{"id":558,"date":"2001-01-20T02:00:41","date_gmt":"2001-01-20T04:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=558"},"modified":"2023-03-27T10:34:15","modified_gmt":"2023-03-27T13:34:15","slug":"cuidados-compartilhados-um-planejamento-para-acolher-os-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/jeitos-de-cuidar\/cuidados-compartilhados-um-planejamento-para-acolher-os-pais\/","title":{"rendered":"Cuidados compartilhados &#8211; Um planejamento para acolher os pais"},"content":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m mais duvida da import\u00e2ncia que tem o acolhimento das crian\u00e7as ao chegarem \u00e0 escola (avisa l\u00e1 n\u00ba 2). T\u00e3o importante quanto ele \u00e9 o trabalho com as fam\u00edlias. \u00c9 comum que os pais alimentem uma expectativa de que seus filhos sejam cuidados, na institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, da mesma forma individualizada como s\u00e3o cuidados em casa. Na maioria das vezes, sabem pouco sobre as rela\u00e7\u00f5es e o cotidiano em ambientes coletivos. A desinforma\u00e7\u00e3o aumenta as d\u00favidas, gera ansiedade e inseguran\u00e7a, que acabam sendo transferidas aos filhos. Esta atmosfera tensa dificulta a entrada das crian\u00e7as e o trabalho dos educadores que mediam a passagem de casa para a institui\u00e7\u00e3o educativa. Para cuidar desta rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada, duas creches planejaram o acolhimento aos pais buscando formas de compartilhar os cuidados e a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. \u00c9 o que vamos ver nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&#8220;As fam\u00edlias, tendo o direito de compartilhar a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, devem ter suas d\u00favidas, ang\u00fastias e ansiedades acolhidas pela institui\u00e7\u00e3o&#8221;<br \/>\n\u2013 diz o RCNEI<sup>1<\/sup>. Esta orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais importante na ocasi\u00e3o do ingresso de uma crian\u00e7a pequena a uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, pois os pais exercem uma influ\u00eancia marcante sobre as rea\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es de seus filhos durante o processo de adapta\u00e7\u00e3o (veja texto abaixo).<br \/>\nNesse sentido, apoiar e tranq\u00fcilizar os pais \u00e9 uma forma indireta de ajudar tamb\u00e9m as crian\u00e7as. A presen\u00e7a deles n\u00e3o atrapalha, como j\u00e1 se pensou. Ao contr\u00e1rio, os pais s\u00e3o as pessoas que mais conhecem as crian\u00e7as, e por isso podem facilitar o relacionamento com outros adultos. Essa tem sido a perspectiva adotada por muitas institui\u00e7\u00f5es na hora de planejar o acolhimento.<\/p>\n<p>Os ber\u00e7\u00e1rios que atendem os funcion\u00e1rios da empresa de cosm\u00e9ticos Natura<sup>2<\/sup>, por exemplo, integram a fam\u00edlia desde o momento da recep\u00e7\u00e3o das m\u00e3es at\u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. As m\u00e3es, em geral, n\u00e3o t\u00eam muito tempo, e de fato \u00e9 dif\u00edcil comparecer \u00e0 creche quando t\u00eam a press\u00e3o de uma jornada de trabalho a cumprir. Por isso, o ber\u00e7\u00e1rio da Natura aproveita os tr\u00eas \u00faltimos dias da licen\u00e7a- maternidade da m\u00e3e: num dia ela vem confirmar a vaga pretendida, informar-se sobre a documenta\u00e7\u00e3o que deve ser trazida e tirar as d\u00favidas mais comuns como, por exemplo, quantas e quais roupas e fraldas s\u00e3o suficientes, como deve ser as mamadeiras, etc. Nesse primeiro encontro, a coordenadora pedag\u00f3gica acompanha a m\u00e3e numa visita ao ber\u00e7\u00e1rio, fazendo as apresenta\u00e7\u00f5es das educadoras, lactarista, etc.