{"id":4904,"date":"2006-07-12T11:17:26","date_gmt":"2006-07-12T14:17:26","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4904"},"modified":"2023-03-27T18:40:46","modified_gmt":"2023-03-27T21:40:46","slug":"de-olhos-bem-abertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/de-olhos-bem-abertos\/","title":{"rendered":"De olhos bem abertos"},"content":{"rendered":"<h5>As professoras da Escola Projeto Vida, na cidade de S\u00e3o Paulo, descobrem que vale a pena estimular a observa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as como ferramenta valiosa para desenvolver as habilidades de desenho e cria\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<div id=\"attachment_4906\" style=\"width: 294px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4906\" class=\"size-full wp-image-4906 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse1.jpg\" alt=\"avisala_27_matisse1.jpg\" width=\"284\" height=\"201\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4906\" class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as participantes do projeto<\/p><\/div>\n<p>Artes Visuais foi a \u00e1rea de conhecimento selecionada como conte\u00fado principal no processo de forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Escola Projeto Vida, neste ano de 2006. Propusemos \u00e0s professoras uma an\u00e1lise cuidadosa dos desenhos das crian\u00e7as. A partir disso, optamos por discutir as imagens estereotipadas e repetidas que costumam inundar os desenhos infantis, como as casinhas, o sol, a linha do horizonte com flores e as \u00e1rvores, entre outras. Definimos ent\u00e3o o objetivo de ampliar o repert\u00f3rio de possibilidades de representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica das crian\u00e7as, principalmente da representa\u00e7\u00e3o da figura humana. Entre tantas possibilidades, escolhemos investir no desenho ligado ao tema do movimento. Consideramos que seria um desafio instigante para as crian\u00e7as, j\u00e1 que em geral seus desenhos apresentam figuras est\u00e1ticas e vistas de frente.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nAo focar um aspecto da forma do desenho, no caso, o movimento, a inten\u00e7\u00e3o foi permitir uma melhor interven\u00e7\u00e3o did\u00e1tica. Quando ficam claros para o professor os indicadores que devem utilizar para analisar o trabalho da turma, melhora a qualidade de sua interven\u00e7\u00e3o e, conseq\u00fcentemente, a da produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Da observa\u00e7\u00e3o ao desenho<\/strong><br \/>\nComo ponto de partida, buscamos aux\u00edlio de artistas consagrados que t\u00eam no movimento uma de suas preocupa\u00e7\u00f5es. Tornar observ\u00e1veis as solu\u00e7\u00f5es encontradas por estes artistas ajudaria as crian\u00e7as a solucionar seus pr\u00f3prios problemas, al\u00e9m de ampliar sua capacidade de an\u00e1lise e a busca por tra\u00e7ados mais diferenciados. Dos an\u00f4nimos desenhistas das cavernas rupestres aos grandes pintores de todos os tempos, os artistas utilizam a observa\u00e7\u00e3o para elabora\u00e7\u00e3o de suas obras. Observar elementos da natureza, seres humanos em a\u00e7\u00e3o, objetos e paisagens contribui para o desenvolvimento de no\u00e7\u00f5es sobre propor\u00e7\u00e3o, volume, espa\u00e7o e planos. Al\u00e9m disso, quando se observa a produ\u00e7\u00e3o de outros artistas, \u00e9 poss\u00edvel focar o olhar sobre a textura das tintas, identificar instrumentos usados, a qualidade do suporte, as cores utilizadas, as linhas e os elementos da composi\u00e7\u00e3o, as figuras, os objetos e as a\u00e7\u00f5es representadas.