{"id":454,"date":"2000-08-17T19:42:07","date_gmt":"2000-08-17T22:42:07","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=454"},"modified":"2023-03-27T10:26:09","modified_gmt":"2023-03-27T13:26:09","slug":"encruzilhada-de-vozes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/conhecendo-a-crianca\/encruzilhada-de-vozes\/","title":{"rendered":"Encruzilhada de Vozes"},"content":{"rendered":"<p><strong>A multiplicidade de discursos na comunica\u00e7\u00e3o oral entre crian\u00e7as de 0 a 4 anos<\/strong><\/p>\n<p>Embora a linguagem oral sejam uma realidade presente na pr\u00e1tica das institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o infantil, ela nem sempre \u00e9 tratada com a devida import\u00e2ncia, como um conte\u00fado de aprendizagem. Isso se deve, na maioria das vezes, \u00e0 falta de conhecimento das reais compet\u00eancias das crian\u00e7as. Nesta mat\u00e9ria, destacamos an\u00e1lises que ajudam o professor a compreender como as crian\u00e7as se comunicam para que possa ser um interlocutor interessante e verdadeiramente interessado.<!--more--><\/p>\n<p><strong>A comunica\u00e7\u00e3o aos 2 anos de idade<\/strong><br \/>\nA crian\u00e7a pequena, embora ainda n\u00e3o fale com a mesma desenvoltura dos adultos, \u00e9 capaz de se comunicar com as pessoas \u00e0 sua volta. Para tanto, ela precisa do apoio de um interlocutor que d\u00ea sentido \u00e0s suas falas, como aconteceu num ber\u00e7\u00e1rio observado pela professora Silvia Carvalho. Daniel, na \u00e9poca com 1 ano e 7 meses, conversava com sua educadora, Edna, durante as rotinas de cuidados. Esses di\u00e1logos nos permitem ver como, no processo de aquisi\u00e7\u00e3o da fala, a crian\u00e7a pequena se apropria da linguagem que existe em seu meio cultural, fazendo-se entender e conseguindo o que deseja por meio da intera\u00e7\u00e3o com parceiros mais experientes.<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_463\" style=\"width: 213px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-463\" class=\"size-full wp-image-463\" title=\"avisala_04_conhecendo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_conhecendo1.jpg\" alt=\"Mafalda no jardim-de-inf\u00e2ncia - Quino - Ed. Martins Fontes\" width=\"203\" height=\"214\" \/><p id=\"caption-attachment-463\" class=\"wp-caption-text\">Mafalda no jardim-de-inf\u00e2ncia &#8211; Quino &#8211; Ed. Martins Fontes<\/p><\/div>\n<p>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-464 \" title=\"avisala_04_conhecendo2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_conhecendo2.jpg\" alt=\"Mafalda no jardim-de-inf\u00e2ncia - Quino - Ed. Martins Fontes\" width=\"167\" height=\"205\" \/><\/p>\n<p><em><strong>1\u00ba Dia<\/strong><\/em><br \/>\nDaniel est\u00e1 acabando de acordar, espregui\u00e7a-se, levanta uma perna, senta, sorri, olha a crian\u00e7a ao lado.<br \/>\nDaniel: \u2013 Bebela.<br \/>\nEdna: \u2013 \u00c9, a Bebela acordou. Daniel dormiu um mont\u00e3o e est\u00e1 com pregui\u00e7a ainda.<br \/>\nDaniel balbucia, deita, levanta o dorso, sorri, balbucia.<br \/>\nDaniel: \u2013 Oi, Eda (para Edna), Pala (os educadores tentam descobrir o que quer dizer, pipoca? Bebela?)<br \/>\nEdna: \u2013 Bebela?<br \/>\nDaniel olha o sapato da Bebela, sorri, p\u00f5e a carinha na perna dela.<br \/>\nEdna: \u2013 Bebela.<br \/>\nDaniel: \u2013 Bebela. Oi, papato, papato.<br \/>\nEdna: \u2013 Sapato, daqui a pouco.<br \/>\nDaniel: \u2013 Papato, papato.<br \/>\nEdna: \u2013 Vamos trocar a fralda.<br \/>\nDaniel: \u2013 Quero.<br \/>\nEdna: \u2013 Vamos p\u00f4r o sapato?<br \/>\nDaniel: \u2013 Papato, papat\u00e3o.<br \/>\nEdna: \u2013 \u00c9 verdade, seu sapato \u00e9 um verdadeiro sapat\u00e3o.<br \/>\n(uma crian\u00e7a vai embora e d\u00e1 tchau)<br \/>\nDaniel: \u2013 Tch\u00f4, tch\u00f4, tch\u00f4.<br \/>\nEdna: \u2013 Fala at\u00e9 amanh\u00e3 para o Xan, Daniel.