<br \/>\nDepois das apresenta\u00e7\u00f5es, vem o momento da entrevista de matr\u00edcula,<br \/>\ndestinado a esclarecer as d\u00favidas das m\u00e3es, dar outras explica\u00e7\u00f5es, apresentar a proposta pedag\u00f3gica. Foi assim durante alguns anos, at\u00e9 que F\u00e1tima Regina Meneguello, coordenadora de uma das unidades, acompanhando as m\u00e3es de perto, se deparou com um problema que exigiu uma reflex\u00e3o e uma a\u00e7\u00e3o para melhor atender as crian\u00e7as e suas fam\u00edlias. \u00c9 o que ela nos conta:<\/p>\n<p><strong>Como as m\u00e3es se sentem ao deixar seus filhos na creche<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Por mais que n\u00f3s, coordenadoras, convers\u00e1ssemos na entrevista, sobre todos os pontos que sab\u00edamos ser conflitantes, dif\u00edceis e por vezes dolorosos \u2013 separa\u00e7\u00e3o do beb\u00ea, inclus\u00e3o em um ambiente coletivo e o desejo de atendimento individual, novo ritmo de sono, novos h\u00e1bitos de banho, alimenta\u00e7\u00e3o, etc. \u2013, era vis\u00edvel que nem sempre as m\u00e3es saiam seguras deste encontro. Eu me perguntava se as m\u00e3es, mesmo tendo escolhido o ber\u00e7\u00e1rio como melhor op\u00e7\u00e3o para seu beb\u00ea, mesmo tendo boas refer\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade de nosso trabalho, tinham condi\u00e7\u00f5es de realmente compreender, durante a entrevista, todos os sentimentos e inquieta\u00e7\u00f5es que surgiriam neste processo inicial, e que poderiam ser resolvidos mais facilmente se estivessem expl\u00edcitos. Era dif\u00edcil, para elas, identificar os conflitos, pois muitos surgiam s\u00f3 depois da entrevista, vivendo o cotidiano. Mas mesmo quando isso acontecia, n\u00e3o era explicitado. Este jeito de lidar com as emo\u00e7\u00f5es mostrava a necessidade de passar uma imagem de tranq\u00fcilidade, equil\u00edbrio, seguran\u00e7a, para a coordena\u00e7\u00e3o e para as educadoras, talvez firmadas na cren\u00e7a de que quanto menos indaga\u00e7\u00f5es e dificuldades mostrassem, melhor seu filho seria recebido.<\/p>\n<p>Diante de tudo isso, pensei: se a m\u00e3e passasse por uma experi\u00eancia<br \/>\nparecida com a de seu beb\u00ea, entrasse em contato com um novo ambiente,<br \/>\nsem nenhuma informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, ser\u00e1 que ela teria um contato direto<br \/>\ncom seus conflitos, medos e ang\u00fastias, identificando-os mais facilmente?<br \/>\nE, ainda, se ela fosse recebida por uma educadora que a acompanhasse<br \/>\nmais atentamente, estabelecendo com ela um v\u00ednculo mais estreito, ser\u00e1 que essa m\u00e3e ganharia mais confian\u00e7a, podendo facilitar, conseq\u00fcentemente, o processo de adapta\u00e7\u00e3o de seu beb\u00ea? Achava que sim. Apostando nessas hip\u00f3teses, realizei a primeira modifica\u00e7\u00e3o no processo.<br \/>\nNo primeiro dia de adapta\u00e7\u00e3o, uma educadora receberia a m\u00e3e e a acompanharia, respondendo \u00e0s d\u00favidas imediatamente. Ela continuaria junto tamb\u00e9m na entrevista inicial com a coordena\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que todas as educadoras do ber\u00e7\u00e1rio atenderiam a seu beb\u00ea, mas aquela que a acompanhou no in\u00edcio estaria oferecendo uma ajuda mais direta.