{"id":4696,"date":"2008-04-04T21:28:24","date_gmt":"2008-04-05T00:28:24","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4696"},"modified":"2023-03-27T18:56:34","modified_gmt":"2023-03-27T21:56:34","slug":"para-planejar-bem-o-brincar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-34\/para-planejar-bem-o-brincar\/","title":{"rendered":"Para planejar bem o brincar"},"content":{"rendered":"<h5>A observa\u00e7\u00e3o, o conhecimento sobre como as crian\u00e7as de diferentes idades brincam s\u00e3o importantes para planejar o brincar<\/h5>\n<div id=\"attachment_4699\" style=\"width: 255px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4699\" class=\"size-full wp-image-4699 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fazer1.jpg\" alt=\"fazer1.jpg\" width=\"245\" height=\"200\" \/><p id=\"caption-attachment-4699\" class=\"wp-caption-text\">Na brincadeira, as regras n\u00e3o limitam a a\u00e7\u00e3o l\u00fadica, a crian\u00e7a pode modific\u00e1-las, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros (fotos: Arquivo da Creche Gota de Leite)<\/p><\/div>\n<p>\u00c0 luz dos registros de uma coordenadora pedag\u00f3gica, vamos acompanhar as mudan\u00e7as realizadas em uma institui\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, acerca da presen\u00e7a do brincar neste espa\u00e7o. Quest\u00f5es importantes como a organiza\u00e7\u00e3o do ambiente, do tempo e as a\u00e7\u00f5es das professoras ajudam a definir a brincadeira como uma das atividades priorit\u00e1rias dos pequenos, digna de planejamento, de registros e avalia\u00e7\u00e3o. Momentos destinados a variadas formas de brincar certamente fazem parte da rotina das Unidades Educativas. E n\u00e3o poderia ser diferente, pois a brincadeira \u00e9 sempre associada ao desenvolvimento infantil. Ao brincar, desde cedo as crian\u00e7as conhecem o pr\u00f3prio corpo, o mundo em que vivem e seus objetos, imitam os comportamentos dos adultos \u00e0 sua volta, assimilando valores e h\u00e1bitos culturais, elaboram sentimentos e situa\u00e7\u00f5es vividas. Brincar \u00e9 uma das formas mais importantes de estar no mundo e pensar sobre ele.<\/p>\n<p>Toda crian\u00e7a sabe brincar. E justamente por ser a brincadeira express\u00e3o t\u00edpica da inf\u00e2ncia, muitas vezes acreditamos que ela sempre acontece naturalmente e n\u00e3o necessita da interven\u00e7\u00e3o do adulto. Mas o planejamento da brincadeira deve ser id\u00eantico ao de outras atividades? Precisamos propor novas organiza\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o, ou a crian\u00e7a \u00e9 quem deve criar os cantos destinados ao brincar? Como pensar a brincadeira na rotina de CEIs e de escolas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil?<\/p>\n<p>Neste artigo, teremos a oportunidade de discutir essas quest\u00f5es a partir das reflex\u00f5es feitas pela coordenadora pedag\u00f3gica Carla Luizato Pereira sobre o projeto realizado na institui\u00e7\u00e3o Gota de Leite, em Santos (SP).<!--more--><\/p>\n<p><strong>O brincar na pr\u00e1tica do professor<\/strong><br \/>\nPara come\u00e7ar nossa conversa, vamos descrever duas situa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para o momento da brincadeira na escola e, depois, tecer coment\u00e1rios sobre essas situa\u00e7\u00f5es. Vamos analisar duas cenas t\u00edpicas em diferentes classes de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, levando em conta concep\u00e7\u00f5es diversas acerca do brincar e de sua inser\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o educativa.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Cena 1 \u2013<\/strong> Ao entrarmos na sala de grupo de crian\u00e7as de 3 anos, a cena \u00e9 a seguinte: A professora est\u00e1 ocupada em responder bilhetes enviados pelos pais. Ela est\u00e1 em uma das mesas da sala e, apesar de atenta \u00e0s crian\u00e7as, n\u00e3o interage diretamente com elas, fazendo-se presente apenas nos momentos em que \u00e9 solicitada a resolver algum conflito. Algumas crian\u00e7as da classe ainda est\u00e3o em seu hor\u00e1rio de descanso, mas a maioria j\u00e1 acordou. Dois tipos diferentes de brinquedos de montar foram colocados sobre um tapete. Num canto definido como o espa\u00e7o da casinha, equipado com fog\u00e3o e geladeira, foram colocados algumas panelinhas e brinquedos de pl\u00e1stico imitando frutas e verduras.