{"id":4833,"date":"2005-10-11T16:51:00","date_gmt":"2005-10-11T19:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4833"},"modified":"2023-03-27T18:05:33","modified_gmt":"2023-03-27T21:05:33","slug":"o-direito-a-diferenca-na-educacao-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-24\/o-direito-a-diferenca-na-educacao-infantil\/","title":{"rendered":"O direito \u00e0 diferen\u00e7a na Educa\u00e7\u00e3o Infantil"},"content":{"rendered":"<h5>Uma situa\u00e7\u00e3o vivida em uma creche da cidade de S\u00e3o Paulo desencadeia a reflex\u00e3o sobre o que \u00e9 tratar de forma igual crian\u00e7as diferentes<\/h5>\n<div id=\"attachment_4834\" style=\"width: 113px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4834\" class=\"size-full wp-image-4834 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_24_tema2.jpg\" alt=\"avisala_24_tema2.jpg\" width=\"103\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_24_tema2.jpg 103w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_24_tema2-87x300.jpg 87w\" sizes=\"auto, (max-width: 103px) 100vw, 103px\" \/><p id=\"caption-attachment-4834\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es a partir da obra de Martha Sim\u00f5es<\/p><\/div>\n<p>Diante da eminente entrada de uma crian\u00e7a com algum tipo de transtorno, questiona-se sobre a antecipa\u00e7\u00e3o de suas necessidades espec\u00edficas, o que corresponderia a uma prepara\u00e7\u00e3o para receb\u00ea-la; questiona-se a forma\u00e7\u00e3o e conhecimento necess\u00e1rios para essa recep\u00e7\u00e3o, e diz-se, em un\u00edssono: a crian\u00e7a com necessidades especiais deve ser tratada igual \u00e0s outras! Tratar igual? <!--more-->Como tratamos todos os outros? Ser\u00e1 que o direito de ser tratado igual aos outros n\u00e3o seria justamente a possibilidade de tratarmos a todos igualmente de forma diferente, o que se traduziria da seguinte maneira: garantir direitos iguais n\u00e3o seria garantir o direito \u00e0 diferen\u00e7a? Garantir \u00e0 crian\u00e7a o respeito \u00e0 sua singularidade, ou seja, \u00e0quilo que faz dela \u00fanica?<\/p>\n<p><strong>Ampliando o olhar sobre a crian\u00e7a <\/strong><br \/>\nDiante da entrada na escola de uma crian\u00e7a com um diagn\u00f3stico conhecido, como por exemplo, a S\u00edndrome de Down, \u00e9 preciso trabalhar com ela na institui\u00e7\u00e3o, situando-a em um cont\u00ednuo. Oscilamos entre aquilo que marca um limite para a crian\u00e7a, a S\u00edndrome, e aquilo que faz dela uma crian\u00e7a pertencente \u00e0 nossa cultura, com caracter\u00edsticas espec\u00edficas \u2013 n\u00e3o decorrentes da s\u00edndrome \u2013, mas com sua forma de habitar o mundo. \u00c9 importante que transitemos entre uma e outra possibilidade e n\u00e3o nos agarremos apenas a uma delas, pois nunca sabemos exatamente a extens\u00e3o deste limite e, ao mesmo tempo, este desconhecimento possibilita apostarmos na amplia\u00e7\u00e3o do potencial desta crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas, se uma crian\u00e7a com as chamadas necessidades especiais deve ser tratada como as outras, devemos \u201cesquecer\u201d que ela porta um problema em seu desenvolvimento? Sim, em parte, desde que, em determinados momentos, sejamos capazes de lembrar desta diferen\u00e7a e assegurar que as necessidades espec\u00edficas desta crian\u00e7a sejam contempladas.<\/p>\n<p><strong>Superando os limites<\/strong><br \/>\nUm exemplo. P. tem 4 anos e freq\u00fcenta a Creche Central da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Apresenta uma importante perda visual, no entanto, circula pelos diferentes espa\u00e7os com total desenvoltura. Observamos que fez frente aos limites marcados pela defici\u00eancia de forma excepcional, incrementando os outros \u00f3rg\u00e3os de percep\u00e7\u00e3o de forma a ampliar substancialmente suas possibilidades. A maneira pela qual P. enfrenta os limites marcados pela diminui\u00e7\u00e3o dos recursos da vis\u00e3o leva-nos a \u201cesquecer\u201d que apresenta uma necessidade especial, uma diferen\u00e7a significativa. E, de fato, n\u00e3o h\u00e1 em nossa rotina momentos em que temos que criar dispositivos espec\u00edficos para atend\u00ea-la.