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se pode pensar, o desenho de observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o limita a criatividade, mas colabora para que as produ\u00e7\u00f5es sejam mais ricas, como assegura o artista pl\u00e1stico Philip Hallawell<sup>1<\/sup>: \u201cH\u00e1 in\u00fameros exemplos de artistas, tanto cl\u00e1ssicos quanto modernos \u2013 Picasso<sup>2<\/sup>, por exemplo \u2013 que dominavam o desenho de observa\u00e7\u00e3o e mesmo assim foram criadores de uma arte inovadora e revolucion\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 o desenho que inibe a criatividade, mas uma atitude acad\u00eamica. Quando o desenho de observa\u00e7\u00e3o \u00e9 ensinado como se fosse baseado em regras, ent\u00e3o, realmente, vai prejudicar a criatividade do aluno, assim como qualquer professor que imp\u00f5e regras, estilos ou solu\u00e7\u00f5es inibir\u00e1 o aluno na busca de sua pr\u00f3pria express\u00e3o. O desenho de observa\u00e7\u00e3o \u2013 repito \u2013 \u00e9 um meio para se dominar o desenho, e \u00e9 somente dominando o desenho que se consegue fazer uma arte completamente livre, na qual as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o por op\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por exclus\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Portanto, um trabalho interessante que leve a crian\u00e7a a observar, sem regras limitantes, pode contribuir para ampliar as possibilidades de representa\u00e7\u00e3o. E foi o que ocorreu em nossa escola.<\/p>\n<div id=\"attachment_4907\" style=\"width: 387px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4907\" class=\"size-full wp-image-4907\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse5.jpg\" alt=\"avisala_27_matisse5.jpg\" width=\"377\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse5.jpg 377w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse5-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4907\" class=\"wp-caption-text\">\u201cO artista deve ver todas as coisas como se estivesse vendo pela primeira vez, \u00e9 preciso ver toda a vida como quando se era crian\u00e7a; e a perda desta possibilidade nos retira a de nos exprimirmos de uma maneira original, isto \u00e9, pessoal.\u201d (Henry Matisse \u2013 \u201cCom os Olhos de Crian\u00e7a\u201d, Arte em S\u00e3o Paulo, no 14, mar\u00e7o de 1983 )<\/p><\/div>\n<p><strong>Di\u00e1rio da professora<\/strong><br \/>\nComo planejado, afixei na lousa a obra de Matisse A dan\u00e7a e, com as crian\u00e7as em semic\u00edrculo, perguntei o que observavam na obra:<\/p>\n<p>Lucas: \u2013 Parece que est\u00e3o dan\u00e7ando!<br \/>\nRafael: \u2013 Parece que est\u00e3o fazendo uma roda!<br \/>\nMarina: \u2013 Parece que est\u00e3o brincando de ciranda, cirandinha.<br \/>\nHassan e Matheus: \u2013 Est\u00e3o pelados!<br \/>\nVitor: \u2013 Parece que est\u00e3o pulando!<br \/>\nGustavo: \u2013 Parece que est\u00e3o numa montanha.<br \/>\nProfessora: \u2013 Por que parece que eles est\u00e3o numa montanha?<br \/>\nGustavo: \u2013 Porque parece que alguns homens est\u00e3o no alto e os outros mais embaixo.<br \/>\nAna Clara: \u2013 \u00c9 mesmo! D\u00e1 a impress\u00e3o de que est\u00e3o muito alto!<br \/>\nMatheus: \u2013 Parece que est\u00e3o dan\u00e7ando nas pontas dos p\u00e9s.<br \/>\nGustavo: \u2013 Dan\u00e7ando numa perna s\u00f3.<br \/>\nCamila: \u2013 Olha! Eles est\u00e3o cruzando os p\u00e9s.<\/p>\n<p>Em seguida a estes coment\u00e1rios, chamei a aten\u00e7\u00e3o do grupo para o fato de que todos estavam comentando situa\u00e7\u00f5es em que as figuras da obra se mexiam. Ent\u00e3o perguntei como eles sabiam que as figuras de Matisse estavam dan\u00e7ando, brincando, pulando.<\/p>\n<p>Marinq: \u2013 Eles est\u00e3o se mexendo!<br \/>\nAna Clara: \u2013 As m\u00e3os parecem que est\u00e3o se mexendo e tamb\u00e9m tem as pernas.<br \/>\nProfessora: \u2013 O que t\u00eam as pernas?<br \/>\nAna Clara: \u2013 Cada uma est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMatheus e Gustavo: \u2013 \u00c9 por causa das m\u00e3os!