{"id":4995,"date":"2007-04-15T17:09:58","date_gmt":"2007-04-15T20:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4995"},"modified":"2023-03-27T18:45:54","modified_gmt":"2023-03-27T21:45:54","slug":"criar-uma-escola-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-30\/criar-uma-escola-para-todos\/","title":{"rendered":"Criar uma escola para todos"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel mudar verdadeiramente o olhar? Quebrar padr\u00f5es dentro de n\u00f3s? Permitir que a singularidade e a subjetividade dos alunos, e tamb\u00e9m dos professores, encontrem espa\u00e7o para uma experi\u00eancia transformadora? Somos capazes de criar uma escola para todos? Perguntas como essas t\u00eam nos ajudado a fazer e a pensar o programa plural da Associa\u00e7\u00e3o Rodrigo Mendes<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>O Programa Plural da Associa\u00e7\u00e3o Rodrigo Mendes \u2013 ARM tem como objetivo colaborar com a inclus\u00e3o por meio da Arte. Com a inten\u00e7\u00e3o de multiplicar o aprendizado acumulado nos doze anos de exist\u00eancia da ARM, o trabalho de forma\u00e7\u00e3o de professores nasceu em setembro de 2005, com o Curso Plural 1. O curso come\u00e7a com o resgate da mem\u00f3ria de inf\u00e2ncia dos professores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defici\u00eancia e \u00e0 arte.<\/p>\n<p>\u201cTive uma colega com paralisia infantil e ningu\u00e9m sentava perto dela.\u201d<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>\u201cNo meu bairro, tinha um menino deficiente que a gente tinha medo, falavam que ele era perigoso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMeu pai tinha uma defici\u00eancia e a minha experi\u00eancia \u00e9 de conviver com um exemplo de grande supera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cIa ter um irm\u00e3o, estava muito feliz. Quando nasceu, todos s\u00f3 falavam que era S\u00edndrome de Down. Ent\u00e3o perguntei: \u2013 N\u00e3o era Jorge o nome dele?\u201d<!--more--><\/p>\n<p>A primeira aproxima\u00e7\u00e3o do tema revela registros \u00edntimos, a maior parte permeada por desconhecimento, medo e distanciamento. Percebe-se que nossas refer\u00eancias foram influenciadas pelo olhar que a sociedade construiu sobre a diversidade humana. Com o passar do tempo, essas marcas v\u00e3o se tornando quase impercept\u00edveis, mas continuam atuando silenciosamente. Resgat\u00e1-las \u00e9 o primeiro passo para uma poss\u00edvel mudan\u00e7a de olhar sobre o tema. J\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o com a arte, nota-se que as experi\u00eancias na inf\u00e2ncia alimentaram a auto-estima \u2013 de forma positiva ou negativa e influ\u00edram na interpreta\u00e7\u00e3o de quem somos e de como podemos ou n\u00e3o nos expressar. A maioria dos relatos revela situa\u00e7\u00f5es de limite e frustra\u00e7\u00e3o. Essas mem\u00f3rias tendem a influenciar nossa pr\u00e1tica como educadores.<\/p>\n<p>\u201cNunca gostei de desenhar, pois me achava incapaz e tinha vergonha de mostrar meus desenhos na classe.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDepois de alguns anos na escola passei a desenhar um \u00fanico desenho.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDesenhar \u00e9 para quem sabia fazer aqueles lindos desenhos que pareciam reais.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO ato de desenhar sempre foi nato. \u00c9 o meu poder sobre o mundo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAdorava desenhar as pessoas que faziam parte da minha vida, (&#8230;) rabiscava com l\u00e1pis, carv\u00e3o e tijolo. Contornava meus p\u00e9s e minhas m\u00e3os, olhava as nuvens e imaginava desenhos no c\u00e9u. (&#8230;) Por\u00e9m, hoje meus tra\u00e7os s\u00e3o convencionais, n\u00e3o se atrevem mais a buscar a ess\u00eancia, vejo como a escola tolheu a minha capacidade de express\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Seis conceitos b\u00e1sicos<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s o exerc\u00edcio em torno da mem\u00f3ria, o Programa