&#8221;<\/p>\n<p><strong>As m\u00e3es trazem quase sempre as mesmas d\u00favidas<\/strong><\/p>\n<p>F\u00e1tima, ent\u00e3o, prop\u00f4s que as m\u00e3es ficassem com seus beb\u00eas nas salas, por tr\u00eas horas, observando tudo. Todas as impress\u00f5es, d\u00favidas, medos, etc., deveriam ser trazidos para a entrevista de matr\u00edcula, no dia seguinte. Dessa forma, ela e a educadora do ber\u00e7\u00e1rio puderam apresentar o projeto pedag\u00f3gico em fun\u00e7\u00e3o das perguntas. Algumas s\u00e3o mais recorrentes, Danielle Cristina Wolf, diretora das creches, identifica as mais comuns:<\/p>\n<p>\u2013 Por que a crian\u00e7a chora tanto ?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 sempre assim na hora do almo\u00e7o? Por que a educadora n\u00e3o d\u00e1<br \/>\nsempre a comida na boca de todos os beb\u00eas? Por que ela deixa os beb\u00eas<br \/>\nse sujarem com a sopa?<\/p>\n<p>\u2013 As educadoras ouvem quando os beb\u00eas choram? Se meu filho acordar,<br \/>\nela vai ver? Ela vai escutar ele chorando? Ser\u00e1 que ele n\u00e3o vai sofrer? Vai demorar muito para ser atendido?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o tem poucas educadoras para o n\u00famero de crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Essas perguntas traduzem o conflito proveniente da passagem do atendimento individual para o coletivo.<br \/>\n\u00c9 preciso esclarecer \u00e0s m\u00e3es que os beb\u00eas n\u00e3o t\u00eam, certamente, o<br \/>\nmesmo atendimento que tinham em casa porque, num ambiente coletivo,<br \/>\nse estabelecem outros tipos de rela\u00e7\u00f5es muito diferentes da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filho. Por\u00e9m, h\u00e1 outros ganhos. A inser\u00e7\u00e3o no coletivo traz vantagens para sua forma\u00e7\u00e3o como, por exemplo, a possibilidade de conviver com pessoas diferentes, de conquistar maior autonomia e de aprender a resolver problemas que s\u00f3 s\u00e3o impostos por uma realidade diferente da familiar. Mas n\u00e3o resta d\u00favida: quando as crian\u00e7as precisam, s\u00e3o sempre atendidas, porque as educadoras, que conhecem muito sobre a faixa et\u00e1ria, sabem distribuir o colo para quem precisa mais ou menos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, as salas tamb\u00e9m s\u00e3o acolhedoras: ber\u00e7os personalizados, tapetes, cantos com brinquedos de diversas categorias, que estimulam a intelig\u00eancia, a imagina\u00e7\u00e3o e os movimentos, objetos mais familiares, \u00e0s vezes trazidos de casa, almofadas, colchonetes, etc., comp\u00f5em um ambiente bastante agrad\u00e1vel que ajuda a cumprir, simbolicamente, parte da fun\u00e7\u00e3o do colo, que n\u00e3o estar\u00e1 dispon\u00edvel a todo momento.<br \/>\nOutro motivo de inseguran\u00e7a \u00e9 a higiene e sa\u00fade no ber\u00e7\u00e1rio. As m\u00e3es perguntaram, por exemplo:<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00eas lavam esses brinquedos? Se todas as crian\u00e7as pegam, p\u00f5em na boca, n\u00e3o vai passar doen\u00e7a de uma crian\u00e7a para outra?<\/p>\n<p>\u2013 E o ch\u00e3o? As crian\u00e7as ficam o tempo todo no ch\u00e3o? N\u00e3o v\u00e3o ficar doentes?<\/p>\n<p>Para compreender, as m\u00e3es precisam saber sobre as diferen\u00e7as entre o ambiente educativo e o hospitalar, limpeza e esteriliza\u00e7\u00e3o, a rotina de lavagem dos brinquedos, do ch\u00e3o, da areia, etc. Essas informa\u00e7\u00f5es ajudam a compreender que um ambiente coletivo n\u00e3o \u00e9 ass\u00e9ptico, como os ber\u00e7\u00e1rios de hospitais, mas \u00e9 limpo, absolutamente saud\u00e1vel e pr\u00f3prio para um bom desenvolvimento das crian\u00e7as.