{"id":3714,"date":"2008-01-06T02:15:05","date_gmt":"2008-01-06T04:15:05","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3714"},"modified":"2023-03-27T18:51:37","modified_gmt":"2023-03-27T21:51:37","slug":"dinossauros-alimentam-o-brincar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/dinossauros-alimentam-o-brincar\/","title":{"rendered":"Dinossauros alimentam o brincar"},"content":{"rendered":"<h5>Um projeto bem direcionado possibilita a crian\u00e7a desenvolver pensamento investigativo, aprendendo a se perguntar e a procurar respostas<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3715\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos5.jpg\" alt=\"avisala_33_dinos5\" width=\"408\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos5.jpg 408w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos5-300x132.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/p>\n<p>No primeiro semestre t\u00ednhamos em nossa classe alguns dinossauros de brinquedo, e embora n\u00e3o fosse esse o tema dos estudos, perceb\u00edamos que, nas brincadeiras, as crian\u00e7as demonstravam j\u00e1 possuir informa\u00e7\u00f5es sobre esses animais. Integravam esses conhecimentos \u00e0 fic\u00e7\u00e3o, constru\u00edam \u201ccasas\u201d para os dinossauros, havia o pai, a m\u00e3e, o filho; separavam os animais em carn\u00edvoros e herb\u00edvoros, criavam di\u00e1logos. Observ\u00e1vamos, tamb\u00e9m, que elas buscavam entender a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros (atualmente, sabemos que n\u00e3o foram totalmente extintos, pois as aves s\u00e3o seus descendentes), se referiam a seus h\u00e1bitos alimentares, aos diferentes tamanhos e ao ambiente em que viviam.<\/p>\n<p>Quando, naquele semestre, pensamos em uma proposta para o evento do S\u00e1bado de Atividades com os pais do Jardim 2 \u2013 classe em que somos professoras de crian\u00e7as de 5 anos, achamos que a constru\u00e7\u00e3o de um ambiente para os dinossauros na areia seria uma proposta adequada para o nosso grupo. Pensamos que os pais, juntamente com seus filhos, poderiam modelar dinossauros e vulc\u00f5es de argilas al\u00e9m de confeccionar plantas, rios e cachoeiras, criando um ambiente para os dinossauros. O evento aconteceu e deixou marcas. No segundo semestre encontramos os \u201cf\u00f3sseis dos dinos\u201d e iniciamos o projeto.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Tudo junto<\/strong><\/p>\n<p>O registro de um momento de brincadeira com dinossauros no tanque de areia apresentou o seguinte di\u00e1logo:<\/p>\n<p>\u201cTem mais carn\u00edvoro entrando.\u201d \u2013 Pedro.<\/p>\n<p>\u201cEu estava fugindo. Voc\u00ea \u00e9 carn\u00edvoro?\u201d \u2013 Caio.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 herb\u00edvoro.\u201d \u2013 Daniel.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o, n\u00e3o, eu vou comer o outro.\u201d \u2013 Lucas Mattos.<\/p>\n<p>\u201cEmbaixo \u00e9 lava quente. Me cobriu de neve\u201d \u2013 Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>\u201cTava nevando, o sol estava sumindo.\u201d \u2013 Felix.<\/p>\n<p>\u201cO gelo come\u00e7ou a derreter. O meu est\u00e1 descongelando. Sabia que na neve o xixi congela no ar?\u201d \u2013 Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>Como podemos observar, as crian\u00e7as falam sobre a alimenta\u00e7\u00e3o dos dinossauros, e os separam em carn\u00edvoros e herb\u00edvoros, predadores e presas, ou seja, cadeia alimentar e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. N\u00e3o sabem explicar os conceitos, mas quando falam sobre o fim da era dos dinossauros, sabem que com a morte das plantas, os animais herb\u00edvoros foram morrendo e os carn\u00edvoros em seguida, por causa da escassa alimenta\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos questionar, mas crian\u00e7as de 5 anos precisam ter acesso a esses conhecimentos? Pensamos que sim, pois as informa\u00e7\u00f5es enriquecem o brincar, fazem com que reflitam e estabele\u00e7am rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito.