{"id":476,"date":"2000-08-18T01:17:57","date_gmt":"2000-08-18T04:17:57","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=476"},"modified":"2023-03-27T10:25:50","modified_gmt":"2023-03-27T13:25:50","slug":"sei-nao-so-sei-que-foi-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/sei-nao-so-sei-que-foi-assim\/","title":{"rendered":"Sei n\u00e3o, s\u00f3 sei que foi assim"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Conte um causo pra gente e leve outro de brinde&#8221;, anunciava o garoto de 10 anos, em meio ao troca-troca de hist\u00f3rias que encantavam as crian\u00e7as pelo humor, pelo suspense ou assombro. Esse repente de criatividade aconteceu durante uma deliciosa experi\u00eancia que usou os &#8220;causos&#8221; e outras narrativas da tradi\u00e7\u00e3o popular para trabalhar as linguagens oral e escrita<br \/>\n<!--more--><br \/>\nAo iniciar o trabalho com crian\u00e7as de 9 a 10 anos, percebi a dificuldade que tinham com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua escrita: alguns ainda n\u00e3o escreviam convencionalmente e outros apresentavam muitos problemas de ortografia e de entendimento de texto. Mas o mais grave de todos os problemas era o fato de que n\u00e3o liam e n\u00e3o gostavam de ler. Um bom trabalho de linguagem seria importante para aquela turma. Pensei num texto que pudesse ajudar as crian\u00e7as a reconhecer as diferen\u00e7as entre a linguagem oral e a linguagem escrita, dando a oportunidade de apreciar as narrativas contadas e lidas. Um repert\u00f3rio de causos pareceu-me bastante apropriado para esses prop\u00f3sitos. Trata-se de narrativas populares, de tem\u00e1tica inusitada, com um toque de fant\u00e1stico, que pertencem \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o oral, narradas em primeira pessoa e que contam algo que o narrador quer fazer passar por verdade. Lendo e pesquisando causos, ouvindo outros trazidos pelos funcion\u00e1rios e seus familiares, lendo e comparando com outros contos de tradi\u00e7\u00e3o oral, de tem\u00e1tica semelhante aos causos, as crian\u00e7as teriam\u00a0 condi\u00e7\u00f5es de gravar uma fita para guardar o repert\u00f3rio aprendido no projeto. A fita seria doada a uma outra institui\u00e7\u00e3o educativa, para que outras crian\u00e7as tamb\u00e9m tivessem acesso aos causos. O destino desse produto \u2013 o uso real dessa fita \u2013 foi o motivador do trabalho para essa turma: todos se envolveram com o projeto, desde o in\u00edcio.<br \/>\nBatizei o projeto de &#8220;Sei n\u00e3o, s\u00f3 sei que foi assim\u2026&#8221;, gra\u00e7as \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo personagem Chic\u00f3, amigo de Jo\u00e3o Grilo na obra O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Chic\u00f3 contava uma hist\u00f3ria da qual tinha ouvido falar, ou que havia acontecido com ele, muito exagerada mas sempre verdadeira, segundo sua fantasia. Quando interrogado sobre a veracidade dos fatos, respondia:<br \/>\n\u2013 Sei n\u00e3o, s\u00f3 sei que foi assim&#8230;!<\/p>\n<div id=\"attachment_486\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-486\" class=\"size-full wp-image-486 \" title=\"avisala_04_tempo2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_tempo2.jpg\" alt=\"Foto de Silvana Augusto sobre obra de Jos\u00e9 Domingos dos Santos\" width=\"339\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_tempo2.jpg 339w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_tempo2-300x241.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><p id=\"caption-attachment-486\" class=\"wp-caption-text\">Assombra\u00e7\u00e3o de cachorro<br \/>Padeiro: (&#8230;) assombra\u00e7\u00e3o de cachorro eu nunca ouvi falar.<br \/>Chic\u00f3: Mas existe. Eu mesmo j\u00e1 encontrei uma.<br \/>Padeiro: Quando? Onde?<br \/>Chic\u00f3: Na passagem do riacho de Cosme Pinto.<br \/>Padeiro: Tinham me dito que o lugar era assombrado, mas nunca pensei que se tratasse de assombra\u00e7\u00e3o de cachorro.<br \/>Chic\u00f3: Se o lugar \u00e9 assombrado, n\u00e3o sei. O que eu sei \u00e9 que eu ia atravessando o sangrador do a\u00e7ude e me caiu do bolso n\u2019\u00e1gua uma prata de dez tost\u00f5es. Eu ia com meu cachorro e j\u00e1 estava dando a prata por perdida, quando vi que ele estava assim como quem est\u00e1 cochichando com outro. De repente o cachorro mergulhou, e trouxe o dinheiro, mas quando fui verificar s\u00f3 encontrei dois cruzados.<br \/>Padeiro: Oi! E essas almas de l\u00e1 t\u00eam dinheiro trocado?<br \/>Chic\u00f3: N\u00e3o sei, s\u00f3 sei que foi assim.<br \/>(Auto da Compadecida, Ariano Suassuna)<br \/>Ilustra\u00e7\u00e3o: Foto de Silvana Augusto sobre obra de Jos\u00e9 Domingos dos Santos<\/p><\/div>\n<p><strong>A atividade inicial: &#8220;assuntando&#8221; as crian\u00e7as<\/strong><br \/>\nCom essa id\u00e9ia na cabe\u00e7a, comecei a investigar meu grupo. Sempre fico em d\u00favida sobre o que as crian\u00e7as j\u00e1 sabem. Nesse caso, n\u00e3o foi\u00a0 diferente. Eu queria conhec\u00ea-las. Para que me contassem tudo o que sabiam sobre os causos, seria melhor que eu contasse um causo e ouvisse o que as crian\u00e7as tinham a comentar. Ent\u00e3o contei que, quando eu era pequena, minha av\u00f3 costumava falar do &#8220;homem do saco&#8221;, quando n\u00e3o queria que fiz\u00e9ssemos alguma travessura ou simplesmente quando queria que atend\u00eassemos aos seus pedidos. As crian\u00e7as disseram:<br \/>\n\u2013 Ah! Eu tamb\u00e9m conhe\u00e7o!<br \/>\n\u2013 Minha m\u00e3e tamb\u00e9m fala!<br \/>\n\u2013 Minha av\u00f3 n\u00e3o inventou essa hist\u00f3ria \u2013 disse a eles \u2013 ela deve ter escutado de algu\u00e9m. Eu encontrei uma hist\u00f3ria parecida no livro de um autor que se chama C\u00e2mara Cascudo. Essa hist\u00f3ria se chama A Menina dos Brincos de Ouro, e \u00e9 assim&#8230; Contei a hist\u00f3ria. Eles ficaram vidrados! Depois quis saber se as crian\u00e7as conheciam hist\u00f3rias desse tipo. Um menino conhecia Papa-figo, hist\u00f3ria de um homem que pega o f\u00edgado das pessoas e faz rem\u00e9dio. Outra crian\u00e7a disse que uma vez seu irm\u00e3o lhe contou que estava andando no mato com um amigo e de repente apareceu um homem com olhos brilhantes, de luz verde.