{"id":3924,"date":"2009-02-10T14:04:27","date_gmt":"2009-02-10T16:04:27","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3924"},"modified":"2023-03-27T19:08:48","modified_gmt":"2023-03-27T22:08:48","slug":"pensar-e-representar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/pensar-e-representar\/","title":{"rendered":"Pensar e representar"},"content":{"rendered":"<h5>A representa\u00e7\u00e3o de uma vit\u00f3ria-r\u00e9gia impulsiona trabalhos que envolvem o racioc\u00ednio matem\u00e1tico, artes e muita intera\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as de pr\u00e9-escola<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-3928\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_regia2.jpg\" alt=\"avisala_37_regia2\" width=\"523\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_regia2.jpg 1245w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_regia2-300x127.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_regia2-1024x435.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 523px) 100vw, 523px\" \/><br \/>\nNo fim do primeiro semestre de 2006, ao sairmos de f\u00e9rias, eu e a professora auxiliar Rebeca Schneider Mesquita j\u00e1 sab\u00edamos que no rein\u00edcio das aulas entrar\u00edamos em contato com a comunidade de Portel<sup>1<\/sup>, da Amaz\u00f4nia, para trocar informa\u00e7\u00f5es sobre os modos de vida e aspectos da natureza. Assim, pensamos em desenvolver com o grupo 5 (crian\u00e7as entre 4 e 5 anos), da Escola Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP, uma proposta que proporcionasse troca de experi\u00eancias e permitisse o contato com outras culturas do Pa\u00eds. Nesse contexto, e diante do interc\u00e2mbio cultural que ir\u00edamos desenvolver, aproveitei o momento para contar em sala as lendas amaz\u00f4nicas. Entre elas, estava a da vit\u00f3ria-r\u00e9gia. A partir da narrativa, todos ficaram muito interessados em conhecer a flor que era mencionada no texto. Come\u00e7amos, assim, a coletar informa\u00e7\u00f5es a respeito da regi\u00e3o. Em uma das pesquisas, ficamos sabendo sobre o tamanho da folha e mais curiosidades, como o fato de ela medir at\u00e9 2 metros de di\u00e2metro e suportar o peso de uma pessoa. Em uma das fotos selecionadas pelas crian\u00e7as na internet, v\u00ea-se a planta com sua flor e um beb\u00ea sentado sobre ela.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEssas informa\u00e7\u00f5es iniciais estimularam a curiosidade da crian\u00e7ada. Identifiquei nessa situa\u00e7\u00e3o uma boa oportunidade para abordar um conte\u00fado matem\u00e1tico previsto no plano anual, aprofundando quest\u00f5es trabalhadas no 1\u00ba semestre e aproveitei a deixa para dar continuidade ao trabalho com matem\u00e1tica<sup>2<\/sup> iniciado no come\u00e7o do ano, quando estudamos seq\u00fc\u00eancia num\u00e9rica, medidas e alguns aspectos da geometria. Na roda de conversa, estimulei as crian\u00e7as para que elas pensassem sobre o tamanho da folha caso ela estivesse em nossa sala e como poder\u00edamos fazer para represent\u00e1-la no ch\u00e3o. Elas sugeriram: \u201cVamos medir 2 metros e desenh\u00e1-la!\u201d. Algumas, ao verem o desenho, quiseram se sentar sobre ele para imitar o beb\u00ea da foto. Aproveitei o momento para perguntar: \u201cQuantas de voc\u00eas cabem nela?\u201d. Para obtermos essa resposta, cada um foi se posicionando de diferentes modos: em p\u00e9, sentado e deitado. Nessa atividade, discutimos a rela\u00e7\u00e3o que se estabeleceu entre a quantidade que cabia e a posi\u00e7\u00e3o do corpo, deixando que antecipassem suas hip\u00f3teses para, em seguida, confirm\u00e1-las ou refut\u00e1-las.