{"id":4279,"date":"2010-02-21T10:57:50","date_gmt":"2010-02-21T13:57:50","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=4279"},"modified":"2023-11-10T21:44:24","modified_gmt":"2023-11-11T00:44:24","slug":"experimentar-para-criar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/experimentar-para-criar\/","title":{"rendered":"Experimentar para criar"},"content":{"rendered":"<h5>Acesso a diferentes tipos de materiais e suportes nas atividades de arte estimula o desenvolvimento dessa linguagem em crian\u00e7as muito pequenas<\/h5>\n<div id=\"attachment_4283\" style=\"width: 339px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4283\" class=\"size-full wp-image-4283 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex9.jpg\" alt=\"avisala_41_reflex9.jpg\" width=\"329\" height=\"243\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex9.jpg 329w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex9-300x221.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 329px) 100vw, 329px\" \/><p id=\"caption-attachment-4283\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ana Paula Yazbek<\/p><\/div>\n<p>Desde o in\u00edcio do Espa\u00e7o da Vila<sup>1<\/sup>, em 2002, as atividades de Arte fazem parte do nosso dia a dia. Sempre nos permitimos experimentar muito, sem exagerada preocupa\u00e7\u00e3o com a poss\u00edvel sujeira decorrente das experi\u00eancias e sem limitar o contato dos pequenos com os mais diversos materiais. Ao longo dos anos, esse trabalho foi ganhando mais consist\u00eancia. Passamos a planejar nossas a\u00e7\u00f5es com base no momento da produ\u00e7\u00e3o e nos desafios inerentes a cada proposta, e n\u00e3o mais no resultado e nas marcas que ficavam impressas nos pap\u00e9is. Fomos percebendo que nossas interven\u00e7\u00f5es, tanto na maneira de organizar o espa\u00e7o como na escolha dos materiais, eram de extrema import\u00e2ncia para o momento da produ\u00e7\u00e3o. Notamos, progressivamente, mesmo trabalhando com crian\u00e7as t\u00e3o pequenas, que era poss\u00edvel organizar atividades em forma de oficinas, nas quais elas poderiam escolher os materiais a serem utilizados. As oficinas, cada vez mais, t\u00eam ocupado diferentes espa\u00e7os, poucas vezes restritas \u00e0 sala. Ocupamos o jardim, os murais, o ch\u00e3o, as \u00e1rvores, as teclas&#8230;<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">N\u00e3o enfrentamos nenhuma resist\u00eancia ou mesmo dispers\u00e3o, pelo simples fato de ocuparmos espa\u00e7os pouco usuais. Talvez, pela idade da turminha, ainda seja cedo denominar essas propostas de Oficina de Percurso, pois d\u00e1 a ideia de algo a ser percorrido, com algum tipo de inten\u00e7\u00e3o pr\u00e9via no momento da produ\u00e7\u00e3o, o que seria pretensioso com os t\u00e3o pequenos. Sabemos, entretanto, que essa inten\u00e7\u00e3o ocorre pela experimenta\u00e7\u00e3o durante a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, por enquanto, denominamos apenas de oficina. Depois da leitura dos livros de Anna Marie Holm (ver box abaixo) e da oficina de artes realizada no piquenique do fim de 2007, sugeri, em reuni\u00e3o pedag\u00f3gica, a organiza\u00e7\u00e3o de uma grande oficina que envolvesse, ao mesmo tempo, todas as turmas do Espa\u00e7o Vila. O objetivo era experimentar algumas sugest\u00f5es apresentadas no livro, como o uso de materiais inusitados para a produ\u00e7\u00e3o \u2013 vassouras, esfreg\u00f5es, escovinhas, pl\u00e1stico bolha, brinquedos e objetos encapados.