{"id":5164,"date":"2005-01-26T14:49:53","date_gmt":"2005-01-26T16:49:53","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5164"},"modified":"2023-03-27T17:48:22","modified_gmt":"2023-03-27T20:48:22","slug":"alto-e-em-bom-som-a-importancia-da-leitura-em-voz-alta-no-processo-inicial-de-alfabetizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-21\/alto-e-em-bom-som-a-importancia-da-leitura-em-voz-alta-no-processo-inicial-de-alfabetizacao\/","title":{"rendered":"Alto e em bom som &#8211; A import\u00e2ncia da leitura em voz alta no processo inicial de alfabetiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h5>Projeto de forma\u00e7\u00e3o de coordenadoras pedag\u00f3gicas, desenvolvido no sul do pa\u00eds, com consultoria do al\u00e9m das letras, contribui para que as professoras desenvolvam pr\u00e1ticas di\u00e1rias de leitura para seus alunos<\/h5>\n<p>S\u00e3o Miguel do Oeste, em Santa Catarina, \u00e9 um dos 20 munic\u00edpios integrantes da Rede Al\u00e9m das Letras<sup>1<\/sup> e vem desenvolvendo importante trabalho de forma\u00e7\u00e3o de coordenadoras pedag\u00f3gicas. O projeto visa implementar nas escolas pr\u00e1ticas de leitura em voz alta pelo professor. Hoje sabe-se, por meio de pesquisas did\u00e1ticas, a import\u00e2ncia dessa atividade para uma alfabetiza\u00e7\u00e3o ampla. Realizado entre setembro e dezembro de 2004, a primeira fase do Projeto Formando Formadores envolveu coordenadoras pedag\u00f3gicas, professoras e alunos da Educa\u00e7\u00e3o Infantil e 1\u00aa s\u00e9ries do Ensino Fundamental de S\u00e3o Miguel do Oeste. Apoiada por Beatriz Gouveia, uma das consultoras da Rede Al\u00e9m das Letras, a formadora do munic\u00edpio de S\u00e3o Miguel do Oeste, Terezinha Bagatini, conduziu a forma\u00e7\u00e3o das coordenadoras pedag\u00f3gicas e relata aqui o desenvolvimento do projeto.<\/p>\n<p><strong>Passos iniciais<\/strong><br \/>\nS\u00e3o Miguel do Oeste vinha desenvolvendo o Projeto de Forma\u00e7\u00e3o Continuada de Professores Alfabetizadores baseado no PROFA<sup>2<\/sup> do MEC, com resultados muito positivos para a alfabetiza\u00e7\u00e3o. Essa a\u00e7\u00e3o possibilitou que o munic\u00edpio recebesse o Pr\u00eamio Al\u00e9m das Letras como destaque da regi\u00e3o Sul. Em semin\u00e1rio em S\u00e3o Paulo, com os cinco munic\u00edpios que foram destaques regionais, um novo desafio foi lan\u00e7ado \u00e0s equipes t\u00e9cnicas. A proposta do Al\u00e9m das Letras foi dar \u00eanfase \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de formadores locais, ainda em car\u00e1ter experimental, partindo de contextos<sup>3<\/sup> que favorecem a alfabetiza\u00e7\u00e3o inicial. S\u00e3o Miguel optou pelo desenvolvimento do contexto de leitura em voz alta pelo professor para iniciar a forma\u00e7\u00e3o de coordenadoras pedag\u00f3gicas.<!--more--><\/p>\n<p>O passo inicial foi reestruturar a equipe, j\u00e1 que a fun\u00e7\u00e3o de coordenadora n\u00e3o existia. Foram destacadas cinco professoras que haviam passado pelo PROFA para dar in\u00edcio ao trabalho nas escolas. Em seguida, foi elaborado o projeto de forma\u00e7\u00e3o com a colabora\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia da equipe do Al\u00e9m das Letras.<\/p>\n<p><strong>1\u00ba encontro &#8211; As primeiras preocupa\u00e7\u00f5es do novo trabalho<\/strong><\/p>\n<p>No dia 8 de setembro de 2004 fizemos o primeiro encontro de planejamento de estudos para a forma\u00e7\u00e3o de formadores. Discuti os objetivos, conte\u00fados e a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao desenvolvimento do projeto. As professoras registraram suas d\u00favidas com rela\u00e7\u00e3o ao novo desafio: o de iniciar o trabalho de coordena\u00e7\u00e3o nas unidades educacionais. As primeiras preocupa\u00e7\u00f5es apontadas foram com a dificuldade de encontrar e saber selecionar bons exemplares de literatura infantil e com a aquisi\u00e7\u00e3o de recursos de leitura para os estudos de forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as coordenadoras acreditam precisar de mais conhecimentos para fundamentar sua pr\u00e1tica com as professoras. Refletimos sobre o que \u00e9 importante observar na escolha do material liter\u00e1rio infantil: que os livros n\u00e3o apresentem vis\u00e3o moralista, infantilizada<sup>4<\/sup> ou did\u00e1tica<sup>5<\/sup>, mas que promovam encantamento e envolvimento, levando as crian\u00e7as em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, sonhos, aprendizagens e conhecimentos.