{"id":356,"date":"2000-04-16T17:14:41","date_gmt":"2000-04-16T20:14:41","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=356"},"modified":"2023-03-27T10:22:29","modified_gmt":"2023-03-27T13:22:29","slug":"o-que-e-que-a-nossa-cidade-tem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/o-que-e-que-a-nossa-cidade-tem\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 que a nossa cidade tem"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Arquitetura, hist\u00f3ria e arte do Embu<\/strong><\/h4>\n<h5>Conhecer a hist\u00f3ria da cidade onde vivemos para saber mais sobre nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e a de nossas fam\u00edlias \u2013 essa foi uma das inten\u00e7\u00f5es que deram origem a um interessante projeto no Embu. Crian\u00e7as de 4 a 6 anos puderam recontar a hist\u00f3ria de sua cidade a partir de fotos, produ\u00e7\u00f5es de desenhos, da arquitetura e do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, marcos e acontecimentos importantes que projetaram o nome Embu das Artes. Como resultado, um guia feito por eles pr\u00f3prios, com dicas para quem quer conhecer o centro tur\u00edstico.<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Existe uma cidade pr\u00f3xima a S\u00e3o Paulo, muito famosa por sua feira de artes e antiguidades, conhecida por Embu das Artes. Durante quatro meses, trabalhei l\u00e1, duas vezes por m\u00eas, na creche Santa Luzia, onde convivi com algumas das crian\u00e7as e suas educadoras.<br \/>\nComo professora de apoio, meu desafio era desenvolver um projeto compartilhado com crian\u00e7as e educadoras, mostrando uma pr\u00e1tica que podia servir como refer\u00eancia para o trabalho com a faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>As educadoras sabiam muitas coisas e j\u00e1 tinham uma id\u00e9ia sobre o que queriam trabalhar com as crian\u00e7as. Trataram, ent\u00e3o, de esbo\u00e7ar o projeto do semestre: &#8220;Hist\u00f3ria do Embu&#8221;, foi o que sugeriram. Margit, a coordenadora pedag\u00f3gica, separou bastante material e trouxe id\u00e9ias de como poderiam desenvolver o trabalho. Ela pensava em trabalhar a hist\u00f3ria da cidade relacionando as hist\u00f3rias das fam\u00edlias das crian\u00e7as, visitas a lugares tur\u00edsticos, etc. Ela e Ana, a educadora da sala, emprestaram-me alguns folhetos e informativos para que eu soubesse um pouco mais sobre a cidade. Sugeri que fossem pensando num produto final interessante, que contemplasse os conte\u00fados por elas determinados e, ao mesmo tempo, discutissem como \u00e9 a vida numa cidade tur\u00edstica.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de um guia tur\u00edstico foi surgindo no nosso horizonte como um interessante objetivo que atenderia a nossas inten\u00e7\u00f5es de trabalho com as crian\u00e7as. A partir da\u00ed, Margit e Ana montaram esse projeto praticamente sozinhas. Eu orientava cada etapa, acompanhava, discutia, avaliava e me encantava com as conquistas das crian\u00e7as, sempre registrando tudo. S\u00e3o esses registros que agora divido com os leitores de Avisa l\u00e1.<\/p>\n<div id=\"attachment_362\" style=\"width: 213px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-362\" class=\"size-full wp-image-362\" title=\"avisala_03_tempo2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo2.jpg\" alt=\"desenho de crian\u00e7a - embu\" width=\"203\" height=\"331\" \/><p id=\"caption-attachment-362\" class=\"wp-caption-text\">Lenda do \u00cdndio<br \/>&#8220;O padre ia fundar uma aldeia de jesu\u00edtas, ele viu que estava pisando numa terra que era areia movedi\u00e7a. O \u00edndio salvou ele e levou para casa dele e a\u00ed o \u00edndio foi pegar a \u00e1gua e ele morreu por uma cobra. A\u00ed a mulher falou assim do padre: meu marido sumiu um temp\u00e3o, a\u00ed eles foram procurar, a\u00ed ele viu ele morto, enrolado numa cobra. O padre levou ele, enterrou e fez uma capela, Santa Senhora do Ros\u00e1rio. E depois fez uma igreja. M, Boi ficou o nome da aldeia.