{"id":5157,"date":"2005-01-25T22:06:13","date_gmt":"2005-01-26T00:06:13","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5157"},"modified":"2023-03-27T17:47:48","modified_gmt":"2023-03-27T20:47:48","slug":"desafios-da-inclusao-escolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/inclusao\/desafios-da-inclusao-escolar\/","title":{"rendered":"Desafios da inclus\u00e3o escolar"},"content":{"rendered":"<h5>Vivemos um momento na educa\u00e7\u00e3o em que o tema da inclus\u00e3o escolar est\u00e1 muito presente. A elabora\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o de leis federais e estaduais que obrigam as escolas a receber alunos com necessidades especiais coloca em cena as dificuldades enfrentadas pelos professores. Por isso, a reflex\u00e3o sobre o assunto \u00e9 sempre muito importante<\/h5>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1950, diversas a\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para a discuss\u00e3o acerca da inclus\u00e3o escolar, como por exemplo A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, de 1948; a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos da Inf\u00e2ncia, de 1959; a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Deficiente Mental, de 1971; as confer\u00eancias de Jomtien, em 1990, e de Salamanca, em 1994, ambas organizadas pela UNESCO e que preconizaram a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que favorecessem uma escola para todos, independentemente de suas condi\u00e7\u00f5es pessoais<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><strong>O que significa inclu\u00ed-los? <\/strong><br \/>\nHistoricamente, crian\u00e7as com necessidades especiais nem sempre tiveram garantido o acesso \u00e0 escola regular. Inicialmente segregadas, essas crian\u00e7as ficavam restritas aos seus lares ou depositadas em institui\u00e7\u00f5es que as acolhessem sem que nenhum trabalho de inclus\u00e3o fosse realizado. Na verdade, a inten\u00e7\u00e3o era o oposto: estimulava-se a segrega\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o de escolas especializadas para a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com necessidades especiais foi um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 simples segrega\u00e7\u00e3o, uma vez que havia um ensino apropriado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de cada crian\u00e7a. Ainda assim, pensar apenas em escolas especiais significava homogeneizar tanto esses espa\u00e7os destinados a essas crian\u00e7as, quanto as escolas regulares, na medida em que estas n\u00e3o recebiam crian\u00e7as portadoras de necessidades especiais.<!--more--><\/p>\n<p>A tentativa de incorporar essas crian\u00e7as nas escolas regulares passou por um processo gradativo. De in\u00edcio, elas as freq\u00fcentavam separadamente, em classes especiais. Ainda n\u00e3o se podia falar em inclus\u00e3o escolar, pois a crian\u00e7a n\u00e3o era de fato inclu\u00edda como participante do grupo de alunos a quem a escola sempre classificou como normais. Pensar em propostas reais de inclus\u00e3o escolar significa pensar em reformula\u00e7\u00f5es na base da educa\u00e7\u00e3o e da pr\u00e1tica do educador em sala de aula. Segundo a pesquisadora Maria Teresa Mantoan<sup>2<\/sup>, o que ainda acontece no Brasil \u201cs\u00e3o projetos de inclus\u00e3o parcial, que n\u00e3o est\u00e3o associados a mudan\u00e7as de base nas escolas, mas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os escolares semi ou totalmente segregados\u201d. Dessa forma, incluir alunos especiais na escola normal sem altera\u00e7\u00f5es substanciais refor\u00e7aria pr\u00e1ticas j\u00e1 existentes, como a implementa\u00e7\u00e3o de classe especiais ou de salas de recursos, na medida em que todas essas pol\u00edticas ainda partem do pressuposto de que a escola \u00e9 feita para a maioria normal, com alguns ap\u00eandices para seus alunos especiais. Nesse sentido, o que significaria, de fato, inclu\u00ed-los?