{"id":5370,"date":"2010-08-07T14:36:04","date_gmt":"2010-08-07T17:36:04","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5370"},"modified":"2023-03-27T19:51:08","modified_gmt":"2023-03-27T22:51:08","slug":"o-brincar-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-43\/o-brincar-na-escola\/","title":{"rendered":"O brincar na escola"},"content":{"rendered":"<h5>N\u00e3o basta compreender que o brincar \u00e9 importante nas unidades de educa\u00e7\u00e3o infantil, \u00e9 preciso saber como proporcion\u00e1-lo para que seja rico e significativo para as crian\u00e7as<\/h5>\n<div id=\"attachment_5372\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5372\" class=\"size-full wp-image-5372 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar1.jpg\" alt=\"Foto: Fernanda Simionato\" width=\"212\" height=\"257\" \/><p id=\"caption-attachment-5372\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Fernanda Simionato<\/p><\/div>\n<p>Atualmente, \u00e9 poss\u00edvel dizer que, na maioria das institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o, a brincadeira \u00e9 reconhecida pela sua import\u00e2ncia. Afinal, estudos realizados em Antropologia, Sociologia, Psicologia e Lingu\u00edstica t\u00eam apontado que brincar \u00e9 o principal modo de express\u00e3o da inf\u00e2ncia. Brincando, a crian\u00e7a aprende a viver e a se desenvolver. Segundo o documento Orienta\u00e7\u00f5es curriculares: expectativas de aprendizagens e orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para Educa\u00e7\u00e3o Infantil, da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, de 2007, \u00e9 durante a brincadeira que os pequenos t\u00eam a oportunidade de explorar o mundo, ampliar a percep\u00e7\u00e3o sobre ele e sobre si, organizar o pensamento e trabalhar os afetos. Diferentes pesquisadores apontam o faz-de-conta como o respons\u00e1vel por promover a capacidade de imaginar e criar.<\/p>\n<p>Nesses momentos l\u00fadicos, a crian\u00e7a representa situa\u00e7\u00f5es vivenciadas (ou que gostaria de vivenciar) e, assim, se relaciona com seus pares. <!--more-->\u00c9 tamb\u00e9m nessa hora que ela pode se comportar de maneira mais avan\u00e7ada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua idade. Ela aprende a desempenhar pap\u00e9is, a reproduzir gestos e falas de pessoas ou de personagens de hist\u00f3rias e a inventar roteiros por meio das linguagens corporal, musical e verbal. Considerando que, hoje, meninos e meninas passam a maior parte do tempo na escola \u2013 principalmente, nas grandes cidades \u2013, esses espa\u00e7os podem tornar-se tamb\u00e9m ambientes privilegiados para o brincar. A rua n\u00e3o oferece mais a seguran\u00e7a necess\u00e1ria para as atividades infantis e os quintais foram suprimidos pela crescente verticaliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 na escola que a meninada tem mais oportunidade de conviver em grupo.<\/p>\n<p>Sendo assim, parece ser consenso que a institui\u00e7\u00e3o escolar acolha a brincadeira como uma das principais ocupa\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia e promova atividades que favore\u00e7am a cria\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias para atuar em seus processos de desenvolvimento. O psic\u00f3logo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934) assinala que uma das fun\u00e7\u00f5es do brincar \u00e9 permitir que a crian\u00e7a aprenda a elaborar e a resolver situa\u00e7\u00f5es conflitantes que ela vivencia no dia a dia<sup>1<\/sup>. Para isso, ela usar\u00e1 capacidades como observa\u00e7\u00e3o, imita\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o. O autor tamb\u00e9m afirma que \u00e9 por meio da imita\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a aprende. Ao imitar, ela n\u00e3o est\u00e1 simplesmente copiando um modelo e, sim, reconstruindo aquilo que observa nos outros. Assim, ter\u00e1 a oportunidade de realizar a\u00e7\u00f5es que est\u00e3o al\u00e9m de suas capacidades. Isso ocorre quando ela faz de conta que \u00e9 m\u00e9dico, m\u00e3e, professor etc.