{"id":4988,"date":"2007-04-15T16:21:33","date_gmt":"2007-04-15T19:21:33","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4988"},"modified":"2023-03-27T18:46:04","modified_gmt":"2023-03-27T21:46:04","slug":"arte-base-do-projeto-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/arte-base-do-projeto-na-escola\/","title":{"rendered":"Arte: base do projeto na escola"},"content":{"rendered":"<h5>Na Escola Gr\u00e3o de Ch\u00e3o, a proposta pedag\u00f3gica \u00e9 guiada pela arte. Oficinas di\u00e1rias com diferentes linguagens art\u00edsticas favorecem um trabalho est\u00e9tico de alta qualidade, e a cada ano uma caprichada exposi\u00e7\u00e3o revela a consist\u00eancia do trabalho realizado. Em 2006, o encanto ficou por conta de uma instala\u00e7\u00e3o com m\u00f3biles produzidos pelas crian\u00e7as e professores<\/h5>\n<p>O projeto educativo da escola Gr\u00e3o de Ch\u00e3o<sup>1<\/sup>, que j\u00e1 completou 22 anos de atua\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo, tem como objetivo desenvolver habilidades, compet\u00eancias afetivas das crian\u00e7as por meio de projetos cuidadosamente planejados, com \u00eanfase no jogo\/brinquedo e nas artes, em suas diferentes linguagens: Teatro, M\u00fasica e Artes Visuais. As linguagens art\u00edsticas e o brincar permeiam o dia-a-dia da escola e est\u00e3o garantidos nos tempos e espa\u00e7os que s\u00e3o organizados pelos coordenadores e professores. A op\u00e7\u00e3o de trabalhar com a arte e o brincar, no entanto, n\u00e3o impede o desenvolvimento das outras \u00e1reas do conhecimento como a L\u00edngua Portuguesa ou a Matem\u00e1tica, por exemplo, j\u00e1 que os projetos s\u00e3o interdisciplinares.<!--more--><\/p>\n<p>A escola investe no trabalho de equipe, no qual coordenadores e educadores partilham cotidianamente experi\u00eancias, viv\u00eancias, impress\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es e podem, com a troca, aprender entre si.<\/p>\n<p><strong>Rotina diferente<\/strong><br \/>\nO cotidiano escolar tem peculiaridades, como come\u00e7ar sempre pelo quintal, onde as crian\u00e7as brincam na areia, casa da \u00e1rvore ou no caminho, espa\u00e7o previamente preparado e mutante. Ap\u00f3s o quintal, as crian\u00e7as entram em suas salas espec\u00edficas por faixa et\u00e1ria e, durante mais ou menos uma hora, o educador do grupo desenvolve atividades inter-relacionadas com as disciplinas, referentes \u00e0 oralidade, leitura e escrita, Matem\u00e1tica, forma\u00e7\u00e3o social e pessoal, Ci\u00eancias Sociais e Naturais, movimento, etc., de acordo com o Referencial Curricular Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (RCNEI) <sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Segue o lanche e mais brincadeiras de quintal e, em seguida, as crian\u00e7as organizam a sala, guardando os materiais coletivos. Come\u00e7am ent\u00e3o as Oficinas de Arte, que s\u00e3o di\u00e1rias. Formam-se \u201cgrup\u00f5es\u201d, em que os alunos s\u00e3o divididos em dois ou tr\u00eas grupos para trabalhar com os conte\u00fados da arte \u2013 s\u00e3o grupos interidades<sup>3<\/sup>. A din\u00e2mica e o planejamento s\u00e3o elaborados em grupo e individualmente pelos educadores, e as fun\u00e7\u00f5es dentro das oficinas s\u00e3o alternadas entre eles, favorecendo a troca de aprendizado e o aperfei\u00e7oamento coletivo de diversas linguagens. Por exemplo: o professor que coordena as atividades de Artes Visuais e M\u00fasica durante um semestre, poder\u00e1, no seguinte, ter o desafio de coordenar as oficinas de Dan\u00e7a, Teatro e Jogos.