{"id":4839,"date":"2005-10-11T17:10:34","date_gmt":"2005-10-11T20:10:34","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4839"},"modified":"2023-03-27T18:05:24","modified_gmt":"2023-03-27T21:05:24","slug":"recortes-poeticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/recortes-poeticos\/","title":{"rendered":"Recortes Po\u00e9ticos"},"content":{"rendered":"<h5>S\u00e3o muitos os recortes que podemos fazer da realidade. Faz\u00ea-los com autoria \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de sensibilidade com o conhecimento de procedimentos que resultam numa grande brincadeira da cria\u00e7\u00e3o. A poesia do mundo est\u00e1 ai: temperar inten\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, gesto e movimento, para surpreender-se com os rumos escolhidos. Assim fazem os artistas e as crian\u00e7as<\/h5>\n<div id=\"attachment_4842\" style=\"width: 368px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4842\" class=\"size-full wp-image-4842 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca1.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca1.jpg\" width=\"358\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca1.jpg 358w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca1-300x264.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><p id=\"caption-attachment-4842\" class=\"wp-caption-text\">\u201cA arte \u00e9 como uma janela poderosa que nos atrai; e junta a beleza da pessoa com o mundo.\u201d Lauro Mendes Gabriel, professor Ticuna<\/p><\/div>\n<p><strong>O artista<\/strong><br \/>\nCarlos Dala Stella, escritor e artista pl\u00e1stico, nascido em Curitiba (PR) \u00e9 um apaixonado pelo mundo do papel, suporte da escrita e da imagem. Seus textos est\u00e3o repletos de imagens, assim como seu desenho e sua pintura s\u00e3o marcados pelo universo da escrita e seus contextos. Como artista de genu\u00edna curiosidade e intensificado interesse pelo uso dos diferentes meios e suportes, Carlos transita pelo papel, tela, pain\u00e9is de cimento, parede, vidro, fotografia, escultura em papel e por a\u00ed vai. Esta mistura, que faz como brasileiro imerso neste caldo cultural que \u00e9 nosso Pa\u00eds, est\u00e1 presente no livro Bicicletas de Montreal, lan\u00e7ado em 2002, e agora reeditado, com tr\u00eas capas diferentes, para representar, em agosto de 2005, o Pa\u00eds no ano do Brasil na Fran\u00e7a, evento que re\u00fane muitos artistas nacionais.<\/p>\n<p>O livro traz diferentes imagens de bicicletas abandonadas nas ruas de Montreal \u2013 capital do Canad\u00e1 \u2013, registradas por meio da fotografia e reinterpretadas em desenho, gravura, recorte e colagem. Ao folhear o livro, podemos passear com o artista pelas ruas de sua imagina\u00e7\u00e3o, numa viagem simb\u00f3lica, cuja trama das linhas importa mais do que o objeto bicicleta em si.<!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_4841\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4841\" class=\"size-full wp-image-4841 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca2.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca2.jpg\" width=\"398\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca2.jpg 398w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca2-300x241.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><p id=\"caption-attachment-4841\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Poucas vezes me perguntei quem havia abandonado essas bicicletas, e em que circunst\u00e2ncias. O fato \u00e9 que elas estavam l\u00e1, em todas as ruas, um fato aparentemente corriqueiro, perfeitamente integrado ao dia-a-dia da cidade. O que me interessava era o fato gr\u00e1fico, o retorcido dos aros, dos p\u00e1ra-lamas, dos pedais, o denteado da correia na cal\u00e7ada, a sombra harmonicamente deformada no asfalto, o arabesco dos raios entre os galhos secos de um arbusto, parcialmente cobertos pela neve. O que me atra\u00eda era a trama de linhas met\u00e1licas e vegetais, indistintas. (Bicicletas de Montreal, Carlos Dala Stella)<br \/>Ilustra\u00e7\u00e3o: Bicicleta sobre fachada de A. Volpi, de Carlos Dala Stella. Recorte e colagem<\/p><\/div>\n<p><strong>A obra Recortes Po\u00e9ticos<\/strong><br \/>\nSeria uma colagem, uma composi\u00e7\u00e3o? A express\u00e3o que encontrei para definir seu trabalho \u2013 Recortes Po\u00e9ticos \u2013 traz uma dimens\u00e3o