<br \/>\n\u2013 Isso aconteceu de verdade? \u2013 perguntei a ele.<br \/>\n\u2013 Aconteceu.<br \/>\n\u2013 Esse tipo de hist\u00f3ria \u00e9 contado para assustar as pessoas, n\u00e3o \u00e9 de verdade. Seu irm\u00e3o queria te assustar \u2013 retrucou outra crian\u00e7a, colocando muito bem uma caracter\u00edstica importante desse tipo de narrativa.<br \/>\nComo j\u00e1 conheciam algo sobre esse tipo de narrativa, eu precisaria pensar num projeto que ampliasse o repert\u00f3rio de causos do grupo, que apresentasse outros textos da tradi\u00e7\u00e3o oral para que pudessem comparar, promovendo uma reflex\u00e3o sobre as especificidades da linguagem oral e da escrita.<\/p>\n<p><strong>A cria\u00e7\u00e3o de desafios: atribuir responsabilidade e desenvolver autonomia<\/strong><\/p>\n<p>As rodas de causos aconteciam todos os dias. Eu contava os meus, Selma contava os que seu av\u00f4 lhe contara. Suely, a professora da turma, lia e pesquisava causos novos. As crian\u00e7as ficavam alvoro\u00e7adas, e mesmo aquelas que n\u00e3o tinham nenhum causo para contar acabavam inventando um. Os irm\u00e3os Diego e Paulo mostraram-se bons contadores, capazes tamb\u00e9m de inventar hist\u00f3rias. Percebendo o grande interesse do grupo, investi para que todos trabalhassem com mais autonomia. A escola j\u00e1 os faz esperar demais, acostumando-os a seguir instru\u00e7\u00f5es. Acreditamos que a professora n\u00e3o precisa ficar conduzindo o tempo todo e que muitas coisas podem ser feitas sem que ela participe diretamente. O papel do educador \u00e9 o de orientar as crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m deix\u00e1-las realizar tarefas sozinhas, sem tanto controle. As crian\u00e7as precisam movimentar-se, sair da sala, realizar tarefas, entrar em contato com outras crian\u00e7as. Delegar tarefas para o grupo \u00e9 um grande desafio que ajuda a desenvolver responsabilidade, a amadurecer e a perceber que \u00e9 bom crescer, conhecer e sentir-se valorizado. Felizmente o produto final escolhido pelo nosso projeto d\u00e1 essa possibilidade \u00e0s crian\u00e7as. Por isso foi f\u00e1cil compartilhar com elas o planejamento do trabalho. Elas se reuniram em seus grupos e fizeram as anota\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para os planos de atua\u00e7\u00e3o. Foi muito produtivo!<br \/>\nSuely disse que, daquele dia em diante, as crian\u00e7as se tornariam as rep\u00f3rteres do projeto, e todos fizeram sua parte.<br \/>\nEd Carlos, auxiliado por Suely, escreveu cartas para as crian\u00e7as da Escola Logos, que estudavam o mesmo assunto. Contou o que j\u00e1 sabiam e enviou dois causos, eleitos pelo grupo, que haviam sido mandados pelas fam\u00edlias. Dias depois trouxeram a resposta das crian\u00e7as da escola com seus causos fant\u00e1sticos para ler na roda.<br \/>\nJ\u00e9ssica, Edinalva, Mar\u00edlia e Ta\u00eds foram as pesquisadoras respons\u00e1veis por trazer novos causos, gravados ou escritos. Elas visitaram as salas do CJ e da creche, falaram sobre o projeto para os colegas, professores e funcion\u00e1rios. Recolhiam tudo e levavam para a sala. At\u00e9 marcaram um dia para que uma pessoa viesse contar pessoalmente. M\u00e1rcio, Cl\u00e1udia, Roger e Rubens compunham a equipe de digita\u00e7\u00e3o: organizaram os causos das fam\u00edlias e dos funcion\u00e1rios, criando um acervo da turma. Lucas, Roberto, Paulo, Ed Carlos e Diego ficaram respons\u00e1veis pela sonoplastia. Com os professores de m\u00fasica do CJ, eles pesquisaram instrumentos musicais, sons e CDs que usaram na sonoplastia das hist\u00f3rias. Tiveram a id\u00e9ia de marcar o texto com S1, S2, S3, S4, S5, para saberem o exato momento em que deveriam colocar esses sons. Carlinhos, Douglas e Al\u00edrio, que adoram desenhar, se encarregaram de construir um painel com not\u00edcias sobre o projeto, desenhos de algumas hist\u00f3rias e algumas fotos da turma, para informar o CJ e a creche sobre o que o m\u00f3dulo II estava fazendo,\u00a0 convidando-os a participar. Escreveram no alto: Conte um causo pra gente e ganhe outro de brinde! Se algu\u00e9m conhece um bom causo, procure o pessoal do m\u00f3dulo II.<\/p>\n<p><strong>Os causos no cinema<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Levei o filme A Marvada Carne, de Andr\u00e9 Klotzel, em v\u00eddeo. Uma hist\u00f3ria muito simples e bastante divertida.<sup>1<\/sup><\/span><br \/>\nNem \u00e9 preciso dizer o quanto gostaram e aproveitaram. Com tudo o que conheciam puderam identificar muitos causos ao assistir ao filme.<br \/>\n\u2013 Isso \u00e9 um causo! Isso \u00e9 um causo! \u2013 avisavam entusiasmados.<\/p>\n<div id=\"attachment_487\" style=\"width: 294px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-487\" class=\"size-full wp-image-487\" title=\"avisala_04_tempo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_tempo1.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Domingos dos Santos Foto: Silvana Augusto\" width=\"284\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_tempo1.jpg 284w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_tempo1-202x300.jpg 202w\" sizes=\"auto, (max-width: 284px) 100vw, 284px\" \/><p id=\"caption-attachment-487\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Domingos dos Santos<br \/>Foto: Silvana Augusto<\/p><\/div>\n<p>O epis\u00f3dio favorito foi o de Nh\u00f4 Quim, que compra uma galinha e espera pelo diabo, \u00e0 meia-noite, para poder revend\u00ea-la por um valor mais alto. S\u00f3 que, em vez do diabo, aparece uma mo\u00e7a (Regina Cas\u00e9) que tenta comprar a galinha por um pre\u00e7o menor. De repente, come\u00e7a a sair um rabo de diabo debaixo da blusa dela, seu rosto se transforma, sua voz se modifica,&#8230; AH! As crian\u00e7as ca\u00edram na gargalhada! \u00c9 claro que depois que o filme terminou precisei voltar a fita duas vezes nesse peda\u00e7o. Pedi que Sueli redigisse o causo com as crian\u00e7as e afixasse-o na parede da sala para que a turma da manh\u00e3 pudesse ler tamb\u00e9m. Sugeri ainda que os dois per\u00edodos trocassem os causos que as fam\u00edlias contavam, o que seria um bom motivo para que fossem registrados.