oferece uma seq\u00fc\u00eancia de oficinas criadas pela equipe de artistas-educadores da ARM: Carlos Barmak, Elana Gomes e Sui\u00e1 Ferlauto, a partir de seis conceitos que consideramos b\u00e1sicos para a constru\u00e7\u00e3o de uma escola para todos:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A mudan\u00e7a do olhar e a quebra de padr\u00f5es:<\/strong> Oficina Quatro Retratos;<\/li>\n<li><strong>Novas possibilidades criativas:<\/strong> Oficina Corpo em Movimento;<\/li>\n<li><strong>Singularidade:<\/strong> Oficina Campos e Espa\u00e7o e Oficina Desenho de Ouvido;<\/li>\n<li><strong>Descontrole:<\/strong> Oficina Descontrole;<\/li>\n<li><strong>Acessibilidade:<\/strong> Oficina Arte Postal;<\/li>\n<li><strong>Potencial do invis\u00edvel:<\/strong> Oficina Esquecer de Lembrar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nas oficinas, os conceitos s\u00e3o trabalhados a partir de atividades pr\u00e1ticas, para que os professores entrem em contato com o tema da inclus\u00e3o pela via da arte. As atividades propostas funcionam como uma porta de acesso a reflex\u00f5es sobre o processo de inclus\u00e3o na escola regular. Como complemento dessa din\u00e2mica de experimentar\/refletir, em cada oficina s\u00e3o apresentadas refer\u00eancias da hist\u00f3ria da arte que ajudam a ampliar o repert\u00f3rio dos professores e favorecem o estabelecimento de conex\u00f5es capazes de ampliar o seu olhar sobre a pr\u00e1tica docente.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica pode ser ilustrada com a Oficina Quatro Retratos, que trata da mudan\u00e7a do olhar e da quebra de padr\u00f5es. Em duplas, os professores retratam-se a partir de quatro pontos de vistas diferentes. Ao ter que desenhar a parceira de cabe\u00e7a para baixo ou sem olhar para o papel, o pro-fessor descobre recursos para lidar com o desafio que nem sabia que tinha. Precisamente a\u00ed, acontecem as descobertas. Quando o potencial criativo \u00e9 tocado, o desejo sobre o pr\u00f3prio aprendizado vem \u00e0 tona, motivando-o a avan\u00e7ar no seu percurso de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia das oficinas \u00e9 colocar o processo em foco, \u00e9 come\u00e7ar a romper os condicionamentos e ir ampliando o campo de investiga\u00e7\u00e3o. Um dos padr\u00f5es que ainda hoje orienta a nossa pr\u00e1tica docente \u00e9 manter o foco no produto final, e n\u00e3o no processo. Seguimos alinhando as nossas expectativas \u00e0 qualidade est\u00e9tica do desenho do aluno ou ao resultado da prova. Isso ocorre de forma mais ou menos consciente, mas ainda \u00e9 um padr\u00e3o que herdamos da escola homogeneizadora.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, sabemos que o processo \u00e9 o espa\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o do aluno com as diferentes fontes de conhecimento, da rela\u00e7\u00e3o com o professor, com ele mesmo e com os colegas. \u00c9 o espa\u00e7o de interlocu\u00e7\u00e3o, \u00e9 onde podemos atuar para desenvolver posturas criativas e cr\u00edticas. \u00c9 importante lembrar que o produto final \u00e9 apenas um dos desdobramentos de um processo. Nas oficinas, h\u00e1 momentos dedicados \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o. Espa\u00e7o para o exerc\u00edcio do olhar, da escuta e de cria\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de aprecia\u00e7\u00e3o capazes de ir al\u00e9m da no\u00e7\u00e3o do feio e do bonito. Essa \u00e9 uma maneira de nos aproximarmos do universo da arte.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o comum para a crian\u00e7a com defici\u00eancia \u00e9 querer realizar uma proposta, mas n\u00e3o ter muito controle ao realiz\u00e1-la. Esse \u00e9 o tema da Oficina Descontrole, cujo exerc\u00edcio \u00e9 mergulhar o barbante em nanquim e desenhar com ele. Inicialmente, a mobilidade do barbante apresenta uma dificuldade para os professores, mas ao lidar com a falta de controle ao desenhar, encontra-se a descoberta da for\u00e7a expressiva da imprecis\u00e3o e evidenciam efeitos capazes de agregar valor \u00e0 composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMesmo tendo uma id\u00e9ia pr\u00e9via do desenho, o barbante pode ir para outro lugar, produzindo outros tra\u00e7os. Uma sa\u00edda \u00e9 n\u00e3o se desesperar, e sim analisar as possibilidades que surgem quando se perde o controle\u201d, comenta uma professora.