<\/p>\n<p>Este artigo<sup>2<\/sup> revela um trabalho que teve como objetivo pesquisar a presen\u00e7a e as caracter\u00edsticas da brincadeira em institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Se atualmente \u00e9 reconhecida a import\u00e2ncia da brincadeira dentro do espa\u00e7o escolar, como se d\u00e1 sua considera\u00e7\u00e3o real, pelos professores, no cotidiano das crian\u00e7as? O fato de a brincadeira ser reconhecida como fundamental para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil, endossado por diferentes te\u00f3ricos da Educa\u00e7\u00e3o, garante, realmente, sua presen\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e com que qualidade? Ser\u00e1 que os professores de creches e de pr\u00e9-escolas se preocupam em planejar e organizar o espa\u00e7o e os materiais para utiliza\u00e7\u00e3o durante as brincadeiras? Como se organizam? Ser\u00e1 que eles interagem e brincam com os pequenos? Para essa investiga\u00e7\u00e3o, foram realizadas observa\u00e7\u00f5es em duas escolas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, ambas da rede particular de ensino, localizadas na zona oeste da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>A vida como ela \u00e9 (1)<\/strong><br \/>\nAo entrar na sala de um grupo de crian\u00e7as de 3 e 4 anos, a professora me explicou que sempre organiza os cantos de atividades diversificadas no momento de chegada. Quatro mesas estavam dispostas pela sala, cada uma com quatro cadeiras ao redor. Em uma mesa, havia papel e giz de cera; em outra, letras m\u00f3veis de E.V.A. [Etil Vinil Acetato]; em uma terceira, alguns animais de pl\u00e1stico (cavalo, porco, vaca) e, por fim, uma com panelas, pratos, copos e talheres de pl\u00e1stico. A professora me explicou que esse era o kit de jogo simb\u00f3lico<sup>3<\/sup> que servia para as brincadeiras de casinha.<\/p>\n<p>Aos poucos, os pequenos foram chegando. Cada um guardava sua mochila e se acomodava em volta de uma das mesas. A professora, em nenhum momento, interagiu com eles. Ela e a auxiliar de sala circulavam pelo espa\u00e7o, olhavam as agendas para verificar se havia recado, guardavam alguns pap\u00e9is e conversavam com os pais que chegavam com os filhos. Tr\u00eas crian\u00e7as escolheram o canto do jogo simb\u00f3lico para brincar, mas, ap\u00f3s 5 minutos, a professora avisou que j\u00e1 era hora de guardar os brinquedos para sentar em roda.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o lanche, foram brincar no parque, em ch\u00e3o cimentado e com uma casinha de boneca de alvenaria. A professora disponibilizou os triciclos para que pudessem brincar, e ficou escrevendo nas agendas. As crian\u00e7as andavam em c\u00edrculos com os triciclos e brincavam de dar trombadas. Duas meninas logo desistiram e entraram na casinha, onde havia apenas uma cama de madeira. As garotas logo sa\u00edram. Foram at\u00e9 um banco e se sentaram. Depois, deitaram e sentaram novamente para observar os colegas andando de triciclo. Ap\u00f3s um tempo, a professora disse que poderiam brincar de Dan\u00e7a das cadeiras ou de Peixinho vermelho. Em vota\u00e7\u00e3o, a maioria escolheu Peixinho vermelho. A brincadeira funciona da seguinte maneira: duas linhas paralelas s\u00e3o riscadas no ch\u00e3o para demarcar o espa\u00e7o do rio. Uma crian\u00e7a \u00e9 escolhida para ser o peixinho, que deve ficar no rio. As outras crian\u00e7as ficam de um dos lados do rio e perguntam: \u201cPeixe vermelho, podemos passar pelo rio vermelho? O peixe responde: \u201cS\u00f3 quem tiver a cor\u201d. As crian\u00e7as perguntam: \u201cque cor?\u201d. O peixe escolhe uma cor e apenas a crian\u00e7a que tiver a cor escolhida pode atravessar o rio. Aquele que n\u00e3o tiver a cor deve atravessar correndo para n\u00e3o ser pego. Quando o peixe vermelho consegue pegar algu\u00e9m, este tamb\u00e9m se torna peixe e passa a ser seu ajudante. Uma das crian\u00e7as disse que n\u00e3o queria brincar; ent\u00e3o, ficou sentada observando.