{"id":5068,"date":"2003-10-22T01:10:38","date_gmt":"2003-10-22T03:10:38","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=5068"},"modified":"2023-03-27T17:04:58","modified_gmt":"2023-03-27T20:04:58","slug":"observadores-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/observadores-da-natureza\/","title":{"rendered":"Observadores da natureza"},"content":{"rendered":"<h5>O Brasil sempre exerceu grande fasc\u00ednio sobre o olhar dos viajantes. Os relatos de viagens, as descri\u00e7\u00f5es das terras brasileiras, dos animais e das flores, t\u00e3o estranhos ao estrangeiro, enchiam sua imagina\u00e7\u00e3o e excitavam sua curiosidade<\/h5>\n<div id=\"attachment_5069\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5069\" class=\"size-full wp-image-5069 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/sustanca4.jpg\" alt=\"Maracuj\u00e1 (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705\" width=\"227\" height=\"296\" \/><p id=\"caption-attachment-5069\" class=\"wp-caption-text\">Maracuj\u00e1 (ao fundo) Maria Sibylla Merian Metamorphosis Insectorum Surinamensium (em primeiro plano) Amsterdam 1705<\/p><\/div>\n<p>As primeiras imagens das paisagens brasileiras foram produzidas pelos holandeses entre 1637 e 1645. Os pintores que acompanharam Maur\u00edcio de Nassau em sua chegada ao Brasil vieram com a miss\u00e3o de registrar e enviar por meio de suas pinturas um pouco do que viam nas terras brasileiras. Frans Post \u00e9 um dos mais importantes da \u00e9poca, seguido de Eckhout, que trouxe para o centro da paisagem os tipos humanos que aqui viviam. As produ\u00e7\u00f5es, misto de realidade com a fic\u00e7\u00e3o criada pelos olhares dos artistas, traziam em suas paletas os tons e os modos da pintura holandesa do s\u00e9culo XVII. <!--more-->Al\u00e9m desses artistas, tamb\u00e9m acompanharam a miss\u00e3o outros n\u00e3o t\u00e3o famosos, respons\u00e1veis pelo registro da flora e fauna brasileira. S\u00e3o ilustradores que, durante o per\u00edodo das navega\u00e7\u00f5es da Companhia das \u00cdndias Orientais e Ocidentais, se dedicaram a um registro que, entre o rigor detalhista da ci\u00eancia e o das t\u00e9cnicas da arte, se constituiu como parte importante da hist\u00f3ria natural do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Com\u00e9rcio, arte e ci\u00eancia<\/strong><br \/>\nA descoberta do Novo Mundo e o futuro do com\u00e9rcio ultramarino holand\u00eas ocupavam o centro das aten\u00e7\u00f5es do mundo na \u00e9poca. Segundo David Freedberg, historiador da Arte, esses est\u00edmulos tamb\u00e9m motivaram a arte e o progresso da ci\u00eancia, em especial a hist\u00f3ria natural. Artistas holandeses \u2013 ou estrangeiros que publicaram na Holanda \u2013, nutridos por esse esp\u00edrito, dedicaram-se a produzir os mais importantes herb\u00e1rios, livros publicados em v\u00e1rios volumes com l\u00e2minas ilustrativas, ricamente descritivas das qualidades e esp\u00e9cies das plantas, \u00e1rvores, arbustos, sementes, flores, frutos, insetos e outros animais. O rigor dessas descri\u00e7\u00f5es t\u00e3o detalhistas e a aten\u00e7\u00e3o concentrada nos objetos \u2013 muito diferente da produ\u00e7\u00e3o de paisagens na pintura, por exemplo \u2013 chama a aten\u00e7\u00e3o para as produ\u00e7\u00f5es do per\u00edodo e provavelmente se deve \u00e0s exig\u00eancias dos hortos e museus bot\u00e2nicos, que eram motivo de muito investimento na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Grande parte dessa produ\u00e7\u00e3o bebeu na fonte natural brasileira, a rica e ex\u00f3tica fauna e flora, t\u00e3o diferente de tudo o que os estrangeiros conheciam at\u00e9 ent\u00e3o. Entre 1647 e 1658 muito se produziu no Brasil. Em 1648, logo depois da expedi\u00e7\u00e3o ao Brasil, foi publicado na Holanda o Hist\u00f3ria Naturalis Brasiliae, um trabalho de extrema import\u00e2ncia para a etnografia e para a hist\u00f3ria natural da Am\u00e9rica do Sul, considerado o primeiro livro de hist\u00f3ria natural, um marco na hist\u00f3ria da documenta\u00e7\u00e3o visual, inteiramente custeado por Maur\u00edcio de Nassau.