&#8221;<br \/>(narrada pelas crian\u00e7as da creche Santa Luzia)<\/p><\/div>\n<p><strong>O in\u00edcio do trabalho <\/strong><\/p>\n<p>Introduzi o tema do projeto para as crian\u00e7as numa roda em que puderam ler alguns livros sobre a hist\u00f3ria da cidade e conversar sobre eles. Para ampliar os conhecimentos que j\u00e1 tinham, li uma hist\u00f3ria que mistura aspectos hist\u00f3ricos como a entrada dos bandeirantes pelo interior e as expedi\u00e7\u00f5es portuguesas, relatos folcl\u00f3ricos como o encontro com cobras e aventuras com \u00edndios. Elas ouviram atentas e discutiram sobre a descoberta do Brasil, as viagens dos portugueses, etc. Cada grupo registrou sua &#8220;cena&#8221; ou hist\u00f3ria num desenho coletivo e apresentou aos demais colegas. Adoraram as caravelas portuguesas, as guerras com os \u00edndios e outras aventuras. Mostrei tamb\u00e9m alguns guias e mapas tur\u00edsticos de outras cidades que j\u00e1 havia visitado, tematizando com eles a import\u00e2ncia e o uso deste portador. Interessados pelo material, logo se organizaram em grupos para explor\u00e1-lo mais.<\/p>\n<p><strong>Descobrindo o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Margit descobriu um roteiro para ver os pr\u00e9dios tombados no Embu e optou por inclu\u00ed-los no projeto. As crian\u00e7as j\u00e1 tinham id\u00e9ias sobre o que \u00e9 patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. Conversando, disseram muitas coisas que ajudaram na forma\u00e7\u00e3o desse conceito:<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um lugar da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um lugar onde aconteceu hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um museu, igual do Embu.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 uma est\u00e1tua.<\/p>\n<p>\u2013 Pode ser pra\u00e7a ou rua tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um lugar que n\u00e3o pode destruir, nem estragar, nem pichar.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um lugar especial.<\/p>\n<p>\u2013 E, se estragar, ningu\u00e9m mais sabe como foi a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Propus que o grupo selecionasse imagens de revistas que pudessem ser consideradas patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e depois cada grupo mostraria as imagens selecionadas e justificaria por que escolheu essas para serem tombadas. Foi muito divertido. A princ\u00edpio as crian\u00e7as dispersavam-se com outras imagens, algumas ainda titubeavam sobre o que realmente deveria ser tombado\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Olha! Achei o Ratinho! Ser\u00e1 que o Ratinho serve? \u2013 disse uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2013 Claro que n\u00e3o, o Ratinho n\u00e3o \u00e9 museu! \u2013 respondeu o amigo.<\/p>\n<p>\u2013 Mas \u00e9 famoso! \u2013 argumentou para defender sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Ele bate de porrete, \u00e9 brav\u00e3o \u2013 acrescentou uma outra crian\u00e7a que ouvia o papo.<\/p>\n<p>\u2013 Pergunta pra Dani se pode \u2013 perguntou o amigo insistindo, inquieto.<\/p>\n<p>\u2013 Pode Ratinho, Dani?<\/p>\n<p>\u2013 O que voc\u00eas acham? \u2013 respondi, devolvendo a quest\u00e3o ao grupo.<\/p>\n<p>\u2013 Eu acho que ele n\u00e3o \u00e9 antigo nada! \u00c9 uma pessoa!<br \/>\n\u2013 disse a outra, entrando na roda.<\/p>\n<p>\u2013 Mas, se n\u00e3o pode destruir, serve o Ratinho\u2026\u2013 retrucou de novo, insistindo na sua id\u00e9ia.\u2013 Ningu\u00e9m vai destruir ele!<\/p>\n<p>Um outro grupo titubeou diante da torre Eiffel. J\u00e1 o grupo que via a mans\u00e3o da fam\u00edlia Safra nem vacilou:<\/p>\n<p>\u2013 Olha! Esse castelo vai pro patrim\u00f4nio, n\u00e9!<\/p>\n<p>\u2013 Vai, claro que vai!<\/p>\n<p>\u2013 Mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o velho \u2026<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o interessa! \u00c9 importante! Deve ter alguma hist\u00f3ria desse castelo.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as que estudaram uma foto do Rio de Janeiro com muitas casinhas populares e favelas disseram, num esfor\u00e7o de usar o conceito de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico como foi concebido, que aquilo era o bairro de Santa Luzia e que tinha que ir para o patrim\u00f4nio porque era &#8220;a hist\u00f3ria da gente e que a gente ia ficar sem casa se estragasse&#8221;.<br \/>\nPor fim, o grupo escolheu uma propaganda de S\u00e3o Paulo, ouvi umas crian\u00e7as dizendo:<\/p>\n<p>\u2013 Ai que lindo esse meu museu!