{"id":3958,"date":"2009-05-12T15:10:11","date_gmt":"2009-05-12T18:10:11","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3958"},"modified":"2023-03-27T19:10:12","modified_gmt":"2023-03-27T22:10:12","slug":"interacao-no-bercario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/interacao-no-bercario\/","title":{"rendered":"Intera\u00e7\u00e3o no ber\u00e7\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<h5>Tempos, espa\u00e7os, materiais e boas interven\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas determinam a qualidade de atendimento a beb\u00eas em espa\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o infantil<\/h5>\n<div id=\"attachment_3959\" style=\"width: 286px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3959\" class=\"size-full wp-image-3959 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/tempo21.jpg\" alt=\"tempo21.jpg\" width=\"276\" height=\"158\" \/><p id=\"caption-attachment-3959\" class=\"wp-caption-text\">B2: Apreciando imagens de movimento (foto: Clarice Ramos)<\/p><\/div>\n<p>Segundo o Dicion\u00e1rio eletr\u00f4nico Houaiss da l\u00edngua portuguesa, a palavra ambiente pode ser compreendida como aquilo que rodeia ou envolve os seres por todos os lados e constitui o meio em que se vive. E na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, o que rodeia e envolve as crian\u00e7as? As respostas variam de acordo com o contexto, mas certamente ligadas \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de tempos, espa\u00e7os e materiais presentes na institui\u00e7\u00e3o. Como princ\u00edpio, acredito que esses elementos precisam ser bem organizados para possibilitar descobertas e aprendizagens.<!--more--><\/p>\n<p>Descobrir e aprender s\u00e3o a\u00e7\u00f5es poss\u00edveis por intera\u00e7\u00f5es. \u00c9 na rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas que se criam condi\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de cultura. A troca de ideias implica imaginar, inventar e elaborar pensamentos e movimentos para desenvolver a potencialidade humana em todas as dimens\u00f5es. Na creche e na pr\u00e9-escola, portanto, \u00e9 importante construir um ambiente que propicie boas intera\u00e7\u00f5es entre os diferentes parceiros mediadas por objetos culturais significativos. Ao se considerar a diversidade dos modos de agir, de pensar e de sentir das crian\u00e7as, essas experi\u00eancias podem se traduzir em atividades que mobilizem os saberes dos pequenos de tal maneira que eles aprendam sobre si e sobre o mundo.<\/p>\n<p>Essas possibilidades podem ser reunidas em alguns campos de experi\u00eancias<sup>1<\/sup>, que se alimentam da iniciativa e curiosidade infantis e pela maneira como os pequenos criam sentidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que os rodeiam. Quando ligadas \u00e0 linguagem verbal, h\u00e1 dois dom\u00ednios \u2013 oral e escrito. Ao se expressarem dessa forma as crian\u00e7as participam de diversas pr\u00e1ticas de inser\u00e7\u00e3o social. Al\u00e9m disso, embora regidos por normas pr\u00f3prias, o dom\u00ednio desse campo de experi\u00eancia faz interface com todos os outros considerados essenciais para o desenvolvimento infantil. Pelo Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil<sup>2<\/sup> o trabalho com linguagem se constitui em um dos eixos b\u00e1sicos dessa etapa da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, dada sua import\u00e2ncia para a forma\u00e7\u00e3o do sujeito, intera\u00e7\u00e3o com as outras pessoas, orienta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, constru\u00e7\u00e3o de variados conhecimentos e desenvolvimento do pensamento.