<\/p>\n<p><strong>A vida como ela \u00e9 (2)<\/strong><br \/>\nCheguei \u00e0 outra escola no momento em que a turma brincava nos parques. Em um deles, composto por um tanque de areia com escorregador, duas casinhas de madeira e diversas \u00e1rvores frut\u00edferas, algumas crian\u00e7as viram um peda\u00e7o de barbante amarrado nas cercas em volta do tanque de areia e come\u00e7aram uma conversa:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a \u2013 Acho que foi o saci!<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 Vamos fazer uma armadilha!<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 \u00c9!<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 Como?<\/p>\n<p>Um dos meninos pegou alguns rolos de papel\u00e3o na sala de Arte. O grupo ficou por um tempo tentando construir algo, mas n\u00e3o conseguiu. A professora de Arte, que prestava aten\u00e7\u00e3o em tudo o que a turma fazia desde o in\u00edcio, resolveu intervir:<\/p>\n<p>Professora \u2013 O que voc\u00eas est\u00e3o fazendo?<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 Uma armadilha para o Saci.<br \/>\nProfessora \u2013 Querem ajuda?<br \/>\nCrian\u00e7as \u2013 Sim!<\/p>\n<p>A educadora resolveu entregar ao grupo rolos de barbantes. No pr\u00f3prio tanque de areia, as crian\u00e7as come\u00e7aram a entrela\u00e7\u00e1-los formando algo parecido com uma grande cama de gato. Uma menina chegou e perguntou:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a \u2013 O que \u00e9?<br \/>\nCrian\u00e7as \u2013 Armadilha para o Saci.<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 Ent\u00e3o vamos colocar folhas para disfar\u00e7ar!<\/p>\n<p>Os envolvidos come\u00e7aram a pegar folhas ca\u00eddas no ch\u00e3o e a prend\u00ea-las entre os barbantes. Um dos meninos, que havia sa\u00eddo por um tempo, voltou e perguntou:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a \u2013 E a\u00ed, como \u00e9 que t\u00e1 indo a armadilha?<br \/>\nProfessora \u2013 T\u00e1 \u00f3tima! Estamos esperando o Saci aparecer.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as come\u00e7aram a brincar fingindo que estavam se enroscando na teia:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a \u2013 Socorro! Algu\u00e9m me ajuda! Olha o que o Saci fez!<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 Ai, eu t\u00f4 presa!<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 Consegui sair!<\/p>\n<p>Uma garota, enquanto pegava uma pedra, disse:<\/p>\n<p>\u2013 Tive uma ideia! Vou deixar essa pedra aqui. A\u00ed o Saci vai pegar, vai cair no p\u00e9 dele e a\u00ed a gente vem aqui.<\/p>\n<p>Tocou o sinal e todas foram lanchar. Depois, ouviram uma hist\u00f3ria de Saci Perer\u00ea. No fim da narra\u00e7\u00e3o, o grupo foi at\u00e9 o tanque de areia para ver se a armadilha havia funcionado.<\/p>\n<p>Crian\u00e7a \u2013 Achei o gorro do Saci!<br \/>\nProfessora \u2013 E cad\u00ea o Saci? T\u00e1 a\u00ed?<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 N\u00e3o. O Saci desmontou a armadilha.<br \/>\nProfessora \u2013 Mas eu tenho uma boa not\u00edcia: quando o Saci perde o capuz dele, ele perde os poderes.<br \/>\nCrian\u00e7a \u2013 Da pr\u00f3xima vez que ele vier eu vou bater nele!<br \/>\nProfessora \u2013 Eu acho que a gente n\u00e3o conseguiu porque n\u00e3o ficou boa. A gente pode treinar desenho de armadilha para depois fazer uma armadilha bem boa.<\/p>\n<div id=\"attachment_5373\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5373\" class=\"size-full wp-image-5373 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar2.jpg\" alt=\"Emaranhado de barbante serve de armadilha para o Saci Perer\u00ea: tempo e espa\u00e7o garantidos para as brincadeiras infantis (foto: Fernanda Simionato)\" width=\"400\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar2.jpg 400w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar2-300x168.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-5373\" class=\"wp-caption-text\">Emaranhado de barbante serve de armadilha para o Saci Perer\u00ea: tempo e espa\u00e7o garantidos para as brincadeiras infantis (foto: Fernanda Simionato)<\/p><\/div>\n<p>As crian\u00e7as se animaram com a ideia e correram para a oficina. A professora distribuiu l\u00e1pis e papel. Na semana seguinte, pude observar que elas continuavam construindo armadilhas para o Saci. Tentaram novamente fazer uma com barbante, mas, dessa vez, em uma das salas. A professora apenas disponibilizou o fio e deixou que elas tentassem construir uma nova arapuca.