<\/p>\n<p>De acordo com a rotina da professora, este \u00e9 o momento da brincadeira na rotina. De fato, algumas crian\u00e7as est\u00e3o brincando na casinha, com os jogos de montar, no entanto, elas se dispersam rapidamente das brincadeiras e perambulam bastante tempo pela sala. No canto do jogo simb\u00f3lico, um menino leva \u00e0 boca os legumes e frutas de pl\u00e1stico. Um outro brinca com eles como se fossem carrinhos. Algumas crian\u00e7as est\u00e3o deitadas no tapete, observando outras, que brincam com o jogo de montar. Uma menina atira ao longe as pe\u00e7as do jogo e \u00e9 advertida pela professora, que a relembra para que serve aquele brinquedo. O canto fixo dos livros \u00e9 visitado por uma ou outra crian\u00e7a. Uma menina pegou um papel que estava na prateleira, ao seu alcance, e claramente imita os gestos de sua professora, como se estivesse escrevendo.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_4700\" style=\"width: 254px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4700\" class=\"size-full wp-image-4700 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fazer2.jpg\" alt=\"fazer2.jpg\" width=\"244\" height=\"180\" \/><p id=\"caption-attachment-4700\" class=\"wp-caption-text\">As brincadeiras em diferentes situa\u00e7\u00f5es educacionais podem ser um meio para analisar compet\u00eancias e potencialidades das crian\u00e7as envolvidas.<\/p><\/div>\n<p><strong>O que observamos nesta situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA brincadeira aparece como um \u201ctapa-buraco\u201d, preenchendo um momento em que a professora precisa concentrar-se em outra tarefa. A professora n\u00e3o interage diretamente com as crian\u00e7as, mas aos 3 anos, isso pode ser necess\u00e1rio porque grande parte do jogo de faz-de-conta da crian\u00e7a parte da intera\u00e7\u00e3o e da imita\u00e7\u00e3o dos comportamentos observados por ela. As pe\u00e7as dos brinquedos de montar est\u00e3o misturadas, o que n\u00e3o permite \u00e0 crian\u00e7a reconhecer as possibilidades de encaixe e de montagem. Talvez isso, somado ao fato de que esse jogo pode ser realmente pouco desafiador para sua idade, justifique a a\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a que lan\u00e7a ao longe as pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Mesmo com poucas informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas do espa\u00e7o, ele n\u00e3o parece ter sofrido muita interven\u00e7\u00e3o nesse momento. N\u00e3o sabemos como a casinha est\u00e1 circunscrita, como \u00e9 o canto de livros, nem mesmo que material est\u00e1 pr\u00f3ximo \u00e0 professora. O que sabemos \u00e9 que o material dispon\u00edvel e sua organiza\u00e7\u00e3o oferecem importantes dicas de como as crian\u00e7as podem brincar e com o qu\u00ea. No caso da menina que come\u00e7a a brincar de professora, por exemplo, se ela dispusesse de mais materiais, talvez seu faz-de-conta pudesse ter sido mais completo.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Cena 2 (A partir dos registros de Carla Luizato Pereira, sobre observa\u00e7\u00e3o realizada em uma sala de Ber\u00e7\u00e1rio 2) \u2013<\/strong> Quando entrei na sala, as crian\u00e7as j\u00e1 estavam brincando de casinha e de sal\u00e3o de beleza. As professoras organizaram dois espa\u00e7os diferentes e todos os materiais de sal\u00e3o de beleza estavam sobre duas mesas. Dentro da casinha estavam Pedro, Marcelli, Bruna e Adrian; no sal\u00e3o de beleza, Marisa, J\u00falia, Guilherme, Beatriz e Jo\u00e3o. Entrei na casinha, sentei-me e pedi ao Pedro que me servisse um prato de comida. Ele j\u00e1 estava sentado com um pratinho \u00e0 sua frente. Pedi mais de uma vez que ele me servisse comida e ele n\u00e3o se moveu. Como Bruna estava perto e ouviu os meus pedidos, ela me trouxe um pratinho e um copo.<\/p>\n<p>Instru\u00edda pela professora Desir\u00e9e, perguntei ao Pedro o que ele estava comendo. Eu fiz a pergunta e ele logo respondeu:<\/p>\n<p>\u2013 Carne!!!