<\/p>\n<p>Aprender uma l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 somente falar novas palavras. \u00c9 tamb\u00e9m entender seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do mesmo meio sociocultural compreendem, interpretam e representam a realidade. Nessa perspectiva, durante uma avalia\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o com os grupos de ber\u00e7\u00e1rio no CEI Jardim da Conquista, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP, usei a linguagem<sup>3<\/sup> como foco principal no campo das experi\u00eancias. O desafio foi desenvolver uma proposta que considerasse tempos, espa\u00e7os e materiais para intera\u00e7\u00e3o com os pequeninos, interligados e articulados num ciclo em espiral. Ela pode ser entendida como algo que continuamente se aproxima e se afasta, e compreende as fases de planejamento, a\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o e, depois, um novo planejamento da experi\u00eancia em curso.<\/p>\n<p>Este texto apresenta o percurso nesse ciclo, os itiner\u00e1rios percorridos por esse grupo explicitando as idas e vindas e os imprevistos sempre presentes. O princ\u00edpio de desenvolvimento coletivo que permeou o trabalho sup\u00f5e que apesar de planejamento anterior h\u00e1 muito espa\u00e7o para o trabalho com a crian\u00e7a. Desse modo, um processo de aprendizagem n\u00e3o pode ser plenamente controlado, mas reavaliado a cada momento.<\/p>\n<p><strong>De conversa em conversa<\/strong><br \/>\nA intera\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o. Um dos meios mais importantes de comunica\u00e7\u00e3o oral ocorre por meio da conversa. A troca de palavras e ideias \u00e9 algo que deve marcar as rela\u00e7\u00f5es desde o ber\u00e7\u00e1rio nas institui\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Os beb\u00eas ainda n\u00e3o falam convencionalmente, de modo que precisam dos adultos para expressar o sincretismo que marca seu pensamento. Com base nisso, nossos encontros se iniciavam sempre com uma roda de conversa. O objetivo era contribuir para que ocorressem interlocu\u00e7\u00f5es mais qualificadas. A din\u00e2mica estabelecida para o batepapo foi diferente do c\u00edrculo que costuma acontecer com os maiores, pois os beb\u00eas integram pensamento e a\u00e7\u00e3o e, por isso, era dif\u00edcil mant\u00ea-los sentados em um mesmo lugar por muito tempo.<\/p>\n<p>O tempo das situa\u00e7\u00f5es coletivas de conversa com os pequeninos foi curto, por\u00e9m infinito do ponto de vista das possibilidades de di\u00e1logo e de express\u00e3o. Era hora de escutar e reconhecer a subjetividade do outro. Quanto ao espa\u00e7o, ele era pensado de acordo com o assunto proposto. Valia um cantinho aconchegante organizado dentro da sala, debaixo de uma \u00e1rvore no p\u00e1tio ou em uma tenda armada no sol\u00e1rio. O teor dos bate-papos esteve sempre relacionado \u00e0s atividades que realiz\u00e1vamos em nossos encontros. A partir de alguns disparadores (imagens, hist\u00f3rias, espelhos e outros objetos), a conversa se iniciava e encadeava a\u00e7\u00f5es, contextualizando e dando sentido \u00e0s viv\u00eancias.<\/p>\n<p>Meu papel como educadora era o de emprestar palavras, completar falas e balbucios, servir como modelo para imita\u00e7\u00e3o e fazer perguntas, utilizando sempre uma linguagem enriquecida pelo vocabul\u00e1rio e recursos que nossa l\u00edngua oferece. No Ber\u00e7\u00e1rio 1 (beb\u00eas de 0 a 1 ano e 3 meses), utilizei fotos das interven\u00e7\u00f5es como apoio. As imagens individuais de cada um foram colocadas em um mural, que tamb\u00e9m foi suporte para o di\u00e1logo, contribuindo para a dimens\u00e3o da identidade. Na mesma orienta\u00e7\u00e3o, uma de nossas conversas teve como apoio pequenos espelhos, nos quais as crian\u00e7as puderam brincar com seus reflexos. Tamb\u00e9m propus que apreci\u00e1ssemos figuras humanas produzidas por artistas que alimentam nossa cultura.