{"id":576,"date":"2001-01-21T02:25:35","date_gmt":"2001-01-21T04:25:35","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=576"},"modified":"2023-03-27T10:34:02","modified_gmt":"2023-03-27T13:34:02","slug":"direto-da-pratica-o-que-as-instituicoes-pensam-e-como-se-organizam-para-planejar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/programas\/direto-da-pratica-o-que-as-instituicoes-pensam-e-como-se-organizam-para-planejar\/","title":{"rendered":"Direto da pr\u00e1tica: O que as institui\u00e7\u00f5es pensam e como se organizam para planejar"},"content":{"rendered":"<h5>Para que se efetive um curr\u00edculo apropriado \u00e9 necess\u00e1rio planejar em dois n\u00edveis: num n\u00edvel mais global, a equipe da creche ou pr\u00e9-escola, compartilhando planos, decide crit\u00e9rios e metas para o trabalho de um ano. Num outro n\u00edvel est\u00e1 o planejamento do professor, que se realiza por meio de projetos, seq\u00fc\u00eancias de atividades e atividades permanentes. Veja, nas p\u00e1ginas seguintes, como duas institui\u00e7\u00f5es educativas conseguem articular esses dois n\u00edveis durante o ano letivo<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<h5><strong>Entrevistadas:<\/strong><\/h5>\n<p><strong><em>Sueli Aparecida de Campos Silva<\/em><\/strong>, coordenadora pedag\u00f3gica da Creche Maria Stefano Maluf, mantida pela Associa\u00e7\u00e3o Obra do Ber\u00e7o em conv\u00eanio com a prefeitura. Atende a comunidade do bairro de Pedreira, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong><em>Maria Virg\u00ednia Gastaldi<\/em><\/strong>, coordenadora pedag\u00f3gica da Logos, escola particular no bairro de Pinheiros, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Revista: Conte\u00fado e faixa et\u00e1ria: Existe um m\u00ednimo comum a todas as crian\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sueli:<\/strong> \u00c9 mais importante pensar &#8220;o qu\u00ea&#8221; e &#8220;como&#8221; do que &#8220;quanto&#8221;. Em 94, quando come\u00e7amos a repensar nossa pr\u00e1tica, sab\u00edamos que o trabalho da creche n\u00e3o era s\u00f3 cuidado, mas n\u00e3o sab\u00edamos quais conte\u00fados e como trabalhar com a educa\u00e7\u00e3o. T\u00ednhamos como refer\u00eancia uma realidade do passado, vinda de nossa experi\u00eancia de magist\u00e9rio. Us\u00e1vamos, por exemplo, calend\u00e1rio comemorativo e muito desenho mimeografado. Com a chegada do RCNEI, ganhamos um alicerce para trabalhar esse educar, que envolve o conhecimento de mundo e a forma\u00e7\u00e3o pessoal e social. Hoje tentamos equilibrar diferentes conte\u00fados num dia. As brincadeiras, o jogo simb\u00f3lico e o contato com diferentes portadores de textos s\u00e3o propostas garantidas a todas as turmas, desde o ber\u00e7\u00e1rio, sempre adequado a cada faixa et\u00e1ria. L\u00e1, por exemplo, as educadoras l\u00eaem para os beb\u00eas e conversam muito com eles. No jardim, com crian\u00e7as maiores, a professora l\u00ea e conversa mas tamb\u00e9m trabalha com poesias, parlendas e outros textos mais dirigidos para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita.<\/p>\n<p><strong>Virg\u00ednia:<\/strong> Existem conte\u00fados necess\u00e1rios e importantes para as crian\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o infantil, definidos pelo RCNEI, que \u00e9 o rientador da a\u00e7\u00e3o na escola. Mas, se n\u00f3s planejamos para alunos espec\u00edficos, \u00e9 preciso considerar quais conte\u00fados ser\u00e3o fundamentais. Para tomar a decis\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta a hist\u00f3ria do grupo de crian\u00e7as, sua experi\u00eancia. Isso aponta para os conte\u00fados que possibilitem \u00e0quele grupo estabelecer rela\u00e7\u00f5es significativas com o conhecimento.