<\/p>\n<p><strong>Rico acervo<\/strong><br \/>\nA escola abriga uma boa biblioteca com um grande acervo de livros de Arte. Sendo uma escola de classe m\u00e9dia e alta, h\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o importante dos pais, que trazem cat\u00e1logos, doam livros, cart\u00f5es de vernissage, calend\u00e1rios, imagens de revistas e jornais, al\u00e9m de reportagens sobre artistas. Todo o material \u00e9 organizado de forma que os professores possam pesquisar e posteriormente us\u00e1-lo com os alunos. A forma do uso das imagens depende da idade das crian\u00e7as e do projeto do professor. Elas podem ser exploradas usando-se retroprojetor, livros, v\u00eddeos, ou fazendo visitas aos museus, aos ateli\u00eas dos artistas, etc. Os educadores t\u00eam mais dificuldades em trabalhar com Arte Contempor\u00e2nea, mas s\u00e3o estimulados a aprofundar e aperfei\u00e7oar suas pesquisas, inclusive na Internet.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 dispon\u00edvel na escola um bom acervo de imagens: fotos de pessoas, lugares, obras de arte e objetos, fotos de arquitetura, etc., retiradas de revistas ou cat\u00e1logos, e montadas em suporte mais duro, compondo as \u201cPastas de Imagens\u201d. Tamb\u00e9m podem ser consultadas as \u201cPastas de Transpar\u00eancias\u201d, com reprodu\u00e7\u00e3o de obras de arte, p\u00f4steres e v\u00eddeos, inclusive com a documenta\u00e7\u00e3o das atividades da escola. Nas aulas de aprecia\u00e7\u00e3o, quando as imagens s\u00e3o projetadas por meio de transpar\u00eancia, exploram- se, no tempo de percep\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, os efeitos da proje\u00e7\u00e3o da luz e das sombras.<\/p>\n<p>Chama-se a aten\u00e7\u00e3o para as cores, as formas, os materiais utilizados, as texturas e como esses elementos est\u00e3o compostos na imagem. As impress\u00f5es sensoriais e emocionais provocadas na turma por essas visualiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o transpostas para linguagens expressivas, seja por meio da oralidade, dos movimentos corporais, da representa\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica. As imagens s\u00e3o escolhidas com base na significa\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as, com temas que remetem \u00e0 fam\u00edlia, ao seu cotidiano, \u00e0s quest\u00f5es mais pr\u00f3ximas a elas. Para as crian\u00e7as mais novas, as imagens s\u00e3o, prioritariamente, figurativas, pois s\u00e3o facilmente compreendidas e identific\u00e1veis. Assim, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com a realidade circundante da crian\u00e7a, provocando-as para a a\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Estimula-se o olhar, perguntando-se sobre o que elas est\u00e3o vendo, sentindo e pensando diante da imagem projetada. Para completar, o professor conta hist\u00f3rias dos personagens representados, da \u00e9poca em que se desenrola a hist\u00f3ria ou cena, e vai aportando elementos curiosos e importantes do ponto de vista hist\u00f3rico e que, evidentemente, fazem sentido para a crian\u00e7a. Durante esse processo, o professor busca n\u00e3o criar expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, afinal, a s\u00edntese que ela faz das aprecia\u00e7\u00f5es \u00e9 absolutamente individual e n\u00e3o precisa se parecer com nada do que lhe foi apresentado antes.