{"id":4828,"date":"2005-10-11T16:01:19","date_gmt":"2005-10-11T19:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4828"},"modified":"2023-03-27T18:09:20","modified_gmt":"2023-03-27T21:09:20","slug":"a-heterogeneidade-na-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-24\/a-heterogeneidade-na-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"A heterogeneidade na sala de aula"},"content":{"rendered":"<h5>Lidar com as diferen\u00e7as na sala de aula sempre foi um desafio para os professores. O desejo de classes homog\u00eaneas tem sido constante nas escolas e agora a ordem \u00e9 incluir. \u00c9 preciso apoiar os professores nessa nova atitude<\/h5>\n<div id=\"attachment_4829\" style=\"width: 244px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4829\" class=\"size-full wp-image-4829 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_24._tema1jpg.jpg\" alt=\"avisala_24._tema1jpg.jpg\" width=\"234\" height=\"262\" \/><p id=\"caption-attachment-4829\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es a partir da obra de Martha Sim\u00f5es<\/p><\/div>\n<p>Vivemos um momento na Educa\u00e7\u00e3o em que a ordem \u00e9 incluir. <!--more-->A escola, at\u00e9 ent\u00e3o pautada em um princ\u00edpio homogeneizante, no que diz respeito ao projeto educativo e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o atendida, precisa agora trabalhar com a diversidade. A inclus\u00e3o escolar n\u00e3o acontece isoladamente. A regulamenta\u00e7\u00e3o de leis que prev\u00eaem a entrada de crian\u00e7as com necessidades especiais na escola regular acompanha um movimento maior, mais amplo, de cunho pol\u00edtico e social, pautado nos princ\u00edpios democr\u00e1ticos, que preconizam a igualdade de acesso \u00e0s oportunidades e o combate \u00e0 exclus\u00e3o social. Quais mudan\u00e7as esse movimento traz para a forma\u00e7\u00e3o de professores, para os planejamentos escolares e para as configura\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os institucionais?<\/p>\n<p><strong>Incluir significa trabalhar com diferen\u00e7as <\/strong><br \/>\nA escola regular, at\u00e9 ent\u00e3o, demarcava claramente suas fronteiras, procurando colocar para dentro apenas alunos capazes de acompanhar seu curr\u00edculo, deixando de fora os que n\u00e3o possu\u00edam essa compet\u00eancia. Os alunos que, apesar de terem entrado, n\u00e3o conseguiam atingir os patamares desejados, eram simplesmente exclu\u00eddos. Mesmo entre os alunos \u201cregulares\u201d, a heterogeneidade \u00e9 clara, sempre existiu, ainda que fosse um tanto sufocada diante do princ\u00edpio da homogeneidade, em que as diferen\u00e7as individuais eram pouco ou nada atendidas. Numa tentativa de ajeitar as diferentes situa\u00e7\u00f5es, eram comuns classes dividas em fortes e fracas. Esta pr\u00e1tica hoje seria condenada. Agora, h\u00e1 o apelo e a ordem para que se inclua e se trabalhe com todos os alunos, na mesma classe, respeitando e cuidando das diferen\u00e7as individuais.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da inclus\u00e3o escolar parece colocar uma lente de aumento naquilo que \u00e9 t\u00e3o pr\u00f3prio aos seres humanos: o fato de que n\u00f3s todos somos singulares, \u00fanicos, marcados pelas nossas diferen\u00e7as, e que a humanidade se faz por cada uma dessas singularidades. A diversidade \u00e9 vista como algo positivo que deve contribuir para uma sociedade mais humana. Ao pensar a pol\u00edtica educacional brasileira da inclus\u00e3o escolar, Marcos Mazzotta e Sandra Souza<sup>1<\/sup> nos remetem \u00e0 importante fil\u00f3sofa Hannah Arendt<sup>2<\/sup> e seu pensamento acerca da diversidade humana. Essa pensadora afirma que a pluralidade dos homens faz parte da condi\u00e7\u00e3o humana, apontando para o fato de que estar e viver entre os homens significa assumir essa condi\u00e7\u00e3o de pluralidade.<\/p>\n<p>Segundo a fil\u00f3sofa, \u201cna Terra, vivem os homens e as mulheres, e n\u00e3o o Homem e a Mulher. Todos s\u00e3o seres \u00fanicos, diferentes de qualquer outro que exista, tenha existido ou venha a existir; todos marcados por uma singularidade, que \u00e9 a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o da pluralidade\u201d. Para Mazzotta e Souza, \u201c\u00e9 o paradoxo da pluralidade de singulares\u201d. Ainda segundo esses autores, essa \u201cigualdade de desiguais precisa ser garantida socialmente atrav\u00e9s da possibilidade de participa\u00e7\u00e3o ativa no conv\u00edvio social\u201d. S\u00f3 assim estaremos mais pr\u00f3ximos de conceitos como os de cidadania e inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>Como garantir uma participa\u00e7\u00e3o ativa<\/strong><br \/>\nNo entanto, o que \u00e9 um direito da crian\u00e7a traz um grande desafio para os professores: o desenvolvimento de novas compet\u00eancias para incluir. Como garantir uma participa\u00e7\u00e3o ativa em uma brincadeira de parque de uma crian\u00e7a que est\u00e1 em uma cadeira de rodas? Como podem agir professores e as demais crian\u00e7as para incluir esse aluno?<\/p>\n<p>Al\u00e9m do conhecimento detalhado das necessidades especiais que envolvem cada portador de determinada s\u00edndrome, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio estar atento para as caracter\u00edsticas subjetivas que essas crian\u00e7as trazem. Trocar com as fam\u00edlias, com especialistas e at\u00e9 mesmo ouvir as demais crian\u00e7as pode ajudar a integra\u00e7\u00e3o. A inclus\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de afinar a sensibilidade para sentir de que maneira considerar a necessidade especial de uma crian\u00e7a de forma que ela possa ser atendida sem sentir-se negativamente diferente.<\/p>\n<p>Como esse tema \u00e9 novo para os professores e para as institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante ouvir quem tem diante de si o desafio de incluir, respeitando as caracter\u00edsticas individuais e contribuindo para que todas as crian\u00e7as avancem e desenvolvam-se plenamente. O relato a seguir (O direito \u00e0 diferen\u00e7a na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, texto de Daniela Teperman) contribui para fazer avan\u00e7ar a reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>(Ana Carolina Carvalho, psic\u00f3loga, psicanalista e educadora)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>\u201cInclus\u00e3o Escolar e Educa\u00e7\u00e3o Especial: Considera\u00e7\u00f5es sobre a Pol\u00edtica Educacional Brasileira\u201d, de Marcos Mazzotta e Sandra Souza. Revista Estilos da Cl\u00ednica, edi\u00e7\u00e3o no 9, 2\u00ba semestre\/2000.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Hannah Arendt (1906\u20131975), fil\u00f3sofa alem\u00e3.<\/p>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lidar com as diferen\u00e7as na sala de aula sempre foi um desafio para os professores. O desejo de classes homog\u00eaneas tem sido constante nas escolas e agora a ordem \u00e9 incluir. \u00c9 preciso apoiar os professores nessa nova atitude. Por Ana Carolina Carvalho<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":3256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[385],"tags":[1106,26,880,500,969,1329,55],"class_list":{"0":"post-4828","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-24","8":"tag-revista-avisa-la-2005","9":"tag-ana-carolina-carvalho","10":"tag-apoio","11":"tag-diferencas","12":"tag-heterogeneidade","13":"tag-inclusao","14":"tag-necessidades-especiais","16":"post-with-thumbnail","17":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4828\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}