<br \/>\nUm outro aspecto a ser considerado \u00e9 a experi\u00eancia e a condi\u00e7\u00e3o de trabalho do professor do grupo. Valorizamos, em primeiro lugar, aquilo que o professor sabe e faz bem porque, do nosso ponto de vista, esse conhecimento \u00e9 o carro- chefe da rela\u00e7\u00e3o do professor com os alunos.<\/p>\n<p>A escolha do conte\u00fado tem que considerar algo que encante tamb\u00e9m o professor ou o que ele ache que \u00e9 adequado e interessante para as crian\u00e7as, naquele momento. Sua decis\u00e3o \u00e9 referendada e acompanhada pela coordena\u00e7\u00e3o, que sempre planeja novas formas de ampliar a rela\u00e7\u00e3o do professor com textos e leituras, para que se possam criar diferentes possibilidades de trabalho que atendam \u00e0s necessidades que se criam com as crian\u00e7as, no decorrer do ano. H\u00e1, certamente, um m\u00ednimo que s\u00e3o os objetivos, o norte de nossa a\u00e7\u00e3o. Sempre que vamos planejar, avaliamos qual a\u00e7\u00e3o nos leva \u00e0queles objetivos. A constru\u00e7\u00e3o da autonomia, por exemplo, est\u00e1 presente no trabalho para todas as idades. Pensamos, como crit\u00e9rio, no m\u00e1ximo de autonomia poss\u00edvel a ser alcan\u00e7ado por cada sala. O professor que assumir\u00e1 uma sala deve seguir a partir da\u00ed. Existe, certamente, um limite aos dois anos, aos tr\u00eas, etc., mas h\u00e1 que se considerar a possibilidade de cada grupo com cada professor. Tamb\u00e9m planejamos para que todas as crian\u00e7as tenham acesso ao universo letrado. Dos quatro anos em diante, \u00e9 necess\u00e1rio que comecem a pensar sobre o sistema notacional. A leitura e o trabalho de biblioteca j\u00e1 se firmaram na escola porque se mostraram estruturantes para se alcan\u00e7ar os objetivos de letramento. Cuidamos, desde os dois anos, da rela\u00e7\u00e3o prazerosa das crian\u00e7as com os textos, num contexto em que sejam tratadas, desde cedo, como leitoras.<\/p>\n<p><strong>Como organizar a continuidade dos conte\u00fados trabalhados para o ano seguinte?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_584\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-584\" class=\"size-full wp-image-584\" title=\"avisala_05_projeto\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_05_projeto.jpg\" alt=\"Sueli Aparecida, Coordenadora de creche com as crian\u00e7as\" width=\"242\" height=\"188\" \/><p id=\"caption-attachment-584\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;As brincadeiras, o jogo simb\u00f3lico e o contato com diferentes portadores s\u00e3o garantidos desde o bre\u00e7\u00e1rio, sempre adequando a cada faixa et\u00e1ria&#8221;<br \/>(Sueli Aparecida de Campos Silva)<\/p><\/div>\n<p><strong>Sueli:<\/strong> N\u00f3s nos preocupamos com a continuidade. Quando vamos montar os m\u00f3dulos para o ano seguinte, garantimos uma reuni\u00e3o dos professores que v\u00e3o receber a sala com os professores que tinham a responsabilidade daquelas crian\u00e7as no ano anterior. Quando uma educadora faz a passagem para sua colega, contando tudo o que fez, como as crian\u00e7as aprenderam, ela passa um conhecimento muito elaborado. Isso porque, durante o ano anterior, nas reuni\u00f5es semanais de planejamento com a coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, ela fez muitos ajustes, transformando a realidade. Com essa troca a professora pode estabelecer rela\u00e7\u00f5es que ajudam a pensar uma continuidade, a estabelecer quais s\u00e3o os conte\u00fados a serem desenvolvidos para que o avan\u00e7o daquele grupo seja garantido.