<br \/>\nProfessora: \u2013 O que t\u00eam as m\u00e3os que mostram que as figuras est\u00e3o se mexendo?<br \/>\nLucas: \u2013 Parece que est\u00e3o se equilibrando.<br \/>\nGustavo: \u2013 Equilibrando para n\u00e3o cair.<br \/>\nRaphael: \u2013 D\u00e1 para perceber que est\u00e3o se mexendo pelas cabe\u00e7as.<br \/>\nProfessora: \u2013 Como assim?<br \/>\nRaphael: \u2013 Porque umas est\u00e3o abaixadas e outras est\u00e3o levantadas.<br \/>\nLucas: \u2013 Parece que as cabe\u00e7as est\u00e3o se torcendo!<br \/>\nMatheus: \u2013 \u00c9 se mexendo, e por isto uma est\u00e1 para cima, outro para o lado e outras para baixo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/matisse3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4908\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/matisse3.jpg\" alt=\"matisse3\" width=\"485\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/matisse3.jpg 485w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/matisse3-300x154.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 485px) 100vw, 485px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Brincadeira de roda<\/strong><br \/>\nFechei a discuss\u00e3o elencando as observa\u00e7\u00f5es que o grupo havia ressaltado (movimento dos p\u00e9s, das cabe\u00e7as, das m\u00e3os, a impress\u00e3o das figuras em cima de uma montanha), bem como as caracter\u00edsticas que fazem com que percebamos que as figuras est\u00e3o em movimento. Convidei, ent\u00e3o, o grupo para brincar de roda. Em seguida, propus que cada um desenhasse uma roda e reforcei que este desenho deveria dar a impress\u00e3o de movimento, para que qualquer pessoa pudesse descobrir, como o grupo havia feito com a obra de Matisse. As crian\u00e7as aceitaram e se lan\u00e7aram ao desafio.<\/p>\n<p>Depois de algum tempo, Luiza me procurou entregando seu trabalho com algumas figuras de m\u00e3os dadas e dizendo que n\u00e3o conseguia fazer a roda. Perguntei o que estava faltando fazer para parecer que era uma roda e ela disse que era necess\u00e1rio desenhar mais crian\u00e7as na frente das outras figuras, mas n\u00e3o estava conseguindo. Disse que eu sabia que ela conseguiria e pedi para tentar de novo. Ela voltou mais uma vez e observei o seu esfor\u00e7o em tentar representar esta roda. Depois, muito contente e orgulhosa, disse do seu lugar: \u201cEu consegui!\u201d. A Ana Clara tamb\u00e9m me procurou com a folha um pouco amassada de tanto apagar. Conversamos e reforcei que ela tinha condi\u00e7\u00f5es de fazer este desenho. Ela voltou e se empenhou e achou uma solu\u00e7\u00e3o muito inteligente para resolver o desafio.<\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o em grupo<\/strong><br \/>\nCada um observou, ent\u00e3o, o trabalho do outro e tinha que ressaltar o que transmitia a id\u00e9ia de uma roda em movimento. A discuss\u00e3o e a postura do grupo foram interessantes, pois conseguiram fazer suas observa\u00e7\u00f5es sem se preocupar em dizer se estava feio ou bonito (geralmente eles ficam presos a este ju\u00edzo de valor). Isto mostra que as crian\u00e7as come\u00e7am a focar o seu olhar e a fazer observa\u00e7\u00f5es em cima do que foi trabalhado. Basicamente as crian\u00e7as disseram se o desenho estava parecendo uma roda ou n\u00e3o, e justificavam suas coloca\u00e7\u00f5es. Em v\u00e1rios trabalhos, disseram que n\u00e3o parecia uma roda e sim uma fila, e algumas crian\u00e7as, autoras do desenho, concordaram e pediram para continuar o desenho. A Camila, que tamb\u00e9m representou figuras uma ao lado da outra, n\u00e3o concordou com a avalia\u00e7\u00e3o do grupo e argumentou que havia desenhado uma parte da roda, ou seja, da perspectiva de uma pessoa que est\u00e1 na roda. Dizia que o resto das figuras da roda \u00e9 como se estivessem fora do papel.