{"id":4306,"date":"2010-05-22T19:25:10","date_gmt":"2010-05-22T22:25:10","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4306"},"modified":"2023-03-27T19:48:44","modified_gmt":"2023-03-27T22:48:44","slug":"cabeca-nas-nuvens-e-pes-no-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/cabeca-nas-nuvens-e-pes-no-chao\/","title":{"rendered":"Cabe\u00e7a nas nuvens e p\u00e9s no ch\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h5>Brincadeiras tradicionais que utilizam o ar possibilitam que as crian\u00e7as se divirtam e exercitem o pensamento sobre fatos e fen\u00f4menos observados<\/h5>\n<div id=\"attachment_4309\" style=\"width: 231px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4309\" class=\"size-full wp-image-4309\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo1.jpg\" alt=\"avisala_42_tempo1.jpg\" width=\"221\" height=\"195\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4309\" class=\"wp-caption-text\">O que parece t\u00e3o simples diverte muito as crian\u00e7as (fotos: Emilian Cunha &#8211; Dami)<\/p><\/div>\n<p>Brincar com o ar. O que parece t\u00e3o simples e elementar aos adultos \u00e9 fonte de grande interesse e de prazer para as crian\u00e7as. Tamb\u00e9m \u00e9 contexto para as in\u00fameras brincadeiras e descobertas que elas fazem autonomamente, \u00e0 medida que s\u00e3o convidadas a experimentar e a brincar com esse elemento da natureza.<!--more--><\/p>\n<blockquote><p>Nossa sociedade mudou e as brincadeiras tamb\u00e9m mudaram. Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos trouxeram novas maneiras e possibilidades. Apesar disso, as crian\u00e7as continuam a demonstrar grande interesse em explorar passatempos simples, que envolvem componentes da natureza t\u00e3o presentes na vida, como o ar. Sentir sua for\u00e7a, observar o movimento produzido, experimentar, investigar meios de brincar com o invis\u00edvel e o impalp\u00e1vel se apresentam como algo encantador para elas desde a mais tenra idade. O ar as deixa curiosas, talvez por ser invis\u00edvel e sempre presente, n\u00e3o encontrado pelos sentidos de modo direto, a menos que ele afete o concreto. Os pequenos costumam se portar como sagazes observadores da natureza. Inquietam-se perante coisas simples que se apresentam como novidade. Buscam explica\u00e7\u00f5es, constroem interpreta\u00e7\u00f5es apreendidas em sua intera\u00e7\u00e3o cotidiana com diferentes parceiros.(coment\u00e1rio de Luciana Hubner<sup>1<\/sup>)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em 2009, as educadoras do CEI Lar Crian\u00e7a Feliz, da Institui\u00e7\u00e3o Promove, participaram de um processo intenso de forma\u00e7\u00e3o sobre o brincar. Parte significativa desses estudos foi o resgate de suas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia. Entre tantos jeitos diferentes de brincar, alguns foram recordados com muito carinho, como a pipa voando no c\u00e9u, as bolhas de sab\u00e3o estourando com o toque das m\u00e3os, a corrida para sentir o vento no rosto&#8230; Longas e deliciosas conversas geraram impacto no grupo, que logo se deu conta de que as crian\u00e7as do CEI n\u00e3o desfrutavam desses mesmos prazeres porque s\u00e3o de uma \u00e9poca em que a rua, lugar onde elas viveram todas essas experi\u00eancias, deixou de ser lugar dos pequenos. Mas \u201cse eles n\u00e3o podem ir at\u00e9 a rua, \u00e9 poss\u00edvel traz\u00ea-la at\u00e9 eles?