<br \/>\n\u2013 Esse \u00e9 o campe\u00e3o!<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 todo pintado! Parece que \u00e9 novo mas \u00e9 meio velho.<\/p>\n<div id=\"attachment_363\" style=\"width: 238px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-363\" class=\"size-full wp-image-363\" title=\"avisala_03_tempo4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo4.jpg\" alt=\"Museu do Embu\" width=\"228\" height=\"159\" \/><p id=\"caption-attachment-363\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Museu: n\u00e3o pode andar depressa no museu. Tem dia certo para ser aberto. N\u00e3o pode tocar nas coisas porque elas s\u00e3o velhinhas e quebram.&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Para explicar a pol\u00eamica do &#8220;velho-novo&#8221;, disseram que era um pr\u00e9dio velho que tinha ficado por muitos anos coberto por um pl\u00e1stico, igual carro novo, e por isso n\u00e3o tinha estragado. Depois de muita discuss\u00e3o chegou-se \u00e0 id\u00e9ia de uma reforma. Ent\u00e3o perguntaram:<br \/>\n\u2013 Mas, se era importante, por que estragaram? \u2013 perguntaram intrigados, abrindo outra discuss\u00e3o, muito pertinente ali\u00e1s!<\/p>\n<p><strong>Discuss\u00e3o e montagem da maquete do Embu<\/strong><\/p>\n<p>As crian\u00e7as fizeram tamb\u00e9m listas de tudo o que deveria ser posto na maquete antiga e na atual, discutindo cada item e argumentando. Na verdade, os pr\u00e9dios atuais n\u00e3o entravam tanto em discuss\u00e3o, pois tinham sido fotografados. J\u00e1 os antigos&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Vai ter padaria? \u2013 comecei perguntando.<\/p>\n<p>\u2013 Tem hoje, a gente viu, mas antigamente n\u00e3o tinha, sabe por qu\u00ea?<br \/>\nPorque as pessoas faziam p\u00e3o caseiro! Em casa! Sabia? E nem era em forno comum, n\u00e3o! Era em forno a lenha! Os portugueses trouxeram muitas comidas deles pro Embu: bacalhau, p\u00e3o, churrasco\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Churrasco, n\u00e3o! Ele veio l\u00e1 da terra da Margit! N\u00e9? Do Sul!<\/p>\n<p>\u2013 E banco, ser\u00e1 que vai ter nessa maquete?<\/p>\n<p>\u2013 Tinha antes e ainda tem, porque sempre teve bandido e o dinheiro tem que ficar guardado. Mas antes tinha um s\u00f3, que ainda existe e ele chamava BANCO. Hoje tem muitos e eles t\u00eam um nome deles, al\u00e9m de ser banco, como Ita\u00fa, Banespa, Caixa\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Restaurante!<br \/>\n\u2013 A gente ainda n\u00e3o sabe se tinha antes, mas muitas casas antigas viraram restaurante hoje l\u00e1 no centro. Porque as pessoas querem saber como era antes, igual a gente\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Posto de gasolina, ser\u00e1?<\/p>\n<p>\u2013 Claro que n\u00e3o tinha! Nem existia carro!<br \/>\nTinha era lugar para dar \u00e1gua para os cavalos e para as carro\u00e7as\u2026 Hoje tem posto porque tem muito caminh\u00e3o que passa aqui no Embu\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Antes passava bandeirante e hoje passa caminh\u00e3o\u2026E motorista.<\/p>\n<p>\u2013 Que tal loja de carro?<\/p>\n<p>\u2013 Tamb\u00e9m n\u00e3o tinha! S\u00f3 se fosse loja de sela de cavalo\u2026<\/p>\n<p>\u2013 E loja de m\u00f3veis?<\/p>\n<p>\u2013 Tem uma que o dono falou que \u00e9 bem antiga \u2026<br \/>\nFaziam cama, cadeira e outras coisas pra p\u00f4r nas casas dos portugueses. S\u00f3 eles tinham dinheiro pra comprar\u2026 Os \u00edndios sentavam no ch\u00e3o l\u00e1 da cabana deles.<\/p>\n<p>\u2013 Igreja\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Os jesu\u00edtas constru\u00edram e virou museu.<br \/>\nHoje existem outras igrejas tamb\u00e9m, que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o antigas e nem t\u00eam padre, s\u00f3 pastor&#8230; As igrejas dos jesu\u00edtas s\u00e3o mais bonitas porque t\u00eam santos e parede pintada\u2026<\/p>\n<div id=\"attachment_364\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-364\" class=\"size-full wp-image-364\" title=\"avisala_03_tempo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo1.jpg\" alt=\"Desenho de crian\u00e7a - Embu\" width=\"300\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo1.