<\/p>\n<p><strong>Exposi\u00e7\u00e3o anual<\/strong><br \/>\nCom tanto investimento em Artes, uma exposi\u00e7\u00e3o no final do ano tem lugar especial no planejamento geral. A exposi\u00e7\u00e3o de arte \u00e9 um evento importante que acontece na escola h\u00e1 v\u00e1rios anos. As primeiras exposi\u00e7\u00f5es tinham uma configura\u00e7\u00e3o bem diferente da atual. Apresentavam uma montagem mais simples, na qual os trabalhos das crian\u00e7as eram expostos sem a preocupa\u00e7\u00e3o de serem ligados a temas ou separados por idade. No mesmo dia, al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o, aconteciam v\u00e1rios eventos como: oficinas de arte para pais e alunos, apresenta\u00e7\u00f5es musicais das crian\u00e7as, de grupos de coral, de companhias teatrais, e, mais tarde, a formatura do pr\u00e9.<\/p>\n<p>Atualmente, com a introdu\u00e7\u00e3o das salas tem\u00e1ticas, divididas por faixa et\u00e1ria, \u00e9 mostrado um conjunto significativo dos trabalhos desenvolvidos durante o ano de forma mais organizada, o que oferece uma dimens\u00e3o do processo e do desenvolvimento infantil para os visitantes. Al\u00e9m do encontro e da integra\u00e7\u00e3o de pais, alunos e funcion\u00e1rios da escola, h\u00e1 apresenta\u00e7\u00f5es musicais de pais m\u00fasicos, alunos e ex-alunos. Mostra-se tamb\u00e9m como o trabalho nas diversas \u00e1reas (Portugu\u00eas, Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias, etc.) relaciona-se com a Arte.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o desse evento come\u00e7a no in\u00edcio do ano letivo e intensifica-se nos dois \u00faltimos meses que o antecedem. A equipe de educadores mant\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o constante com o acabamento das pe\u00e7as, a escolha dos trabalhos que ser\u00e3o expostos, formas de apresenta\u00e7\u00e3o, textos informativos e a concep\u00e7\u00e3o das salas e dos espa\u00e7os comuns. A amostra n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 das crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m dos professores. A exposi\u00e7\u00e3o e o processo de organiza\u00e7\u00e3o motivam e fazem o professor repensar o seu trabalho. \u00c9 um momento de intensa troca de informa\u00e7\u00f5es que possibilita o aperfei\u00e7oamento do fazer art\u00edstico. O professor aprende e tamb\u00e9m se sente autor.<\/p>\n<p>O evento ocorre num s\u00e1bado, quando as crian\u00e7as, orgulhosas, mostram aos parentes e amigos a sua produ\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 na segunda-feira seguinte que elas podem realmente apreciar todos os trabalhos e interagir com livros e objetos produzidos. \u00c9 um dia dedicado \u00e0 visita\u00e7\u00e3o em que crian\u00e7as e professores passam de sala em sala, questionando e olhando todos os detalhes que passaram despercebidos no evento.<\/p>\n<p><strong>Instala\u00e7\u00f5es coletivas<\/strong><br \/>\nTodo ano a exposi\u00e7\u00e3o conta com um espa\u00e7o importante para abrigar uma ou mais instala\u00e7\u00f5es concebidas pelos professores, que discutem os temas, pensam os espa\u00e7os, criam e planejam a forma de aplica\u00e7\u00e3o nas aulas de Artes. As crian\u00e7as participam da cria\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e montagem e, ao final do processo, podem usufruir dela no dia da exposi\u00e7\u00e3o. O principal objetivo da instala\u00e7\u00e3o \u00e9 ser l\u00fadica e interativa, al\u00e9m de propor est\u00edmulos visuais, contendo aromas, sons e objetos que possibilitem o toque.