{"id":6996,"date":"2011-05-08T16:13:11","date_gmt":"2011-05-08T19:13:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.avisala.org.br\/?p=6996"},"modified":"2023-03-27T19:55:17","modified_gmt":"2023-03-27T22:55:17","slug":"sombras-vivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/sombras-vivas\/","title":{"rendered":"Sombras Vivas"},"content":{"rendered":"<h5>Conceitos de ci\u00eancia f\u00edsica podem interessar crian\u00e7as pequenas a partir da curiosidade que elas demonstram ter em simples acontecimentos do dia a dia<\/h5>\n<p>O percurso desenvolvido ao longo do projeto Sombras Vivas foi vivenciado por uma turma de Grupo 3 (crian\u00e7as de 3 e 4 anos), em 2010, na Escola Vera Cruz<sup>1<\/sup>, e possibilitou a melhor defini\u00e7\u00e3o dos conceitos de luz e de sombra, pertencentes \u00e0 \u00e1rea da Ci\u00eancia F\u00edsica para essas crian\u00e7as. O Sol passou a fazer parte da nossa rotina em dias ensolarados e por isso, algumas se mostraram muito curiosas e come\u00e7aram a fazer pequenas experi\u00eancias com as sombras.<\/p>\n<p>Minha parceira Andr\u00e9a<sup>2<\/sup> e eu resolvemos, ent\u00e3o, observar atentamente essas experi\u00eancias a fim de compreender os questionamentos propostos pelas crian\u00e7as. Por conta disso, criamos diferentes contextos de explora\u00e7\u00e3o e propusemos situa\u00e7\u00f5es coletivas de pesquisa. Para isso, optamos pelo retroprojetor como foco de luz, pois, al\u00e9m de ser o que t\u00ednhamos dispon\u00edvel no momento, ach\u00e1vamos que se utiliz\u00e1ssemos uma lanterna ou uma vela, por exemplo, as sombras n\u00e3o ficariam t\u00e3o n\u00edtidas.<\/p>\n<p>Paralelamente, n\u00f3s professoras estudamos v\u00e1rios conceitos diretamente relacionados ao tema ampliando assim nossa capacidade de fazer leitura das brincadeiras das crian\u00e7as, elaborar boas perguntas e de propor o aprofundamento necess\u00e1rio. Hav\u00edamos previsto que as crian\u00e7as investigariam quest\u00f5es relacionadas \u00e0 refra\u00e7\u00e3o e \u00e0 reflex\u00e3o, como a mudan\u00e7a do tamanho do objeto quando projetado e sua posi\u00e7\u00e3o invertida.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao analisarmos os nossos registros dessas viv\u00eancias, conclu\u00edmos que as pesquisas das crian\u00e7as n\u00e3o se relacionavam com esses conceitos mas sim com a explora\u00e7\u00e3o das sombras que seus movimentos faziam, como demonstraram inicialmente, antes de utilizarmos o retroprojetor.<\/p>\n<p>Para verificar nossa hip\u00f3tese, fizemos uma roda de conversa com as crian\u00e7as e mostramos as imagens dispon\u00edveis sobre suas pesquisas. Ao longo da conversa elas confirmaram que o interesse pela investiga\u00e7\u00e3o era mesmo pelas sombras.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos que o retroprojetor n\u00e3o era o melhor recurso. Por isso, passamos a utilizar um datashow. Criamos situa\u00e7\u00f5es para favorecer a investiga\u00e7\u00e3o de alguns conceitos relacionados ao tema. J\u00e1 sab\u00edamos algumas coisas, como o fato de precisar de luz para a produ\u00e7\u00e3o da sombra e a altera\u00e7\u00e3o do tamanho e a sua posi\u00e7\u00e3o estarem relacionados \u00e0 dist\u00e2ncia e ao \u00e2ngulo da luz, respectivamente. Mas precis\u00e1vamos aprofundar o assunto para identificar as perguntas das crian\u00e7as, incentivar a argumenta\u00e7\u00e3o e a explica\u00e7\u00e3o de suas ideias e de previs\u00f5es como tamb\u00e9m interpretar suas a\u00e7\u00f5es, pois, muitas vezes, elas nos demonstram indaga\u00e7\u00f5es por meio de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa iniciativa nos deu seguran\u00e7a ao longo do trabalho. Com base no que observamos e levando em conta o tempo que t\u00ednhamos dispon\u00edvel para o desenvolvimento e aprofundamento do projeto, dentre todos os conte\u00fados, optamos por selecionar dois focos de pesquisa:<\/p>\n<ul>\n<li>Tamanho da sombra: varia\u00e7\u00e3o do tamanho da sombra relacionada \u00e0s dist\u00e2ncias entre o objeto e o foco de luz e o objeto e o anteparo.