{"id":5447,"date":"2012-12-12T15:59:15","date_gmt":"2012-12-12T17:59:15","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5447"},"modified":"2013-06-13T07:30:53","modified_gmt":"2013-06-13T10:30:53","slug":"o-racismo-que-vem-do-berco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/noticias\/o-racismo-que-vem-do-berco\/","title":{"rendered":"O racismo que vem do ber\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O preconceito \u00e9tnico-racial presente na sociedade pode ser reproduzido na escola ou questionado desde os primeiros contatos com os beb\u00eas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A fantasia de ser um grande her\u00f3i ou uma linda princesa \u00e9 uma das mais comuns na inf\u00e2ncia. Esse sonho, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para todas as crian\u00e7as. Quando uma menina negra imagina-se princesa, por exemplo, precisa negar suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e, ao mesmo tempo, valorizar como ideal outro bi\u00f3tipo: o da pele branca, dos cabelos lisos e do nariz afilado. N\u00e3o se trata de um caso espec\u00edfico do mundo encantado. Na vida real, as crian\u00e7as comportam-se e relacionam-se a partir da representa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial que encontram na sociedade. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o que envolve apenas o negro, mas sim o branco e toda a sociedade. A escola precisa trabalhar para reverter esse cen\u00e1rio\u201d, defende a doutora em educa\u00e7\u00e3o Lucimar Rosa Dias, consultora do Centro de Estudo das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades (Ceert).<!--more--><\/p>\n<p>Essas mesmas rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial est\u00e3o presentes nos programas de televis\u00e3o, nos tipos f\u00edsicos dos bonecos, nos coment\u00e1rios dos adultos, nas coloridas fotos das revistas. Permeiam ainda todo o universo escolar, incluindo a educa\u00e7\u00e3o infantil, onde normalmente a crian\u00e7a \u00e9 vista como ator alheio ao preconceito e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Lucimar, esse olhar \u00e9 uma fal\u00e1cia, e a imagem da crian\u00e7a como ing\u00eanua silencia o tema, como se ele n\u00e3o existisse, e retarda a busca por solu\u00e7\u00f5es. Em sua opini\u00e3o, \u00e9 preciso entender que realmente existem conflitos entre as crian\u00e7as por causa dos seus pertencimentos raciais e que professores fazem escolhas baseadas nas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, tornando mais do que necess\u00e1ria uma interven\u00e7\u00e3o curricular e pedag\u00f3gica nessa etapa da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Desvantagem<\/strong><br \/>\nEm conjunto com a equipe do Ceert, Lucimar Dias estudou resultados de pesquisas de mestrado e doutorado sobre rela\u00e7\u00f5es raciais na faixa de 0 a 6 anos que destacam muitas situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o envolvendo crian\u00e7as, professores, profissionais da educa\u00e7\u00e3o e familiares. \u201cOs estudos apresentam situa\u00e7\u00f5es que mostram que aquelas que s\u00e3o negras est\u00e3o em desvantagem, pois s\u00e3o as que mais vivenciam situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas. Por outro lado, as crian\u00e7as brancas recebem fortes informa\u00e7\u00f5es de valoriza\u00e7\u00e3o de seu fen\u00f3tipo\u201d, relata.