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-364\" class=\"wp-caption-text\">Lenda da porca e seus leit\u00f5es<br \/>&#8220;Existia no Embu uma porca com quarenta tetas, acompanhada de quarenta leit\u00f5es. Ela aparecia toda sexta-feira, depois da meia-noite. Ela tinha namorado com um padre e os leit\u00f5es eram os pecados: para cada um, uma teta da porca.&#8221;<br \/>(narrada pelas crian\u00e7as da creche Santa Luzia)<\/p><\/div>\n<p><strong>As crian\u00e7as pensam sobre a escrita<\/strong><\/p>\n<p>Como \u00e9 gostoso trabalhar na creche Santa Luzia! Ana e Tati, as educadoras, s\u00e3o especiais, e as crian\u00e7as, encantadoras! Cada id\u00e9ia! Fazem coloca\u00e7\u00f5es muito cuidadosas. O contato com os textos que liam mobilizou todo o grupo para a reflex\u00e3o sobre a escrita. As crian\u00e7as tinham muitas quest\u00f5es que permeavam o cotidiano do grupo. Rafael e Reila, praticamente alfabetizados, ajudavam os colegas, explicando suas descobertas. Rafa, ocupando um lugar mais valorizado no grupo, mudou<br \/>\nsua atitude, mostrando-se mais colaborativo, participativo em todas as atividades. Margit acha que isso aconteceu e que ele aprendeu a ler e a escrever porque demos esse espa\u00e7o a ele. Pode ser!<\/p>\n<p>Trabalhamos mais um pouco na maquete do &#8220;Centro Hist\u00f3rico do Embu&#8221;, que est\u00e1 ficando linda! Tem servido como ponto de partida para muitas compara\u00e7\u00f5es. Ela tem duas vers\u00f5es: a antiga e a nova. Hoje dever\u00edamos legendar e montar as ruas que faltavam. Numa de nossas conversas, surgiu uma discuss\u00e3o interessante: ser\u00e1 que os &#8220;antigos&#8221; sabiam ler?<\/p>\n<p>\u2013 Os \u00edndios com certeza n\u00e3o, porque eles desenhavam tudo! \u2013 disse Andreza.<\/p>\n<p>\u2013 Mas acho que os portugueses sabiam\u2026 \u2013 arriscou Ingrid, indecisa.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 porque eles liam mapas\u2026 \u2013 justificou J\u00e9ssica Oliveira.<\/p>\n<p>\u2013 Mas eu sei ler mapa e n\u00e3o sei ler palavras \u2013 disse Lucas C.<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o como voc\u00ea faz? \u2013 quis saber Jeferson.<\/p>\n<p>\u2013 Ah, eu olho, vejo se tem algum desenho, algum rio\u2026 \u2013 respondeu Lucas com desenvoltura.<\/p>\n<p>\u2013 Isso n\u00e3o \u00e9 ler! \u2013 reclamou Andreza.<\/p>\n<p>\u2013 E o que \u00e9 ler? \u2013 perguntei ent\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Ler \u00e9 saber tudo! Assim, o que quer dizer o A, o B, o C\u2026Quando a gente foi tirar as fotos para a maquete, o Rafa leu FIAT, e todo mundo sabia que<br \/>\nestava escrito fiat porque \u00e9 quase um desenho\u2026como chama mesmo? \u2013 tentou explicar Lucas.<\/p>\n<p>\u2013 S\u00edmbolo! \u2013 ajudou J\u00e9ssica D.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9! Mas da\u00ed ele leu ETRUSCA, que \u00e9 o nome daquela Fiat, s\u00f3 daquela! Ele sabia o que estava escrito, o que aquelas letras queriam dizer\u2026 \u2013<br \/>\ncomentou Lucas novamente.<\/p>\n<p>\u2013 Ah, e como elas se combinam para formar palavras? \u2013 pergunto mais uma vez.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 isso! Porque a gente sabe que as letras podem estar em um monte de nomes\u2026 Andreza come\u00e7a com A, Ana come\u00e7a com A, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma palavra\u2026 \u2013 explicou J\u00e9ssica D.<\/p>\n<p>\u2013 Porque Ana \u00e9 curto\u2026 \u2013 disse Lucas.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o \u00e9 por isso! \u00c9 porque tem outras letras\u2026<\/p>\n<p>E assim cada um deu sua opini\u00e3o sobre a leitura de Rafa, muito comemorada por Ana, Tati e Margit.<\/p>\n<p><strong>A leitura de guias<\/strong><\/p>\n<p>Hoje levei muitos guias de diversos lugares para dar refer\u00eancias ao nosso. Foi uma festa! Todo mundo queria pegar, olhar, mexer&#8230; o mais engra\u00e7ado \u00e9 que as crian\u00e7as come\u00e7aram a encontrar imagens familiares:<\/p>\n<p>\u2013 Olha a Est\u00e1tua da Liberdade!<\/p>\n<p>\u2013 Olha o Coliseu!<\/p>\n<p>\u2013 Dani, onde \u00e9 essa rua?<br \/>\n\u2013 Tem \u00f4nibus de dois andares!