{"id":3968,"date":"2009-08-16T20:54:00","date_gmt":"2009-08-16T23:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3968"},"modified":"2023-03-27T19:42:51","modified_gmt":"2023-03-27T22:42:51","slug":"a-constituicao-de-si-mesmo-e-dos-objetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisala-39\/a-constituicao-de-si-mesmo-e-dos-objetos\/","title":{"rendered":"A constitui\u00e7\u00e3o de si mesmo e dos objetos"},"content":{"rendered":"<h5>A perman\u00eancia dos objetos \u2013 constru\u00e7\u00e3o fundamental das crian\u00e7as em seu primeiro ano de vida \u2013 pode estar na origem da arte e da ci\u00eancia<\/h5>\n<div id=\"attachment_4076\" style=\"width: 615px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4076\" class=\"size-full wp-image-4076 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/aprendendo.jpg\" alt=\"aprendendo.jpg\" width=\"605\" height=\"176\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/aprendendo.jpg 605w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/aprendendo-300x87.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><p id=\"caption-attachment-4076\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Pedro Caetano<\/p><\/div>\n<p>Olhar, segurar, sugar, s\u00e3o algumas das a\u00e7\u00f5es dos rec\u00e9m-nascidos sobre os objetos a sua volta. Estes objetos s\u00e3o assimilados ao eu do beb\u00ea, como prolongamento de suas a\u00e7\u00f5es, sem que ele tenha ainda consci\u00eancia nem da realidade, nem de si pr\u00f3prio. Mas os esquemas, como de preens\u00e3o, por exemplo, v\u00e3o se diferenciando e organizando em fun\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias que a crian\u00e7a realiza com os outros seres ou objetos que comp\u00f5em parte da realidade em que ela vive. Em torno de um ano de idade, com a possibilidade de se deslocar &#8212; seja engatinhando ou andando \u2013 meninos e meninas assimilam os objetos ao pr\u00f3prio eu e, ao mesmo tempo, acomodam-se a leis causais que favorecem sua localiza\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o e no tempo. Crian\u00e7as muito jovens adoram brincar de esconde-esconde! A cada vez descobrem novas rela\u00e7\u00f5es entre as coisas do mundo e elas pr\u00f3prias.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nUma de nossas primeiras conquistas, talvez a mais importante de todas, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia dos objetos. A partir da\u00ed, e ao longo da vida, se estabelece uma dupla constitui\u00e7\u00e3o: de si mesmo e do universo. Em outras palavras, conhecemos o mundo na mesma medida que conhecemos a n\u00f3s mesmos. E assim \u00e9 em Arte e Ci\u00eancia, em que o homem expressa suas concep\u00e7\u00f5es e busca dar sentido aos fen\u00f4menos existenciais, naturais e sociais. Tenho procurado aprender um pouco mais sobre esta dupla constru\u00e7\u00e3o com uma crian\u00e7a que hoje tem um e tr\u00eas meses, e aqui compartilho com voc\u00eas minhas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Bem-vinda ao mundo<\/strong><br \/>\nMinha netinha, Eva, veio ao mundo em uma tarde amena de ver\u00e3o, de uma m\u00e3e que esperou muito, lutou para que o parto fosse natural. Depois de horas em trabalho de parto, entretanto, uma cesariana liberou-as do que poderia se tornar um sofrimento. O momento em que viu a filha pela primeira vez, meu filho o sentiu como um grande impacto no peito. De uma emo\u00e7\u00e3o imensa. Eu a vi uma hora depois do nascimento, pelo vidro do ber\u00e7\u00e1rio. Estava atenta, presente e com grandes olhos