\u201d. Com essa provoca\u00e7\u00e3o da formadora, as educadoras tomaram para si o desafio de encontrar meios de resgatar esse direito dentro do CEI. Para organizar melhor a proposta, elas elaboraram sequ\u00eancias did\u00e1ticas com o brincar, apoiadas na pesquisa e na leitura de documentos de refer\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A busca de refer\u00eancias<\/strong><br \/>\nFoi nesse contexto que as respons\u00e1veis pelos minigrupos A e B (crian\u00e7as de 2 e 3 anos), Cleide e Luciene, conheceram a sequ\u00eancia did\u00e1tica Brinquedos Voadores, elaborada pela equipe do CEI Ame\/Amuno, a partir da tematiza\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo do trabalho realizado no CEI Cidade de Genebra e se apaixonaram pela proposta. No quadro a seguir, confira um trecho da tese Movimento e educa\u00e7\u00e3o infantil: um projeto de forma\u00e7\u00e3o em contexto, da professora Isabel Porto Filgueiras<sup>2<\/sup>, que inspirou a elabora\u00e7\u00e3o do trabalho descrito neste artigo:<\/p>\n<blockquote><p><strong>Movimento e Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/strong><br \/>\nNo CEI Cidade de Genebra<sup>3<\/sup>, as professoras Cleonice e Iraci, do minigrupo (crian\u00e7as de 3 anos), tamb\u00e9m realizaram um projeto com brinquedos voadores. O trabalho surgiu ao longo do projeto de forma\u00e7\u00e3o do grupo de pesquisa Contextos Integrados na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo. A formadora Isabel Porto Filgueiras trabalhou com as professoras durante todo o projeto. No in\u00edcio do ano, Cleonice e Iraci observaram o interesse de suas turmas pelas pipas que voavam no c\u00e9u da comunidade. A partir da\u00ed, propuseram a experimenta\u00e7\u00e3o de diferentes objetos voadores, como pipa, capucheta, pipa de saquinho pl\u00e1stico, avi\u00e3o de papel, paraquedas, freesbee, bexiga voadora, h\u00e9lice voadora, bolinhas de sab\u00e3o e cata-ventos. As professoras e a formadora tamb\u00e9m observaram o interesse das crian\u00e7as pela est\u00e9tica dos brinquedos. Os pequenos testaram suas hip\u00f3teses sobre a influ\u00eancia do vento e da altura em que deviam manter os brinquedos no ar. O projeto proporcionou novas experi\u00eancias corporais, muitas descobertas sobre as propriedades f\u00edsicas dos objetos, a observa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre o vento e o efeito de cada brinquedo e o conhecimento dos ajustes corporais necess\u00e1rios para fazer cada brinquedo funcionar. O trabalho das professoras Iraci e Cleonice ilustra como atividades bem planejadas em sequ\u00eancias podem ampliar os conhecimentos e as experi\u00eancias das crian\u00e7as com elementos que j\u00e1 fazem parte da cultura da comunidade. (Por Isabel Porto Filgueiras)<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_4310\" style=\"width: 223px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4310\" class=\"size-full wp-image-4310\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo4.jpg\" alt=\"avisala_42_tempo4.jpg\" width=\"213\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4310\" class=\"wp-caption-text\">Brinquedos confeccionados com as crian\u00e7as<\/p><\/div>\n<p>Com a leitura do documento elaborado por Isabel Porto Filgueiras, foi poss\u00edvel perceber com mais clareza os objetivos do trabalho desenvolvido e propiciar \u00e0s crian\u00e7as uma experi\u00eancia muito divertida e, ao mesmo tempo, rica, pois, al\u00e9m de auxiliar no desenvolvimento de compet\u00eancias motoras, elas teriam a oportunidade de trabalhar em grupo nos momentos de elabora\u00e7\u00e3o dos brinquedos, trocando experi\u00eancias e ajudando umas \u00e0s outras.<\/p>\n<blockquote><p>Os espa\u00e7os de conviv\u00eancia social, onde a crian\u00e7a se relaciona com adultos e com seus pares, criam oportunidades para ela elaborar a rela\u00e7\u00e3o entre diferentes aspectos da natureza e da cultura. Selecionar e organizar contextos de investiga\u00e7\u00e3o a partir de situa\u00e7\u00f5es simples, muitas delas presentes no cotidiano dos pequenos, aumenta a oportunidade de exercitar o olhar e pensar sobre fatos e fen\u00f4menos cient\u00edficos observados, amplia a conversa\u00e7\u00e3o, a argumenta\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o dentro das possibilidades da faixa et\u00e1ria, al\u00e9m de aumentar a aproxima\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o dos temas de Ci\u00eancias. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>O pr\u00f3ximo passo das educadoras foi elaborar um documento pr\u00f3prio, adequando os objetivos \u00e0 faixa et\u00e1ria com que trabalhavam, agregando novas ideias de proposi\u00e7\u00f5es e encaminhamentos. Assim nasceu a sequ\u00eancia did\u00e1tica Brincando com o Vento. Al\u00e9m de considerar o valor das brincadeiras e a alegria que certamente trariam ao grupo, foram ponderadas tamb\u00e9m outras aprendizagens que esse tipo de proposta favoreceria. \u201cO que quer\u00edamos, ao propor o trabalho, era, principalmente, que os pequenos brincassem e se divertissem, mas que, al\u00e9m disso, pudessem ampliar suas possibilidades de movimento corporal e de percep\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o f\u00edsico de maneira l\u00fadica\u201d, explica Luciene. \u201cOs brinquedos voadores servem como um \u00f3timo recurso para provocar essas intera\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>Organizar a\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o com brinquedos e brincadeiras que envolvem um conte\u00fado espec\u00edfico, determinado e conhecido pelo professor, como, por exemplo, o ar, cria condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de ideias, transformando em conhecimento as curiosidades das crian\u00e7as sobre a presen\u00e7a e a fun\u00e7\u00e3o desse elemento da natureza. O contato com instrumentos que evidenciam a presen\u00e7a do ar, o movimento de objetos produzidos por ele, a sensa\u00e7\u00e3o e o pensamento na produ\u00e7\u00e3o do vento desafiam os pequenos a pensar sobre o que observam, al\u00e9m de favorecer o desenvolvimento da capacidade de observar regularidades e perman\u00eancias. Essas brincadeiras e esses brinquedos oferecem oportunidades de realiza\u00e7\u00e3o de atividades coletivas livres, al\u00e9m de produzir efeitos positivos para o processo de aprendizagem e aproxima\u00e7\u00f5es a conceitos importantes como os de transforma\u00e7\u00e3o e causalidade. No intuito de apreender o contexto em que est\u00e3o inseridas, as crian\u00e7as buscam estabelecer rela\u00e7\u00f5es do que j\u00e1 conhecem com os fragmentos de conhecimento que ainda n\u00e3o possuem. Dessa maneira, v\u00e3o construindo observa\u00e7\u00f5es e teorias que, por mais elementares que sejam, sup\u00f5em muito mais que um simples registro perceptivo. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-4311\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo3.jpg\" alt=\"avisala_42_tempo3\" width=\"167\" height=\"241\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Corpo e mente em a\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\nNessa fase da vida, em que o repert\u00f3rio oral infantil ainda \u00e9 relativamente pequeno, a comunica\u00e7\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o com o mundo e com os outros se d\u00e3o, principalmente, por meio da linguagem corporal. O corpo \u00e9 uma ferramenta, uma porta para muitas descobertas que as crian\u00e7as fazem \u00e0 medida que se veem diante de novos desafios. Pode-se dizer que, para elas, \u00e9 um grande desafio correr coordenando a dire\u00e7\u00e3o do corpo e ao mesmo tempo querendo observar os movimentos do brinquedo que segura nas m\u00e3os, como a pipa ou a capucheta. Da mesma maneira, lan\u00e7ar um avi\u00e3ozinho de papel n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Se quisermos que ele plaine tempo suficiente para que possamos observ\u00e1-lo voando, isso requer aprender a movimentar o bra\u00e7o de determinado modo e a soltar o avi\u00e3o no momento certo, coisas que as crian\u00e7as s\u00f3 ir\u00e3o aprender se tiverem oportunidade de brincar muitas vezes com esse tipo de brinquedo. Para ficar mais tempo no ar, por exemplo, as crian\u00e7as tiveram a ideia de subir em cadeiras e mesas, j\u00e1 que eram pequenas e os avi\u00f5ezinhos logo caiam no