{"id":5126,"date":"2004-07-24T19:39:11","date_gmt":"2004-07-24T22:39:11","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5126"},"modified":"2023-03-27T17:38:19","modified_gmt":"2023-03-27T20:38:19","slug":"prazeres-e-saberes-de-leitores-nao-convencionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-19\/prazeres-e-saberes-de-leitores-nao-convencionais\/","title":{"rendered":"Prazeres e saberes de leitores n\u00e3o convencionais"},"content":{"rendered":"<h5>Muitos educadores n\u00e3o v\u00eaem com bons olhos a rela\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as muito pequenas com a escrita. Neste artigo, Pedro (3 anos), Duda (4 anos), Diogo (5 anos) e Ana (5 anos) desafiam essa postura. Veja com que alegria e compet\u00eancia eles se revelam participantes da cultura escrita<\/h5>\n<blockquote><p>\u201cEnsinar a ler e escrever continua sendo uma das tarefas mais especificamente escolares. Um n\u00famero muito significativo (demasiadamente significativo) de crian\u00e7as fracassa j\u00e1 nos primeiros passos da alfabetiza\u00e7\u00e3o. O objetivo deste livro \u00e9 mostrar que existe uma nova maneira de considerar esse problema. Pretendemos demonstrar que a aprendizagem da leitura, entendida como o questionamento a respeito da natureza, fun\u00e7\u00e3o e valor desse objeto cultural que \u00e9 a escrita, inicia-se muito antes do que a escola o imagina, transcorrendo por insuspeitos caminhos.\u201d (Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, psicog\u00eanese da l\u00edngua escrita, nota preliminar)<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_5131\" style=\"width: 288px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5131\" class=\"size-full wp-image-5131 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres4.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)\" width=\"278\" height=\"218\" \/><p id=\"caption-attachment-5131\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de aluno representando os ciclopes, personagens presentes nos mitos gregos (VIrginia Gastaldi)<\/p><\/div>\n<p>O texto acima foi escrito h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, mas a pol\u00eamica sobre alfabetizar ou n\u00e3o crian\u00e7as na pr\u00e9-escola ainda \u00e9 grande. H\u00e1 uma tend\u00eancia \u00e0 concord\u00e2ncia na rejei\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de exerc\u00edcio motor, repeti\u00e7\u00e3o e c\u00f3pia. O que a elas se op\u00f5e, por\u00e9m, deve ser objeto de discuss\u00e3o, visto que, muitas vezes, essa oposi\u00e7\u00e3o acaba por desconsiderar o que nelas h\u00e1 de melhor, ou seja, a responsabilidade da Educa\u00e7\u00e3o Infantil com a alfabetiza\u00e7\u00e3o. Cabem, ent\u00e3o, esclarecimentos sobre o que se entende por alfabetiza\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 isso que est\u00e1 em jogo quando a discuss\u00e3o emerge, mas nem sempre a isso se faz refer\u00eancia. Enquanto as discuss\u00f5es se arrastam, grande parte das pr\u00e9-escolas (e escolas) \u2013 p\u00fablicas e particulares \u2013 est\u00e1 longe de serem ambientes em que circulam pr\u00e1ticas de leitura e escrita em suas variadas formas, ou seja, ambientes alfabetizadores, e assim deixam de criar para as crian\u00e7as a oportunidade de participar dessas pr\u00e1ticas e com elas aprender. Um ambiente alfabetizador na Educa\u00e7\u00e3o Infantil em nada se assemelha a pr\u00e1ticas tediosas ou precoces.<!--more--><\/p>\n<p>Partindo da minha experi\u00eancia como coordenadora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil durante oito anos<sup>1<\/sup>, descreverei como vejo a imers\u00e3o das crian\u00e7as na cultura escrita, usando alguns exemplos de atividades, para que tenhamos uma refer\u00eancia do que estamos entendendo por um trabalho em contexto letrado<sup>2<\/sup>. Esclarecerei como alguns dos conceitos que trataremos aqui podem se traduzir em boas situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas. Os exemplos s\u00e3o reais. Neles est\u00e3o conservados os nomes das crian\u00e7as, como forma de reconhecer o quanto sabem, e os nomes dos professores, como forma de reconhecer o quanto ensinam.