{"id":5087,"date":"2003-10-22T03:08:01","date_gmt":"2003-10-22T05:08:01","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5087"},"modified":"2023-03-27T17:04:40","modified_gmt":"2023-03-27T20:04:40","slug":"em-portugues-bem-escrito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-16\/em-portugues-bem-escrito\/","title":{"rendered":"Em Portugu\u00eas bem escrito"},"content":{"rendered":"<h5>Trabalhando a revis\u00e3o de textos bem escritos, em grupos e individualmente, auxiliamos as crian\u00e7as a aprender ortografia e pontua\u00e7\u00e3o desde a 1\u00aa s\u00e9rie<\/h5>\n<p>Neste artigo est\u00e1 o resultado de um semestre de trabalho intenso na 1\u00aa s\u00e9rie. Para entend\u00ea-lo em toda sua magnitude \u00e9 preciso contar um pouco dos bastidores deste contexto de trabalho. As crian\u00e7as dessa classe convivem com as pr\u00e1ticas sociais de leitura e escrita desde as s\u00e9ries anteriores. A escola entende que a leitura tem um papel fundamental para o desenvolvimento da capacidade de produzir textos escritos. Atrav\u00e9s da leitura, as crian\u00e7as entram em contato com toda a complexidade da linguagem escrita, com as diferentes fun\u00e7\u00f5es comunicativas dos textos, ampliam o repert\u00f3rio textual e a condi\u00e7\u00e3o de produzir os pr\u00f3prios textos, entre outras possibilidades. Quando as crian\u00e7as ainda n\u00e3o sabem ler, \u00e9 a professora quem realiza as leituras.<!--more--><\/p>\n<p>Com todo esse investimento, conseguimos fazer com que as crian\u00e7as iniciem o ano j\u00e1 alfab\u00e9ticas e com bastante familiaridade com os contos de fada. No entanto, para reescrev\u00ea-los, n\u00e3o basta apenas ter familiaridade com esse tipo de texto, \u00e9 preciso conhecer melhor as regras que organizam este tipo particular de discurso. Podemos pensar que os contos de fada s\u00e3o a cena completa e a professora prop\u00f5e diferentes focos de an\u00e1lise para partes dessa cena. Em diversos momentos, as crian\u00e7as dedicavam seu esfor\u00e7o intelectual e aten\u00e7\u00e3o para alguma das partes: a linguagem escrita, a descri\u00e7\u00e3o dos personagens, os organizadores textuais, a grafia correta das palavras etc. Considerando as necessidades de aprendizagem do grupo, este projeto foi a escolha certa e precisa.As reescritas resultantes s\u00e3o uma amostra da compet\u00eancia escritora desses pequenos estudantes.<\/p>\n<p><strong>O projeto de reescrita de contos<\/strong><br \/>\nA elabora\u00e7\u00e3o de fitas gravadas de recontos (uma para cada crian\u00e7a e outras para circularem pela escola) e o livro de reescritas para ser colocado na biblioteca da escola foram produtos finais de um projeto complexo de leitura, escrita e oralidade com dura\u00e7\u00e3o de um ano inteiro. A etapa mais significativa do projeto aconteceu mesmo no segundo semestre do ano, com as revis\u00f5es sistem\u00e1ticas, em duplas, de textos que j\u00e1 haviam escrito e reescrito e com a reescrita individual. Para essas revis\u00f5es, as crian\u00e7as tiveram que coordenar tudo aquilo que j\u00e1 tinham aprendido sobre contos de fada e sobre a gram\u00e1tica da legibilidade (veja abaixo). Mesmo em se tratando da escrita de hist\u00f3rias conhecidas, n\u00e3o foi f\u00e1cil para elas, pois tinham que pensar na linguagem mais adequada, encadear as id\u00e9ias, fazer todas as revis\u00f5es, tendo em vista a ortografia e a pontua\u00e7\u00e3o, passar a limpo, fazer as ilustra\u00e7\u00f5es&#8230; enfim,muito trabalho!