<\/p>\n<p><strong>Desafios da Inclus\u00e3o<\/strong><br \/>\nO professor Lino de Macedo<sup>3<\/sup>, em seu texto Fundamentos para uma Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva<sup>4<\/sup>, aborda tanto os aspectos envolvidos na proposta de inclus\u00e3o \u00e0s escolas, quanto as suas conseq\u00fc\u00eancias e os desafios dessa pol\u00edtica no cotidiano de todos n\u00f3s, educadores e alunos. Nesse sentido \u00e9 que se prop\u00f5e pensar qual \u00e9 o significado da inclus\u00e3o para a escola, bem como quais s\u00e3o suas bases, o que fundamenta essa id\u00e9ia agora extremamente difundida e urgente para a educa\u00e7\u00e3o. Refletir sobre inclus\u00e3o nos faz, obviamente, pensar nos alunos exclu\u00eddos at\u00e9 agora do processo escolar. Segundo Lino, a escola estava pautada at\u00e9 ent\u00e3o em um modelo classificat\u00f3rio de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento, que definia sua popula\u00e7\u00e3o a partir de crit\u00e9rios presentes ou n\u00e3o em seus alunos, que os possibilitava estar ou n\u00e3o na escola.<\/p>\n<p>Classificar \u00e9 um modo de conhecimento que inclui determinada coisa, fato ou pessoa num grupo segundo crit\u00e9rios bem definidos, excluindo todas as outras coisas, fatos ou pessoas que n\u00e3o se encaixam ou n\u00e3o possuem esse crit\u00e9rio. \u201cA l\u00f3gica da exclus\u00e3o ap\u00f3ia-se na l\u00f3gica de classes\u201d, afirma Lino de Macedo. \u00c9 tamb\u00e9m a l\u00f3gica da separa\u00e7\u00e3o: \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel classificar sem separar, e \u00e9 preciso que saibamos que esta forma de conhecer e organizar o mundo \u00e9 n\u00e3o apenas muito usada, como necess\u00e1ria para todos n\u00f3s\u201d. Se a classifica\u00e7\u00e3o, em sua l\u00f3gica de exclus\u00e3o, \u00e9 muito \u201cpotente do ponto de vista te\u00f3rico, cognitivo e do conhecimento; do ponto de vista social, do ponto de vista pol\u00edtico, do ponto de vista educacional, cria, na pr\u00e1tica situa\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis e muitas vezes insuport\u00e1veis\u201d, escreve Lino. Crian\u00e7as deficientes e com necessidades especiais estavam fora da escola por n\u00e3o possu\u00edrem determinados crit\u00e9rios tidos como essenciais para a aprendizagem, ficando exclu\u00eddas da \u201ccategoria privilegiada, formando uma outra classe de pessoas, uma outra classe de alunos\u201d, como foi o caso, por exemplo, das classes especiais.<\/p>\n<div id=\"attachment_5159\" style=\"width: 371px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_21_inclusao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5159\" class=\"size-full wp-image-5159\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_21_inclusao.jpg\" alt=\"Epis\u00f3dios da Cria\u00e7\u00e3o ( de 1508 a 1512) Michelangelo. Capela Sistina, Roma\" width=\"361\" height=\"138\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_21_inclusao.jpg 361w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_21_inclusao-300x114.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5159\" class=\"wp-caption-text\">Epis\u00f3dios da Cria\u00e7\u00e3o ( de 1508 a 1512) Michelangelo. Capela Sistina, Roma<\/p><\/div>\n<p><strong>O problema \u00e9 nosso<\/strong><br \/>\nPensando nessa forma antiga de a escola se organizar, conclu\u00edmos que um dos principais desafios que a inclus\u00e3o nos coloca \u00e9 que possamos dissipar o preconceito que est\u00e1 em todos n\u00f3s, que contribui e fornece elementos para nossas fantasias, medos e recusa ao diferente. \u201cA proposta da inclus\u00e3o, apesar de todos os desafios que nos coloca, \u00e9 considerar a rela\u00e7\u00e3o entre pessoas de forma interdependente, ou seja, indissoci\u00e1vel, irredut\u00edvel e complementar. Como, de um ponto de vista relacional, nos comportarmos de modo indissoci\u00e1vel com uma crian\u00e7a com defici\u00eancia, por exemplo? Como n\u00e3o reduzi-la aos nossos medos, dificuldades ou preconceitos? Como n\u00e3o reduzi-la ao que gostar\u00edamos que fosse, aos nossos anseios ou expectativas? Como reconhec\u00ea-la por aquilo que \u00e9 ou que pode ser, nos limites que a definem, como, ali\u00e1s, definem qualquer um de n\u00f3s\u201d? (Ensaios Pedag\u00f3gicos \u2013 Como Construir uma Escola para Todos?, Lino de Macedo. p. 25).