{"id":4406,"date":"2010-05-25T22:14:57","date_gmt":"2010-05-26T01:14:57","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4406"},"modified":"2023-03-27T19:48:21","modified_gmt":"2023-03-27T22:48:21","slug":"fenomenos-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-42\/fenomenos-da-natureza\/","title":{"rendered":"Fen\u00f4menos da natureza"},"content":{"rendered":"<h5>\u00c9 fundamental ouvir as crian\u00e7as para saber o que elas pensam e, assim, poder ampliar seus conhecimentos e favorecer a investiga\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o<\/h5>\n<div id=\"attachment_4407\" style=\"width: 379px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4407\" class=\"size-full wp-image-4407\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo1.jpg\" alt=\"avisala_42_aprendendo1.jpg\" width=\"369\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo1.jpg 369w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo1-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4407\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Elisabeth Teixeira, retirada do livro Os Tr\u00eas C\u00e3es Negros, de Elisabeth Teixeira, Larousse do Brasil, 2009<\/p><\/div>\n<p>Desfrutar a inf\u00e2ncia tranquila em uma cidade pequena do interior mineiro pode ser considerado como fator de influ\u00eancia na escolha do tema que pesquisei. A curiosidade, a observa\u00e7\u00e3o, o gosto por elementos da natureza e pelas crian\u00e7as fizeram me optar pelo magist\u00e9rio como primeira profiss\u00e3o, iniciando meu trabalho em uma escola rural, com turma multisseriada. A pesquisa Crian\u00e7as de seis anos no ensino fundamental: elementos de ci\u00eancias em escolas rurais do munic\u00edpio de Tr\u00eas Pontas, em Minas Gerais<sup>1<\/sup>, foi realizada com alunos que ainda n\u00e3o sabiam ler nem escrever. O estudo discute os conhecimentos que esses estudantes t\u00eam sobre os fen\u00f4menos da natureza a partir de rodas de conversa, apoiado na teoria da An\u00e1lise do Discurso, iniciada na Fran\u00e7a, com Michel P\u00eacheux<sup>2<\/sup>, e em textos publicados por Eni Puccinelli Orlandi<sup>3<\/sup>, no Brasil.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel destacar como vari\u00e1veis as condi\u00e7\u00f5es sociais, culturais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas dos sujeitos da pesquisa: crian\u00e7as da regi\u00e3o rural mineira, do munic\u00edpio j\u00e1 citado, seus modos de viver, de brincar e de se relacionar em casa e na escola. Para ir \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, para o trabalho de campo, eu utilizava o mesmo transporte que as crian\u00e7as e os professores. Durante uma viagem de mais de uma hora, o \u00f4nibus circulava toda a serra que deu origem ao nome do munic\u00edpio. Passava pelo C\u00f3rrego das Pedras, que contribui para irrigar \u00e1reas de planta\u00e7\u00f5es de tomate, mudas de caf\u00e9 e abastecer currais, e dirigia-se para Tabo\u00e3o, Rancho Grande, Triunfo e Porteira de T\u00e1bua; depois, retornava \u00e0s Bananeiras. Para entender melhor, \u00e9 interessante ressaltar que, ap\u00f3s a nuclea\u00e7\u00e3o das escolas rurais, a maioria dos alunos depende do transporte escolar e de uma dura rotina para chegar \u00e0 escola. Ao planejar os encontros e as aulas, essas especificidades foram consideradas. Vale destacar algumas delas: os lugares por onde as crian\u00e7as transitam, a escola, as salas de aula, a \u00e1rea externa, os p\u00e1tios arborizados, a casa, os cafezais, as estradas e a cidade.<\/p>\n<blockquote><p>A riqueza do ensino de Ci\u00eancias pode estar em coisas simples. Aproveitar e usar os ambientes externos como local de experimenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos da comunidade, trabalhar com o entorno, despertar o olhar atento para a observa\u00e7\u00e3o dos cen\u00e1rios naturais, promover a\u00e7\u00f5es em que as crian\u00e7as possam vivenciar a riqueza e o entusiasmo de conhecer o mundo natural, podem se tornar boas situa\u00e7\u00f5es de aprendizagens cient\u00edficas. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner<sup>4<\/sup>)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Pesquisa de campo<\/strong><br \/>\nDe onde vem o discurso dos alunos que vivem no meio rural, que se revela no momento que falam sobre sua vida, seu trabalho e o vento? Ou ainda, como compreender o que n\u00e3o disseram? Eles n\u00e3o falam apenas sobre o assunto proposto. Conversam sobre os mais diversos temas. A conversa pode ser entendida como pr\u00e1tica do cotidiano escolar, que tem a capacidade para articular redes de conhecimento.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 f\u00e1cil observar o interesse das crian\u00e7as pelos qu\u00eas e porqu\u00eas de fatos e fen\u00f4menos da natureza por elas observados. Elas s\u00e3o curiosas, questionam, investigam e buscam respostas para suas perguntas. O contexto em que vivem \u00e9 um campo rico para impulsionar aprendizagens. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Na primeira fase, a inten\u00e7\u00e3o foi a de conhecer melhor o cotidiano e os principais interesses das crian\u00e7as. Elas falaram sobre a vida no campo, do que gostavam de fazer, onde brincavam, contribuindo para a elabora\u00e7\u00e3o de referenciais que me auxiliaram na composi\u00e7\u00e3o de elementos que poderiam apontar poss\u00edveis caminhos de como estabelecer modos de trabalhar, no sentido do avan\u00e7o dos conhecimentos relacionados \u00e0 ci\u00eancia.<\/p>\n<blockquote><p>Conversas sobre a\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas e organiza\u00e7\u00f5es da rotina podem se transformar em espa\u00e7os vivos de informa\u00e7\u00f5es sobre diferentes conte\u00fados, que comp\u00f5em o universo de conhecimentos constru\u00eddos pelas ci\u00eancias naturais e sociais. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Para a segunda fase, planejei realizar um trabalho no qual o assunto a ser discutido com a turma deveria estar relacionado aos interesses manifestados. Essa atividade serviu para confirmar que o meio rural pode ser considerado como um espa\u00e7o privilegiado para a observa\u00e7\u00e3o de alguns fen\u00f4menos naturais e onde quest\u00f5es sociais tamb\u00e9m est\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>Realizei as atividades em duas escolas. Nos dois encontros, de aproximadamente 4 horas cada um, o papel mediador do professor e o meu, como professora pesquisadora, foi decisivo nos momentos de intera\u00e7\u00e3o com os discursos infantis, nas atividades realizadas.<\/p>\n<p><strong>Pensamentos sobre o vento<\/strong><br \/>\nIniciei o estudo sobre o vento utilizando o globo terrestre e o texto da enciclop\u00e9dia Barsa. O globo permitiu mostrar \u00e0s crian\u00e7as a representa\u00e7\u00e3o de correntes de ar. Com a ajuda da professora titular da sala, ele foi passado de m\u00e3o em m\u00e3o. Ela acompanhou a trajet\u00f3ria do objeto pelas mesas, conversando animadamente com os alunos. As crian\u00e7as, individualmente, o pegavam, o rodavam e o observavam. Algumas preferiram trocar informa\u00e7\u00f5es com os colegas ao lado, comentando e apontando para determinados lugares. Leia, a seguir, a transcri\u00e7\u00e3o de um momento de conversa:<\/p>\n<div id=\"attachment_4408\" style=\"width: 246px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4408\" class=\"size-full wp-image-4408\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo4.jpg\" alt=\"avisala_42_aprendendo4.jpg\" width=\"236\" height=\"255\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4408\" class=\"wp-caption-text\">Vista da cidade de Tr\u00eas Pontas (www.trespontas.mg.gov\/img_lis.aspx)<\/p><\/div>\n<p>Professora pesquisadora: Sabe o que eu trouxe para voc\u00eas, para ajudar a gente a pensar sobre o que estamos falando? Trouxe uma enciclop\u00e9dia e um globo terrestre. Voc\u00eas sabem o que s\u00e3o esses objetos?<\/p>\n<p>Felipe: Ram ram (balan\u00e7ando a cabe\u00e7a em gesto afirmativo).