<\/p>\n<p>Eu disse ao Pedro que estava comendo macarr\u00e3o. Ele repetiu que estava comendo carne. Perguntei o que ele estava bebendo, e ele respondeu:<\/p>\n<p>\u2013 Suco!!!<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m disse a ele que estava tomando suco de laranja. Enquanto fingia comer, eu disse a ele que a comida estava muito quente e a assoprei. Pedro ficou me observando e, em seguida, me imitou. Depois que terminei de comer, pedi \u00e0 Bruna que me trouxesse uma mamadeira pra eu dar para a bebezinha. Ela me trouxe uma mamadeira e eu fingi alimentar a bebezinha. Em seguida, fiz de conta que ela estava chorando e a embalei para que parasse de chorar. Bruna ficou me observando e fez igual. Nesse momento, a professora Desir\u00e9e fez de conta que o telefone estava tocando e Pedro foi atend\u00ea-lo. Ele disse al\u00f4 e passou o telefone pra mim. Eu atendi e agi como se eu estivesse falando com minha m\u00e3e, explicando-lhe que a beb\u00ea estava chorando. Ele tirou o telefone da minha m\u00e3o, fingiu que falava com algu\u00e9m e repetiu as minhas palavras:<\/p>\n<p>beb\u00ea t\u00e1 chorando, beb\u00ea t\u00e1 chorando!!!<\/p>\n<p>Sem que eu esperasse, ele pegou o telefone e colocou no ouvido da bonequinha que estava no meu colo. Eu agi com se ele estivesse chorando, ent\u00e3o ele me olhou com uma carinha de espanto e colocou o telefone no meu ouvido. Eu repeti a mesma frase e disse que daria a mamadeira para que a beb\u00ea parasse de chorar. Depois desse momento, coloquei a beb\u00ea pra dormir e fui lavar a lou\u00e7a. Eu simulei que sa\u00eda \u00e1gua da torneirinha e passava a m\u00e3o sobre os pratos e talheres. Quando eu terminava de lav\u00e1los, pedia que a Marcelli guardasse a lou\u00e7a no arm\u00e1rio, e ela o fazia. Quando terminei de lavar, fui ao sal\u00e3o de beleza e Pedro assumiu o meu lugar diante da pia, imitando o barulho de \u00e1gua que eu fazia.<\/p>\n<p>No sal\u00e3o de beleza, fiquei observando as crian\u00e7as por alguns segundos. Elas queriam mexer em todos os produtos ao mesmo tempo, como uma tentativa de explorar todos eles sem perd\u00ea-los de vista. Cristiane estava fazendo um penteado em uma crian\u00e7a e pediu \u00e0 J\u00falia que pegasse uma x\u00edcara de caf\u00e9 pra mim. Ele demorou um pouquinho e em seguida me trouxe uma caneca de caf\u00e9. Eu fingi que estava muito gostoso e entreguei a canequinha pra ela. Ela colocou-a em cima da mesa, e eu pedi que fizesse um penteado em mim. Sentei-me diante de um espelho e J\u00falia e Guilherme come\u00e7aram a me pentear. J\u00falia passou um spray com \u00e1gua e come\u00e7ou a cortar meu cabelo com uma tesourinha de mentira. Depois peguei uma touquinha t\u00e9rmica e disse que estava fazendo hidrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Guilherme ficou meio espantado com a atitude e resolveu passar mais \u00e1gua. Peguei um bobe e comecei a enrol\u00e1-lo no meu cabelo, pedindo \u00e0 J\u00falia que fizesse o mesmo. Ela tentou fazer um rolinho e eu prendi com uma xuxinha. Ao mesmo tempo em que mexiam em meu cabelo, eles exploravam tudo ao seu redor. Queriam passar maquiagem solicitando que abrissem o estojinho, queriam passar xampu, fingindo espremer a embalagem e utilizando o esguicho de \u00e1gua. Depois de muita brincadeira, as professoras come\u00e7aram a organizar os materiais solicitando a ajuda das crian\u00e7as e foram para o lanche.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_4701\" style=\"width: 263px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4701\" class=\"size-full wp-image-4701 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fazer3.jpg\" alt=\"fazer3.jpg\" width=\"253\" height=\"206\" \/><p id=\"caption-attachment-4701\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7a frente ao espelho diz: \u201c Eu sou uma fada, a borboleta da fada&#8230;.\u201d<\/p><\/div>\n<p><strong>O que pensar sobre a brincadeira?