<br \/>\nDaniel: \u2013 Manh\u00e3 \u2013 diz, acenando com a m\u00e3o.<br \/>\nA educadora termina de trocar a fralda e o coloca no ch\u00e3o novamente. Ele vai direto para a cadeira ao lado.<br \/>\nDaniel: \u2013 Enta, ent\u00f4.<br \/>\nEdna: \u2013 Est\u00e1 frio.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Daniel: \u2013 Fio. Cacaco.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\"> Edna: \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o trouxe o casaco. Onde est\u00e1 o casaco do Daniel?<sup>1<\/sup><\/span><br \/>\nEm seguida ela chama as crian\u00e7as para o lanche.<br \/>\nDaniel: \u2013 Vamo. Vamo.<br \/>\nEdna: \u2013 Senta um pouquinho, Daniel.<br \/>\nDaniel: \u2013 Pipinho, papa, mach\u00e3? \u2013 diz ao pegar os peda\u00e7os de ma\u00e7\u00e3 com a m\u00e3o, bate o p\u00e9, come e pergunta<br \/>\n\u2013 manana?<br \/>\nEdna: \u2013 N\u00e3o, \u00e9 ma\u00e7\u00e3.<br \/>\nDaniel: \u2013 Mach\u00e3, mach\u00e3 \u2013 brinca com o prato, pondo o rosto inteiro no prato, faz barulho, parece gostar do som que emite.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>1<\/sup> A crian\u00e7a aprende a falar vendo como os adultos que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos se utilizam da linguagem. As atividades do cotidiano, tais como os momentos de alimenta\u00e7\u00e3o, de higiene, os jogos, as brincadeiras, os passeios, as compras etc., podem constituir-se em momentos importantes para o aprendizado da linguagem quando os adultos conversam com as crian\u00e7as. Os pequenos aprendem tamb\u00e9m pelo significado e pela interpreta\u00e7\u00e3o que os adultos fazem de suas inten\u00e7\u00f5es comunicativas. Daniel, ao dizer simplesmente Fio e Cacaco, ouve do educador uma interpreta\u00e7\u00e3o que d\u00e1 um sentido poss\u00edvel a sua fala: Voc\u00ea n\u00e3o trouxe o casaco. Onde est\u00e1 o casaco do Daniel?<\/span><\/p>\n<p><em><strong>2\u00ba dia<\/strong><\/em><br \/>\nOs educadores d\u00e3o v\u00e1rios telefones de brinquedo para as crian\u00e7as, Daniel pega um e fala:<br \/>\n\u2013 Ai\u00f4, Ai\u00f4, Ai\u00f4.<br \/>\nEdna: \u2013 Fala al\u00f4.<br \/>\nDaniel: \u2013 Dudu da da ai\u00f4 papai.<br \/>\nEdna: \u2013 Al\u00f4 papai.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Daniel: \u2013 Ai\u00f4 mam\u00e3e, ma, mam\u00e3e, m\u00e3e. Tabai\u00e1?<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\"> Edna: \u2013 Com quem voc\u00ea est\u00e1 falando ? Al\u00f4 mam\u00e3e?<sup>2<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>2<\/sup> Na fase inicial a fala da crian\u00e7a pequena est\u00e1 quase sempre colada \u00e0 a\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, ela fala e age ao mesmo tempo. Por exemplo, pega o telefone fala ai\u00f4, vai sentar em uma cadeirinha e fala enta, ent\u00f4. A presen\u00e7a de diferentes objetos desencadeia enunciados diversos. \u00c9 poss\u00edvel que as crian\u00e7as extraiam tamb\u00e9m propriedades e caracter\u00edsticas que n\u00e3o est\u00e3o imediatamente vis\u00edveis nos objetos ou conceitos . O objeto telefone est\u00e1 ligado \u00e0 palavra ai\u00f4 e lembra que os pais v\u00e3o trabalhar,a palavra frio lembra que \u00e9 necess\u00e1rio colocar um casaco.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-465\" title=\"avisala_04_conhecendo3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_conhecendo3.jpg\" alt=\"Mafalda no jardim-de-inf\u00e2ncia - Quino - Ed. Martins Fontes\" width=\"167\" height=\"210\" \/><\/p>\n<p><strong>3\u00ba dia<\/strong><br \/>\nHora do lanche, est\u00e3o servindo mel\u00e3o, bolo e biscoito.<br \/>\nEdna: \u2013 Quer mel\u00e3o?<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Daniel: \u2013 A um aun, bolo, bolo. Mia bolo.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\"> Edna: \u2013 Quer biscoito?