<br \/>\nAna Maria: \u00c9 na onde a gente fica.<br \/>\nProfessora pesquisadora: \u00c9 o nosso planeta (referindo-se ao globo)? Qual o nome do nosso planeta?<br \/>\nGrupo de crian\u00e7as: Brasil.<br \/>\nProfessora pesquisadora: Como chama este planeta?<br \/>\nChama-se Terra. O planeta em que n\u00f3s vivemos chama-se&#8230;<br \/>\nGrupo de crian\u00e7as: Terra.<\/p>\n<p>Com essas informa\u00e7\u00f5es, cobrei e usei a repeti\u00e7\u00e3o emp\u00edrica.<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: O pa\u00eds em que n\u00f3s vivemos \u00e9 o &#8230;<br \/>\nGrupo de crian\u00e7as: Brasil.<\/p>\n<p>No entanto, a retomada da fala anterior das crian\u00e7as leva-as a uma diferencia\u00e7\u00e3o, a um deslocamento em rela\u00e7\u00e3o ao que haviam dito antes.<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: \u00c9 este (mostrando o Brasil no globo)?. E estes outros lugares que voc\u00eas est\u00e3o vendo aqui? Amarelo, rosa, roxo, alaranjado&#8230; s\u00e3o outros pa\u00edses, t\u00e1? Com outras cidades. E esta parte todinha azul, o que ser\u00e1 isso?<br \/>\nFelipe: Mar<br \/>\nAna L\u00facia: C\u00e9u.<br \/>\nProfessora pesquisadora: Essa parte azul \u00e9&#8230;<br \/>\nCrian\u00e7as: \u00c1gua.<br \/>\nProfessora pesquisadora: \u00c1gua, o c\u00e9u \u00e9 aqui, de fora (com as m\u00e3os em forma de concha, um pouco afastada do globo, contornamos toda sua superf\u00edcie). Isso aqui tudo \u00e9 \u00e1gua, s\u00e3o os mares, os oceanos, os rios.<\/p>\n<p>Para Ana L\u00facia, a parte azul representava o c\u00e9u, espa\u00e7o sempre pintado dessa cor nos desenhos feitos na escola. Deixei as crian\u00e7as falarem sobre suas impress\u00f5es, depois mostrei no modelo a localiza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e do c\u00e9u (espa\u00e7o celeste). Os equ\u00edvocos s\u00f3 aparecem quando ouvimos o interlocutor. \u00c9 importante que sempre haja um momento para o professor dar as explica\u00e7\u00f5es, pois, colocadas logo em seguida aos equ\u00edvocos, podem contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de novos significados. Nesse caso, a professora se apoiou na posi\u00e7\u00e3o da maioria das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: Voc\u00eas acham que no mundo, no planeta Terra, tem mais \u00e1gua ou mais terra?<br \/>\nCrian\u00e7as: Mais \u00e1gua.<\/p>\n<blockquote><p>Com problemas escolares bem planejados, os alunos podem caminhar de uma postura cotidiana e espont\u00e2nea para uma postura mais sistem\u00e1tica e cient\u00edfica na resolu\u00e7\u00e3o de problemas (compreender e responder melhor \u00e0s perguntas que possam ser propostas a respeito do funcionamento cotidiano da natureza e da tecnologia.) (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Transformando conhecimentos espont\u00e2neos<\/strong><br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel que as crian\u00e7as tivessem recebido essa informa\u00e7\u00e3o antes, mas \u00e9 prov\u00e1vel que o globo, como recurso dispon\u00edvel em sala de aula, tenha contribu\u00eddo significativamente para que elas respondessem \u00e0s quest\u00f5es. O texto que preparei para ler e comentar com a turma continha informa\u00e7\u00f5es a respeito dos efeitos do vento sobre o mar. Tratava-se de uma informa\u00e7\u00e3o relevante, considerando que a maioria dos mineirinhos talvez n\u00e3o conhe\u00e7am o mar. No entanto, a a\u00e7\u00e3o do vento sobre as ondas foi uma das primeiras informa\u00e7\u00f5es que um dos alunos incluiu na conversa. Imagens veiculadas pela televis\u00e3o e gravuras nos livros did\u00e1ticos podem ter sido respons\u00e1veis pelo dado trazido por Felipe. As crian\u00e7as contribu\u00edram ricamente com o que trouxeram de suas pr\u00f3prias experi\u00eancias com o vento:<\/p>\n<blockquote><p>Hoje em dia, a informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e1 muito mais dispon\u00edvel e divulgada pela m\u00eddia. As crian\u00e7as t\u00eam acesso a essa informa\u00e7\u00e3o diariamente. Faz-se importante que a escola considere, d\u00ea espa\u00e7o e valorize os conhecimentos que elas j\u00e1 possuem, constru\u00eddos de suas viv\u00eancias extraescolares e conviv\u00eancia com outros adultos. Propiciar m\u00faltiplas vias de comunica\u00e7\u00e3o estimula uma aprendizagem de alto n\u00edvel. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Maicom: O vento sopra as foia e cai no ch\u00e3o.<br \/>\nProfessora pesquisadora: \u00c9. Varre o ch\u00e3o da gente, quando o vento \u00e9 forte. O que mais o vento faz?<br \/>\nWendel: Dirruba \u00e1rvore.<br \/>\nFelipe: Derruba \u00e1rvore com vento mais forte.<br \/>\nRafael: Dirruba casa.<br \/>\nProfessora pesquisadora: Derruba casa? Voc\u00eas j\u00e1 viram? Eu vi na televis\u00e3o que o vento era t\u00e3o forte, que derrubou uma casa inteira. Quando o vento \u00e9 fraco ele tem um nome, quando o vento \u00e9 forte ele tem outro nome. (&#8230;) O que mais o vento faz?<br \/>\nRafael: Esses dias, tava dano um vento forte l\u00e1 em casa junto com a chuva. A\u00ed entrou \u00e1gua. A\u00ed, quando eu fui pra fora assim, o vento quase me engoliu assim, pra parede assim.<br \/>\nProfessora pesquisadora: \u00c9, o vento empurra a gente&#8230;<br \/>\nWendel: O vento tira as teia da casa.<br \/>\nProfessora pesquisadora: O vento faz isso, gente?<br \/>\nCrian\u00e7as: Faz.<br \/>\nProfessora pesquisadora: O vento arranca as telhas da nossa casa, se ele vier forte, a\u00ed ele consegue arrancar.<br \/>\nMaicom: A minha casa, a teia da minha casa n\u00e3o consegue. L\u00e1 em casa deu um vent\u00e3o forte mais n\u00e3o ranca.<br \/>\nProfessora pesquisadora: N\u00e3o? Que bom, n\u00e9, que as telhas da sua casa est\u00e3o bem presas. Gente, ser\u00e1 que o vento s\u00f3 faz coisa ruim?<br \/>\nCrian\u00e7as: \u00c9.<br \/>\nProfessora pesquisadora: O vento n\u00e3o faz coisa boa n\u00e3o?<br \/>\nCrian\u00e7as: N\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho deve criar condi\u00e7\u00f5es para que os conhecimentos que os alunos j\u00e1 t\u00eam quando chegam \u00e0 escola, aqueles que trazem de suas viv\u00eancias extraescolares, se transformem em objetos de estudo a ser investigados e desenvolvidos dentro da sala de aula. Entender as Ci\u00eancias Naturais \u00e9 aceitar as verdades como provis\u00f3rias e em permanentes mudan\u00e7as. \u00c9 n\u00e3o acreditar em explica\u00e7\u00f5es dadas como definitivas e absolutas. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p>\n<p>Continuei com a enciclop\u00e9dia nas m\u00e3os. Agora, lendo informa\u00e7\u00f5es na Escala de Beaufort<sup>5<\/sup>, que caracteriza os tipos de vento. Li os nomes que o vento recebe:<br \/>\nProfessora pesquisadora: Quando esse vento \u00e9 bem fraquinho, ele chama calmaria.<br \/>\nFelipe: E o outro chama nervoso.<\/p>\n<p>Felipe utiliza, para nomear outro vento, a express\u00e3o que acabou de ouvir no Rap Voc\u00ea conhece o vento?: \u201cO vento faz a festa nas folhas da floresta, mas, se ele fica nervoso, vira um furac\u00e3o (e n\u00e3o respeita nada na contram\u00e3o)\u201d. As explica\u00e7\u00f5es prosseguem:<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: Quando ele \u00e9 um pouquinho mais forte, chama-se bafagem. Quando aumenta mais um pouquinho, ele se chama aragem. Se o vento aumentar mais um pouquinho, vai se chamar vento fraco e, depois, vento moderado, e assim vai aumentando. Gente, a velocidade do vento vai aumentando, ele vai se chamar vento fresco, muito fresco, forte, muito forte. Depois, temporal, temporal desfeito. E quando \u00e9 bem forte mesmo, sabe como ele se chama? Tormenta.<br \/>\nRafael: Sabia que a \u00e1gua abafa a gente? Abafa a gente, a gente fica andano se tiver choveno assim muito, muito, a gente n\u00e3o consegue. Na chuva memo, a gente n\u00e3o consegue.<br \/>\nProfessora pesquisadora: No mar ou na chuva?<br \/>\nRafael: Na chuva memo, a gente n\u00e3o consegue, a gente afoga.