{"id":3903,"date":"2009-02-09T01:28:26","date_gmt":"2009-02-09T03:28:26","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3903"},"modified":"2023-03-27T19:07:51","modified_gmt":"2023-03-27T22:07:51","slug":"zoom-e-clic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/zoom-e-clic\/","title":{"rendered":"Zoom e clic!"},"content":{"rendered":"<h5>O uso da imagem para analisar, refletir e observar o trabalho pedag\u00f3gico<sup>1<\/sup>.<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3904\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex2.jpg\" alt=\"avisala_37_reflex2\" width=\"253\" height=\"205\" \/><br \/>\nMuito j\u00e1 se falou sobre a import\u00e2ncia do registro para educadores. A primeira forma \u00e9 a pr\u00f3pria mem\u00f3ria. Da infinidade de cenas, vis\u00f5es e acontecimentos di\u00e1rios, registramos apenas os que s\u00e3o selecionados inconscientemente em fun\u00e7\u00e3o de diversos filtros: os conhecimentos anteriores, a hist\u00f3ria de vida, os interesses pessoais, os desejos, os medos e demais associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na profiss\u00e3o docente, a mem\u00f3ria tem papel fundamental para o professor, pois \u00e9 parcialmente respons\u00e1vel pela constitui\u00e7\u00e3o de suas hist\u00f3rias pessoal e profissional, compreens\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o dos conhecimentos relacionados \u00e0 carreira, bem como pela constru\u00e7\u00e3o de novas experi\u00eancias. No entanto, por si s\u00f3, ela n\u00e3o \u00e9 suficiente para o trabalho reflexivo, pois s\u00f3 registra aquilo que pode reconhecer ou o que est\u00e1 acostumada a enxergar, aquilo que tem significado ou que j\u00e1 passou por uma filtragem familiar \u00e0 pr\u00f3pria experi\u00eancia, aos esquemas assimilativos. Sendo assim, qual \u00e9 o espa\u00e7o para a novidade? Quando e como podemos utilizar nossos registros como meios n\u00e3o apenas para acomodar as observa\u00e7\u00f5es, para preservar a mem\u00f3ria do que j\u00e1 sabemos, mas sim para aprender a ver o novo?<br \/>\n<!--more--><br \/>\nSe, por um lado, h\u00e1 consenso sobre a import\u00e2ncia da observa\u00e7\u00e3o como instrumento profissional, por outro, vemos grande diversidade de pr\u00e1ticas de registro al\u00e9m da escrita. Refiro-me, em especial, \u00e0 fotografia, \u00e0 filmagem, \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es multim\u00eddias e demais recursos tecnol\u00f3gicos que associam imagens e palavras e que, ultimamente, t\u00eam sido cada vez mais utilizados como apoios pedag\u00f3gicos. Todos esses meios s\u00e3o importantes e h\u00e1 em seu uso uma dimens\u00e3o formativa. Uma boa leitura desse material certamente nos permite reconhecer o olhar do pr\u00f3prio tomador de imagens, seus entendimentos e suas inten\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s das lentes. Do mesmo modo, poder\u00edamos reconhecer as concep\u00e7\u00f5es dos autores das colet\u00e2neas, dos \u00e1lbuns de fotos da institui\u00e7\u00e3o e as apresenta\u00e7\u00f5es multim\u00eddias, que unem imagem e texto. Em in\u00fameros casos, prop\u00f5e-se a an\u00e1lise, a interpreta\u00e7\u00e3o e, quem sabe, um exerc\u00edcio de compartilhamento de um olhar exterior. Nesses exemplos, quem olha \u00e9 um pesquisador, algu\u00e9m de fora, um estrangeiro, que tece an\u00e1lises sobre o que estudou a partir dessa leitura.