{"id":5150,"date":"2004-09-25T02:08:22","date_gmt":"2004-09-25T05:08:22","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5150"},"modified":"2023-03-27T17:45:41","modified_gmt":"2023-03-27T20:45:41","slug":"ilustracao-o-dialogo-entre-texto-e-imagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/ilustracao-o-dialogo-entre-texto-e-imagem\/","title":{"rendered":"Ilustra\u00e7\u00e3o: o di\u00e1logo entre texto e imagem"},"content":{"rendered":"<h5>A for\u00e7a de um livro est\u00e1 definitivamente em seu texto, mas quando h\u00e1 ilustra\u00e7\u00f5es elas podem potencializar a mensagem transmitida pelas palavras. Elemento importante na composi\u00e7\u00e3o de um livro, a ilustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 enfeita, narra ou traduz um texto, mas dialoga com ele<\/h5>\n<div id=\"attachment_5151\" style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5151\" class=\"size-full wp-image-5151 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_20_sustanca1.jpg\" alt=\"Apesar da  proibi\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e, Chap\u00e9uzinho colhe flores no bosque (O Grande Livro das F\u00e1bulas Encantadas. Charles Perrault)\" width=\"289\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_20_sustanca1.jpg 289w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_20_sustanca1-249x300.jpg 249w\" sizes=\"auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/><p id=\"caption-attachment-5151\" class=\"wp-caption-text\">Apesar da proibi\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e, Chap\u00e9uzinho colhe flores no bosque (O Grande Livro das F\u00e1bulas Encantadas. Charles Perrault)<\/p><\/div>\n<p>Nas p\u00e1ginas desta revista, voc\u00eas t\u00eam acesso a dois artigos em que a ilustra\u00e7\u00e3o foi parte integrante do trabalho: Uma leitura inusitada: Harry Potter aos 4 anos; Ler para estudar, escrever e desenhar para comunicar. Nestes dois projetos, os alunos ilustraram tanto a partir da interpreta\u00e7\u00e3o que puderam realizar dos livros, quanto do conhecimento adquirido com as leituras de textos t\u00e9cnicos, de enciclop\u00e9dias, da observa\u00e7\u00e3o dos animais estudados e do acesso a diferentes tipos de ilustra\u00e7\u00e3o. Nos dois casos, as ilustra\u00e7\u00f5es revelaram um trabalho de an\u00e1lise e compreens\u00e3o do conte\u00fado estudado e lido, colocando os alunos como ilustradores semelhantes \u00e0queles que iniciaram a hist\u00f3ria da ilustra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Conhecer mais sobre as caracter\u00edsticas que regem o universo da ilustra\u00e7\u00e3o pode contribuir para dar mais consist\u00eancia \u00e0s propostas desse tipo feitas pelos professores aos alunos.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n<strong>Um pouco de Hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\nOs primeiros livros ilustrados no Brasil tinham na imagem uma fun\u00e7\u00e3o de ornamento em rela\u00e7\u00e3o ao texto verbal<sup>1<\/sup>. Havia uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com a representa\u00e7\u00e3o de um trecho da hist\u00f3ria, predeterminado pelo editor ou pelo autor. Seguindo a tradi\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia nas ilustra\u00e7\u00f5es dos contos de fadas, o Brasil adotou essa forma de conferir imagem aos livros, em que o que contava era o grau de preciosismo do desenho relacionado a um trecho da obra liter\u00e1ria. A ilustra\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o se apresentava enquanto uma linguagem visual capaz de dialogar com o texto, assim como n\u00e3o havia um trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o por parte do ilustrador. E \u00e9 justamente isso o que caracteriza atualmente o trabalho de ilustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo 20, essa forma de ilustrar as hist\u00f3rias come\u00e7ou a mudar. Se anteriormente havia uma ordem expressa no sentido de a ilustra\u00e7\u00e3o representar determinado momento ou frase de um texto, bem como uma determina\u00e7\u00e3o a cerca do espa\u00e7o ocupado pela imagem (in\u00edcio, meio e fim da hist\u00f3ria), alguns ilustradores brasileiros come\u00e7aram a apresentar mudan\u00e7as nesse jeito de trabalhar. Passaram a conferir sua pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e0 imagem, colocando-se n\u00e3o s\u00f3 como desenhistas, mas tamb\u00e9m como leitores dos livros que ilustravam. Nesse movimento, a ilustra\u00e7\u00e3o enquanto narra\u00e7\u00e3o, representa\u00e7\u00e3o ou tradu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria passa a estabelecer um di\u00e1logo com o texto.<\/p>\n<p>Uma linguagem visual que dialoga com a verbal. Nessa perspectiva, o ilustrador passa a ser, antes de tudo, um leitor. E tanto melhor ser\u00e1 a ilustra\u00e7\u00e3o quanto mais puder conter a interpreta\u00e7\u00e3o de quem a realiza, mas \u00e9 necess\u00e1rio que tamb\u00e9m possibilite ao leitor buscar as suas interpreta\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um espa\u00e7o para a intera\u00e7\u00e3o, que se d\u00e1 em tr\u00eas n\u00edveis: ilustrador, texto e leitor.