<\/p>\n<p>No entanto, em uma atividade de leitura de hist\u00f3rias<sup>1<\/sup> a educadora pediu para P. aproximar-se para ver melhor. A crian\u00e7a respondeu: \u201cN\u00e3o, eu n\u00e3o preciso\u201d. O que revela essa resposta? Como intervir diante desta situa\u00e7\u00e3o? P. responde \u00e0 educadora a partir do lugar que lhe \u00e9 outorgado nesta institui\u00e7\u00e3o, lugar conferido a todas as outras crian\u00e7as e que vai ao encontro da posi\u00e7\u00e3o que esta crian\u00e7a tem diante dos limites dados pelo seu organismo. P. responde de modo a dizer, \u201cn\u00e3o precisa, eu n\u00e3o preciso de nada diferente dos outros, sou igual aos outros\u201d. Faz isto, ainda que pagando o pre\u00e7o de n\u00e3o poder participar efetivamente da atividade em quest\u00e3o, pois, por mais que ela otimize ao extremo suas possibilidades reais, h\u00e1 momentos em que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p><strong>Um apoio especial \u00e9 necess\u00e1rio<\/strong><br \/>\nEntendo que em uma situa\u00e7\u00e3o como essa \u00e9 preciso insistir para que P. sente-se pr\u00f3xima \u00e0 educadora para poder ver o livro. Essa insist\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m uma interven\u00e7\u00e3o. Pontua para a crian\u00e7a e para o grupo uma necessidade espec\u00edfica. Marca que ela tem uma diferen\u00e7a e que essa deve ser contemplada. A educadora a \u201clembra\u201d que \u00e9 portadora de uma necessidade especial. \u00c9 aqui que o direito \u00e0 diferen\u00e7a deve ser assegurado para n\u00e3o negligenciar as reais necessidades da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Este \u00e9 apenas um exemplo entre tantos. Mais um caso, no qual a generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um ponto extremamente delicado. Mesmo uma crian\u00e7a com as mesmas limita\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas que P. n\u00e3o apresentaria necessariamente uma otimiza\u00e7\u00e3o de possibilidades equivalentes, ou seja, a subjetividade introduz matizes, diferen\u00e7as, mesmo em quadros org\u00e2nicos aparentemente similares. A interven\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 \u00fanica, realizada a partir de uma leitura da rela\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a estabelece com seus limites, com os outros, com a institui\u00e7\u00e3o. Contudo, h\u00e1 uma \u00e9tica que deve reger as interven\u00e7\u00f5es e que pode ser norteadora destas: \u00e9tica sustentada no reconhecimento e reasseguramento das diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>(Daniela Waldman Teperman, psicanalista e coordenadora da Creche Central da Universidade de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Atividade realizada com o grupo de crian\u00e7as da mesma faixa et\u00e1ria. As crian\u00e7as sentam-se em roda em volta da professora, que com o livro nas m\u00e3os, l\u00ea a hist\u00f3ria e mostra o livro para que as crian\u00e7as possam apreciar as imagens.<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>\u201cInclus\u00e3o Escolar e Educa\u00e7\u00e3o Especial: Considera\u00e7\u00f5es sobre a Pol\u00edtica Educacional Brasileira\u201d, de Marcos Mazzotta e Sandra Souza. Revista Estilos da Cl\u00ednica, edi\u00e7\u00e3o no 9, 2\u00ba semestre\/2000. Tel.: (11) 3091-4386<\/li>\n<li>A Condi\u00e7\u00e3o Humana, de Hannah Arendt. Tradu\u00e7\u00e3o de Roberto Raposo. Ed. Forense Universit\u00e1ria. Tel.: (21) 2509-3148.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Contato: Daniela Waldman Teperman. E-mail: danitep@usp.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma situa\u00e7\u00e3o vivida em uma creche da cidade de S\u00e3o Paulo desencadeia a reflex\u00e3o sobre o que \u00e9 tratar de forma igual crian\u00e7as diferentes. Por Daniela Waldman Teperman<\/p>\n","protected":false},"author":102,"featured_media":3256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[385],"tags":[1106,880,970,500,1329,55,971],"class_list":{"0":"post-4833","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-24","8":"tag-revista-avisa-la-2005","9":"tag-apoio","10":"tag-daniela-waldman-teperman","11":"tag-diferencas","12":"tag-inclusao","13":"tag-necessidades-especiais","14":"tag-tratamento","16":"post-with-thumbnail","17":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/102"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4833\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}