<\/p>\n<p>No Ber\u00e7\u00e1rio 2 (beb\u00eas a partir de 1 ano e 3 meses), da mesma maneira, trabalhamos com as fotos individuais e constru\u00edmos juntos um mural para essas fotos. A aprecia\u00e7\u00e3o de imagens de artistas tamb\u00e9m esteve presente, e a conversa disparada por essas obras se estendeu quando delimitamos um lugar para que pudessem permanecer na sala. Imagens de pessoas em movimento estimularam a combina\u00e7\u00e3o da linguagem oral com o corpo, comunicando e interagindo por meio do movimento. Outro lugar que criamos, e sobre o qual conversamos, foi o canto de leitura.<\/p>\n<p><strong>Cestinhas-surpresa<\/strong><br \/>\nAs experi\u00eancias relacionadas ao brincar s\u00e3o fundamentais na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Por meio da intera\u00e7\u00e3o aprende-se a brincar e a fazer escolhas. Assim, a crian\u00e7a pequena experimenta o mundo e desenvolve a imagina\u00e7\u00e3o. Para ampliar as possibilidades de brincadeiras de livre escolha para os beb\u00eas, propus uma sequ\u00eancia de atividades com cestinhas-surpresa. Elas traziam materiais com diversidade de texturas, sons e cheiros, que possibilitavam esconder, achar, encaixar, empilhar, derrubar, rolar, construir, encher, esvaziar, vestir, tirar e colocar. Os pequenos deveriam explorar esses objetos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma atividade intermedi\u00e1ria, que se situa entre a dirigida e a brincadeira livre n\u00e3o planejada. Pode ser marcada por um ritual, que ajuda a crian\u00e7a a se situar na rotina e a se envolver com tranquilidade, pois o pequeno sabe que ela vai acontecer novamente. O tempo possibilita escolher com o que se envolver, diante de op\u00e7\u00f5es apresentadas simultaneamente. Requer espa\u00e7o flex\u00edvel, que possa ser organizado e reorganizado v\u00e1rias vezes ao dia. A proposta transforma o ambiente porque uma din\u00e2mica diferenciada da cotidiana ali se estabelece. S\u00e3o necess\u00e1rios cantinhos aconchegantes e caminhos que prevejam a mobilidade.<\/p>\n<p>Os materiais escolhidos para as cestinhas podem partir da observa\u00e7\u00e3o do interesse infantil e tamb\u00e9m propor desafios e explora\u00e7\u00f5es. Sugest\u00f5es de materiais: caixinhas e blocos de madeira, peda\u00e7os de tecido, cones, carret\u00e9is, bolas de borracha, potes, len\u00e7os, pulseiras, instrumentos musicais, espelhos, imagens etc. Vale lembrar que todos devem ser constantemente higienizados e n\u00e3o podem oferecer riscos \u00e0 seguran\u00e7a das crian\u00e7as. No Ber\u00e7\u00e1rio 1, criei um ritual para iniciar as atividades. Levava sempre um tapete onde nos reun\u00edamos e, ent\u00e3o, apresentava os objetos dos recipientes, sugerindo meios de explora\u00e7\u00e3o. Em seguida, entregava uma cesta para cada beb\u00ea. No Ber\u00e7\u00e1rio 2, as professoras produziram cestinhas com papel de revista, que foram pintadas pelas crian\u00e7as em um de nossos encontros.<\/p>\n<p>Nas reuni\u00f5es seguintes, elas eram apresentadas com seus pertences, como no caso anterior. Para a explora\u00e7\u00e3o de materiais os tempos foram diversos entre si. Nos primeiros encontros, o grupo passou v\u00e1rios momentos observando e manuseando cada objeto cuidadosamente, em clima silencioso. Somente nos encontros seguintes, come\u00e7ou o interesse por descobrir o que havia nas outras cestas e a interagir com os colegas e as educadoras, imitando, complementando, criando e recriando a\u00e7\u00f5es. Com os maiores, despontaram algumas brincadeiras de jogo simb\u00f3lico apoiadas nos materiais. Ao final das atividades, solicitava ajuda aos pequenos para guardar os materiais, movimento logo incorporado pelo grupo, constitu\u00eddo, aos poucos, pela rotina que foi sendo organizada e compartilhada. Tanto na experi\u00eancia com o Ber\u00e7\u00e1rio 1 como com o 2, chamou aten\u00e7\u00e3o a forma como os conflitos surgiam e eram resolvidos pelas crian\u00e7as, que demonstravam saber negociar diante das op\u00e7\u00f5es daquele contexto.