da ess\u00eancia de Dala Stella: aquela, segundo a qual o olhar pessoal, e at\u00e9 mesmo casual, seleciona, reordena, recria e se apropria do mundo sob uma nova \u00f3tica. Recorte porque elege, seleciona fragmentos do mundo numa composi\u00e7\u00e3o peculiar. Po\u00e9tico porque, de certa forma, o poeta \u00e9 aquele que escolhe as imagens, met\u00e1foras que v\u00e3o compor sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recortes Po\u00e9ticos s\u00e3o dados pelo olhar curioso, olhar de quem desvenda e n\u00e3o aceita o lugar comum, a superficialidade. O que elegemos, assim como o que deixamos de lado, \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o do nosso olhar diante do mundo. Quanto mais nutridos pela sensibilidade e informados pelo conhecimento, maior nossa possibilidade de cria\u00e7\u00e3o e de criar inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_4843\" style=\"width: 266px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4843\" class=\"size-full wp-image-4843 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca3.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca3.jpg\" width=\"256\" height=\"203\" \/><p id=\"caption-attachment-4843\" class=\"wp-caption-text\">A bicicleta dos sonhos. Carlos Dala Stella. Grafite, colagem com fotografias e l\u00e1pis de cor sobre papel japon\u00eas<\/p><\/div>\n<p><strong>Mundo do artista e da crian\u00e7a<\/strong><br \/>\nCabe \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, em especial \u00e0 escola, olhar atentamente para a crian\u00e7a e perceber nela sua natureza criativa, propondo um ambiente favor\u00e1vel, com atividades instigantes, nas quais elas possam se expressar e ganhar intimidade com a linguagem art\u00edstica. A const\u00e2ncia das propostas, aliada \u00e0 diversidade de materiais, ajuda a crian\u00e7a em seu percurso criador. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, \u00e9 preciso valorizar o percurso criativo individual. Embora a realidade brasileira, no que diz respeito ao ensino da arte, tenha conseguido avan\u00e7os, ainda \u00e9 comum vermos propostas de trabalho em artes que desconsideram a cria\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Prova disso \u00e9 a quantidade de atividades de colorir desenhos prontos, ou mesmo propostas cujo resultado de todos os trabalhos de grupo \u00e9 praticamente id\u00eantico, portanto de autoria comprometida.<\/p>\n<p><strong>Conhecer artista n\u00e3o \u00e9 copiar<\/strong><br \/>\n\u00c9 interessante que a crian\u00e7a possa ter conhecimento da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica regional, nacional e internacional, ter contato com diferentes artistas e suas obras para saber o que fazem, sobretudo como fazem (procedimentos), para que enrique\u00e7am seu repert\u00f3rio. Isto n\u00e3o quer dizer que devam copiar o trabalho do artista. \u00c9 preciso atentar para o projeto pessoal dos pequenos. Assim sendo, no caso do artista citado, e dessas produ\u00e7\u00f5es que destacamos, as crian\u00e7as podem ser levadas por ele a observar diferentes objetos e materiais variados, compondo-os num mesmo trabalho. N\u00e3o precisam necessariamente utilizar como mote as bicicletas, mesmo porque estas foram um pretexto gr\u00e1fico pessoal. Para a crian\u00e7a experimentar a partir do seu desenho, qualquer forma ou objeto serve, tal como brinquedos, paisagens, animais de estima\u00e7\u00e3o, etc. O que importa \u00e9 aprender o uso h\u00edbrido de materiais e atentar para o pretexto gr\u00e1fico dos objetos, criando novas formas de represent\u00e1-los.<\/p>\n<p>A criatividade \u00e9 dada pela linguagem, pelo procedimento, pelos passos que abrem para o novo. O que as crian\u00e7as podem aprender com o artista \u00e9 como ele procedeu, que prazer ele experimentou nesse procedimento. E, naturalmente, como esse fazer pode inspirar e nutrir o delas. Ao realizar propostas \u00e9 importante ter em mente que o objetivo que se tem d\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 no caminho, no processo, que as coisas acontecem e muitas vezes alteram o sentido inicial. O objetivo \u00e9 sempre uma coordenada, n\u00e3o uma camisa de for\u00e7a. A forma de alcan\u00e7\u00e1-lo difere de crian\u00e7a para crian\u00e7a, caso contr\u00e1rio resultar\u00e1 em repeti\u00e7\u00e3o sem fim.