<\/strong><br \/>\nO ambiente estava organizado de modo diferente, se comparado ao dia-a-dia, com cantos espec\u00edficos para cada tema da brincadeira. Havia uma boa quantidade de materiais nos cantos, o que permitia a participa\u00e7\u00e3o de todas as crian\u00e7as nas brincadeiras. A atividade foi planejada como parte da rotina, com um momento especificamente destinado a ela e com o envolvimento das professoras, n\u00e3o apenas na elabora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m como parceiras das crian\u00e7as no faz-de-conta. As professoras oferecem modelos \u00e0s crian\u00e7as e sugerem a\u00e7\u00f5es, propondo cenas condizentes \u00e0s brincadeiras e estimulando a participa\u00e7\u00e3o e a troca de pap\u00e9is entre os alunos. Embora a brincadeira seja t\u00edpica do mundo infantil, as crian\u00e7as tamb\u00e9m assimilam modelos provenientes dos adultos, imitando seu jeito de brincar, incorporando novos elementos, gestos ou falas ao brincar.<br \/>\n<strong><br \/>\nO adulto na brincadeira<\/strong><br \/>\nAo ler o registro de Carla Luizato Pereira, podemos nos questionar: at\u00e9 que ponto o professor deve participar da brincadeira das crian\u00e7as e at\u00e9 onde deve gui\u00e1-la? Esse \u00e9 um ponto para a nossa reflex\u00e3o. Certamente, o adulto tem uma fun\u00e7\u00e3o bastante importante na brincadeira infantil e na brincadeira no meio escolar. \u00c9 dele a capacidade de zelar pelo espa\u00e7o da brincadeira: garantir o tempo, os materiais e a privacidade para que seus alunos possam brincar. Promover revezamentos de pap\u00e9is e ajudar a solucionar conflitos tamb\u00e9m podem fazer parte de suas fun\u00e7\u00f5es. E em todas as faixas et\u00e1rias isso deve ser respeitado. No entanto, a participa\u00e7\u00e3o do adulto nas brincadeiras muda conforme a idade das crian\u00e7as. No caso de crian\u00e7as menores, como \u00e9 o caso do nosso exemplo, a presen\u00e7a da professora pode ser adequada, pois elas precisam do adulto para observar, imitar e interagir. Mas se nesta classe houvesse crian\u00e7as maiores, a interven\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o constantes da professora podem \u00e0s vezes ser desnecess\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>A brincadeira e seus diferentes tempos<\/strong><br \/>\n\u00c0 medida que as crian\u00e7as crescem e se desenvolvem, o jeito como brincam muda, alterando tamb\u00e9m a necessidade da presen\u00e7a do adulto. H\u00e1 um tempo em que a crian\u00e7a pequena s\u00f3 imita quando tem um adulto ao lado. Depois, vem o tempo da imita\u00e7\u00e3o diferida, em que ela brinca mesmo longe do adulto, lembrando-se do que viu e trazendo para a cena a a\u00e7\u00e3o. Depois, vem o tempo em que a crian\u00e7a representa o que conhece e, finalmente, h\u00e1 o tempo do faz-de-conta, em que ela inventa algo que n\u00e3o existe e vive aquilo como se fosse de verdade. Gilles Broug\u00e8re, importante estudioso do universo do brincar, alerta para a import\u00e2ncia da livre escolha na brincadeira. Sem livre escolha, explica Gilles, sem possibilidade real de decidir, n\u00e3o existe mais brincadeira, mas uma sucess\u00e3o de comportamentos que t\u00eam a sua origem fora daquele que brinca.<\/p>\n<p>Um professor pode imaginar um contexto para que a brincadeira aconte\u00e7a, mas isso n\u00e3o \u00e9 garantia de nada. H\u00e1 sempre que se contar com a inven\u00e7\u00e3o daquele que brinca, com a sua iniciativa e com os poss\u00edveis desdobramentos em rela\u00e7\u00e3o ao brincar. Uma atitude muito diretiva do professor pode inibir as crian\u00e7as, levando-as a fazer o que o professor sugere, j\u00e1 que est\u00e3o acostumadas a seguir suas orienta\u00e7\u00f5es em outros momentos. Esse \u00e9 o cuidado que se deve tomar na organiza\u00e7\u00e3o das brincadeiras, principalmente dos cantos para o jogo simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Os brinquedos podem sugerir brincadeiras e o espa\u00e7o organizado tamb\u00e9m. Mas n\u00e3o s\u00e3o determinantes. A fun\u00e7\u00e3o de um brinquedo n\u00e3o faz parte dele como objeto, mas se estabelece sempre na rela\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a desenvolve com ele. Portanto, h\u00e1 algo que sempre pode ir al\u00e9m do objeto ou do espa\u00e7o planejado. O aspecto inventivo da brincadeira \u00e9 parte fundamental do brincar.