<\/p>\n<p><strong>O reconto de Pedro<\/strong><br \/>\nImagine a cena: Pedro tem 3 anos, n\u00e3o l\u00ea convencionalmente ainda, obviamente, mas adora livros. Conhece muitos, especialmente o O caso do bolinho, de Tatiana Belinky. Tem tanto prazer em ouvir essa hist\u00f3ria que j\u00e1 a sabe de cor. Ele est\u00e1 sentado junto a alguns de seus amigos de sala, ocupando o lugar do contador de hist\u00f3rias. Abre o livro e come\u00e7a a leitura. Ele diz o t\u00edtulo, o nome do autor e l\u00ea o livro inteiro, com um impressionante ajuste do que fala com o que est\u00e1 escrito, virando as p\u00e1ginas precisamente ao t\u00e9rmino do texto. Imita sua professora ao ler um livro, utilizando-se para isso de uma fala distante da estrutura do oral, com express\u00f5es muito pr\u00f3ximas \u00e0s dos livros:<\/p>\n<p>\u2013 E l\u00e1 se foi o bolinho, rolando pela estrada, at\u00e9 que encontrou uma lebre&#8230; Rola que rola, at\u00e9 que encontrou um lobo&#8230; N\u00e3o me pape n\u00e3o, seu Lobo, deixe eu cantar uma can\u00e7\u00e3o pra voc\u00ea. Ele p\u00e1ra durante a leitura para ouvir coment\u00e1rios de seus amigos, conta coisas e prossegue do ponto onde parou, sempre com modula\u00e7\u00f5es na voz, dando \u00eanfase a passagens que lhe parecem mais interessantes. Seus ouvintes, tamb\u00e9m de 3 anos, est\u00e3o atentos e escutam interessados toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Fazem interrup\u00e7\u00f5es, comentam passagens, lembran\u00e7as, riem e voltam \u00e0 hist\u00f3ria. Pedro retoma a narrativa, e seus ouvintes continuam atentos. Ao final, riem, apontam imagens, repetem partes do texto e conversam agrupados em torno do livro. Revelando detalhes da cena Vamos pensar um pouco sobre a cena. O que vemos em Pedro e seus amigos \u00e9 um impressionante dom\u00ednio oral de linguagem escrita e um comportamento leitor que n\u00e3o encontramos t\u00e3o freq\u00fcentemente mesmo entre adultos. Como isso se tornou poss\u00edvel? Na escola de Pedro, que ele freq\u00fcenta desde os 2 anos, a leitura de hist\u00f3rias \u00e9 uma atividade realizada pela professora diariamente. \u00c9 sempre a \u00faltima atividade coletiva do dia. Por isso essa crian\u00e7a possui um grande repert\u00f3rio e j\u00e1 tem prefer\u00eancias estabelecidas. H\u00e1, na sua sala, uma estante com livros variados que ele e seus amigos podem folhear em v\u00e1rios momentos do dia.<\/p>\n<p>Pedro conhece bem n\u00e3o somente O caso do bolinho, mas outros tantos contos: O grande rabanete, tamb\u00e9m de Tatiana Belinky, A casa sonolenta, O rei bigodeira, adora as hist\u00f3rias do Como contar crocodilos e, como n\u00e3o poderia deixar de ser, os contos de fadas. Ele aprendeu a cuidar dos livros e sabe o que h\u00e1 dentro deles. Sabe que s\u00e3o escritos, como se apresentam essas narrativas e que h\u00e1 muitas delas, de diferentes tipos; que algumas d\u00e3o medo, outras vontade de rir, outras, uma forte emo\u00e7\u00e3o&#8230; Sabe ouvir sem interromper, fazer coment\u00e1rios, explicitar suas prefer\u00eancias, e a isso chamamos comportamento leitor. Sabe tamb\u00e9m que o modo como as coisas est\u00e3o escritas nos livros \u00e9 diferente daquele que usamos em grande parte do nosso cotidiano verbal; que s\u00e3o escritas na l\u00edngua com que se escreve e n\u00e3o na l\u00edngua com que se fala, e a esse saber denominamos conhecimento de linguagem escrita.<\/p>\n<p>Por todos esses motivos, podemos dizer que Pedro j\u00e1 \u00e9 usu\u00e1rio da cultura escrita. Ele e seus amigos sabem ouvir e recontar hist\u00f3rias, acompanham o seu desenvolvimento, fazem coment\u00e1rios, e as interrup\u00e7\u00f5es n\u00e3o os fazem perder o interesse e nem ele perde o fio da narrativa. Conhece as narrativas dos personagens e o momento certo de repetir suas falas. Pode-se dizer que esse \u00e9 um tipo de aprendizado em que n\u00e3o temos verificado fracasso. N\u00e3o me lembro de ter encontrado crian\u00e7a que tivesse as mesmas oportunidades e condi\u00e7\u00f5es criadas pela escola e pelos professores que n\u00e3o tenha desenvolvido isso que chamamos comportamento leitor.<\/p>\n<p><strong>O sarau de poesias<\/strong><br \/>\nNovo epis\u00f3dio. As crian\u00e7as da classe de Duda t\u00eam por volta de 4 anos e prepararam um sarau com a sele\u00e7\u00e3o de seus poemas prediletos como presente para a comemora\u00e7\u00e3o do Dia das M\u00e3es. Essa foi a finaliza\u00e7\u00e3o de um projeto did\u00e1tico que a professora Lucila Silva Almeida realizou com sua classe. Inicialmente, discutiu com o grupo sua proposta de sarau para as m\u00e3es, e as crian\u00e7as foram, ao longo das atividades que se seguiram, definindo, juntas, como faz\u00ea-lo. Elas conheceram muitos poemas, relembraram outros e, em v\u00e1rias sess\u00f5es de conversa, foram discutindo e falando sobre os que mais gostavam, para assim eleger quais fariam parte do roteiro para o sarau. Memorizaram alguns e ensaiaram a apresenta\u00e7\u00e3o, sempre com uma pasta em que todos os poemas estavam escritos em letra de imprensa mai\u00fascula e com ilustra\u00e7\u00f5es que elas mesmas fizeram. A professora discutiu com as crian\u00e7as o que precisariam fazer em uma situa\u00e7\u00e3o como a de ler em voz alta para que outros pudessem ouvir e apreciar.