<\/li>\n<li>Sombra como aus\u00eancia de luz: defini\u00e7\u00e3o de sombra (regi\u00e3o escura formada pela aus\u00eancia de luz).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Aprendizagem investigativa<\/strong><br \/>\nDurante todo o projeto, nosso planejamento teve de ser revisto a cada etapa em decorr\u00eancia dos conhecimentos das crian\u00e7as e as articula\u00e7\u00f5es e apropria\u00e7\u00f5es que elas realizavam com as atividades propostas. Assim, planej\u00e1vamos uma viv\u00eancia e, ap\u00f3s a an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o dos registros com fotos e falas do grupo, pens\u00e1vamos e elabor\u00e1vamos a etapa seguinte.<\/p>\n<p>Desenvolvemos uma metodologia de pesquisa ao longo do projeto. Tanto para a nossa pesquisa quanto para nortear as pesquisas das crian\u00e7as.\u00a0 Criamos cen\u00e1rios, realizamos rodas di\u00e1rias de conversa e documentamos todo o processo ao longo do percurso.<\/p>\n<p>As atividades propostas e os cen\u00e1rios criados (ambientes planejados) visavam propiciar a investiga\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as relacionada aos conceitos envolvidos e favoreceu a aproxima\u00e7\u00e3o de algumas compet\u00eancias tais como observa\u00e7\u00e3o, previs\u00e3o acompanhada de uma explica\u00e7\u00e3o\/justificativa (levantamento de hip\u00f3teses), verifica\u00e7\u00e3o, coleta de dados, registros, constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es, interpreta\u00e7\u00e3o, argumenta\u00e7\u00e3o, sistematiza\u00e7\u00e3o e<br \/>\ngeneraliza\u00e7\u00e3o, tudo considerando o jeito das crian\u00e7as pensarem e agirem\u00a0 nesta idade.<\/p>\n<p>Havia uma cabaninha montada com panos pretos, que ficava em um canto da sala e funcionava como um lugar de pesquisa permanente durante o que chamamos de Atividade Diversificada \u2013 momento em que as crian\u00e7as escolhem entre algumas propostas oferecidas. Havia um foco de luz nessa cabaninha.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio foi mantido durante todo o projeto, mas era alterado de acordo com o planejamento e com os conceitos selecionados para favorecer a investiga\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento. Durante as viv\u00eancias nos cen\u00e1rios, na cabaninha, por exemplo, observ\u00e1vamos e colet\u00e1vamos dados, registrando as a\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as com anota\u00e7\u00f5es de falas e fotografias. Posteriormente, analisamos esse material, fizemos as devidas interpreta\u00e7\u00f5es, verificamos nossas hip\u00f3teses pr\u00e9vias e levantamos novas hip\u00f3teses sobre as poss\u00edveis pesquisas, d\u00favidas e conhecimentos que as crian\u00e7as vinham construindo.<\/p>\n<div id=\"attachment_7004\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7004\" class=\"wp-image-7004 size-medium\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra1-227x300.jpg\" alt=\"\u201cFiquei pequena porque eu t\u00f4 perto.