<\/p>\n<p>Discutimos tamb\u00e9m que as leituras realizadas pelo professor n\u00e3o devem restringir-se a livros infantis. \u00c9 necess\u00e1rio usar ainda materiais informativos, como revistas, jornais, r\u00f3tulos, entre outros. Sobre a preocupa\u00e7\u00e3o diante dos recursos de leitura que possibilitam a amplia\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o enquanto coordenadoras, tranq\u00fcilizei-as ao afirmar que fizemos a aquisi\u00e7\u00e3o de bons livros e contamos com o apoio do Instituto Avisa L\u00e1. Foi bom perceber que, durante o encontro, as anota\u00e7\u00f5es ganhavam lugar freq\u00fcente em seus cadernos de registros, pois o gesto de registrar manifesta compromisso profissional.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Consultoria Al\u00e9m das Letras<\/strong><br \/>\nContar com o envolvimento das coordenadoras, saber que a pr\u00e1tica de registro j\u00e1 est\u00e1 apropriada por elas, utilizar bons materiais para provocar a reflex\u00e3o do grupo e ter claro o foco priorit\u00e1rio do projeto s\u00e3o aspectos essenciais para o sucesso dessa empreitada. Devo lembrar que n\u00e3o podemos perder de vista o contexto escolhido de leitura em voz alta pelo professor e que precisamos ajudar as coordenadoras a constru\u00edrem planejamentos, em forma de pautas, para serem trabalhados com as professoras. A discuss\u00e3o sobre quais estrat\u00e9gias formativas usar, que compet\u00eancias os professores precisam desenvolver e que comportamento leitores est\u00e3o em jogo s\u00e3o os conte\u00fados principais. Sugiro pedir \u00e0s coordenadoras relat\u00f3rios dos encontros de forma\u00e7\u00e3o que far\u00e3o com os professores. \u00c9 um material precioso para conhecer as a\u00e7\u00f5es de cada uma delas, resultados, participa\u00e7\u00e3o dos professores e metodologia. (Bia Gouveia, formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e uma das consultoras da Rede Al\u00e9m das Letras)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>2\u00ba encontro &#8211; Refor\u00e7ando o conte\u00fado foco do projeto<\/strong><\/p>\n<p>No segundo encontro refletimos sobre o texto Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita, de Delia Lerner, e assistimos ao v\u00eddeo do PROFA Aprender a Linguagem que se Escreve. As maiores ang\u00fastias em rela\u00e7\u00e3o aos encaminhamentos iniciais do trabalho de forma\u00e7\u00e3o foram resolvidas, embora ainda haja necessidade de ajudar as coordenadoras a conhecer e compreender estrat\u00e9gias did\u00e1ticas de forma\u00e7\u00e3o de professores, para que possam dar continuidade a seus trabalhos com cautela e comprometimento. Afinal, elas est\u00e3o diante de nova proposta e pela primeira vez desempenham um trabalho de coordena\u00e7\u00e3o. Por isso, socializamos e ajustamos os planejamentos visando atender clientelas distintas de forma\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, grupos de professores que est\u00e3o mais ou menos familiarizados com a pr\u00e1tica de leitura di\u00e1ria realizada para os alunos.