<\/p>\n<p><strong>O que se descobre em uma segunda revis\u00e3o<\/strong><br \/>\nNo in\u00edcio do semestre, revisamos as reescritas em duplas e percebemos que as crian\u00e7as ainda poderiam aprimor\u00e1-las, pois conseguiriam fazer melhores descri\u00e7\u00f5es dos personagens, dos lugares e das paisagens. Afinal, no primeiro semestre hav\u00edamos realizado um trabalho sistem\u00e1tico de textos bem escritos<sup>1<\/sup> e corre\u00e7\u00f5es coletivas, o que ampliou ainda mais o repert\u00f3rio de contos que as crian\u00e7as possu\u00edam. Arrega\u00e7amos as mangas e iniciamos um novo jeito de fazer as revis\u00f5es: os textos j\u00e1 reescritos passaram a ser digitados por mim e cabia \u00e0s crian\u00e7as se concentrarem nas melhorias das descri\u00e7\u00f5es e utilizarem o recurso do asterisco numerado para complement\u00e1-las. Esse recurso foi introduzido numa atividade de corre\u00e7\u00e3o coletiva. Nela, enfatizamos a necessidade de utilizar recursos que facilitassem e operacionalizassem tanto a corre\u00e7\u00e3o quanto a leitura para verificar se o texto estava bom. Chamamos esse procedimento de revis\u00e3o da linguagem.<\/p>\n<p>Interessante notar que as descri\u00e7\u00f5es se enriqueceram da mesma maneira que os novos recursos de revis\u00e3o passaram a ser utilizados com facilidade pelas crian\u00e7as, porque, ao se debru\u00e7arem sobre as reescritas j\u00e1 digitadas,\u00a0 conseguiam organizar melhor a pr\u00f3pria revis\u00e3o, visualizando mais seus erros.\u00a0 E, a cada semana, melhoravam as reescritas e os detalhes da linguagem, como vemos nos exemplos a seguir:<\/p>\n<div id=\"attachment_5090\" style=\"width: 666px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5090\" class=\"size-full wp-image-5090 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug1.jpg\" alt=\"avisala_16_portug1\" width=\"656\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug1.jpg 656w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug1-300x114.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><p id=\"caption-attachment-5090\" class=\"wp-caption-text\">Revis\u00f5es semanais utilizando o recurso do asterisco<\/p><\/div>\n<p>Concomitantemente \u00e0s reescritas com preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem e ao estilo, mantivemos um trabalho semanal voltado para ortografia e pontua\u00e7\u00e3o. A \u00faltima revis\u00e3o das reescritas em duplas foi \u201ctrocada\u201d, ou seja, acreditando na compreens\u00e3o das crian\u00e7as sobre algumas regras ortogr\u00e1ficas e de pontua\u00e7\u00e3o, requisitamos que essas revis\u00f5es fossem feitas por duplas diferentes. Com essa proposta, tamb\u00e9m permitimos que um leitor diferente, al\u00e9m dos pr\u00f3prios autores e da professora, lesse a hist\u00f3ria, dando seu parecer e podendo at\u00e9 interferir no texto.<\/p>\n<p><strong>O desafio do trabalho individual<\/strong><br \/>\nDepois do intenso trabalho em duplas chegamos ao grande desafio: a reescrita individual para compor o livro.A primeira d\u00favida de algumas crian\u00e7as foi a escolha da hist\u00f3ria. Dentre tantas possibilidades, qual escolher? Outras foram certeiras, optando pelo seu conto favorito e iniciando a escrita do roteiro<sup>2<\/sup>:<\/p>\n<p>O mesmo processo de escrita e revis\u00e3o que j\u00e1 t\u00ednhamos feito em duplas passou a ser adotado com as reescritas individuais. Como as crian\u00e7as j\u00e1 tinham adquirido intimidade com esse jeito de revisar, isto \u00e9, a revis\u00e3o a partir do texto digitado, para em seguida usar os asteriscos e efetuar as modifica\u00e7\u00f5es, logo que viam na nossa rotina o momento destinado para reescrita, me cobravam sem pestanejar:<\/p>\n<p>\u2014 Debora, voc\u00ea j\u00e1 digitou a minha reescrita, n\u00e9?<\/p>\n<p>Percebemos que a motiva\u00e7\u00e3o para as reescritas individuais foi bem grande, apesar de o desafio tamb\u00e9m ter aumentado. Sempre procuramos enfatizar que escrever n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e o \u201cfrio na barriga\u201d frente ao papel vazio \u00e9 comum a todos os escritores. Assim, acreditamos que as crian\u00e7as se sentiram cada vez mais autoras de suas hist\u00f3rias e vers\u00f5es, o que era um dos grandes objetivos deste projeto.