\u201d M. (fotos: Rebeca Schneider Mesquita)\" width=\"227\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra1-227x300.jpg 227w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra1.jpg 497w\" sizes=\"auto, (max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7004\" class=\"wp-caption-text\">\u201cFiquei pequena porque eu t\u00f4 perto.\u201d M. (fotos: Rebeca Schneider Mesquita)<\/p><\/div>\n<p>No final deste processo, elaboramos uma documenta\u00e7\u00e3o para ser compartilhada com o grupo, nas rodas que antecediam as novas viv\u00eancias nos cen\u00e1rios propostos. O fato de compartilharmos essa documenta\u00e7\u00e3o ajudava-nos a verificar se est\u00e1vamos no caminho intencionado e nos dava pistas para o planejamento de novos cen\u00e1rios e interven\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de proporcionar ao grupo um novo olhar sobre suas viv\u00eancias e de ampliar as possibilidades de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A socializa\u00e7\u00e3o das descobertas individuais ampliou significativamente o conhecimento de todo o grupo. Ao narrar e argumentar suas a\u00e7\u00f5es, suas hip\u00f3teses e pesquisas, todos se aproximavam dos conceitos em quest\u00e3o, al\u00e9m de elabor\u00e1-los melhor. Em todos os momentos, procur\u00e1vamos proporcionar um ambiente de investiga\u00e7\u00e3o, trazendo novas quest\u00f5es, incentivando a busca de explica\u00e7\u00f5es, argumenta\u00e7\u00f5es, previs\u00f5es etc.<\/p>\n<p><strong>Sombra tem tamanho?<\/strong><br \/>\nA partir da escolha dos dois focos de pesquisa, decidimos propor ao grupo quest\u00f5es relacionadas ao tamanho da sombra porque j\u00e1 havia v\u00e1rias crian\u00e7as envolvidas com essa pesquisa e com a reformula\u00e7\u00e3o de hip\u00f3tese muito pr\u00f3xima da defini\u00e7\u00e3o desse conceito. Para essa pesquisa, inclu\u00edmos no cen\u00e1rio da cabaninha papel, caneta, tesoura e barbante.<\/p>\n<p>Convidamos uma crian\u00e7a que estava bastante envolvida com o tamanho de sua sombra para desenh\u00e1-la em diferentes dist\u00e2ncias do anteparo, medindo-as com um peda\u00e7o de barbante. Acredit\u00e1vamos que isso ajudaria na rela\u00e7\u00e3o entre dist\u00e2ncia e tamanho. Uma professora fotografou e fez as medi\u00e7\u00f5es, assim como os desenhos das sombras pequenas e grandes. A crian\u00e7a escolhida elegeu como foco de sua pesquisa o tamanho da sombra de um bloco de madeira e sua ideia foi rapidamente adotada pelos colegas, que a observavam e divertiam-se ao ver as dist\u00e2ncias representadas em peda\u00e7os de barbante, o que fez bastante sentido para todos.<\/p>\n<p>As hip\u00f3teses da maioria das crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 varia\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia dizia respeito ao espa\u00e7o entre elas e o anteparo. No decorrer do projeto, percebemos que algumas crian\u00e7as tamb\u00e9m consideravam o foco de luz em suas investiga\u00e7\u00f5es e n\u00f3s, mesmo sabendo que a dist\u00e2ncia entre o objeto e o foco de luz tamb\u00e9m estava em jogo (ou seja, quanto mais pr\u00f3ximo do foco de luz, maior o tamanho da sombra), optamos por n\u00e3o ampliar essas investiga\u00e7\u00f5es para o grupo todo, pois avaliamos que a aproxima\u00e7\u00e3o do conceito j\u00e1 estava bastante adequada levando em conta sua faixa et\u00e1ria, o que j\u00e1 haviam avan\u00e7ado e as nossas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Onde est\u00e1 a sombra?