<sup>3<\/sup><\/span><br \/>\nDaniel: \u2013 Bitoto, bitoto, bitoto, qu\u00e9 bitoto mam\u00e3e.<br \/>\nEdna: \u2013 Este aqui?<br \/>\nDaniel faz que sim com a cabe\u00e7a e sorri.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>3<\/sup>Nessa idade \u00e9 comum que as crian\u00e7as utilizem uma palavra que tem o valor de uma frase. Quando diz bolo est\u00e1, na verdade, querendo dizer eu\u00a0 quero bolo. O adulto atento e pr\u00f3ximo da crian\u00e7a interpreta como tal, e a crian\u00e7a v\u00ea sua fala tendo um resultado positivo, uma vez que ganha um peda\u00e7o de bolo.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_469\" style=\"width: 197px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-469\" class=\"size-full wp-image-469\" title=\"avisala_04_conhecendo4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_04_conhecendo41.jpg\" alt=\"Mafalda no jardim-de-inf\u00e2ncia - Quino - Ed. Martins Fontes\" width=\"187\" height=\"207\" \/><p id=\"caption-attachment-469\" class=\"wp-caption-text\">Mafalda no jardim-de-inf\u00e2ncia &#8211; Quino &#8211; Ed. Martins Fontes<\/p><\/div>\n<p><strong>Como a crian\u00e7a pequena compreende a linguagem<\/strong><br \/>\n&#8220;As crian\u00e7as, desde muito pequenas,j\u00e1 s\u00e3o capazes de utilizar a linguagem oral para diversos fins: pedir,solicitar determinadas a\u00e7\u00f5es ou objetos, expressar seus sentimentos, perguntar ou explorar o mundo a sua volta. Antes de falar, elas podem entender o que os outros falam. Por exemplo, um beb\u00ea de apenas 8 meses \u00e9 capaz de entender que n\u00e3o pode mexer na \u00e1gua suja ou colocar um objeto cortante na boca, quando um adulto lhe dirige estas orienta\u00e7\u00f5es. Isso ocorre porque a chamada compet\u00eancia ling\u00fc\u00edstica abrange tanto a capacidade para us\u00e1-la como falante, ou seja, como produtora de linguagem, quanto a capacidade para compreender a l\u00edngua. Portanto, a compreens\u00e3o da linguagem \u2013 mais abrangente que a capacidade de falar \u2013 ocorre antes mesmo que a crian\u00e7a possa se expressar oralmente. O desenvolvimento das capacidades ling\u00fc\u00edsticas se d\u00e1 na pr\u00e1tica viva da l\u00edngua, no di\u00e1logo. Dialogar sup\u00f5e ver e ouvir o interlocutor, no caso, a crian\u00e7a, de acordo com as caracter\u00edsticas que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias. Portanto, o professor deve atribuir inten\u00e7\u00e3o comunicativa \u00e0 sua fala, ter aten\u00e7\u00e3o e cuidado ao que traz e dar continuidade aos seus enunciados.&#8221;<br \/>\n(Referencial Curricular Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil &#8211; MEC, linguagem oral, vers\u00e3o preliminar)<\/p>\n<p><strong>Uma conversa com crian\u00e7as de 4 anos<\/strong><br \/>\nAs crian\u00e7as gostam muito de conversar, principalmente com quem gosta de conversar com elas. Analisar atentamente essas conversas nos ajuda a conhecer melhor o que significam as falas das crian\u00e7as. \u00c9 o que fez a professora Regina Scarpa. Para melhor compreender as rela\u00e7\u00f5es interdiscursivas no desenvolvimento da linguagem oral ela analisou uma conversa que aconteceu numa escola, com 16 crian\u00e7as de 4 a 5 anos* e sua professora.<br \/>\nA fim de interpretar as falas das crian\u00e7as, Regina se apoiou no referencial te\u00f3rico de Bakhtin, ling\u00fcista que estudou a fundo os processos discursivos e as rela\u00e7\u00f5es entre interlocutores. Bakhtin afirma que, na din\u00e2mica da comunica\u00e7\u00e3o oral, h\u00e1 um processo de constru\u00e7\u00e3o conjunta: no discurso (na fala) de cada um est\u00e3o presentes discursos anteriores, feitos por outras pessoas, discursos que o sujeito ouviu, dos quais participou e que ele modifica e incorpora para construir seu pr\u00f3prio discurso. Por isso, ele afirma que todo discurso \u00e9 sempre um interdiscurso.