<\/p>\n<div id=\"attachment_3716\" style=\"width: 259px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3716\" class=\"size-full wp-image-3716 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos2.jpg\" alt=\"avisala_33_dinos2.jpg\" width=\"249\" height=\"169\" \/><p id=\"caption-attachment-3716\" class=\"wp-caption-text\">Ao brincar de encontrar f\u00f3sseis na areia as criancas integram e misturam os conhecimentos que possuem (Fotos: Hel\u00f4 Pacheco eGabriela Macedo)<\/p><\/div>\n<p><strong>Pesquisar para ampliar conhecimentos<\/strong><\/p>\n<p>Conhecemos o paleont\u00f3logo professor Anelli<sup>1<\/sup>, que fortaleceu nossas reflex\u00f5es sobre o ensino de ci\u00eancias, pois nos falou que o importante era que pus\u00e9ssemos as crian\u00e7as para pensar sobre os dinossauros, para que fizessem rela\u00e7\u00f5es, observassem a natureza, enfim, que desenvolvessem o pensamento investigativo, aprendendo a se perguntar, a procurar respostas, a olhar os eventos mais de perto.<\/p>\n<p>Seguimos essas orienta\u00e7\u00f5es e antes de darmos in\u00edcio ao projeto lemos s o cap\u00edtulo 11, \u201cDesenvolvimento do curr\u00edculo em Reggio Emilia\u201d, do livro As cem linguagens \u2013 que descreve um trabalho de longo prazo sobre dinossauros. Esta leitura ajudou-nos a pensar sobre as etapas, os objetivos e as finalidades deste tipo de projeto. Assim como vimos no projeto desenvolvido na Reggio Emilia, tamb\u00e9m planejamos inici\u00e1-lo expondo os livros de dinossauros sobre as mesas para que as crian\u00e7as os manuseassem e fizessem leitura de imagens, colocando em jogo seus conhecimentos e suas quest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>As primeiras perguntas<\/strong><\/p>\n<p>No momento seguinte fizemos uma roda de conversa e propusemos estudar os dinossauros. Contamos sobre a visita que fizemos ao professor Anelli, na faculdade de Geologia da USP, e depois abordamos os coment\u00e1rios que fizeram a partir das imagens dos livros. Propusemos iniciar nossa pesquisa procurando respostas para algumas perguntas:<\/p>\n<p>\u2013 \u201cComo era o planeta Terra no tempo dos dinossauros?\u201d<\/p>\n<p>Daniel respondeu que era \u201cuma Pangeia\u201d. Caio completou falando que \u201ctudo era verde, as \u00e1rvores eram bem altas e tinha umas flores\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 \u201cQuais os animais que viviam naquela \u00e9poca?\u201d<\/p>\n<p>\u2013 \u201cO que s\u00e3o os paleont\u00f3logos e quais instrumentos usam?\u201d<\/p>\n<p>Dividimos as crian\u00e7as em grupos que buscariam nos livros as respostas para essas quest\u00f5es. Cada grupo registrou suas descobertas e depois apresentou para os outros. As falas s\u00e3o as seguintes:<\/p>\n<p>\u201cOs paleont\u00f3logos pesquisam f\u00f3ssil.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs paleont\u00f3logos usam p\u00e1s para achar os ossos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEles usam uma coisa para enxergar coisas pequenas.\u201d<\/p>\n<p>O microsc\u00f3pio? \u2013 perguntamos. Responderam que sim.<\/p>\n<p>\u201cAs lentes de aumento ajudam os paleont\u00f3logos a enxergar os f\u00f3sseis.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO pescossauro \u00e9 o mais grande do planeta.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO pescossauro pesa mais que cinco pedras grandes.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEles cavam muito e acham osso de qualquer dinossauro.\u201d<\/p>\n<p>\u201cExistiam tigre dente de sabre, ratos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs gavi\u00f5es matavam os r\u00e9pteis, tudo que quiserem de carne.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEra uma pang\u00e9ia. Era todos os continentes juntos.