<\/p>\n<div id=\"attachment_3905\" style=\"width: 288px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3905\" class=\"size-full wp-image-3905 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex4.jpg\" alt=\"avisala_37_reflex4.jpg \" width=\"278\" height=\"216\" \/><p id=\"caption-attachment-3905\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo: Creche Monteiro Lobato &#8211; Manoel Hon\u00f3rio &#8211; Juiz de Fora \u2013 MG<\/p><\/div>\n<p>Por\u00e9m, o que quero discutir aqui \u00e9 o uso do registro como instrumento de trabalho no dia-a-dia escolar e como avan\u00e7ar para al\u00e9m do que j\u00e1 \u00e9 de conhecimento de todos. Tal objetivo envolve conhecer e escolher com clareza os caminhos de observa\u00e7\u00e3o e de registro, como organiz\u00e1-los e utiliz\u00e1-los no processo de ver o novo.<\/p>\n<p><strong>V\u00eddeo e foto na escola<\/strong><br \/>\nTemos visto, frequentemente, recursos tecnol\u00f3gicos sendo utilizados sem muita reflex\u00e3o, \u00e0 medida da disponibilidade de cada institui\u00e7\u00e3o: fotografias em papel e digital, filmagem e edi\u00e7\u00e3o em programas de computador. \u00c9 importante estabelecer crit\u00e9rios para a escolha consciente e eficiente dos instrumentos necess\u00e1rios, evitando-se o ac\u00famulo de materiais que, por fim, s\u00e3o pouco utilizados ao longo do ano. Isso \u00e9 ainda mais premente, considerando que, como educadores, queremos contribuir para a consci\u00eancia cr\u00edtica do consumo, objetivo importante para a forma\u00e7\u00e3o educacional de adultos e de crian\u00e7as. N\u00e3o conv\u00e9m desperdi\u00e7ar o que em pouco tempo j\u00e1 n\u00e3o mais servir\u00e1. Uma foto j\u00e1 diz muito, portanto, n\u00e3o precisamos de muitas. O mais importante \u00e9 escolh\u00ealas com crit\u00e9rios e dar a cada uma delas um destino mais proveitoso, al\u00e9m de arquivo para a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Entre os registros visuais mais conhecidos, h\u00e1 dois cada vez mais comuns nas institui\u00e7\u00f5es educativas: os videorregistros e os portf\u00f3lios<sup>2<\/sup> (ou o que se convencionou chamar por esse nome). Cada vez mais popularizado nos CEIs e nas EMEIs, eles t\u00eam como alguns dos prop\u00f3sitos mostrar, divulgar, fazer reconhecer, rememorar, mas nem sempre est\u00e3o a servi\u00e7o do estudo, da pesquisa e da investiga\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica docente.<\/p>\n<p><strong>Para que serve o v\u00eddeo?<\/strong><br \/>\nEm geral, ele \u00e9 utilizado para registrar as festas e os eventos escolares. \u00c0s vezes, recebe algum tipo de edi\u00e7\u00e3o profissional; em outros momentos, \u00e9 simplesmente guardado como parte do acervo documental. Em alguns casos, \u00e9 utilizado metodologicamente para avalia\u00e7\u00e3o e reorienta\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas educativas. A educadora Telma Weisz \u00e9 uma das divulgadoras desse recurso na forma\u00e7\u00e3o de professores-alfabetizadores. Ela utiliza filmagens cruas da sala de aula e tematiza-as com um grupo a partir do relat\u00f3rio de atividade apresentado pelo autor da pr\u00e1tica registrada. Seu objetivo de trabalho \u00e9 estrat\u00e9gico. Ela usa o v\u00eddeo como um espelho que \u00e9 devolvido ao profissional, colocando pontos de observa\u00e7\u00e3o e quest\u00f5es para seguir pensando sobre aquilo que n\u00e3o era evidente ou n\u00e3o estava presente no momento da a\u00e7\u00e3o. Desse modo, ela desvenda os objetivos pedag\u00f3gicos, os princ\u00edpios, as condi\u00e7\u00f5es e as orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas que ajudam a fazer o di\u00e1logo entre o ensino e a aprendizagem.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3906\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex7.jpg\" alt=\"avisala_37_reflex7\" width=\"222\" height=\"290\" \/><br \/>\n\u00c0 exce\u00e7\u00e3o desses exemplos, tematizados para o bem da reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica docente, os demais me intrigam e, como formadora, me p\u00f5em a pensar:<\/p>\n<ul>\n<li>Por que as escolas filmam tanto?<\/li>\n<li>Quantos e quais v\u00eddeos s\u00e3o realmente necess\u00e1rios e importantes para o grupo?