<\/p>\n<p><strong>Virg\u00ednia:<\/strong> \u00c9 preciso estar atento para duas coisas: a continuidade e a diversidade. H\u00e1 um tempo de priorizar isso ou aquilo. Por exemplo, crian\u00e7as que trabalharam com um professor especialmente atento \u00e0 literatura no ano anterior, adquirindo experi\u00eancia nesse campo, possivelmente n\u00e3o tenham tido tempo para outra experi\u00eancia, igualmente ampla, com as artes visuais. Ent\u00e3o, no ano seguinte, \u00e9 preciso diversificar, investir em outros conte\u00fados. Por outro lado, \u00e9 preciso avaliar as condi\u00e7\u00f5es de cada grupo de crian\u00e7as. J\u00e1 tivemos, por exemplo, um grupo decrian\u00e7as bastante heterog\u00eaneo, vindas de experi\u00eancias muito diferentes. Nesse caso, o professor se preocupou mais com a forma\u00e7\u00e3o do grupo, com a din\u00e2mica de trabalho e a organiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, propostas de jogos, brincadeiras, hist\u00f3rias que poderiam encantar o grupo, para criar possibilidades de outros trabalhos. Pode acontecer de uma sala n\u00e3o dominar os mesmos conte\u00fados j\u00e1 dominados por outras classes da mesma idade. Isso tamb\u00e9m deve ser considerado na hora da escolha, de forma a n\u00e3o colocar um grupo em preju\u00edzo em rela\u00e7\u00e3o a outros. O professor, ent\u00e3o, precisa avaliar o grupo que tem, para pensar situa\u00e7\u00f5es que deve criar, para alcan\u00e7ar suas metas.<\/p>\n<p><strong>Em que momento planejar? Existe um per\u00edodo especial para esse trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sueli:<\/strong> Planeja-se e replaneja-se o ano todo. No final do ano, no nosso encontro de estudos, dia em que a creche fecha, reservamos uma tarde para que as professoras fa\u00e7am a passagem de sua turma para o ano seguinte, contando o que realizou naquele ano. Participam todas as educadoras e a coordenadora pedag\u00f3gica. Tamb\u00e9m h\u00e1 um momento de troca de experi\u00eancias entre profissionais de outras creches da Obra do Ber\u00e7o. Dividimos o grupo de acordo com os m\u00f3dulos (por faixa et\u00e1ria) com que cada educadora trabalha. Essa troca ajuda a repensar o planejamento para sua sala, a aproveitar id\u00e9ias, sugest\u00f5es etc.<br \/>\nMas s\u00f3 isso n\u00e3o basta. \u00c9 preciso acompanhar as professoras durante o ano todo. Eu programo reuni\u00f5es semanais de planejamento com elas. A cada semana eu me re\u00fano com uma professora, a respons\u00e1vel pelo planejamento daqueles dias; temos sempre uma respons\u00e1vel enquanto a outra professora assessora. Na semana seguinte, se revezam. Em alguns casos eu atendo \u00e0 dupla, quando vejo que uma educadora, por estar na sala h\u00e1 mais tempo, pode ajudar a outra que est\u00e1 chegando \u00e0quele m\u00f3dulo. Levo minhas observa\u00e7\u00f5es, as professoras trazem suas ideias e d\u00favidas e n\u00f3s as compartilhamos, avaliando o que deu e o que n\u00e3o deu certo e o que precisa ser ajustado.<br \/>\nFico muito mal quando n\u00e3o consigo, por algum motivo, me reunir com a educadora. Quando isso ocorre, na primeira hora do dia seguinte fa\u00e7o a reuni\u00e3o. Priorizo o planejamento porque \u00e9 nele que constru\u00edmos nosso trabalho, nele que acontecem os ajustes. \u00c9 o tempo de refletir.