<\/p>\n<p>\u00c9 quase uma tradi\u00e7\u00e3o da escola o trabalho e a conceitua\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a Arte Contempor\u00e2nea faz parte do conte\u00fado das oficinas de Artes Visuais. Nas visitas aos museus e \u00e0s bienais, os professores fazem quest\u00e3o de expor as crian\u00e7as a essas obras interativas. Na exposi\u00e7\u00e3o de 2006, a instala\u00e7\u00e3o, chamada Movimentos, ficou logo na entrada, ao lado do quintal arborizado, e possu\u00eda tr\u00eas ambientes. O primeiro consistia de m\u00f3biles<sup>4<\/sup> de sucata e de papel, inspirados no trabalho do artista Alexander Calder<sup>6<\/sup>, pendurados por todo o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O segundo possu\u00eda uma grande caixa interativa pendurada feita por todas as crian\u00e7as, que participaram colando texturas, fixando sucatas e depois usufruindo do brinquedo durante as visitas \u00e0s instala\u00e7\u00f5es. O piso era forrado com pap\u00e9is coloridos e pl\u00e1stico- olha, que, quando pisado, proporcionava uma sensa\u00e7\u00e3o muito prazerosa. Em uma das paredes do terceiro ambiente, havia pinturas com interfer\u00eancias gr\u00e1ficas de p\u00e1ssaros e ideogramas retirados da pesquisa sobre as artes e gravuras japonesas feita pelo G5 e pelo G6 (criancas de 5 e 6 anos). Em outra, impress\u00f5es e contornos de m\u00e3os infantis coloridas estampavam o fundo preto, real\u00e7ando os m\u00f3biles.<\/p>\n<p><strong>Gesta\u00e7\u00e3o da obra<\/strong><br \/>\nSegundo Luc\u00edlia Franzini, coordenadora da escola, a id\u00e9ia da instala\u00e7\u00e3o nasceu, no in\u00edcio das aulas, durante uma reuni\u00e3o de professores:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cDever\u00edamos estabelecer alguns par\u00e2metros para o trabalho das oficinas de Artes Visuais para o ano. Resolvemos nos aquecer vendo alguns livros de arte. Nessa explora\u00e7\u00e3o, abrimos um livro de Arte Contempor\u00e2nea que trazia a foto de uma instala\u00e7\u00e3o da artista Pae White<sup>6<\/sup>, que era composta de m\u00f3biles que tinham formas parecidas com borboletas.<\/p>\n<p>Essas formas estavam suspensas, em cima de um ch\u00e3o de espelho, e isso nos encantou. O grupo come\u00e7ou a jogar algumas id\u00e9ias, sempre girando ao redor dos m\u00f3biles, e surgiu a inten\u00e7\u00e3o de trabalhar com eles. O nome de Alexandre Calder veio instantaneamente, pois parte de sua obra \u00e9 dedicada \u00e0s suas pesquisas com eles (os m\u00f3biles e os est\u00e1biles<sup>7<\/sup>). Levantamos alguns aspectos das obras do artista que quer\u00edamos abordar e resolvemos trabalhar com tr\u00eas quadros \u2013 dois deles sem t\u00edtulo, datados de 1970 e 1973. O terceiro chama-se Spirales, sem data. Nos tr\u00eas, as cores prim\u00e1rias, o preto e o branco estavam bem evidenciados.<\/p>\n<p>Apesar de os quadros n\u00e3o serem figurativos, eles deviam conter formas que sugerissem algo para as crian\u00e7as (caracol, folhas, etc.), para que hist\u00f3rias pudessem ser imaginadas a partir deles. Quer\u00edamos partir do bidimensional para o tridimensional, propondo v\u00e1rias oficinas em que elas pudessem, aos poucos, perceber a quest\u00e3o dos planos, para s\u00f3 ent\u00e3o entrar nos m\u00f3biles. Calder foi trabalhado exclusivamente pelo grupo de crian\u00e7as de tr\u00eas e quatro anos. A instala\u00e7\u00e3o trouxe um pouco tamb\u00e9m da Arte oriental, que possui elementos \u201ca\u00e9reos\u201d, como os origamis<sup>8<\/sup>, os bal\u00f5es, as pipas, os pap\u00e9is de seda e a leveza de suas pinturas. O projeto de arte oriental teve como foco as obras de Hiroshigue<sup>9<\/sup>, e o interesse das crian\u00e7as de cinco e seis anos pela escrita japonesa<sup>10<\/sup> nos levou a convidar o artista japon\u00eas e conhecedor de hier\u00f3glifos<sup>11<\/sup> e Kata-kana<sup>12<\/sup> Carlos Yamamoto, de 82 anos, para compartilhar e ensinar as crian\u00e7as os mist\u00e9rios dessa escrita milenar.