<\/p>\n<p>A leitura do texto Conduzir a Literatura Tamb\u00e9m \u00c9 Papel da Escola, de Marly Amarilha, ofereceu uma s\u00e9rie de an\u00e1lises e informa\u00e7\u00f5es capazes de contribuir com a sele\u00e7\u00e3o do material liter\u00e1rio infantil e com a constru\u00e7\u00e3o dos caminhos para cativar as crian\u00e7as com as leituras. Al\u00e9m disso, o programa de v\u00eddeo apresentado fez refer\u00eancias espec\u00edficas \u00e0 import\u00e2ncia da leitura de adultos para as crian\u00e7as, refor\u00e7ando a necessidade di\u00e1ria dessa atividade em sala de aula. Textos e v\u00eddeo enfocaram a abordagem principal do encontro, casando com o conte\u00fado foco do projeto.<\/p>\n<p>(Leitura Compartilhada \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o em que dois ou mais leitores compartilham diferentes interpreta\u00e7\u00f5es de um texto, os diferentes sentidos que produziram e, eventualmente, validam suas interpreta\u00e7\u00f5es ou chegam a sentidos comuns. Esta pr\u00e1tica \u00e9 freq\u00fcente nas atividades de forma\u00e7\u00e3o do PROFA, mas n\u00e3o foi nomeada. Equivocadamente, tem sido chamada de leitura compartilhada a leitura do professor em voz alta para os alunos)<\/p>\n<blockquote><p><strong>Consultoria Al\u00e9m das Letras<\/strong><br \/>\nSabemos que um encontro apenas n\u00e3o \u00e9 suficiente para a compreens\u00e3o de todos os conceitos essenciais ao sucesso do projeto. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio abord\u00e1-los novamente. Uma maneira interessante de n\u00e3o os perder de vista \u00e9 por meio da constru\u00e7\u00e3o das pautas de forma\u00e7\u00e3o das coordenadoras e de seus relat\u00f3rios. Assim, conheceremos o grau de compreens\u00e3o destes conceitos atingido pelos professores, a qualidade da sua transposi\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica e as a\u00e7\u00f5es formativas dos coordenadores. Sugiro ainda que seja aproveitado o texto enviado pela formadora Denise Nalini<sup>6<\/sup>, O que Pedir aos Alunos ap\u00f3s a Leitura em Voz Alta Feita Pelo Professor?, que discute as tarefas freq\u00fcentemente solicitadas ap\u00f3s a leitura em voz alta. Achei \u00f3tima a id\u00e9ia de abordar tamb\u00e9m os textos informativos. Qualquer d\u00favida, estou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. (Bia Gouveia)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>3\u00ba encontro &#8211; As boas influ\u00eancias v\u00eam da sala ao lado<\/strong><\/p>\n<p>No terceiro encontro, o tema principal foi Ler \u00c9 Diferente de Contar. Fizemos a apresenta\u00e7\u00e3o dos relat\u00f3rios e os planejamentos dos pr\u00f3ximos trabalhos com as professoras. Antes mesmo que as coordenadoras apresentassem seus relat\u00f3rios sobre o primeiro encontro de estudos com as professoras, ap\u00f3s a leitura do texto Um Ba\u00fa de Hist\u00f3rias Para Ler e Contar<sup>7<\/sup>, fizemos excelentes discuss\u00f5es em torno do assunto. Colaborei tamb\u00e9m com algumas estrat\u00e9gias para atrair a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as (4, 5, 6 e 7 anos) durante as leituras realizadas pelo professor, aquele que empresta a sua voz para ler o que outra pessoa historiou, o que faz papel de int\u00e9rprete, ator e at\u00e9 mesmo de co-autor, porque coloca a sua fala para transmitir o que o escritor registrou. S\u00e3o elas:<\/p>\n<p>a) \u00c9 fundamental que as crian\u00e7as estejam pr\u00f3ximas do(a) professor(a) para ouvir as leituras (em semic\u00edrculos \u00e9 uma excelente id\u00e9ia);<br \/>\nb) O local deve ser apropriado, preferencialmente sem movimentos externos;<br \/>\nc) O(a) professor(a) precisa garantir uma boa escolha do material liter\u00e1rio ou informativo a ser lido e dar vida ao que l\u00ea;<br \/>\nd) \u00c9 necess\u00e1rio fazer propaganda do material antes de l\u00ea-lo. Se for um livro, por exemplo, pode-se come\u00e7ar pela capa (dizer quem escreveu, quem ilustrou e, ao mencionar o t\u00edtulo, comentar um pouco sobre a hist\u00f3ria que ser\u00e1 lida);<br \/>\ne) Quando se tratar de um texto extenso, poder\u00e1 ser lido em partes;<br \/>\nf) Os livros de hist\u00f3rias infantis ilustrados podem ser lidos p\u00e1gina por p\u00e1gina, fazendo-se