<br \/>\nNum outro dia, leram do livro de Corn\u00e9lio Pires no qual aparecia um dos causos do filme. As crian\u00e7as ficaram atentas \u00e0 leitura e sabiam o que as palavras significavam, mesmo sendo de dif\u00edcil compreens\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>1<\/sup> <strong>Como introduzir o trabalho com filmes?<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Os filmes tamb\u00e9m s\u00e3o importantes fontes de informa\u00e7\u00f5es. Nesse projeto,<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Selma e eu exploramos esse recurso. Conseguimos levantar algumas orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para trabalhar com filmes:<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Assistir ao filme antes das crian\u00e7as, com anteced\u00eancia, para que se possa reconhecer suas partes, fazer coment\u00e1rios durante a exibi\u00e7\u00e3o, antes ou depois; <\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Informar as crian\u00e7as sobre o que v\u00e3o assistir, contextualizando o filme, alimentando uma leitura pr\u00e9via;<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Observar a rea\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as durante a exibi\u00e7\u00e3o, para saber se est\u00e3o acompanhando a hist\u00f3ria, se t\u00eam d\u00favidas que precisam ser respondidas na hora ou podem ser comentadas depois;<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Acompanhar aqueles que precisam de mais explica\u00e7\u00f5es ou que se distraem e tiram a aten\u00e7\u00e3o dos colegas, ficando mais pr\u00f3ximo deles, ajudando\u2013os a se concentrar, prestar aten\u00e7\u00e3o, acompanhar o enredo.<\/span><\/p>\n<p><strong>A leitura de textos considerados dif\u00edceis<\/strong><br \/>\nNum dia, li para o grupo &#8220;A Mo\u00e7a e a Vela&#8221;, de C\u00e2mara Cascudo. Eu j\u00e1 tinha percebido que aquelas crian\u00e7as se interessavam por terror, suspense, assombra\u00e7\u00e3o, por isso escolhi esse texto, que tem um toque de assombra\u00e7\u00e3o. <span style=\"color: #000080;\">Dei uma c\u00f3pia a cada um e pedi que anotassem a bibliografia, ou seja, a fonte de onde foi retirado o texto que tinham em m\u00e3os<sup>2<\/sup>.<\/span> Selma, a coordenadora que acompanhava o trabalho, sentou-se perto de Ana, uma crian\u00e7a que ainda n\u00e3o sabia ler, para apoi\u00e1-la. Pedi que grifassem as palavras que n\u00e3o entendiam. Depois da leitura discutimos as palavras que podiam ser compreendidas atrav\u00e9s do contexto da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Relemos e, ao final, todos j\u00e1 estavam encantados com aquela leitura. \u2013 \u00c9 verdade ou mentira que a hist\u00f3ria aconteceu? \u2013 perguntou Edinalva \u2013 Credo! Eu, hein! Nem todas as palavras podiam ser compreendidas pelo contexto. Termos como anelado, amuado, dentre outros, eram absolutamente estranhos para o grupo. Mas essa dificuldade n\u00e3o deveria impossibilitar o acesso aos textos para essas crian\u00e7as. Pensando nisso, resolvi introduzi-las no uso do dicion\u00e1rio. No dia seguinte, levei Boi Lei\u00e7\u00e3o, um texto engra\u00e7ado, um pouco longo, que tem um certo suspense at\u00e9 revelar como a trama ser\u00e1 resolvida. Listamos as palavras desconhecidas na lousa, e propus uma pesquisa no dicion\u00e1rio. Nem todas as crian\u00e7as sabiam us\u00e1-lo, por isso uma delas teve que explicar:<br \/>\n\u2013 Primeiro a gente olha pra primeira letra, se elas forem iguais, ent\u00e3o a gente v\u00ea a segunda&#8230;<br \/>\nFiz algumas propostas para ajud\u00e1-los a conhecer mais aquele portador de texto. Pedi que lessem as palavras que se encontravam em negrito, no cabe\u00e7alho de cada p\u00e1gina. Ningu\u00e9m soube responder para que elas serviam. Pedi ent\u00e3o que as procurassem nas colunas e observassem suas posi\u00e7\u00f5es na p\u00e1gina. Depois, propus que observassem outras palavras como aquelas, que aparecem nas extremidades das outras p\u00e1ginas. E puderam assim perceber a regularidade. Os meninos pareciam estar descobrindo a Am\u00e9rica! Afoitos, queriam contar pontos para o grupo que tinha descoberto primeiro. Com toda aquela empolga\u00e7\u00e3o, propus outro desafio. Eu destacava uma palavra na lousa e perguntava a que p\u00e1gina ela pertencia. A sala veio abaixo! Tivemos que bolar um placar na lousa para marcar os pontos que faziam. Depois, dei a cada grupo um volume do\u00a0 dicion\u00e1rio e pedi para que procurassem as palavras escritas na lousa. As crian\u00e7as tamb\u00e9m conversaram sobre os verbos que apareciam conjugados no texto e no infinitivo no dicion\u00e1rio. Entendendo as palavras do texto, puderam compreender melhor seus significados. Selma, a coordenadora que nos acompanhava, distribuiu pastas para que todas as crian\u00e7as pudessem guardar seus textos e ler sozinhas quando quisessem.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>2<\/sup> <strong>Nessa idade j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel falar em bibliografia com as crian\u00e7as?<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u00c9 importante preparar as crian\u00e7as para que sejam capazes de pesquisar. Pesquisar com o grupo a bibliografia usada no projeto, por exemplo, \u00e9 um bom jeito de saber mais sobre o assunto, como fizemos com a turma do CJ Dom Bosco. <\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 Para que serve a bibliografia? \u2013 perguntei.