ch\u00e3o. As solu\u00e7\u00f5es por eles criadas e a imita\u00e7\u00e3o estendiam o tempo da brincadeira e da divers\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Brinquedos simples, confeccionados pelo professor e, preferencialmente, \u00e0 vista das crian\u00e7as, como avi\u00f5ezinhos, capuchetas, cachimbos de ar, bal\u00f5es de l\u00e1tex, paraquedas pl\u00e1stico etc., motivam, desafiam, despertam o interesse e geram discuss\u00f5es muito ricas entre o p\u00fablico infantil. Resolver um problema intrigante apresentado pelo adulto, como manter plainando por mais tempo um avi\u00e3ozinho, faz\u00ea-lo percorrer uma dist\u00e2ncia maior, aumentar ou diminuir o tamanho de um bal\u00e3o de l\u00e1tex ou, ainda, produzir mais vento com um leque confeccionado de papel, ultrapassa a simples manipula\u00e7\u00e3o de materiais. Dedicar um tempo especial para que as crian\u00e7as observem, proponham mudan\u00e7as, manipulem o material, contem o que fizeram, antecipem acontecimentos e busquem explica\u00e7\u00f5es cria condi\u00e7\u00f5es para que elas, mesmo muito pequenas, possam ir al\u00e9m da a\u00e7\u00e3o contemplativa e se encaminhem para a reflex\u00e3o e a busca de explica\u00e7\u00e3o, relacionando objetos e acontecimentos. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_4312\" style=\"width: 321px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4312\" class=\"size-full wp-image-4312\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo2.jpg\" alt=\"avisala_42_tempo2.jpg\" width=\"311\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo2.jpg 311w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo2-300x231.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4312\" class=\"wp-caption-text\">Experi\u00eancias que ampliam as possibilidades de movimento<\/p><\/div>\n<p><strong>Novas experi\u00eancias<\/strong><br \/>\nAs propostas come\u00e7avam sempre pela apresenta\u00e7\u00e3o do brinquedo na roda. As crian\u00e7as se envolveram tanto que, sempre que as educadoras mostravam um novo, elas diziam: \u201c\u00c9 um brinquedo voador!\u201d. \u201cFoi gratificante v\u00ea-las t\u00e3o animadas. Muitas j\u00e1 conheciam alguns dos objetos apresentados, mas foi muito mais rico para o aprendizado delas participar das oficinas de constru\u00e7\u00e3o com materiais t\u00e3o simples, com coisas que qualquer crian\u00e7a tem em casa\u201d, conta Luciene. Quando foi apresentada a capucheta, feita com sacola de mercado, os pequenos ficaram encantados. Gabriel comentou: \u201c\u00c9 uma sacola de pipa!\u201d. \u201cDepois disso, n\u00e3o podiam ver uma sacolinha, que j\u00e1 estavam pedindo ajuda para amarrar, para transform\u00e1-la em brinquedo\u201d, narra a professora.<\/p>\n<blockquote><p>De que \u00e9 capaz um saco com ar? Qual a explica\u00e7\u00e3o para que crian\u00e7as t\u00e3o pequenas focalizem com tamanha intensidade uma experi\u00eancia simples como fazer uma sacolinha voar? Por que elas querem saber os motivos e a intera\u00e7\u00e3o com o ambiente? Pela intera\u00e7\u00e3o com ele, caracteriza-se a a\u00e7\u00e3o natural das crian\u00e7as, que, desde muito pequenas, j\u00e1 possuem os reflexos e as capacidades perceptivas que, pouco a pouco, se associam, formando recursos para a coleta de informa\u00e7\u00f5es. Existindo o encorajamento das explora\u00e7\u00f5es e da curiosidade infantil, a busca de sentido e o conhecimento sobre o mundo se desenvolvem. Qualquer espa\u00e7o, sala ou parque com cen\u00e1rio organizado pode se transformar em um espa\u00e7o de investiga\u00e7\u00e3o onde a curiosidade e o conhecimento que os pequenos j\u00e1 t\u00eam s\u00e3o alicerces para a constru\u00e7\u00e3o de ideias, compara\u00e7\u00f5es e significa\u00e7\u00f5es. Nesses ambientes, podem ser criadas situa\u00e7\u00f5es e propostos os meios de aproximar as crian\u00e7as dos saberes cient\u00edficos de maneira que possam aprender pela observa\u00e7\u00e3o, pelo questionamento permanente e pela experimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 como ultrapassar a manipula\u00e7\u00e3o ou a contempla\u00e7\u00e3o. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>As brincadeiras propostas na sequ\u00eancia tamb\u00e9m possibilitaram muitas descobertas interessantes. \u201cQuando brinc\u00e1vamos com o cata-vento, tive a ideia de colocar um pequeno ventilador para que as crian\u00e7as pudessem observar o brinquedo girando com mais rapidez\u201d, narra Cleide. \u201cElas adoraram.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>As crian\u00e7as constroem, com certa facilidade, a ideia de ar em movimento. O vento \u00e9 ar em movimento. O cata-vento \u00e9 um dos objetos que possibilita explorar a situa\u00e7\u00e3o em que o ar em movimento produz a\u00e7\u00e3o em um objeto. Muitos aspectos podem ser observados a partir de brincadeiras t\u00e3o simples como essa. Por exemplo, o ar em movimento empurra as coisas, a rela\u00e7\u00e3o entre for\u00e7a que se assopra ou movimenta o cata-vento e o movimento do objeto. Apresentar aos pequenos situa\u00e7\u00f5es-problema, como \u201cO que fazer para o cata-vento girar mais r\u00e1pido?\u201d, \u201cO que fazer para ele girar bem devagarinho?\u201d, \u201cComo ir\u00e1 o catavento se comportar se o segurarmos na m\u00e3o e sairmos correndo pela sala?\u201d e \u201cO que fazer?\u201d (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em outra ocasi\u00e3o, quando a professora e as crian\u00e7as brincavam de produzir bolhas de sab\u00e3o soprando e movimentando os bra\u00e7os ao mesmo tempo, uma delas pediu que Cleide ligasse o ventilador. \u201cAchei maravilhoso observar que elas podem fazer esse tipo de rela\u00e7\u00e3o, de perceber que um elemento (o vento) que causou efeito sobre um objeto tamb\u00e9m poderia causar sobre outros\u201d, reconhece.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-4313\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo5.jpg\" alt=\"avisala_42_tempo5\" width=\"235\" height=\"184\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>Crian\u00e7as de 2 e 3 anos possuem muita energia para investir em atividades como essa. Elas desejam saber o que conseguem realizar, anseiam por novas experi\u00eancias e informa\u00e7\u00f5es sobre o mundo. Uma das melhores maneiras de auxili\u00e1-las a conhecerem o mundo a seu alcance \u00e9 organizar materiais de modo que possam explorar, questionar, raciocinar e descobrir respostas por meio da pr\u00f3pria atividade f\u00edsica e mental. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Uma boa contamina\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO resultado foi \u00f3timo. Os pequenos ficaram entusiasmados com a quantidade de bolhas produzidas. Algu\u00e9m deu a sugest\u00e3o de ca\u00e7\u00e1-las usando um copo descart\u00e1vel e a\u00ed, sim, elas fizeram mesmo a festa. \u201cFoi muito divertido\u201d, recorda Cleide. As experi\u00eancias desses grupos foram t\u00e3o intensas que acabaram contagiando todo o CEI. As crian\u00e7as de outras turmas come\u00e7aram a pedir para brincar junto e a pedir os brinquedos emprestados. Desse movimento, surgiu a ideia de produzir uma caixa de brinquedos voadores, que ficaria \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos na hora em que fossem para o parque. As pr\u00f3prias crian\u00e7as cuidaram de confeccionar a caixa e guardar os brinquedos.