<\/p>\n<p>Mas na hora da apresenta\u00e7\u00e3o Duda n\u00e3o p\u00f4de come\u00e7ar, porque n\u00e3o estava com sua pasta e protestou que assim n\u00e3o poderia ler. De nosso ponto de vista, isso n\u00e3o teria problema, mas, para ela, como poderia \u201cler\u201d se n\u00e3o tinha a pasta? T\u00e3o logo foi encontrada, Duda p\u00f4s-se a procurar as poesias. A cada novo poema ela e seus amigos viravam a p\u00e1gina e recome\u00e7avam a \u201cleitura\u201d. Ao final a plat\u00e9ia pediu bis, ent\u00e3o a turma localizou o poema solicitado e o leu novamente.<\/p>\n<p><strong>Os saberes de Duda<\/strong><br \/>\nDuda, assim como Pedro, tem conhecimento e gosto pelas hist\u00f3rias. Mas, al\u00e9m das hist\u00f3rias, tamb\u00e9m conhece e gosta de poemas. Aprendeu ouvindo regularmente poemas selecionados por seus professores especialmente para promover uma aproxima\u00e7\u00e3o prazerosa entre as crian\u00e7as e esse tipo de texto. Ela adora \u201cA casa e a foca\u201d, de Vin\u00edcius de Moraes e \u201cTanta tinta\u201d e \u201cA l\u00edngua do nhem\u201d, de Cec\u00edlia Meireles. J\u00e1 tem suas prefer\u00eancias e pode escolher porque teve a oportunidade de pensar sobre elas no projeto de sarau liter\u00e1rio. Mais uma vez \u00e9 preciso perguntar: como Duda aprendeu tudo isso?<br \/>\nFreq\u00fcentando uma institui\u00e7\u00e3o em que a leitura esteve presente em seu cotidiano, tanto quanto as brincadeiras e outras atividades pr\u00f3prias da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Sua professora lia hist\u00f3rias todos os dias, e tamb\u00e9m not\u00edcias de jornal, receitas culin\u00e1rias, bilhetes que os pais mandavam, comunicados da secretaria, letras de can\u00e7\u00f5es e muitos outros textos. Al\u00e9m de todos esses textos apresentados em situa\u00e7\u00f5es bastante significativas, Duda tamb\u00e9m lia poemas regularmente. Muitas vezes sua professora lia v\u00e1rios poemas seguidos e as crian\u00e7as ouviam. Outras vezes, a professora selecionava um poema de que as crian\u00e7as gostavam e que, de tanto repetir, haviam memorizado, e ent\u00e3o propunha que acompanhassem a leitura no texto escrito que tinham em m\u00e3os.<\/p>\n<p>Por isso ela sabia em que folhas estavam escritos seus poemas, que escrita e ilustra\u00e7\u00e3o s\u00e3o coisas diferentes e que o escrito serve para ser lido. Isso possibilitou que ela tivesse, no momento da apresenta\u00e7\u00e3o, a forte convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o podia se apresentar sem sua pasta. Duda tem a aparentemente engra\u00e7ada certeza de que l\u00ea, e isso, embora soe apenas gracioso para muitos de n\u00f3s, \u00e9 um dos conhecimentos mais importantes que uma crian\u00e7a precisa ter para se aventurar com a leitura e a escrita: saber que pode ler. E essa certeza t\u00e3o simples, essa confian\u00e7a em sua condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, sabemos, experimentada por grande parte das crian\u00e7as, que n\u00e3o s\u00e3o convidadas a ler e nem vivem em um ambiente letrado. E mais, essa condi\u00e7\u00e3o que Duda conquistou \u00e9 important\u00edssima para que sua professora possa planejar, a partir de agora, situa\u00e7\u00f5es em que, al\u00e9m de acompanhar o texto memorizado, ela leia por si mesma, pondo em jogo as id\u00e9ias que tem sobre a leitura.<\/p>\n<div id=\"attachment_5130\" style=\"width: 373px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5130\" class=\"size-full wp-image-5130  \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres1.jpg\" alt=\"O interesse e a curiosidade infantil pela cultura escrita n\u00e3o t\u00eam limites (foto:  VIrginia Gastaldi - Escola Logos)\" width=\"363\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres1.jpg 363w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres1-300x175.