\u201d<\/p>\n<p>E assim por diante.<\/p>\n<div id=\"attachment_3719\" style=\"width: 262px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3719\" class=\"size-full wp-image-3719 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos6.jpg\" alt=\"avisala_33_dinos6\" width=\"252\" height=\"233\" \/><p id=\"caption-attachment-3719\" class=\"wp-caption-text\">A partir da observa\u00e7\u00e3o das transpar\u00eancias, as crian\u00e7as constru\u00edram diferentes representa\u00e7\u00f5es de como era o mundo no tempo dos dinossauros &#8211; As brincadeiras do primeiro semestre deram lugar ao aprofundamento das pesquisas nos livros que as crian\u00e7as trouxeram de casa<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><br \/>\nDespertando a paix\u00e3o por conhecer<\/strong><br \/>\nNessa pesquisa pudemos observar o que sabiam e o que inferiam. Juntavam o mamute e o tigre dente de sabre no mesmo per\u00edodo dos dinossauros. Tinham d\u00favidas se a cobra conviveu com os dinossauros. Atribu\u00edam ao tipo de alimenta\u00e7\u00e3o o tamanho dos animais. Essas perguntas, assim como outras \u2013 como o fim da era dos dinossauros \u2013, foram respondidas ao longo do projeto. Quer\u00edamos que esse projeto deixasse pegadas da paix\u00e3o por ir atr\u00e1s do desconhecido, por revelar o desejo de aprender, de conhecer a hist\u00f3ria do planeta Terra, dos dinossauros e de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Para que essas pegadas ficassem impregnadas nas crian\u00e7as, vivenciamos a \u00e9poca dos dinossauros com intensidade. Assim como fizemos propostas que partiram de nossas reflex\u00f5es, tamb\u00e9m acatamos as sugest\u00f5es das crian\u00e7as. Assistimos a uma fita de v\u00eddeo sobre dinossauros da National Geografic, e ao terminarmos Flora perguntou:<\/p>\n<p>\u201cComo foi filmado, se no tempo dos dinossauros n\u00e3o havia pessoas?\u201d<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o intrigou as crian\u00e7as, ent\u00e3o conversamos sobre como poderia ter sido filmado, falaram sobre os filmes que conheciam, disseram que j\u00e1 haviam assistido a outros de dinossauros, mas que n\u00e3o eram de verdade, porque um tinha gente e o outro havia macaquinhos. Fomos procurando abordar sobre tipos de filmagens, sobre anima\u00e7\u00f5es, para que encontrassem solu\u00e7\u00e3o para a pergunta da Flora.<\/p>\n<p><strong>Novos desdobramentos<\/strong><\/p>\n<p>As crian\u00e7as far\u00e3o um filme sobre o estudo. O desfecho n\u00e3o ser\u00e1 registrado neste artigo, por\u00e9m o entusiasmo que tomou conta de nossos alunos fez com que desenhassem os dinossauros no papel\u00e3o para que fiz\u00e9ssemos as cenas, como no teatro de personagens de vara. Desenharam tamb\u00e9m no pl\u00e1stico e projetamos na parede com o aux\u00edlio do retro-projetor, para que observassem a amplia\u00e7\u00e3o do desenho.<\/p>\n<p>Com essas imagens refletimos sobre a propor\u00e7\u00e3o do desenho de um dinossauro para o outro, pois j\u00e1 sabem que o Diplodocus, mais conhecido como pesco\u00e7udo, era o maior dos dinossauros, portanto, no filme, n\u00e3o poder\u00e1 aparecer um inseto maior que esse animal. Esse conhecimento em rela\u00e7\u00e3o a grandezas foi adquirido ao folhearmos os livros, ao conversarmos sobre o tamanho dos dinossauros e ao utilizarmos uma fita que trazia a medida de alguns deles, da ponta do rabo \u00e0 ponta da cabe\u00e7a. Depois de estend\u00ea-la, as crian\u00e7as deitaram ao lado dela, apoiando o p\u00e9 de uma na cabe\u00e7a da outra.