<\/strong><br \/>\nOutra etapa do trabalho relacionou-se a sombra como regi\u00e3o escura formada pela aus\u00eancia da luz. Esse tema come\u00e7ou a aparecer nas rodas de conversas e, depois, a fazer parte das brincadeiras do grupo (por exemplo quando alguns entravam na frente da luz para esconder as suas sombras ou as dos colegas). Um dia, por exemplo, est\u00e1vamos vendo a foto da sombra de um deles e o grupo ficou curioso porque a perna n\u00e3o aparecia na sombra, o que gerou uma discuss\u00e3o sobre o assunto:<\/p>\n<p>\u201cOnde t\u00e1 a sombra da perna do B?\u201d<br \/>\n\u201cNo escuro.\u201d B.<br \/>\n\u201cPor que n\u00e3o d\u00e1 pra ver?\u201d Rebeca<br \/>\n\u201cPorque a luz n\u00e3o \u00e9 muito grande.\u201d T.<br \/>\n\u201cPorque n\u00e3o tem luz.\u201d L. S.<br \/>\n\u201cPorque t\u00e1 preto, porque n\u00e3o tem luz.\u201d L.<br \/>\n\u201cPorque quando fica luz a sombra aparece. No escuro n\u00e3o aparece luz.\u201d T.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-7005\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra2-230x300.jpg\" alt=\"avisala_46_sombra2\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra2-230x300.jpg 230w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra2.jpg 443w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Sombra tem cor?<\/strong><br \/>\nPropusemos novos cen\u00e1rios que possibilitassem boas condi\u00e7\u00f5es para a verifica\u00e7\u00e3o de suas hip\u00f3teses. Uma crian\u00e7a havia falado que a sombra era transparente e todas as outras discordaram, falando que era preta. Outra, tentando justificar a hip\u00f3tese do colega, falou que a sombra, quando projetada no pano preto, ficava mesmo transparente, hip\u00f3tese que foi aceita por todos.<\/p>\n<p>\u201cA sombra \u00e9 transparente.\u201d L.<br \/>\n\u201cJ\u00e1 sei porque ele falou que \u00e9 transparente. Porque se pega a sombra preta e coloca no pano preto, fica transparente!\u201d T.<\/p>\n<p>Para ajudar a pensar sobre isso, projetamos a luz em um pano preto pendurado no meio da sala e elas viram que a sombra era preta. Repetimos a experi\u00eancia com um anteparo verde e em seguida com um rosa. Antes, por\u00e9m as crian\u00e7as levantaram hip\u00f3teses, de que as sombras ficariam verde e rosa, respectivamente, mas, ap\u00f3s testarem, logo viram que as sombras tamb\u00e9m ficavam pretas. Sombra n\u00e3o tem cara?<\/p>\n<p>O mesmo aconteceu em uma conversa sobre sombra e reflexo. Fal\u00e1vamos sobre a pesquisa de um colega que n\u00e3o havia conseguido ver seu olho em sua sombra. Em algumas viv\u00eancias, as crian\u00e7as j\u00e1 traziam hip\u00f3teses recorrentes em outras brincadeiras sobre isso:<\/p>\n<p>Rebeca: \u201cO G. falou que n\u00e3o dava para ver o olho na sombra dele.\u201d G.: \u201cNem a boca.\u201d<br \/>\nL.: \u201cPorque no pano n\u00e3o d\u00e1 para ver as coisas, s\u00f3 a sombra. S\u00f3 no espelho d\u00e1 para ver.\u201d<\/p>\n<p>Em outro momento, uma crian\u00e7a, ao olhar seu reflexo no vidro da porta da sala, nos disse contente que havia achado sua sombra na porta. Fotografamos a sombra e levamos ao grupo para problematizar a quest\u00e3o.\u00a0 Nessa conversa, as crian\u00e7as levantaram e argumentaram hip\u00f3teses. Enquanto algumas defendiam suas teses iniciais, outras desestabilizavam conceitos e ampliavam o conhecimento:<\/p>\n<p>Rebeca: \u201cO que voc\u00ea descobriu M.?\u201d<br \/>\nM.: \u201cQue tinha sombra.\u201d<br \/>\nRebeca: \u201cPessoal, \u00e9 a sombra do M.?\u201d<br \/>\nL.: \u201cEu acho que sim.\u201d<br \/>\nA.: \u201cD\u00e1 para ver a cal\u00e7a.