<\/p>\n<div id=\"attachment_4909\" style=\"width: 312px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4909\" class=\"size-full wp-image-4909\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse2.jpg\" alt=\"avisala_27_matisse2.jpg\" width=\"302\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse2.jpg 302w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse2-300x236.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4909\" class=\"wp-caption-text\">A dan\u00e7a, 1910. Henry Matisse. \u00d4leo sobre tela 34 Saint Petersburg, Hermitage Museum (Ilustra\u00e7\u00f5es retiradas do livro Matisse, de Volkmar Essers)<\/p><\/div>\n<p>Outro detalhe que chamou a aten\u00e7\u00e3o da turma foi que em alguns desenhos as figuras que deveriam estar de costas numa roda estavam de frente, pois tinham olhos, boca, nariz. Foi uma discuss\u00e3o muito divertida, pois, para mostrar que aquela roda estava estranha, as crian\u00e7as levantaram e fizeram uma roda dessa forma.<\/p>\n<p>Em alguns trabalhos, tamb\u00e9m se destacou o fato de algumas figuras serem mais altas que as outras. O grupo ficou admirado (e eu tamb\u00e9m) com a solu\u00e7\u00e3o da Ana Clara para representar a sua roda: em vez de desenhar v\u00e1rias crian\u00e7as, ela desenhou duas pessoas de costas e parte da cabe\u00e7a e da roupa da pessoa que estava na frente. Foi muito legal. Algumas crian\u00e7as observaram que n\u00e3o parecia uma roda e sim dois casais dan\u00e7ando.<\/p>\n<p>(<strong>D\u00e9bora Rana<\/strong>, formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e coordenadora pedag\u00f3gica da Escola Projeto Vida e <strong>Nancy Ferreira das Neves<\/strong>, professora da Escola Projeto Vida)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Artista pl\u00e1stico e consultor de imagem. Seu trabalho investiga principalmente a figura humana.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Pintor espanhol naturalizado franc\u00eas. Considerado por muitos o maior artista do s\u00e9culo 20, Pablo Picasso tamb\u00e9m foi escultor, artista gr\u00e1fico e ceramista.<\/p>\n<h4>Dan\u00e7ando com Matisse<\/h4>\n<p>Trabalhamos com o pintor franc\u00eas Henri Matisse (ver Box na p\u00e1g. 38), que trouxe grandes contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 pintura, principalmente inovando no uso da cor. Acima de tudo, ele n\u00e3o acreditava que a fun\u00e7\u00e3o de um pintor era descrever o que via, mas sim condensar a seu modo uma experi\u00eancia. Ele se preocupava com a express\u00e3o da natureza humana. Al\u00e9m de ousar no emprego das cores, reinventou o espa\u00e7o e a forma, nas palavras de John Peter Russell<sup>3<\/sup>. Aproveitando a representa\u00e7\u00e3o das figuras em movimento desse artista, desenvolvemos o trabalho de observa\u00e7\u00e3o e desenho das crian\u00e7as. Em paralelo, foi realizada uma a\u00e7\u00e3o formativa voltada para o professor. Era importante proporcionar-lhe o contato com a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, o conhecimento sobre a evolu\u00e7\u00e3o do desenho infantil, oportunidades de express\u00e3o por meio do desenho com foco em determinados objetivos, desenvolvimento do h\u00e1bito da observa\u00e7\u00e3o, da capacidade de analisar suas pr\u00f3prias produ\u00e7\u00f5es e as das crian\u00e7as. (D\u00e9bora Rana)<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Pintor australiano (1858-1931).<\/p>\n<div id=\"attachment_4910\" style=\"width: 335px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4910\" class=\"size-full wp-image-4910\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse7.jpg\" alt=\"avisala_27_matisse7.jpg\" width=\"325\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse7.jpg 325w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse7-300x194.