<\/p>\n<p>Se a exclus\u00e3o pressup\u00f5e a l\u00f3gica da classifica\u00e7\u00e3o, a inclus\u00e3o baseia-se numa \u201cl\u00f3gica da rela\u00e7\u00e3o, por interm\u00e9dio da qual um termo \u00e9 definido em fun\u00e7\u00e3o de outro\u201d. Segundo Lino, \u201ca rela\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de interagir, de organizar o conhecimento, de pensar o que quer que seja na perspectiva de outro\u201d. Do ponto de vista de um professor que trabalha de modo inclusivo, significa repensar todo seu trabalho, seu planejamento, a organiza\u00e7\u00e3o do tempo ou do espa\u00e7o de forma a abarcar em sua pr\u00e1tica todos os seus alunos, com os seus limites, peculiaridades e possibilidades. Dentro da l\u00f3gica da exclus\u00e3o, a defici\u00eancia do aluno \u00e9 problema dele; na l\u00f3gica da inclus\u00e3o, o problema \u00e9 de todos n\u00f3s, esclarece Lino de Macedo. Incluir significa, tal como afirma Lino, incluir todos n\u00f3s, uma vez que os inclu\u00eddos n\u00e3o s\u00e3o apenas aqueles que possuem uma dificuldade. Pensar assim continuaria a refor\u00e7ar os crit\u00e9rios da exclus\u00e3o e da segrega\u00e7\u00e3o. Propor uma escola inclusiva \u00e9 propor que todos os membros dessa escola fa\u00e7am parte dessa inclus\u00e3o, e que todos possam ser pensados como parte de n\u00f3s, de nosso trabalho como educadores.<\/p>\n<p>A dificuldade e o desafio de uma educa\u00e7\u00e3o inclusiva ser\u00e3o pensar nossa pr\u00e1tica de modo indissoci\u00e1vel a todos os alunos, considerando os seus limites, suas possibilidades, olhando-os para al\u00e9m das defici\u00eancias que possam ter, para que possamos trabalhar na escola de maneira distinta ao modo classificat\u00f3rio da exclus\u00e3o. Ao trabalhar de modo inclusivo, o professor precisar\u00e1 rever aspectos de sua pr\u00e1tica, o planejamento, a organiza\u00e7\u00e3o do tempo, do espa\u00e7o, seus estudos e forma\u00e7\u00e3o. Convocar as fam\u00edlias, os professores especializados e aprender com eles sobre crian\u00e7as que tenham necessidades especiais poder\u00e1 contribuir muito para o trabalho. E, como em qualquer situa\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica educativa, a reflex\u00e3o e o di\u00e1logo na escola se mostrar\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da mudan\u00e7a dessa cultura classificat\u00f3ria a escola precisa se organizar principalmente estabelecendo parcerias com centros especializados nos diferentes tipos de necessidades especiais. O professor precisa ter informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre as s\u00edndromes que acometem as crian\u00e7as portadoras para ter mais seguran\u00e7a. A seguir, o depoimento da professora Helena, que explicita o grau de dificuldade que enfrentou por falta de conhecimentos espec\u00edficos. Mas ainda assim p\u00f4de acolher uma crian\u00e7a com necessidade especial de maneira sens\u00edvel.<\/p>\n<p>(Ana Carolina Carvalho, psic\u00f3loga e colaboradora da Revista avisa l\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Historia de la Educacion Especial en el Mundo, A.S. Wajsman e A. Glaze. No site www.cavarales.com.ar.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Todas as Crian\u00e7as S\u00e3o Bem-Vindas \u00e0 Escola, M. T. E. Mantoan. Apostila. Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Unicamp.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Professor de Psicologia do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo.<br \/>\n<sup>4<\/sup>Ensaios Pedag\u00f3gicos \u2013 Como Construir uma Escola para Todos?, L. Macedo. Porto Alegre: Ed. Artmed.