<\/p>\n<div id=\"attachment_3929\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3929\" class=\" wp-image-3929  \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_regia1.jpg\" alt=\"avisala_37_regia1.jpg\" width=\"374\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_regia1.jpg 534w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_regia1-289x300.jpg 289w\" sizes=\"auto, (max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><p id=\"caption-attachment-3929\" class=\"wp-caption-text\">Foto da vit\u00f3ria-r\u00e9gia selecionada pelo grupo ap\u00f3s pesquisa na internet<\/p><\/div>\n<p>Uma das crian\u00e7as, ainda n\u00e3o satisfeita apenas com essa experi\u00eancia, me pediu: \u201cPor que voc\u00ea n\u00e3o leva a gente para ver a vit\u00f3ria-r\u00e9gia?\u201d. Todos se empolgaram com a possibilidade, e entramos em contato com a equipe do Jardim Bot\u00e2nico. Para nossa triste surpresa, fomos informados de que as plantas existentes no local haviam morrido em virtude da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Surgiu, ent\u00e3o, outra proposta:<br \/>\n\u201cVamos fazer a nossa vit\u00f3ria-r\u00e9gia!\u201d. Ainda n\u00e3o sab\u00edamos quais os caminhos a serem percorridos. De nossas incertezas e trocas mi\u00fadas com outras professoras e com a equipe pedag\u00f3gica, criamos as possibilidades e definimos os encaminhamentos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Suposi\u00e7\u00f5es iniciais<\/strong><br \/>\nRetomei todos os passos vividos at\u00e9 aquele momento em uma roda de conversa e perguntei se todos estavam dispostos a levar adiante a id\u00e9ia de construir a planta amaz\u00f4nica. A resposta positiva foi un\u00e2nime. Era importante estabelecer o comprometimento de todos com o trabalho para dar cada passo. Passamos a conversar sobre como concretizar a id\u00e9ia, e os pequenos foram apresentando diferentes possibilidades. A primeira delas foi construir a vit\u00f3ria-r\u00e9gia em argila, o que causou certa inquieta\u00e7\u00e3o, que proporcionou uma discuss\u00e3o interessante, cheia de argumentos e de contraposi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>Aninha \u2013 Se for de argila, vai quebrar!<br \/>\nCarol \u2013 A gente espera endurecer!<br \/>\nAninha \u2013 Vai quebrar mesmo assim, pois argila quebra! (de suas experi\u00eancias vividas com o material em oficinas).<br \/>\nRodrigo \u2013 Al\u00e9m disso, vai precisar de muita argila!<br \/>\nHenrique \u2013 E se a gente puser em cima de uma mesa?<br \/>\nProfessora \u2013 Como vamos levar l\u00e1 para fora? Por que n\u00e3o podemos constru\u00ed-la no p\u00e1tio e n\u00e3o podemos deixar l\u00e1 fora?<br \/>\nAndr\u00e9 \u2013 Eu acho que tem que ser de papel porque \u00e9 fininho e suave como uma folha!<br \/>\nCarol \u2013 Papel tamb\u00e9m rasga!<br \/>\nAndr\u00e9 \u2013 A gente vai juntando papel duro (papel\u00e3o)!<br \/>\nGustavo \u2013 Jornal com cola tamb\u00e9m d\u00e1. Ou de madeira!<br \/>\nCarol (insistindo em sua id\u00e9ia) \u2013 Eu acho que tem que ser de argila! A gente faz de pedacinhos e depois junta!<\/p>\n<p>Diante do impasse, resolvemos colocar as propostas em vota\u00e7\u00e3o e, para surpresa nossa, ganhou a id\u00e9ia que propunha fazermos a vit\u00f3ria-r\u00e9gia de madeira. N\u00e3o sabia como fazer, ou qual seria o desdobramento dessa sugest\u00e3o. Poderia dar certo ou n\u00e3o. Minha inten\u00e7\u00e3o era trabalhar com as possibilidades e ajudar a crian\u00e7ada a mudar os caminhos, caso fosse necess\u00e1rio, e a entender o processo, se n\u00e3o desse certo. Enumerei aspectos importantes com a turma e retomei as discuss\u00f5es que j\u00e1 hav\u00edamos feito, e conclu\u00edmos que usar\u00edamos pedacinhos de madeira. Recolhemos todas as t\u00e1buas que havia na oficina de artes da escola e levamos para a sala.<br \/>\nDiante daquele material, surgiram novos desafios. O grupo passou a experimentar, a sugerir e a descartar o que era invi\u00e1vel. Eu e Rebeca coorden\u00e1vamos as discuss\u00f5es, cham\u00e1vamos a aten\u00e7\u00e3o para as observa\u00e7\u00f5es pertinentes e instig\u00e1vamos novas pol\u00eamicas. N\u00f3s, professoras, reflet\u00edamos tamb\u00e9m sobre o desenvolvimento das atividades, quais as solu\u00e7\u00f5es sugeridas pela turma e que encaminhamentos ou interven\u00e7\u00f5es seriam necess\u00e1rios para dar continuidade ao projeto.