<\/li>\n<li>Quem quer recordar tudo e para qu\u00ea? O cinegrafista considera o seu pr\u00f3prio olhar, ou o dos espectadores, na hora da capta\u00e7\u00e3o de imagens, selecionando o que eles desejariam assistir?<\/li>\n<li>Em que momentos eles s\u00e3o exibidos aos pequenos? E ao restante da comunidade? Crian\u00e7as e professores participam da roteiriza\u00e7\u00e3o, ou ela \u00e9 feita espont\u00e2nea e aleatoriamente por quem filma o evento?<\/li>\n<li>A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 documentar? Se sim, o que se quer tornar documento: o evento como um todo, sua organiza\u00e7\u00e3o, as impress\u00f5es das fam\u00edlias, os depoimentos de quem viveu aquilo tudo?<\/li>\n<li>De um ano para outro, o que \u00e9 feito desse material?<\/li>\n<li>Os novos funcion\u00e1rios assistem a esses v\u00eddeos? Se sim, para qu\u00ea? Isso tem algum sentido para eles?<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Portf\u00f3lio e sua fun\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nTal como o v\u00eddeo, o portf\u00f3lio tamb\u00e9m tem assumido a fun\u00e7\u00e3o de documentar uma experi\u00eancia e, n\u00e3o raramente, como uma comprova\u00e7\u00e3o de que foi poss\u00edvel fazer alguma mudan\u00e7a, tal como fora proposto. No meio empresarial e na publicidade, em que os portf\u00f3lios surgiram e se popularizaram, ele assume inten\u00e7\u00f5es diferentes. Servem para formar um case, um caso bem-sucedido que \u00e9 divulgado para que outros tomem conhecimento do sucesso do empreendimento. Entre os publicit\u00e1rios, ele \u00e9 uma apresenta\u00e7\u00e3o pessoal de todas as pe\u00e7as j\u00e1 criadas por este profissional ou, ent\u00e3o, um material coletivo, de uma ag\u00eancia que mostra o hist\u00f3rico das campanhas nas quais j\u00e1 participou. Nesses dois casos, servem para exibir um estilo de cria\u00e7\u00e3o e dar mostras da compet\u00eancia profissional.<\/p>\n<p>Na escola, muito frequentemente, ele \u00e9 visto como um \u00e1lbum de fotografias. Eu mesma j\u00e1 vi v\u00e1rios deles, que me s\u00e3o apresentados como um cart\u00e3o de visitas quando vou a uma institui\u00e7\u00e3o pela primeira vez. Vejo pastas repletas de fotos de todos os eventos, calhama\u00e7os de escritos, de relatos, planejamentos de atividades, e muito mais. Isso tudo \u00e9 apresentado com orgulho, o que me faz pensar que ele deve mesmo cumprir alguma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica importante, representando uma esp\u00e9cie de prova ou de testemunho da conquista de um trabalho, como materializa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de um grupo. Sem d\u00favida, h\u00e1 nesses materiais grande carga de afeto.<\/p>\n<p>Eu imagino que produzir esses \u00e1lbuns deva dar aos seus donos uma experi\u00eancia similar aos noivos que organizam seus \u00e1lbuns de casamento ou os slides da lua-de-mel, que depois insistem em mostrar aos amigos para compartilhar as lembran\u00e7as. Como formadora, n\u00e3o deixo de me perguntar:<\/p>\n<ul>\n<li>Qual \u00e9 o objetivo para a elabora\u00e7\u00e3o desse portf\u00f3lio ou dessa colet\u00e2nea de fotos e textos?<\/li>\n<li>Quem s\u00e3o seus interlocutores?<\/li>\n<li>Quem seleciona as imagens e textos? Segundo quais crit\u00e9rios?<\/li>\n<li>Ele \u00e9 individual ou coletivo?<\/li>\n<li>Quando individual, pertence ao professor que o produziu ou \u00e0 escola? O docente pode lev\u00e1lo para casa no fim do ano ou quando muda de emprego?<\/li>\n<li>Os portf\u00f3lios de um trabalho em equipe s\u00e3o constru\u00eddos em grupo? Quem seleciona o conte\u00fado? Como se discutem crit\u00e9rios para a sua organiza\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Quem l\u00ea esse material e o que faz com ele?<\/li>\n<li>Todos os anos organizam-se outros portf\u00f3lios?