<\/p>\n<div id=\"attachment_4844\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4844\" class=\"size-full wp-image-4844 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca6.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca6.jpg\" width=\"220\" height=\"232\" \/><p id=\"caption-attachment-4844\" class=\"wp-caption-text\">Thiago brinca com o visual de suas rodas de bicicleta<\/p><\/div>\n<p>O processo criativo \u00e9 especulativo, nunca est\u00e1 pronto. Neste sentido, o fazer art\u00edstico \u00e9 relacional depende da constru\u00e7\u00e3o sujeito-objeto. A liberdade criativa implica romper com a forma, com o estabelecido, com o convencional. A crian\u00e7a, tal como o artista, necessita implicar-se com o pr\u00f3prio desejo para que o trabalho art\u00edstico tenha um impacto expressivo. Sem implica\u00e7\u00e3o do sujeito, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de produ\u00e7\u00e3o individual, de autoria. Mas isso s\u00f3 n\u00e3o basta. \u00c9 preciso experimenta\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7o pessoal e conhecimento. \u00c9 desej\u00e1vel o casamento da inten\u00e7\u00e3o com a a\u00e7\u00e3o. Inten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o deixa de ser a consci\u00eancia do desejo com a a\u00e7\u00e3o, a coordena\u00e7\u00e3o do sujeito com o objeto, o conhecimento dos meios e dom\u00ednio para se atingir o prop\u00f3sito buscado.<\/p>\n<p><strong>Poss\u00edveis propostas para as crian\u00e7as <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Apreciar o trabalho do artista, observando as solu\u00e7\u00f5es que encontrou. Ler para as crian\u00e7as os materiais e t\u00e9cnicas utilizadas. Pode-se folhear o livro, ou projet\u00e1-lo atrav\u00e9s de c\u00f3pias em transpar\u00eancias colocadas no retroprojetor.<\/li>\n<li>Oferecer \u00e0s crian\u00e7as tesoura e pap\u00e9is coloridos (papel creative paper, espelho, papel cart\u00e3o, off set, revista, cart\u00f5es, caixa de presente, pap\u00e9is pintados com tinta guache, etc.) com a proposta de brincar de encontrar formas inusitadas por meio do recorte.<\/li>\n<li>Guardar os recortes numa caixa, pl\u00e1stico ou bandeja para posterior composi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Separar pap\u00e9is brancos, coloridos e mesmo ilustrados que sirvam como suporte para as crian\u00e7as criarem composi\u00e7\u00f5es com as imagens recortadas.<\/li>\n<li>Sugerir \u00e0s crian\u00e7as que explorem as possibilidades de composi\u00e7\u00e3o com os recortes.<\/li>\n<li>Oferecer cola para registrar no papel a cria\u00e7\u00e3o que fizeram com os recortes, depois de terem tido tempo de explorar as possibilidades da cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 interessante deixar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o tesoura para eventuais acabamentos da proposta.<\/li>\n<li>Quando as crian\u00e7as ganham familiaridade com a t\u00e9cnica, introduzir o uso de propostas mistas: uso de caneta hidrocor, giz de cera, l\u00e1pis carv\u00e3o e mesmo tinta ou corretivo para compor com o trabalho. (Como no ateli\u00ea dos artistas, os materiais precisam estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e de f\u00e1cil acesso.)<\/li>\n<li>Voltar ao trabalho do artista, apreciar a forma de ele trabalhar. Socializar com o grupo os pretextos escolhidos para a cria\u00e7\u00e3o do artista (ler trechos do livro que contam o motivo da escolha de retratar bicicletas) e discutir os pretextos das crian\u00e7as. Atentar tamb\u00e9m para o uso dos materiais, por exemplo, o corretivo.<\/li>\n<li>Procurar objetos cuja forma interesse \u00e0s crian\u00e7as; fotograf\u00e1-los para que possam ser utilizados como parte de uma composi\u00e7\u00e3o depois de revelados. Neste caso as crian\u00e7as t\u00eam acesso \u00e0s fotos para recortar parte do que lhes interessa e colar num papel para dar continuidade \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o, utilizando t\u00e9cnicas escolhidas no ateli\u00ea.<\/li>\n<li>Escolher dois ou tr\u00eas temas (paisagens, brinquedos, etc.) e sugerir que o grupo, a partir da an\u00e1lise do trabalho do livro das bicicletas, tamb\u00e9m realize seus desenhos com tem\u00e1ticas que fujam do lugar comum ao olhar. O desafio, aqui, oferecido \u00e0s crian\u00e7as, \u00e9 procurar realizar um trabalho de forma in\u00e9dita, diferente do convencional.