<\/p>\n<div id=\"attachment_3960\" style=\"width: 196px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3960\" class=\"size-full wp-image-3960 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/tempo31.jpg\" alt=\"tempo31.jpg\" width=\"186\" height=\"115\" \/><p id=\"caption-attachment-3960\" class=\"wp-caption-text\">Apreciando imagens de obras de arte (foto: Cinthia Manzano)<\/p><\/div>\n<p><strong>Outra linguagem para interagir<\/strong><br \/>\nA intera\u00e7\u00e3o com o ambiente e com as pessoas que dele fazem parte pode ser bastante enriquecida pelo contato e pela viv\u00eancia com o fazer art\u00edstico. Ampliar refer\u00eancias visuais e possibilitar a express\u00e3o pl\u00e1stica s\u00e3o elementos fundamentais para o desenvolvimento da criatividade. A fim de proporcionar experi\u00eancias nesse campo, propus uma sequ\u00eancia de atividades de aprecia\u00e7\u00e3o de imagens e de express\u00e3o pl\u00e1stica nos encontros com os beb\u00eas. Al\u00e9m de funcionarem como disparadores de conversa, as reprodu\u00e7\u00f5es de obras produzidas por artistas contribu\u00edram para ampliar o repert\u00f3rio dos pequenos.<\/p>\n<p>No Ber\u00e7\u00e1rio 1, trabalhei mais com a dimens\u00e3o da aprecia\u00e7\u00e3o, tanto nas rodas de conversa quanto com as cestinhas-surpresa, que continham caixinhas de imagens em um dos encontros. No Ber\u00e7\u00e1rio 2, al\u00e9m da aprecia\u00e7\u00e3o de imagens, que ganhou um canto fixo na sala, confeccionamos materiais (pinturas das cestinhas, do mural de fotos e nomes, da moldura do canto de aprecia\u00e7\u00e3o de imagens e do tapete para canto de leitura). Depois das atividades de express\u00e3o ligadas \u00e0 confec\u00e7\u00e3o de objetos, propus uma pequena sequ\u00eancia de pintura com interfer\u00eancias, para alimentar o percurso criador.<\/p>\n<p>Em trabalhos como esse, o tempo de aprecia\u00e7\u00e3o \u00e9 flex\u00edvel, pois implica o olhar de cada um. As atividades s\u00e3o dirigidas e precisam da interven\u00e7\u00e3o do professor para auxiliar os pequenos a lidarem com materiais que exigem determinados procedimentos. Em geral, eles ainda n\u00e3o conhecem procedimentos b\u00e1sicos para o trabalho pl\u00e1stico, tanto em rela\u00e7\u00e3o ao uso de riscantes e suportes quanto com rela\u00e7\u00e3o aos cuidados b\u00e1sicos para se proteger e cuidar do ambiente. Procurei orientar os procedimentos espec\u00edficos no trato de cada material e tamb\u00e9m sugeri meios de explora\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante ressaltar que os materiais devem ser organizados em locais adequados e seguros.<\/p>\n<p>Com o tempo, as crian\u00e7as se apropriaram da novidade e solicitavam a camiseta velha para come\u00e7ar a pintar, escolhiam o riscante que preferiam usar e levavam a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 umlocal apropriado para secar. Observei que elas ficaram sempre muito envolvidas e concentradas, de modo que todas as atividades propostas foram realizadas com tranquilidade. \u00c9 fundamental que a produ\u00e7\u00e3o seja valorizada, sendo cuidadosamente exposta dentro da sala ou em outros espa\u00e7os da escola. Um canto fixo de imagens pode ser organizado, lembrando que elas devem ser periodicamente trocadas.<\/p>\n<p>Pode-se organizar o espa\u00e7o de maneira a possibilitar diferentes experi\u00eancias com o fazer art\u00edstico: desenhar e pintar de p\u00e9 ou sentado, realizar trabalhos coletivos ou individuais. A confec\u00e7\u00e3o de cantos e de objetos para o ambiente do ber\u00e7\u00e1rio, por sua vez, contou com a participa\u00e7\u00e3o ativa dos pequenos integrantes, que puderam explorar materiais do fazer art\u00edstico. Esse movimento de participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do ambiente favoreceu a valoriza\u00e7\u00e3o da express\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o deles. No in\u00edcio, as tarefas