pausas para observar as ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto essas falas ocorriam, todas as coordenadoras aproveitaram para registr\u00e1-las em seus cadernos, para depois socializ\u00e1-las com as professoras. Os relat\u00f3rios das coordenadoras revelam a necessidade de continuarmos estudando para que as inova\u00e7\u00f5es possam ganhar espa\u00e7o, sustenta\u00e7\u00e3o e fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. A coordenadora Maria Helena Mosquen, da escola Emma Balke, falou do comprometimento das professoras envolvidas no projeto. Na escola S\u00e3o Jo\u00e3o Batista de La Salle, muitas professoras que ainda n\u00e3o participam do projeto t\u00eam interesse em adotar a id\u00e9ia de ler diariamente para seus alunos, j\u00e1 que parece ter sido influenciadas por professoras da pr\u00e9-escola, que iniciaram experi\u00eancias significativas nesse sentido.<\/p>\n<p>O mesmo acontece na escola At\u00edlio Luiz Calza. Entusiasmada, a professora da pr\u00e9-escola j\u00e1 come\u00e7ou a incluir em suas pr\u00e1ticas de ensino as leituras di\u00e1rias, mas depara-se com dificuldades como escolher bons textos para serem lidos \u00e0s crian\u00e7as e manter a concentra\u00e7\u00e3o dos pequenos diante de textos informativos. Discutiu-se ainda a necessidade de levar aos familiares das crian\u00e7as o universo dos livros. Algumas escolas tentam buscar alternativas para chamar a aten\u00e7\u00e3o da comunidade sobre a import\u00e2ncia do ato de ler e dos alunos ouvirem leituras realizadas por adultos.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Consultoria Al\u00e9m das Letras<\/strong><br \/>\nO relat\u00f3rio revela a boa participa\u00e7\u00e3o das coordenadoras e o impacto que j\u00e1 pode ser observado nas pr\u00e1ticas escolares. Nesta cad\u00eancia, teremos um belo portifolio at\u00e9 dezembro. Gostaria de sugerir um texto que pode ajud\u00e1-la a conceitualizar melhor o que est\u00e1 por tr\u00e1s do contexto de leitura em voz alta e a descobrir como mobilizar o interesse das crian\u00e7as no momento da leitura. O texto \u00e9 Int\u00e9rpretes, Interpretantes, de Emilia Ferreiro, publicado no livro Piaget, Vygotsky: Novas Contribui\u00e7\u00f5es para o Debate. O texto diz que interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato que transforma as marcas em objetos ling\u00fc\u00edsticos e o sujeito que realiza o ato da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um int\u00e9rprete. No entanto, quando esse ato \u00e9 realizado para um outro, o int\u00e9rprete converte-se em interpretante. O interpretante informa \u00e0 crian\u00e7a, ao efetuar um ato de leitura, que as marcas t\u00eam poderes especiais: basta olh\u00e1-las para produzir linguagem. Quanto ao envolvimento da comunidade na pr\u00e1tica de leitura, \u00e9 importante que haja engajamento da dire\u00e7\u00e3o das escolas. Os diretores podem desenvolver projetos institucionais que fomentem pr\u00e1ticas de leitura e escrita: acervo da biblioteca, feira de livros, parceria com bibliotecas municipais. Seria interessante socializar experi\u00eancias bem-sucedidas desenvolvidas por outras escolas. (Bia Gouveia)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>4\u00ba encontro &#8211; O reconhecimento de um bom trabalho<br \/>\n<\/strong><br \/>\nNo quarto encontro o tema principal foi a leitura de textos informativos. A leitura de um artigo que eu havia elaborado, Textos Informativos na Escola, gerou significativas discuss\u00f5es e an\u00e1lises conjuntas. Observei que o texto informativo, antes de ser lido, deve ganhar um significado especial. O professor precisa criar uma situa\u00e7\u00e3o fascinante anterior \u00e0s leituras, visando seduzir a crian\u00e7a a participar como leitora ouvinte desse tipo de texto. E, na seq\u00fc\u00eancia dos nossos estudos, com a leitura do texto O Que o Jornal de Hoje nos Traz?