<\/p>\n<p>Novamente, Rafael \u00e9 quem faz a pergunta e se sente \u00e0 vontade para isso. Possivelmente, ele percebeu que os questionamentos, as d\u00favidas, perguntas e respostas estavam sendo bem-aceitos.<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: A gente pode ser arrastada pela chuva sim. Sabe como se chama um vento muito forte, muito forte? Furac\u00e3o, 117 km por hora, bem forte mesmo.<br \/>\nFelipe: Katrina.<\/p>\n<blockquote><p>O ensino de Ci\u00eancias n\u00e3o se restringe \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de conceitos cient\u00edficos. Sua fun\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m, devendo proporcionar a constru\u00e7\u00e3o de habilidades, de comportamentos e de valores indispens\u00e1veis \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um cidad\u00e3o inserido em um mundo globalizado, em que o ser individual deve ter consci\u00eancia de que \u00e9 parte do todo e, portanto, por ele respons\u00e1vel. Aprender um conceito cient\u00edfico significa tomar as palavras para si, usando-as em diferentes contextos como ferramentas para o agir e o pensar. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Felipe ativa sua mem\u00f3ria discursiva e fala da not\u00edcia do Furac\u00e3o Katrina. Esse fen\u00f4meno ocorreu em uma regi\u00e3o dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, em maio de 2005. Provavelmente, Felipe viu as cenas pela televis\u00e3o e, dada a oportunidade, compartilha a informa\u00e7\u00e3o com a professora e os colegas. N\u00e3o dei mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua contribui\u00e7\u00e3o porque somente quando transcrevi esses dados de pesquisa \u00e9 que captei a voz de Felipe no momento em que a c\u00e2mera focalizava outras crian\u00e7as.<\/p>\n<div id=\"attachment_4409\" style=\"width: 126px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4409\" class=\"size-full wp-image-4409\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo3.jpg\" alt=\"avisala_42_aprendendo3.jpg\" width=\"116\" height=\"312\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo3.jpg 116w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo3-111x300.jpg 111w\" sizes=\"auto, (max-width: 116px) 100vw, 116px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4409\" class=\"wp-caption-text\">No mato o vento nas \u00e1rvores, na praia o vento nas \u00e1guas, o som, e a cantiga do vento (Jo\u00e3o Magalh\u00e3es, 8 anos)<\/p><\/div>\n<p>Como media\u00e7\u00f5es da linguagem, cantamos, conversamos, lemos e discutimos. Assim, conclu\u00edmos a primeira parte da aula. N\u00e3o deixei de tratar dos assuntos por consider\u00e1-los dif\u00edceis ou complexos. \u00c0 medida que eram abordados, observava o interesse e envolvimento de todos. Isso auxiliou-me na tarefa de detectar se o assunto fazia sentido ou n\u00e3o. Algumas express\u00f5es e palavras foram adaptadas para a melhor compreens\u00e3o por parte das crian\u00e7as, mas n\u00e3o deixei de utilizar tamb\u00e9m outras possivelmente desconhecidas para eles. O prop\u00f3sito, nessa fase, foi tamb\u00e9m o de mediar, para os pequenos interlocutores, a no\u00e7\u00e3o de que a enciclop\u00e9dia, bem como outros materiais, cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es que podem ser consultadas a qualquer momento.<\/p>\n<p><strong>Novos conceitos formados <\/strong><br \/>\nA segunda escola est\u00e1 localizada em uma regi\u00e3o descampada, cujo posicionamento geogr\u00e1fico contribui para que seja um local bastante ventoso. Tais refer\u00eancias me levaram a escolher assuntos relacionados ao vento, como tema principal a ser tratado no planejamento da aula. O meio rural pode ser considerado um espa\u00e7o privilegiado para a observa\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos celestes.<\/p>\n<blockquote><p>As crian\u00e7as constroem conhecimento internamente, interagindo com o mundo para aprender como ele funciona e para ressignific\u00e1-lo. O adulto age como ponte entre os conhecimentos socialmente aceitos e tidos como verdadeiros e o que as crian\u00e7as est\u00e3o percebendo em seu ambiente. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Observei que as situa\u00e7\u00f5es embara\u00e7osas vividas no meio rural, causadas pelo vento, foram as primeiras a ser destacadas pelas crian\u00e7as. Elas chegaram at\u00e9 a dizer que o vento s\u00f3 fazia coisas ruins. Mesmo com essas afirma\u00e7\u00f5es, provoquei uma reflex\u00e3o para que elas pudessem repensar seus conceitos sobre a\u00e7\u00f5es causadas pelo vento e at\u00e9 encontrar algo de bom que ele poderia oferecer:<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: Ou ser\u00e1 que tem alguma coisa boa que o vento faz? Voc\u00eas sabem falar alguma coisa boa que o vento faz pra n\u00f3s?<br \/>\nFelipe: Ventinho.<br \/>\nWendel: Calor<br \/>\nProfessora pesquisadora: Que tem o vento com o calor?<br \/>\nRafael: Quando a gente t\u00e1 com calor, a\u00ed o ventinho \u00e9 gostoso.<\/p>\n<p>\u00c9 Rafael quem responde ao questionamento que fiz a Wendel e, para isso, ele usa as contribui\u00e7\u00f5es dos dois colegas: rela\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica do ventinho com o calor. Maicon havia dado uma significativa contribui\u00e7\u00e3o durante a aula ao falar da a\u00e7\u00e3o do vento sobre as telhas de sua casa, sobre a capacidade do vento em movimentar as folhas das \u00e1rvores. Ao ouvir seus colegas recapitulando o assunto, colocou-se como autor do discurso anteriormente produzido, afirmando que j\u00e1 havia falado tudo aquilo antes:<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: O que mais, Rafael?<br \/>\nFelipe: Ele sopra o cata-vento.<br \/>\nRafael: Ele lava as coisas, n\u00e3o lava n\u00e3o, ele n\u00e3o lava. Ele barre o terrero.<br \/>\nMaicon: Eu j\u00e1 falei aquela hora.<\/p>\n<p>Apresentei tamb\u00e9m a m\u00fasica Vento Rei<sup>6<\/sup>, gravada no Cear\u00e1, n\u00e3o apenas por ter o vento como tema, mas tamb\u00e9m pelo som das flautas de p\u00edfano, viol\u00e3o, percuss\u00e3o e a voz da crian\u00e7a interpretando a m\u00fasica, que trariam para a sala de aula as vozes do vento.<\/p>\n<blockquote><p>Elos com a literatura podem contribuir para a amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, ampliar vocabul\u00e1rio e favorecer a interpreta\u00e7\u00e3o de fatos e a\u00e7\u00f5es. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Professora pesquisadora: O que \u00e9 jangada? Voc\u00eas sabem?<br \/>\nCrian\u00e7as: N\u00e3o.<br \/>\nProfessora pesquisadora: \u00c9 um tipo de barco. As pessoas que moram no Cear\u00e1 pescam muito e elas, pra ir pro mar, v\u00e3o de qu\u00ea?<br \/>\nCrian\u00e7as: V\u00e3o de barco<br \/>\nProfessora pesquisadora: E o barco mais comum que existe no Cear\u00e1 chama-se jangada.<\/p>\n<p>A\u00ed, n\u00f3s vamos ouvir os meninos do Cear\u00e1 cantando uma m\u00fasica do vento. Na sequ\u00eancia, apresentei uma s\u00e9rie de epis\u00f3dios nos quais diversos assuntos foram se articulando. Jangada foi mais uma vers\u00e3o para barco cuja denomina\u00e7\u00e3o a turma teve oportunidade de conhecer. Novas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes nos epis\u00f3dios de ensino. Dessa maneira, ampliam-se as poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es entre diversos tipos de conhecimento. Ap\u00f3s v\u00e1rias conversas sobre o vento e os in\u00fameros nomes atribu\u00eddos a ele, al\u00e9m das coisas boas e ruins que ele faz, passamos ao trabalho pr\u00e1tico, previsto para esse epis\u00f3dio do ensino. Confeccionaria com as crian\u00e7as uma jangada. Essa atividade, para al\u00e9m do produto final, foi pensada como mais um recurso capaz de constituir uma media\u00e7\u00e3o para o avan\u00e7o de temas relacionados \u00e0s Ci\u00eancias. Veja, a seguir, a experi\u00eancia e o pensamento das crian\u00e7as sobre o que o vento faz no mar e em outras situa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<blockquote><p>Independente do n\u00edvel de sofistica\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o pode se tornar um favorecedor da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e cultura cient\u00edfica \u00e0 medida que possibilita observar, formular hip\u00f3teses, propor explica\u00e7\u00f5es, experimentar, observar e partilhar resultados com outros pares. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Professora pesquisadora: Antes de a gente ouvir o que os meninos de S\u00e3o Paulo falam sobre o que vento faz, o que voc\u00eas acham que o vento faz?<br \/>\nRafael: Sopra frio.<br \/>\nWendel: Chuva.<br \/>\nRafael: O vento misturado com chuva cai gaio.<br \/>\nProfessora pesquisadora: O vento misturado com chuva? O que mais?<br \/>\nFelipe: Sopra as ondas.<br \/>\nProfessora pesquisadora: O vento sopra as ondas do mar? O vento sopra as ondas do mar pra l\u00e1, pra c\u00e1&#8230;<\/p>\n<blockquote><p>Quando as crian\u00e7as enfrentam um determinado fen\u00f4meno que n\u00e3o podem explicar, ou para cuja explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o possuem conhecimentos, se abre a possibilidade de colocar estrat\u00e9gias diferentes para poder avan\u00e7ar conceitualmente. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao finalizarem a constru\u00e7\u00e3o da jangada:<\/p>\n<p>Professora pesquisadora: Vou colar a vela. Pra que ser\u00e1 que serve este peda\u00e7o de pano que as pessoas p\u00f5em na jangada? Rafael, Felipe, Iara, quero todo mundo me ajudando a responder isso, olha.<br \/>\nFelipe: \u00c9 porque, \u00e9 pro vento soprar.<br \/>\nProfessora pesquisadora: E fazer o qu\u00ea?<br \/>\nFelipe: Pra levar.<br \/>\nProfessora pesquisadora: Ent\u00e3o este pano, que se chama vela nos barcos, segura o vento e faz o qu\u00ea? Faz o barco&#8230;<br \/>\nFelipe: Ir.<br \/>\nProfessora pesquisadora: Ana Maria e Jeniffer v\u00e3o p\u00f4r bem devagarinho dentro da bacia a jangadinha.<br \/>\nFelipe. Sopra, gente!<\/p>\n<blockquote><p>Desempenhar o papel de catalisador, consultor e facilitador faz do professor um facilitador do ensino. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Apenas um grupo soprou as velas da jangada, que deslizou sobre a \u00e1gua. Foi um momento de vibra\u00e7\u00e3o para toda a turma. Assim, a linguagem interessou muito, j\u00e1 que o desejo, nesse trabalho, foi o de ouvir as crian\u00e7as de 6 anos, que vivem no meio rural. De onde vem o discurso delas revelado no momento em que falam sobre sua vida, seu trabalho, sobre o vento e o arco-\u00edris? Elas falam de lugares e de posi\u00e7\u00f5es diferentes, falam como alunos, filhos, crian\u00e7as. Falam sobre o que ouvem de outras pessoas, o que aprendem em casa, na escola, pela televis\u00e3o. Ou ainda, como \u00e9 poss\u00edvel compreender o que n\u00e3o disseram? O sil\u00eancio das que nada falaram, as palavras que n\u00e3o foram ouvidas ou que, aparentemente, n\u00e3o foram consideradas, constitu\u00edram-se tamb\u00e9m em discurso, que \u00e9 \u201cmovimento dos sentidos, err\u00e2ncia dos sujeitos, lugares provis\u00f3rios de conjun\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o, de unidade e de diversidade, de indistin\u00e7\u00e3o, de incerteza, de trajetos, de ancoragem e de vest\u00edgios.\u201d<sup>7<\/sup> A din\u00e2mica dos discursos ocorridos em sala de aula, ao longo desse trabalho, permitiu relacionar a linguagem ao cotidiano.<\/p>\n<p>(Gl\u00f3ria L\u00facia Magalh\u00e3es, pedagoga, mestra pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (FE\/Unicamp), membro do grupo de pesquisa da FE\/Unicamp e da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o da cidade de Tr\u00eas Pontas-MG)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Disserta\u00e7\u00e3o defendida por Gl\u00f3ria L\u00facia Magalh\u00e3es, na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Unicamp, em 2008.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Michel P\u00eacheux (1938-1983), fil\u00f3sofo franc\u00eas que fundou a linha de pesquisa conhecida como An\u00e1lise do Discurso Pechetiana.