<\/p>\n<p><strong>A orienta\u00e7\u00e3o da professora<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m introduzimos um novo recurso para agilizar as revis\u00f5es e tornar as crian\u00e7as mais aut\u00f4nomas nesse momento: passamos a escrever bilhetinhos, mostrando em que elas deveriam pensar melhor, ora com sugest\u00f5es, ora com indica\u00e7\u00e3o de revis\u00e3o ortogr\u00e1fica ou de pontua\u00e7\u00e3o, com cores e grifos diferenciados. Assim, o nosso livro foi se constituindo, e a etapa final do trabalho foi passar os textos a limpo, em letra cursiva e com um capricho todo especial.<\/p>\n<p><strong>O trabalho com ortografia e pontua\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nNosso trabalho com ortografia e pontua\u00e7\u00e3o sempre teve como ponto de partida o texto. Assim, acreditamos que, quando uma crian\u00e7a escreve um texto que tem um prop\u00f3sito comunicativo e social bem definidos, ela busca fazer essa comunica\u00e7\u00e3o da melhor maneira poss\u00edvel. Por esse motivo, o trabalho com a gram\u00e1tica da legibilidade (ortografia e pontua\u00e7\u00e3o) deve estar totalmente ligado ao texto. Este, por sua vez, n\u00e3o pode fugir do contexto, ou seja, o empenho das crian\u00e7as passa a ser potencializado quando h\u00e1 um sentido no que est\u00e1 sendo feito. Dessa maneira, as normas do c\u00f3digo ling\u00fc\u00edstico que as crian\u00e7as utilizam socialmente devem ajud\u00e1-las nessa tarefa. Cabe \u00e0 escola colaborar para a compreens\u00e3o dessas regras. Portanto, concordamos com Morais<sup>3<\/sup>, quando afirma:<\/p>\n<p>Incorporar a norma ortogr\u00e1fica \u00e9 conseq\u00fcentemente um longo processo para quem se apropriou da escrita alfab\u00e9tica.(&#8230;) Enfatizo que o ensino sistem\u00e1tico de ortografia n\u00e3o se pode transformar em \u201cfreio\u201d \u00e0s oportunidades de a crian\u00e7a apropriar-se da linguagem escrita pela leitura e composi\u00e7\u00e3o de textos reais. (grifo do autor) Assim, desenvolvemos um trabalho a partir de diferentes situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas em que as crian\u00e7as eram levadas a refletir sobre a escrita das palavras. Sabemos, atrav\u00e9s de pesquisas, que as crian\u00e7as sabem falar sobre o qu\u00ea e como escrevem e at\u00e9 mesmo compreendem as bases das dificuldades ortogr\u00e1ficas que podem ser de regularidades (precisam de alguma regra) ou de ir regularidades (n\u00e3o possuem regras e \u00e9 preciso memoriz\u00e1-las ou buscar em diferentes recursos, como dicion\u00e1rio ou lista de palavras) da nossa l\u00edngua. No entanto, na produ\u00e7\u00e3o escrita, as crian\u00e7as preocupam-se com a linguagem e com a adequa\u00e7\u00e3o do texto ao seu g\u00eanero e se \u201cesquecem\u201d, num primeiro momento, da escrita correta de algumas palavras. Portanto, \u00e9 prioritariamente nas revis\u00f5es que a ortografia pode ser focada. Da\u00ed, se a crian\u00e7a possuir recursos para enfrentar as d\u00favidas que aparecem nesta situa\u00e7\u00e3o, seu texto ganha uma qualidade maior e passa a existir e ser compreendido socialmente. Nestas \u201cdiscuss\u00f5es ortogr\u00e1ficas\u201d, procuramos prover os recursos citados acima, que v\u00e3o desde o uso correto do dicion\u00e1rio at\u00e9 a compreens\u00e3o das listas de palavras e cria\u00e7\u00e3o de suas regras.