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 Para sabermos de que livro a hist\u00f3ria foi tirada \u2013 respondeu uma crian\u00e7a.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 Se algu\u00e9m quiser comprar ou emprestar o livro, saber como ele chama \u2013 disse o outro.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 A gente pode saber quem foi que escreveu \u2013 completou.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 Pra conseguir o livro daqui a algum tempo.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 Quem escreveu esse conto? C\u00e2mara Cascudo ou Lindolfo Gomes? \u2013 perguntei.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 C\u00e2mara Cascudo \u2013 responderam muitos.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 Ele escutou a hist\u00f3ria de Lindolfo \u2013 retrucou uma menina.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2013 Escutou n\u00e3o, leu do livro de Lindolfo Gomes porque, olhe aqui, est\u00e1 escrito volume II, p\u00e1gina 13 \u2013 apontando para a bibliografia no rodap\u00e9 \u2013 o conto veio de S. Jo\u00e3o del Rey \u2013 e todos concordaram.<\/span><\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7as entre contar e ler hist\u00f3rias<\/strong><br \/>\nContar hist\u00f3ria \u00e9 igual a ler hist\u00f3ria? Voc\u00ea j\u00e1 pensou nisso? Foi o que eu propus que as crian\u00e7as pensassem. Algumas defenderam a opini\u00e3o de que ler \u00e9 mais f\u00e1cil porque o texto est\u00e1 l\u00e1, n\u00e3o d\u00e1 para esquecer os detalhes da hist\u00f3ria. Outras achavam que contar com as pr\u00f3prias palavras \u00e9 melhor, pois ler \u00e9 muito dif\u00edcil. Para alimentar ainda mais a discuss\u00e3o, dividi a turma em quatro grupos: dois iriam ler para o grupo a hist\u00f3ria &#8220;A Mo\u00e7a e a Vela&#8221; e os outros dois deveriam cont\u00e1\u2013la. Dei um tempo para que os grupos se organizassem, estudassem, ensaiassem. Selma coordenou a leitura dando dicas sobre a entona\u00e7\u00e3o do narrador, trabalhando com o jeito dos personagens, discutindo como eram e como viviam. Passando pelos grupos, fui orientando-os para que pudessem guardar na mem\u00f3ria os pontos principais do conto, na seq\u00fc\u00eancia correta.<span style=\"color: #000080;\"> Formei equipes que se ajudavam, pois h\u00e1 na turma muitas crian\u00e7as que l\u00eaem &#8220;dando soquinhos&#8221;:<sup>3<\/sup><\/span><br \/>\n\u2013 Mi\u2013nha fi\u2013lha, di\u2013zi\u2013a a m\u00e3e du\u2013ma&#8230; \u2013 o que prejudica a compreens\u00e3o do texto. Pedi ent\u00e3o que, em duplas, lessem uns para os outros.<br \/>\nPassando pelas duplas pude discutir momentos de pausa, entona\u00e7\u00e3o e uso de pontua\u00e7\u00e3o durante a leitura. As crian\u00e7as estavam ansiosas e nervosas para a grava\u00e7\u00e3o. Alguns at\u00e9 corados! Mas se sa\u00edram bem. Deram risada dos pr\u00f3prios erros, \u00e0s vezes sorriam uns para os outros devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o diante do grupo. Eles puderam dar dicas para os amigos melhorarem. \u00c9 claro que um ou outro riu, provocou, deixando o colega nervoso, mas tudo dentro dos conformes. Resultado da nossa pol\u00eamica:<br \/>\n\u2013 \u00c9 dif\u00edcil contar, a gente tem que ficar prestando aten\u00e7\u00e3o no que vai falar pra n\u00e3o ficar faltando nada! \u2013 comentou um garoto.<br \/>\n\u2013 \u00c0s vezes as id\u00e9ias somem da cabe\u00e7a \u2013 disse o outro, concordando com o amigo.<br \/>\n\u2013 A gente fica falando toda hora a\u00ed , a\u00ed, a\u00ed&#8230; \u2013 disse uma menina mostrando o quanto esteve atenta ao seu trabalho diante do desafio.<br \/>\n\u2013 A gente n\u00e3o pode pular peda\u00e7os da hist\u00f3ria \u2013 completou o outro.<br \/>\nDecidiram ent\u00e3o gravar a fita lendo e n\u00e3o contando.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\"><sup>3<\/sup> O que fazer com as crian\u00e7as que n\u00e3o acompanham o resto da turma?<\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Era a \u00fanica menina do grupo que ainda n\u00e3o sabia ler nem escrever, embora j\u00e1 estivesse na 3\u00aa s\u00e9rie. Desconfi\u00e1vamos de que essa era a causa de sua timidez e dificuldade para se comunicar com as demais crian\u00e7as da sala. Outro menino da turma tamb\u00e9m escrevia muito mal. Como quer\u00edamos nos responsabilizar pela alfabetiza\u00e7\u00e3o de todas as crian\u00e7as, porque entendemos que \u00e9 o direito m\u00ednimo e fundamental de todos os cidad\u00e3os, combinamos algumas medidas que exigiam esfor\u00e7os de todos:<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Ler bastante para as crian\u00e7as, todos os dias, diferentes textos, para que<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">elas se familiarizem com a l\u00edngua escrita antes mesmo de conhecer as<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">letras;<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Planejar propostas mais pontuais, que possam ajudar as crian\u00e7as a<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">avan\u00e7ar na escrita e na leitura. Deve haver um momento de atend\u00ea\u2013las<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">individualmente, todos os dias, durante quinze minutos, pelo menos.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Al\u00e9m do atendimento espec\u00edfico, propor que as crian\u00e7as trabalhem em<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">duplas ou pequenos grupos, para que umas possam aprender com as<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">outras, auxiliando-se mutuamente, dispondo das diferentes compet\u00eancias<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">que possuem;<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">\u2022 Avaliar as produ\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as para que n\u00e3o se corra o risco de<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">encontrar crian\u00e7as que n\u00e3o l\u00eaem e n\u00e3o escrevem convencionalmente sem que ningu\u00e9m saiba, como foi o caso.