<\/p>\n<p>Uma dose de descontrole \u00e9 inerente e necess\u00e1ria aos processos criativos e aos processos de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento. A quest\u00e3o \u00e9 como lidar de forma comprometida e respons\u00e1vel com esse n\u00e3o saber. N\u00e3o sabemos nem \u201co como\u201d e nem \u201cse vamos obter o resultado desejado\u201d, quando falamos em inclus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Percurso coletivo<\/strong><br \/>\n\u00c9 fato que o professor n\u00e3o pode assumir o desafio da inclus\u00e3o sozinho e em classes numerosas. Incluir envolve firmar parcerias e trabalhar em equipe. Significa trabalhar com a id\u00e9ia de percurso que ser\u00e1 transformado por todos aqueles que dele participam. \u00c9 trabalhar com a dimens\u00e3o do tempo, com o registro e a reflex\u00e3o coletiva durante o seu andamento.<\/p>\n<p>Esse tipo de pr\u00e1tica reflexiva permite a cria\u00e7\u00e3o de metodologias mais eficientes pela equipe que conduz o projeto de inclus\u00e3o. Contudo, mesmo que n\u00e3o seja poss\u00edvel saber previamente o que o aluno com defici\u00eancia (\u00e0s vezes v\u00e1rias defici\u00eancias) poder\u00e1 aprender e nem o que ele poder\u00e1 ensinar aos demais, \u00e9 essencial buscarmos juntos essas respostas.<\/p>\n<p>Observamos nas escolas que algumas potencialidades dos alunos tornaram-se invis\u00edveis diante da limita\u00e7\u00e3o do nosso olhar condicionado a padr\u00f5es profundamente arraigados. A afirma\u00e7\u00e3o da Profa. Dra. Maria Cristina M. Kupfer<sup>3<\/sup>, da Faculdade de Psicologia da USP, nos d\u00e1 o que pensar:<\/p>\n<p>\u201cTodas as crian\u00e7as aprendem muito mais do que sonha a nossa v\u00e3 pedagogia. A preocupa\u00e7\u00e3o com os problemas de aprendizagem da leitura e da escrita na escola \u00e9 t\u00e3o grande, que muitos educadores acabam por reduzir a imensa capacidade de aprender de uma crian\u00e7a ao seu repert\u00f3rio de habilidades para ler e escrever.\u201d<sup>4<\/sup> Descobrir como atingir a todas as pessoas depende da nossa disponibilidade e compet\u00eancia profissional e for\u00e7a pol\u00edtica no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Processos de inclus\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara promover uma continuidade do processo de investiga\u00e7\u00e3o entre as aulas, os professores recebem uma s\u00e9rie de li\u00e7\u00f5es de casa envolvendo quest\u00f5es da arte e da inclus\u00e3o. Um desses exerc\u00edcios prop\u00f5e a descri\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es reais no ambiente da escola em que os professores sentiram-se desafiados para incluir um determinado aluno. Tais casos s\u00e3o analisados coletivamente ao longo do curso com o objetivo de criar conex\u00f5es diretas entre os conceitos tratados pelas oficinas e os problemas enfrentados no dia-dia pelo professor.<\/p>\n<p>Apesar de o curso n\u00e3o ter como principal finalidade oferecer atividades de artes para serem replicadas nas salas de aula, isso aconteceu tanto na cidade de S\u00e3o Paulo, como em Santo Andr\u00e9, locais nos quais os cursos foram desenvolvidos. Os relatos quanto \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o em sala de aula das t\u00e9cnicas disponibilizadas pelas oficinas foram muito interessantes:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho alunos com defici\u00eancia, mas os alunos com dificuldade de aprendizagem t\u00eam se soltado muito mais depois que introduzi o trabalho art\u00edstico quase diariamente.