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4284\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex4.jpg\" alt=\"avisala_41_reflex4\" width=\"389\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex4.jpg 389w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex4-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><br \/>\nA ideia era integrar o espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o ao de brincadeira, deixando os pequenos livres para a experimenta\u00e7\u00e3o. A interven\u00e7\u00e3o dos educadores estaria voltada \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e \u00e0 escolha dos materiais; durante a produ\u00e7\u00e3o, ao suporte (fornecimento de tintas, por exemplo) e ao atendimento \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es dos meninos e das meninas. Em reuni\u00e3o pedag\u00f3gica, registramos em um quadro (abaixo) como seria a oficina, discriminando os espa\u00e7os utilizados, as modalidades a serem trabalhadas, os materiais e o preparo (organiza\u00e7\u00e3o) ne cess\u00e1rios. A maior parte das propostas j\u00e1 havia sido feita anteriormente com algumas turmas. A pintura do tronco da \u00e1rvore, as melecas e o uso de alguns instrumentos n\u00e3o eram novidade, mas a reuni\u00e3o de todas as propostas ocorrendo ao mesmo tempo era algo novo.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4289\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/reflex2.jpg\" alt=\"reflex2\" width=\"522\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/reflex2.jpg 522w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/reflex2-258x300.jpg 258w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><br \/>\n.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/reflex1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4288\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/reflex1.jpg\" alt=\"reflex1\" width=\"524\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/reflex1.jpg 524w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/reflex1-262x300.jpg 262w\" sizes=\"auto, (max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Inicialmente, pensamos em organizar a oficina de um dia para o outro, mas em decorr\u00eancia das varia\u00e7\u00f5es de temperatura, optamos por n\u00e3o determinar o dia em que ela ocorreria. Enviei um e-mail aos pais para que ficassem cientes da atividade e providenciassem roupas adequadas para a atividade. Leia a mensagem a seguir.<\/p>\n<p>\u201cOs pequenos nos convidam a experimentar.<br \/>\nEles t\u00eam a arte dentro de si.<br \/>\nEles criam arte.<br \/>\nEles nos dizem algo.<br \/>\nAlgo que perdemos.<br \/>\nAlgo atraente e sedutor.<br \/>\nAlgo que reconhecemos.<br \/>\nE que n\u00e3o podemos explicar.<br \/>\nTudo \u00e9 muito maior.<br \/>\nPara as crian\u00e7as pequenas existe uma conex\u00e3o direta entre vida e obra.<br \/>\nEssas s\u00e3o coisas insepar\u00e1veis.\u201d<br \/>\n(Anna Marie Holm)<\/p>\n<p>Caros pais,<br \/>\nComo j\u00e1 \u00e9 de conhecimento de todos, realizamos, todos os dias, um trabalho em artes pl\u00e1sticas, que envolve propostas de pintura, desenho, colagem, modelagem e melecas. Como parte desse trabalho, organizamos, semanalmente, oficinas que garantem o acesso aut\u00f4nomo das crian\u00e7as a diferentes materiais. Na pr\u00f3xima semana (de 5 a 9 de maio), realizaremos uma GRANDE OFICINA DE ARTES, com todas as turmas trabalhando ao mesmo tempo. Por isso, pedimos que enviem DIARIAMENTE nas mochilas uma muda de roupa (se poss\u00edvel, num saquinho \u00e0 parte), que possa ser usada em uma atividade como essa sem que cause maiores transtornos caso fique mais suja do que deveria.<\/p>\n<p>Obrigada,<br \/>\nEquipe do Espa\u00e7o da Vila<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Em 7 de maio de 2008, uma quarta-feira, realizamos a oficina. Ao chegarem ao Espa\u00e7o, as monitoras respons\u00e1veis pelas turmas j\u00e1 estavam empenhadas em organizar os locais previamente definidos. Fizemos algumas altera\u00e7\u00f5es no planejamento. A casinha de pl\u00e1stico foi forrada com pl\u00e1stico bolha; o telhado, com jornal, e oferecemos vassouras e esfreg\u00f5es para a pintura. Eu havia esquecido os tecidos que seriam usados para a colagem. Talvez tenha sido at\u00e9 bom, pois essa seria realmente uma proposta nova, que possivelmente n\u00e3o