<br \/>\nN\u00e3o deixamos o professor sozinho, porque o planejamento depende da discuss\u00e3o, \u00e9 um processo, um vaiv\u00e9m baseado em registro e observa\u00e7\u00e3o. Tudo aquilo o que lemos sobre os instrumentos metodol\u00f3gicos como o registro, a observa\u00e7\u00e3o, aquelas orienta\u00e7\u00f5es, s\u00f3 fazem sentido quando os colocamos em pr\u00e1tica. N\u00e3o se muda nada antes de observar e diagnosticar.<\/p>\n<div id=\"attachment_585\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-585\" class=\"size-full wp-image-585\" title=\"avisala_05_projeto2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_05_projeto2.jpg\" alt=\"Virg\u00ednia Gastaldi\" width=\"242\" height=\"171\" \/><p id=\"caption-attachment-585\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;O planejamento feito no in\u00edcio do ano \u00e9 nosso conhecimento pr\u00e9vio,<br \/>o que nos sustenta, produto da nossa hist\u00f3ria&#8221;<br \/>(Virg\u00ednia Gastaldi)<\/p><\/div>\n<p><strong>Virg\u00ednia:<\/strong> A melhor \u00e9poca para planejar \u00e9 sempre. A gente trabalha numa perspectiva que n\u00e3o \u00e9 r\u00edgida, por isso n\u00e3o podemos ignorar o andamento da turma. Mas h\u00e1 grandes marcos no planejamento: final de ano e come\u00e7o de ano. Na Logos, o in\u00edcio do ano \u00e9 um marco daquilo que ser\u00e1 a espinha dorsal do trabalho naquele ano. Toda a equipe participa. O planejamento de 2000 come\u00e7ou no final de 99, quando todos os professores j\u00e1 fizeram avalia\u00e7\u00f5es do trabalho realizado em anos anteriores, em cada classe.<br \/>\nTudo \u00e9 documentado e passado aos professores que assumir\u00e3o as turmas do ano 2000: s\u00e3o cartas contando o que as crian\u00e7as aprenderam e o que foi objeto de interesse e motiva\u00e7\u00e3o na aprendizagem das crian\u00e7as no ano de 99, ou seja, a trajet\u00f3ria daquela classe. Cabe ao professor do ano 2000 discutir e trocar impress\u00f5es com toda a equipe, a fim de escolher os conte\u00fados interessantes, seja para a continuidade, seja para a diversidade, que s\u00e3o duas preocupa\u00e7\u00f5es importantes. Esse produto \u00e9 o nosso conhecimento pr\u00e9vio, o que nos sustenta, produto da nossa hist\u00f3ria, um n\u00edvel de planejamento que s\u00f3 se realiza durante o ano. Cada professor, de acordo com suas possibilidades, escreve seus planejamentos. Como estamos em forma\u00e7\u00e3o permanente, consideramos os planejamentos como provis\u00f3rios. Eles s\u00e3o reformulados \u00e0 medida que o professor desenvolve a\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as, reflete sobre elas e consegue observar outros aspectos do trabalho. Ao entrarem em cena novos elementos da teoria e novas a\u00e7\u00f5es, o professor ganha a condi\u00e7\u00e3o de fazer uma segunda, terceira vers\u00e3o de planejamento. \u00c0s vezes, a vers\u00e3o que o satisfaz \u00e9 a que fica pronta quando ele est\u00e1 finalizando o trabalho. Do ponto de vista da forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma das coisas mais importantes, pois d\u00e1 ao professor a oportunidade de refletir, reformular e formalizar suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Como alimentar o planejamento durante o ano e dar continuidade ao trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sueli:<\/strong> Nas creches da Obra do Ber\u00e7o, todas as educadoras t\u00eam direito a uma hora de leitura semanal, para aprimorar seus projetos. Al\u00e9m disso, n\u00f3s tamb\u00e9m temos, uma vez por m\u00eas, uma reuni\u00e3o que antes era chamada de reciclagem. Um dia, os pais perguntaram: &#8220;O que voc\u00eas reciclam quando fecham a creche? Garrafa, jornal, o qu\u00ea?