<\/p>\n<p><strong>O di\u00e1logo do leitor com a ilustra\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo o escritor Alberto Manguel, em seu livro Lendo imagens, n\u00f3s s\u00f3 podemos ler ou ver aquilo que conhecemos, aquilo que faz um sentido para n\u00f3s. N\u00e3o vemos o que n\u00e3o conhecemos, precisamos ter informa\u00e7\u00f5es suficientes para que comecemos um di\u00e1logo com uma imagem ou ilustra\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es estas que v\u00eam do que j\u00e1 vimos, das imagens que j\u00e1 constru\u00edmos em nossa mem\u00f3ria. Em se tratando das ilustra\u00e7\u00f5es de um livro, o di\u00e1logo que estabelecemos com elas tem in\u00edcio na leitura que fazemos do texto ou da hist\u00f3ria em quest\u00e3o. Assim como o ilustrador dialoga com o livro, a imagem que ele prop\u00f5e tamb\u00e9m promove uma conversa do leitor com o texto. Nesse sentido, pode-se dizer que a ilustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem um fim em si mesma, ela est\u00e1 presente para que possa haver um di\u00e1logo com o texto.<\/p>\n<div id=\"attachment_5152\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5152\" class=\"size-full wp-image-5152 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/sustanca6.jpg\" alt=\"Nem as mais finas iguarias, as dan\u00e7arinas graciosas e os melhores m\u00fasicos puderam alegrar Elisa (Ilustra\u00e7\u00e3o de Davanzo. Cisnes Selvagens. Contes d'Andersen. Flammarion)\" width=\"227\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/sustanca6.jpg 227w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/sustanca6-224x300.jpg 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/><p id=\"caption-attachment-5152\" class=\"wp-caption-text\">Nem as mais finas iguarias, as dan\u00e7arinas graciosas e os melhores m\u00fasicos puderam alegrar Elisa (Ilustra\u00e7\u00e3o de Davanzo. Cisnes Selvagens. Contes d&#8217;Andersen. Flammarion)<\/p><\/div>\n<p><strong>A \u00f3tica de um ilustrador<\/strong><br \/>\nLuis Camargo<sup>2<\/sup>, escritor e ilustrador de livros infantis, tamb\u00e9m confere import\u00e2ncia para esse di\u00e1logo que a ilustra\u00e7\u00e3o estabelece com o texto, afirmando que a imagem presente em um livro n\u00e3o possui fun\u00e7\u00e3o quando vista isoladamente. H\u00e1, segundo Camargo, uma \u201crela\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica entre as duas linguagens, a visual e a verbal\u201d. \u00c0 essa rela\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica entre o texto e a ilustra\u00e7\u00e3o, o autor atribui ainda diferen\u00e7as qualitativas, j\u00e1 que ela pode se apresentar a partir de uma coer\u00eancia do desenho com o texto, de um desvio ou de uma contradi\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o de coer\u00eancia \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o ideal, em que a ilustra\u00e7\u00e3o converge para o texto, sem que isso signifique uma equival\u00eancia completa. Nas outras situa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 uma incoer\u00eancia, que pode se expressar a partir de um desvio ou de uma contradi\u00e7\u00e3o do desenho em rela\u00e7\u00e3o ao texto.<\/p>\n<p>Analisando ainda a qualidade dessa liga\u00e7\u00e3o que se estabelece entre as duas linguagens, a visual e a verbal, Luis Camargo faz um interessante paralelo entre a rela\u00e7\u00e3o existente no teatro entre o texto e o cen\u00e1rio, a ilumina\u00e7\u00e3o e o figurino da pe\u00e7a, na medida em que n\u00e3o se espera que todos esses elementos traduzam o texto para o espectador, mas que possam compor, a partir de uma coer\u00eancia, a linguagem teatral.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Essas informa\u00e7\u00f5es foram coletadas no site www.sobresites.com\/literaturajuvenil.com.br, a partir da entrevista com a professora Ana L\u00facia<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Entre as obras de Luis Camargo, podemos destacar a colet\u00e2nea po\u00e9tica O catavento e o ventilador (Pr\u00eamio Jabuti de Ilustra\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<h4>Ilustra\u00e7\u00e3o de Contos de fadas<\/h4>\n<p>Um livro imprescind\u00edvel para quem trabalha com contos de fadas acaba de sair do forno. Trata-se de Contos de Fadas \u2013 Edi\u00e7\u00e3o comentada e ilustrada \u2013 Maria Tatar \u2013 da Jorge Zahar Editor. Cada um dos 26 contos apresentados \u00e9 ilustrado por diferentes artistas, somando cerca de 300 ilustra\u00e7\u00f5es, muitas delas raras. \u00c0s imagens que d\u00e3o vida aos personagens e cenas que encantaram gera\u00e7\u00f5es inteiras produzidas por ilustradores c\u00e9lebres dos s\u00e9culos 19 e 20, somam-se vers\u00f5es cl\u00e1ssicas dos contos com toda a riqueza textual. O livro nos presenteia ainda com coment\u00e1rios ao longo das hist\u00f3rias que contextualizam o conto no tempo e que auxiliam a compreender a linguagem visual, possibilitando ampliar os diferentes significados de cada texto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5153\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_20_sustanca2.jpg\" alt=\"avisala_20_sustanca2\" width=\"126\" height=\"158\" \/><\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Poesia infantil e ilustra\u00e7\u00e3o: estudo sobre Ou Isto Ou Aquilo, de Cec\u00edlia Meireles; disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Luis Camargo, Unicamp, Projeto Mem\u00f3ria de Leitura, 1998.<\/li>\n<li>Lendo imagens: Uma hist\u00f3ria de amor e \u00f3dio. Alberto Manguel, S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2001. Tel.: (11) 3707-3501<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A for\u00e7a de um livro est\u00e1 definitivamente em seu texto, mas quando h\u00e1 ilustra\u00e7\u00f5es elas podem potencializar a mensagem transmitida pelas palavras. 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