seria bem aproveitada. Forramos a parte de cima do brinqued\u00e3o com papel-celofane vermelho e deixamos argila para modelar. N\u00e3o imagin\u00e1vamos o efeito que poderia ter na luminosidade para quem estivesse trabalhando na parte de baixo. O espa\u00e7o de desenho ficou ainda mais aconchegante, com atmosfera acolhedora para a produ\u00e7\u00e3o. No caminho de tijolos, que ligava o banheiro ao tanque de areia, forramos o ch\u00e3o com papel kraft e deixamos o local livre para a impress\u00e3o de marcas, com passos e motocas. Jogamos um pouco de tinta no ch\u00e3o e deixamos as motocas acess\u00edveis para o deslocamento.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4285\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex6.jpg\" alt=\"avisala_41_reflex6\" width=\"451\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex6.jpg 451w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex6-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><br \/>\nEnquanto esperavam, as crian\u00e7as assistiam a um filme em nosso cineminha. Aqui, a primeira dificuldade: manter todas as crian\u00e7as juntas, em compasso de espera, seria a melhor atividade para anteceder a esse tipo de proposta? O que poderia ter sido proposto para que isso n\u00e3o ocorresse? Seria interessante envolv\u00ea-las na prepara\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os? Se elas tivessem feito outras atividades, ou mesmo participado em parte da organiza\u00e7\u00e3o, provavelmente a tens\u00e3o notada enquanto tudo ficava pronto talvez tivesse sido menor. Tal proposta exige muita agilidade e trabalho em equipe para que ocorra da melhor maneira poss\u00edvel. E \u00e0 medida que os espa\u00e7os ficavam prontos, as roupas dos pequenos eram trocadas para que ficassem com as vestimentas adequadas.<\/p>\n<blockquote><p>Essa \u00e9 uma boa quest\u00e3o. Com certeza, as crian\u00e7as estavam bem curiosas com a surpresa. Achei a ideia de participar da organiza\u00e7\u00e3o excelente. Na pr\u00f3xima oficina, \u00e9 poss\u00edvel tentar selecionar tarefas para alguns grupos, como ajudar a levar os materiais, arrumar os pinc\u00e9is e organizar algumas ferramentas nos espa\u00e7os. Dessa maneira, pode ser que a tens\u00e3o diminua mesmo, pois v\u00e3o, de alguma forma, acompanhando o movimento. Talvez o clima de primeira oficina estivesse contagiando todo o espa\u00e7o! Sobre o envolvimento da equipe, isso fica claro nas imagens. O cuidado com a organiza\u00e7\u00e3o, o carinho dos objetos arrumados&#8230; \u00e9 percept\u00edvel!<\/p><\/blockquote>\n<p>Observa\u00e7\u00f5es de Karen Greif Amar, professora de Arte da Escola da Vila, em S\u00e3o Paulo (SP).<\/p>\n<p>Quando quase tudo j\u00e1 estava organizado, liberamos a crian\u00e7ada. N\u00e3o houve nenhuma conversa ou roda antes da produ\u00e7\u00e3o. Ao sa\u00edrem do cineminha, os pequenos se depararam com o Espa\u00e7o tomado e transformado e, aleatoriamente, iniciou-se a produ\u00e7\u00e3o. Certamente a realiza\u00e7\u00e3o de uma roda teria sido o procedimento mais adequado, mas n\u00e3o havia mais como cont\u00ea-los. Se eles tivessem participado do preparo da oficina, esse in\u00edcio talvez tivesse sido mais harmonioso. Foi quase uma debandada, sem que ningu\u00e9m soubesse ao certo o que iria acontecer. Cada um indo para um local diferente, colocando as m\u00e3os nas tintas, numa a\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria, de pura experimenta\u00e7\u00e3o. Logo observamos algumas inadequa\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os: no centro da pracinha, onde colocamos caixas de papel\u00e3o e CDs, hav\u00edamos forrado o ch\u00e3o com pl\u00e1stico, o que tornou o piso bastante escorregadio devido o respingar de tinta. Rapidamente, colocamos jornal sobre o pl\u00e1stico. \u00c9 importante destacar que praticamente todas as crian\u00e7as aderiram \u00e0 oficina e exploraram, cada uma a seu modo, os diferentes espa\u00e7os. As educadoras, por sua vez, fizeram todo o poss\u00edvel para que a atividade fosse realizada.