<\/li>\n<li>Caso n\u00e3o haja possibilidade de fotografar, podem-se escolher imagens de revistas com tem\u00e1ticas de interesse do grupo de crian\u00e7as, tais como: brinquedos, animais de estima\u00e7\u00e3o, insetos, bicicletas, rostos, etc., para que possam recortar partes destas imagens que servir\u00e3o como pretexto para dialogar com a forma, linha, cor, usando de v\u00e1rios meios para dar continuidade ao trabalho.<\/li>\n<li>Propor rodadas de aprecia\u00e7\u00e3o de trabalhos, nas quais as crian\u00e7as possam contar o que fizeram, as solu\u00e7\u00f5es encontradas para seus recortes po\u00e9ticos.<\/li>\n<li>Combinar com o grupo a organiza\u00e7\u00e3o e montagem de uma exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhos realizados,na qual cada crian\u00e7a escolher\u00e1, dentre os trabalhos, tr\u00eas daqueles que julga ter maior pertin\u00eancia com o prop\u00f3sito inicial (mostrar o in\u00e9dito).<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_4845\" style=\"width: 251px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4845\" class=\"size-full wp-image-4845 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca4.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca4.jpg\" width=\"241\" height=\"195\" \/><p id=\"caption-attachment-4845\" class=\"wp-caption-text\">Depois de apreciar o livro Bicicletas de Montreal, Victor, 5 anos, anima-se com sua produ\u00e7\u00e3o de bicicleta com rodas dentadas<\/p><\/div>\n<p><strong>Uma breve Hist\u00f3ria da Bicicleta<\/strong><br \/>\nO primeiro relato sobre bicicletas ou algo similar \u00e9 datado entre os s\u00e9culos XV e XVI, sob o esbo\u00e7o de um veloc\u00edpede projetado pelo cientista e inventor Leonardo da Vinci (1452\u20131519). Este projeto era audacioso para sua \u00e9poca, constando de manivelas, pedais e, ainda, engrenagem com transmiss\u00e3o por corrente, algo que s\u00f3 foi usado mais de tr\u00eas s\u00e9culos depois.<\/p>\n<p>Existem, tamb\u00e9m, relatos em forma de desenhos aplicados em vitral em uma Igreja constru\u00edda em 1642, na regi\u00e3o de Stoke Poges, Buckinghamshire, Inglaterra, ilustrados sob a figura de um anjo montado em um cavalo marinho com duas rodas. A id\u00e9ia somente se concretizou a partir do s\u00e9culo XVIII, com o modelo chamado \u201cBicicleta de Kassler\u201d, que data de 1761. Este exemplar encontra-se em exposi\u00e7\u00e3o no Deutsches Museum de M\u00f4naco. Este ve\u00edculo causa uma s\u00e9rie de d\u00favidas quanto a sua fabrica\u00e7\u00e3o e nacionalidade. Discute-se sobre a possibilidade de ser um modelo alem\u00e3o ou at\u00e9 um modelo franc\u00eas que teria sido exportado \u00e0 Alemanha. Acredita-se mais na segunda hip\u00f3tese, que pende para o lado franc\u00eas.<\/p>\n<p>(Adriana Klisys, formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e coordenadora da Caleidosc\u00f3pio Brincadeira e Arte)<\/p>\n<div id=\"attachment_4846\" style=\"width: 362px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4846\" class=\"size-full wp-image-4846 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca7.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca7.jpg\" width=\"352\" height=\"143\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca7.jpg 352w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca7-300x121.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><p id=\"caption-attachment-4846\" class=\"wp-caption-text\">Nas imagina\u00e7\u00f5es de Vinicius, 5 anos, uma bicicleta fecunda em rodas, que recortou para sua colagem com desenho<\/p><\/div>\n<h4>Cuidado com a M\u00e3o de Gato<\/h4>\n<p>\u00c9 importante, numa proposta de artes, organiz\u00e1-la de tal modo que as individualidades se manifestem com for\u00e7a expressiva. Para isso \u00e9 preciso apreciar generosamente a produ\u00e7\u00e3o infantil. Mir\u00e1-la com interesse para que as sutilezas do percurso criativo,possam ganhar vida por meio da rela\u00e7\u00e3o do professor com o trabalho das crian\u00e7as. O processo criativo \u00e9 eminentemente um procedimento de escolha. Neste sentido, n\u00e3o h\u00e1 o certo ou o errado em arte. Propostas no imperativo, do estilo \u201cdesenhe primeiro isto ou aquilo, use esta cor, ou fa\u00e7a desse jeito\u201d jamais deveriam ter lugar na escola. Infelizmente, isto ainda acontece com freq\u00fc\u00eancia. Neste exemplo do trabalho com as bicicletas, a crian\u00e7a pode querer fazer uma bicicleta torta, outra com muitas rodas, faltando partes, pintar apenas alguns elementos, deixar sem pintar o resto, rabiscar por cima da mesma, usar apenas uma s\u00f3 cor no desenho inteiro, colorir de cores diferentes da expectativa adulta.