<\/p>\n<p>Precisamos juntar vinte e uma crian\u00e7as para dar o comprimento do Diplodocus! Ossos, f\u00f3sseis e r\u00e9plicas Um dia, trouxeram ossos de vaca, no outro de galinha, depois vieram as r\u00e9plicas dos ossos do Tiranossauro-rex, da cole\u00e7\u00e3o publicada por uma editora de revista. Nesse dia, brincamos de sermos paleont\u00f3logos, algumas crian\u00e7as escondiam as r\u00e9plicas e outras as procuravam. A conversa sobre r\u00e9plica se deu quando falamos que o professor Anelli coordenava uma oficina de r\u00e9plica na faculdade de Geologia. Ningu\u00e9m sabia o que era. Contamos que nas exposi\u00e7\u00f5es de dinossauros a maior parte era r\u00e9plica, na qual os ossos s\u00e3o reproduzidos buscando uma semelhan\u00e7a informada pela pesquisa. Coincidentemente, nesse mesmo dia, o professor de esportes da escola pediu para que as crian\u00e7as falassem das oficinas que conheciam. Caio perguntou se poderia ser oficina de dinossauros. Como vemos, os dinossauros fizeram parte do nosso cotidiano: ora as crian\u00e7as traziam esqueletos e ossos, ora criavam imagens e brincadeiras.<\/p>\n<p>Os livros de dinossauros da classe passaram a ser objetos de desejo da biblioteca circulante. Algumas crian\u00e7as traziam os seus de casa para compartilhar a leitura com os colegas. Bebel trouxe sua cole\u00e7\u00e3o de miniaturas de animais da \u00e9poca dos dinossauros para brincarem e com base nesses brinquedos defendeu a id\u00e9ia de que as cobras conviveram com os dinossauros. Daniel juntava as informa\u00e7\u00f5es dos jornais e criava o seu \u201cjornal dos dinos\u201d, desenhava, pintava e ditava os textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Um dia propusemos desenho de observa\u00e7\u00e3o dos dinossauros de brinquedo. A partir da\u00ed, as crian\u00e7as os traziam para o canto de desenho. Fizeram tamb\u00e9m um jogo de mem\u00f3ria de dinossauros e constru\u00edmos uma linha do tempo ilustrada. O ponto alto de nosso projeto foi a ida ao museu de Geologia, todos estavam na maior expectativa. J\u00e1 hav\u00edamos trocado correspond\u00eancia por e-mail com o professor Anelli, e feito algumas perguntas que foram respondidas com muita aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3720\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos4.jpg\" alt=\"avisala_33_dinos4\" width=\"318\" height=\"128\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos4.jpg 318w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos4-300x120.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><br \/>\n<strong>Ao vivo e a cores<\/strong><\/p>\n<p>Antes da visita ao museu conversamos com as crian\u00e7as sobre a postura que ter\u00edamos nesse espa\u00e7o e tamb\u00e9m sobre as perguntas que far\u00edamos quando encontr\u00e1ssemos com o professor Anelli. Listamos algumas:<\/p>\n<p>Por que os dinossauros eram t\u00e3o grandes?<\/p>\n<p>Como os dinossauros apareceram?<\/p>\n<p>Os dinossauros cuidavam dos filhotes?<\/p>\n<p>Havia cobra no tempo dos dinossauros?<\/p>\n<p>Durante a conversa as crian\u00e7as foram instigadas a pensar sobre suas perguntas e riam com as respostas. Ficaram maravilhadas com a r\u00e9plica do Alossauro. Depois, o diretor do museu, o professor Idevaldo, fez propostas para as crian\u00e7as, conversamos sobre meteoro, ao observarmos um meteorito, imitaram o caminhar do Alossauro e entraram na cabe\u00e7a dele. Viram outras r\u00e9plicas, observaram o cartaz com a linha do tempo dos dinossauros, localizados nos per\u00edodos.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as adoraram a visita, pois foi planejada para a faixa et\u00e1ria e de acordo com o estudo realizado na sala de aula. Ao finalizarmos elas desenharam, representando o que haviam vivido, e depois fizemos uma roda de conversa. Dias depois pudemos observar o impacto da visita. Em uma brincadeira, organizaram todos os dinossauros e falaram que era um museu. Assim, brincando e aprendendo as crian\u00e7as de 5 anos demonstram que as informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas s\u00e3o poderosos motores para o brincar.