\u201d Segundo o Prof. Fernando Hernandez<sup>5<\/sup>, al\u00e9m de colaborar com o processo reflexivo necess\u00e1rio \u00e0s mudan\u00e7as, o uso das linguagens art\u00edsticas podem representar alternativas pedag\u00f3gicas para professores comprometidos com uma educa\u00e7\u00e3o que contempla as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cCrian\u00e7as que transitaram em bons programas de artes nas suas escolas apresentaram maior disponibilidade para ler e escrever, porque aprenderam a ler obras de arte. Aprenderam a ler imagens, a desenvolver a compreens\u00e3o, aprenderam a falar, a estabelecer conex\u00f5es entre diversas representa\u00e7\u00f5es visuais, e tudo isso constitui uma base inestim\u00e1vel para entrar em outras formas de organiza\u00e7\u00e3o do pensamento.\u201d<sup>6<\/sup> A uni\u00e3o do trabalho de inclus\u00e3o com a arte beneficia a todos e n\u00e3o s\u00f3 os alunos que apresentam necessidades especiais.<\/p>\n<p>(Ana Maria Caira Gitahy, coordenadora do Programa Plural da Associa\u00e7\u00e3o Rodrigo Mendes \u2013 ARM)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A Associa\u00e7\u00e3o Rodrigo Mendes (ARM) \u00e9 uma escola de artes pl\u00e1sticas sem fins lucrativos comprometida com a inclus\u00e3o de pessoas em desvantagens sociais. Diante do contexto de diversidade humana resultante deste posicionamento, a escola segue uma metodologia particular de ensino e mant\u00e9m um fundo de bolsas de estudo.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>As falas no decorrer do texto foram registradas durante os encontros com os professores.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Maria Cristina M. Kupfer \u00e9 psicanalista e educadora e diretora da pr\u00e9-escola terap\u00eautica Lugar de Vida, do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Educa\u00e7\u00e3o para o futuro \u2013 Psican\u00e1lise e educa\u00e7\u00e3o, Maria Cristina Kupfer. Ed. Escuta.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup>Doutor em Psicologia e professor de Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona.<\/p>\n<p><sup>6<\/sup>Transgress\u00e3o e Mudan\u00e7a na Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Hern\u00e1ndez. Ed. Artmed.<\/p>\n<h4>Um dos casos avaliados<\/h4>\n<p>\u201cA sala era numerosa, 40 alunos de 5\u00aa s\u00e9rie, eram extremamente agitados, com necessidades diversas, car\u00eancias e dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o. A aluna n\u00e3o tinha os membros superiores, nem a m\u00e3o esquerda, sendo a direita junto ao ombro com tr\u00eas dedos apenas. Dificilmente ela deixava de participar das aulas de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, pois sua habilidade com os p\u00e9s sobressa\u00eda dos demais alunos. As atividades eram organizadas de forma a possibilitar a sua participa\u00e7\u00e3o, as regras eram mudadas e adaptadas a sua defici\u00eancia. Sua maior dificuldade era jogar basquete, devido ao tamanho da bola e a defici\u00eancia na marca\u00e7\u00e3o. Mudei o planejamento, jog\u00e1vamos com bolas menores e ela utilizava os p\u00e9s para arremessar ao cesto. No per\u00edodo n\u00e3o tive com quem dividir as ang\u00fastias e o prazer que foi trabalhar com ela.\u201d<\/p>\n<p>(Julio Cesar Surian, professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Escola Municipal Marechal Deodoro, bairro do Butant\u00e3, S\u00e3o Paulo \u2013 SP)<\/p>\n<p>\u201cA proposta da inclus\u00e3o, apesar de todos os desafios que nos coloca, \u00e9 considerar a rela\u00e7\u00e3o entre pessoas de forma interdependente, ou seja, indissoci\u00e1vel, irredut\u00edvel e complementar. Como, de um ponto de vista relacional, nos comportarmos de modo indissoci\u00e1vel com uma crian\u00e7a com defici\u00eancia, por exemplo? Como n\u00e3o reduzi-la aos nossos medos, dificuldades ou preconceitos? Como n\u00e3o reduzi-la ao que gostar\u00edamos que fosse, aos nossos anseios ou expectativas? Como reconhec\u00ea-la por aquilo que \u00e9 ou que pode ser, nos limites que a definem, como, ali\u00e1s, definem qualquer um de n\u00f3s?