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 325px) 100vw, 325px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4910\" class=\"wp-caption-text\">O circo, 1947. Ilustrac\u00e3o para o livro Jazz<\/p><\/div>\n<h4>Quem foi Henri Matisse<\/h4>\n<p>Henri-\u00c9mile-Beno\u00eet Matisse nasceu em Le Cateau, Picardia, na Fran\u00e7a, em 31 de dezembro de 1869. Estudou na \u00c9cole des Arts D\u00e9coratifs e no ateli\u00ea de Gustave Moreau<sup>4<\/sup>, com os primeiros fauvistas5. A arte de Matisse baseia-se num m\u00e9todo que, segundo ele pr\u00f3prio, consiste em abordar separadamente cada elemento da obra \u2013 desenho, cor, composi\u00e7\u00e3o \u2013 e em junt\u00e1-los numa s\u00edntese, \u201csem que a eloq\u00fc\u00eancia de um deles seja diminu\u00edda pela presen\u00e7a dos outros\u201d. Abandonou assim a perspectiva, as t\u00e9cnicas do desenho e o efeito de claro-escuro, para tratar a cor como valor em si mesma.<\/p>\n<p>Em sua primeira fase, Matisse se mostrava como descendente direto de C\u00e9zanne<sup>6<\/sup>, em busca do equil\u00edbrio das massas, mas outras influ\u00eancias, como as de Gauguin<sup>7<\/sup>, Van Gogh<sup>8<\/sup> e Signac<sup>9<\/sup>, levaram-no a tratar a cor como elemento de composi\u00e7\u00e3o. Dos pintores fauvistas, que exploraram o sensualismo das cores fortes, ele foi o \u00fanico a evoluir para o equil\u00edbrio entre a cor e o tra\u00e7o em composi\u00e7\u00f5es planas, sem profundidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_4911\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4911\" class=\"size-full wp-image-4911\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse4.jpg\" alt=\"avisala_27_matisse4.jpg\" width=\"208\" height=\"294\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4911\" class=\"wp-caption-text\">Nu Azul IV, 1952, Guache recortado<\/p><\/div>\n<p>Ao explorar ora o ritmo das curvas, como em A m\u00fasica (1909) e A dan\u00e7a (1933), ora o contraste entre linhas e chapadas, como em Grande natureza morta com berinjelas (1911-1912), Matisse procurou uma composi\u00e7\u00e3o livre, sem outra liga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o o senso de harmonia pl\u00e1stica. Sua cor n\u00e3o se dissolvia em matizes, mas era delimitada pelo tra\u00e7o. Em sua fase final, Matisse voltou-se para a esquematiza\u00e7\u00e3o das figuras, de que s\u00e3o exemplos a decora\u00e7\u00e3o mural A dan\u00e7a, para a Barnes Foundation, em Merion, nos Estados Unidos, e os papiers coll\u00e9s ou gouaches d\u00e9coup\u00e9es (t\u00e9cnica que chamou de \u201cdesenho com tesoura\u201d) que ilustram Jazz (1947), livro com suas impress\u00f5es sobre a arte e a vida. Entre 1948 e 1951 dedicou-se \u00e0 concep\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica e \u00e0 decora\u00e7\u00e3o interior da capela do Ros\u00e1rio em Saint-Paul, perto de Vence, no sul da Fran\u00e7a. O autor considerava essa sua melhor obra, e nela concebeu todos os detalhes, dos vitrais ao mobili\u00e1rio, voltado para uma concep\u00e7\u00e3o mais asc\u00e9tica das formas, embora nos arabescos florais predomine uma linha sinuosa. Henri Matisse morreu em Nice, Fran\u00e7a, em 3 de novembro de 1954.<\/p>\n<p>http:\/\/www.pitoresco.com.br\/universal\/matisse\/matisse.htm<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Pintor simbolista franc\u00eas (1826-1898).<br \/>\n<sup>5<\/sup>O Fauvismo (feras selvagens) foi um movimento de curta dura\u00e7\u00e3o, na passagem do s\u00e9culo 19 para o s\u00e9culo 20, e teve como l\u00edder incontest\u00e1vel Henri Matisse, contando tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o de outros grandes artistas.<br \/>\n<sup>6<\/sup>Pintor modernista franc\u00eas (1839-1906).<br \/>\n<sup>7<\/sup>Pintor impressionista franc\u00eas (1848-1903).<br \/>\n<sup>8<\/sup>Pintor holand\u00eas, considerado um dos principais representantes da pintura mundial (1853-1890).