abertos nos olhava impondo respeito. Um olhar antigo, que expressava sabedoria, e que nos causou admira\u00e7\u00e3o intensa e amor sem limites. Ent\u00e3o a consci\u00eancia aguda de como a vida se manifesta tomou conta de mim, e me maravilhou. Senti compaix\u00e3o pela menininha rec\u00e9m-chegada e por todas n\u00f3s. Pois o nascimento implica ruptura com a situa\u00e7\u00e3o id\u00edlica no \u00fatero materno, uma simbiose entre m\u00e3e e filha em que o beb\u00ea est\u00e1 garantido. Lan\u00e7ado ao mundo, o rec\u00e9m-nascido precisa contar com os pr\u00f3prios recursos, principalmente o de suc\u00e7\u00e3o, neste primeiro momento. Nunca est\u00e1 sozinho, ao contr\u00e1rio, conta sempre com a dedica\u00e7\u00e3o amorosa da m\u00e3e e de outros adultos, mas j\u00e1 luta pela pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. A vida \u00e9 uma d\u00e1diva, mas cada um de n\u00f3s ir\u00e1 viv\u00ea-la e realiz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Nestes primeiros momentos de nossos filhos, e a partir da\u00ed pela vida afora, creio que n\u00f3s mulheres vivemos uma dualidade entre natureza e cultura. De um lado, mam\u00edferas, de outro lado, m\u00e3es. Como mam\u00edferas, prevalece o instinto, jorra o leite, o afeto nos indica como proceder. Como m\u00e3es, somos bombardeadas com o que os outros esperam de n\u00f3s. Em primeiro lugar, somos influenciadas pelas nossas pr\u00f3prias m\u00e3es. Em segundo lugar, pela expectativa social de como \u00e9 ser m\u00e3e. Livros, revistas, roupinhas, brinquedos, uma infinidade de objetos encontr\u00e1veis nas lojas nos ajudam a cuidar de nossa cria. Estes objetos facilitam muitas coisas \u2013 carrinhos, fraldas, chupetas, mas tamb\u00e9m imp\u00f5em um padr\u00e3o socialmente consagrado. Um padr\u00e3o do mundo das coisas prontas, j\u00e1 existentes. Mas com o beb\u00ea n\u00e3o \u00e9 assim, nada est\u00e1 pronto. A come\u00e7ar pela obten\u00e7\u00e3o de alimento. Eu creio que o modo como mamamos est\u00e1 na origem do nosso modo de aprender e de gerar conhecimentos. Mamar vem de uma necessidade b\u00e1sica, que \u00e9 a fome. Sem responder a ela o beb\u00ea n\u00e3o sobrevive.<\/p>\n<p><strong>Aprender com a experi\u00eancia<\/strong><br \/>\nNo in\u00edcio, h\u00e1 uma fome sem consci\u00eancia da necessidade, sem que a crian\u00e7a possa prever a possibilidade de vir a estar saciada. Se a gente se lembrasse de como \u00e9, talvez fosse uma situa\u00e7\u00e3o de tudo ou nada, vazio ou cheio, seco ou molhado, sensa\u00e7\u00f5es sem nuance. Pelo menos \u00e9 assim que me parece, 56 anos depois dessas primeiras experi\u00eancias. Entretanto nosso lado mam\u00edfero nos d\u00e1 uma garantia maravilhosa: possibilidades de intera\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e beb\u00ea. A m\u00e3e o acolhe e fornece o leite, o beb\u00ea aprende a interagir com o seio. E o instinto de suc\u00e7\u00e3o fornece a base para os primeiros procedimentos pr\u00f3prios da crian\u00e7a. Tudo ali ter\u00e1 que ser criado, nada independe da pr\u00f3pria experi\u00eancia.