<\/p>\n<p>* Esta conversa aconteceu no grupo 4 da escola Logos e foi registrada pela professora Beatriz Cortese<\/p>\n<p>Professora: \u2013 O que os beb\u00eas fazem na barriga da m\u00e3e?<br \/>\nCaio: \u2013 Eles ficam chutando.<br \/>\nProfessora: \u2013 Por que os beb\u00eas chutam?<br \/>\nSamantha: \u2013 Eles querem nascer logo.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Caio: \u2013 Eles ficam chutando porque quer sair.<sup>4<\/sup><\/span><br \/>\nVictor: \u2013 \u00c9 mentira, eles ficam nadando, como na piscina.<br \/>\nNeil: \u2013 N\u00e3o! N\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 nada disso. Na barriga da m\u00e3e n\u00e3o d\u00e1 para nadar porque a costela \u00e9 pequena, da\u00ed a gente bate a cabe\u00e7a na costela.<br \/>\nProfessora: \u2013 O que voc\u00ea fazia na barriga da sua m\u00e3e?<br \/>\nVictor: \u2013 Eu ficava assoprando.<br \/>\nMaria Eug\u00eania: \u2013 Eu tamb\u00e9m. A minha m\u00e3e tamb\u00e9m ficava com uma coceguinha.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Victor: \u2013 Eu bebia \u00e1gua e nadava.<sup>5<\/sup><\/span><br \/>\nSamantha: \u2013 Os beb\u00eas ficam dan\u00e7ando na barriga das m\u00e3es.<br \/>\nPedro: \u2013 Eu ficava mordendo\u2026 eu ficava quietinho.<br \/>\nGabriela: \u2013 Eu tamb\u00e9m ficava quieta.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Professora: \u2013 Era gostoso ou ruim ficar dentro da barriga da m\u00e3e?<sup>6<\/sup><\/span><br \/>\nDaniela: \u2013 Eu gostei.<br \/>\nVictor: \u2013 Eu n\u00e3o gostei porque a gente n\u00e3o respirava.<br \/>\nProfessora: \u2013 E n\u00e3o morre?<br \/>\nVictor: \u2013 N\u00e3o morre porque tinha oxig\u00eanio. Eu bebia \u00e1gua, um pouquinho por dia para n\u00e3o alagar.<br \/>\nPhilipe: \u2013 Sabe, quando eu sa\u00ed da barriga da minha m\u00e3e, o nen\u00ea fica sujo de sangue.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Professora: \u2013 U\u00e9, o Neil falou que fica tomando banho, n\u00e3o tinha que sair limpinho?<sup>7<\/sup><\/span><br \/>\nNeil: \u2013 \u00c9 mentira do Philipe. N\u00e3o sai de sangue, n\u00e3o. L\u00e1 a gente toma banho s\u00f3 de \u00e1gua.<br \/>\nSamantha: \u2013 Sai sim, porque na barriga tem sangue.<br \/>\nVictor: \u2013 \u00c9 mentira, tem \u00e1gua, eu vi num livro.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Samantha: \u2013 Quando eu era pequena, com tr\u00eas aninhos, a\u00ed tinha uma parede perigosa, a\u00ed eu ralei o dedo e vi que tinha sanguinho. Tem sangue, sim.<sup>8<\/sup><\/span><br \/>\nPhilipe: \u2013 Ele sai com sangue, e \u00e9 o m\u00e9dico que leva para tomar banho, s\u00f3 a\u00ed ele fica limpinho.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Neil: \u2013 A gente toma banho na barriga, com \u00e1gua,a\u00ed sai com sangue.<sup>9<\/sup><\/span><br \/>\nVictor: \u2013 Na barriga da m\u00e3e a \u00e1gua vira sangue.<br \/>\nNeil: \u2013 Tem dois buraquinhos no bumbum, a\u00ed a gente sai.<br \/>\nSamantha: \u2013 N\u00e3o, eu n\u00e3o saio assim.<br \/>\nNeil: \u2013 \u00c9 mentira dela.<br \/>\nSamantha: \u2013 N\u00e3o d\u00e1 para sair assim porque a gente sai gordinho.<br \/>\nNeil: \u2013 Tem dois buracos, um onde p\u00f5e a semente, a\u00ed o outro o nen\u00ea sai.<br \/>\nSamantha: \u2013 Mas o buraquinho\u2026<br \/>\nNeil: \u2013 \u00c9 porque tem dois buraquinhos no bumbum.<br \/>\nCaio: \u2013 \u00c9 mentira, \u00e9 mentira do Neil!<br \/>\nSamantha: \u2013 A nossa cabe\u00e7a que \u00e9 gordinha, o buraquinho que \u00e9 pequeno, n\u00e3o d\u00e1 para sair a cabe\u00e7a.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Neil: \u2013 A cabe\u00e7a passa, sim.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000080;\"> Caio: \u2013 \u00c9 mentira, sai pelo bigo.<sup>10<\/sup><\/span><br \/>\nVictor: \u2013 No bumbum tem coc\u00f4.