<br \/>\n<sup>9<\/sup>Pintor franc\u00eas, um dos criadores do \u201cpontilhismo\u201d, t\u00e9cnica que consistia na aplica\u00e7\u00e3o de cores puras em pequenas pinceladas consecutivas (1863-1935).<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Escola Projeto Vida<br \/>\nRua S\u00f3ror Ang\u00e9lica, 364 \u2013 Santana<br \/>\nS\u00e3o Paulo &#8211; SP<br \/>\nCEP: 02452-900<br \/>\nTel.: (11) 6236-1459\/ 6236-8345<br \/>\nSite: www.projetovida.com.br<br \/>\nCoordenadora Pedag\u00f3gica: D\u00e9bora Rana<br \/>\nProfessora: Nancy Ferreira das Neves<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4912\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse8.jpg\" alt=\"avisala_27_matisse8\" width=\"396\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse8.jpg 396w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse8-300x228.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u00c1 M\u00e3o Livre 2 \u2013 T\u00e9cnicas e Materiais de Desenho. Philip Hallawell. Ed. Melhoramentos. Tel.: (11) 3874-0900.<\/li>\n<li>Cole\u00e7\u00e3o Grandes Artistas. John Russel. Ed. Verbo Brasil. Site: www.editoraverbo.com.br<\/li>\n<li>Descobrindo Grandes Artistas \u2013 A Pr\u00e1tica da Arte para Crian\u00e7as, MaryAnn F. Kohl e Kim Solga. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444.<\/li>\n<li>Jazz (em ingl\u00eas). Henri Matisse. Ed. Norton. Dispon\u00edvel na Livraria Cultura. Tel.: (11) 3170-4033.<\/li>\n<li>Para Gostar de Aprender Arte \u2013 Sala de Aula e Forma\u00e7\u00e3o de Professores, Rosa Iavelberg. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444.<\/li>\n<li>The Meanings of Modern Art, John Russell. Thames &amp; Hudson, Publishers. Dispon\u00edvel na Livraria Cultura. Tel.: (11) 3170-4033.<\/li>\n<li>Visagismo \u2013 Harmonia e Est\u00e9tica. Philip Hallawell. Editora Senac de S\u00e3o Paulo. Tel.: (11) 3226-3100.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Sites<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Enciclop\u00e9dia Artes Visuais \u2013 www.itaucultural.org.br (se\u00e7\u00e3o Biblioteca)<\/li>\n<li>Hist\u00f3ria da Arte \u2013 www.historiadaarte.com.br<\/li>\n<li>Museu de Arte Contempor\u00e2nea (MAC\/USP) \u2013 www.macvirtual.usp.br<\/li>\n<li>Museu do Louvre \u2013 www.louvre.fr (em franc\u00eas)<\/li>\n<li>Museu Virtual de Arte Brasileira \u2013 www.museuvirtual.com.br<\/li>\n<li>Museus de Arte no Mundo \u2013 www.museus.art.br\/mundo.htm<\/li>\n<li>Picasso \u2013 http:\/\/www2.uol.com.br\/museus\/picasso<\/li>\n<li>Pintores Famosos \u2013 www.pintoresfamosos.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4913\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse6.jpg\" alt=\"avisala_27_matisse6\" width=\"453\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse6.jpg 453w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/07\/avisala_27_matisse6-300x261.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As professoras da Escola Projeto Vida, na cidade de S\u00e3o Paulo, descobrem que vale a pena estimular a observa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as como ferramenta valiosa para desenvolver as habilidades de desenho e cria\u00e7\u00e3. Por D\u00e9bora Rana e Nancy Ferreira das Neves<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":3421,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[388,27],"tags":[1107,28,902,31,641,984,226,983,161,985,889],"class_list":{"0":"post-4904","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-27","8":"category-sustanca","9":"tag-revista-avisa-la-2006","10":"tag-arte","11":"tag-debora-rana","12":"tag-expressao","13":"tag-ilustracao","14":"tag-matisse","15":"tag-movimentos","16":"tag-nancy-ferreira-das-neves","17":"tag-olhar","18":"tag-perspectiva","19":"tag-solucoes","21":"post-with-thumbnail","22":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4904\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}