<br \/>\nNo terceiro e \u00faltimo dia, depois de toda essa conversa, m\u00e3e e beb\u00ea j\u00e1 est\u00e3o mais tranq\u00fcilos, mais familiarizados com o espa\u00e7o, com a nova rotina e melhor preparados para enfrentar a separa\u00e7\u00e3o. Hoje se constatam outros ganhos trazidos pela mudan\u00e7a, conta Danielle: &#8220;o fato de n\u00e3o ter muitas informa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias promoveu um tipo de aproxima\u00e7\u00e3o que permitiu \u00e0 m\u00e3e, muito mais \u00e0 vontade, perguntar outras vezes, sempre que quisesse&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O que fazer quando os pais n\u00e3o t\u00eam tempo<\/strong><\/p>\n<p>Mas nem sempre \u00e9 poss\u00edvel planejar o acolhimento nas condi\u00e7\u00f5es ideais, pois muitas m\u00e3es n\u00e3o podem acompanhar os filhos nos momentos em que a institui\u00e7\u00e3o gostaria. Como resolver neste caso? A crian\u00e7a ingressa sozinha e adapta-se como pode?<\/p>\n<p>As creches da Natura insistem na presen\u00e7a da m\u00e3e, planejando momentos que sejam poss\u00edveis para ela. Um dia de integra\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias e as crian\u00e7as num s\u00e1bado, por exemplo, j\u00e1 se mostrou uma boa iniciativa, num momento delicado em que muitas m\u00e3es tinham dificuldades em conciliar o tempo de trabalhar e de ficar com o filho. As m\u00e3es do ber\u00e7\u00e1rio puderam conhecer o novo espa\u00e7o, a equipe de profissionais, participar de algumas das atividades que s\u00e3o propostas no dia-a-dia, contextualizando-as no projeto de educa\u00e7\u00e3o infantil.<br \/>\nUm delicioso lanche finalizou a agrad\u00e1vel tarde. Esse encontro representou o primeiro contato com a creche, uma oportunidade de familiarizar-se e de preparar-se para o per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o que se iniciaria na semana seguinte. Outra possibilidade encontrada foi o acompanhamento apenas nas primeiras horas do dia, num per\u00edodo de 2 a 3 horas, durante a primeira semana, somente. Caso houvesse necessidade de mais tempo, a educadora poderia chamar a m\u00e3e por meia hora, aproximadamente, durante o dia. Para que isso fosse poss\u00edvel, a equipe da creche precisou entrar em contato com os respectivos chefes das funcion\u00e1rias m\u00e3es, evitando assim maiores transtornos.<\/p>\n<p>As creches que atendem \u00e0 comunidade em geral, n\u00e3o apenas aos filhos de funcion\u00e1rios de uma determinada empresa, t\u00eam outras necessidades pois a chegada das crian\u00e7as n\u00e3o depende do fim da licen\u00e7a-gestante, e sim do preenchimento de vagas que s\u00e3o abertas. \u00c9 o caso da creche Nair Bozzi<sup>3<\/sup>. A cada ano ingressam crian\u00e7as de diferentes idades, ocupando as vagas remanescentes de algumas salas, e muitos beb\u00eas que ocupar\u00e3o vagas do primeiro ber\u00e7\u00e1rio, inteiramente renov\u00e1vel a cada ano. O trabalho \u00e9, ent\u00e3o, planejado de acordo com esta necessidade, bastante diferente das creches da Natura.<br \/>\nNo dia da entrevista, Teresa Rodrigues Amaro, coordenadora pedag\u00f3gica da creche, consulta sobre as possibilidades de a m\u00e3e fazer a adapta\u00e7\u00e3o e, em \u00faltimo caso, n\u00e3o sendo poss\u00edvel de forma alguma, ela ajuda a escolher um substituto, algu\u00e9m que tenha um bom v\u00ednculo com a crian\u00e7a, que se responsabilize, que saiba responder sobre ela e que tenha disponibilidade para ficar na creche durante algum tempo.<\/p>\n<p>Em geral funcionam como substitutos o pai, as av\u00f3s ou os irm\u00e3os mais velhos.<br \/>\nPara a m\u00e3e que est\u00e1 longe saber que algu\u00e9m de sua confian\u00e7a acompanha seu filho pode ser fator determinante para tranq\u00fciliz\u00e1-la.