<br \/>\nNeil: \u2013 Tem um buraquinho para o coc\u00f4, tem um buraquinho do lado do buraco que faz coc\u00f4.<br \/>\nCaio: \u2013 \u00c9 pelo nariz que passa o beb\u00ea.<br \/>\nNeil: \u2013 N\u00e3o \u00e9 pelo nariz, a cabe\u00e7a do nen\u00ea \u00e9 grande e n\u00e3o passa pelo nariz.<br \/>\n<span style=\"color: #000080;\">Victor: \u2013 Sai da barriga.<sup>11<\/sup><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>4<\/sup> De onde prov\u00e9m a id\u00e9ia de que os beb\u00eas, na barriga da m\u00e3e, ficam chutando? Possivelmente do discurso do senso comum, presente no discurso da m\u00e3e, no qual qualquer movimento intra-uterino do feto \u00e9 interpretado como chute do beb\u00ea. Este \u00e9, pois, um exemplo de interdiscurso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>5<\/sup> O esfor\u00e7o das crian\u00e7as para imaginarem o beb\u00ea num espa\u00e7o desconhecido \u2013 o \u00fatero materno \u2013 acontece a partir da apropria\u00e7\u00e3o de imagens de livros cient\u00edficos que mostram o feto em meio l\u00edquido. O interdiscurso com o discurso cient\u00edfico permite \u00e0s crian\u00e7as levantarem tais hip\u00f3teses: podemos nadar, como na piscina, tomar banho, beber \u00e1gua etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>6<\/sup> A professora mais uma vez d\u00e1 a palavra para as crian\u00e7as assumirem o discurso. Sua participa\u00e7\u00e3o no di\u00e1logo se d\u00e1 de v\u00e1rias maneiras: ora procura mostrar as contradi\u00e7\u00f5es nos enunciados das crian\u00e7as (contradi\u00e7\u00f5es essas que s\u00e3o o resultado da diversidade n\u00e3o integrada das fontes de conhecimento, como se as crian\u00e7as estivessem em busca de l\u00f3gica e coer\u00eancia): E n\u00e3o morre? Ora instiga a fantasia e a imagina\u00e7\u00e3o: Era gostoso ou ruim ficar dentro da barriga da m\u00e3e? A professora sabe que a fabula\u00e7\u00e3o infantil, ainda misturada com seus desejos e sensa\u00e7\u00f5es, tem um car\u00e1ter l\u00fadico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>7<\/sup> O importante \u00e9 que a professora renuncia estrategicamente da sua defini\u00e7\u00e3o do conceito e contribui para que o di\u00e1logo se mantenha, procurando a partir de suas interfer\u00eancias despertar uma atitude responsiva das crian\u00e7as para abrir a possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de algo novo. O contr\u00e1rio disso seria buscar enunciados uniformes, vozes institucionais que aparecem na expectativa de respostas previamente determinadas para serem categorizadas em termos de certas ou erradas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>8<\/sup> O argumento de Samantha \u00e9 muito interessante e pr\u00f3prio desta idade. Ela traz um dado proveniente de sua experi\u00eancia pessoal direta, impregnada da carga afetiva de uma situa\u00e7\u00e3o anterior que lhe aconteceu e fala da &#8220;parede perigosa&#8221;. Na verdade, &#8220;perigosa&#8221; \u00e9 um adjetivo inusual para uma parede e, em fun\u00e7\u00e3o disso, \u00e9 poss\u00edvel destacar o interdiscurso com o discurso da m\u00e3e: &#8220;&#8230; \u00e9 perigoso, voc\u00ea pode se machucar &#8220;. Uma vez que ela se machucou, a parede \u00e9 perigosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\">\u00a0<sup>9<\/sup> A din\u00e2mica discursiva mostra a constru\u00e7\u00e3o conjunta: as crian\u00e7as, desde pequenas, organizam seus enunciados e algumas vezes mudam de id\u00e9ia a partir da intera\u00e7\u00e3o com o outro. S\u00e3o marcas da co-produ\u00e7\u00e3o: altern\u00e2ncia de vozes, participa\u00e7\u00f5es, negocia\u00e7\u00f5es e oposi\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que se pode notar na fala de Neil quando ele muda de opini\u00e3o a partir dos argumentos de\u00a0 Samantha e Philipe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>10<\/sup> Podemos