foram coletivas; depois, quando todos j\u00e1 estavam mais familiarizados com a proposta, ofereci a oportunidade para que realizassem explora\u00e7\u00f5es mais individualizadas, a partir de uma sequ\u00eancia planejada para enriquecer o percurso criador. \u00c9 importante saber observar e respeitar o tempo da produ\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p><strong>Leitura pelo professor<\/strong><br \/>\nAs experi\u00eancias relacionadas \u00e0 leitura abrem as portas para o conhecimento sobre o mundo e contribuem para a intera\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da oralidade e da linguagem. A narra\u00e7\u00e3o de textos pelo professor fornece \u00e0s crian\u00e7as um repert\u00f3rio que favorece a amplia\u00e7\u00e3o gradativa de suas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o e de intera\u00e7\u00e3o social. A participa\u00e7\u00e3o em rodas de hist\u00f3ria pode se constituir em um momento para express\u00e3o de ideias, sentimentos, necessidades, desejos e avan\u00e7o no processo de constru\u00e7\u00e3o de significados. Por considerar que as crian\u00e7as tinham pouca familiaridade com a leitura em voz alta e com os pr\u00f3prios livros, e por julgar importante que elas conhecessem narrativas liter\u00e1rias e desenvolvessem comportamentos leitores, propus uma roda de leitura em todos os encontros. Reun\u00edamo-nos em um canto aconchegante (com tapetes e almofadas) e eu lia uma narrativa, colocando-me como modelo de leitor.<\/p>\n<p>Merece destaque a import\u00e2ncia de se planejar esse tempo, sem perder de vista o antes, o durante e o depois. No Ber\u00e7\u00e1rio 1, propus uma sequ\u00eancia de leitura de poesias curtas com a tem\u00e1tica de animais. Depois do texto lido, oferecia algumas publica\u00e7\u00f5es aos pequenos. No Ber\u00e7\u00e1rio 2, adotei uma sequ\u00eancia de hist\u00f3rias de acumula\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o (veja a lista de livros na p\u00e1gina 36). Constru\u00edmos tamb\u00e9m um canto de leitura na sala, para o qual as crian\u00e7as pintaram um tapete. Assim, as publica\u00e7\u00f5es se tornaram sempre acess\u00edveis, possibilitando o aprendizado de procedimentos de manuseio delas, assim como a oportunidade de experimentar a leitura, mesmo que n\u00e3o convencionalmente.<\/p>\n<p>Aos poucos, tanto os menores quanto os maiores, puderam ingressar nesse universo. Nos primeiros encontros, as atividades foram tumultuadas. Com o passar do tempo, eles acompanhavam e apreciavam esses momentos, saboreando palavras e ilustra\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, observamos alguns comportamentos incorporados, como manusear adequadamente um livro, virar uma p\u00e1gina de cada vez da esquerda para a direita, observar ilustra\u00e7\u00f5es e relacion\u00e1-las com a hist\u00f3ria lida, formular hip\u00f3teses sobre a narrativa que seria lida e tentativa de reconto.<\/p>\n<p>(Cinthia Manzano, formadora do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Sobre a ideia de campos de experi\u00eancias, consultar o documento Orienta\u00e7\u00f5es curriculares: Expectativas de aprendizagens e orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para Educa\u00e7\u00e3o Infantil, da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, de 2007.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Nacionais, elaborados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em 1998. O documento se constitui a partir das concep\u00e7\u00f5es de crian\u00e7a, inf\u00e2ncia e educa\u00e7\u00e3o, oferecendo diretrizes curriculares a todos que atuam na \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Volumes dispon\u00edveis no site: www.mec.gov.br.