<\/p>\n<p>As intera\u00e7\u00f5es entre m\u00e3e e filho t\u00eam uma din\u00e2mica pr\u00f3pria, na qual somos gerados. Nem mesmo o pai pode contribuir para esta profunda intimidade. Se pud\u00e9ssemos compreender esta din\u00e2mica, talvez a observa\u00e7\u00e3o nos possibilitasse vislumbrar uma g\u00eanese: necessidade, instinto, afeto ou mobiliza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, procedimentos em a\u00e7\u00f5es transformadoras, coordena\u00e7\u00e3o e tomada de consci\u00eancia das a\u00e7\u00f5es realizadas, constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos. Colocando neste esquema o ato de mamar: fome, suc\u00e7\u00e3o, modo pr\u00f3prio de se relacionar com a m\u00e3e, procedimentos (que s\u00e3o sempre individuais) de sugar, respirar, engolir, sensa\u00e7\u00e3o de estar saciada (para uma menininha), aprender a mamar sem sobressalto. Tendo a oportunidade de arrotar para abrir espa\u00e7o na barriga e no pulm\u00e3o!<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que n\u00e3o se pode dizer tomada de consci\u00eancia, tratando-se de uma pessoa com um m\u00eas de vida. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o se pode determinar um come\u00e7o e um fim da consci\u00eancia. Tornar&#8211;nos conscientes, aprender com a experi\u00eancia talvez seja a principal fun\u00e7\u00e3o da vida humana, desde o nascimento. \u00c0 medida que Eva vai aprendendo com sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, vou tentando aprender com ela.<\/p>\n<p><strong>Abertura para o conhecimento<\/strong><br \/>\nNossos primeiros contatos foram mediados por olhar, segurar, adormecer. Eu olhava para ela, ela para mim, o que ser\u00e1 que v\u00edamos? Vejo em minha netinha, desde seus primeiros dias, uma sabedoria milenar, como se ela fosse um pequeno Buda. Como se a vida fosse do fim ao come\u00e7o e ela contivesse toda aprendizagem poss\u00edvel, ou infinitas possibilidades de aprendizagem. Uma abertura para o conhecimento que me imp\u00f5e respeito. E, ao mesmo tempo, ao olhar para Eva eu sentia compaix\u00e3o imensa, pela sua desprote\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia de um adulto. \u00c9 engra\u00e7ado, sem afli\u00e7\u00e3o nenhuma da parte dela, parece que tranquilamente ela nos indicava o que precisava de n\u00f3s. Segurar, que vem do instinto de preens\u00e3o, \u00e9 sempre um ato tocante. Aquela pessoa t\u00e3o pequenininha segurando nosso dedo nos d\u00e1 uma confian\u00e7a irrestrita. Nela, em n\u00f3s, na humanidade. Quando a seguro forte nos bra\u00e7os n\u00e3o lembro mais como foi dif\u00edcil aprender a segurar. Por tentativas e erros, por coordena\u00e7\u00f5es sucessivas e simult\u00e2neas, por acomoda\u00e7\u00f5es aos objetos e assimila\u00e7\u00f5es do objeto aos seus pr\u00f3prios esquemas.<\/p>\n<p>Aos oito meses de idade Eva j\u00e1 tinha se encantado com os movimentos de uma bola. Mas n\u00e3o conseguia segur\u00e1-la! Dei para ela tr\u00eas bolinhas de pingue-pongue, que ela gostou de segurar. S\u00f3 que as bolinhas escapam, rolam, e quando caem no ch\u00e3o pulam alto, fazem um barulhinho. Da mesinha no alto da cadeira onde ela come, uma das bolinhas pingou no ch\u00e3o, saiu pela janela, foi pingando escada abaixo at\u00e9 o barulhinho bom se acabar. Eva ficou intrigada, prestando uma aten\u00e7\u00e3o enorme. O que ser\u00e1 que ela pensou? Eu acho que s\u00e3o quest\u00f5es, movidas pela curiosidade, muito mais relativas ao como \u00e9 isso do que a o que \u00e9 isso. Penso que \u00e9 por procedimento que a gente conhece as coisas.