<\/p>\n<p>Existe, portanto, a inferioriza\u00e7\u00e3o de um grupo e a supervaloriza\u00e7\u00e3o de outro, o que \u00e9 rapidamente percebido pelas crian\u00e7as no ambiente escolar. Para a pesquisadora Ant\u00f4nia Eunice do Nascimento, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), esse fato \u00e9 heran\u00e7a de um processo de utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra barata e explora\u00e7\u00e3o dos colonizadores sobre os colonizados: \u201cPode-se perceber que existe uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima entre racismo e escravid\u00e3o, baseada em interesses econ\u00f4micos e sociais da popula\u00e7\u00e3o branca e europeia, que resultava em poder e superioridade\u201d, explica ela em um artigo.<\/p>\n<p>\u00c9 na educa\u00e7\u00e3o infantil que come\u00e7a a conscientiza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as f\u00edsicas. Nessa fase, as crian\u00e7as negras come\u00e7am a aprender sobre rejei\u00e7\u00e3o nas intensas rela\u00e7\u00f5es vividas no espa\u00e7o de estudo. \u201cNesse ambiente, a discrimina\u00e7\u00e3o racial se d\u00e1 pela apar\u00eancia. S\u00e3o os atributos f\u00edsicos os escolhidos pelos discriminadores para depreciar o negro. Em muitos casos, a crian\u00e7a incorpora essa deprecia\u00e7\u00e3o, evitando sua identidade negra e tudo o que remete a ela\u201d, ressalta a consultora do Ceert.<\/p>\n<p>O trabalho do professor n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, reconhece a especialista, por\u00e9m \u00e9 importante pensar na tem\u00e1tica como estando inserida no curr\u00edculo. \u201cSe ele vai trabalhar as cores com a crian\u00e7a, os exemplos ou atividades podem estar relacionados ao tema\u201d, sugere. Uma possibilidade \u00e9 comparar as cores das flores e dos animais, mostrar a diversidade na natureza e depois passar para a diversidade de biotipos na sala de aula, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nOs danos gerados pela discrimina\u00e7\u00e3o, o preconceito e o racismo (entenda a diferen\u00e7a no box da p\u00e1gina 42) s\u00e3o conhecidos e reconhecidos pelo Estado, come\u00e7ando pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que prev\u00ea como curr\u00edculo obrigat\u00f3rio as contribui\u00e7\u00f5es das diferentes culturas e etnias para a forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro (art. 242). J\u00e1 o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) assegura o direito \u00e0 igualdade de condi\u00e7\u00f5es para perman\u00eancia na escola e para a preserva\u00e7\u00e3o de valores e identidades, devendo as crian\u00e7as e os adolescentes estar a salvo de qualquer forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o ou tratamento vexat\u00f3rio. Por sua vez, a Lei n\u00ba 10.639\/2003 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB), de 1996, para incluir no curr\u00edculo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica \u201chist\u00f3ria e cultura afro-brasileira\u201d e o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, al\u00e9m da inser\u00e7\u00e3o nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil (DCNEIs), em 2004, das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais e do ensino das culturas afro-brasileira e africana.<\/p>\n<p>Contudo, o suporte legal n\u00e3o garante uma mudan\u00e7a efetiva no tratamento das quest\u00f5es raciais no espa\u00e7o interno aos muros da escola. Os avan\u00e7os demandam engajamento das gest\u00f5es escolares, determina\u00e7\u00e3o do corpo de professores e muita coragem para romper com a pr\u00e1tica hist\u00f3rica de racismo, garantindo uma viv\u00eancia pautada pelo respeito m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Segundo a gerente do n\u00facleo da cultura afrobrasileira da Secretaria de Cultura de Recife (PE), n\u00e3o existem t\u00e9cnicas obrigat\u00f3rias ou espec\u00edficas para se trabalhar o assunto, e sim uma constru\u00e7\u00e3o coletiva dos melhores caminhos a serem seguidos. \u201c\u00c9 preciso haver uma sensibiliza\u00e7\u00e3o para o tema, uma aproxima\u00e7\u00e3o do professor com o conte\u00fado. Quanto mais ele se convencer da import\u00e2ncia dessa discuss\u00e3o, mais vai procurar formas de superar isso\u201d, explica Claudilene Silva.