<\/li>\n<li>O que determina a nova demanda de registro?<\/li>\n<li>Quando se elabora um portf\u00f3lio in\u00e9dito, parte-se dos anteriores?<\/li>\n<li>H\u00e1 uma leitura cr\u00edtica dos j\u00e1 feitos antes de se iniciar a nova empreitada?<\/li>\n<li>O que se faz com os portf\u00f3lios antigos ao longo de anos da institui\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3907\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex3.jpg\" alt=\"avisala_37_reflex3\" width=\"303\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex3.jpg 303w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex3-300x219.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><br \/>\n<strong>Uso reflexivo das imagens<\/strong><br \/>\nPara se propor um trabalho reflexivo n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios muitos recursos nem grandes parafern\u00e1lias tecnol\u00f3gicas. O pouco, selecionado com crit\u00e9rios e inten\u00e7\u00e3o clara, faz mais sentido do que um grande \u00e1lbum com fotos de todo tipo. Para tanto, s\u00e3o fundamentais aspectos que d\u00e3o contexto ao registro e que podem ser \u00fateis na constru\u00e7\u00e3o de metodologias de trabalho.<\/p>\n<p>O primeiro questionamento que se deve fazer \u00e9: O que vamos registrar? Quais s\u00e3o os objetos de aten\u00e7\u00e3o, os que ser\u00e3o mais bem observados e registrados em um dado momento ou por um per\u00edodo? Em outras palavras, o qu\u00ea e para qu\u00ea devemos olhar? A defini\u00e7\u00e3o do objeto \u00e9 \u00fatil para a elei\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio modo de considerar e de registrar. Isso depende da inten\u00e7\u00e3o da pesquisa, do estudo do educador. Por exemplo, se ele quiser lan\u00e7ar um olhar avaliativo sobre o modo como os pequenos est\u00e3o usufruindo dos espa\u00e7os para brincar, ser\u00e1 preciso filmar um mesmo lugar, em v\u00e1rios dias diferentes. Se o enfoque for abrangente, o olhar dever\u00e1 ser mais amplo para todo o ambiente. Por\u00e9m, se ele quiser analisar a qualidade dos objetos oferecidos para a brincadeira, as filmagens dos grandes ambientes pouco ajudar\u00e3o e, nesse caso, muito melhor ser\u00e3o fotografias dos objetos isoladamente, das caixas de brinquedos, das cole\u00e7\u00f5es de bonecas etc.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 definir o que ser\u00e1 registrado e com qual objetivo, e isso vai determinar a tecnologia a ser utilizada. Assim, h\u00e1 quem registre para documentar uma hist\u00f3ria vivida, para guardar a mem\u00f3ria de um grupo. Para esse fim, lan\u00e7a-se m\u00e3o de relatos de experi\u00eancias pessoais, de depoimentos, de fotografias. H\u00e1 quem registre para reconhecer os avan\u00e7os de um grupo de crian\u00e7as, para mostrar seus feitos, tornar p\u00fablico determinados resultados. Os \u00e1lbuns de fotografia e alguns casos de portf\u00f3lio se prestam bem a esses prop\u00f3sitos. Assim, rememorar, mostrar o que se valoriza a algu\u00e9m, mostrar a si ou \u00e0 pr\u00f3pria turma como forma de reconhecimento, considerar ou certificar um feito s\u00e3o alguns prop\u00f3sitos de quem registra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Na forma\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 imprescind\u00edvel que o prop\u00f3sito estimule a problematiza\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do j\u00e1 sabido. O que observar est\u00e1 diretamente relacionado ao para qu\u00ea. Formular previamente as perguntas que se quer responder por meio do olhar atento \u00e9 um exerc\u00edcio bastante \u00fatil na defini\u00e7\u00e3o dos prop\u00f3sitos. Tamb\u00e9m pode ser interessante iluminar uma situa\u00e7\u00e3o para gerar novas quest\u00f5es. Nos dois casos, o fundamental \u00e9 refletir acerca do sentido do que se est\u00e1 fazendo.