u00e9 que seria certo dizer:<br \/>\n\u2013 Vou dar uma mijada, p\u00f4.<br \/>\nMas o pior \u00e9 ficar levantando a m\u00e3o e dizendo baixinho:<br \/>\n\u2013 Professora, posso ir no banheiro?<br \/>\n\u2013 Vai ver que eu estava falando t\u00e3o baixo que ela nem<br \/>\nescutou.<br \/>\nAs pessoas nunca escutam muito bem o que a gente diz.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima coisa.<br \/>\nAquele xixi n\u00e3o teve import\u00e2ncia nenhuma. Eu fiquei<br \/>\nenvergonhado. Ainda mais no primeiro dia de aula. S\u00f3<br \/>\nque, alguns dias depois, o vexame tinha passado. Tudo<br \/>\nficou normal. Tive amigos e inimigos na classe, fiz li\u00e7\u00e3o,<br \/>\nrespondi chamada, e nem a professora, nem meus amigos,<br \/>\nnem meus inimigos, ningu\u00e9m se lembrou do meu xixi.<br \/>\nSabe por qu\u00ea? \u00c9 porque j\u00e1 estava passando outro filme na<br \/>\ncabe\u00e7a deles. Cada pessoa tem outras coisas em que pensar:<br \/>\na briga que os pais est\u00e3o tendo, o irm\u00e3o mais velho que \u00e9<br \/>\nchato, o presente que vai ganhar de anivers\u00e1rio\u2026 S\u00f3 eu liguei<br \/>\nde verdade para o caso do xixi. As outras pessoas est\u00e3o sempre<br \/>\ntratando de assuntos mais s\u00e9rios. Elefantes, por exemplo.<\/p>\n<p>(Coelho, Marcelo. A professora de desenho e outras<br \/>\nhist\u00f3rias. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letrinhas, 1995.<br \/>\nTel.: (0XX11) 826-1822 \u2013 Fax (0XX11) 826-5523.<br \/>\ne.mail: coltras@mtecnetsp.com.br)<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos, creches e pr\u00e9-escolas recebem crian\u00e7as pequenas, nos grupos iniciais, e promovem as despedidas das maiores que, aos 6 anos, dever\u00e3o ocupar vagas na primeira s\u00e9rie do ensino fundamental. Estes momentos \u2013 ingresso e sa\u00edda de uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o infantil \u2013 marcam passagens importantes na vida das crian\u00e7as, nem sempre vividas sem alguma dor ou inquieta\u00e7\u00e3o. Pais e educadores, que convivem diretamente com os conflitos pr\u00f3prios desta fase, s\u00e3o pe\u00e7as importantes para assegurar dias mais tranq\u00fcilos. Por Beatriz Vannucchi Leme<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":3010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35,171,27],"tags":[204,132,202,205,206,201,200,203],"class_list":{"0":"post-702","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-programas","8":"category-revista-avisala-05","9":"category-sustanca","10":"tag-chegada","11":"tag-cronica-2","12":"tag-despedida","13":"tag-iniciacao","14":"tag-marcelo-coelho","15":"tag-passagem","16":"tag-rituais","17":"tag-saida","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/702\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}