<\/p>\n<blockquote><p>Crian\u00e7as pequenas raramente trabalham sozinhas em um local de experi\u00eancia e experimenta\u00e7\u00f5es, ainda que partilhar brinquedos possa ser uma atividade um tanto dif\u00edcil para elas. Dessa maneira, socializar informa\u00e7\u00f5es e conhecimentos \u00e9 um dos meios de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A troca, a intera\u00e7\u00e3o com pares de conhecimentos e idades diferentes sempre se mostra como uma situa\u00e7\u00e3o bastante interessante. O mesmo brinquedo pode servir de fonte diferente de explora\u00e7\u00e3o e conhecimento. (coment\u00e1rio de Luciana Hubner)<\/p><\/blockquote>\n<p>Para a entrega oficial desse presente, as crian\u00e7as convidaram outros grupos para ensinar as brincadeiras. \u201cEsse trabalho foi muito prazeroso para mim, pois mudei meu olhar e a maneira de pensar sobre como as crian\u00e7as interagem com o mundo que as rodeia. Pude observar o quanto s\u00e3o capazes de inventar e descobrir novos modos de brincar\u201d, confessa Luciene. \u201cCompreendi que planejar as atividades com anteced\u00eancia e pesquisar o assunto s\u00e3o a\u00e7\u00f5es fundamentais e aprendi que, com objetos simples, podemos elaborar \u00f3timos trabalhos\u201d. N\u00e3o era raro estar em atividade no parque e Luciene perceber as crian\u00e7as olhando para o c\u00e9u e comentando sobre os avi\u00f5es, os p\u00e1ssaros, reparando na intensidade do vento, se estava forte ou mais fraquinho, sempre se lembrando dos brinquedos. \u201cEu ficava encantada com essas observa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>A professora Cleide afirma que quando elaborou a sequ\u00eancia e come\u00e7ou a trabalh\u00e1-la com sua turma, percebeu algo que antes n\u00e3o era poss\u00edvel. Tratava-se da continuidade no trabalho. \u201cAntes, achava que n\u00e3o pod\u00edamos repetir atividades e, assim, a cada dois meses, era um projeto diferente. Da maneira como passamos a trabalhar a sequ\u00eancia, qualquer pessoa que entrasse na sala percebia o que estava se passando ali com o grupo\u201d, conta. \u201cConstatei que pod\u00edamos, sim, repetir algumas atividades, fazendo nelas pequenas altera\u00e7\u00f5es, dando outros exemplos para que as crian\u00e7as se apropriassem do jeito de brincar com cada brinquedo, ouvindo os coment\u00e1rios delas e trazendo novas informa\u00e7\u00f5es a partir dos conhecimentos adquiridos.\u201d No fim do projeto, ela p\u00f4de observar os frutos do trabalho desenvolvido: o interesse das crian\u00e7as e o pr\u00f3prio desenvolvimento ao longo do processo. \u201cAtualmente, n\u00e3o consigo trabalhar sem planejamento.\u201d<\/p>\n<p>Esse processo marcou um momento novo no CEI. Ele trouxe a constata\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel garantir nesse espa\u00e7o o direito \u00e0 brincadeira de qualidade e acabou com a antiga ideia de que qualidade est\u00e1 vinculada \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de brinquedos prontos. Al\u00e9m de interferir diretamente na atua\u00e7\u00e3o das professoras com as crian\u00e7as, melhorando a qualidade de seus encaminhamentos e interven\u00e7\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o possibilitou a constru\u00e7\u00e3o de outros conhecimentos relacionados \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do tempo did\u00e1tico, ao planejamento e ao olhar do professor.<\/p>\n<p>(Cleide Helena Alves Lima, professora e Luciene Alves da Costa, coordenadora pedag\u00f3gica, ambas do CEI Lar Crian\u00e7a Feliz, e Emilian Cunha \u00e9 formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Escola da Vila, todas em S\u00e3o Paulo-SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Luciana Hubner \u00e9 especialista em Ci\u00eancias, consultora do Instituto Avisa L\u00e1 e Gerente de Forma\u00e7\u00e3o de Projetos Educacionais da Sangari Brasil, em S\u00e3o Paulo (SP).<br \/>\n<sup>2<\/sup>Isabel Porto Filgueiras \u00e9 formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e professora de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica na Faculdade Presbiteriana Mackenzie, em S\u00e3o Paulo (SP). <sup>3<\/sup>CEI Cidade de Genebra, R. Cachoeira Poraqu\u00ea, 100, S\u00e3o Paulo, SP. Tel.: (11) 3781-1290.