observar com que seriedade as id\u00e9ias das crian\u00e7as s\u00e3o constru\u00eddas, defendidas e confrontadas por outros argumentos dos colegas. Muitas vezes achamos gra\u00e7a das falas infantis, mas id\u00e9ias das crian\u00e7as deveriam ser respeitadas com a mesma seriedade com que s\u00e3o produzidas. Neil, por exemplo, mostra-se visivelmente contrariado e ansioso toda vez que tem suas id\u00e9ias criticadas, pois isso o obriga a ter argumentos e explica\u00e7\u00f5es eficazes e consistentes a fim de defender o seu ponto de vista, o que se constitui por si s\u00f3 num \u00f3timo exerc\u00edcio de troca e intera\u00e7\u00e3o com o outro \u2013 grande desafio para crian\u00e7as desta faixa et\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><sup>11<\/sup> Segundo Bakhtin, os enunciados refletem as condi\u00e7\u00f5es onde foram gerados, a finalidade da esfera da comunica\u00e7\u00e3o, o conte\u00fado tem\u00e1tico. A \u00e9poca, o meio social, as rela\u00e7\u00f5es familiares, a rela\u00e7\u00e3o que se tem com a inf\u00e2ncia, sempre possuem seus enunciados que servem de norma, d\u00e3o o tom. O enunciado tem uma hist\u00f3ria social, n\u00e3o \u00e9 um elo isolado, e pressup\u00f5e sempre os enunciados que o precederam. Nenhuma dessas crian\u00e7as, ao pensar sobre o nascimento dos beb\u00eas, referiu-se \u00e0 cegonha, ao contr\u00e1rio, fizeram refer\u00eancia aos genitais. Duas coisas que n\u00e3o aconteceriam nos enunciados de anos atr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p>(Regina Scarpa e Silvia Carvalho)<\/p>\n<p>Aspas:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Muito do que um beb\u00ea compreende,antes da palavra, vem da entona\u00e7\u00e3o dos enunciados que circulam \u00e0 sua volta. Com isso, a entona\u00e7\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o privilegiado da cena comunicativa: nelas se cruzam o dito e o n\u00e3o dito que n\u00e3o \u00e9 necessariamente verbal.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Irene Machado, Ed. Texto &amp; Contexto: Fronteiras, Espa\u00e7os de Linguagem)<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia da roda de conversa di\u00e1ria<\/strong><br \/>\n&#8220;A roda de conversa parece um momento simples e informal, mas em se tratando de crian\u00e7as pequenas torna-se uma atividade fundamental. Como qualquer outra atividade que fa\u00e7a parte de um trabalho pedag\u00f3gico com intencionalidade educativa, a roda requer planejamento. Ela n\u00e3o pode ser realizada simplesmente de forma intuitiva, sem compromisso, sob o risco de fazermos desse momento um ato mec\u00e2nico, sem maiores significados para as crian\u00e7as. Quando isso acontece, elas ficam impacientes e irrequietas com a obriga\u00e7\u00e3o de esperar todos os colegas falarem, numa pr\u00e1tica que pode ser considerada de antilinguagem, porque \u00e9 constitu\u00edda de enunciados estereotipados e uniformizantes (Osakabe 1984). Por outro lado, em circunst\u00e2ncias particulares de intera\u00e7\u00e3o em grupo, principalmente na presen\u00e7a de um adulto interessado, as crian\u00e7as pequenas s\u00e3o capazes de construir narrativas longas e complexas, como o exemplo que se segue.&#8221;<br \/>\n(Regina Scarpa)<\/p>\n<p><strong>Como o professor pode interagir verdadeiramente com as falas das crian\u00e7as <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Eleger a linguagem oral como conte\u00fado da educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 fazer do di\u00e1logo um lugar de desenvolvimento e aprendizagem. Implica promover atividades que criem situa\u00e7\u00f5es de fala, escuta e compreens\u00e3o da l\u00edngua por meio do uso de diferentes textos e situa\u00e7\u00f5es enunciativas, ampliando, assim, as capacidades comunicativas das crian\u00e7as de forma significativa e que preserve a naturalidade de conversar, falar e escutar.