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><p id=\"caption-attachment-5130\" class=\"wp-caption-text\">O interesse e a curiosidade infantil pela cultura escrita n\u00e3o t\u00eam limites (foto: VIrginia Gastaldi &#8211; Escola Logos)<\/p><\/div>\n<p><strong>O conto de fadas da classe de Diogo<\/strong><br \/>\nOs pr\u00f3ximos exemplos s\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es nas quais as crian\u00e7as est\u00e3o escrevendo e produzindo textos. Quero ilustrar n\u00e3o somente as situa\u00e7\u00f5es em que elas l\u00eaem \u201ccom os olhos do professor\u201d \u2013 uma vez que n\u00e3o s\u00e3o leitoras convencionais \u2013, mas aquelas em que escrevem \u201cpelas m\u00e3os do professor\u201d. Diogo tem 5 anos e sua classe produz um texto coletivo para fechar um ciclo de conhecimento textual. Eles escolheram fazer um conto de fadas. Partindo de uma id\u00e9ia inicial, resumida num primeiro texto que mais parecia um roteiro, as crian\u00e7as constru\u00edram uma hist\u00f3ria instigante, bem estruturada e esteticamente interessante, tal como vemos nos livros de contos de fadas de verdade.<\/p>\n<p>Durante a seq\u00fc\u00eancia de atividades para a escrita, em que as crian\u00e7as ditavam e a professora era a escriba, elas escreviam e revisavam, sempre voltando ao que estava escrito. Colocando-se como leitores do pr\u00f3prio texto, faziam ajustes e melhoravam-no. Diogo queria mexer numa frase, no meio do par\u00e1grafo, que caracterizava a bruxa em que a Chapeuzinho havia se transformado. A frase era a seguinte: \u201cOs olhos esbugalhados, a testa suja de lentilhas. A boca ficou torta, com um s\u00f3 dente quebrado\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Olha Sil, n\u00e3o pode ser assim, porque, olha, n\u00e3o pode ter um dente quebrado, disse Diogo.<br \/>\n\u2013 Pode, sim \u2013 disse Pedro, que havia sugerido esse detalhe \u2013, bruxa tem dente quebrado, n\u00e3o bom!<br \/>\n\u2013 \u00c9, mas n\u00e3o pode ser porque sen\u00e3o fica bom e n\u00e3o pode ficar bom, tem que ficar horrorosa<br \/>\n\u2013 insistiu Diogo.<br \/>\n\u2013 \u00c9, tem que ficar horrorosa, mas n\u00e3o estou entendendo que mudan\u00e7a voc\u00ea quer fazer, voc\u00ea n\u00e3o quer deixar o dente quebrado, quer por outra coisa no lugar?, perguntou a professora.<br \/>\n\u2013 \u00c9, ela tem um dente quebrado, um \u00e9 muito pouco, porque se for s\u00f3 um, ent\u00e3o, \u00e9 bom e ela tem que ficar horrorosa e assustadora!<\/p>\n<p>Depois de muito discutir, chegaram a um consenso sobre o sentido da frase e como ele imaginava essa bruxa. A frase teve que mudar para: \u201cA boca ficou torta, s\u00f3 tinha um dente e estava quebrado\u201d, demonstrando um conhecimento sofisticado para uma crian\u00e7a de 5 anos. E de Diogo, o que podemos dizer que sabe? O que sua participa\u00e7\u00e3o na escrita do conto de fadas mostrou que aprendeu? Ele conhece t\u00e3o bem alguns textos, tais como os contos de fadas, que pode escrev\u00ea-los, tendo como escriba o professor. Teve oportunidade, entre outras coisas, de mostrar seus conhecimentos sobre contos de fadas e construir outros, porque sua professora entende que a escrita n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o motora e que as crian\u00e7as que ainda n\u00e3o escrevem por si mesmas podem ser autoras de textos na situa\u00e7\u00e3o de ditantes.<\/p>\n<p>Assim, Diogo j\u00e1 escreveu (ditando para seus professores) muitos bilhetes, cartas, pedidos, reclama\u00e7\u00f5es, instru\u00e7\u00f5es etc., sempre com um prop\u00f3sito comunicativo real e claramente colocado para ele. A essas situa\u00e7\u00f5es de escrita chamamos produ\u00e7\u00e3o de texto oral com destino escrito. No caso espec\u00edfico da escrita do conto, a professora planejou e realizou um projeto de escrita de uma hist\u00f3ria. Primeiro as crian\u00e7as ouviram contos que j\u00e1 conheciam e conheceram outros. \u00c0 medida que as rodadas de leitura foram se realizando, as crian\u00e7as foram listando, com a ajuda da professora, quais eram os elementos que se repetiam em todos os textos, ou seja, foram levantando as principais caracter\u00edsticas dos contos de fadas. Depois fizeram, como a professora conta, um esbo\u00e7o da hist\u00f3ria que produziriam, com os principais acontecimentos e os elementos textuais que teria.<\/p>\n<p>Escreviam um pouco por dia, revisavam, voltavam ao roteiro, liam, pediam a outros leitores que fizessem uma aprecia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e dessem sugest\u00f5es e, assim, trabalharam, entre outras coisas, o importante conhecimento de que a escrita de texto \u00e9 um processo, produto de muito trabalho e de conhecimentos sobre o texto, e n\u00e3o somente de inspira\u00e7\u00e3o. Ou seja, aprenderam que podem escrever e, melhor ainda, que podem escrever bem.