<\/p>\n<p>Dividido em v\u00e1rias se\u00e7\u00f5es, contou com a colabora\u00e7\u00e3o do naturalista e m\u00e9dico Wilem Piso, respons\u00e1vel pelas discuss\u00f5es sobre o ar, a \u00e1gua e a topografia brasileira, sobre as doen\u00e7as end\u00eamicas locais, os venenos e seus ant\u00eddotos e as plantas medicinais. As demais se\u00e7\u00f5es, sobre plantas, peixes, p\u00e1ssaros, quadr\u00fapedes, cobras e insetos, ficaram a cargo de Marcgraf, que tamb\u00e9m incluiu observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas e uma breve discuss\u00e3o sobre tribos nativas do Brasil e do Chile, acompanhada de um gloss\u00e1rio de suas l\u00ednguas. Marcgraf morreu por volta de 1644, na \u00c1frica, antes de organizar suas notas sobre o Brasil, mas, felizmente, foram editadas anos depois com os coment\u00e1rios de De Laet.<\/p>\n<div id=\"attachment_5071\" style=\"width: 174px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5071\" class=\"size-full wp-image-5071 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_sustanca1.jpg\" alt=\"Aroeira,Ambaiba, Ianipaba\" width=\"164\" height=\"275\" \/><p id=\"caption-attachment-5071\" class=\"wp-caption-text\">Aroeira,Ambaiba, Ianipaba<\/p><\/div>\n<p>Os exemplares desses livros eram pintados um a um, sob a supervis\u00e3o dos pr\u00f3prios artistas. Embora n\u00e3o seja t\u00e3o prestigiada quanto a pintura do per\u00edodo, essa produ\u00e7\u00e3o encanta e intriga aqueles que querem separar a ci\u00eancia e a arte, intrinsecamente unidos no olhar curioso e perspicaz dos observadores da natureza. Nos anos seguintes, entre 1673 e 1755, aproximadamente, naturalistas como Rembert Dodoens, Matthias de L\u00f3bel, Charles L\u00e9cluse, Hendrick Adraan van Reede tot Drakenstein, Linnaeus e George Rumphius continuaram a alimentar essa produ\u00e7\u00e3o, alguns se dedicando diretamente \u00e0s plantas raras existentes no Horto de Amsterdam.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fazem parte desta tradi\u00e7\u00e3o naturalista algumas mulheres como Gesina ter Borsch, Judith Leyster, Rachel Ruysch e a extremamente habilidosa Maria Sibylla Merian, todas pouco mencionadas provavelmente pela vis\u00e3o patriarcalista e pelo preconceito contra a ilustra\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 hist\u00f3ria natural, que era compreendida, na \u00e9poca, como uma atividade predominantemente feminina. O Hist\u00f3ria Naturalis Brasiliae foi reeditado dez anos depois com algumas modifica\u00e7\u00f5es feitas por Piso.<\/p>\n<p>Depois da impress\u00e3o desses dois livros, a Holanda superou as na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias, no valor cient\u00edfico e art\u00edstico. As ilustra\u00e7\u00f5es holandesas eram muito mais acuradas na descri\u00e7\u00e3o e mais refinadas do que as toscas xilogravuras que se produziam na \u00e9poca. Muitos historiadores da expans\u00e3o ultramarina, assim como historiadores da arte e da hist\u00f3ria natural, usaram esses livros nos anos seguintes. O Banco Real\/ABN AMRO Bank em 1999 promoveu a restaura\u00e7\u00e3o do exemplar original que estava na Biblioteca Nacional. Foram feitos CD-ROMs, uma exposi\u00e7\u00e3o \u201cO Brasil e os Holandeses\u201d, que foi transformada em um precioso livro editado pela GMT Editores Ltda., com magn\u00edficas ilustra\u00e7\u00f5es, como as que mostramos abaixo. H\u00e1 exemplares em todas as bibliotecas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5070\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_sustanca2.jpg\" alt=\"avisala_16_sustanca2\" width=\"207\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_sustanca2.jpg 207w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_16_sustanca2-191x300.jpg 191w\" sizes=\"auto, (max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil sempre exerceu grande fasc\u00ednio sobre o olhar dos viajantes. 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