<\/p>\n<p>Sempre que poss\u00edvel, recorr\u00edamos \u00e0s experi\u00eancias vividas durante o semestre anterior ou \u00e0s discuss\u00f5es durante cada etapa com vistas aos encaminhamentos necess\u00e1rios ou \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias. Carol disse algo muito importante: \u201cPra dar certo, todos precisam fazer junto e respeitar o outro\u201d. As crian\u00e7as come\u00e7aram juntando as madeiras no centro da sala, e o que surgiu foi uma constru\u00e7\u00e3o. Frente \u00e0quele movimento sem retorno, Rodrigo perguntou: \u201cComo vamos fazer para ficar redondo se os blocos s\u00e3o quadrados?\u201d E Bruno respondeu: \u201cVamos tirar tudo e come\u00e7ar de novo!\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_3930\" style=\"width: 465px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3930\" class=\"size-full wp-image-3930 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia3.jpg\" alt=\"regia3.jpg\" width=\"455\" height=\"182\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia3.jpg 455w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia3-300x120.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><p id=\"caption-attachment-3930\" class=\"wp-caption-text\">O corpo das crian\u00e7as serviu de medida para fazer o contorno da vit\u00f3ria-r\u00e9gia<\/p><\/div>\n<p><strong>Na teoria e na pr\u00e1tica<\/strong><br \/>\nGabriel, com uma pe\u00e7a redonda na m\u00e3o, falou: \u201cA vit\u00f3ria-r\u00e9gia tem que ser assim\u201d. Camilo, para dar sua contribui\u00e7\u00e3o, pegou v\u00e1rias pe\u00e7as circulares para demonstrar. As meninas fizeram um desenho no quadro, para representar como a vit\u00f3ria-r\u00e9gia deveria ser. Em certo momento, Aninha sugeriu: \u201cPor que algu\u00e9m n\u00e3o deita no meio, abre as pernas e os bra\u00e7os e a gente monta em volta dele?\u201d Rodrigo complementou: \u201cA gente come\u00e7a pela borda e depois p\u00f5e o recheio!\u201d<\/p>\n<p>Lembrei ao grupo, mostrando a imagem da vit\u00f3ria-r\u00e9gia, que havia uma borda levantada, circundando-a. Foram surgindo outras sugest\u00f5es: Julieta mostrou com as m\u00e3os, formando um pequeno c\u00edrculo de bordas levantadas, como havia visto na foto: \u201cA gente pode fazer a bordinha assim.\u201d Carol complementou a id\u00e9ia mostrando as m\u00e3os sobrepostas, em \u00e2ngulo de 90 graus: \u201c\u00c9 assim!\u201d. Nesse momento, a turma passou a colocar as t\u00e1buas em p\u00e9, fazendo o contorno circular em torno de Andr\u00e9, que ficou deitado no ch\u00e3o, conforme sugerido.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi preencher o centro. Antes disso, foi necess\u00e1rio organizar os grupos para evitar atropelos. Rebeca e eu decidimos separar as crian\u00e7as em pequenos grupos para que se revezassem nessa hora. No meio do processo, percebemos que o preenchimento do contorno para o centro n\u00e3o havia dado certo. As pe\u00e7as n\u00e3o se encaixavam. Diante desse problema, uma solu\u00e7\u00e3o apontada por um dos pequenos: \u201cQue tal fazer o inverso?\u201d. Tentamos, mas faltavam cantos para completar. Gustavo observou: \u201cEu sei qual \u00e9 o problema. Todas as pe\u00e7as s\u00e3o quadradas!\u201d. Camilo, ao ouvir isso, sugeriu que arrum\u00e1ssemos madeiras com outros formatos: \u201cPrecisamos de algumas em forma de tri\u00e2ngulo!\u201d. Na oficina, serramos algumas madeiras em formatos menores ou triangulares. Ludmila tamb\u00e9m deu sua contribui\u00e7\u00e3o: \u201cGuarda as pequenas para colocar nos buracos!\u201d. Dessa maneira, tudo come\u00e7ou a se encaixar. Finalmente, pintamos as madeiras de verde.