<br \/>\n<sup>3<\/sup>O trabalho foi desenvolvido no \u00e2mbito do projeto Capacitar na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, desenvolvido na cidade de S\u00e3o Paulo, em 2008. (ver Ficha T\u00e9cnica)<\/p>\n<div id=\"attachment_3961\" style=\"width: 286px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3961\" class=\"size-full wp-image-3961 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/tempo22.jpg\" alt=\"tempo22.jpg\" width=\"276\" height=\"158\" \/><p id=\"caption-attachment-3961\" class=\"wp-caption-text\">A linguagem em a\u00e7\u00e3o&#8230;(foto: Clarice Ramos)<\/p><\/div>\n<h4>Lista de livros lidos<\/h4>\n<p><strong>Ber\u00e7ario 1:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>A arca de No\u00e9, de Vinicius de Moraes. Ed. Cia. das Letrinhas.<\/li>\n<li>Boniteza silvestre, de Lalau e Laurabeatriz. Ed. Peir\u00f3polis.<\/li>\n<li>Meu poema abana o rabo, de Almir Correa. Ed. Biruta.<\/li>\n<li>Passa passa passarinho, de Cleonice Bourscheid. Ed. Edunisc.<\/li>\n<li>R\u00e3zinha cantora e outros poemas, de Regina Chamlian e Helena Alexandrino. Ed. Paulinas.<\/li>\n<li>Um passarinho me contou, de Jos\u00e9 Paulo Paes. Ed. \u00c1tica.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Ber\u00e7ario 2:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>A casa sonolenta, de Audrey e Don Wood. Ed. \u00c1tica.<\/li>\n<li>Bruxa, bruxa venha \u00e0 minha festa, de Arden Druce, Ed. Brinque Book.<\/li>\n<li>Devagar, devagar, bem devagar, de Eric Carle. Ed. Brinque Book.<\/li>\n<li>Fome de urso, de Heiz Janisch e Helga Bansch. Ed. Brinque Book.<\/li>\n<li>Macaco danado, de Julia Donaldson e Axel Scheffler. Ed. Brinque Book.<\/li>\n<li>R\u00e1pido como um gafanhoto, de Audrey e Don Wood. Ed. Brinque Book.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Programa: Capacitar Educa\u00e7\u00e3o Infantil<br \/>\nParceria: Grupo Gerdau e Instituto C &amp; A<br \/>\nResponsabilidade t\u00e9cnica: Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\nDesenvolvimento: Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo<br \/>\nCoordenadoria de Ensino: S\u00e3o Mateus<br \/>\nFormadora de apoio: Cinthia Soares Manzano<br \/>\nE-mail: cinthiamanzano@hotmail.com<br \/>\nCoordenadora pedag\u00f3gica do projeto: Maria Virg\u00ednia Gastaldi<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livro<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Bem-vindo, mundo! Crian\u00e7a, cultura e forma\u00e7\u00e3o de educadores, de Silvia Pereira de Carvalho, Adriana Klisys e Silvana Augusto (orgs.). Instituto C&amp;A, Instituto Avisa L\u00e1 e Ed. Peir\u00f3polis. Tel.: (11) 3816-0699.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conhe\u00e7a mais atividades propostas para crian\u00e7as de creche em edi\u00e7\u00f5es da revista Avisa l\u00e1: Mural de marcas, edi\u00e7\u00e3o 37, de fevereiro de 2009; Cestinhas-surpresa \u2013 regularidade e diversidade: componentes fundamentais no planejamento de atividades para beb\u00eas, edi\u00e7\u00e3o 16, de outubro de 2003; e \u00c1lbum do beb\u00ea, edi\u00e7\u00e3o 18, de abril de 2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempos, espa\u00e7os, materiais e boas interven\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas determinam a qualidade de atendimento a beb\u00eas em espa\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o infantil. Por Cinthia Manzano<\/p>\n","protected":false},"author":162,"featured_media":3940,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[399,34],"tags":[1110,496,97,459,829,830,513,151,147],"class_list":{"0":"post-3958","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-38","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2009","10":"tag-ambiente","11":"tag-aprendizagem","12":"tag-bercario","13":"tag-cinthia-manzano","14":"tag-descoberta","15":"tag-intervencao","16":"tag-leitura","17":"tag-roda","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/162"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3958\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}