<\/p>\n<p><strong>Ana e os gregos<\/strong><br \/>\nAna tamb\u00e9m viveu uma experi\u00eancia interessante em um projeto de estudo de vers\u00f5es dos mitos cl\u00e1ssicos gregos. Ela e seu grupo se dedicaram \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de texto em pequenos grupos, em que as crian\u00e7as se revezaram, orientadas pela professora, nas tarefas de ditar e escrever sobre os mitos gregos que conheciam e que foram objetos de uma seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica de leitura. Ana tem 5 anos e j\u00e1 sabe escrever, por isso foi a escriba eleita pela turma. Sua professora planejou a distribui\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as em pequenos grupos, de modo que todos pudessem ter uma tarefa diferenciada e compat\u00edvel com o conhecimento que possu\u00edam. Assim, para a mesma situa\u00e7\u00e3o de trabalho, tiveram tarefas diferentes: os que n\u00e3o escreviam convencionalmente ditavam, e os que j\u00e1 escreviam, como Ana, escreviam.<\/p>\n<p>Mas Ana, como os poucos que ali escrevem por si, tem muito que aprender sobre a escrita de textos e, por isso, no trabalho de revis\u00e3o, ela est\u00e1 na mesma condi\u00e7\u00e3o que os demais, revendo \u201co que\u201d foi escrito e n\u00e3o \u201ccomo\u201d foi escrito. Ou seja, revendo os aspectos discursivos, e n\u00e3o as quest\u00f5es referentes ao sistema notacional. Ent\u00e3o, Luciana, a professora, leu para as crian\u00e7as e prop\u00f4s voltar ao texto, dizendo:<\/p>\n<p>\u2013 Eu vou ler e a gente vai ver o que d\u00e1 para melhorar: \u201cO ciclope s\u00f3 tem um olho s\u00f3. Ele come gente. Ele \u00e9 filho de Pos\u00eaidon. Ele \u00e9 gigante\u201d. \u2013 E perguntou: O que d\u00e1 pra melhorar?<br \/>\n\u2013 Precisa falar mais coisa dele \u2013 disse Sofhia.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, est\u00e1 bom. Eu quero saber se tem alguma palavra que repete muito \u2013 retomou.<br \/>\n\u2013 Sim! Tem ele, ele, ele.<br \/>\n\u2013 E precisa ter tanto ele?<br \/>\n\u2013 Diante da d\u00favida do grupo, a professora retomou \u2013 Vamos ler: \u201cO ciclope s\u00f3 tem um olho s\u00f3. Ele come gente. Ele \u00e9 filho de Pos\u00eaidon. Ele \u00e9 gigante\u201d.\u2013 D\u00e1 pra tirar.<br \/>\n\u2013 Qual? \u2013 perguntou a professora.<br \/>\n\u2013 Todos, disse Ana.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1, n\u00e3o, todos n\u00e3o \u2013 insistiu Fernanda.<br \/>\n\u2013 Por qu\u00ea? \u2013 perguntou a professora.<br \/>\n\u2013 Porque vai ficar: ele tem um olho s\u00f3, come gente. \u2013 disse Fernanda.<br \/>\n\u2013 Ent\u00e3o qual d\u00e1 pra tirar?<br \/>\n\u2013 Os outros \u2013 respondeu Fernanda.<br \/>\n\u2013 Vamos ver como fica: \u201cO ciclope tem um olho s\u00f3. Ele come gente, \u00e9 filho de Pos\u00eaidon e \u00e9 gigante\u201d. Nessa situa\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as puderam aprender a tirar do texto, tanto quanto poss\u00edvel, as marcas do oral, assim como as repeti\u00e7\u00f5es de palavras, e dessa forma escrever de um modo pr\u00f3ximo ao que chamamos a linguagem com que se escreve.<\/p>\n<p><strong>Quem s\u00e3o essas crian\u00e7as?<\/strong><br \/>\nQuem s\u00e3o Pedro, Duda, Diogo e Ana? Alunos da mesma escola, exemplos de trajet\u00f3rias de aprendizagem da cultura escrita. S\u00e3o crian\u00e7as letradas, que t\u00eam experi\u00eancia com diferentes textos e de diferentes g\u00eaneros, participaram e participam de situa\u00e7\u00f5es sociais mediadas pela escrita. Sabem o que sabem e conseguiram fazer todas essas coisas porque est\u00e3o inseridas num ambiente letrado, no mesmo sentido que os adultos usam para falar sobre os intelectuais que s\u00e3o versados em letras. Elas conhecem tanto sobre os tipos de texto, g\u00eaneros, usos e fun\u00e7\u00f5es que s\u00e3o capazes de retomar sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o e reescrever segundo as exig\u00eancias do portador do texto, como no caso do conto de fadas.<\/p>\n<p>Podem fazer isso porque tiveram e t\u00eam a oportunidade, dada pela escola, de pensar sobre a escrita e a leitura, sobre seus usos e fun\u00e7\u00f5es. E a oportunidade, nesse caso, \u00e9 a presen\u00e7a da leitura e da escrita de modo significativo e prazeroso no cotidiano escolar. Todos j\u00e1 ouvimos a c\u00e9lebre frase de Emilia Ferreiro<sup>2<\/sup> que diz que n\u00e3o se pode pensar sobre o que est\u00e1 ausente. Pedro, Duda e as demais crian\u00e7as participam, desde cedo, de pr\u00e1ticas di\u00e1rias de leitura pelo professor, situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica imprescind\u00edvel na Educa\u00e7\u00e3o Infantil.