\u201d<\/p>\n<p>(Lino de Macedo, professor de Psicologia do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<h4>Educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos<\/h4>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o N\u00famero 2, de 11 de fevereiro de 2001, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (CNE\/CEB) garante:<\/p>\n<p><strong>Art.1\u00ba \u2013<\/strong> A presente resolu\u00e7\u00e3o institui as Diretrizes Nacionais para a educa\u00e7\u00e3o de alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, em todas as suas etapas e modalidades.<br \/>\n<strong>Par\u00e1grafo \u00fanico.<\/strong> O atendimento escolar desses alunos ter\u00e1 in\u00edcio na educa\u00e7\u00e3o infantil, nas creches e pr\u00e9-escolas, assegurando-lhes os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o especial sempre que se evidencie, mediante avalia\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado.<\/p>\n<p><strong>Art. 2\u00ba \u2013<\/strong> Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo \u00e0s escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos.<br \/>\nPar\u00e1grafo \u00fanico. Os sistemas de ensino devem conhecer a demanda real de atendimento a alunos com necessidades educacionais especiais, mediante a cria\u00e7\u00e3o de sistemas de informa\u00e7\u00e3o e o estabelecimento de interface com os \u00f3rg\u00e3os governamentais respons\u00e1veis pelo Censo Escolar e pelo Censo Demogr\u00e1fico, para atender a todas as vari\u00e1veis impl\u00edcitas \u00e0 qualidade do processo formativo desses alunos (&#8230;)<\/p>\n<p><strong>Art. 7\u00ba \u2013<\/strong> O atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ser realizado em classes comuns do ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de numerosos artigos que enfatizam a inclus\u00e3o de alunos com necessidades especiais em classes ordin\u00e1rias, esta resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m indica a forma\u00e7\u00e3o de classes especiais para casos de extrema dificuldade do aluno, em termos de sua aprendizagem, sociabilidade ou comunicabilidade. No entanto, o car\u00e1ter transit\u00f3rio dessas classes \u00e9 refor\u00e7ado.<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Rodrigo Mendes<br \/>\nRua Tenente Aviador Mota Lima, 85<br \/>\nVila Caxingui &#8211; S\u00e3o Paulo. CEP 05517-030<br \/>\nTel.: (11) 3726-4468 e 3726-8418<br \/>\ne-mail: arm@arm.org.br<br \/>\nSite: www.arm.org.br<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Educa\u00e7\u00e3o especial no Brasil, Hist\u00f3ria e pol\u00edticas p\u00fablicas. M. S. J. Mazzota. Ed. Cortez. Tel.: (11) 3873-7111. E-mail: vendas@livrariacortez.com.br<\/li>\n<li>Ensaios pedag\u00f3gicos &#8211; Como construir uma escola para todos, Lino de Macedo. Ed. Artmed. Tel.: 0800 703 3444<\/li>\n<li>Educa\u00e7\u00e3o para o futuro \u2013 Psican\u00e1lise e educa\u00e7\u00e3o, Maria Cristina Kupfer. Ed. Escuta. Tel.: (11) 3865-8950<\/li>\n<li>Transgress\u00e3o e mudan\u00e7a na Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Hern\u00e1ndez. Ed. Artmed. Tel.: 0800 703-3444<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel mudar verdadeiramente o olhar? Quebrar padr\u00f5es dentro de n\u00f3s? Permitir que a singularidade e a subjetividade dos alunos, e tamb\u00e9m dos professores, encontrem espa\u00e7o para uma experi\u00eancia transformadora? Somos capazes de criar uma escola para todos? Perguntas como essas t\u00eam nos ajudado a fazer e a pensar o programa plural da Associa\u00e7\u00e3o Rodrigo Mendes. Por Ana Maria Caira Gitahy<\/p>\n","protected":false},"author":122,"featured_media":3564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[391],"tags":[1108,998,997,28,927,32,507,1329,999],"class_list":{"0":"post-4995","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-30","8":"tag-revista-avisa-la-2007","9":"tag-acessibilidade","10":"tag-ana-maria-caira-gitahy","11":"tag-arte","12":"tag-deficiencia","13":"tag-desenho","14":"tag-igualdade","15":"tag-inclusao","16":"tag-oficinas","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/122"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4995"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4995\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}