<sup>4<\/sup><\/p>\n<div id=\"attachment_5091\" style=\"width: 528px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5091\" class=\"size-full wp-image-5091 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug2.jpg\" alt=\"Roteiro de reescrita individual com os aspectos principais da hist\u00f3ria\" width=\"518\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug2.jpg 518w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug2-300x222.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><p id=\"caption-attachment-5091\" class=\"wp-caption-text\">Roteiro de reescrita individual com os aspectos principais da hist\u00f3ria. A dupla Isabela e Natasha revisa o texto dos colegas Pedro e Vanessa<\/p><\/div>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es que prop\u00fanhamos partiam, portanto, das reescritas e passavam a enfatizar uma determinada dificuldade ortogr\u00e1fica. Por exemplo, o uso do S. Fizemos um ditado com foco<sup>5<\/sup> nas palavras que davam margem a essa discuss\u00e3o. Num outro dia, colocamos em listas os diferentes usos do S, e essa lista foi crescendo, \u00e0 medida que novas palavras aumentavam o repert\u00f3rio das crian\u00e7as. Um terceiro momento foi a escrita de um cartaz com as regras que norteavam a grafia correta daquelas palavras para que o grupo pudesse consultar quando preciso. Procedimentos semelhantes foram feitos com outras dificuldades ortogr\u00e1ficas por regularidade, como foi o caso do uso do AN-AM-\u00c3O-\u00c3. Nesse caso, por\u00e9m, a reflex\u00e3o foi mais aprofundada, pois se tratava tamb\u00e9m de uma discuss\u00e3o acerca dos aspectos ligados \u00e0 categoria gramatical \u2013 verbos que, no passado, erminam em AM e, no futuro, terminam em \u00c3O.<\/p>\n<p>A pontua\u00e7\u00e3o foi trabalhada de uma maneira similar ao trabalho feito com a ortografia, pois part\u00edamos de um determinado texto, com uso social muito claro e conhecido pelas crian\u00e7as, e busc\u00e1vamos pontu\u00e1-lo da maneira mais apropriada. \u00c9 preciso deixar claro que a pontua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diz respeito a normas de uso social, visando otimizar a comunica\u00e7\u00e3o, do ponto de vista de quem l\u00ea. Portanto, assim como a ortografia, a pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 determinada pela cultura na qual \u00e9 utilizada.<\/p>\n<p>Assim, promovemos situa\u00e7\u00f5es em que o uso social da pontua\u00e7\u00e3o se tornasse o foco de estudo e discuss\u00e3o para as crian\u00e7as. Fizemos algumas atividades, al\u00e9m daquelas de revis\u00e3o das reescritas, com textos conhecidos: utilizamos adivinhas e piadas. Nessas situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas, as crian\u00e7as discutiam em duplas a melhor maneira de se pontuar uma piada, para que ficasse mais divertida. Num segundo momento, montamos uma discuss\u00e3o em grupo, com as piadas na lousa, pontuadas de maneiras diferentes pelas duplas. Cada dupla justificava por que tinha usado determinados sinais. Falamos das maneiras mais apropriadas de utiliz\u00e1-los: pontos de interroga\u00e7\u00e3o, final, exclama\u00e7\u00e3o, retic\u00eancias, letra mai\u00fascula etc.<\/p>\n<p>Professora: Por que tem o ponto de interroga\u00e7\u00e3o aqui?<br \/>\nCrian\u00e7a: Porque ele t\u00e1 perguntando uma pergunta.<br \/>\nC: \u00c9 uma piada.<br \/>\nP: E precisa de uma pergunta?<br \/>\nC: Sim&#8230;<br \/>\nP: Por que voc\u00eas usaram os dois pontos depois da resposta?<br \/>\nC: Porque \u00e9 como se fosse a resposta depois. Como nos nossos desafios, que t\u00eam dois pontos tamb\u00e9m.<br \/>\nP: Ent\u00e3o voc\u00eas acham que, assim, fica com mais cara de piada?<br \/>\nC: Sim.<br \/>\nP: Como \u00e9 que se conta uma piada: a gente fala a pergunta e j\u00e1 d\u00e1 a resposta?<br \/>\nC: N\u00e3o, a gente p\u00e1ra.<br \/>\nC: A gente pergunta, depois espera a pessoa responder.