<\/p>\n<p>O que cabe pensar e refletir \u00e9 sobre a qualidade da presen\u00e7a da leitura na escola: como ela chega, o que chega e com que prop\u00f3sito. Esse entendimento tem implica\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas: quando falamos aqui em escrita e leitura, estamos nos referindo \u00e0 presen\u00e7a de pr\u00e1ticas de leitura e de escrita mediadas pelo professor. Na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, essas discuss\u00f5es fazem toda a diferen\u00e7a. Ao mesmo tempo em que redefinem as pr\u00e1ticas do professor, abrem-lhe a perspectiva de ver sentido ou de ressignificar as pr\u00e1ticas com textos, \u00e0s vezes banalizadas, ou subaproveitadas.<\/p>\n<div id=\"attachment_5132\" style=\"width: 336px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5132\" class=\"size-full wp-image-5132 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres2.jpg\" alt=\"Ainda que n\u00e3o sejam leitores convencionais, as crian\u00e7as desenvolvem estrat\u00e9gias para ler a  partir do que j\u00e1 sabem sobre os livros (arquivo Escola Logos)\" width=\"326\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres2.jpg 326w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres2-300x228.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><p id=\"caption-attachment-5132\" class=\"wp-caption-text\">Ainda que n\u00e3o sejam leitores convencionais, as crian\u00e7as desenvolvem estrat\u00e9gias para ler a partir do que j\u00e1 sabem sobre os livros (arquivo Escola Logos)<\/p><\/div>\n<p><strong>A fam\u00edlia e a escola<\/strong><br \/>\nComo multiplicar hist\u00f3rias como a de Duda, Pedro, Diogo e Ana? Como conseguir aprendizagens t\u00e3o significativas quanto as que vimos? Essa \u00e9 a grande pergunta. A creche ou a escola n\u00e3o inauguram a rela\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com a leitura e a escrita; por outro lado, o fato de as crian\u00e7as estarem simplesmente imersas no universo oral e letrado n\u00e3o se traduz diretamente em apropria\u00e7\u00e3o da escrita como sistema. Esse \u00e9 um processo que n\u00e3o acontece, de forma generalizada, sem ajuda. N\u00e3o se aprende a ler e escrever espontaneamente, da\u00ed a import\u00e2ncia e a responsabilidade da escola.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da presen\u00e7a dos textos, do professor-leitor e da escola como ambiente letrado, \u00e9 preciso investir em uma verdadeira comunidade de leitores e escritores. Como isso pode ser feito? Por onde come\u00e7ar? Pelas bibliotecas bem organizadas e em funcionamento para as crian\u00e7as e suas fam\u00edlias, com o envolvimento da comunidade escolar em situa\u00e7\u00f5es de leitura, no cuidado com os livros, no est\u00edmulo, na cria\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de lugar e sentido para a leitura e a escrita a partir dos contextos e culturas pr\u00f3prios das v\u00e1rias comunidades. Por uma escola em que circulem tamb\u00e9m as hist\u00f3rias t\u00edpicas da comunidade local ou de seus lugares de origem, seus saberes, seus estilos pr\u00f3prios. Da\u00ed a import\u00e2ncia de os dirigentes, t\u00e9cnicos, supervisores, diretores e coordenadores realizarem ou dinamizarem projetos institucionais incluindo as fam\u00edlias, seus saberes, suas id\u00e9ias e seus desejos e comprometendo-as, tamb\u00e9m, com a necessidade e a import\u00e2ncia de possibilitar \u00e0s crian\u00e7as a participa\u00e7\u00e3o em um mundo letrado. Nesse cen\u00e1rio, o papel da Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 assegurar que todas as crian\u00e7as tenham essa compet\u00eancia, usando os recursos intelectuais de que disp\u00f5em, porque \u00e9 muito importante que elas sejam letradas<sup>4<\/sup> antes mesmo de grafarem um texto convencionalmente.<\/p>\n<p><strong>Leitura, escrita e inclus\u00e3o social<\/strong><br \/>\nA maioria das crian\u00e7as de baixa renda tem pouca oportunidade de leitura e escrita em casa, seja pela dificuldade com a compra de livros e material impresso, seja pela pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de n\u00e3o usu\u00e1ria da escrita e da leitura, o que, em muitos casos, \u00e9 erroneamente entendido pela institui\u00e7\u00e3o educativa como falta de interesse das fam\u00edlias ou, em casos mais graves, como fam\u00edlias com d\u00e9ficit cognitivo. Sabendo que este \u00e9 um elemento muito relevante e altamente relacionado com a aprendizagem das crian\u00e7as, recomenda-se o uso sistem\u00e1tico da linguagem escrita na escola, em todas as oportunidades significativas, como instrumento de aprendizagem, ve\u00edculo de informa\u00e7\u00e3o, fonte de prazer etc., evitando associar a linguagem escrita \u00e0 atividade escolar sem significado social, repetitiva, sem justifica\u00e7\u00e3o ou alheia \u00e0s suas necessidades (como c\u00f3pias de letras, s\u00edlabas e frases desconexas).