<sup>8<\/sup>, foi poss\u00edvel reconhecer e enfatizar ainda mais a import\u00e2ncia e a possibilidade de ler textos informativos para alunos ainda n\u00e3o alfabetizados, pois se um grupo de crian\u00e7as de 2 a 3 anos conseguiu fazer explora\u00e7\u00f5es com jornal, por exemplo, sem ser para amassar, rasgar, picar, e sim para analisar imagens e produ\u00e7\u00f5es escritas, \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar muito mais quando se trata de crian\u00e7as maiores, como no caso de ler para elas informa\u00e7\u00f5es significativas, que agradam e ampliam seus conhecimentos. Lembrei as coordenadoras da import\u00e2ncia de discutir essas falas com as professoras que est\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o, levando-as a refletir e discutir metodologias adequadas para o envolvimento das crian\u00e7as tamb\u00e9m com textos jornal\u00edsticos.<\/p>\n<p>Nos relat\u00f3rios apresentados, as coordenadoras deram exemplos de como os estudos de forma\u00e7\u00e3o t\u00eam contribu\u00eddo para muitos tipos de reflex\u00f5es, encaminhamentos did\u00e1ticos e outros recursos e tipologias de leitura. Depois do encontro, visitei a escola At\u00edlio Luiz Calza e acompanhei o trabalho da coordenadora, que se mostrou segura no encaminhamento das atividades pautadas. A professora da pr\u00e9-escola afirmou que aproveita muitas das estrat\u00e9gias sugeridas por n\u00f3s. Segundo ela, antigas dificuldades j\u00e1 foram resolvidas: \u201cAgora as crian\u00e7as est\u00e3o mais atentas, pois adotei a id\u00e9ia de organiz\u00e1-las em semic\u00edrculo e passei a cuidar do tipo de texto a ser lido e a forma de conduzir as leituras para elas\u201d. Fiquei aliviada, pois coordenadora e professora est\u00e3o dispostas a aprofundar seus conhecimentos e a participar dos desafios. Mas sei que precisamos avan\u00e7ar muito ainda para ajudar na forma\u00e7\u00e3o dos professores alfabetizadores e, conseq\u00fcentemente, garantir a qualidade educacional de nossas crian\u00e7as.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Consultoria Al\u00e9m das Letras<\/strong><br \/>\nReconhecer que os textos t\u00eam diferentes prop\u00f3sitos leitores \u00e9 fundamental na forma\u00e7\u00e3o. Por isso, quando voc\u00ea diz que o professor deve criar uma situa\u00e7\u00e3o fascinante para os alunos, poder\u00edamos remeter ao prop\u00f3sito leitor. \u00c9 mais f\u00e1cil os alunos se envolverem na leitura de um texto quando o professor respeita seu sentido, sua modalidade de leitura. O tema escolhido para estudo precisa ser realmente de interesse do grupo e adequado \u00e0 idade das crian\u00e7as. A experi\u00eancia de visitar a escola At\u00edlio Luiz Calza foi interessante para nos aproximarmos mais do impacto do projeto na forma\u00e7\u00e3o da coordenadora e sabermos como ela descontextualiza os focos dos estudos. A fala da professora da pr\u00e9-escola \u00e9 um indicador importante de seu processo de compreens\u00e3o e da qualidade de nosso trabalho. (Bia Gouveia)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>5\u00ba encontro &#8211; Grandes transforma\u00e7\u00f5es e muitas conquistas<\/strong><\/p>\n<p>Chegamos finalmente ao nosso quinto encontro. Retomamos alguns assuntos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s leituras provenientes de textos informativos, uma vez que o objetivo \u00e9 fazer com que os professores, gradativamente, percebam a necessidade de introduzir esse tipo de texto em suas pr\u00e1ticas de leitura e conhe\u00e7am procedimentos e comportamentos capazes de envolver os alunos a ponto de desafi\u00e1-los para o aprendizado. Um assunto bastante discutido e que apareceu em muitos relat\u00f3rios \u00e9 a import\u00e2ncia de preparar as leituras antes de ler para as crian\u00e7as; outro \u00e9 a diferen\u00e7a entre ler e contar. Muitas vezes h\u00e1 uma id\u00e9ia infantilizada sobre a capacidade de compreens\u00e3o das crian\u00e7as. Mas, a