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3908\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/reflex1.jpg\" alt=\"reflex\" width=\"196\" height=\"268\" \/><br \/>\n<strong>Destinat\u00e1rios, recursos e regularidade<\/strong><br \/>\nOs destinat\u00e1rios j\u00e1 sugerem o tipo de olhar e, portanto, de prop\u00f3sito ao registrar. Pode ser para mostrar, problematizar ou comprovar. Compartilhar o olhar \u00e9 \u00fatil para conhecer outros pontos de vista, novos modos de ser. Por isso, \u00e9 importante pensar criteriosamente nos destinat\u00e1rios desses registros e no modo como eles poder\u00e3o contribuir para a pr\u00e1tica da observa\u00e7\u00e3o. Podemos registrar para pais e amigos da escola, para o coordenador pedag\u00f3gico, para educadores do per\u00edodo complementar que trabalha com a mesma faixa et\u00e1ria no mesmo espa\u00e7o, para parceiros do mesmo turno que atuam com outra turma, em espa\u00e7os diferentes etc.<\/p>\n<p>Definidos o qu\u00ea e para qu\u00ea se pretende acompanhar, em que contextos ser\u00e3o feitas tais observa\u00e7\u00f5es e a quem ser\u00e3o mostradas as produ\u00e7\u00f5es, \u00e9 hora de pensar sobre os recursos mais adequados. Quantas fotos seriam realmente necess\u00e1rias? Se for filmagem, do qu\u00ea e por quanto tempo? Essas defini\u00e7\u00f5es, como parte do planejamento, tamb\u00e9m s\u00e3o \u00fateis para preparar o olhar. Comumente, as respostas \u00e0s perguntas relacionadas a um estudo sobre as crian\u00e7as e suas aprendizagens s\u00e3o bastante trabalhosas, n\u00e3o se resolvem em um epis\u00f3dio espor\u00e1dico, mas exigem que se volte a olhar de forma integral para elas. \u00c9 um acompanhamento curioso e interessado, por exemplo, do que se passa na intera\u00e7\u00e3o dos pequenos: seus movimentos corporais, falas, express\u00f5es faciais, os objetos que manipulam e os locais que ocupam seu posicionamento isolado ou suas parcerias prediletas. Todos esses pontos n\u00e3o s\u00e3o espor\u00e1dicos, mas podem se estender ao longo de certo tempo. Faz parte da forma\u00e7\u00e3o definir por quanto tempo e em que situa\u00e7\u00e3o observa\u00e7\u00f5es e registros ser\u00e3o feitos.<\/p>\n<p><strong>Problematiza\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nComo dar sentido \u00e0 tarefa de registrar para que n\u00e3o se encerre apenas nos limites da mem\u00f3ria? Problematizar \u00e9 o pr\u00f3ximo passo. Muitas vezes, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o insuficientes porque, provavelmente, in\u00fameros aspectos n\u00e3o chamaram a aten\u00e7\u00e3o do professor, n\u00e3o estavam claras para ele. Aqui o papel de um outro parceiro \u00e9 fundamental. Um olhar externo pode ajudar a encontrar a melhor maneira de aperfei\u00e7oar o trabalho. \u00c9 importante olhar a situa\u00e7\u00e3o apresentada, formular perguntas que possam contribuir. Tais registros podem ser \u00fateis como apoio ao estudo de caso, como estrat\u00e9gia de forma\u00e7\u00e3o que requer do leitor o exerc\u00edcio da capacidade de problematizar, de analisar o ocorrido, de pensar sobre as impress\u00f5es e sugest\u00f5es e de tomar consci\u00eancia de suas dimens\u00f5es. \u00c9 uma das ferramentas b\u00e1sicas do pr\u00f3prio processo de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios aspectos a serem considerados. Um deles \u00e9 a pr\u00f3pria vis\u00e3o de crian\u00e7a, de desenvolvimento e de aprendizagem. Pensar sobre o registro permite conhecer o conceito de inf\u00e2ncia, de educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e seu desenvolvimento dentro de seu grupo social e tamb\u00e9m na cultura da institui\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Outro aspecto a ser problematizado \u00e9 a din\u00e2mica das intera\u00e7\u00f5es em uma proposta feita pelo professor, a rela\u00e7\u00e3o entre o que o profissional pensou em seu planejamento \u2013 hip\u00f3tese de trabalho \u2013, o que ocorreu com os pequenos e os elementos que interferiram nessa intera\u00e7\u00e3o (objetos, disposi\u00e7\u00e3o espacial, intera\u00e7\u00f5es, consignas e interven\u00e7\u00f5es).