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa de mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Claudilene, hoje doutoranda, estudou a constru\u00e7\u00e3o da identidade das professoras negras e avalia que o processo de sensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 particular e envolve muita reflex\u00e3o e discuss\u00e3o sobre o assunto. \u201cH\u00e1 uma dificuldade de se autoidentificar e, quando o educador tem essa dificuldade, ele faz apenas o b\u00e1sico em sala de aula. \u00c9 preciso trabalhar a identidade da professora antes de pensar em falar da cultura afro-brasileira\u201d, defende a pesquisadora.<br \/>\n<strong>Quest\u00e3o legal<\/strong><\/p>\n<p>Quando o caso de racismo supera o \u00e2mbito escolar, deixando de ser uma quest\u00e3o que requer suporte pedag\u00f3gico ou psicol\u00f3gico, de modo geral deve ser levado para a pol\u00edcia, por meio da delegacia mais pr\u00f3xima, ou para o conselho espec\u00edfico nas cidades onde houver. O advogado Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Carlos Pimenta, professor da PUC-Minas e fundador da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Rede SOS Racismo, explica que o percurso dos epis\u00f3dios criminosos de racismos \u00e9 \u00e1rduo: \u201cSempre h\u00e1 certo constrangimento com o assunto e dificuldade da v\u00edtima, que precisa encontrar testemunhas\u201d. O advogado salienta que os instrumentos legais existem, mas seu cumprimento \u00e9 dif\u00edcil. \u201cTemos um Poder Judici\u00e1rio que ainda est\u00e1 contaminado pelo racismo\u201d, afirma. A Rede SOS Racismo \u00e9 uma das entidades que acolhe e as v\u00edtimas de qualquer discrimina\u00e7\u00e3o, especialmente as de \u00eanfase racial, oferecendo-lhes suporte jur\u00eddico.<\/p>\n<p><strong>Manifesta\u00e7\u00f5es racistas<\/strong><br \/>\nClaudilene Silva destaca que as manifesta\u00e7\u00f5es de racismo na educa\u00e7\u00e3o infantil acontecem em v\u00e1rios \u00e2mbitos. Por exemplo, quando a crian\u00e7a tem negado o acesso \u00e0 cultura afro-brasileira ou no momento em que uma crian\u00e7a se recusa a pegar na m\u00e3o de outra de pele mais escura. \u00c0s vezes, tais manifesta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ocorrem na rela\u00e7\u00e3o professor-aluno. \u201cA escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o professor. \u00c9 preciso que a dire\u00e7\u00e3o e todos os agentes do ambiente participem do processo\u201d, alerta. Por isso, recomenda que a educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es raciais e a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira estejam efetivamente integradas \u00e0s demais disciplinas e constem no planejamento pedag\u00f3gico continuado: \u201cO trabalho \u00e9 permanente, e as quest\u00f5es devem ser levantadas cotidianamente com as crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p><strong>Bonecas negras<\/strong><\/p>\n<p>Quando a supervisora da educa\u00e7\u00e3o infantil da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Jacare\u00ed (SP), Adriana Bertucci, recebeu a tarefa de iniciar uma a\u00e7\u00e3o afirmativa de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra e promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial, conforme manda a lei, montou uma proposta para ser discutida com os coordenadores das 34 escolas municipais de educa\u00e7\u00e3o infantil e das 24 creches \u2014 quatro municipais e 20 conveniadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de trabalhar na constru\u00e7\u00e3o do projeto, promover reuni\u00f5es e buscar material de suporte did\u00e1tico, surgiu a ideia de povoar as escolas com bonecas e bonecos negros. Esse simples movimento confirmou a import\u00e2ncia da reflex\u00e3o sobre o tema. \u201cPercorri todo o com\u00e9rcio de Jacare\u00ed e n\u00e3o achei bonecas negras. Tivemos de mandar fazer!