<\/p>\n<div id=\"attachment_4314\" style=\"width: 262px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4314\" class=\"size-full wp-image-4314\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo6.jpg\" alt=\"avisala_42_tempo6.jpg\" width=\"252\" height=\"154\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4314\" class=\"wp-caption-text\">As experimenta\u00e7\u00f5es estimulam a intera\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Projeto ou Programa: Brincar de qu\u00ea?<br \/>\nFormadora: Emilian Cunha (Dami)<br \/>\nResponsabilidade T\u00e9cnica: Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\nDesenvolvimento: Promove Inclus\u00e3o Social<br \/>\nSite: www.promove.org.br<\/p>\n<p>CEI Lar Crian\u00e7a Feliz &#8211; Endere\u00e7o: Rua Paulino Guimar\u00e3es, 279, Ponte Pequena \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP &#8211; CEP: 01109-020 &#8211; Tel.: (11) 3229-3109 &#8211; Email: creche@promove.org.br<br \/>\nDiretora: Rogenia Cruz Mavcedo Darruiche<br \/>\nCoordenadora: Claudia Regina Unterkircher<br \/>\nProfessoras participantes: Cleide Helena Alves Lima e Luciene Alves da Costa &#8211; E-mails: clealves@ig.com.br e lucienealves.c@hotmail.com<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil, de Renata Meirelles. Ed. Terceiro Nome, Tel.: (11) 3816 0333. Site: www.terceironome.com.br\/html\/index.htm.<\/li>\n<li>Movimentar-se \u00e9 preciso, de Isabel Porto Filgueiras Revista do Instituto Avisa l\u00e1: forma\u00e7\u00e3o de educadores, S\u00e3o Paulo, p. 16 &#8211; 21, 11 nov. 2005.<\/li>\n<li>A crian\u00e7a e o movimento: quest\u00f5es para pensar a pr\u00e1tica pedag\u00f3gica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil e no Ensino Fundamental, de Isabel Porto Filgueiras Revista do Instituto Avisa l\u00e1: forma\u00e7\u00e3o de educadores, S\u00e3o Paulo, p. 11 &#8211; 19, 01 jul. 2002.<\/li>\n<li>Brincadeiras e Jogos no Parque, de Isabel Porto Filgueiras e Adriana Freyberber, Revista do Instituo Avisa l\u00e1: forma\u00e7\u00e3o de educadores, S\u00e3o Paulo, p. 16 &#8211; 21, 05 jan. 2001.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Sites<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>www.mapadobrincar.com.br<\/li>\n<li>http:\/\/revistaescola.abril.com.br\/educa\u00e7\u00e3o-infantil\/4-a-6-anos\/novos- res-aprender-vento-ar-pipa-cata-vento-528821.shtml<\/li>\n<li>http:\/\/chc.cienciahoje.uol.com.br\/\/noticias\/fisica-e-quimica \/experiencia-o-ar-existe?<\/li>\n<li>http:\/\/chc.cienciahoje.uol.com.br\/\/revista\/revista-chc-2005\/ 157\/bolhas-de-sabao-gigantes?<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_4315\" style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4315\" class=\"size-full wp-image-4315\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo7.jpg\" alt=\"avisala_42_tempo7.jpg\" width=\"317\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo7.jpg 317w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_42_tempo7-300x278.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4315\" class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as pesquisam novas formas de brincar<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brincadeiras tradicionais que utilizam o ar possibilitam que as crian\u00e7as se divirtam e exercitem o pensamento sobre fatos e fen\u00f4menos observados. Por Cleide Helena Alves Lima, Emilian Cunha e Luciene Alves da Costa<\/p>\n","protected":false},"author":178,"featured_media":4307,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[403,34],"tags":[1111,97,872,189,868,533,869,730,870,871],"class_list":{"0":"post-4306","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-42","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2010","10":"tag-aprendizagem","11":"tag-ar","12":"tag-brincadeiras","13":"tag-cleide-helena-alves-lima","14":"tag-diversao","15":"tag-emilian-cunha","16":"tag-exercicio","17":"tag-luciene-alves-da-costa","18":"tag-vento","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/178"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}