<\/span><\/p>\n<p><strong>Os v\u00e1rios jeitos de contar hist\u00f3rias<\/strong><br \/>\nNum outro dia ouvimos trechos de um CD do Chico dos Bonecos \u2013\u00a0 Hist\u00f3rias Gud\u00f3rias de Gurrunf\u00f3rias de Maracut\u00f3rias, Xiringabut\u00f3rias \u2013 Gravadora Palavra Cantada, e um trecho de uma hist\u00f3ria de um CD da Folha de S\u00e3o Paulo da Cole\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rias de todos os tempos.<br \/>\nPropus que ouvissem com aten\u00e7\u00e3o, para perceber como fazem os contadores de hist\u00f3rias: precisam ser claros, ter boa dic\u00e7\u00e3o, falar ou ler devagar, colocar a emo\u00e7\u00e3o na voz. Por fim, compararam as duas grava\u00e7\u00f5es e perceberam que Chico dos Bonecos \u00e9 mais expressivo. Disseram que ele tem um jeito engra\u00e7ado para contar as hist\u00f3rias e que conseguem entender todas as palavras que ele diz. Sugeri ent\u00e3o que rel\u00eassemos o conto &#8220;A Mo\u00e7a e a Vela&#8221;, de C\u00e2mara Cascudo, com a inten\u00e7\u00e3o de trabalharmos a interpreta\u00e7\u00e3o dos contadores. Fizemos um aquecimento de voz, usado por atores de teatro e cantores. As crian\u00e7as ficaram muito concentradas, sentindo\u2013se muito importantes!<\/p>\n<div id=\"attachment_490\" style=\"width: 242px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-490\" class=\"size-full wp-image-490\" title=\"avisala_04_tempo4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_tempo4.jpg\" alt=\"Desenho de Carlos Galvan (9 anos)\" width=\"232\" height=\"253\" \/><p id=\"caption-attachment-490\" class=\"wp-caption-text\">Desenho de Carlos Galvan (9 anos)<\/p><\/div>\n<p>Em seguida nos detivemos sobre a leitura de diferentes momentos do texto \u2013 o de suspense, o de gra\u00e7a etc. \u2013 e as v\u00e1rias formas de express\u00e3o e o jeito de cada personagem. As crian\u00e7as trabalharam, bastante envolvidas. Poucas liam com flu\u00eancia, talvez umas tr\u00eas. Outras tinham problemas de compreens\u00e3o, ou de inibi\u00e7\u00e3o, pois sabiam que suas leituras n\u00e3o eram boas. Mas nada disso as exclu\u00eda do trabalho. Para elas foi importante ler a mesma frase v\u00e1rias vezes, de v\u00e1rias maneiras: isso as encorajou a ler em p\u00fablico, auxiliou na compreens\u00e3o e na busca da entona\u00e7\u00e3o adequada \u00e0 leitura. Na leitura em voz alta, todos estavam se expondo e dando o melhor de si. Pude observar que, enquanto algumas crian\u00e7as estavam lendo, outras, envolvidas e comprometidas, ensaiavam o mesmo trecho para se sa\u00edrem bem na sua vez. Procurei ficar bem perto, com as m\u00e3os nos ombros daquelas que tinham maior dificuldade para ler ou que se mostravam inseguras. Ed Carlos, um dos garotos que n\u00e3o gostavam de ler, passou a apreciar e participar das rodas de leitura. Mar\u00edlia, sua companheira, disse que gostou muito da leitura do texto de Corn\u00e9lio Pires e at\u00e9 me pediu para ler novamente. Michel queria saber onde eu encontrava esses livros, pois ele queria comprar os Contos de Assombra\u00e7\u00e3o. Grandes conquistas!<\/p>\n<p><strong>O interesse em ouvir outras gera\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nO pai de Selma conhecia muitos causos e podia contar alguns para aumentar nosso repert\u00f3rio. As crian\u00e7as quiseram convid\u00e1-lo para uma roda de causos no CJ. T\u00ednhamos que fazer o convite: escrevi na lousa o que elas iam dizendo. \u00c0s vezes ficava sem sentido, sem concord\u00e2ncia, sem algumas informa\u00e7\u00f5es importantes. Fui auxiliando na organiza\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias e corrigindo o texto com elas. No dia combinado o sr. Roberto, pai de Selma, compareceu ao CJ para contar causos \u00e0s crian\u00e7as. Foi o maior sucesso! Ele chegou com uma lista para poder lembrar de tudo o que tinha de contar. As crian\u00e7as se sentaram no ch\u00e3o, pr\u00f3ximas ao contador, para acompanhar de perto o que ele dizia. Ele contou muitas hist\u00f3rias que haviam acontecido consigo e com seus parentes. Falou sobre muitas coisas do passado. Causos engra\u00e7ados e tristes. As crian\u00e7as tamb\u00e9m fizeram perguntas:<br \/>\n\u2013 O senhor j\u00e1 contou causos em outros CJs?<br \/>\n\u2013 Com quem o senhor aprendeu a contar causos?<br \/>\n\u2013 Quantos filhos o senhor tem?<br \/>\nDepois de tanta conversa, hora do lanche. Teve doce e suco. Educadamente, as crian\u00e7as deixaram o sr. Roberto se servir primeiro. No final, presentearam-no com um marcador de livros confeccionado por uma das crian\u00e7as. As informa\u00e7\u00f5es do sr. Roberto ajudaram as crian\u00e7as a concluir o produto final deste projeto, a fita com as narrativas escolhidas pelo grupo. Ela foi doada \u00e0 institui\u00e7\u00e3o Laramara, que atende cegos.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas conhecem causos?<\/strong><br \/>\nElaine Ponce, professora grupo 6 (crian\u00e7as de 6 anos) da escola Logos, j\u00e1 desenvolvia, naquela ocasi\u00e3o, um interessante projeto sobre causos que ajudou a resgatar as narrativas das fam\u00edlias. O repert\u00f3rio das crian\u00e7as foi bastante alimentado pela leitura do livro Alexandre e Outros Her\u00f3is de Graciliano Ramos, que traz, na voz de Alexandre, o personagem principal e narrador, alguns causos de deixar qualquer um cabreiro, como esse que foi contado por uma das crian\u00e7as da turma:<\/p>\n<p>O olho torto de Alexandre<br \/>\n&#8220;Todo mundo estava olhando estranho para o Alexandre. O pai dele perguntou: \u2013 O que aconteceu com seu olho?