\u201d, conta Adriana.<\/p>\n<p>As bonecas menores foram para as EMEIs, e as maiores foram encaminhadas \u00e0s creches. \u201c\u00c9 muito importante que o trabalho seja feito com os beb\u00eas, pois eles j\u00e1 percebem as diferen\u00e7as de tratamento\u201d, explica a supervisora, que relembrando uma das conversas com as professoras das creches: \u201cComentei que, quando chega um beb\u00ea branco e com os olhos claros, ele percorre toda a escola, de bra\u00e7o em bra\u00e7o, e todos querem peg\u00e1-lo no colo. Quando chega uma crian\u00e7a negra, ela \u00e9 tratada com carinho, mas a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma\u201d. Segundo Adriana, as educadoras concordaram que a atitude era real e que nunca haviam pensado a esse respeito: foi uma surpresa constatarem a exist\u00eancia do racismo em um ato quase impercept\u00edvel.<\/p>\n<p>Na Creche Therezinha de Lourdes Vieira Recco, as bonecas multirraciais j\u00e1 est\u00e3o alterando o cen\u00e1rio, com a cria\u00e7\u00e3o de um cantinho das bonecas, que circulam de m\u00e3o em m\u00e3o. A professora do maternal Sabrina Barbosa afirma que o acesso \u00e0s bonecas \u201cdiferentes\u201d j\u00e1 deixou as crian\u00e7as mais abertas \u00e0 diversidade. \u201cApresentei a elas as bonecas negras, brancas e asi\u00e1ticas, perguntando se conheciam algu\u00e9m parecido, e muitas manifestaram interesse em brincar com uma boneca semelhante a elas\u201d, explica. E o ato de ver uma crian\u00e7a interessada em uma boneca leva outra a tamb\u00e9m querer experimentar, fazendo com que os brinquedos circulem e todos tenham a oportunidade de observar as diferen\u00e7as, pegar no cabelo, tocar na pele.<\/p>\n<p>Para Lucimar Rosa Dias, do Ceert, a ideia mais importante \u00e9 apresentar o tema e discutir os conceitos positivos sobre as diferen\u00e7as. \u201c\u00c9 na educa\u00e7\u00e3o infantil que se constr\u00f3i a diversidade. Nossa luta \u00e9 para que esse tema seja parte do cotidiano, com uma imagem positiva, que traga refer\u00eancias positivas de cultura, de africanidade\u201d, destaca. Para ela, \u00e9 desde beb\u00ea que se deve trabalhar a aceita\u00e7\u00e3o da diversidade. \u201cA forma como se fala com o beb\u00ea, os coment\u00e1rios ao tocar seu cabelo, por exemplo, podem transmitir que aquele cabelo \u00e9 gostoso e bonito ou que \u00e9 ruim. E o beb\u00ea introjeta tal sensa\u00e7\u00e3o\u201d, alerta a pesquisadora.<br \/>\nCada conceito em seu lugar<\/p>\n<p><strong>Preconceito<\/strong> \u2014 ideia preconcebida sem raz\u00e3o objetiva ou refletida. Por exemplo, pensar que as pessoas negras s\u00e3o pouco afeitas aos estudos e destinadas aos trabalhos manuais.<\/p>\n<p><strong>Discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 atitude ou a\u00e7\u00e3o que objetiva diferenciar, distinguir ou prejudicar um grupo com base em ideias preconceituosas. Por exemplo, quando uma professora n\u00e3o permite que uma menina negra represente a princesa em uma pe\u00e7a de teatro argumentando que as princesas s\u00e3o brancas.<\/p>\n<p><strong>Racismo<\/strong> \u2014 pressuposto de que existem ra\u00e7as superiores e inferiores, do que decorre a opress\u00e3o de um grupo racial sobre outro, legitimando as desigualdades sociais, econ\u00f4micas e acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>Fonte: Lucimar Rosa Dias.