&#8221; S\u00f3 ent\u00e3o nos demos conta de como usamos termos inadequados! Agora n\u00f3s chamamos essa reuni\u00e3o de &#8220;encontro de estudos&#8221;. Nesse dia a creche fecha. Reservamos o per\u00edodo da manh\u00e3 para o projeto de forma\u00e7\u00e3o dos professores<sup>1<\/sup> e de toda a equipe da Obra do Ber\u00e7o. \u00c0 tarde o grupo planeja suas atividades, tendo como subs\u00eddio a discuss\u00e3o feita pela manh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Virg\u00ednia:<\/strong> Costumamos escolher, no in\u00edcio de cada ano, as \u00e1reas que ser\u00e3o objeto de discuss\u00e3o mais apurada e mais aprofundada por parte dos professores. No ano passado, por exemplo, n\u00f3s discutimos seq\u00fc\u00eancias de ci\u00eancias, porque avaliamos a trajet\u00f3ria de crian\u00e7as, a nossa trajet\u00f3ria como professores, e da pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o infantil: t\u00ednhamos consci\u00eancia de que, no ano passado, hav\u00edamos buscado muitos caminhos, aberto possibilidades. Mas precis\u00e1vamos de planejamentos que atendessem a objetivos e conte\u00fados mais espec\u00edficos, que assegurassem a aprendizagem de procedimentos, como, por exemplo, a observa\u00e7\u00e3o direta ou indireta, o manuseio de instrumentos, a condi\u00e7\u00e3o de lidar e tratar as informa\u00e7\u00f5es de fontes diversas, como v\u00eddeos etc., e a condi\u00e7\u00e3o de sistematizar essas informa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o demos enfoque maior aos conte\u00fados procedimentais.<\/p>\n<p>Usamos grande parte das reuni\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o<sup>2<\/sup> do ano passado para planejar, discutir as a\u00e7\u00f5es realizadas com as crian\u00e7as, o alcance delas, avaliar e reformular planejamentos. Ganhamos no ano passado, como equipe, a condi\u00e7\u00e3o de fazer planejamentos mais espec\u00edficos de ci\u00eancias biol\u00f3gicas, particularmente, porque optamos por trabalhar seq\u00fc\u00eancias mais modestas, mas que tivessem um compromisso maior com a<br \/>\nqualidade do que era ensinado \u00e0s crian\u00e7as. Temos feito o mesmo, sucessivamente, com outros conte\u00fados.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> No \u00faltimo ano os educadores estudaram com maior profundidade os processos de aprendizagem da linguagem escrita, em especial a leitura.<br \/>\n<sup>2<\/sup> Na Escola Logos os professores t\u00eam assegurada uma reuni\u00e3o de equipe de 2 horas por semana, al\u00e9m de 1 hora semanal, com a coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, para planejamento.<\/p>\n<h4><strong>Para que planejar<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>Organizar nossas hip\u00f3teses, tornar consciente a intencionalidade que est\u00e1 por tr\u00e1s das interven\u00e7\u00f5es que se pensam necess\u00e1rias.<\/li>\n<li>Tornar realidade os sonhos, as id\u00e9ias, as finalidades e as inten\u00e7\u00f5es educativas.<\/li>\n<li>Esclarecer, orientar e dar id\u00e9ias de atividades e outras propostas que queremos realizar para ensinar algo.<\/li>\n<li>Permitir tomadas de decis\u00e3o melhores, mais refletidas e justificadas de acordo com as inten\u00e7\u00f5es, ou seja, o que se quer ensinar.