<\/p>\n<p>(Hel\u00f4 Pacheco, artista pl\u00e1stica, professora na Escola Vera Cruz em S\u00e3o Paulo \u2013 SP e formadora do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Luiz Eduardo Anelli \u00e9 professor de geologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3721\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos1.jpg\" alt=\"avisala_33_dinos1\" width=\"253\" height=\"295\" \/><\/p>\n<h4>E-mail para l\u00e1 e para c\u00e1<\/h4>\n<p>Oi, Professor Anelli,<\/p>\n<p>N\u00f3s queremos saber algumas coisas:<\/p>\n<p><strong>Existia flor na \u00e9poca dos dinossauros?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, muitas. Nem tantas quanto hoje. As flores mais comuns eram parecidas com as flores das magn\u00f3lias que ainda existem por a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00eas montam o esqueleto de dinossauro sem que ele caia? <\/strong><\/p>\n<p>Por que voc\u00ea consegue ficar em p\u00e9? N\u00e3o \u00e9 por que voc\u00ea tem um esqueleto? Da mesma forma, o esqueleto do dinossauro tem um esqueleto de ferro que passa por dentro dos ossos, mantendo-o em p\u00e9.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 verdade que na \u00e9poca dos dinossauros tinha muito sol e era muito quente?<\/strong><\/p>\n<p>O Sol era quase o mesmo, talvez s\u00f3 um pouco mais forte. O que fazia a diferen\u00e7a \u00e9 que o efeito estufa era mais forte, pois existia mais g\u00e1s carb\u00f4nico no ar. Se o homem continuar poluindo o ar com fuma\u00e7a dos carros e das f\u00e1bricas, e cortando as \u00e1rvores, vai sentir na pele o calor que os dinossauros sentiam.<\/p>\n<p><strong>Como que caiu o meteoro? Eram v\u00e1rios meteoros? Eles ca\u00edram na \u00e1gua, na terra ou no vulc\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Os meteoros s\u00e3o atra\u00eddos pela for\u00e7a da gravidade da Terra, uma for\u00e7a n\u00e3o muito simples para compreender. Tente responder: \u2013 Por que quando voc\u00ea pula, voc\u00ea volta para o ch\u00e3o? Porque a Terra tem uma for\u00e7a que te atrai de volta para ela: a for\u00e7a da gravidade. Assim tamb\u00e9m quando um aster\u00f3ide passa por perto, a Terra o atrai para sua superf\u00edcie e eles caem na Terra. Por isso tamb\u00e9m a Lua est\u00e1 presa perto da Terra, e a Terra do Sol, e o Sol da&#8230; ah, deixa para l\u00e1. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s os cientistas acreditavam que foi um \u00fanico aster\u00f3ide. Mas agora acreditam que foram v\u00e1rios peda\u00e7os grandes de um meteoro que se espatifou no espa\u00e7o em uma grande trombada com outro aster\u00f3ide. Quando passavam perto da Terra, foram atra\u00eddos pela for\u00e7a da gravidade e ca\u00edram aqui. Um destes caiu no mar, perto do M\u00e9xico. Sua cratera tem 170 km de comprimento, mais ou menos a dist\u00e2ncia de S\u00e3o Paulo at\u00e9 Campinas.<\/p>\n<p><strong>Se ele caiu na \u00e1gua fez uma onda gigante?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Fez uma onda que os cientistas acreditam que media 100 metros de altura!<\/p>\n<p><strong>Existia morcego naquela \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, mas ainda n\u00e3o encontraram os seus f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><strong>O Caio acha que n\u00e3o porque o morcego tem p\u00ealo e naquela \u00e9poca s\u00f3 existia pele de couro.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c3h, \u00e3h. J\u00e1 existia p\u00ealo desde quando os primeiros dinossauros passaram a existir, 220 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. P\u00ealo \u00e9 uma coisa t\u00e3o antiga quanto dinossauro.<\/p>\n<p><strong>Anelli, qual \u00e9 o dia que voc\u00ea est\u00e1 a\u00ed na USP, no museu de Geologia, e que poder\u00edamos encontrar com voc\u00ea? Onde voc\u00ea estar\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Segunda n\u00e3o \u00e9 um bom dia para mim. Tente marcar com o Diretor do Museu, o Sr. Ideval, um dia de ter\u00e7a a sexta, e a\u00ed eu converso com voc\u00eas por 1 hora.<\/p>\n<p>Obrigado por voc\u00ea nos emprestar as fitas do comprimento dos dinos, a mochila e o livro.