<\/p>\n<blockquote><p>O pl\u00e1stico pode ser interessante num espa\u00e7o de pintura mural, colocado sobre uma parede que proponha uma pintura diferente \u2013 sobre a janela, por exemplo. Teria de olhar novamente o espa\u00e7o. Ou sobre algumas imagens coladas na parede&#8230; Vamos falar sobre isso \u2013 por exemplo, cole umas imagens sobre a mesa, encape com o pl\u00e1stico transparente e ofere\u00e7a tinta para que os pequenos pintem sobre elas.<\/p><\/blockquote>\n<p>(Karen Greif Amar)<\/p>\n<p>Algumas crian\u00e7as se assustaram com a novidade. Uma delas se recusou a participar da oficina e foi encaminhada ao brinqued\u00e3o. Praticamente sozinha, explorou as possibilidades da argila sem nenhum contato com os colegas. Quando eles se aproximaram, ela j\u00e1 estava t\u00e3o envolvida com a proposta que nem precisou de ajuda. Algumas brincavam na rampa do brinqued\u00e3o, forrada com pl\u00e1stico bolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4286\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex7.jpg\" alt=\"avisala_41_reflex7\" width=\"332\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex7.jpg 332w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex7-300x189.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/p>\n<blockquote><p>Ser\u00e1 que ela se sentiu acolhida por um material conhecido? Sei que tinta tamb\u00e9m faz parte do seu repert\u00f3rio, mas a argila conservava sua forma original de ser no mundo.<\/p><\/blockquote>\n<p>(Karen Greif Amar)<\/p>\n<p>A maioria se organizou para a produ\u00e7\u00e3o. Algumas crian\u00e7as iam de um lugar para o outro, como se quisessem experimentar cada um dos espa\u00e7os. Outras se detinham em uma proposta, partilhavam os materiais com os colegas e ficavam envolvidas com a produ\u00e7\u00e3o. O dinamismo delas, provavelmente, se deveu \u00e0 forma como trabalhamos no Espa\u00e7o da Vila. Isto \u00e9, como n\u00e3o trabalhamos em salas, muitas situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem ocorrem em \u00e1rea externa, o que possibilita que um grupo se envolva em uma roda de conversa enquanto outro brinca num local pr\u00f3ximo, sem que haja grande dispers\u00e3o. O uso de materiais novos, como os esfreg\u00f5es da casinha, foi uma experi\u00eancia interessante. Mesmo sem nunca ter usado esse instrumento, os pequenos, muito rapidamente, descobriram como utiliz\u00e1lo. Alguns os levaram para outros espa\u00e7os, mas, de modo geral, os mantiveram pr\u00f3ximos \u00e0 casinha. Essa apropria\u00e7\u00e3o sobre a utiliza\u00e7\u00e3o dos objetos pode ser explicada pelas in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es vivenciadas por eles. Por isso, praticamente n\u00e3o houve disputa por materiais. Apesar da aparente bagun\u00e7a e da sensa\u00e7\u00e3o de que muitas coisas escapavam ao controle dos adultos, as imagens (fotos e filmes) apresentam todos extremamente envolvidos em suas produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p>Voc\u00ea n\u00e3o acha que elas sentiram que tudo estava organizado com carinho para elas? Veja, tem um diferencial muito importante aqui que \u00e9 o papel do professor, planejando, cuidando, preparando e acompanhando de perto todo o trabalho deles. Isso \u00e9 percebido pelas crian\u00e7as, \u00e9 sentido de verdade, n\u00e3o precisa ser dito. Quando uma atividade \u00e9 organizada e planejada (mesmo se em parte, pois nesse caso voc\u00eas n\u00e3o sabiam ao certo o que poderia acontecer), ela tem um diferencial porque foi realizada para aquele grupo em especial, levando em considera\u00e7\u00e3o suas caracter\u00edsticas, suas viv\u00eancias e seus desafios. \u00c9 uma proposta para elas e isso \u00e9 percebido, porque ficaram esperando, porque tinham uma roupa especial para sujar, porque eram coisas que adoram fazer. Isso que \u00e9 o grande segredo: conhecer seu grupo, seu trabalho e planejar para ele especialmente. Quando voc\u00ea diz que muitas coisas escapam do controle dos adultos, penso que ainda bem! Teremos mais pistas para continuar pensando e desafiando esses pequenos!