<br \/>\nEle botou a m\u00e3o no olho e percebeu que estava faltando um olho e foi correndo olhar no espelho. Falou:<br \/>\n\u2013 Eu vou procurar meu olho.<br \/>\nEle pegou um cavalo e foi procurar seu olho. Quando estava desistindo, olhou para o espinheiro e o olho dele estava l\u00e1. Ele pegou o olho, limpou na blusa e p\u00f4s de volta no lugar. S\u00f3 que ele via metade das \u00e1rvores, quando ele baixava a vista, via ocora\u00e7\u00e3o, tripas, ossos. Quando ele levantava a vista, via o c\u00e9rebro, miolos e o pensamento. Ele percebeu que tinha posto o olho ao contr\u00e1rio. Ent\u00e3o ele tirou o olho e p\u00f4s no lugar certo. Da\u00ed Alexandre foi para casa. O pai dele falou:<br \/>\n\u2013 Alexandre! Voc\u00ea achou seu olho!<br \/>\n\u2013 \u00c9, achei.<br \/>\nEle foi correndo para o banheiro, olhar-se no espelho. A\u00ed ele percebeu que tinha posto o olho meio torto e viu que estava enxergando melhor pelo olho torto do que pelo outro olho.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Outros causos:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Meu bisav\u00f4 trabalhava como engenheiro agr\u00f4nomo e foi replantar o jardim do Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o. Tinham acabado os materiais, e disse ao capataz: \u2013 Pegue todos os empregados e v\u00e1 buscar mais material no viveiro da prefeitura. Eles demoraram muito. Estava chegando a noite. Ent\u00e3o, meu bisav\u00f4 resolveu debru\u00e7ar-se no muro para ver se os empregados estavam chegando. Ele resolveu fumar um cigarro de palha. Quando passavam dois homens conversando na rua, meu bisav\u00f4, que era alto, forte e tinha cabelos brancos, deu uma pigarra. Os homens olharam para cima e ficaram com tanto medo que est\u00e3o correndo at\u00e9 hoje.&#8221;<br \/>\n(Contado por Selma, a diretora do CJ)<\/p>\n<p>&#8220;Conheci uma fam\u00edlia que morava na Bahia. Todos os dias a m\u00e3e preparava a marmita para a filha levar para o pai no trabalho. No meio do caminho a menina comia o frango e deixava os ossos para o pai e sempre inventava uma desculpa. Um dia, ele ficou furioso e foi para casa, e deu uma surra na mulher. Ela ficou de joelhos e disse:<br \/>\n\u2013 Marido! Eu juro que n\u00e3o fui eu nem minha m\u00e3e, foi a nossa filha. Quando a menina ouviu a confiss\u00e3o da m\u00e3e, ela sentiu tanto medo que saiu voando e relinchando como um cavalo. E at\u00e9 hoje ningu\u00e9m sabe do paradeiro. S\u00f3 se ouviu dizer que ela est\u00e1 viva e voando pelos ares.&#8221;<br \/>\n(Contado por Branca, a cozinheira do CJ)<\/p>\n<p><strong>Um enfoque na produ\u00e7\u00e3o escrita<\/strong><br \/>\nNo CJ vimos como o projeto &#8220;Sei n\u00e3o, s\u00f3 sei que foi assim&#8221; contribuiu para que as crian\u00e7as desenvolvessem o gosto e o h\u00e1bito da leitura. Enquanto isso, na escola Logos, a professora Elaine priorizou o trabalho com a linguagem escrita. Ela prop\u00f4s que as crian\u00e7as pesquisassem causos com suas fam\u00edlias e escrevessem essas narrativas a fim de ler na roda para os amigos. As crian\u00e7as ouviam a leitura atentamente e comentavam,\u00a0 ajudando o companheiro a reescrever seu causo, que, junto com outros, iria compor a colet\u00e2nea de narrativas do grupo 6 a ser disponibilizada para quem quisesse apreciar. Depois enviaram seus causos para as crian\u00e7as<br \/>\ndo CJ.<\/p>\n<div id=\"attachment_483\" style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-483\" class=\"size-full wp-image-483\" title=\"antenor\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/antenor.jpg\" alt=\"Primeiro texto escrito por Antenor. Ao lado os coment\u00e1rios das crian\u00e7as\" width=\"317\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/antenor.jpg 317w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/antenor-300x280.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><p id=\"caption-attachment-483\" class=\"wp-caption-text\">Primeiro texto escrito por Antenor. Ao lado os coment\u00e1rios das crian\u00e7as<\/p><\/div>\n<p>\u2013 Que casa era? \u2013 perguntou Gabriel \u2013 Onde?<br \/>\n\u2013 Como ele sabia que era o vento? \u2013 questionou Luiza, intrigada.<br \/>\n\u2013 O trem passava bem na frente? \u2013 duvidou Gabriel.<br \/>\n\u2013 \u00c9, na frente \u2013 respondeu Antenor, o relator do causo.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o existe trem que passa na frente \u2013 insistiu Gabriel.<br \/>\n\u2013 Tinha trilho \u2013 explicou Antenor.<br \/>\n\u2013 As pessoas desconfiavam desse trem? \u2013 quis saber a professora.<br \/>\n\u2013 Sim, que tinha Zumbi l\u00e1 dentro \u2013 esclareceu Antenor.<br \/>\n\u2013 E era um Zumbi que balan\u00e7ava a cadeira? \u2013 perguntou Luiza, para confirmar.<br \/>\n\u2013 Este \u00e9 o mist\u00e9rio! \u2013 explicou Antenor, defendendo seu causo.<\/p>\n<div id=\"attachment_482\" style=\"width: 301px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-482\" class=\"wp-image-482 \" title=\"avisa_04_tempo5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa_04_tempo5.jpg\" alt=\"Conto escrito por Antenor\" width=\"291\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa_04_tempo5.jpg 291w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa_04_tempo5-260x300.jpg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><p id=\"caption-attachment-482\" class=\"wp-caption-text\">Texto reescrito<\/p><\/div>\n<p>(Edi Fonseca,\u00a0 formadora do Crecheplan e contadora de hist\u00f3rias)<\/p>\n<p><strong>O PROJETO:<\/strong><br \/>\n<strong>Eixo de trabalho predominante:<\/strong><br \/>\nlinguagem oral e escrita<\/p>\n<p><strong>Objetivos:<\/strong><br \/>\n<em><strong>1<\/strong><strong><em>.<\/em> compartilhado com as crian\u00e7as:<\/strong><\/em> gravar uma fita de contos populares e causos para doar \u00e0s crian\u00e7as da Institui\u00e7\u00e3o Laramara;<br \/>\n<em><strong>2. did\u00e1tico:<\/strong><\/em> trabalhar com a leitura e a oralidade, ajudando as crian\u00e7as a estabelecerem rela\u00e7\u00f5es entre causos e outros contos da tradi\u00e7\u00e3o oral.