<br \/>\nPara n\u00e3o tumultuar os primeiros dias \u2013 o que acaba atrapalhando o acolhimento \u00e0s crian\u00e7as e suas fam\u00edlias \u2013, a creche promove uma escala,garantindo que nunca se passe da marca de cinco crian\u00e7as novas por semana, por sala, n\u00famero poss\u00edvel naquela estrutura, proporcional ao quadro de educadores que a institui\u00e7\u00e3o pode mobilizar no momento. O adulto que vai acompanhar as crian\u00e7as na fase de acolhimento permanece com elas durante um per\u00edodo da rotina. Num momento determinado, eles se separam: as crian\u00e7as v\u00e3o para as salas, acompanhadas por suas professoras, e os familiares, ent\u00e3o, se encontram numa sala especialmente preparada para eles, onde esperam o final do per\u00edodo, conversando sobre seus filhos, sobre a creche e suas expectativas, aproveitando um informal cafezinho. A coordenadora pedag\u00f3gica que os acompanha durante todo o tempo se disp\u00f5e a esclarecer d\u00favidas, contar um pouco sobre as atividades, apresentar a institui\u00e7\u00e3o e a proposta pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Como as m\u00e3es se sentem e o que esperam<\/strong><\/p>\n<p>A troca de informa\u00e7\u00f5es e a conversa alivia muito a ansiedade e a inseguran\u00e7a. Para ajud\u00e1-los a verbalizarem o que est\u00e3o vivendo naquele momento, Teresa oferece pap\u00e9is, tesouras, l\u00e1pis e tinta, para que escrevam cartas que seriam lidas para as crian\u00e7as mais tarde, nas rodas, com suas professoras. Cartas atenciosas, bonitas, otimistas. Palavras que comunicam sentimentos, expectativas, inten\u00e7\u00f5es e promessas de futuro, como as que foram escritas por algumas m\u00e3es, no in\u00edcio do ano de 2000. Em um ou outro caso, enfrentando mais ou menos dificuldades, cada creche conseguiu, a seu modo, pensar do ponto de vista das fam\u00edlias ao organizar o trabalho no in\u00edcio do ano. Ambas confirmam que um bom planejamento do per\u00edodo de acolhimento garante um processo mais tranq\u00fcilo para as crian\u00e7as, suas fam\u00edlias, os educadores e todos os demais que acompanham essa fase t\u00e3o importante na vida da crian\u00e7a pequena. Com esse saber e mais a experi\u00eancia desses anos, elas est\u00e3o, a essa altura, preparando-se para mais uma vez receber e acolher quem chegar\u00e1 em 2001.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Referencial Curricular Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, volume introdut\u00f3rio.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Creche Natura, unidade Santo Amaro, Rua Amador Bueno, 491, Sto. Amaro, 04752-900, Tel.: 5694-7305 CEDUC, Rua do Retiro, 2172, 24 \/ 24 Vila das Hort\u00eancias, Jundia\u00ed, 13209-002, Tel.: 4522-5532<\/p>\n<h4><strong>O acolhimento \u00e0s fam\u00edlias come\u00e7a na recep\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Quando os pais v\u00e3o pela primeira vez \u00e0 creche ou \u00e0 pr\u00e9-escola, conhecer a institui\u00e7\u00e3o ou fazer uma inscri\u00e7\u00e3o, precisam ser recebidos com profissionalismo pois, como diz o ditado, a primeira impress\u00e3o \u00e9 a que fica. Vale a pena observar o seguinte:<\/p>\n<ul>\n<li>h\u00e1 uma pessoa preparada para dar todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias aos pais?<\/li>\n<li>no caso de uma espera, como \u00e9 a sala destinada a eles? \u00c9 acolhedora? Visualmente bonita e agrad\u00e1vel? Cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre o trabalho realizado ou \u00e9 um local ass\u00e9ptico, frio, que afugenta em vez de acolher?<\/li>\n<li>existe algum impresso com informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre a institui\u00e7\u00e3o e os procedimentos de matr\u00edcula, adapta\u00e7\u00e3o, ou os pais precisam memorizar tudo?<\/li>\n<li>os pais ou respons\u00e1veis pela crian\u00e7a podem visitar o ambiente se assim o desejarem?