<\/p>\n<p><strong>O lugar da organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o<\/strong><br \/>\nAo observar as duas cenas, podemos fazer algumas afirma\u00e7\u00f5es. Uma delas diz respeito ao espa\u00e7o, que se mostrou importante para o desenvolvimento e sucesso da brincadeira entre as crian\u00e7as. \u00c9 muito diferente brincar de casinha s\u00f3 com uma mesa e algumas panelinhas de pl\u00e1stico, num ambiente que n\u00e3o sofreu altera\u00e7\u00e3o nenhuma, e ser convidado a entrar em uma cabana feita a partir de um len\u00e7ol, que d\u00e1 um canto especial e aconchegante. A capacidade de a crian\u00e7a fantasiar e fazer de conta \u00e9 grande, mas ela pode ficar ainda mais enriquecida com os elementos que comp\u00f5em o espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4702\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_34_fazer5.jpg\" alt=\"avisala_34_fazer5\" width=\"352\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_34_fazer5.jpg 352w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_34_fazer5-300x160.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><\/p>\n<p>Gilles Broug\u00e8re tamb\u00e9m refor\u00e7a a import\u00e2ncia de um \u201cambiente indutor\u201d no desenvolvimento da brincadeira infantil. Assim ele escreve, em seu livro Brinquedo e Cultura<sup>1<\/sup>: A crian\u00e7a n\u00e3o brinca em uma ilha deserta. Ela brinca com subst\u00e2ncias materiais e imateriais que lhes s\u00e3o propostas. Os brinquedos orientam a brincadeira, trazem-lhe a mat\u00e9ria. Algumas pessoas s\u00e3o tentadas a dizer que eles a condicionam, mas ent\u00e3o, toda a brincadeira est\u00e1 condicionada pelo meio ambiente. S\u00f3 se pode brincar com o que se tem e a criatividade [&#8230;] permite, justamente, ultrapassar esse ambiente, sempre particular e limitado. O educador pode, portanto, construir um ambiente que estimule a brincadeira em fun\u00e7\u00e3o dos resultados desejados. N\u00e3o se tem certeza de que a crian\u00e7a v\u00e1 agir, com esse material, como desejar\u00edamos, mas aumentamos, assim, as chances de que ela o fa\u00e7a; num universo sem certezas, s\u00f3 podemos trabalhar com probabilidades.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 importante analisar seus objetivos e tentar, por isso, propor materiais que otimizem as chances de preencher tais objetivos. N\u00e3o h\u00e1 somente o material, \u00e9 preciso levar em conta as outras contribui\u00e7\u00f5es, tudo aquilo que propicie \u00e0 crian\u00e7a, pontos de apoio para sua atividade l\u00fadica [&#8230;]\u201d. Outros estudos revelam como um mesmo brinquedo, em ambientes mais ou menos organizados, podem variar seu uso, em brincadeiras mais estereotipadas ou mais inventivas.<\/p>\n<p>(Ana Carolina Carvalho, psic\u00f3loga e colaboradora da Revista Avisa l\u00e1, Silvana Augusto, professora de Filosofia e formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e Carla Luizato Pereira, formadora da Creche Gota de Leite, localizada em Santos \u2013 SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Brinquedo e Cultura, Gilles Broug\u00e8re. Ed. Cortez.<\/p>\n<h4>A necess\u00e1ria imprevisibilidade da brincadeira<\/h4>\n<div id=\"attachment_4703\" style=\"width: 664px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4703\" class=\" wp-image-4703  \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fazer4.jpg\" alt=\"fazer4.jpg\" width=\"654\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fazer4.jpg 1090w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fazer4-300x135.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fazer4-1024x464.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><p id=\"caption-attachment-4703\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Silvia Carvalho<\/p><\/div>\n<h4>Cuidar do ambiente tamb\u00e9m \u00e9 garantir o brincar<\/h4>\n<p>Na Gota de Leite, as educadoras fizeram importantes reflex\u00f5es sobre a import\u00e2ncia e a forma de organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o para a brincadeira, avaliando o que j\u00e1 faziam e repensando suas pr\u00e1ticas a partir de um levantamento de uma s\u00e9rie de quest\u00f5es propostas pela coordenadora:<\/p>\n<p><strong>Quantos cantos fixos deve haver em uma sala? Por que \u00e9 importante a organiza\u00e7\u00e3o em cantos de atividades?