<\/p>\n<p>Conversamos sobre as partes do guia: origem das cidades, mapas, hot\u00e9is, pontos tur\u00edsticos, restaurantes, compras, dicas\u2026 Eles queriam partir direto para esta \u00faltima parte porque eu havia dito que s\u00f3 pode dar uma dica quem conhece muito bem o lugar do qual est\u00e1 falando. Lemos partes do guia &#8220;Por dentro de Nova York&#8221;, de K\u00e1tia Zero, e foi muito divertido. Eles riram porque estava escrito que os nova-iorquinos costumam catar o coc\u00f4 do cachorro na rua para manter a cidade limpa. Gisele e Michele, duas crian\u00e7as interessadas na Est\u00e1tua da Liberdade, diziam:<\/p>\n<p>\u2013 L\u00ea da est\u00e1tua! A gente quer saber como faz para ir para a est\u00e1tua!<\/p>\n<p>\u2013 Tem que pegar barco, fica numa pequena ilha para onde iam os imigrantes\u2026 Todos ouviram a leitura, interessados \u2013 Custa US$ 12, 00.<\/p>\n<p>\u2013 Nossa! Que caro! \u2013 disse Jo\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>\u2013 A patroa da minha m\u00e3e deu pra ela um d\u00f3lar e falou que era muito! Que n\u00e3o podia gastar porque era da sorte! Como algu\u00e9m vai gastar US$ 12 pra ver essa est\u00e1tua?<\/p>\n<p>\u2013 Mas \u00e9 do patrim\u00f4nio! \u2013 defendia Gisele.<\/p>\n<p>\u2013 A gente foi no museu de gra\u00e7a aqui no Embu\u2026<\/p>\n<p><strong>A composi\u00e7\u00e3o do nosso guia<\/strong><\/p>\n<p>Conclu\u00edda nossa &#8220;viagem sem sair do lugar&#8221;, levantamos com as crian\u00e7as as se\u00e7\u00f5es que um guia tem e decidimos juntos, depois de muita discuss\u00e3o, as partes que comporiam o nosso Guia do Embu. Dividimos a turma toda em grupos menores com a tarefa de pensarem caminhos, monumentos e pontos hist\u00f3ricos, lendas e hist\u00f3rias, pontos tur\u00edsticos e &#8220;dicas&#8221;. As crian\u00e7as queriam falar o que sabiam sobre a se\u00e7\u00e3o escolhida, na maior pressa. Nem consegu\u00edamos anotar tudo! Margit ent\u00e3o sugeriu que grav\u00e1ssemos os relatos em cassete para que, mais tarde, os grupos pudessem ouvir e decidir o que gostariam de ilustrar e de escrever no guia.<br \/>\nAs crian\u00e7as, empenhadas em registrar tudo, capricharam nos desenhos. Alguns at\u00e9 ampliaram um pouco as fronteiras desenhando a Est\u00e1tua da Liberdade, Torre Eiffel e outros monumentos tombados pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico !!<\/p>\n<p>O projeto chegou ao fim com a sistematiza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos das crian\u00e7as a respeito de sua cidade. O material \u00e9 interessante porque, al\u00e9m de ajudar as pessoas a se localizar, ainda apresenta algumas das personalidades que vivem l\u00e1, como Jurema, uma \u00edndia xavante que canta na l\u00edngua materna, Raquel Trindade e Agenor, artistas da regi\u00e3o. Hoje, as crian\u00e7as e suas professoras tentam recursos junto a empres\u00e1rios e \u00e0 Secretaria de Turismo para editar o guia e custear uma tiragem que possa circular entre os turistas que semanalmente v\u00e3o ao Embu. Esperamos ansiosos para ver o trabalho dessas crian\u00e7as participando e contribuindo para a vida de sua comunidade.<\/p>\n<p>(Daniela Pannuti)<\/p>\n<div id=\"attachment_365\" style=\"width: 351px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-365\" class=\"size-full wp-image-365\" title=\"avisala_03_tempo3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo3.jpg\" alt=\"Revista Arte no Brasil, n\u00ba1, Editora Nova Cultural\" width=\"341\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo3.jpg 341w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_03_tempo3-228x300.jpg 228w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><p id=\"caption-attachment-365\" class=\"wp-caption-text\">Entre 1624 e 1654 quase toda a costa nordeste brasileira esteve sob dom\u00ednio da Holanda. O Conde de Nassau, comandante da Companhia Holandesa de Navega\u00e7\u00e3o, trouxe com ele cart\u00f3grafos e pintores, como Frans Post, que retrataram a fauna e a flora, a paisagem daquilo que eles imaginavam que era o Brasil: o para\u00edso ex\u00f3tico, t\u00e3o sonhado naquela \u00e9poca.