<br \/>\n<strong>Tempo previsto:<\/strong> 4 meses<br \/>\n<strong>Turma:<\/strong> 9 a 10 anos<br \/>\n<strong>O que a professora quer que as crian\u00e7as aprendam:<\/strong><br \/>\n1. Sobre os textos e os procedimentos de trabalho:<br \/>\n&#8211; ler e atribuir sentido aos causos;<br \/>\n&#8211; distinguir e reconhecer causos de outras narrativas;<br \/>\n&#8211; distinguir o c\u00f3digo da linguagem oral e da escrita;<br \/>\n&#8211; contar causos;<br \/>\n&#8211; registrar causos oralmente;<br \/>\n&#8211; registrar causos por escrito;<br \/>\n&#8211; planejar e executar tarefas em grupo;<br \/>\n&#8211; pesquisar;<br \/>\n&#8211; divulgar e envolver outras pessoas no trabalho, socializando alguns conhecimentos.<br \/>\n2. Atitudes e valores:<br \/>\n&#8211; valorizar o trabalho em grupo;<br \/>\n&#8211; valorizar os saberes dos mais velhos e de outras pessoas da comunidade;<br \/>\n&#8211; gostar de ler e ouvir hist\u00f3rias.<br \/>\n<strong>Orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas do projeto:<\/strong><br \/>\n1. Ler e estudar causos, durante todo o projeto, para alimentar as crian\u00e7as, ampliando dessa forma o repert\u00f3rio do grupo.<br \/>\n2. Promover momentos em que as crian\u00e7as v\u00e3o contar causos, para que possam se envolver com o texto oral, reconhecer e usar caracter\u00edsticas desse tipo de narrativa.<br \/>\n3. Quando for o momento de apresentar os contos tradicionais, \u00e9 importante garantir que todas as crian\u00e7as tenham o livro ou uma c\u00f3pia dos textos, para que possam ensaiar estrat\u00e9gias que auxiliem a compreens\u00e3o da leitura.<br \/>\n4. Promover o uso de dicion\u00e1rio para que ampliem o vocabul\u00e1rio e compreendam melhor os significados do texto.<br \/>\n5. Combinar com as crian\u00e7as, durante todo o projeto, momentos de contar hist\u00f3rias para que elas possam treinar diferentes entona\u00e7\u00f5es, usando as marcas do texto, compreendendo a import\u00e2ncia do preparo para ler em voz alta.<br \/>\n6. Propor quest\u00f5es que fa\u00e7am as crian\u00e7as pensarem sobre o texto espec\u00edfico, dando a elas mais elementos para compreender e distinguir a linguagem oral e a linguagem escrita.<br \/>\n7. Garantir, sempre que poss\u00edvel, o trabalho em grupos, para que as crian\u00e7as possam ser parceiras de fato, colocando em jogo os saberes individuais.<br \/>\n8. Promover espa\u00e7o e clima favor\u00e1veis para os momentos de grava\u00e7\u00e3o, permitindo que as crian\u00e7as contem e leiam hist\u00f3rias em voz alta, garantindo a aten\u00e7\u00e3o dos ouvintes.<br \/>\n9. Incluir a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as a cada retomada do planejamento do projeto.<br \/>\n<strong>Atividades:<\/strong><br \/>\nI.Atividade inicial: Contar um causo para as crian\u00e7as e observar se elas percebem as caracter\u00edsticas principais desse texto, se conhecem hist\u00f3rias desse tipo, contadas pelos pais, amigos ou parentes, trazidas de outras regi\u00f5es. Pedir que contem alguns causos e\/ou escrevam um causo conhecido ou inventado.<br \/>\nII. Seq\u00fc\u00eancia prevista de atividades:<br \/>\n1. Listar com as crian\u00e7as os materiais necess\u00e1rios e as etapas de trabalho, para que participem do planejamento e fiquem atentas ao desenvolvimento do projeto para alcan\u00e7ar o objetivo compartilhado (a fita de contos da tradi\u00e7\u00e3o popular).<br \/>\n2. Leitura de um texto. Cada crian\u00e7a receber\u00e1 seu texto com refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica. Elas dever\u00e3o grifar as palavras desconhecidas, tentar compreend\u00ea-las no contexto da hist\u00f3ria e conferir no dicion\u00e1rio. Essa pr\u00e1tica ajuda as crian\u00e7as a desenvolverem estrat\u00e9gias de leitura.<br \/>\n3. Leitura de um texto. Dividir a turma em quatro grupos; dois grupos v\u00e3o ler com o prop\u00f3sito de contar oralmente. Os outros dois v\u00e3o fazer uma leitura em voz alta para o grupo. Gravar as apresenta\u00e7\u00f5es para que as crian\u00e7as possam, em seguida, discutir, apreciar, compreender outros significados dos textos, percebendo assim a diferen\u00e7a entre ler e contar.<br \/>\n4. Assistir ao filme Marvada Carne, para reconhecer nele alguns causos, suas caracter\u00edsticas e seus contextos.<br \/>\n5. Dividir a turma em quatro grupos para as seguintes tarefas:<br \/>\n&#8211; pesquisa de causos com funcion\u00e1rios do CJ e com as fam\u00edlias. Saber como esses causos surgiram;<br \/>\n&#8211; sele\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias que ser\u00e3o gravadas e planejamento da divis\u00e3o de pap\u00e9is e efeitos sonoros;<br \/>\n&#8211; confec\u00e7\u00e3o de mural com cartazes e informa\u00e7\u00f5es sobre o projeto;<br \/>\n&#8211; digita\u00e7\u00e3o dos causos recebidos por meio da pesquisa, para a constru\u00e7\u00e3o de um acervo.<br \/>\n6. Fazer uma conversa de roda e registrar aspectos que se repetem nos causos, ou seja, levantamento de regularidades, para que as crian\u00e7as tenham refer\u00eancias para identificar um causo e possam recorrer a eles para contar suas hist\u00f3rias.<br \/>\n7. Trocar informa\u00e7\u00f5es com outro grupo de crian\u00e7as e\/ou adolescentes que estejam trabalhando com causos, para que possam compartilhar conhecimentos e aprender com outras pessoas.<br \/>\n8. Convidar algumas pessoas da comunidade para contar causos no CJ, para que as crian\u00e7as possam ampliar o repert\u00f3rio e aprender os diferentes jeitos de contar hist\u00f3rias.<br \/>\n9. Selecionar os causos ou contos para propor a primeira grava\u00e7\u00e3o a um pequeno grupo (duas ou tr\u00eas crian\u00e7as). Na audi\u00e7\u00e3o da fita ser\u00e1 dada ao grupo a oportunidade para analisar o desempenho, decidindo mudan\u00e7as para melhorar e ainda escolher o efeito sonoro mais adequado para\u00a0 enriquecer a narrativa.