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p>Enfim, foi interessante observar que o trabalho com ortografia e pontua\u00e7\u00e3o aconteceu paralelamente ao projeto e, dessa maneira, foram complementares. O grande objetivo era que as crian\u00e7as escrevessem sem medo, com um sentido social, e utilizassem, com autonomia, alguns recursos para aprimorar suas escritas. E, gra\u00e7as ao empenho de cada uma, conseguimos!<\/p>\n<p>(D\u00e9bora Samori, professora da 1\u00aa s\u00e9rie da See-Saw Panamby Bilingual School)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica em que \u00e9 feita uma revis\u00e3o coletiva de texto e, em vez dos erros, s\u00e3o enfatizados e discutidos os acertos que o autor \u201cprovocou\u201d, do ponto de vista da linguagem.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Etapa primeira, em que as crian\u00e7as escrevem as partes importantes da hist\u00f3ria, que n\u00e3o podem ser esquecidas.<br \/>\n<sup>3<\/sup>MORAIS, Artur Gomes de. Ortografia: ensinar e aprender. 4\u00aa. Ed. \u00c1tica: S\u00e3o Paulo, 2002.<br \/>\n<sup>4<\/sup>Trecho do meu di\u00e1rio \u2013 setembro.<br \/>\n<sup>5<\/sup>Situa\u00e7\u00e3o de aprendizagem sugerida por Morais, op. cit.<br \/>\n<sup>6<\/sup>Transcri\u00e7\u00e3o de parte da discuss\u00e3o sobre pontua\u00e7\u00e3o &#8211; outubro.<\/p>\n<div id=\"attachment_5092\" style=\"width: 472px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5092\" class=\"size-full wp-image-5092 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug3.jpg\" alt=\"Regras escritas pelas crian\u00e7as em seus cadernos\" width=\"462\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug3.jpg 462w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug3-300x241.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><p id=\"caption-attachment-5092\" class=\"wp-caption-text\">Regras escritas pelas crian\u00e7as em seus cadernos<\/p><\/div>\n<h4>Gram\u00e1tica da legibilidade<\/h4>\n<p>Mas o que vem a ser essa \u201cgram\u00e1tica da legibilidade\u201d? Em primeiro lugar \u00e9 importante notar que a express\u00e3o \u00e9 uma met\u00e1fora, que o termo gram\u00e1tica aqui \u00e9 utilizado por analogia e n\u00e3o no sentido estrito. Parkes descreve-a como:\u201cum conjunto de procedimentos de escrita cujo objetivo \u00e9 instruir a leitura\u201d. E como a pontua\u00e7\u00e3o instrui, orienta o leitor? Ela o faz dividindo o texto em unidades de processamento de leitura.<br \/>\n(Telma Weisz. Pontua\u00e7\u00e3o: a gram\u00e1tica da legibilidade. PROFA \u2013 MEC)<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>O projeto<\/strong><br \/>\n<strong>Objetivo did\u00e1tico:<\/strong> Trabalhar com a reescrita de contos de fada, promovendo situa\u00e7\u00f5es de revis\u00e3o da linguagem escrita, ortografia e pontua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Objetivo compartilhado com as crian\u00e7as: <\/strong>Produzir um livro de reescritas de contos de fada e uma fita cassete com as hist\u00f3rias recontadas pelo grupo para doar \u00e0 biblioteca da escola.<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fados \/ Gostar\u00edamos que os alunos aprendessem a: <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>aproximar-se da linguagem escrita desse g\u00eanero (contos de fadas);<\/li>\n<li>adquirir flu\u00eancia nos recontos;<\/li>\n<li>de reescritas coletivas, em duplas e individuais, com entusiasmo e prazer, respeitando a opini\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos colegas;<\/li>\n<li>reescrever contos, considerando a estrutura espec\u00edfica desse g\u00eanero ling\u00fc\u00edstico;<\/li>\n<li>compreender o prop\u00f3sito comunicativo da ortografia e da pontua\u00e7\u00e3o, utilizando com certa autonomia seus recursos (listas de palavras e de regras elaboradas pelas crian\u00e7as, dicion\u00e1rio);<\/li>\n<li>revisar seus pr\u00f3prios textos (coletiva e individualmente), utilizando recursos estabelecidos com todo o grupo (asteriscos numerados, bilhetes de revis\u00e3o e destaque de palavras por cores);<\/li>\n<li>confeccionar ilustra\u00e7\u00f5es para cada conto; refletir sobre a import\u00e2ncia de cada etapa da escrita de um livro (sum\u00e1rio, pref\u00e1cio, apresenta\u00e7\u00e3o, pagina\u00e7\u00e3o etc.).