<\/strong><br \/>\nO momento do trabalho com os cantos de atividades diversificadas tem se tornado cada vez mais comum na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Al\u00e9m de promoverem diferentes atividades para as crian\u00e7as, a divis\u00e3o em cantos estimula a autonomia e a capacidade de escolha da crian\u00e7a, caracter\u00edsticas importantes para a forma\u00e7\u00e3o de sua identidade.<\/p>\n<p><strong>Como os materiais devem estar organizados (em prateleiras, caixas de papel\u00e3o, caixas de pl\u00e1stico, sacos, em p\u00e9, deitados ou misturados)?<\/strong><br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o da sala se reflete no comportamento das crian\u00e7as, elas se localizam melhor em um ambiente organizado, que pode conferir mais autonomia e ampliar a possibilidade de colabora\u00e7\u00e3o na arruma\u00e7\u00e3o dos ambientes para os pequenos.<\/p>\n<p><strong>Como devem ser os arm\u00e1rios, as estantes e prateleiras da sala (altas, baixas, abertas, fechadas)?<\/strong><br \/>\nPara estimular a autonomia, as estantes e prateleiras devem ser adequadas \u00e0 estatura das crian\u00e7as. Os brinquedos podem e devem ficar ao alcance delas. Uma boa raz\u00e3o para se discutir a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o dos objetos, o cuidado e a organiza\u00e7\u00e3o do ambiente.<\/p>\n<p><strong>Qual deve ser a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o?<\/strong><br \/>\nAs crian\u00e7as devem colaborar na organiza\u00e7\u00e3o do ambiente, respeitadas as capacidades pr\u00f3prias da faixa et\u00e1ria. \u00c9 importante cuidar do nosso espa\u00e7o porque nos tornamos respons\u00e1veis e identificados com o que temos.<br \/>\n<strong><br \/>\nO que deve ser feito com os materiais quebrados ou rasgados?<\/strong><br \/>\nOs materiais quebrados ou rasgados devem ser avaliados e, se houver possibilidade, conserte-os com a ajuda das crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4704\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_34_fazer6.jpg\" alt=\"avisala_34_fazer6\" width=\"332\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_34_fazer6.jpg 332w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/avisala_34_fazer6-253x300.jpg 253w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Mantenedora: Assist\u00eancia \u00e0 Inf\u00e2ncia de Santos Gota de Leite<br \/>\nNome da Unidade: Gota de Leite<br \/>\nAvenida Conselheiro N\u00e9bias, 388 \u2013 Vila Nova \u2013 Santos \u2013 SP. CEP: 11045-000<br \/>\nTel.: (13) 3224-1610 \u2013 E-mail: gotadeleite@gotadeleite.org.br<\/p>\n<p>Respons\u00e1veis<br \/>\nFormadora : Carla Luizato Pereira<br \/>\nDiretora: Eliete de Almeida Bruno \u2013 E-mail: eliete@gotadeleite.org.br<br \/>\nCoordenadoras pedag\u00f3gicas:<br \/>\nCynthia Felipe N. M. Vaz \u2013 E-mail: cynthia@gotadeleite.org.br<br \/>\nJana\u00edna W. Fonseca \u2013 E-mail: janaina@gotadeleite.org.br<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Brinquedo e Cultura, Gilles Broug\u00e8re. Ed. Cortez. Tel.: (11) 3611-9616<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A observa\u00e7\u00e3o, o conhecimento sobre como as crian\u00e7as de diferentes idades brincam s\u00e3o importantes para planejar o brincar. Por Ana Carolina Carvalho, Silvana Augusto e Carla Luizato Pereira<\/p>\n","protected":false},"author":143,"featured_media":3754,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[916,395],"tags":[1109,26,941,189,938,666,939,68,940,53],"class_list":{"0":"post-4696","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-o-fazer-do-gestor","8":"category-revista-avisala-34","9":"tag-revista-avisa-la-2008","10":"tag-ana-carolina-carvalho","11":"tag-avaliacao","12":"tag-brincadeiras","13":"tag-carla-luizato-pereira","14":"tag-conversas","15":"tag-desenvolvimento","16":"tag-observacao","17":"tag-registros","18":"tag-silvana-augusto","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4696\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}