<br \/>\n10. Combinar com as crian\u00e7as um momento de treinar os recontos com diferentes entona\u00e7\u00f5es, para que possam trabalhar com a pontua\u00e7\u00e3o, compreendendo a import\u00e2ncia das marcas do texto e ajudando no preparo da leitura em voz alta.<br \/>\n11. Promover uma &#8220;Tarde dos Causos&#8221;, para que todos os parceiros que participaram, de perto ou \u00e0 dist\u00e2ncia, possam trocar causos. Essa atividade coloca em jogo tudo o que as crian\u00e7as sabem sobre o que foi estudado.<br \/>\n12. Gravar a fita.<\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\nO projeto Sei n\u00e3o, s\u00f3 sei que foi assim, de Edi Fonseca, foi realizado no Centro de Juventude Dom Bosco, no Brooklin, de agosto a novembro de 1999, e dele participaram a coordenadora pedag\u00f3gica Selma Protti, a professora Suely Iolanda Viduluc, 30 crian\u00e7as entre 9 e 10 anos e a formadora Denise Nalini. Apoio: Instituto P\u00e3o de A\u00e7\u00facar .<\/p>\n<p><strong>Para saber mais:<\/strong><br \/>\nLIVROS:<br \/>\n\u2022 Contos tradicionais do Brasil. C\u00e2mara Cascudo. Ediouro, Rio de Janeiro, 1998, tel.: (0XX21) 560-6122.<br \/>\n\u2022 Casos de Minas. Olavo Romano. Paz e Terra, tel.: (0XX11) 276-5566.<br \/>\n\u2022 Alexandre e outros her\u00f3is. Graciliano Ramos. S\u00e3o Paulo, Record, 1996, tel.: (0XX11) 220-6766.<br \/>\n\u2022 As Estramb\u00f3licas Aventuras do Joaquim Dentinho. Corn\u00e9lio Pires, Prefeitura Municipal de Tiet\u00ea, 1985.<br \/>\n\u2022 Contos de Assombra\u00e7\u00e3o, co-produ\u00e7\u00e3o latino-americana. Ed. \u00c1tica, tel.: (0XX11) 3346-3000.<\/p>\n<p>FILME:<br \/>\n\u2022 A Marvada Carne. Andr\u00e9 Klotzel<\/p>\n<p><strong>Dica de leitura:<\/strong><br \/>\n\u201cSe voc\u00ea tem alguma d\u00favida sobre a cultura brasileira, pergunte \u00e0 C\u00e2mara Cascudo\u201d, j\u00e1 nos aconselhava o poeta Carlos Drummond de Andrade nos fins da d\u00e9cada de 60. E se o famoso folclorista n\u00e3o est\u00e1 mais por aqui para atender aos nossos chamados e d\u00favidas (ele faleceu no ano de 1986, aos 88 anos), seus textos podem fornecer respostas precisas e consistentes sobre nossa cultura, nossos h\u00e1bitos e folclore. Grande estudioso do Brasil, C\u00e2mara Cascudo tinha enorme compromisso com as tradi\u00e7\u00f5es populares, o que fica expl\u00edcito em suas obras.<br \/>\nDentre elas, podemos destacar Dicion\u00e1rio do Folclore Popular, Contos Tradicionais do Brasil, Vaqueiros e cantadores, entre outras. Cascudo dedicou grande parte de seus estudos \u00e0s lendas brasileiras, que\u00a0 constituem importante express\u00e3o de nossa cultura popular, e escreveu seu Lendas Brasileiras. Tornou-se assim um bom contador de causos. Ali\u00e1s, lendo esse livro, temos mesmo a impress\u00e3o de estarmos ao redor de uma fogueira, escutando as hist\u00f3rias de nossa terra, seduzidos pelas cren\u00e7as de nosso povo e de nossa origem. As lendas agrupadas nesse volume fazem parte de nossa tradi\u00e7\u00e3o oral, da\u00ed a sua rela\u00e7\u00e3o com os &#8220;causos&#8221;; podemos mesmo reconhecer v\u00e1rias delas naquelas hist\u00f3rias que nos foram contadas pelos mais velhos, persistindo em suas mem\u00f3rias e tradi\u00e7\u00f5es. Recentemente a Ediouro reeditou essas Lendas Brasileiras, que se encontram no livro divididas por regi\u00f5es: Norte, Nordeste, Este, Sul e Centro. Dentre as lendas, podemos encontrar as<br \/>\nmais famosas, tais como &#8220;A lenda da Iara&#8221; (Norte), &#8220;O Negrinho do Pastoreio (Sul) e &#8220;Chico Rei&#8221; (Centro), bem como algumas menos\u00a0 conhecidas, como &#8220;A Cidade Encantada de Jericoacoara&#8221; e &#8220;As Mangas de Jasmim e Itamarac\u00e1&#8221; (ambas do Nordeste) e, ainda, &#8220;O Sonho de Paraguassu&#8221;(Este), entre outras. Todas elas tratam de nossas origens, remetendo-nos \u00e0 terra, ao que nos constitui e \u00e9 universal, como fazem mesmo os bons causos da riqu\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o oral. Al\u00e9m das hist\u00f3rias, trata-se aqui de uma edi\u00e7\u00e3o bem cuidada e bonita, ilustrada pelo famoso artista Poty, tamb\u00e9m conhecido por ilustra obras de grandes escritores como Graciliano Ramos, Guimar\u00e3es Rosa e Jorge Amado. A leitura dessas obras \u00e9 um convite. Ent\u00e3o venha: vamos nos sentar aqui, em volta dessa fogueira, escutando mato, vento, hist\u00f3rias de C\u00e2mara Cascudo.<br \/>\n(Ana Carolina Carvalho)<br \/>\nCascudo, Lu\u00eds da C\u00e2mara. Lendas Brasileiras. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000. Tel.: (0XX21) 560-6122 \u2013 Fax (0XX21) 280-2438 e-mail: livros@ediouro.com.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lendo e pesquisando causos, ouvindo outros trazidos pelos funcion\u00e1rios e seus familiares, lendo e comparando com outros contos de tradi\u00e7\u00e3o oral, de tem\u00e1tica semelhante aos causos, as crian\u00e7as teriam  condi\u00e7\u00f5es de gravar uma fita para guardar o repert\u00f3rio aprendido no projeto. A fita seria doada a uma outra institui\u00e7\u00e3o educativa, para que outras crian\u00e7as tamb\u00e9m tivessem acesso aos causos. Por Edi Fonseca<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":2997,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133,34],"tags":[1101,148,149,153,152,21,151,150],"class_list":{"0":"post-476","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-04","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2000","10":"tag-causos","11":"tag-contos","12":"tag-denise-nalini","13":"tag-edi-fonseca","14":"tag-escrita","15":"tag-leitura","16":"tag-linguagem-oral","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/476\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2997"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}