<\/p>\n<p>O grupo das crian\u00e7as menores, de um e dois anos, contribuiu trazendo as pesquisas com as texturas que originou a \u201cCaixa Interativa\u201d, os elementos marinhos, como os peixes e o mar, e as pipas, feitas nas oficinas de brinquedos. O trabalho come\u00e7ou a ser desenvolvido no in\u00edcio do ano e teve idas e vindas, encontros e aproxima\u00e7\u00f5es com outros temas e conte\u00fados das Artes.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O resultado foi compensador.<\/p>\n<p>(Beatriz Bianco, educadora e artista pl\u00e1stica)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil localizada na Zona Oeste da Cidade de S\u00e3o Paulo.<br \/>\n<sup>2<\/sup>O RCNEI \u00e9 um documento oficial do MEC para Educa\u00e7\u00e3o Infantil que oferece diretrizes curriculares a todos que atuam na \u00e1rea. Volumes dispon\u00edveis no site: www.mec.gov.br<br \/>\n<sup>3<\/sup>Grupos G1 com G2; G2 com G3, e assim sucessivamente.<br \/>\n<sup>4<\/sup>M\u00f3biles s\u00e3o esculturas feitas com elementos leves suspensos por fios que se movem ao vento.<br \/>\n<sup>5<\/sup>Alexandre Calder (1898-1976), escultor, pintor e artista pl\u00e1stico americano, com importante trabalho com m\u00f3biles.<br \/>\n<sup>6<\/sup>Pae White \u00e9 escultora, desenhista e artista pl\u00e1stica americana. Nascida em 1963, vive em Los Angeles\u2013EUA.<br \/>\n<sup>7<\/sup>Os est\u00e1biles s\u00e3o esculturas gigantes transformadas em monumentos postados em v\u00e1rias cidades do mundo.<br \/>\n<sup>8<\/sup>Origami \u00e9 uma arte milenar de origem japonesa, que tem como base a cria\u00e7\u00e3o de formas atrav\u00e9s da dobradura de pap\u00e9is, sem o uso de cortes.<br \/>\n<sup>9<\/sup>Hiroshigue Ando (1797-1858), artista japon\u00eas.<br \/>\n<sup>10<\/sup>A escrita japonesa \u00e9 composta por ideogramas e por fonogramas sil\u00e1bicos.<br \/>\n<sup>11<\/sup>Hier\u00f3glifo ou hieroglifo \u00e9 cada um dos sinais da escrita de antigas civiliza\u00e7\u00f5es, tais como os eg\u00edpcios e os maias. Tamb\u00e9m se aplica a qualquer escrita de dif\u00edcil interpreta\u00e7\u00e3o ou enigm\u00e1tica. pt.wikipedia.org\/wiki\/Hier\u00f3glifos<br \/>\n<sup>12<\/sup>A escrita Kata-kana (pronuncia-se \u201ccatacan\u00e1\u201d) \u00e9 composta por 46 caracteres e 25 derivados. \u00c9 utilizada para expressar palavras de origem estrangeira e sons onomatopaicos.<\/p>\n<h4>Trabalho com a turma<\/h4>\n<p>Na primeira aula, para sensibilizar e preparar o olhar das crian\u00e7as, preparei um desenho no ch\u00e3o com fita crepe, de um caracol, para receber as crian\u00e7as do G3 e do G4. Na medida em que entravam na sala, logo iam perguntando: O que \u00e9 isso? Por que est\u00e1 aqui?<\/p>\n<p>Para explorarmos aquela forma, propus que and\u00e1ssemos sobre o desenho e fiz\u00e9ssemos uma brincadeira: coloquei a m\u00fasica do Camale\u00e3o14 e cantei com eles. \u201cOlha o camale\u00e3o, olha o rabo dele, segura esse nego sen\u00e3o ele cai, meu cachimbo era de ouro, era de Sambur\u00e1&#8230;\u201d Caminhamos em cima da fita crepe, refazendo a forma do caracol, e combinamos que quando cant\u00e1ssemos \u201co cachimbo era de ouro, era de Sambur\u00e1\u201d, eu escolheria algu\u00e9m para vir atr\u00e1s de mim, e outro, e mais outro, at\u00e9 formar uma grande corrente de gente. As crian\u00e7as tinham que repetir os movimentos, um imitando o outro, at\u00e9 cair no ch\u00e3o. Foi uma folia. Ao final da oficina fizemos um registro da brincadeira, utilizando papel e giz de cera. As crian\u00e7as, bastante sensibilizadas, desenharam in\u00fameros carac\u00f3is.