<\/p>\n<p>Em um ano, esta possibilidade de segurar coisas teve nela um desenvolvimento espetacular. Sentar, engatinhar, andar. Eva \u00e9 uma quase cientista em suas evolu\u00e7\u00f5es. Pois experimenta, cai, levanta, recome\u00e7a, elimina o que n\u00e3o d\u00e1 certo, aprimora rapidamente o que funciona bem. Ficar em p\u00e9, que ato \u00e9pico, emocionante. E mover-se por conta pr\u00f3pria pela casa toda, liberado para ela o ch\u00e3o a partir do qual tudo \u00e9 poss\u00edvel. Eva ganhou de presente uma ovelhinha de balan\u00e7o, como um cavalinho, mas \u00e9 uma ovelha. De madeira, com o dorso e a cabe\u00e7a revestidos de l\u00e3 natural de carneiro. As orelhas s\u00e3o dois pauzinhos laterais. Eva segura firme neles, fica em p\u00e9 em um dos lados da base em arco, passa uma perna por cima do selim, senta-se na ovelhinha, impulsiona o corpo para frente e para tr\u00e1s balan\u00e7ando-se no brinquedo. N\u00e3o contente com isto, abaixa-se, segura firme nas orelhas, ajoelha-se sobre o selim, coloca um p\u00e9 na frente, outro logo atr\u00e1s, estica as pernas, e p\u00f5e-se a balan\u00e7ar como se estivesse surfando. Sorte que a ovelha est\u00e1 sobre um tapete bem fofo. A gente o cerca de almofadas tamb\u00e9m, porque Eva cai do brinquedo muitas vezes, mas n\u00e3o se intimida com isto. Depois encosta o rosto na l\u00e3 macia, faz carinho na companheira. De saber segurar para ser capaz de brincar, a gente v\u00ea que a pessoa vai ganhando asas. Liberta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong><br \/>\nCria\u00e7\u00e3o de procedimentos<\/strong><br \/>\nAdormecer e acordar s\u00e3o os momentos da vida mais impressionantes para mim. Pois implicam confian\u00e7a n\u00e3o apenas em si mesma \u2013 como aquela adquirida nas experi\u00eancias com a ovelhinha, confian\u00e7a no outro tamb\u00e9m. Quem adormece, abandona-se ao desconhecido. Adormecer \u00e9 um ato de entrega. Ent\u00e3o, quando Eva deita em meu ombro, me abra\u00e7a e fica enrolando meus cabelos at\u00e9 adormecer, fico comovida demais. E depois acordar no meio da noite, e me aceitar sem susto, na aus\u00eancia dos pais. Somente uma vez assustouse, quando pouco antes de completar um ano ela acordou l\u00e1 pela meia-noite. T\u00ednhamos ficado juntas brincando a tarde toda. Mas quando ela sentiu que a m\u00e3ezinha n\u00e3o estava l\u00e1 \u00e0 noite, ficou com medo. Abracei e aconcheguei a netinha como pude e telefonei aos pais que j\u00e1 estavam pertinho, chegando. Maravilha o telefone celular, porque naquele momento vi com clareza que nada, a n\u00e3o ser a presen\u00e7a da m\u00e3e, poderia \u201ccalafetar o por\u00e3o\u201d, isto \u00e9, assegur\u00e1-la.<\/p>\n<p>Naquela mesma noite sonhei que est\u00e1vamos em alto mar. Era noite bastante escura e eu nadava segurando Eva pela m\u00e3o; cheg\u00e1vamos a uma passagem do mar entre as pedras. Em uma delas, grande e redonda \u00e0 nossa direita, tentamos a travessia. \u00cdamos rodeando a pedra onde eu apoiava tateando com a m\u00e3o direita e levando Eva pela m\u00e3o esquerda. Boi\u00e1vamos na \u00e1gua do mar, sem enxergar. Chegamos do lado de l\u00e1, que era mar tamb\u00e9m, eu satisfeita por ter realizado a passagem, mas Eva furiosa! Brava mesmo, me olhando para dizer: como voc\u00ea faz uma coisa dessas comigo? Fiquei com vergonha, acordei. Pois \u00e9 exatamente nesta \u00e9poca da vida do beb\u00ea que se d\u00e1 a descoberta da perman\u00eancia real do objeto. Imaginem, ou rememorem caras leitoras, caros leitores, um mundo onde as pessoas, e tamb\u00e9m os objetos, s\u00f3 existem para n\u00f3s quando est\u00e3o presentes, toc\u00e1veis. Em que, quando a m\u00e3e se ausenta \u00e9 como se ela n\u00e3o existisse mais, perda total. \u00c9 esta passagem que aparece no sonho \u2013 da aus\u00eancia \u00e0 pura presen\u00e7a \u2013 aquela que a meu ver exige de n\u00f3s a maior coragem. E esta passagem consolida-se por procedimentos, como aquele que testa a perman\u00eancia do objeto. Esconde-se um brinquedo, ou mamadeira, embaixo de uma almofada, \u00e0 vista do beb\u00ea. Quando o beb\u00ea se desloca para o lugar da almofada engatinhando ou andando, levanta a almofada e recupera o objeto, isto significa que a imagem deste objeto foi interiorizada e que por suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es a crian\u00e7a pode reav\u00ea-lo. Antes disto o objeto ter\u00e1 desaparecido.