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Professora titular de An\u00e1lise do Discurso do Departamento de Lingu\u00edstica do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos Urbanos (Labeurb), ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<br \/>\n<sup>4<\/sup>Especialista em Ci\u00eancias, formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e gerente de Forma\u00e7\u00e3o de Projetos Educacionais da Sangari Brasil, ambos em S\u00e3o Paulo (SP).<br \/>\n<sup>5<\/sup>Sir Francis Beaufort (1774-1857), almirante brit\u00e2nico, criou uma escala, de 0 a 12, ao observar o que acontecia no movimento do mar (superf\u00edcie e onda) em consequ\u00eancia da velocidade dos ventos. Posteriormente, essa tabela foi adaptada para a terra.<br \/>\n<sup>6<\/sup>Composi\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Maia e Cal\u00e9 de Alencar, interpretada pela Banda Girassol, de Fortaleza \u2013 Cear\u00e1.<br \/>\n<sup>7<\/sup>An\u00e1lise de discurso: princ\u00edpios e procedimentos, de Eni Puccinelli Orlandi.<\/p>\n<div id=\"attachment_4410\" style=\"width: 311px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4410\" class=\"size-full wp-image-4410\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo2.jpg\" alt=\"avisala_42_aprendendo2.jpg\" width=\"301\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo2.jpg 301w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_aprendendo2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4410\" class=\"wp-caption-text\">Serra das Tr\u00eas Pontas<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Gl\u00f3ria L\u00facia Magalh\u00e3es<br \/>\nEmail: gl.magalhaes@yahoo.com<br \/>\nPrefeitura Municipal de Tr\u00eas Pontas \u2013 MG<br \/>\nSecretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Tr\u00eas Pontas<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Bento de Brito, 451 \u2013 Centro \u2013 CEP: 37190-000 &#8211; Tel: (35) 3265-4011<br \/>\nEmail: educacao@trespontas.mg.gov.br<br \/>\nSite: www.trespontas.mg.gov.br<\/p>\n<p>Luciana Hubner<br \/>\nEmail: luciana.domingos@sangari.com<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>An\u00e1lise de discurso: princ\u00edpios e procedimentos, de Eni Puccinelli Orlandi. Pontes Editores: Campinas \u2013 SP. Tel.: (11) 3252-6011. Site: www.ponteseditores.com.br<\/li>\n<li>Crian\u00e7as de seis anos no ensino fundamental: elementos de ci\u00eancias em escolas rurais do munic\u00edpio de Tr\u00eas Pontas\/MG. Disserta\u00e7\u00e3o defendida por Gl\u00f3ria L\u00facia Magalh\u00e3es, na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas, S\u00e3o Paulo, em 2008. Site: http:\/\/www.fe.unicamp.br\/ensino\/producao_cientifica\/index.html<\/li>\n<li>Papel da mem\u00f3ria, de Michel P\u00eacheux. In: ACHARD, P. et al. Papel da Mem\u00f3ria. Tradu\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Horta Nunes Pontes. Pontes Editores: Campinas \u2013 SP. Tel.: (11) 3252-6011. Site: www.ponteseditores.com.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 fundamental ouvir as crian\u00e7as para saber o que elas pensam e, assim, poder ampliar seus conhecimentos e favorecer a investiga\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o. Por Gl\u00f3ria L\u00facia Magalh\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":180,"featured_media":4307,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[756,403],"tags":[1111,97,737,87,826,31,146,877,878],"class_list":{"0":"post-4406","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-aprendendo-com-a-crianca","8":"category-revista-avisala-42","9":"tag-revista-avisa-la-2010","10":"tag-aprendizagem","11":"tag-atencao","12":"tag-comunicacao","13":"tag-conversa","14":"tag-expressao","15":"tag-fala","16":"tag-gloria-lucia-magalhaes","17":"tag-relacionamento","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/180"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4406"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4406\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}