<br \/>\nMais do que corrigir ou adequar as falas das crian\u00e7as, \u00e9 preciso interesse e aten\u00e7\u00e3o aos processos singulares de constru\u00e7\u00e3o da linguagem de cada uma. \u00c9 necess\u00e1rio estar atento \u00e0s oportunidades de interpretar e dar sentido \u00e0s suas falas em situa\u00e7\u00f5es diversas que permitam a constru\u00e7\u00e3o de significado e a possibilidade de partilhar textos, pontos de vista, reflex\u00f5es, d\u00favidas e conhecimentos sobre o mundo. Considerando-se que o contato com o maior n\u00famero poss\u00edvel de situa\u00e7\u00f5es comunicativas e expressivas resulta no desenvolvimento das capacidades ling\u00fc\u00edsticas das crian\u00e7as, uma das tarefas da educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 integrar a fala da crian\u00e7a em contextos comunicativos para que ela se torne cada vez mais competente enquanto falante. Al\u00e9m de integrar a fala, o educador amplia o universo discursivo das crian\u00e7as e cria condi\u00e7\u00f5es de ela produzir seu pr\u00f3prio texto quando se envolve com o que ela diz, torna-se o interlocutor que faz perguntas, escuta as respostas, solicita esclarecimentos, reinterpreta e devolve \u00e0 crian\u00e7a sua emiss\u00e3o reformulada de modo que ela possa compreend\u00ea-la. Ampliar o universo discursivo significa, portanto, oferecer \u00e0s crian\u00e7as novas situa\u00e7\u00f5es \u2013 diferentes daquelas familiares \u2013 novos temas, novas formas e variedades ling\u00fc\u00edsticas, de maneira a alargar as experi\u00eancias infantis e propiciar o cruzamento e encontro de discursos diversos para produzir algo novo.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Referencial Curricular Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil &#8211; MEC, linguagem oral, vers\u00e3o preliminar)<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como trabalhar melhor com linguagem oral nas rodas de conversa<\/strong><br \/>\nA Profa. Sandra Regina Nunes Santos de Votorantim, S\u00e3o Paulo, nos escreveu perguntando: \u201cTrabalho com crian\u00e7as de 3 anos. Gostaria de algumas sugest\u00f5es que me ajudassem na organiza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de atividades. Sinto-me frustrada quando tento organizar uma roda e as crian\u00e7as se dispersam, n\u00e3o se interessam. Penso que sou a \u00fanica pessoa a passar por essas dificuldades. Afinal, do que as crian\u00e7as gostam? Sei que elas precisam ver coisas, brincar, mas est\u00e1 sendo dif\u00edcil buscar sem saber o qu\u00ea. (\u2026) Espero que possam me ajudar.\u201d<\/p>\n<p>Adriana Klisys, formadora do Crecheplan responde essas d\u00favidas.<\/p>\n<p>Sandra,<br \/>\nAs crian\u00e7as gostam de muitas coisas e, em geral, \u00e9 o jeito como apresentamos essas coisas que pode tornar tudo pouco interessante para elas. Vamos ver, por exemplo, o caso da roda de conversa. Nessa faixa et\u00e1ria h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es muito freq\u00fcentes que podem causar dispers\u00e3o. Vamos falar um pouco sobre elas. \u00c9 comum as crian\u00e7as narrarem um epis\u00f3dio sem considerar que o interlocutor n\u00e3o estava presente. Elas dizem: Eu fui com a mam\u00e3e l\u00e1 e vi aquela coisa\u2026 Cabe ao adulto atuar como interlocutor, ajudando a crian\u00e7a a explicitar sua id\u00e9ia, tornando-a compreens\u00edvel. Voc\u00ea pode ajudar a crian\u00e7a a construir seu discurso por meio de perguntas que auxiliam a costurar uma conversa mais duradoura como: &#8220;Aonde voc\u00ea foi com a mam\u00e3e?&#8221; &#8220;O que voc\u00ea viu?&#8221; &#8220;Ah! Voc\u00ea viu uma vaca? Como era ela?