partir de nossos estudos das experi\u00eancias positivas e com metodologias adequadas, percebemos uma maior motiva\u00e7\u00e3o e ousadia das professoras em oferecer outras leituras al\u00e9m das hist\u00f3rias infantis. Lembro-me que, em nosso primeiro encontro, as professoras estavam inquietas com a tem\u00e1tica proposta para ser estudada. Diziam j\u00e1 contemplar as leituras di\u00e1rias com os alunos. N\u00e3o compreendiam o porqu\u00ea de terem sido convidadas para estudar similar assunto. Na ocasi\u00e3o, expliquei que far\u00edamos novas leituras e an\u00e1lises sobre o assunto, refor\u00e7ar\u00edamos nossas aprendizagens e que elas poderiam compartilhar suas experi\u00eancias de leitura com educadores de outras escolas.<\/p>\n<p>Ao sentirem-se motivadas, as professoras passaram a demonstrar curiosidade e empolga\u00e7\u00e3o para iniciar os estudos. Hoje, apresentam enorme satisfa\u00e7\u00e3o e revelam estar surpresas com os novos conhecimentos constru\u00eddos. Pensar que sabemos muito ou quase tudo sobre um assunto pode, muitas vezes, significar negar a n\u00f3s mesmos o direito de aprender mais, de conhecermos mais as teorias, as metodologias e novas pr\u00e1ticas de ensino que promovam reflex\u00f5es mais fundamentadas. Sobre tudo isso, fica aqui o relato de uma professora que nos foi apresentado por uma das coordenadoras:<\/p>\n<p>\u201cSempre fizemos leituras com textos liter\u00e1rios, pois n\u00e3o acredit\u00e1vamos que fosse poss\u00edvel ler outros textos que n\u00e3o fossem estes, como no caso dos jornais. Ali\u00e1s, costum\u00e1vamos usar os jornais para forrar as mesinhas, ao oferecermos massa de modelagem para as crian\u00e7as. J\u00e1 t\u00ednhamos notado que elas observavam o que constava no jornal. Mas, como foi que n\u00e3o nos demos conta de que poder\u00edamos aproveitar sua curiosidade para explorar e ler determinados artigos?\u201d<\/p>\n<p>(Rede Al\u00e9m das Letras, juntamente com a realiza\u00e7\u00e3o dos Semin\u00e1rios Regionais de Forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 a terceira fase do Projeto Al\u00e9m das Letras. Uma iniciativa do Instituto Avisa L\u00e1, Funda\u00e7\u00e3o Avina e do Instituto Raz\u00e3o Social, com apoio do Unicef, Unesco, Undime, Ashoka e MBC. J\u00e1 destacou e premiou as 20 melhores pr\u00e1ticas alfabetizadoras de diversos munic\u00edpios do Pa\u00eds, e agora estimula uma Rede Virtual de Formadores que produz e dissemina conhecimento sobre forma\u00e7\u00e3o continuada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o, utilizando a tecnologia da IBM, por meio da iniciativa Reinventando a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Consultoria Al\u00e9m das Letras<\/strong><br \/>\nRealmente n\u00e3o se pode subestimar a capacidade de compreens\u00e3o das crian\u00e7as. \u00c9 preciso lembrar que, muitas vezes, elas n\u00e3o manifestam curiosidade porque n\u00e3o conhecem. E em muitas experi\u00eancias de forma\u00e7\u00e3o observamos que uma das primeiras mudan\u00e7as \u00e9 a forma com que os professores passam a olhar para os alunos. \u00c9 como se descobrissem o poder de fogo intelectual deles \u00e0 medida que conseguem ouvir uma hist\u00f3ria mais longa, que podem entender a not\u00edcia de um jornal, que reconhecem a modalidade de leitura de um texto informativo. O depoimento sincero da professora mostra a generosidade do processo de conhecimento e de forma\u00e7\u00e3o. Quando mantemos a reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica e dialogamos com parceiras mais experientes, somos capazes de trabalhar com novos observ\u00e1veis, isto \u00e9 passamos a enxergar outras formas de aprender e ensinar. Pelo visto, o ano se encerra com muitas conquistas. Parece pouco tempo para grandes transforma\u00e7\u00f5es. No entanto, vimos que com uma inten\u00e7\u00e3o formativa clara, com um projeto compartilhado, estrat\u00e9gias eficientes e boa disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es conseguimos \u00f3timos resultados. (Bia Gouveia)<\/p><\/blockquote>\n<p>(Terezinha Osmari Bagatini, formadora da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Miguel do Oeste)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Rede Al\u00e9m das Letras. Ver texto abaixo<br \/>\n<sup>2<\/sup>PROFA. Programa de Forma\u00e7\u00e3o de Professores Alfabetizadores.