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que as pessoas que determinam fornecem a licen\u00e7a maternidade t\u00eam no\u00e7\u00e3o do alto custo emocional, para a m\u00e3e e para a crian\u00e7a, em uma separa\u00e7\u00e3o prematura, anterior \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do objeto interno? Que as m\u00e3es n\u00e3o se afastem muito tempo de seus jovens filhos isto sim traria uma maior amplitude humana para o mundo do trabalho. Pois para o beb\u00ea, quando a m\u00e3e passa a existir como imagem mental ou mem\u00f3ria, como pessoa interiorizada, valorizada pelos afetos, uma base est\u00e9tica se estabele para vir a dar imensos frutos, como arte e ci\u00eancia. E o que seria da Arte e da Ci\u00eancia sem procedimentos de cria\u00e7\u00e3o, com sua origem no objeto interno, ou na vida interior? Ter a possibilide de represent\u00e1-las nos d\u00e1 seguran\u00e7a e indepepend\u00eancia para poder am\u00e1-las: pessoas, paisagens, brincadeiras. E brincar, acredito, \u00e9 a ess\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o. Olhem, mulheres de meia-idade como eu acho que \u00e9 bom sempre regar nosso objeto interno. Pois \u00e9 esse lugar que nos d\u00e1 alguma seguran\u00e7a, que nos permite dan\u00e7ar, cantar, escrever, pintar, pesquisar, aprender com a experi\u00eancia, deixando que filhos e netos \u2013 fontes de aprendizado permanentes para seus pais, m\u00e3es av\u00f4s \u2013 vivam a pr\u00f3pria vida sem ter que se preocupar conosco. Ah! Sim, mais um problema para n\u00f3s educadoras: objeto interno n\u00e3o se ensina, s\u00f3 se aprende.<\/p>\n<p>(Monique Deheinzelin, educadora e artista pl\u00e1stica, publicou A Fome com a vontade de comer, uma proposta curricular de educa\u00e7\u00e3o infantil &#8211; Vozes, 1994, 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o -, entre outros livros)<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Monique Deheinzelin &#8211; E-mail: moniqued@uol.com.br<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>A constru\u00e7\u00e3o do real na crian\u00e7a, de Jean Piaget. Ed. \u00c1tica. Tel.: 0800-115-152.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>O brincar e a realidade, de Donald W. Winnicott. Ed. Imago. Tel.: (21) 2242-0627.<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A perman\u00eancia dos objetos \u2013 constru\u00e7\u00e3o fundamental das crian\u00e7as em seu primeiro ano de vida \u2013 pode estar na origem da arte e da ci\u00eancia. Por Monique Deheinzelin<\/p>\n","protected":false},"author":64,"featured_media":3969,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[756,400],"tags":[1110,831,228,545,461,556,547,832],"class_list":{"0":"post-3968","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-aprendendo-com-a-crianca","8":"category-revista-avisala-39","9":"tag-revista-avisa-la-2009","10":"tag-afeto","11":"tag-aprendizado","12":"tag-bebes","13":"tag-monique-deheinzelin","14":"tag-objetos","15":"tag-primeiros-anos","16":"tag-relacao","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3968\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}