<\/p>\n<p>O trabalho n\u00e3o \u00e9 para ser c\u00f3pia da realidade. Quando, por exemplo, o desenho extrapola o papel, pode-se oferecer \u00e0 crian\u00e7a a possibilidade de colar um papel no outro para a continuidade do desenho, ao inv\u00e9s de achar que ela n\u00e3o respeita os limites do suporte. Os artistas escolhem o jeito de trabalhar, por que n\u00e3o deixar que as crian\u00e7as possam achar seus caminhos, inclusive valorizando e alimentando a autonomia na cria\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<div id=\"attachment_4847\" style=\"width: 309px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4847\" class=\"size-full wp-image-4847 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca5.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca5.jpg\" width=\"299\" height=\"210\" \/><p id=\"caption-attachment-4847\" class=\"wp-caption-text\">Fragmentos da obra do artista Carlos Dala Stella ganham nova vida nas m\u00e3os do artista mirim Victor<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Os trabalhos que ilustram este artigo foram realizados com crian\u00e7as de 5 anos do Centro de Conviv\u00eancia Infantil do Instituto Adolfo Lutz, em S\u00e3o Paulo, da sala das professoras Maria Rosivane Batista Madeiro e Vera L\u00facia Nunes, com a supervis\u00e3o da Caleidosc\u00f3pio Brincadeira e Arte.<\/p>\n<p>Centro de Conviv\u00eancia Infantil do Instituto Adolfo Lutz &#8211; Rua Itaquera, 519 \u2013 Pacaembu S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 01246-030 &#8211; Tel.: (11) 3661-7547. E-mail: ccial@ig.com.br<\/p>\n<p>Diretora: Ana Maria Dahi Rizzo<br \/>\nCoordenadora: Ana Christina Romani<br \/>\nCaleidosc\u00f3pio Brincadeira e Arte<br \/>\nTel.: (11) 3726-8592<br \/>\nSite: www.caleido.com.br<\/p>\n<div id=\"attachment_4848\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4848\" class=\"size-full wp-image-4848 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca8.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca8.jpg\" width=\"230\" height=\"199\" \/><p id=\"caption-attachment-4848\" class=\"wp-caption-text\">Ana Paula, 5 anos, disp\u00f5e v\u00e1rias rodas recortadas e unidas por tra\u00e7os de linha, numa bonita composi\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<div id=\"attachment_4849\" style=\"width: 143px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4849\" class=\"size-full wp-image-4849 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/avisala_24_sustanca9.jpg\" alt=\"avisala_24_sustanca9.jpg\" width=\"133\" height=\"137\" \/><p id=\"caption-attachment-4849\" class=\"wp-caption-text\">De Montreal \u00e0 Mong\u00f3lia, de Carlos Dala Stella. Recorte e colagem sobre cart\u00e3o postal<\/p><\/div>\n<ul>\n<li>O Ca\u00e7ador de Vaga-Lumes, Carlos Dalla Stela. Ed. UEPG. Tel.: (42) 3220-3744<\/li>\n<li>Riachuelo, 266 \u2013 Cr\u00f4nicas, Carlos Dalla Stela. Ed. Criar Edi\u00e7\u00f5es. Tel.: (41) 3573-0456<\/li>\n<li>Bicicletas de Montreal, Carlos Dalla Stela. Ed. Limiar. Tel.: (11) 3813-0309<\/li>\n<li>Site do artista: www.geocities.com\/cdalastella. E-mail: cdalastella@yahoo.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o muitos os recortes que podemos fazer da realidade. Faz\u00ea-los com autoria \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de sensibilidade com o conhecimento de procedimentos que resultam numa grande brincadeira da cria\u00e7\u00e3o. A poesia do mundo est\u00e1 ai: temperar inten\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, gesto e movimento, para surpreender-se com os rumos escolhidos. Assim fazem os artistas e as crian\u00e7as. Por Adriana Klisys<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":3256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[385,27],"tags":[1106,437,28,241,32,778,541],"class_list":{"0":"post-4839","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-24","8":"category-sustanca","9":"tag-revista-avisa-la-2005","10":"tag-adriana-klisys","11":"tag-arte","12":"tag-colagem","13":"tag-desenho","14":"tag-interacao","15":"tag-recortes","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}