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Etapas de Trabalho:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Escrita de listas de contos de fada conhecidos.<\/li>\n<li>Sele\u00e7\u00e3o dos contos preferidos pela classe.<\/li>\n<li>Situa\u00e7\u00f5es de revis\u00e3o de textos bem escritos.<\/li>\n<li>Recontos em grupos e, posteriormente, individuais.<\/li>\n<li>Grava\u00e7\u00e3o da fita de recontos (distribui\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o pela escola).<\/li>\n<li>Reescritas coletivas com revis\u00f5es.<\/li>\n<li>Reescritas em duplas.<\/li>\n<li>Discuss\u00f5es sobre a import\u00e2ncia das ilustra\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Confec\u00e7\u00e3o de ilustra\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Reescritas individuais (com roteiro sobre as partes importantes da hist\u00f3ria).\n<p><div id=\"attachment_5093\" style=\"width: 207px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5093\" class=\"size-full wp-image-5093 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_portug4.jpg\" alt=\"Reescritas comentadas pela professora, prontas para serem passadas a limpo\" width=\"197\" height=\"149\" \/><p id=\"caption-attachment-5093\" class=\"wp-caption-text\">Reescritas comentadas pela professora, prontas para serem passadas a limpo<\/p><\/div><\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>D\u00e9bora Samori, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Beatriz Gouveia.<br \/>\nSee-Saw\/Panamby Bilingual School, Rua Visconde de N\u00e1car, 86.<br \/>\nReal Parque \u2013 CEP 05685-010 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP. Tel.: (11) 3758-2241<br \/>\ne-mail: deborapsamori@hotmail.com<br \/>\nseesaw@terra.com.br,<br \/>\nsite: www.see-saw.com.br<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Al\u00e9m da Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 Ana Teberosky e Liliana Tolchinsky \u2013 organizadoras. Editora \u00c1tica, S\u00e3o Paulo, 1997.<\/li>\n<li>O Ensino da Linguagem Escrita \u2013 Myriam Nemirovsky. Editora Artmed, Porto Alegre, 2002.<\/li>\n<li>Ortografia: ensinar e aprender \u2013 Artur Gomes de Morais. Editora \u00c1tica, S\u00e3o Paulo, 2000.<\/li>\n<li>Ler e Escrever \u2013 entrando no mundo da escrita \u2013 Anne-Marie Chartier, Christiane Glesse e Jean H\u00e9brard. Editora Artmed, Porto Alegre, 1996.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhando a revis\u00e3o de textos bem escritos, em grupos e individualmente, auxiliamos as crian\u00e7as a aprender ortografia e pontua\u00e7\u00e3o desde a 1\u00aa s\u00e9rie. Por D\u00e9bora Samori<\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":6218,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1018,377],"tags":[1104,1020,21,1021,151,883,1022,701],"class_list":{"0":"post-5087","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-alem-das-letras-2","8":"category-revista-avisala-16","9":"tag-revista-avisa-la-2003","10":"tag-debora-samori","11":"tag-escrita","12":"tag-gramatica","13":"tag-leitura","14":"tag-ortografia","15":"tag-portugues","16":"tag-revisao","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5087"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5087\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6218"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}