<br \/>(Revista Arte no Brasil, n\u00ba1, Editora Nova Cultural)<\/p><\/div>\n<p><strong>A hist\u00f3ria de nossas fam\u00edlias no Embu<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Minha av\u00f3 materna, Od\u00edlia, veio para S\u00e3o Paulo em 1972, buscando em uma cidade grande o sonho de uma vida melhor. Naquela \u00e9poca, o Embu era bem diferente do que \u00e9 hoje; n\u00e3o havia uma popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o densa no centro, s\u00f3 havia um mercado e pouqu\u00edssimas lojas. Para se chegar aos bairros era muito dif\u00edcil, pois n\u00e3o havia \u00f4nibus que fizessem essas linhas. Na \u00e9poca, mor\u00e1vamos (minha m\u00e3e e av\u00f3) no Vale do Sol, em uma ch\u00e1cara que pertencia ao casal Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi. Naquele per\u00edodo, eles gravavam uma novela ind\u00edgena chamada Aritana, em nossa cidade, que foi escolhida por ter alguns marcos hist\u00f3ricos relevantes \u00e0 trama como, por exemplo, o antigo convento, hoje Museu de Arte Sacra. Ali\u00e1s, no museu temos uma oportunidade maravilhosa de conhecer um pouco mais sobre a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa e sobre os povos ind\u00edgenas que um dia habitaram nossa cidade. Uma curiosidade interessante \u00e9 que naquela \u00e9poca as constru\u00e7\u00f5es existentes no centro eram bem mais r\u00fasticas e algumas tinham sua arquitetura inspirada em Portugal. Hoje, infelizmente, muita coisa mudou, nem tudo para melhor.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Rosa, m\u00e3e de Giovana Prates Lima)<\/p>\n<blockquote>\n<address>&#8220;Quando vim morar aqui no Embu era assim\u2026 A gente sofria muito porque n\u00e3o tinha asfalto, era um lugar muito simples\u2026 N\u00e3o tinha \u00e1gua encanada, s\u00f3 tinha a bica, onde todo mundo pegava \u00e1gua para tudo. Tinha os tanques para lavar as roupas. Eram quatro tanques para vinte mulheres. Poucas pessoas tinham luz el\u00e9trica. Uma coisa tinha: muito turista que vinha ao Embu. E tamb\u00e9m vinham pintores que pintavam os barracos e at\u00e9 as pessoas que moravam neles. N\u00e3o tinha igreja ; as missas eram celebradas na escola. A fonte vivia cheia de namorados; de s\u00e1bado e domingo a fonte era cheia de gente!&#8221;<br \/>\n(Cleonice, m\u00e3e de J\u00e9ssica de Oliveira)<\/address>\n<\/blockquote>\n<h5>Ficha T\u00e9cnica<\/h5>\n<p>O projeto &#8220;Arquitetura, Hist\u00f3ria e Arte, o Embu \u00e9 tudo isso e muito mais&#8221; foi pensado pelas professoras Ana Maria Rodrigues, Tatiane Aparecida Tomazoli e a coordenadora pedag\u00f3gica Margit Karin Both, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Daniela Pannuti, e dele participaram crian\u00e7as de 4 a 6 anos, na creche Santa Luzia, Embu, S\u00e3o Paulo, entre agosto e novembro de 1999.<\/p>\n<p><strong>Eixo de trabalho predominante:<\/strong> natureza e sociedade.<\/p>\n<p><strong>\u00c2mbito de experi\u00eancia:<\/strong> conhecimento de mundo e forma\u00e7\u00e3o social e pessoal.<\/p>\n<p><strong>Objetivo compartilhado com as crian\u00e7as: <\/strong>produzir um guia tur\u00edstico do Embu.<\/p>\n<p><strong>Objetivo did\u00e1tico:<\/strong> apresentar a hist\u00f3ria do Embu fazendo com que as crian\u00e7as se interessem e demonstrem curiosidade pelo<br \/>\nassunto, manifestando opini\u00f5es pr\u00f3prias sobre acontecimentos, buscando informa\u00e7\u00f5es e confrontando id\u00e9ias, dispondo de seus conhecimentos num material que tenha um uso social real, como \u00e9 o caso de um guia para orientar turistas em suas incurs\u00f5es pelo centro hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fados (o que a professora quer que as crian\u00e7as aprendam):<\/strong><\/p>\n<p><em>conceitos:<\/em> mapas, guias e patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><em>procedimentos (o que devem saber fazer):<\/em><\/p>\n<ul>\n<li>usar o mapa como instrumento de localiza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>comparar caracter\u00edsticas arquitet\u00f4nicas dos pr\u00e9dios antigos e atuais;<\/li>\n<li>colher informa\u00e7\u00f5es num museu;<\/li>\n<li>reconhecer e identificar os pr\u00e9dios tombados pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico;<\/li>\n<li>registrar as informa\u00e7\u00f5es obtidas por meio de desenho e da elabora\u00e7\u00e3o<br \/>\ncoletiva de texto instrucional;<\/li>\n<li>procurar informa\u00e7\u00f5es em livros, guias, mapas e outros portadores.