<\/p>\n<p><strong>O papel do educador faz a diferen\u00e7a<\/strong><br \/>\nFeitas as observa\u00e7\u00f5es e realizadas as entrevistas com os professores nas duas escolas, pude perceber que em ambos os casos a ideia de brincar \u00e9 importante. Por\u00e9m, a maneira como as duas institui\u00e7\u00f5es entendem e prop\u00f5em oportunidades s\u00e3o bem distintas. O papel do educador diante do brincar tamb\u00e9m \u00e9 diferente nessas institui\u00e7\u00f5es. A segunda escola, por exemplo, acredita que o brincar seja enriquecido pela interven\u00e7\u00e3o adulta. Essa concep\u00e7\u00e3o pauta, inclusive, o que se espera de um professor nessa escola. Assim, ele n\u00e3o apenas \u00e9 um profissional que observa e compreende a brincadeira, como a ele cabe, a partir de sua observa\u00e7\u00e3o e entendimento, organizar o ambiente e os materiais que sua turma poder\u00e1 utilizar durante o passatempo. Al\u00e9m disso, espera-se tamb\u00e9m que ele interaja com sua turma e participe das atividades em alguns momentos.<\/p>\n<p>Na primeira escola n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita em organizar o espa\u00e7o ou os materiais de acordo com a demanda dos pequenos. Quando alguns materiais s\u00e3o oferecidos, como os kits de jogo simb\u00f3lico, eles t\u00eam um espa\u00e7o delimitado e inadequado (em mesas), e o professor n\u00e3o interage, n\u00e3o prop\u00f5e, n\u00e3o entra na brincadeira mesmo quando as crian\u00e7as demonstram interesse. O \u00fanico momento em que o educador compartilha \u00e9 durante as propostas de brincadeiras dirigidas, como as de roda e as de regras. Mesmo nesses momentos, a intera\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada pelo fato de que a proposi\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o do jogo s\u00e3o garantidas o tempo todo pela professora, pois \u00e9 ela quem decide o que v\u00e3o brincar, quanto tempo o jogo durar\u00e1 e exige que todos os participantes se mantenham na roda, mesmo que n\u00e3o queiram brincar.<\/p>\n<p>Vale destacar que a brincadeira \u00e9 um comportamento socialmente constru\u00eddo que ajuda a crian\u00e7a a se compreender e tamb\u00e9m entender o universo \u00e0 sua volta. Por isso, assim como Gisela Wajskop<sup>4<\/sup>, eu acredito que n\u00e3o seja suficiente dar a meninos e meninas o direito de brincar; \u00e9 preciso despertar e manter neles esse desejo. Como fazer isso? N\u00e3o basta apenas oferecer brinquedos para que utilizem durante o recreio. \u00c0s vezes, preciso tamb\u00e9m planejar a organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o onde ocorre o brincar e dos materiais que ficar\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, por exemplo. A oferta de brinquedos tradicionais e de materiais menos estruturados (tecidos, sucatas, caixas, cordas etc.) \u00e9 importante, pois cada objeto cria diferentes oportunidades de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O educador deve provocar desafios e, assim, possibilitar que as crian\u00e7as aprendam novas maneiras de brincar. A crian\u00e7a n\u00e3o nasce sabendo brincar. Ela aprende por meio do contato com a cultura. Por isso, acredito ser extremamente importante que as institui\u00e7\u00f5es e os professores realizem planejamento e acompanhamento do brincar. O educador pode ampliar o tempo destinado \u00e0s brincadeiras, assim como pode enriquecer sua qualidade, ajudando os pequenos a construir brinquedos e cen\u00e1rios para suas brincadeiras disponibilizando materiais e objetos variados.