<\/p>\n<p><strong>Um pr\u00edncipe diferente<\/strong><br \/>\nCom um casamento fora dos padr\u00f5es convencionais, a EMEI Guia Lopes, de S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou a romper a realidade at\u00e9 ent\u00e3o est\u00e1tica de pr\u00e1ticas racistas. A boneca-espantalho Sofia, feita pelos alunos para a horta da EMEI, casou-se na escola com um pr\u00edncipe em uma cerim\u00f4nia com festa, convidados e tudo a que eles tinham direito. O pr\u00edncipe, no entanto, n\u00e3o era t\u00edpico dos contos de fadas: para grande surpresa de toda a escola, Sofia casou-se com um boneco negro, o pr\u00edncipe africano Azizi Abayomi. \u201cA quebra do estere\u00f3tipo do pr\u00edncipe branco e de olhos azuis chocou os alunos e at\u00e9 mesmo muitos pais\u201d, lembra a diretora Cibele Racy.<br \/>\nOnde encontrar material de apoio<\/p>\n<p>Portal do MEC (www.mec.gov.br): diversas publica\u00e7\u00f5es, com destaque para o guia Educa\u00e7\u00e3o Infantil e pr\u00e1ticas promotoras da igualdade racial.<br \/>\nCeert (www.ceert.org.br)<\/p>\n<p>Instituto Avisa L\u00e1 \u2014 Forma\u00e7\u00e3o Continuada de Educadores (www.avisala.org.br)<\/p>\n<p>Rede SOS Racismo (redesosracismo.blogspot.com.br)<\/p>\n<p>Quando o pr\u00edncipe chegou \u00e0 escola, detalha a diretora, as professoras perguntaram aos alunos se Sofia e ele poderiam casar, o que gerou uma s\u00e9ria de frases racistas por parte das crian\u00e7as. \u201cN\u00e3o podem casar\u201d, diziam. \u201cUm preto n\u00e3o pode casar com uma branca\u201d. Pediu-se, ent\u00e3o, que trouxessem fotos dos casamentos dos pais e familiares. \u201cEles perceberam que h\u00e1 v\u00e1rios casais formados por pessoas brancas e negras. A partir de ent\u00e3o, come\u00e7aram a aceitar a ideia do casamento de Sofia com Azizi\u201d. Os coment\u00e1rios continuaram quando, no trabalho sobre afrodescend\u00eancia, surgiu a seguinte d\u00favida: como seriam os pais dos noivos?<\/p>\n<p>\u2014 A m\u00e3e do Azizi \u00e9 loira, porque preto s\u00f3 gosta de loira.<br \/>\n\u2014 Ent\u00e3o como ele nasceu preto?<br \/>\n\u2014 Pintaram ele de preto.<\/p>\n<p>Foram ent\u00e3o trabalhados v\u00e1rios aspectos da hist\u00f3ria da \u00c1frica, estabelecendo-se um paralelo com a cultura brasileira. \u201cTrouxemos um autor de contos africanos e estamos investindo em a\u00e7\u00f5es afirmativas durante todo o ano\u201d, conta Cibele Racy. \u201cN\u00e3o sabemos bem no que isso vai dar, mas estamos levantando as quest\u00f5es para serem discutidas abertamente, mais atrav\u00e9s do exemplo do que do discurso\u201d, afirma a diretora, antecipando o pr\u00f3ximo \u201cproblema\u201d do projeto: os noivos casaram e agora est\u00e3o na lua de mel, mas v\u00e3o ter filhos. De que cor ser\u00e3o as crian\u00e7as? \u201cIsso render\u00e1 muita atividade interessante em sala\u201d, aposta ela.<\/p>\n<p>O modo como as crian\u00e7as se veem e s\u00e3o vistas pode come\u00e7ar a mudar a partir de variadas formas de trabalho em sala. Leitura de livros que retratem a cultura negra a partir de sua riqueza e realcem a beleza das caracter\u00edsticas afro-brasileiras ou apresenta\u00e7\u00e3o de imagens de her\u00f3is negros, m\u00fasicas, tecidos t\u00edpicos, culin\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o de autorretratos e brincadeiras em frente ao espelho s\u00e3o algumas das dicas dos especialistas.<\/p>\n<p>Publicado em:\u00a0\u00a0http:\/\/www.grupoa.com.br\/revista-patio\/artigo\/8279\/o-racismo-que-vem-do-berco.aspx<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O preconceito \u00e9tnico-racial presente na sociedade pode ser reproduzido na escola ou questionado desde os primeiros contatos com os beb\u00eas. 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