<\/li>\n<li>Ajudar a pensar formas de acolher e integrar as diferen\u00e7as entre as crian\u00e7as levando em conta seus conhecimentos pr\u00e9vios e suas capacidades, potencializando os saberes do grupo.<\/li>\n<li>Prever as poss\u00edveis dificuldades de cada crian\u00e7a e orient\u00e1-la com a ajuda necess\u00e1ria.<\/li>\n<li>Dar suporte para que se possa preparar e prever recursos necess\u00e1rios.<\/li>\n<li>Dar par\u00e2metros e crit\u00e9rios para organiza\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o.<\/li>\n<li>Tornar observ\u00e1vel o que se deve avaliar e ajudar a prever os momentos de faz\u00ea-lo, durante o percurso do trabalho desenvolvido com as crian\u00e7as.<\/li>\n<li>Diante da avalia\u00e7\u00e3o e das inten\u00e7\u00f5es previamente pensadas, o planejamento garante a possibilidade de regular o processo de ensino ao de aprendizagem, garantindo realmente a aprendizagem das crian\u00e7as.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>(Do livro Aprendizagem da L\u00edngua Escrita, D\u00e9lia Lerner)<\/p>\n<h4><strong>Necessidades que um bom planejamento deve contemplar<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>Dar uma orienta\u00e7\u00e3o diferente a certas atividades.<\/li>\n<li>Conceber o plano de trabalho como um instrumento flex\u00edvel, capaz de acomodar-se a inquieta\u00e7\u00f5es, contribui\u00e7\u00f5es, hip\u00f3teses e estrat\u00e9gias das crian\u00e7as.<\/li>\n<li>Levar em considera\u00e7\u00e3o os interesses do grupo em diferentes momentos de desenvolvimento da proposta.<\/li>\n<li>Aproveitar materiais interessantes e acontecimentos imprevistos.<\/li>\n<li>Buscar pontos em comum entre as diferentes \u00e1reas.<\/li>\n<li>Tomar como ponto de partida problemas detectados nas produ\u00e7\u00f5es escritas das crian\u00e7as ou surgidos durante as discuss\u00f5es.<\/li>\n<li>Vincular o conte\u00fado escolar com o contexto pr\u00e9-escolar.<\/li>\n<li>N\u00e3o se pode contar com uma seq\u00fc\u00eancia fixa de conte\u00fados a serem transmitidos dia-a-dia.<\/li>\n<li>Prever atividades coletivas e grupais.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>(Do livro Aprendizagem da L\u00edngua Escrita, D\u00e9lia Lerner)<\/p>\n<h4><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Como trabalhar com conte\u00fados procedimentais em sala de aula. Antoni Zabala. Ed.Artmed, Tel.: (0XX11) 883-6160<\/li>\n<li>O Curr\u00edculo \u2013 uma reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica. J.G. Sacrist\u00e1n. Ed.Artmed.<\/li>\n<li>Os conte\u00fados na reforma. Coll, Pozo, Sarabia &amp; Valls. Ed.Artmed.<\/li>\n<li>Aprendizagem da L\u00edngua Escrita. D\u00e9lia Lerner. Ed.Artmed.<\/li>\n<li>Aprender e ensinar na educa\u00e7\u00e3o infantil. Bassedas, Huguet &amp; Sol\u00e9. Ed.Artmed.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Sueli Aparecida de Campos Silva e Maria Virg\u00ednia Gastaldi sobre planejamento nas institui\u00e7\u00f5es educativas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35,171],"tags":[178,175,180,179,176],"class_list":{"0":"post-576","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-programas","8":"category-revista-avisala-05","9":"tag-logos","10":"tag-maria-virginia-gastaldi","11":"tag-planejamento","12":"tag-projeto","13":"tag-sueli-aparecida-de-campos-silva","15":"post-with-thumbnail","16":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/576\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}