<\/p><\/blockquote>\n<p>(Karen Greif Amar)<\/p>\n<p>O contato com essa diversidade de materiais certamente despertou in\u00fameras sensa\u00e7\u00f5es t\u00e1teis, que variavam do prazer ao desprazer, da curiosidade \u00e0 afli\u00e7\u00e3o. Mesmo havendo alguns choros, a atmosfera era de muita tranquilidade e de produ\u00e7\u00e3o. As l\u00e1grimas n\u00e3o passaram despercebidas. Algumas eram demonstra\u00e7\u00f5es de puro estranhamento; outras, decorrentes de pequenos acidentes, mas \u00e0 medida que as crian\u00e7as eram atendidas, elas logo se encaminhavam para um dos espa\u00e7os e voltavam a produzir.<\/p>\n<p>Houve muita intera\u00e7\u00e3o. As de mais idade conversavam sobre o que estavam fazendo e, em alguns momentos, demonstravam carinho e encantamento pela produ\u00e7\u00e3o das menores. Praticamente todos os espa\u00e7os foram utilizados. Entretanto, quando a atividade foi conclu\u00edda, enfrentamos nova dificuldade: conseguir, ao mesmo tempo, limpar as crian\u00e7as, organizar os espa\u00e7os e evitar que se sujassem novamente. Trabalhamos em mutir\u00e3o e, no fim, tudo deu certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Com os beb\u00eas, a novidade era ainda maior. As educadoras organizaram uma micro-oficina com os diversos materiais e deixaram que eles explorassem o mais poss\u00edvel. Os menores da turma eram levados a sentir a textura da meleca de sagu e, em seus movimentos aleat\u00f3rios, imprimir algumas marcas nos pap\u00e9is. Os maiores se sentiram convidados a explorar os materiais, pisando e manipulando as melecas e ocupando todos os espa\u00e7os organizados. Alguns materiais foram levados \u00e0 boca, mas n\u00e3o de forma preocupante. A sensa\u00e7\u00e3o de que algo fugia ao controle das educadoras tamb\u00e9m permeou esse momento, mas, apesar disso, foi bem interessante.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4287\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex10.jpg\" alt=\"avisala_41_reflex10\" width=\"379\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex10.jpg 379w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex10-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 379px) 100vw, 379px\" \/><br \/>\n<strong><br \/>\nAvalia\u00e7\u00e3o da oficina<\/strong><br \/>\nEm uma reuni\u00e3o pedag\u00f3gica, solicitei \u00e0s educadoras que falassem a respeito de suas impress\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oficina. Os primeiros coment\u00e1rios foram de desabafo e desagrado.<\/p>\n<p>\u2013 Foi horr\u00edvel!<br \/>\n\u2013 Detestei!<br \/>\n\u2013 Foi pior para quem ficou cuidando das crian\u00e7as enquanto as monitoras preparavam os espa\u00e7os!<br \/>\n\u2013 N\u00f3s n\u00e3o conseguimos organizar tudo como hav\u00edamos planejado!<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e0 medida que falavam sobre a a\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, sobre o clima de produ\u00e7\u00e3o e de envolvimento que permeou toda a atividade, a sensa\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o e de fracasso diminu\u00eda. Foi poss\u00edvel identificar, por exemplo, uma grande ansiedade nossa decorrente do pouco tempo destinado \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da oficina. Pouco tempo para o preparo e para a produ\u00e7\u00e3o. Realizaremos novamente a atividade, mas dedicaremos um tempo maior \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e envolveremos as crian\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o. Na verdade, ficamos t\u00e3o animadas em poder proporcionar essa situa\u00e7\u00e3o de aprendizagem, que acabamos atuando como crian\u00e7as que n\u00e3o conseguem esperar. Ao final da reuni\u00e3o, todas ficaram aliviadas, principalmente porque reconheceram a qualidade do trabalho realizado.