&#8221; Em geral as crian\u00e7as direcionam a fala para a professora e n\u00e3o para os companheiros. Como ainda n\u00e3o conseguem se explicar com clareza, recorrem ao adulto, que tem mais condi\u00e7\u00f5es de\u00a0 escuta, para que ele as ajude a dar significados a seus enunciados. O professor tem uma importante fun\u00e7\u00e3o de validar os discursos elaborados na conversa, valorizando o que uma crian\u00e7a contou, propondo &#8220;ganchos&#8221; de conversa, estimulando o grupo a continuar o assunto. \u00c9 comum tamb\u00e9m que algumas crian\u00e7as falem muito pouco. Uma boa estrat\u00e9gia, para que todos falem na roda, \u00e9 conversar a respeito de uma experi\u00eancia que o grupo viveu, como uma brincadeira com \u00e1gua no parque, uma comida que fizeram, um passeio etc. Quando uma crian\u00e7a n\u00e3o se manifesta, voc\u00ea pode ajud\u00e1-la a lembrar a experi\u00eancia anterior, j\u00e1 que estava presente. Quando todos falam ao mesmo tempo \u00e9 importante que voc\u00ea organize as falas para que todos possam ouvir, pontuando quem est\u00e1 com a palavra: &#8220;Pessoal, agora quem t\u00e1 falando \u00e9 a Mariana.&#8221; \u00c0s vezes, quando fazemos uma pergunta, todos respondem ao mesmo tempo. Claro, a pergunta estava direcionada a todos! Em geral quem acaba falando em primeiro lugar \u00e9 sempre a mesma crian\u00e7a: aquela que se expressa melhor. Entretanto, \u00e9 importante que todos tenham a oportunidade de falar. Por isso tamb\u00e9m \u00e9 interessante direcionar a pergunta a algu\u00e9m. Assim voc\u00ea ajuda as crian\u00e7as a terem a sua vez de falar e a sua vez de ouvir. Continue fazendo suas rodas, registre seu trabalho e escreva para n\u00f3s.<br \/>\nUm abra\u00e7o, Adriana.<\/p>\n<p><strong>Sugest\u00f5es de assuntos para conversa<\/strong><br \/>\n\u2022 Socializar e alimentar os assuntos que as crian\u00e7as trazem, ampliando seus conhecimentos;<br \/>\n\u2022 O professor deve lembrar-se da import\u00e2ncia da intera\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as, multiplicando e diversificando as oportunidades de conversas entre as crian\u00e7as;<br \/>\n\u2022 Conversar sobre os assuntos que surgem nos projetos de ci\u00eancias, artes etc.;<br \/>\n\u2022 Discutir e organizar a vida em grupo;<br \/>\n\u2022 Socializar conhecimentos: como pintam, como aprenderam a se vestir sozinhos, fechar a mochila etc.;<br \/>\n\u2022 Levar assuntos que voc\u00ea gosta de discutir, como not\u00edcias etc.;<br \/>\n\u2022 Levar objetos, como, por exemplo, uma caixa onde as crian\u00e7as coloquem as m\u00e3os e tenham que falar sobre as caracter\u00edsticas do que tem l\u00e1 dentro para que o grupo descubra;<br \/>\n\u2022 Levar objetos, figuras, fotografias como recurso para iniciar uma\u00a0 conversa. Uma fotografia das crian\u00e7as brincando no carnaval, por exemplo, pode suscitar perguntas como: Quem estava de fantasia? Qual? Do que brincavam? Quem dan\u00e7ou? Que m\u00fasica estava tocando? Eu me lembro de um carnaval em que aconteceu o seguinte&#8230;<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><br \/>\n\u2022 Est\u00e9tica da cria\u00e7\u00e3o verbal. Mikhail Bakhtin. Ed. Martins Fontes. S\u00e3o Paulo, tel: (0XX11) 3266-4603.<br \/>\n\u2022 Pensamento e Linguagem. L.S. Vygotsky. Ed. Martins Fontes. S\u00e3o Paulo.<br \/>\n\u2022 Desenvolvimento do discurso narrativo. Cec\u00edlia Perroni. Ed. Martins Fontes. S\u00e3o Paulo.<br \/>\n\u2022 Aprender e ensinar na educa\u00e7\u00e3o infantil. Eul\u00e1lia Bassedas. Art Med. Porto Alegre, tel: (0XX21) 883-6160.<br \/>\n\u2022 Espa\u00e7os de Linguagem na Educa\u00e7\u00e3o. Mary Julia. Ed. Humanitas.<\/p>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A multiplicidade de discursos na comunica\u00e7\u00e3o oral entre crian\u00e7as de 0 a 4 anos. &#8220;Muitas vezes achamos gra\u00e7a das falas infantis, mas id\u00e9ias de crian\u00e7as deveriam<br \/>\nser respeitadas com a mesma seriedade com que s\u00e3o produzidas&#8221;. 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