<\/p>\n<p>(Kathy Hodge Procopio, pedagoga, psic\u00f3loga, professora e propriet\u00e1ria do It\u2019s Playtime, espa\u00e7o de recrea\u00e7\u00e3o em que o ensino de ingl\u00eas para crian\u00e7as se desenvolve de maneira l\u00fadica: com jogos, brincadeiras, culin\u00e1ria, hist\u00f3rias etc)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Teoria registrada no cap\u00edtulo O papel do brinquedo no desenvolvimento, do livro A forma\u00e7\u00e3o social da mente: o desenvolvimento dos processos psicol\u00f3gicos superiores, de Lev Semenovich Vygotsky. Ed. Martins Fontes: S\u00e3o Paulo, 2007. Tel.: (11) 3106-9133. Site: http:\/\/www.martinsfontes.com.br<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC) A constru\u00e7\u00e3o do brincar em duas institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, apresentado no Curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP, sob a orienta\u00e7\u00e3o da professora mestra Maria Paula Zurawski, em 2009.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Kits oferecidos somente na sala.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Brincar na pr\u00e9-escola, de Gisela Wajskop. Ed. Cortez Editora: S\u00e3o Paulo, 2001. Tel.: (11) 3864-0111. Site: http:\/\/www.cortezeditora.com.br<\/p>\n<div id=\"attachment_5374\" style=\"width: 366px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5374\" class=\"size-full wp-image-5374 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar3.jpg\" alt=\"Foto: Acervo Espa\u00e7o Brincar\" width=\"356\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar3.jpg 356w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 356px) 100vw, 356px\" \/><p id=\"caption-attachment-5374\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Acervo Espa\u00e7o Brincar<\/p><\/div>\n<h4>Papel do educador<\/h4>\n<p>Desde o nascimento, a crian\u00e7a interage com diversos parceiros. O mais importante deles, na escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, \u00e9 o professor. Cabe a ele ser sens\u00edvel \u00e0s necessidades e desejos dos pequenos, fortalecer as rela\u00e7\u00f5es que eles estabelecem entre si, envolv\u00ea-los em atividades significativamente variadas e otimizar o uso pedag\u00f3gico de diferentes recursos. A maneira como o educador desempenha seu papel \u00e9 fundamental na experi\u00eancia de aprendizagem de cada um de sua turma, j\u00e1 que ele \u00e9 um modelo importante na forma\u00e7\u00e3o de atitudes. Al\u00e9m disso, cabe a esse profissional auxiliar na organiza\u00e7\u00e3o das brincadeiras para que mais tarde as crian\u00e7as tenham autonomia para brincar sozinhas. O documento Orienta\u00e7\u00f5es curriculares: expectativas de aprendizagens e orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para Educa\u00e7\u00e3o Infantil define quatro elementos que podem auxiliar o professor em seu planejamento: as intera\u00e7\u00f5es e as rela\u00e7\u00f5es, o manejo do tempo, a estrutura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e a sele\u00e7\u00e3o e o uso de materiais.<\/p>\n<p>Para garantir que a brincadeira aconte\u00e7a e se desenvolva, o professor deve estar presente, mas isso n\u00e3o significa que ele deva intervir e propor brincadeiras o tempo todo. Ele pode agir indiretamente ao observar as crian\u00e7as, organizar o ambiente e ajud\u00e1-las na escolha de materiais que poder\u00e3o enriquecer mais a brincadeira<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e dos materiais<\/strong><br \/>\nO ambiente que ser\u00e1 explorado pelas crian\u00e7as deve estimular suas sensa\u00e7\u00f5es, afetos, cogni\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o. Os educadores e os demais membros da equipe escolar precisam pensar como o espa\u00e7o pode ser estruturado para acolher as experi\u00eancias de aprendizagem, que s\u00e3o promotoras do desenvolvimento infantil. Para isso, \u00e9 fundamental garantir que o ambiente seja aconchegante, acolhedor, seguro, estimulante e organizado. \u00c9 importante que, periodicamente, apresente novidades, mudan\u00e7as. \u00c9 preciso tamb\u00e9m observar seu efeito sobre as intera\u00e7\u00f5es dos pequenos e avaliar se os objetivos pretendidos foram atingidos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de garantir a brincadeira, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m permitir a oferta de diferentes materiais que enriquecer\u00e3o ainda mais, como caixas de papel\u00e3o, bolas, cordas, m\u00e1scaras, carros, bonecos, sucata, entre