<\/p>\n<p>Assim como o celofane vermelho, que incidiu outra luminosidade no espa\u00e7o do brinqued\u00e3o, a partir da an\u00e1lise das imagens e da reflex\u00e3o sobre a oficina, pudemos ver esse trabalho com outros olhos. Finalizamos a reuni\u00e3o com novos coment\u00e1rios:<\/p>\n<p>\u2013 Puxa! N\u00e3o tinha pensado sobre tudo isso!<br \/>\n\u2013 Realmente! Tiveram muitas coisas legais! \u00c9 impressionante como as crian\u00e7as ficam envolvidas!<br \/>\n\u2013 \u00c9 mesmo! Eu vi cada cena&#8230;<br \/>\n\u2013 Agora estou aliviada! Porque eu tinha tanta expectativa e fiquei bem frustrada depois da oficina!<br \/>\n\u2013 &#8230; d\u00e1 vontade de fazer de novo!<\/p>\n<p>(Ana Paula Yazbek, pedagoga e diretora da escola Espa\u00e7o da Vila, com colabora\u00e7\u00e3o de Karen Greif Amar, professora de Arte da Escola da Vila, em S\u00e3o Paulo-SP, e formadora de professores da mesma \u00e1rea)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><sup>1<\/sup>O Espa\u00e7o da Vila atende a crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos. Desenvolve atividades de ber\u00e7\u00e1rio e de recrea\u00e7\u00e3o e conta com a parceria da Escola da Vila.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4290\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex11.jpg\" alt=\"avisala_41_reflex11\" width=\"410\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex11.jpg 410w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/avisala_41_reflex11-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/p>\n<h4>Artista de refer\u00eancia<\/h4>\n<p>&#8220;Vejo nas entrelinhas tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9 nada. Procuro sentir o sublime entre as crian\u00e7as. A narrativa sublime \u00e9 como uma m\u00fasica que preenche o ambiente e depois desaparece&#8221;.<\/p>\n<p>Anna Marie Holm \u00e9 dinamarquesa, artista contempor\u00e2nea e educadora. Desenvolve um trabalho a partir de ampla pesquisa e investiga\u00e7\u00e3o de Arte. Em seu ateli\u00ea, recebe beb\u00eas, crian\u00e7as, adolescentes e jovens e com eles realiza diversas oficinas nas quais os sentimentos e pensamentos est\u00e3o sempre em desenvolvimento, visando ao crescimento pessoal. Utiliza os mais diversos materiais e suas propostas s\u00e3o inovadoras e din\u00e2micas. Dois livros de sua autoria foram lan\u00e7ados no Brasil: Baby-Art: os primeiros passos com a Arte e Fazer e pensar Arte.<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Espa\u00e7o da Vila Ber\u00e7\u00e1rio e Recrea\u00e7\u00e3o &#8211; Endere\u00e7o: Rua Antonio Mariani, 58 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 05530-000 &#8211; Tel.: (11) 3727-2700 &#8211; E-mail: espacodavila@espacodavila.com.br<br \/>\nSite: http:\/\/www.espacodavila.com.br<br \/>\nDiretoras: Ana Paula Yazbek e Helena Yazbek<br \/>\nE-mails: anapaula@espacodavila.com.br e lena@espacodavila.com.br<br \/>\nProfessores na ocasi\u00e3o da oficina: Ana Laura Arruda Leite de Castro, Ana Paula Carrascosa Vasco, Heloisa das Chagas Trigo, Leticia Durval de Souza e Vivian Cristina Gouv\u00eaa.<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Baby-Art: os primeiros passos com a Arte, de Anna Marie Holm. Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo (MAM\/SP). &#8211; Tel.: (11) 5085-1300 \u2013 E-mail: shopmam@mam.org.br<\/li>\n<li>Fazer e pensar Arte, de Anna Marie Holm. Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo (MAM\/SP). Tel.: (11) 5085-1300 \u2013 E-mail: shopmam@mam.org.br.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acesso a diferentes tipos de materiais e suportes nas atividades de arte estimula o desenvolvimento dessa  linguagem em crian\u00e7as muito pequenas. 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