<\/p>\n<p>Num outro dia, coloquei a obra Spirales, sem data, de Alexander Calder, por meio de transpar\u00eancia, e projetei bem grande na parede. \u2013 Olha l\u00e1 o caracol, olha o rabo do camale\u00e3o!, exclamaram. Era onde eu queria chegar, e passamos a observar as cores, as formas, como elas (cores e formas) se relacionavam no quadro, com o que elas se pareciam, quais lembran\u00e7as traziam para cada um. Ap\u00f3s a aprecia\u00e7\u00e3o, ofereci um suporte redondo de papel\u00e3o e tinta guache para pintarem, cada um do modo que queria. Apareceram figuras com listinhas, formas arredondadas, c\u00edrculos e de novo os carac\u00f3is, demonstrando apropria\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas dos trabalhos apreciados, no caso, de Calder.<\/p>\n<p>Outra atividade foi a colagem sobre papel. Da experi\u00eancia bidimensional anterior, com desenho e pintura, fomos para a delicadeza da colagem de pequenos pap\u00e9is fixados em suportes diferenciados, com a ajuda da cola. Retorcendo, amassando, recortando, rasgando e dobrando os pap\u00e9is, relevos come\u00e7aram a aparecer e as formas a sair do papel, caminhando para o espa\u00e7o tridimensional. Houve tamb\u00e9m um momento para apreciar nos livros<sup>14<\/sup> os m\u00f3biles de Calder. Mas, como era previs\u00edvel, apesar de serem bel\u00edssimas, as imagens n\u00e3o tinham movimento.<\/p>\n<p>Eu havia trazido de casa alguns m\u00f3biles, que foram imediatamente investigados pelas crian\u00e7as. Fazia perguntas, tentando sempre instigar uma rela\u00e7\u00e3o com a viv\u00eancia de cada um, com o que conheciam, principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos materiais e ao movimento: Quem j\u00e1 tinha visto um m\u00f3bile? Em que espa\u00e7o eles o haviam visto? Quais tipos eles conheciam? O que os diferenciava? Eles se movimentam? Como? E assim por diante.<\/p>\n<p>Conversamos e decidimos fazer cada um o seu m\u00f3bile, s\u00f3 utilizando pap\u00e9is. Foram colocados v\u00e1rios pap\u00e9is sobre a mesa, muitos j\u00e1 cortados, e tamb\u00e9m retalhos de panos coloridos, al\u00e9m de cola e barbante. Estimulandoos tamb\u00e9m a pensar no reaproveitamento dos materiais e na reciclagem, eu provocava: D\u00e1 para aproveitar esses retalhos aqui? D\u00e1 para compor com o qu\u00ea? Como colar no barbante? Ser\u00e1 que vai cair? Ser\u00e1 que vai equilibrar? Depois, pendurei um barbante na estrutura do ventilador e todos iam amarrando suas produ\u00e7\u00f5es para observarmos o movimento. Deu um belo resultado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o do projeto, ficamos sabendo da exposi\u00e7\u00e3o do artista Calder na Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo! Voltamos ent\u00e3o a estudar o artista, seus m\u00f3biles e os j\u00e1 realizados pelas crian\u00e7as, para prepar\u00e1-los para uma visita ao museu. Isso possibilitou uma \u00f3tima retomada do assunto. Na volta do passeio, fizemos outro m\u00f3bile coletivo, cada turma o seu. Um barbante pendurado na estrutura do ventilador come\u00e7ou a receber os materiais, peda\u00e7os de papel, palitos colados, sucatas e arame, que eram oferecidos para que trabalhassem juntos. Que emocionante ver a rea\u00e7\u00e3o deles diante da instala\u00e7\u00e3o pronta \u2013 porque uma coisa \u00e9 fazer, e outra \u00e9 ver montada, com a reuni\u00e3o dos trabalhos de todos os envolvidos.