<\/p>\n<p><strong>Outras tentativas<\/strong><br \/>\nFazer a flor era fundamental, pois hav\u00edamos constru\u00eddo apenas a folha. Questionei o grupo:<br \/>\nProfessora \u2013 Como vamos fazer a flor?<br \/>\nJulieta \u2013 Pega uns pauzinhos brancos e finge que \u00e9 a flor.<br \/>\nGabriel \u2013 Pega as madeirinhas e coloca algumas em p\u00e9 para virar a flor.<br \/>\nJulieta \u2013 P\u00f5e as madeirinhas da borda para dentro e faz virar a flor!<br \/>\nCamilo \u2013 Mas tem que ser do ladinho da vit\u00f3ria-r\u00e9gia!<br \/>\nAninha \u2013 Achei que ia ser dentro.<br \/>\nProfessora \u2013 Dentro ou fora?<\/p>\n<p>Nesse momento, precisamos recorrer novamente ao mural com as pesquisas de texto e imagem. Decidimos confeccionar com as madeirinhas compridas que sobraram e, por vota\u00e7\u00e3o, escolhemos a cor branca. Da mesma maneira como haviam se dividido para a montagem da planta, reuniram-se para fazer a flor. Cada grupo discutiu a melhor estrat\u00e9gia. Experimentaram suas id\u00e9ias com o material oferecido, e resolvi fotografar as sugest\u00f5es para que a decis\u00e3o sobre a vers\u00e3o final fosse votada.<\/p>\n<div id=\"attachment_3931\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3931\" class=\"size-full wp-image-3931 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia4.jpg\" alt=\"regia4.jpg\" width=\"196\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia4.jpg 196w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia4-163x300.jpg 163w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><p id=\"caption-attachment-3931\" class=\"wp-caption-text\">Preenchimento da folha com pequenas t\u00e1buas (fotos: arquivo da Escola Vera Cruz \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP)<\/p><\/div>\n<p>Para finalizar o projeto, houve dois momentos importantes. O primeiro, incluir o trabalho na exposi\u00e7\u00e3o de artes para que todos pudessem ver a produ\u00e7\u00e3o. Nesse dia, todos trabalharam com o mesmo empenho e ficaram ainda mais orgulhosos com o resultado, pois puderam se sentar sobre a vit\u00f3riar\u00e9gia, como o beb\u00ea da foto selecionada durante as pesquisas na internet. O segundo momento se deu depois da exposi\u00e7\u00e3o. Continuamos usando as madeiras para fazer novas constru\u00e7\u00f5es, e ficou decidido que deixar\u00edamos o material para que as pr\u00f3ximas turmas pudessem us\u00e1-lo para brincar de constru\u00e7\u00e3o na classe ou na areia. Segundo o educador italiano Loris Mallaguzzi, \u201cas crian\u00e7as aprendem interagindo com seu ambiente e transformando ativamente seus relacionamentos com o mundo dos adultos, das coisas, dos eventos e, de maneiras originais, com seus pares. Em certo sentido, elas participam da constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade e da dos outros&#8230; Os conflitos construtivos (resultantes do interc\u00e2mbio de a\u00e7\u00f5es, expectativas e id\u00e9ias diferentes) transformam a experi\u00eancia cognitiva do indiv\u00edduo e promovem aprendizagem e desenvolvimento.\u201d<\/p>\n<p>Esse projeto uniu a turma em uma busca comum, fazendo com que ouvissem e respeitassem o outro, para que o objetivo fosse alcan\u00e7ado. Diante de um problema comum, os pequenos formularam hip\u00f3teses, buscaram solu\u00e7\u00f5es, argumentaram, ouviram e respeitaram o consenso. Sa\u00edram dessa experi\u00eancia ainda mais unidos e preparados para enfrentar outros desafios.<\/p>\n<p>(Ana Rosa Aparecida Araujo Da Costa, Professora da Escola Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>A escola participou de um projeto, desenvolvido em parceria com a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Expedi\u00e7\u00e3o Vaga Lume, que leva livros para a Amaz\u00f4nia. Uma das propostas foi fazer interc\u00e2mbio cultural com uma das comunidades participantes do projeto. No caso, a Portel. Foi confeccionado um livro-registro sobre o tipo de natureza da cidade de S\u00e3o Paulo e como as crian\u00e7as do grupo 1, da Escola Vera Cruz, convivem com ela.