outros. O tipo, o n\u00famero, a variedade dos objetos e o modo como s\u00e3o dispostos, podem auxiliar (ou dificultar) o desenvolvimento da autonomia da turma na realiza\u00e7\u00e3o das atividades. Ao organizar e selecionar os objetos, o professor deve equilibrar a oferta de brinquedos convencionais, tradicionais, industrializados e de materiais menos estruturados (como tecido, papel\u00e3o e sucata). Afinal, cada objeto cria diferentes oportunidades de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup>Pensamento retirado do livro Brincar e ler para viver: um guia para estrutura\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os educativos e incentivo ao l\u00fadico e \u00e0 leitura, de Adriana Klisyis e Edi Fonseca. Instituto Hedging-Griffo: S\u00e3o Paulo. Dispon\u00edvel na \u00edntegra no site http:\/\/www.institutohg.org.br<\/p>\n<div id=\"attachment_5375\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5375\" class=\"size-full wp-image-5375 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar4.jpg\" alt=\"Abaixo a menina Isadora Nogueira prepara armadilha para pegar saci com barbante, no Espa\u00e7o Brincar, em S\u00e3o Paulo (SP), 08\/08\/2008 (foto: Rafael Hupsel\/Folhapress Acima foto do acervo Espa\u00e7o Brincar\" width=\"290\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar4.jpg 290w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/avisala_43_brincar4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><p id=\"caption-attachment-5375\" class=\"wp-caption-text\">Abaixo a menina Isadora Nogueira prepara armadilha para pegar saci com barbante, no Espa\u00e7o Brincar, em S\u00e3o Paulo (SP), 08\/08\/2008 (foto: Rafael Hupsel\/Folhapress<br \/>Acima foto do acervo Espa\u00e7o Brincar<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Kathy Hodge Procopio<br \/>\nE-mail: kathy@itsplaytime.com.br<br \/>\nEscola (observa\u00e7\u00f5es B): Espa\u00e7o Brincar &#8211; Endere\u00e7o: Rua Beatriz, 77 \u2013 Vila Beatriz \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP \u2013 CEP: 05445-040 &#8211; Tel.: (11) 3034-4832<br \/>\nDiretora: Flora Marques de Azevedo Giannini<br \/>\nCoordenadoras: Ana Maria Franklin Gon\u00e7alves e Elisete Alves Matias Dias<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Orienta\u00e7\u00f5es curriculares: expectativas de aprendizagens e orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para Educa\u00e7\u00e3o Infantil, da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o. Diretoria de Orienta\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica. Dispon\u00edvel no site: http:\/\/portalsme.prefeitura.sp.gov.br\/Projetos\/BibliPed\/Anonimo\/Publica_EdInfantil.aspx?MenuID=128&amp;MenuIDAberto=88<\/li>\n<li>Brincar e ler para viver: um guia para estrutura\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os educativos e incentivo ao l\u00fadico e \u00e0 leitura, de Adriana Klisys e Edi Fonseca. Instituto Hedging-Griffo. Dispon\u00edvel na \u00edntegra no site: http:\/\/www.institutohg.org.br\/index.php?comunicacao<\/li>\n<li>Brincar na pr\u00e9-escola, de Gisela Wajskop. Ed. Cortez: S\u00e3o Paulo. Tel.: (11) 3864-0111. Dispon\u00edvel no site: http:\/\/www.cortezeditora.com.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o basta compreender que o brincar \u00e9 importante nas unidades de educa\u00e7\u00e3o infantil, \u00e9 preciso saber como proporcion\u00e1-lo para que seja rico e significativo para as crian\u00e7as. Por Kathy Rodge Procopio<\/p>\n","protected":false},"author":187,"featured_media":4446,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[404],"tags":[1111,97,255,189,778,513,1095,564],"class_list":{"0":"post-5370","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-43","8":"tag-revista-avisa-la-2010","9":"tag-aprendizagem","10":"tag-atividades","11":"tag-brincadeiras","12":"tag-interacao","13":"tag-intervencao","14":"tag-papel-do-educador","15":"tag-participacao","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/187"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5370\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}