<\/p>\n<h4>Educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos<\/h4>\n<p>Reproduzimos aqui alguns artigos e par\u00e1grafos da Resolu\u00e7\u00e3o N\u00famero 2, de 11 de fevereiro de 2001, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o. C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (CNE\/CEB), concernentes \u00e0 educa\u00e7\u00e3o inclusiva no Brasil.<br \/>\n<strong>Art.1\u00ba \u2013<\/strong> A presente resolu\u00e7\u00e3o institui as Diretrizes Nacionais para a educa\u00e7\u00e3o de alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, em todas as suas etapas e modalidades.<br \/>\n<strong>Par\u00e1grafo \u00fanico.<\/strong> O atendimento escolar desses alunos ter\u00e1 in\u00edcio na educa\u00e7\u00e3o infantil, nas creches e pr\u00e9-escolas, assegurando-lhes os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o especial sempre que se evidencie, mediante avalia\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado.<\/p>\n<p><strong>Art.2\u00ba \u2013<\/strong> Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo \u00e0s escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos.<br \/>\n<strong>Par\u00e1grafo \u00fanico.<\/strong> Os sistemas de ensino devem conhecer a demanda real de atendimento a alunos com necessidades educacionais especiais, mediante a cria\u00e7\u00e3o de sistemas de informa\u00e7\u00e3o e o estabelecimento de interface com os \u00f3rg\u00e3os governamentais respons\u00e1veis pelo Censo Escolar e pelo Censo Demogr\u00e1fico, para atender a todas as vari\u00e1veis impl\u00edcitas \u00e0 qualidade do processo formativo desses alunos (&#8230;)<br \/>\n<strong>Art. 7\u00ba \u2013<\/strong> O atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ser realizado em classes comuns do ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de numerosos artigos que enfatizam a inclus\u00e3o de alunos com necessidades especiais em classes ordin\u00e1rias, esta resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m indica a forma\u00e7\u00e3o de classes especiais para casos de extrema dificuldade do aluno, em termos de sua aprendizagem, sociabilidade ou comunicabilidade. No entanto, o car\u00e1ter transit\u00f3rio dessas classes \u00e9 refor\u00e7ado.<\/p>\n<h4>Aprendendo a trabalhar com as diferen\u00e7as<\/h4>\n<p>Juliana sempre foi acompanhada pela APAE. Sua m\u00e3e era orientada a coloc\u00e1-la na creche, mas resistia por acreditar que sua filha sofreria muitos preconceitos, mesmo conhecendo o nosso trabalho. Perceb\u00edamos o seu receio atrav\u00e9s de suas a\u00e7\u00f5es. Mas com o passar do tempo, ela demonstrou confian\u00e7a no trabalho. Quando fiquei sabendo que Juliana ficaria na minha sala, senti muito receio, pois n\u00e3o conhecia a s\u00edndrome de Down<sup>5<\/sup> e nunca havia tido contato com pessoas que apresentassem esse problema. Senti muito medo, inseguran\u00e7a e incapacidade.<\/p>\n<p>Por ter um grupo grande, pensei que n\u00e3o conseguiria trabalhar, mas houve integra\u00e7\u00e3o e ajuda das crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a Juliana e, aos poucos, comecei a apostar em mim e no grupo. Eu tinha dificuldade de pensar atividades voltadas para ela e, \u00e0s vezes, o grupo a criticava, alegando que ela n\u00e3o sabia de nada. Para inclu\u00ed-la no grupo, fui levando-a a participar das atividades, sempre acompanhando e tratando Juliana com igualdade, para que ela n\u00e3o se sentisse diferente. Sua adapta\u00e7\u00e3o dentro do grupo come\u00e7ou com uma conversa franca.<\/p>\n<p>Falei que ela era uma crian\u00e7a especial. O grupo aceitou e at\u00e9 ajudava a cuidar dela, n\u00e3o deixando que outras pessoas a tratassem mal. Quanto \u00e0 minha adapta\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio achava que ela precisava estar sempre comigo, porque acreditava que tinha muitas limita\u00e7\u00f5es, que era fechada em seu mundo, e que eu precisava estar estimulando e direcionando Juliana, constantemente. Muitas vezes, ela ficava dispersa e eu a chamava para o grupo, perguntando-lhe em que estava pensando. Em outros momentos, fazia uma brincadeira para entusiasm\u00e1-la. Trabalhando com Juliana, aprendi que mesmo ela tendo limita\u00e7\u00f5es, podia participar do grupo, e que n\u00e3o precisava ser paparicada. Tamb\u00e9m aprendi a trabalhar com as diferen\u00e7as no grupo. Os alunos, por sua vez, aprenderam a respeitar o seu jeito de ser.