\u201d<br \/>\nRebeca: \u201cQuando a gente brinca na cabaninha, d\u00e1 para a gente ver a cal\u00e7a, o olho, o nariz?\u201d<br \/>\nCrian\u00e7as: \u201cN\u00e3o.\u201d<br \/>\nV.: \u201cMas o nariz fica preto.\u201d<br \/>\nRebeca: \u201cE no espelho d\u00e1 para ver?\u201d<br \/>\nL.: \u201cEu vejo a minha cara.\u201d<br \/>\nRebeca: E aqui, parece com espelho ou n\u00e3o?<br \/>\nL.: \u00c9, eu t\u00f4 vendo tudo do M., a m\u00e3o, a cara, o cabelo&#8230;<\/p>\n<p>Trabalhamos os focos escolhidos, resolvemos criar um novo contexto para ampliar as investiga\u00e7\u00f5es, propondo um novo cen\u00e1rio. Projetamos fotos do espa\u00e7o da escola em um pano branco colocado no meio da sala. Seria algo novo para as crian\u00e7as e uma nova oportunidade de saber o que elas de fato haviam aprendido. Selecionamos imagens de espa\u00e7os vazios, que poderiam ser preenchidos com as sombras. Nossas hip\u00f3teses eram de que elas<br \/>\ncomporiam as imagens com suas sombras, mas n\u00e3o sab\u00edamos como seria essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Colocamos o pano no meio da sala para as crian\u00e7as pesquisarem: olhar e investigar as sombras que apareciam do outro lado do pano e percebessem o fato de que as sombras projetadas s\u00e3o apenas das pessoas que ficam de um lado do pano, o que tem a luz (nos cen\u00e1rios oferecidos at\u00e9 ent\u00e3o, o pano ficava encostado na parede e as crian\u00e7as n\u00e3o tinham tido a possibilidade de ver que a sombra tamb\u00e9m aparecia do outro lado).<\/p>\n<p>Das proje\u00e7\u00f5es, a que elas mais estabeleceram rela\u00e7\u00f5es foi a das duas cadeiras. Algumas tentavam sentar e ca\u00edam no ch\u00e3o, outras conseguiam sentar de mentirinha e houve quem tenha solucionado o problema com cadeiras de verdade e sentando-se de fato. Do outro lado do pano, algumas crian\u00e7as tentavam adivinhar de quem eram as sombras projetadas.<\/p>\n<p>Essa brincadeira tamb\u00e9m serviu como uma avalia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de ter envolvido o grupo todo, as crian\u00e7as utilizavam e mostravam tudo o que haviam aprendido ao longo do projeto: variavam a dist\u00e2ncia para conseguir uma sombra com um tamanho mais adequado para compor as fotos (quando a cadeira projetada era grande, por exemplo, se distanciavam do pano) e brincavam de tampar a luz para esconder as sombras de todos os colegas que estavam brincando, por exemplo. Como hav\u00edamos previsto, as crian\u00e7as perceberam que a sombra s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se a pessoa estiver entre o pano e o foco de luz.<\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00f5es finais<\/strong><br \/>\nAs a\u00e7\u00f5es e as falas das crian\u00e7as revelaram as aproxima\u00e7\u00f5es que elas fizeram dos conceitos luz e sombra. Ampliaram o conhecimento, tiveram muitas ideias reconstru\u00eddas e ampliadas e muito foi constru\u00eddo, reelaborado e significado. Inicialmente elas achavam que as sombras projetadas por elas pr\u00f3prias n\u00e3o eram delas.<\/p>\n<p>\u201cQuem t\u00e1 atr\u00e1s do pano?\u201d Crian\u00e7as<br \/>\n\u201cApareceu um monstro!\u201d A.<\/p>\n<p>Isso foi mudando ao longo do trabalho:<\/p>\n<div id=\"attachment_7006\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7006\" class=\"size-medium wp-image-7006\" src=\"http:\/\/www.avisala.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra3-300x295.jpg\" alt=\"\u201cA faca tava grande quando o T. colocava na  luz.\u201d L. (fotos: Rebeca Schneider Mesquita)\" width=\"300\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra3-300x295.