<br \/>\natitudes e valores:<\/li>\n<li>respeitar e valorizar a cidade onde moram, reconhecendo nela um<br \/>\nimportante centro tur\u00edstico que guarda e preserva a hist\u00f3ria;<\/li>\n<li>reconhecer e valorizar o pr\u00f3prio trabalho como um objeto que ter\u00e1 uso social real (o guia pode ser lido e usado pelos turistas que v\u00e3o ao Embu).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas: <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>fazer perguntas que favore\u00e7am a constru\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses das crian\u00e7as;<\/li>\n<li>ouvir as hip\u00f3teses que surgem sobre as fontes de pesquisa, o que serve e o que n\u00e3o serve para informar, socializando esses conhecimentos com o resto do grupo;<\/li>\n<li>discutir antecipadamente as atitudes e comportamentos esperados nas visitas e passeios ( como andar de \u00f4nibus, visitar o museu, andar na rua, etc\u2026);<\/li>\n<li>discutir e decidir com o grupo os pr\u00f3ximos passos do trabalho como, por exemplo, o que ser\u00e1 escrito no guia;<\/li>\n<li>acompanhar todo o trabalho das crian\u00e7as respondendo \u00e0s d\u00favidas e instigando a constru\u00e7\u00e3o de novas hip\u00f3teses;<\/li>\n<li>ajudar as crian\u00e7as na constru\u00e7\u00e3o de registros (lista, grava\u00e7\u00f5es em cassete e desenhos) que sirvam para resgatar o que foi estudado quando for o momento de escrever o guia;<\/li>\n<li>apresentar o guia pronto para novas revis\u00f5es, modifica\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es, garantindo que seja fruto do trabalho de todos.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Atividade inicial:<\/strong> Organizar na sala mesas com v\u00e1rios livros sobre a hist\u00f3ria do Embu para que as crian\u00e7as, nos seus grupos, possam observar, explorar e manifestar o que sabem sobre o assunto. Anotar os coment\u00e1rios que surgirem.<\/p>\n<p><strong>Seq\u00fc\u00eancia prevista de atividades<sup>1<\/sup>:<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Organizar uma primeira visita ao centro hist\u00f3rico para que as crian\u00e7as tenham a chance de confrontar as informa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias com as novas, obtidas nessa visita.<\/li>\n<li>Propor um desenho de observa\u00e7\u00e3o da rua Joaquim Santana, rua central da cidade, como registro e oportunidade de elaborar hip\u00f3teses: eles devem pensar como deve ser o pr\u00f3ximo museu que v\u00e3o visitar e o que ele significa para o Embu.<\/li>\n<li>Levar o grupo para uma visita ao Museu de Arte Sacra a fim de que as crian\u00e7as conhe\u00e7am mais sobre a hist\u00f3ria do Embu. L\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel discutir o que se guarda no museu, como e por que existe esse acervo e, ainda, atitudes que os visitantes costumam ter num local como esse: como se locomover, o que pode e o que n\u00e3o pode ser tocado.<\/li>\n<li>Ler nas rodas de hist\u00f3ria algumas das lendas que fazem parte do folclore e da hist\u00f3ria do Embu, as hist\u00f3rias dos \u00edndios, que foram os primeiros habitantes, e dos jesu\u00edtas portugueses. Propor que desenhem, como forma de registro dessa pesquisa, o que permitir\u00e1 resgat\u00e1-la num outro momento, quando precisarem das informa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Levar o grupo para uma visita ao lado da cidade que n\u00e3o foi tombado pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. Propor a observa\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios novos: o supermercado, os bancos Bradesco e Caixa Econ\u00f4mica Federal. Propor que o grupo estabele\u00e7a rela\u00e7\u00f5es entre os locais atuais, os pr\u00e9dios tombados e as paisagens descritas nas lendas.<\/li>\n<li>Discutir e planejar com o grupo a elabora\u00e7\u00e3o de uma maquete da cidade. Dividir a sala em subgrupos, deixando a cada um a tarefa de registrar um pr\u00e9dio visitado.<\/li>\n<li>Conversar com o grupo sobre as \u00faltimasdescobertas, pedindo \u00e0s crian\u00e7as que se lembrem de quatro coisas importantes que viram no Embu; a grava\u00e7\u00e3o em cassete e v\u00eddeo \u00e9 uma importante forma de registro que pode ser recuperada facilmente quando as crian\u00e7as precisarem.