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Juliana ajudou muito. Convers\u00e1vamos sobre seu comportamento na creche e em casa e eu procurava promover o interc\u00e2mbio com o aux\u00edlio da dire\u00e7\u00e3o da creche. No in\u00edcio deste trabalho, fiquei assustada, porque n\u00e3o tinha especializa\u00e7\u00e3o. Mas com o passar do tempo, buscando mais conhecimentos, tendo ajuda de meu grupo e refletindo sobre minha pr\u00e1tica, fui ganhando experi\u00eancia. Um outro aspecto que contou muito em meu trabalho foi o apoio e o di\u00e1logo com a dire\u00e7\u00e3o da creche. Depoimento da professora Helena, da Creche A M\u00e3o Cooperadora.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup>A denomina\u00e7\u00e3o s\u00edndrome de Down \u00e9 resultado da descri\u00e7\u00e3o de Langdon Down, m\u00e9dico ingl\u00eas que, pela primeira vez, identificou, em 1866, as caracter\u00edsticas de uma crian\u00e7a com a s\u00edndrome.<\/p>\n<h4>Coment\u00e1rios finais<\/h4>\n<p>A professora Helena n\u00e3o tem receio de assumir suas limita\u00e7\u00f5es e dificuldades, o que, segundo o professor Lino de Macedo, constitui-se um primeiro passo. \u00c9 importante assumirmos o preconceito, a nossa dificuldade, o nosso medo e a nossa impot\u00eancia, porque s\u00f3 assim vamos poder, pouco a pouco, assumir, de fato, uma forma\u00e7\u00e3o que promova a educa\u00e7\u00e3o inclusiva. A educa\u00e7\u00e3o inclusiva veio tornar mais complexa a nossa vida, mais desafiadora a nossa tarefa de professores. Vamos precisar estudar o que antes est\u00e1vamos dispensados de estudar, vamos ter de aprender t\u00e9cnicas nas quais antes n\u00e3o precis\u00e1vamos pensar, vamos ter de aprender a ver mais devagar quando antes est\u00e1vamos acostumados a ver em uma certa velocidade, vamos ter de aprender a ouvir sem audi\u00e7\u00e3o, a acompanhar em um ritmo mais r\u00e1pido quando est\u00e1vamos acostumados a um ritmo mais lento. Coment\u00e1rios sobre o depoimento da professora Helena, baseados no texto de Lino de Macedo.<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Programa Capacitar Educadores \u2013 Iniciativa: Instituto C&amp;A<br \/>\nResponsabilidade T\u00e9cnica: Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\nRealiza\u00e7\u00e3o: CEI A M\u00e3o Cooperadora Obras Sociais e Educacionais<br \/>\nRua Professor Francisco Marques de Oliveira J\u00fanior, 151 \u2013 Jd. Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es &#8211; S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 04855-340 &#8211; Tel.: (11) 5933-3982. Site: www.amaocooperadora.org.br. E-mail: maocooperadora@ig.com.br<\/p>\n<p><strong>Equipe<\/strong><br \/>\nDiretora: Liasita Goetz<br \/>\nCoordenadora Pedag\u00f3gica: Maria Genecleide da Silva<br \/>\nEducadora: Luisa Helena Rodrigues Marques<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Ensaios Pedag\u00f3gicos \u2013 Como Construir uma Escola para Todos, Lino de Macedo. Ed. Artmed. Tel.: 0800 703 3444<\/li>\n<li>Educa\u00e7\u00e3o Especial no Brasil, Hist\u00f3ria e Pol\u00edticas P\u00fablicas. M. S. J. Mazzota. Ed. Cortez. Tel.: (11) 3873-7111. E-mail: vendas@livrariacortez.com.br<\/li>\n<li>Rede SACI: www.saci.org.br<\/li>\n<li>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre s\u00edndrome de Down acesse o site: www.fsdwn.org.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos um momento na educa\u00e7\u00e3o em que o tema da inclus\u00e3o escolar est\u00e1 muito presente. A elabora\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o de leis federais e estaduais que obrigam as escolas a receber alunos com necessidades especiais coloca em cena as dificuldades enfrentadas pelos professores. Por isso, a reflex\u00e3o sobre o assunto \u00e9 sempre muito importante. 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