<\/li>\n<li>ocorre uma entrevista de matr\u00edcula com a coordena\u00e7\u00e3o que serve tamb\u00e9m para que se combine a rotina do per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>agenda-se uma reuni\u00e3o de ambienta\u00e7\u00e3o dos pais novos para que conhe\u00e7am a proposta pedag\u00f3gica da escola, esclare\u00e7am suas d\u00favidas sobre ela, sejam apresentados a toda a equipe? \u00c9 preciso, ainda, reservar um tempo para esclarecer sobre a estrutura administrativa, organizacional e pedag\u00f3gica, para que todos saibam a quem recorrer quando precisarem resolver um problema ou tirar alguma d\u00favida. \u00c9 importante que os professores estejam presentes nesse encontro, para que os pais possam conhec\u00ea-los, esclarecer d\u00favidas sobre o processo de adapta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e entender a necessidade dos cuidados iniciais pr\u00f3prios deste per\u00edodo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>(Cisele Ortiz, psic\u00f3loga, coordenadora de projetos do Crecheplan)<\/p>\n<h4><strong>O que a inseguran\u00e7a da m\u00e3e pode provocar<\/strong><\/h4>\n<blockquote><p>&#8220;A m\u00e3e que verdadeiramente sente que o jardim da inf\u00e2ncia ser\u00e1 bom para seu filho transmite essa mensagem atrav\u00e9s de seu comportamento. Ela deixa o filho, em seu primeiro dia de escola, sem muita hesita\u00e7\u00e3o, e ele logo participa alegremente das atividades com seu professor e as outras crian\u00e7as.<br \/>\nMas a hist\u00f3ria \u00e9 muito diferente se h\u00e1 d\u00favidas \u00edntimas quanto a deixar seu filho; ela transmite isso ao demorar, ao fazer um movimento de ir embora s\u00f3 para voltar imediatamente ao primeiro sinal de desconforto por parte da crian\u00e7a. Esta logo percebe que sua m\u00e3e acha que deix\u00e1-la n\u00e3o \u00e9 uma coisa boa, come\u00e7ando, portanto, a chorar e agarrar-se a ela. Assim que as outras crian\u00e7as observam isso, tamb\u00e9m ficam em d\u00favida quanto a estarem na escola e p\u00f5em-se a gritar por suas m\u00e3es, embora at\u00e9 esse momento estivessem brincando felizes.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Bruno Bettelheim, Uma vida para seu filho, p.36. Ed. Campus)<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Uma vida para seu filho, Bruno Bettelheim. Ed. Campus.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum que os pais alimentem uma expectativa de que seus filhos sejam cuidados, na institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, da mesma forma individualizada como s\u00e3o cuidados em casa. a maioria das vezes, sabem pouco sobre as rela\u00e7\u00f5es e o cotidiano em ambientes coletivos. A desinforma\u00e7\u00e3o aumenta as d\u00favidas, gera ansiedade e inseguran\u00e7a, que acabam sendo transferidas aos filhos. Esta atmosfera tensa dificulta a entrada das crian\u00e7as e o trabalho dos educadores que mediam a passagem de casa para a institui\u00e7\u00e3o educativa. Para cuidar desta rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o delicada, duas creches planejaram o acolhimento aos pais buscando formas de compartilhar os cuidados e a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":3010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,171],"tags":[8,173,58,174,169,172,5],"class_list":{"0":"post-558","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-jeitos-de-cuidar","8":"category-revista-avisala-05","9":"tag-acolhimento","10":"tag-bruno-bettelheim","11":"tag-cisele-ortiz","12":"tag-creches","13":"tag-educadores","14":"tag-familia","15":"tag-jeitos-de-cuidar-2","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}