<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-3909\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex1.jpg\" alt=\"avisala_37_reflex1\" width=\"257\" height=\"200\" \/><br \/>\nO que difere as modernas pr\u00e1ticas de registro e de organiza\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos e portf\u00f3lios e as tornam mais ou menos eficientes rumo ao conhecimento \u00e9 o planejamento do trabalho de forma\u00e7\u00e3o que contextualiza e d\u00e1 sentido \u00e0s complexas a\u00e7\u00f5es humanas de observar e de registrar. Pensar em um plano de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para enfocar algumas pr\u00e1ticas educativas, para tomar consci\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem da turma e avaliar os ajustes no planejamento do trabalho pedag\u00f3gico. Para que os recursos visuais sirvam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante elaborar o plano que ser\u00e1 utilizado, sobretudo pelo coordenador pedag\u00f3gico, que deve se perguntar:<\/p>\n<ul>\n<li>Como eu assumo o exerc\u00edcio da observa\u00e7\u00e3o e do registro no meu trabalho profissional?<\/li>\n<li>Como vou propor o mesmo trabalho \u00e0 equipe escolar? Quais, como, para quem e para qu\u00ea?<\/li>\n<li>Quais s\u00e3o os prop\u00f3sitos do exerc\u00edcio disciplinado e regular da observa\u00e7\u00e3o na escola?<\/li>\n<li>Quais s\u00e3o os objetos (coisas ou situa\u00e7\u00f5es) observados e os enfoques utilizados em sua an\u00e1lise nos registros produzidos?<\/li>\n<li>Qual \u00e9 meu objeto de observa\u00e7\u00e3o e meu enfoque ao analisar as produ\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<li>Quem s\u00e3o meus interlocutores? A quem eu confiaria meus registros e com quem eu compartilharia meu olhar?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Feitas as considera\u00e7\u00f5es, encerro o texto n\u00e3o com uma conclus\u00e3o, mas sim com perguntas, a fim de manter um di\u00e1logo depois dessas palavras, uma conversa que nos permita pensar sobre a import\u00e2ncia do registro em nossas vidas. Espero que tais quest\u00f5es estimulem o avan\u00e7o referente ao uso dos instrumentos de observa\u00e7\u00e3o e de registro e alimentem olhares para novos textos e debates.<\/p>\n<p>(Silvana Augusto, assessora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, professora do Instituto Superior de Ensino Vera Cruz, coordenadora do Centro de Estudar Acaia-Sagarana e formadora de professores do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><sup>1<\/sup>Este texto nasceu no Semin\u00e1rio: Observa\u00e7\u00e3o e registro \u2013 instrumentos metodol\u00f3gicos fundamentais, realizado no Sindicato dos Profissionais em Educa\u00e7\u00e3o no Ensino Municipal de S\u00e3o Paulo \u2013 SINPEEM, em 31\/05\/2008. Agrade\u00e7o \u00e0s educadoras Irene Rodenas Marassi, do CEI Penha, e Maria Cec\u00edlia P. Cricelli, da EMEI Jo\u00e3o Mendon\u00e7a Falc\u00e3o, que, pelo relato de suas experi\u00eancias de trabalho, permitiram-me refletir sobre o tema.<br \/>\n<sup>2<\/sup>H\u00e1 v\u00e1rios autores que tratam da constru\u00e7\u00e3o de portf\u00f3lios mas, nesse texto, vamos cercar as pr\u00e1ticas institucionalizadas que envolvem a organiza\u00e7\u00e3o de imagens, textos e demais materiais que servem como mostras do trabalho e ajudam a refazer percursos profissionais.