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Contextos de Alfabetiza\u00e7\u00e3o Inicial, Ana Teberosky e Marta Soler Gallart &amp; colaboradores. Ed. Artmed.<br \/>\n<sup>4<\/sup>Diz-se que o texto \u00e9 infantilizado quando usa diminutivos em excesso, palavras e frases simplificadas, desconsiderando as capacidades infantis.<br \/>\n<sup>5<\/sup>O texto liter\u00e1rio n\u00e3o deve ter o objetivo deliberado de ensinar algo (a n\u00e3o ser no caso das f\u00e1bulas) mas, ao contr\u00e1rio, deve possibilitar m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<sup>6<\/sup>Formadora do Instituto Avisa L\u00e1.<br \/>\n<sup>7<\/sup>Revista avisa l\u00e1, edi\u00e7\u00e3o no 16, outubro\/2003.<br \/>\n<sup>8<\/sup>Revista avisa l\u00e1, edi\u00e7\u00e3o no 15, julho\/2003, p\u00e1gs. 30 a 33.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5165\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/forma.jpg\" alt=\"forma\" width=\"501\" height=\"1159\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/forma.jpg 501w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/forma-442x1024.jpg 442w\" sizes=\"auto, (max-width: 501px) 100vw, 501px\" \/><\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Rede Al\u00e9m das Letras<br \/>\nResponsabilidade T\u00e9cnica: Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\nParceria: Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Miguel do Oeste &#8211; Rua Marc\u00edlio Dias, 1199. S\u00e3o Miguel do Oeste \u2013 SC. CEP: 89900-000<br \/>\nCoordenadora Pedag\u00f3gica: Teresinha Osmari Bagatini.<br \/>\nTel.: (49) 631-2031. E-mail: tereosmari@smo.com.br<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Ler e Escrever na Escola: O Real, o Poss\u00edvel e o Necess\u00e1rio, Delia Lerner. Trad. Ernani Rosa. Ed. Artmed Tel.: 0800 703 3444<\/li>\n<li>Formando Professores Profissionais: Quais Estrat\u00e9gias? Quais Compet\u00eancias, Philippe Perrenoud. Ed. Artmed Tel.: 0800 703 3444<\/li>\n<li>Leitura Significativa, Frank Smith. Ed. Artes M\u00e9dicas. Tel.: (11) 221-9033<\/li>\n<li>Estrat\u00e9gias de Leitura, Isabel Sol\u00e9. Ed. Artmed. Tel.: 0800 703 3444<\/li>\n<li>Revista avisa l\u00e1, edi\u00e7\u00e3o no 15, julho\/2003, p\u00e1gs. 30 a 35<\/li>\n<li>Revista avisa l\u00e1, edi\u00e7\u00e3o no 16, outubro\/2003, p\u00e1gs. 10 a 13<\/li>\n<li>O que Pedir aos Alunos ap\u00f3s a Leitura em Voz Alta Feita pelo Professor?, Denise Nalini<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto de forma\u00e7\u00e3o de coordenadoras pedag\u00f3gicas, desenvolvido no sul do pa\u00eds, com consultoria do al\u00e9m das letras, contribui para que as professoras desenvolvam pr\u00e1ticas di\u00e1rias de leitura para seus alunos. Por Terezinha Osmari Bagatini<\/p>\n","protected":false},"author":95,"featured_media":6238,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[448,382],"tags":[1106,1038,1040,607,151,1039,180,486,1037],"class_list":{"0":"post-5164","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-formacao-nos-municipios","8":"category-revista-avisala-21","9":"tag-revista-avisa-la-2005","10":"tag-consultoria","11":"tag-encontros","12":"tag-formacao","13":"tag-leitura","14":"tag-passos","15":"tag-planejamento","16":"tag-pratica","17":"tag-terezinha-osmari-bagatini","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/95"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5164"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5164\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}