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Embora o projeto tenha trabalhado com conte\u00fados de matem\u00e1tica, eles n\u00e3o s\u00e3o o destaque nesse artigo ( da reda\u00e7\u00e3o). As crian\u00e7as buscaram solu\u00e7\u00f5es para resolver um problema, experimentaram, erraram, refizeram, discutiram entre si a\u00e7\u00f5es que remetem ao modo de fazer matem\u00e1tica (nota da reda\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<h4>Dados cient\u00edficos<\/h4>\n<p>A vit\u00f3ria-r\u00e9gia (Victoria amazonica) \u00e9 uma planta aqu\u00e1tica da fam\u00edlia das Nymphaeaceae, t\u00edpica da regi\u00e3o amaamaz\u00f4nica. Ela possui uma grande folha em forma de c\u00edrculo, que fica sobre a superf\u00edcie da \u00e1gua e pode chegar a 2,5 metros de di\u00e2metro e suportar at\u00e9 40 quilos bem distribu\u00eddos em sua superf\u00edcie. Sua flor (a flora\u00e7\u00e3o ocorre desde o in\u00edcio do m\u00eas de mar\u00e7o at\u00e9 julho) \u00e9 branca e se abre apenas \u00e0 noite, a partir das 18 horas. Dela se expele uma fragr\u00e2ncia adocicada do abric\u00f3, chamada pelos europeus de \u201crosa lacustre\u201d. Mant\u00e9m-se aberta at\u00e9 aproximadamente \u00e0s 9 horas da manh\u00e3 seguinte. No segundo dia, o da poliniza\u00e7\u00e3o, a flor \u00e9 cor de rosa. Assim que as flores se abrem, seu forte odor atrai os besouros polinizadores (cyclocefalo casteneaea), que a adentram e nelas ficam prisioneiros.<\/p>\n<p>Fonte: Wikip\u00e9dia \u2013 a enciclop\u00e9dia livre<br \/>\nhttp:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Vit\u00f3ria-r\u00e9gia<\/p>\n<div id=\"attachment_3932\" style=\"width: 540px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3932\" class=\"size-full wp-image-3932 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia5.jpg\" alt=\"Pintura dos retalhos de madeira e montagem da vers\u00e3o final da vit\u00f3ria-r\u00e9gia\" width=\"530\" height=\"146\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia5.jpg 530w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia5-300x82.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><p id=\"caption-attachment-3932\" class=\"wp-caption-text\">Pintura dos retalhos de madeira e montagem da vers\u00e3o final da vit\u00f3ria-r\u00e9gia<\/p><\/div>\n<h4>Estrela das \u00e1guas<\/h4>\n<p>A hist\u00f3ria contada sobre a vit\u00f3ria-r\u00e9gia \u00e9 de origem brasileira, mais precisamente uma lenda ind\u00edgena tupi-guarani. H\u00e1 muitos anos, em uma tribo, contava-se que a Lua (Jaci, para os \u00edndios) era uma deusa que, ao despontar a noite, beijava e enchia de luz os rostos das mais belas virgens da aldeia, as cunhant\u00e3s-mo\u00e7as. Sempre que ela se escondia atr\u00e1s das montanhas, levava para si as de sua prefer\u00eancia e as transformava em estrelas no firmamento.<\/p>\n<p>Uma linda jovem virgem da tribo, a guerreira Nai\u00e1, vivia sonhando com esse encontro e mal podia esperar pelo grande dia em que seria chamada por Jaci. Os anci\u00e3os da tribo alertavam Nai\u00e1: depois de seu encontro com a sedutora deusa, as mo\u00e7as perdiam seu sangue e sua carne, tornando-se luz. Viravam as estrelas do c\u00e9u. Mas quem a impediria? Nai\u00e1 queria ser levada pela Lua. \u00c0 noite, cavalgava pelas montanhas atr\u00e1s dela, sem nunca alcan\u00e7\u00e1-la. E a jovem definhava, sonhando com o encontro, sem desistir. N\u00e3o comia, n\u00e3o bebia. T\u00e3o obcecada ficou que n\u00e3o havia paj\u00e9 que lhe desse jeito. Um dia, tendo parado para descansar \u00e0 beira de um lago, viu em sua superf\u00edcie a imagem da deusa amada: a Lua refletida em suas \u00e1guas. Cega pelo seu sonho, lan\u00e7ou-se ao fundo e se afogou. A Lua, compadecida, quis recompensar o sacrif\u00edcio da bela jovem e resolveu transform\u00e1-la em uma estrela diferente de todas que brilham no c\u00e9u. Transformou-a, ent\u00e3o, numa estrela das \u00e1guas, \u00fanica e perfeita, que \u00e9 a planta vit\u00f3ria-r\u00e9gia. Assim, nasceu uma linda planta cujas flores perfumadas e brancas s\u00f3 abrem \u00e0 noite, e ao nascer do Sol ficam rosadas.