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3910\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_37_reflex5.jpg\" alt=\"avisala_37_reflex5\" width=\"277\" height=\"216\" \/><\/p>\n<h4>Olhar abrangente<\/h4>\n<p>O registro fotogr\u00e1fico \u00e9 dirigido pelo olhar, guiado por uma inten\u00e7\u00e3o formativa. O objetivo pode ser investigar a organiza\u00e7\u00e3o do parque, tendo em vista o melhor uso pelas crian\u00e7as. Nesse caso, o zoom ajuda pouco, melhor \u00e9 um enquadramento abrangente, uma fotografia do ambiente, que permite ver, por exemplo, que:<\/p>\n<ul>\n<li>O espa\u00e7o n\u00e3o quer confinar as crian\u00e7as e, por isso, em vez de muros, oferece telas de prote\u00e7\u00e3o, que permitem que se veja o mundo l\u00e1 fora.<\/li>\n<li>H\u00e1 a possibilidade de brincar \u00e0 sombra e sob o sol e que, portanto, \u00e9 poss\u00edvel pensar em brinquedos para as duas situa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Existe a possibilidade de transformar esse espa\u00e7o a partir de novas alternativas l\u00fadicas com recursos muito simples como, por exemplo, uma corda que atravessa o parque e vira um obst\u00e1culo para quem quiser aventuras perigosas.<\/li>\n<li>Os objetos e as interven\u00e7\u00f5es dos materiais servem como prop\u00f3sito para a aproxima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, cria novas possibilidades de intera\u00e7\u00e3o que podem ser ainda mais aperfei\u00e7oadas se o grupo de educadores da institui\u00e7\u00e3o continuar investigando as possibilidades de brincar nesse ambiente.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Uma imagem diz muito<\/h4>\n<p>Para um estudo das pr\u00e1ticas educativas, n\u00e3o precisamos de um \u00e1lbum completo de fotos. \u00c0s vezes, uma foto resume tudo. A an\u00e1lise dessa imagem, por exemplo, j\u00e1 serviria para pautar uma boa supervis\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o em que se poderia refletir sobre as seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>O que nos faz pensar que essa foto \u00e9 uma cena da brincadeira de faz-de-conta?<\/li>\n<li>Que tipo de materiais s\u00e3o oferecidos?<\/li>\n<li>Por que n\u00e3o h\u00e1, objetos e acess\u00f3rios para brincar com a beleza dos meninos?<\/li>\n<li>Para que tipo f\u00edsico esses pentes e cremes s\u00e3o pensados? S\u00e3o \u00fateis para todos os tipos de cabelo?<\/li>\n<li>Por que os objetos oferecidos s\u00e3o basicamente os industrializados?<\/li>\n<li>O que aconteceria se nessa mesa tamb\u00e9m houvesse an\u00e9is e colares feitos de sementes e de outros materiais naturais, de inspira\u00e7\u00e3o ind\u00edgena?<\/li>\n<li>Sendo de uso coletivo, como cuidar da higiene de cada pe\u00e7a?<\/li>\n<li>Como as crian\u00e7as podem participar de uma poss\u00edvel reorganiza\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o?<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Bem-vindo, mundo!, de Silvia Pereira de Carvalho, Adriana Klisys e Silvana Augusto (orgs.). Ed. Peir\u00f3polis. Tel.: (11) 3816-0699.<\/li>\n<li>Pr\u00e1ticas e teorias na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Ed. novembro de 2008. Publica\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Profissionais em Educa\u00e7\u00e3o Infantil no Ensino Municipal de S\u00e3o Paulo. Tel.: (11) 3329-4500.<\/li>\n<li>Observa\u00e7\u00e3o, registro, reflex\u00e3o: instrumentos metodol\u00f3gicos, de Madalena Freire, F\u00e1tima Camargo, Juliana Davini e Mirian Celeste Martins. Ed. Espa\u00e7o Pedag\u00f3gico. Edi\u00e7\u00e3o esgotada. Dispon\u00edvel em bibliotecas.<\/li>\n<li>Manual de Portf\u00f3lio \u2013 Um guia passo a passo para o professor. Elizabeth Shores &amp; Cathy Grace. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso da imagem para analisar, refletir e observar o trabalho pedag\u00f3gico. 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