<\/p>\n<p>Tchau<\/p>\n<p>Caio, Lu\u00eds, Bebel, Bibi, Maria Maia, Maria Pandel\u00f3, Pedro, Lucas Teixeira, Lucas Mattos, Daniel, Jade, Giulia, Flora, Vitor, Miguel, Jo\u00e3o, Felix, Ant\u00f4nio, Gabi e Hel\u00f4.<\/p>\n<div id=\"attachment_3722\" style=\"width: 289px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3722\" class=\"size-full wp-image-3722 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/avisala_33_dinos7.jpg\" alt=\"avisala_33_dinos7.jpg\" width=\"279\" height=\"172\" \/><p id=\"caption-attachment-3722\" class=\"wp-caption-text\">Muita pesquisa e propostas desafiantes despertaram<br \/>a curiosidade e o interesse das criancas pelos livros<\/p><\/div>\n<h4>import\u00e2ncia de uma cole\u00e7\u00e3o de r\u00e9plicas de f\u00f3sseis<\/h4>\n<p>F\u00f3sseis s\u00e3o raros na natureza. Dependendo da \u00e1rea geogr\u00e1fica em que uma cidade ou pa\u00eds esteja, as rochas sobre a qual se encontra podem ou n\u00e3o conter f\u00f3sseis. O Brasil, se considerarmos sua grande extens\u00e3o geogr\u00e1fica e o fato de conter diversas bacias sedimentares (\u00e1reas onde s\u00e3o depositadas as rochas sedimentares nas quais os f\u00f3sseis normalmente ocorrem), \u00e9 um pa\u00eds relativamente pobre em f\u00f3sseis. Sendo assim, a Oficina de R\u00e9plicas, ligada ao Museu de Geoci\u00eancias e ao Laborat\u00f3rio de Paleontologia Sistem\u00e1tica do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental \u2013 IG\/USP, preparou uma cole\u00e7\u00e3o de r\u00e9plicas de f\u00f3sseis para atender \u00e0 grande car\u00eancia de material paleontol\u00f3gico nas escolas de segundo grau e universidades.<\/p>\n<p>A cole\u00e7\u00e3o O passado em suas m\u00e3os \u00e9 composta por 27 pe\u00e7as, sendo 24 r\u00e9plicas e 3 r\u00e9plicas art\u00edsticas em gesso de f\u00f3sseis de animais, planta s e estruturas. Acompanha esta cole\u00e7\u00e3o um guia com textos b\u00e1sicos sobre paleontologia, ilustrado com reconstru\u00e7\u00f5es dos animais em vida, partes morfol\u00f3gicas importantes e question\u00e1rios para sala de aulas ou exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Cole\u00e7\u00e3o O passado em suas m\u00e3os \u2013 oficina de r\u00e9plicas. EDUSP Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 Instituto de Geoci\u00eancias \u2013 Oficina de R\u00e9plicas &#8211; Contatos e informa\u00e7\u00f5es: Tel: (11) 3091-4123\u2013 Site: http:\/\/www2.igc.usp.br\/replicas\u2013 email: replicas@edu.usp.br<\/p>\n<div id=\"attachment_3723\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3723\" class=\"size-full wp-image-3723 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/dinos.jpg\" alt=\"dinos.jpg\" width=\"508\" height=\"114\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/dinos.jpg 508w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/dinos-300x67.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 508px) 100vw, 508px\" \/><p id=\"caption-attachment-3723\" class=\"wp-caption-text\">Entrada do Museu de Geologia da USP (foto da esquerda). Fazendo uso de uma fita, com a medida de um dinossauro, as crian\u00e7as<br \/>aprofundaram os conhecimentos pr\u00e9vios que tinham sobre tamanho e propor\u00e7\u00e3o (foto do centro). Ao observar r\u00e9plicas dos dentes dos dinossauros, as crian\u00e7as relacionavam o tamanho da denti\u00e7\u00e3o com o tipo de comida que os humanos ingerem hoje (foto da direita)<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Escola Vera Cruz &#8211; Rua Da Elisa de Moraes Mendes, 784 &#8211; S\u00e3o Paulo SP \u2013 CEP: 05449-001 &#8211; Tel.: (11) 3021 2050<br \/>\nEducadora: Hel\u00f4 Pacheco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um projeto bem direcionado possibilita a crian\u00e7a desenvolver pensamento investigativo, aprendendo a se perguntar e a procurar respostas. 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