<\/p>\n<p>Fonte: Wikip\u00e9dia \u2013 a enciclop\u00e9dia livre<br \/>\nhttp:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lenda_da_vit\u00f3ria-r\u00e9gia<\/p>\n<div id=\"attachment_3933\" style=\"width: 416px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3933\" class=\"size-full wp-image-3933 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia6.jpg\" alt=\"regia6.jpg\" width=\"406\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia6.jpg 406w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia6-300x195.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px\" \/><p id=\"caption-attachment-3933\" class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as desenvolveram v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de flor<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Escola Vera Cruz<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Dona Eliza de Moraes Mendes, 784 \u2013 Alto de Pinheiros \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 05449-001 &#8211; Tel.: (11) 3021-2043\/3021-2050<br \/>\nDiretor: Heitor Fecarotta<br \/>\nProfessora: Ana Rosa Aparecida Araujo da Costa<br \/>\nProfessora auxiliar: Rebeca Schneider Mesquita<br \/>\nOrientadora do grupo: Maria Silvia I. Snard Carneiro<br \/>\nColaboradora no desenvolvimento do projeto: Maria Silvia Brumatti Sentelhas<br \/>\nE-mail: arosacosta@uol.com.br<br \/>\nSite: www.veracruz.edu.br<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Educa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica: uma introdu\u00e7\u00e3o, de S\u00edlvia Dias Alc\u00e2ntara (org.). Ed. Educ. Tel.: (11) 3670-8558.<\/li>\n<li>Qualidade na educa\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia: perspectivas p\u00f3s-modernas, de Gunilla Dahlberg, Peter Moss e Alan Pence. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444.<\/li>\n<li>Sala de aula: um espa\u00e7o de pesquisa em matem\u00e1tica, de Maria Cristina S. de A. Maranh\u00e3o e Stella G. Mercadante (orgs.). Vera Cruz &#8211; Edi\u00e7\u00f5es. Tel.: (11) 3021-2050.<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_3934\" style=\"width: 464px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3934\" class=\"size-full wp-image-3934 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia7.jpg\" alt=\"regia7.jpg\" width=\"454\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia7.jpg 454w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/regia7-300x150.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><p id=\"caption-attachment-3934\" class=\"wp-caption-text\">Vers\u00e3o ganhadora<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A representa\u00e7\u00e3o de uma vit\u00f3ria-r\u00e9gia impulsiona trabalhos que envolvem o racioc\u00ednio matem\u00e1tico, artes e muita intera\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as de pr\u00e9-escola. Por Ana Rosa Aparecida Araujo Da Costa<\/p>\n","protected":false},"author":156,"featured_media":3895,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[398,34],"tags":[1110,820,300,247,246,624,78,214],"class_list":{"0":"post-3924","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-37","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2009","10":"tag-ana-rosa-aparecida-araujo-da-costa","11":"tag-artes","12":"tag-ciencias","13":"tag-conhecimento","14":"tag-criatividade","15":"tag-matematica","16":"tag-pesquisa","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/156"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3924\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}