<\/p>\n<p>Montar uma pequena biblioteca com bons t\u00edtulos, com livros apropriados para diferentes faixas et\u00e1rias, instituir o empr\u00e9stimo de livros, organizar modos de fazer os textos circularem de casa para a escola e vice-versa s\u00e3o a\u00e7\u00f5es de grande import\u00e2ncia para a constru\u00e7\u00e3o de um ambiente alfabetizador. Quando lhes \u00e9 dada a oportunidade do exerc\u00edcio pleno e leg\u00edtimo da l\u00edngua, as crian\u00e7as se esfor\u00e7am, aprendem e conseguem produzir textos reais, apropriados e eficazes para as necessidades que t\u00eam.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds como o Brasil, onde a d\u00edvida social para com as crian\u00e7as \u00e9 t\u00e3o grande, essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de decis\u00e3o local ou de cada professor, mas direito das crian\u00e7as. O acesso ao mundo letrado \u00e9 direito delas, como tamb\u00e9m \u00e9 direito leg\u00edtimo de todas as fam\u00edlias que confiam seus filhos a uma institui\u00e7\u00e3o educativa. \u00c9 papel da Educa\u00e7\u00e3o Infantil aproximar as crian\u00e7as das pr\u00e1ticas sociais convencionais de sua cultura \u2013 e a escrita se inclui aqui \u2013, ouvir e valorizar suas id\u00e9ias sobre o que as cerca e apoiar e incentivar suas investiga\u00e7\u00f5es e descobertas. O ideal \u00e9 que, com a continuidade do trabalho nessa perspectiva, em outros ciclos da escolaridade as crian\u00e7as sejam plenamente integradas \u00e0 comunidade de leitores e escritores, possam participar e se integrar a outros c\u00edrculos,ocupando lugares distintos fora da institui\u00e7\u00e3o, na pr\u00f3pria vida, como cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Desejamos o fim das institui\u00e7\u00f5es educativas \u00e1grafas (sem escrita), de comunidades escolares onde n\u00e3o circulem pr\u00e1ticas de leitura e escrita. Desejamos a efetiva e t\u00e3o sonhada democratiza\u00e7\u00e3o da leitura e da escrita, que todas as crian\u00e7as sejam letradas. E isso n\u00e3o exclui brincar, desenhar, pintar, modelar, fazer jogos corporais, estudar ci\u00eancias naturais, jogar, aprender sobre o sistema num\u00e9rico e, evidentemente, divertir-se muito, fazer amigos, aprender a conviver, a respeitar regras.<\/p>\n<p>Conden\u00e1veis s\u00e3o a mesmice e a falta de sentido das pr\u00e1ticas de repeti\u00e7\u00e3o e c\u00f3pia. Conden\u00e1vel \u00e9 a falta de entusiasmo que essas pr\u00e1ticas deixam na crian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escola como resultado final. Question\u00e1veis s\u00e3o a aus\u00eancia de ludicidade, de interesse, de significado. Tudo o mais \u00e9 prazer em aprender.<\/p>\n<p>(Maria Virg\u00ednia Gastaldi, formadora do Instituto Avisa L\u00e1 &#8211; este texto foi escrito para uma palestra para professores da rede municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da cidade de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Coordenadora de 1995 a 2002 da ent\u00e3o Escola Logos. As fotos e o desenho que ilustram a mat\u00e9ria foram feitos na escola durante esse per\u00edodo.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Contexto letrado: um conjunto de eventos onde ler e escrever t\u00eam sentido.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Emilia Ferreiro: psicol\u00f3ga e pesquisadora argentina radicada no M\u00e9xico.<br \/>\n<sup>4<\/sup>Letradas: reais usu\u00e1rias da leitura e da escrita.<\/p>\n<div id=\"attachment_5133\" style=\"width: 371px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5133\" class=\"size-full wp-image-5133 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres3.jpg\" alt=\"A professora Renata l\u00ea para crian\u00e7as de 2 a  3 anos e reconhece o prazer que elas t\u00eam nesses momentos\" width=\"361\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres3.jpg 361w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_19_prazeres3-300x208.