<\/p>\n<p>De repente, sem querer, um educador entrou e ligou o ventilador e o m\u00f3bile come\u00e7ou a se movimentar&#8230; Foi uma grande sensa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>(Profa. S\u00edlvia Haddad)<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Escola Gr\u00e3o de Ch\u00e3o<br \/>\nRua Tanabi, 275 \u2013 \u00c1gua Branca &#8211; S\u00e3o Paulo. SP. CEP: 05002-010. Tel.: (11) 3672-5926 \/ 3673-0208 &#8211; e-mails: escola@graodechao.com.br \/ lucilia@graodechao.com.br<br \/>\nCoordenadoras pedag\u00f3gicas: Paula Antunes Ruggiero e Maria Cec\u00edlia Franzini<br \/>\nCoordenadora pedag\u00f3gica e arte educadora: Luc\u00edlia Helena Franzini<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Alexander Calder and his magical mobiles, Jean Lipman e Margaret Aspinwall. (Whitney Museum of American Art); New York. Em ingl\u00eas. Dispon\u00edvel nas livrarias Siciliano e Saraiva<\/li>\n<li>Calder, Jacob Baal Teshuva da Taschen. Ed. Taschen. Alemanha. A vers\u00e3o em portugu\u00eas est\u00e1 dispon\u00edvel nas livrarias Siciliano e Saraiva.<\/li>\n<li>\u201cConhecimento do mundo\u201d. In Referencial Curricular, vol.3. Arquivos dispon\u00edveis no site: www.mec.gov.br<\/li>\n<li>Henri Wallon: uma concep\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica do desenvolvimento infantil, Izabel Galv\u00e3o. Ed. Vozes. Tel.: (24) 2233-9000.<\/li>\n<li>Jogo, brinquedo, brincadeira e a educa\u00e7\u00e3o, Tisuko Morchida Kichimoto (org.) Ed.Cortez.Tel.: (11)3873-7111.<\/li>\n<li>O espa\u00e7o do desenho: a educa\u00e7\u00e3o do educador, Ana Ang\u00e9lica Albano Moreira. Ed. Loyola. Tel.: (11) 6914-1922.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>CD<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Abre a roda Tindolel\u00ea. Pesquisa e dire\u00e7\u00e3o \u2013 Lydia Hort\u00e9lio. Participa\u00e7\u00e3o especial \u2013 Antonio N\u00f3brega. Dispon\u00edvel em lojas especializadas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Sites<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Faculdade de Belas Artes de S\u00e3o Paulo \u2013 http:\/\/www.belasartes.br<\/li>\n<li>Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 http:\/\/www.pinacoteca.sp.gov.br<\/li>\n<li>Sobre Alexandre Calder \u2013 http:\/\/www.calder.org (em ingl\u00eas).<\/li>\n<li>Sobre origamis \u2013 http:\/\/sites.mpc.com.br\/ricardo.namur.claro<\/li>\n<li>Sobre escrita japonesa \u2013 http:\/\/www.bugei.com.br\/japones\/monji.asp \u2013 http:\/\/www.sonoo.com.br\/Escritajaponesa.html<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Escola Gr\u00e3o de Ch\u00e3o, a proposta pedag\u00f3gica \u00e9 guiada pela arte. Oficinas di\u00e1rias com diferentes linguagens art\u00edsticas favorecem um trabalho est\u00e9tico de alta qualidade, e a cada ano uma caprichada exposi\u00e7\u00e3o revela a consist\u00eancia do trabalho realizado. Em 2006, o encanto ficou por conta de uma instala\u00e7\u00e3o com m\u00f3biles produzidos pelas crian\u00e7as e professores. Por Beatriz Bianco<\/p>\n","protected":false},"author":100,"featured_media":3564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[391,27],"tags":[1108,28,966,196,250,996,627,180],"class_list":{"0":"post-4988","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-30","8":"category-sustanca","9":"tag-revista-avisa-la-2007","10":"tag-arte","11":"tag-beatriz-bianco","12":"tag-cultura","13":"tag-exposicao","14":"tag-mobiles","15":"tag-oficina","16":"tag-planejamento","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/100"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4988"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4988\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}