<\/li>\n<li>Alimentar a pesquisa das crian\u00e7as levando revistas, livros, fotos, cart\u00f5es- postais, etc e criando espa\u00e7os (pain\u00e9is, mural de sala) e momentos para a socializa\u00e7\u00e3o desses saberes.<\/li>\n<li>Propor que desenhem um dos monumentos tombados para que possam pensar e levantar hip\u00f3teses sobre as caracter\u00edsticas dos pr\u00e9dios que devem fazer parte do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/li>\n<li>Voltar ao centro tur\u00edstico com um guia da cidade. Deixar que os subgrupos se localizem seguindo as orienta\u00e7\u00f5es do guia a fim de encontrar os pontos tur\u00edsticos. Orient\u00e1-los para que utilizem a legenda.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Etapas de constru\u00e7\u00e3o do guia:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>mostrar e ler para as crian\u00e7as as informa\u00e7\u00f5es que aparecem em diferentes guias;<\/li>\n<li>selecionar com as crian\u00e7as o que deve aparecer no guia que ir\u00e3o confeccionar;<\/li>\n<li>organizar o material;<\/li>\n<li>elaborar com as crian\u00e7as um texto coletivo, capa, \u00edndice e n\u00famero de p\u00e1ginas, seguindo o modelo dos guias originais;<\/li>\n<li>criar ilustra\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>distribuir a primeira vers\u00e3o para os subgrupos, dando a eles a tarefa de revis\u00e3o do texto;<\/li>\n<li>definir com o grupo todas as altera\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>editar a vers\u00e3o final;<\/li>\n<li>colocar o guia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para quem quiser consult\u00e1-lo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o:<br \/>\nA avalia\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 a partir das observa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias das a\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as no processo das atividades: o que conseguem e o que n\u00e3o conseguem fazer, quais estrat\u00e9gias utilizam para resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que se apresentam. Por esse motivo, a seq\u00fc\u00eancia de atividades n\u00e3o \u00e9 r\u00edgida: dependendo das necessidades das crian\u00e7as, ser\u00e1 preciso fazer ajustes, como reelaborar as atividades, reconsiderar os desafios propostos, voltar \u00e0 mesma situa\u00e7\u00e3o dando \u00e0s crian\u00e7as a chance de reelaborar ou mesmo pular uma etapa que n\u00e3o apresente nenhum desafio a elas. Para tanto, \u00e9 preciso que o educador saiba usar suas observa\u00e7\u00f5es para propor novas situa\u00e7\u00f5es e desafios que ajudem as crian\u00e7as a avan\u00e7ar a fim de que aprendam mais e atinjam o objetivo proposto.<\/p>\n<p>Este projeto traz uma importante contribui\u00e7\u00e3o: cada etapa da seq\u00fc\u00eancia \u00e9 descrita com clareza e a ela seguem os objetivos, ou seja, para que serve cada atividade proposta \u00e0s crian\u00e7as. Escrever os projetos dessa forma pode ser bom na medida em que ajuda o educador a pensar na adeq\u00fca\u00e7\u00e3o de suas propostas, recolocando o foco nas aprendizagens das crian\u00e7as e, por outro lado, facilita a compreens\u00e3o daqueles que desejam realizar trabalhos parecidos com este.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquitetura, hist\u00f3ria e arte do Embu. Conhecer a hist\u00f3ria da cidade onde vivemos para saber mais sobre nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e a de nossas fam\u00edlias \u2013 essa foi uma das inten\u00e7\u00f5es que deram origem a um interessante projeto no Embu. Por Daniela Pannuti<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":2962,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[99,34],"tags":[1101,111,28,110,105,106,107,109,108,65,112],"class_list":{"0":"post-356","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-03","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2000","10":"tag-arquitetura","11":"tag-arte","12":"tag-cidade","13":"tag-daniela-pannuti","14":"tag-embu","15":"tag-guia","16":"tag-historia","17":"tag-maquete","18":"tag-museu","19":"tag-patrimonio","21":"post-with-thumbnail","22":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/356\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2962"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}