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><p id=\"caption-attachment-5133\" class=\"wp-caption-text\">A professora Renata l\u00ea para crian\u00e7as de 2 a 3 anos e reconhece o prazer que elas t\u00eam nesses momentos (foto: VIrginia Gastaldi &#8211; Escola Logos)<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Equipe: Maria Virg\u00ednia Gastaldi. E-mail: mariavir@uol.com.br<br \/>\nLucila Silva Almeida. E-mail: lucilasilva@yahoo.com.br<br \/>\nSilvana Augusto. E-mail: silvana_augusto@uol.com.br<br \/>\nLuciana Camargo. E-mail: pereiralu@yahoo.com<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>O caso do bolinho. Tatiana Belink. Editora Moderna. Tel.: 0800 17 2002.<\/li>\n<li>Um conto tradicional reescrito com a experi\u00eancia de quem entende de crian\u00e7a. Baseando-se na repeti\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, o enredo tem um humor natural, perfeitamente adequado \u00e0s crian\u00e7as pequenas.<\/li>\n<li>Ou isto ou aquilo. Cec\u00edlia Meireles. Editora Nova fronteira. Tel.: (21) 2131-1111. Livro de poemas de Cec\u00edlia Meireles que brinca com as palavras e encanta as crian\u00e7as com sua sensibilidade, impress\u00f5es e cores. \u00c9 considerado um dos mais belos e importantes livros de poemas para crian\u00e7as.<\/li>\n<li>Arca de No\u00e9. Vin\u00edcius de Moraes. Editora Cia. Das Letras. Tel.: (11) 3707-3500. Arca de No\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo do primeiro poema deste livro. O conjunto \u00e9 formado por 32 poemas, a maioria sobre bichos, e inclui os que constam dos discos Arca de No\u00e9 1 e 2. Alguns foram musicados pelo pr\u00f3prio Vin\u00edcius de Moraes. Destaque para o poema A Foca.<\/li>\n<li>Divinas aventuras \u2013 Hist\u00f3ria da mitologia grega. Heloisa Prieto. Editora Companhia das Letrinhas. Tel. (11) 3707-3500. Mostrando a atualidade da mitologia grega e sua presen\u00e7a camuflada no universo dos quadrinhos, desenhos animados e filmes de a\u00e7\u00e3o, a autora convida seus leitores para um encontro surpreendente com Apolo, Atena, Hermes, Pos\u00eaidon, Zeus e outros deuses.<\/li>\n<li>A casa sonolenta. Audrey Wood. Editora \u00c1tica. Tel.: (11) 3346-3001. Era uma casa sonolenta, onde todos viviam dormindo. Quem diria que uma simples pulguinha saltitante pudesse acabar com tudo aquilo num s\u00f3 instante?<\/li>\n<li>O rei Bigodeira e sua banheira. Audrey Wood. Editora \u00c1tica. Tel.: (11) 3346-3001. O fanfarr\u00e3o Rei Bigodeira n\u00e3o quer mais sair de sua banheira. S\u00f3 uma crian\u00e7a poderia descobrir como acabar com essa brincadeira.Tradu\u00e7\u00e3o de Gisela Maria Padovan, Pr\u00eamio Monteiro Lobato de melhor livro traduzido para crian\u00e7a.<\/li>\n<li>O grande rabanete. Tatiana Belink. Editora Moderna. Tel.: 0800 17 2002. A hist\u00f3ria, de enredo simples, tem como atrativo principal a forma: \u00e9 narrada como um conto cumulativo, recurso que encanta e diverte a garotada. Al\u00e9m do aspecto ling\u00fc\u00edstico, \u00e9 poss\u00edvel explorar, por meio da narrativa, o lado humano: a quest\u00e3o da solidariedade, da coopera\u00e7\u00e3o, da divis\u00e3o de bens e at\u00e9 da auto-estima exacerbada, aspecto representado pelo ratinho, no bem-humorado e imprevisto final.<\/li>\n<li>O Livro ilustrado da mitologia. Philip Wilkinson. Editora Publifolha. Tel.: (11) 3649-4747. Um guia de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s mais importantes mitologias do mundo, com mais de 500 personagens e totalmente ilustrado. Fotos de esculturas, ilustra\u00e7\u00f5es e reprodu\u00e7\u00f5es de pinturas propiciam um panorama visual abrangente das lendas e mitos.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos educadores n\u00e3o v\u00eaem com bons olhos a rela\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as muito pequenas com a escrita. Neste artigo, Pedro (3 anos), Duda (4 anos), Diogo (5 anos) e Ana (5 anos) desafiam essa postura. Veja com que alegria e compet\u00eancia eles se revelam participantes da cultura escrita. Por Maria Virg\u00ednia Gastaldi<\/p>\n","protected":false},"author":69,"featured_media":6230,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1018,380],"tags":[1105,1027,1325,1028,255,1026,21,175],"class_list":{"0":"post-5126","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-alem-das-letras-2","8":"category-revista-avisala-19","9":"tag-revista-avisa-la-2004","10":"tag-alegria","11":"tag-alfabetizacao","12":"tag-ambiente-alfabetizador","13":"tag-atividades","14":"tag-criacas-pequenas","15":"tag-escrita","16":"tag-maria-virginia-gastaldi","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/69"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5126\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}