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/avisala_46_sombra3.jpg 374w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7006\" class=\"wp-caption-text\">\u201cA faca tava grande quando o T. colocava na luz.\u201d L. (fotos: Rebeca Schneider Mesquita)<\/p><\/div>\n<p>No come\u00e7o, elas pensavam que as sombras apareciam por acaso, n\u00e3o tendo nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a luz. Esse conhecimento foi ampliado:<\/p>\n<p>\u201cSai da frente da luz! N\u00e3o consigo ver a sombra!\u201d L.<br \/>\n\u201cTem que ter luz pra ter sombra.\u201d T.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do projeto, as crian\u00e7as ainda n\u00e3o haviam percebido a rela\u00e7\u00e3o e a varia\u00e7\u00e3o do tamanho da sombra, pois muitas ainda nem percebiam que as sombras eram suas pr\u00f3prias proje\u00e7\u00f5es. Da mesma maneira, foi constru\u00eddo o conhecimento sobre a cor da sombra.<\/p>\n<p>Esse projeto evidencia uma poss\u00edvel resposta \u00e0s perguntas iniciais do grupo. A escola, ao proporcionar momentos de reflex\u00f5es coletivas e viv\u00eancias significativas com cen\u00e1rios f\u00e9rteis, possibilita o encontro entre a experi\u00eancia infantil e o conte\u00fado em quest\u00e3o, favorecendo o aprendizado de forma prazerosa a alguns conceitos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>(Rebeca Schneider Mesquita, pedagoga e professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, da Escola Vera Cruz em S\u00e3o Paulo \u2013 SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A Escola Vera Cruz \u2013 Educa\u00e7\u00e3o Infantil atende crian\u00e7as de 1 a 4 anos, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Andr\u00e9a Jota Teixeira \u00e9 pedagoga e professora auxiliar de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Escola Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP.<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>Escola Vera Cruz \u2013 Educa\u00e7\u00e3o Infantil Endere\u00e7o: Rua Alvil\u00e2ndia, 81 \u2013 Vila Madalena. CEP:05449-070 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP Tel.: (11) 3022-3021 E-mail: ei@veracruz.edu.br Site: www.veracruz.edu.br<\/li>\n<li>Coordenadora pedag\u00f3gica da Educa\u00e7\u00e3o Infantil: Elizabeth Doria Scatolin<\/li>\n<li>Orientadora: Fabiana Meirelles Peccin<\/li>\n<li>Assessora de Ci\u00eancias: Luciana Hubner<\/li>\n<li>Professora: Rebeca Schneider Mesquita E-mail: rebasch.mesquita@gmail.com<\/li>\n<li>Professora Auxiliar: Andr\u00e9a Jota Teixeira<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Para Saber Mais<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Duas reflex\u00f5es sobre a documenta\u00e7\u00e3o, in: A abordagem italiana \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Infantil de. Edwards, C. e Gandini, L. Bambini. Artmed: Porto Alegre. Tel.: (51) 3027- 7000, SAC: 0800 703 3444. Site: www.artmed.com.br<\/li>\n<li>Sombras, de Lee S. Editora Cosac Naify: S\u00e3o Paulo. Tel.: (11) 3218-1472\/1473. Site: http:\/\/editora.cosacnaify.com.br<\/li>\n<li>Como as crian\u00e7as aprendem as Ci\u00eancias, de Astolfi, J.P. e V\u00e9rnin, A.\u00a0\u00a0 Instituto Piaget:Lisboa. Site: www.ipiageteditora.com.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conceitos de ci\u00eancia f\u00edsica podem interessar crian\u00e7as pequenas a partir da curiosidade que elas demonstram ter em simples acontecimentos do dia a dia. 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